Falso amigo: borracha

Será este um post de autoajuda? falaremos de… alcoolismo?
Não é de mulheres alcoólatras ou bêbadas que vamos falar, não se enganem nem caiam na cilada dos falsos amigos.

A borracha é o material com que se fazem os chinelos Havaianas, os patinhos para brincar na água, uma touca para ir à piscina, uma chupeta, alguns brinquedos…
Esta substancia é parente do caucho e podemos encontrá-la em muitas coisas que usamos na nossa vida diária. Uma delas é o objeto com que apagamos os erros escritos com lápis, isto é, a borracha. Pois é, o objeto e o material com que está feito o objeto recebem o mesmo nome.

Num uso coloquial, se uma pessoa diz de você que é “borracho/a”, não esteja na defensiva! Sorria…ou fique corado, porque isso significa que o acham fisicamente atraente.

Todo mundo sabe tudo. Quando escrever Tudo ou Todo/a(s)?

Uma das coisas que custa sistematizar quando aprendemos português é esta escolha. Por vezes achamos que o mais genuíno é colocar *tudos à toa, mas devemos parar e pensar, porque a regra é tão simples, que vale a pena.
-TUDO é uma forma invariável, não pode flexionar nem em género, nem em número. Não podemos inventar nem feminino, nem plural: *tudas, *tudos…Esta é uma forma que exprime um conceito geral.
Uma dica: se substituirmos Tudo por Nada numa frase e ela continua a ter sentido, estamos certinhos.
Tudo vale a pena/Nada vale a pena
-TODO/A, TODOS/AS varia na forma e acompanha sempre um substantivo: todos os dias, toda a noite…É uma forma que especifica.
Vejam lá esta explicação:

Podem verificar o aprendido aqui.

Repare nesta música

e agora compare

Acompanhe a letra aqui e chore connosco o fim do Carnaval, snif, snif…

Pórtico do Paraíso

raquel alão

Para quem tiver o azar de não ser de Ourense, o Pórtico do Paraíso é um conjunto escultórico românico situado na entrada ocidental da Catedral de Ourense, que reproduz a estrutura da do compostelano Pórtico da Glória mas conservando mais hieratismo românico, apesar de ser posterior.

O nome do pórtico serve de mote para um festival de música internacional que desde 2008 traz a Ourense solistas e grupos de grande qualidade e que utiliza como cenários dos concertos locais menos habituais para receber estes eventos como a Sé, a igreja de Santa Maria Mãe, na de Santa Eufemia, no Liceu ou no Teatro Principal. Centrado na música sacra, acompanha ao festival uma série de eventos paralelos a não perder, como conferências e workshops.

O dia 6 de Março, terça-feira, na Igreja de Santa Eufemia do Centro, pelas 20:30 recebemos à soprano Raquel Alão e ao organista Daniel Oliveria. Raquel Alão estudou o curso de canto na Escola de Música do Conservatório Nacional e recebeu a nota de vinte valores em 2004.Ganhou o 3.º Prémio para Voz Feminina no Concurso Nacional de Canto Luísa Todi de 2007.Fez parte do Programa Jovens Intérpretes do Teatro Nacional de São Carlos, temporada de 2009/2010.Apresenta-se frequentemente em concerto, como solista, com diversos agrupamentos, orquestras e coros. Em Agosto de 2011 cantou a Rainha da Noite na ópera da Flauta Mágica de Mozart, no Seefestspiele Berlin.

Daniel Oliveira é licenciado em Musicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.Estuda actualmente com João Vaz na Escola Superior de Música de Lisboa. Docente na Escola de Música de Torres Vedras, no agrupamento Visconde de Chanceleiros e no Atelier de Música Antiga de Alenquer. É actualmente organista titular do órgão histórico Bento Fontes da Igreja da Misericórdia em Torres Vedras e organista assistente na Basílica da Estrela em Lisboa. Apresenta-se frequentemente em concertos vários como solista ou em colaboração com vários agrupamentos e orquestras.

Mulheres a fazer filmes

Hoje trazemos ao Lusopatia um tema para a reflexão e um convite. Todos os dias vemos iniciativas que se dizem em favor da igualdade de género, muitas delas vindas dos poderes públicos, a imensa maioria não passam de campanhas, que sem ser negativas, são claramente superficiais, ou centradas em questões de Ordem Pública ou criminalidade, mas sem perceber que o problema é mais profundo. Quando nos debruçamos sobre a realidade encontramos coisas chocantes, quantas realizadoras de cinema conhecem?, acho que é aí onde temos que focar esforços. Mas há muitas iniciativas boas que estão a trabalhar silenciosamente e a mudar a nossa realidade, a associação Andaina é responsável por várias, uma é o MUFEST um festival em formato concurso, que já vai pela terceira edição e está fomentar a produção, escrita e realização de cinema por mulheres. E está a conseguir.

Do 22 a 25 de Fevereiro vão decorrer as projecções no CGAC, na capital nacional, onde se passaram as obras eleitas entre as apresentadas a concurso, e ainda alguma estreia, o prémio não será chorudo, nem vai haver passadeira vermelha, mas com certeza que vai ser interessante. Como isto está virado para a Lusopatia, no festival há tempo para uma conferência da jornalista portuguesa Ana Catarina Pereira, bolseira da UBI, que está a fazer a tese de doutoramento sobre as teorias feministas aplicadas ao cinema português. Será a quinta 22, pelas 20:00.

Lenços de Namorados: namorar com, apaixonar-se por

Em época de corações palpitantes mostramos uma genuína tradição portuguesa minhota. Estes lenços são delicadas peças, entre-tecidas em algodão e linho, que serviram outrora para bordar cenas de amor e símbolos reveladores de almas apaixonadas.
Eram confecionados pelas jovens de antigamente quando queriam dar a conhecer o seu amor. Estas raparigas pertenciam maioritariamente ao povo, não tendo por isso acesso à escolaridade, daí os erros ortográficos. Erros que são facilmente perdoáveis dada a beleza destas pequenas obras de arte.
Se tiverem tempo e vontade de surpreender, podem fazê-los em casa, só deem uma vista de olhos aqui.

No dia oficial do romantismo, queremos hoje comentar estes verbos, porque por vezes podem causar problemas, não ortográficos como no caso dos lenços, mas de interpretação.

-Namorar: é sinónimo de seduzir, encantar, mas usado com a preposição “com” indica relacionamento, andar de namoro com alguém. “Há anos que namoro com ele”, esta frase quer dizer que há anos que uma pessoa e outra são namorados.
Pode ser interpretado também como o ato de manifestar fisicamente o amor “É proibido namorar dentro de qualquer dependência da empresa”. Reparem em que nesta canção “namorar” é relacionado com “beijar de língua”.

-Apaixonar-se: é enamorar-se, sentir amor por alguém. Usamos este verbo sempre com a preposição “por”. “O Romeu apaixonou-se pela Julieta”.

Amores há muitos e formas de amar também, nós os lusópatas amamos Deolinda. E vocês? poderiam amar um tocador de tuba?

Se o amor é fon-fon-fon-fon…que se lixe o romantismo.

Escrever: HÁ, AH, À, A

Note-se que isto serve como memorando e não para apontar com o dedo a alguém…qual nada!, não é para ficarmos corados, mas um dos erros que mais frequentemente encontro nos escritos é este.
Com efeito, estas quatro palavras parecem-se e isso pode fazer com que apareçam dúvidas.

*HÁ
É a terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo do verbo Haver. Usamos esta palavra em:
-Na mesa da cozinha há uma maçã (para assinalar que uma coisa existe)
-Há anos que vou a ioga (=desde esse tempo)

*AH
É uma conjunção que exprime surpresa, admiração…
-Ah, não me lembrei de te dizer isso!
-Ah, que cachorro tão lindo!

*A
Pode ser ou uma preposição ou um artigo definido feminino singular.
-A casa da tua avó é grande (artigo)
-Começaram a gritar de medo (preposição)


É a preposição “a” contraída com o artigo definido “a”. O acento que tem é sempre grave e só aparece em sete palavras da língua portuguesa, que agora vai ficar a saber:
-à (a+a): O comboio chegou à cidade.
-às (a+as): O autocarro partiu às 16.00
-àquele (a+aquele): Foram àquele bar tomar uns copos
-àqueles (a+aqueles): Foram fazer montanhismo àqueles montes
-àquela (a+aquela): Nunca fui àquela palestra de economia
-àquelas (a+aquelas): Nunca fomos àquelas montanhas
-àquilo (a+aquilo): Liga sempre àquilo que falámos

Tanto papo de linguista e ainda ficou com dúvidas? veja o vídeo a seguir.

Verifique agora os seus conhecimentos aqui.

Cacimbo

Aline Frazão

Se estiveres a trabalhar num centro de ensino ou se tens a possibilidade de contactar, propor actividades na tua Câmara Municipal, numa associação cultural ou de moradores ou em qualquer sítio este é o teu post. Vamos apresentar um projecto protagonizado por uma das musas (ou a musa mesmo) do Lusopatia, Aline Frazão.

O projecto chama-se Cacimbo, e vem tender uma ponte entre a África e as nossas crianças. Cacimbo quer dizer inverno e é aí, na época do inverno angolano onde Aline encontra essa união inevitável entre as paisagens, a música, a fauna e a flora africanas e a nossa cultura. Cacimbo afinal é um workshop focado nas crianças entre os 9 e 12 anos, usando a variante da língua africana do português as crianças vão ficar mais próximas de uma outra realidade, que parece distante, mas que nos deixa com a certeza de que na nossa diversidade, as pessoas somos todas essencialmente iguais. Se quiseres contratar, ou conheceres alguém que possa estar interessado, contacta aqui.

E ainda com Aline, recordem que na 5ª 16 de Fevereiro, sobe a palco no Teatro Principal compostelano, desta vez, sozinha, e com um concerto só para ela vamos poder desfrutar do novo Clave Bantu, dentro do ciclo “Íntimo & Acústico” que organiza a Câmara Municipal da capital. Quem não morar em Compostela pode reservar bilhetes no info@culturaimperdible.com e para quem quiser comprar “ao vivo” os acessos estão à venda nos seguintes locais:

Teatro Principal (de terça a sábado, de 18h a 21h)
Casa das Crechas (Via Sacra, nº3)
A gentalha do Pichel (Santa Clara, nº21)
Trisquel (Acibechería, nº31)
Lilith (Rua Travessa, nº7)
M*Café e Copas (Fonte de Santo António)

Assinatura de Sal_ Aline Frazão from xavier belho on Vimeo.