Rodrigo Leão na Corunha

Amanhã chega à Corunha um dos grandes vultos da música portuguesa. Integrante de duas das bandas com mais repercussão internacional: Madredeus e Sétima Legião.

Rodrigo Leão é desses homens que criam autênticos hinos e é por isso que foi capaz de reunir tantos prémios.

Ele é um músico completo, criador de um estilo inconfundível. Explora a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicionais, por isso ir a um concerto dele é quase ouvir uma sinfonia de sintetizadores.

Amanhã o lisboeta vai estar no Teatro Colón da Corunha, no marco do Festival do Noroeste, acompanhado de Ana Vieira na voz. Vai tocar temas essencialmente compostos para a voz desta cantora, em língua portuguesa maioritariamente, mas também em inglês, francês e espanhol.

Deixo-vos com Vida Tão Estranha, que é uma das suas mais belas obras.https://youtu.be/joKcK4D6PGo

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Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.

Sepultura em Viveiro

No ano 2015 falávamos da presença dos Moonspell em Viveiro no Resurrection Fest, três anos antes noticiávamos a chegada dos Sepultura à Galiza. Esse artigo foi, de facto, uma pole position no nosso ranking de mais lidos durante anos. Pronto, esse e um intitulado “Mulheres a fazer filmes”, porque sempre há uma pessoa tarada que faz uma leitura pornográfica de tudo e contou também como visitante do blogue.

No dia 7 deste mês, no Resurrection Fest em Viveiro, chega a banda dos irmãos Calavera (mas sem eles) para dar à lusopatia o toque heavy de que estávamos à espera. Nem tudo vai ser fado, ‘migas! E como eu gosto de mostrar que o Brasil é um país musicalmente muito diverso, que tem tudo, todos os ritmos, e todos eles passam por aquele crivo da brasileirização.

Neste 2017, os Sepultura lançaram o seu 14º álbum de estúdio, Machine messiah, e com isto demonstram que a máquina ainda está azeitada e continua a funcionar. Mas…pode uma banda com 32 anos de carreira ser ainda relevante? Pode, sim, tomando como motivos temas atuais para as suas letras. Este disco é uma referência, segundo diz o seu líder Andreas Kisser, à dependência moderna de gadgets e à subordinação humana a inteligências artificiais.

Por outra parte, os temas políticos não escapam. Na faixa 4, Alethea, há críticas à Lava Jato e da situação da corrupção no Brasil.

Contexto fora, a crítica tem falado bem deste trabalho nos últimos meses. Pelos vistos o álbum supera o Roots de 1996, trabalho que incluiu cânticos de índios xavante e a participação do Carlinhos Brown. O grupo visa tornar este álbum num segundo clássico. O tempo sozinho dirá…

Quanto aos ritmos, o quarteto investe no prog, mas sem descuidar o seu assalto sonoro, esse “maracatu drak” a que estamos habituados.

Estão prontos?

Zuco 103 e Bnegão em Caldas

Num novo município, mas com a mesma filosofia: volta o Portamérica.

Havia tempo que este evento tinha sido deixado de parte e agora poderemos desfrutá-lo em Caldas de Reis. Como se fossem bonecas russas, este ano o festival está encaixado dentro do programa do Cultura Quente. Boa cozinha, música e projetos criativos não hão de faltar no carvalhal.

Há pouco vi o programa de um festival galego que se chama Atlantic Fest e fiquei um bocado brava…porque realmente o catálogo de artistas não tinha nada de atlântico. O Portamérica visa ser um portal entre a Galiza e a América Latina e realmente cumpre essa promessa. A proposta lusopata deste ano faz-me muito (muito) feliz. Temos duas bandas bué de fixes: Zuco 103 e BNegão & Seletores de Frequência.

Zuco 103 não é uma banda brasileira…e tanto faz! Radicados na Holanda e com líder brasileira (Lilian Vieira) o grupo tem influência de electro-pop, samba e bossa nova. “Outro lado”, “Treasure” ou “Nunca mais” foram os meus mantras universitários, numa fase de música eletrónica que eu tive (quem nunca…?). Eles são os criadores de um estilo novo: o brasilectro.

Deixo-vos com o vídeo de “Na Mangueira”. Podem permanecer com os pés quietos? impossível!

Bnegão poderia ser confundido com uma sigla política, mas é o nome artístico do carioca Bernardo Santos. O rap e o hip hop são a sua praia. Ele foi, junto com Marcelo D2, um dos vocalistas do grupo Planet Hemp, lembram-se? Quando largou a banda fundou BNegão & Seletores de Frequência, desta vez misturando rap, hardcore, dub e funk, com letras carregadas de crítica social.

Ouçam, na íntegra, o álbum Sintonize lá.

E esta toda maravilha quando vai ser? esta sexta!

 

O Douro na Ribeira Sacra

A vida pode ser maravilhosa e para aquelas pessoas que amam vinho, ainda mais.

Entre hoje e amanhã haverá em Monforte de Lemos várias iniciativas em volta desta inspiradora bebida, porque, já sabem a coisa como é o bom vinho, solta as línguas e os corações. E tal como nas melhores comunhões, da boa mesa saem as melhores iniciativas.

Hoje podem ir à apresentação do livro Galegos do Douro de Alberto Alves, à projeção do documentário Gigantes do Douro de André Valentim Almeida e…não podia ser doutra maneira, uma cata de vinhos e azeite.

Para fechar com chave de ouro, amanhã há um concerto de Sons do Douro e também venda de livros da livraria Traga-Mundos.

Brindamos?

Ponte a Portu-Gal

Muito em breve, de 20 a 23 de abril, o município de Ponte Areias organizará uma semana cultural galego-portuguesa. O mês de abril é mesmo assim, já sabem, carregado de programação e atividades. Ponte Areias é um desses lugares sobre os quais ainda nunca tinha escrito neste blogue, então, sentir que o círculo é cada vez maior é sempre gratificante.

Ponte a Portu-Gal procura exibir as manifestações culturais comuns dos dois lados do Minho.

  • Na quinta, dia 20, Sala Multiusos do Auditório Municipal com a inauguração, às 20:30 h, da exposição fotográfica ‘Aos Olhos de Eduardo’ do fotógrafo Eduardo Teixeira Pinto.
  • Na sexta 21, às 21h (que fácil!) na mesma sala do auditório haverá a projeção do documentário Galegos em Lisboa de Xan Leira. Como eu gostaria de ver isto, ia curtir imenso!
  • No sábado 22, às 20h na sala do auditório temos mais um documentário, Mulheres da raia, de Diana Gonçalves, e a seguir haverá um colóquio com a realizadora.
    • às 22hh há um concerto de Galandum Galundaina (Miranda do Douro, Portugal) e Caxade (Galiza)
  • No domingo 23 temos o encerramento destas atividades. Para acabar à grande e à francesa às 18h30 sairão da Câmara Municipal as bandas Longos Vales (Portugal) e Agarimos da Terra e percorrerão as ruas do lugar até chegarem novamente ao auditório, onde serão recebidos por dois cantores do desafio: Augusto Canário e Luís Caruncho.

Alinhem! Abril sempre!

Cantos na Maré 2017

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Chega um dos eventos mais importantes do nosso calendário: o Cantos na Maré. Este ano a edição vai ser, por assim dizer, uma homenagem e um reencontro com a África lusófona, depois de em 2016 termos perdido um dos grandes vultos da nossa cultura: Narf.

Cada vez que no Lusopatia aparecia o tag “Guiné”, confessemos, era por causa dele. O Narf era desses músicos com alma que foi capaz de fazer-nos ver que lá no fundo no fundo…a origem de todas as coisas é o continente africano. E assim chegaram a este blogue nomes como o de Manecas Costa, por exemplo.

Este vai ser um festival em grande. Amanhã começam uma série de atividades complementares que irão decorrer entre Compostela e Ponte Vedra:

  • dia 12: conversa e cantos com Manecas Costa (Guiné Bissau) na Casa das Crechas em Compostela às 22h30 (5 euros)
  • dia 13: oficina musical para escolares sobre cantos tradicionais brasileiros com Kátya Teixeira (Brasil) no Paço da Cultura de Ponte Vedra às 11h.
  • dia 13 também: Colóquio: O semba, matriz cultural de Angola com Paulo Flores (Angola) na livraria Paz em Ponte Vedra às 20h.
  • dia 14: oficina de canto alentejano com Celina da Piedade (Portugal) no Gramola em Ponte Vedra às 13h.

Como já falei das atividades…não sei se hei de falar do cartaz do sábado. Acho que conseguem adivinhar quem vai estar.

Com efeito: Manecas Costa, Paulo Flores, Kátya Teixeira, Celina da Piedade, as nossas Guadi Galego e Uxia e o músico espanhol Santiago Auserón. Todas estas pessoas atuaram na Galiza e temos por cá no blogue notícias suas que cheguem, é por isso que não vos quero aborrecer e vou apenas colocar uma canção, se me permitirem, do Narf com o Manecas, porque acho que é quase um dever.

Onde quer que estiveres…alô irmão “Narife”

A música portuguesa a gostar dela própria

Amanhã às 20h chega a Vilar de Santos, à Arca da Noe,  A música portuguesa a gostar dela própria.

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Aquelas pessoas que me conhecem bem sabem que sou uma pessoa que aborrece a música tradicional mesmo. Mas “A música portuguesa a gostar dela própria” vai mais além da tradição. Antes de mais, temos que dizer que o nome é já uma intencionalidade expressa, o projeto nasce com o intuito de valorizar aquelas formas de património vivo: as cantigas, os romances, os desafios…Aí já não há gosto ou não gosto pela minha parte, aí há um trabalho de anos que é necessário reconhecer.

Desde 2011 o realizador Tiago Pereira tem recolhido estas manifestações populares por todo o país vizinho. Acabei mesmo de entrar na página do Facebook deles e li agora uma afirmação que me fez muito feliz, por uma coisa que vos explicarei mais logo: “é urgente documentar, gravar e reutilizar fragmentos da memória de um povo“. O projeto já ultrapassou fronteiras, hoje estão em Vilar de Santos a gravar, portanto, quando falamos de “um povo” falamos de “um povo” maior do que os seus limites administrativos. E quem quiser ver, que veja.

Adelina da Límia, maravilha.

Todo este acervo cultural é material para o programa “O povo que ainda canta” que o Tiago dirige na Antena 1.

Amanhã às 20h podem então com este realizador, que vai apresentar o projeto na nossa taberna preferida.

 

Desfazendo a raia

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A Gálix e a Ciranda à volta do português organizam hoje um evento sobre livro infantil e juvenil chamado Desfazendo a raia. O nome é já uma declaração de intenções, a Galiza e Portugal unem-se para criar uma ponte de livros, desfazer uma fronteira política.

O livro virado para o público mais miúdo vai ser visto de diferentes focagens: a crítica, a edição, a ilustração…o programa está a decorrer nestes momentos na Galeria Sargadelos de Compostela e haverá atividades até amanhã sábado. Querem saber quais são as inquietações a respeito disto na Galiza e em Portugal? este é o vosso evento.

Minho Reggae Splash 2016

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Chega a sétima edição do festival de música reggae mais conhecido no país: o Minho Reggae Splash.

Habitualmente, aparecem no cartaz várias bandas de países lusófonos e este ano a tradição não se rompe.

  • No dia 2 de setembro chegarão a Tominho no palco Dub Corner:

Junior Dread. Este brasileiro representa a nova geração da música reggae. Com músicas gravadas em português e inglês destaca-se e atravessa fronteiras.

Em 2011 lançou a música e o videoclipe “Não deixe de lutar”  com participação de Gustavo “Black Alien”, um dos artistas mais respeitados na cena do Rap no Brasil e aí a carreira do Junior Dread nunca parou de bombar.

Ouvi hoje a canção do Menino e gostei muito, na verdade. Tem aquele toque Natiruts.

Real Rockers. Real Rockers não é bem uma banda de reggae, Real Rockers é um movimento criado na cidade do Porto que foi criado com o intuito de dar valor e rotina à cultura Reggae Roots & Dub na invicta. Podemos definir o Real Rockers como uma união de músicos e produtores que promovem os ritmos da era dourada do rub-a-dub.

  • No sábado 3 de setembro, no palco das bandas:

Angatu. Angatu é uma banda brasileira formada por ex-integrantes da Cultivo. Estamos a falar de uma das mais novas bandas de reggae de Florianópolis.

Estes músicos lançaram em 2014 o seu primeiro CD, A vida que eu sempre quis, um disco todo com músicas originais e também participações vocais das jamaicanas Kim Pommell e Shareda S. Sharpe (Groundation) e dos gaúchos Pablo “See a Rasta” (Rutera), Leonardo “Frodo” Barbosa (Brilho da Lata), Fyah Rocha e Danilo Beccaccia.

Então, vamos lá?