Wos 2017

Hoje começa mais uma edição do Wos em Compostela. O Wos é um espaço de encontro de cultura alternativa com caráter anual. Cada ano reunem-se em Compostela pessoas do mundo da música, artes plásticas e cénicas.

Este ano temos na cidade a quarta edição e, como já fiz a minha própria navegação pelo programa, posso-vos dar a proposta lusópata. Espero que estejam prontos para começar:

  • HHY and The Macumbas chegam hoje do Porto para partilhar connosco o seu som entre vodu e dub. HHY é um instrumentista e produtor que unido aos The Macumbas cria um ritmo novo de percussão que agita qualquer corpo.

https://youtu.be/XzXYgrharhA

  • Amanhã vêm da aldeia do Fornelo, Portugal, os Sensible Soccers. Famosos pelos seus concertos e pela empatia com a empatia com o público, desde 2011 são considerados uma banda de culto.


Este trio faz sobretudo música instrumental, mas sem esquecer a experimentação com sintetizadores. Villa Soledade foi o seu último disco e primeiro sem o baixista Emanuel Botelho. O título do álbum remete para uma casa na estrada nacional que vai de Vila do Conde para Santo Tirso, dessas que uma pessoa vê e recorda por exóticas na construção. Mas o disco não vai sobre esta casa, obviamente. Relatam aqui, de uma maneira íntima, a relação que existe entre as pessoas e os ambientes, por vezes deprimentes e por vezes cheios de esperança.

https://youtu.be/ge23rj72wcQ

Apanhem os seus óculos de massa e deixem barba, que o Wos vai começar.

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Caminhar sem fim

Compostela é essa cidade que as pessoas recordam por causa do Caminho. Entre peregrinos, lojas de souvenirs e ementas de polvo e churrasco, também há outro caminho: o dos encontros musicais. Narf era um músico que caminhava entre várias culturas e o Festival Feito a Man quer recordá-lo da melhor maneira: com um concerto tributo.

O dia 30 deste mês, às 21h, na Praça da Quintana, teremos oportunidade de ver aqueles artistas que colaboraram com o Narf durante anos: Timbila Muzimba, Xelís de Toro, Jim Sanders, Ze Rui, Coro Encaixe, Coro da Rá, Mofa e Befa, Manolo Cortés (Chévere), Luiz Caracol, As Marias (Maria Bouzas e Maria Pujalte), Carlos Santiago, Pepe Sendón, Quico Cadaval, Uxía, Jabier Muguruza, Alfonso Espiño, Pilo Sierra, Xabier Olite, Javier Abraldes, Pista 4, Manuel Paino, Piti Sanz, Ton Risco e Fran Sanz, entre outros.

Do ponto de vista lusopata não podem perder os Timbila Muzimba (de Moçambique) e o Luiz Caracol (de Portugal e de quem temos falado nestes últimos dias). Podem ver como foi o concerto de Narf com os Timbila neste vídeo, um exemplo ímpar de talento.

E cá com o Luiz Caracol:

As pontes que este homem tem criado durante anos são hoje motivo de celebração neste concerto tributo. Continuemos a caminhar juntos, porque aquelas pessoas que recordamos, essas…nunca morrem.

 

 

Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.

Stone Dead em Compostela

Stone Dead é uma banda de Pisões, Montalegre. É dessas formações de dois amigos que começam a estudar música juntos, um bocado sem saber no que vai dar e no fim…o produto é bom. Uma bateria velha em casa do pai de um deles e muitos discos dos Sex Pistols depois serviram para defini-los como grupo.
Good Boys, o seu álbum, é todo um achado. “Um clássico instantâneo equilibrado com mestria entre garagem suada, estúdio onde se maquina inventiva arquitectura sónica e cabine onde se registam harmonias de voz bem afinadas”, segundo afirman no Cultura-Ipsilon.

Amanhã estarão no Hotel NH de Compostela, às 21h, no marco dos concertos Terrazeando.

“Mãe” de Paulo Silva Trio

Paulo Silva é um percussionista brasileiro que leva mais de dez anos connosco. É fácil vê-lo acompanhar a Uxia, Sérgio Tannus, The Lakazans…porque é desses músicos virtuosos e com um registo amplo. Neste ano, o Paulo Silva descolou. Começa um projeto próprio com dois grandes músicos da Galiza: Valentín Caamaño e Alberte Rodríguez.

Paulo Silva Trio lança amanhã Mãe na sala Riquela às 22h em Compostela. Este vai ser o início de uma digressão de concertos que levarão por toda a nossa geografia o bom fazer destes rapazes.

O nome do disco, Mãe, parece um regresso às essências, uma sorte de anagnórise. Habituados/as como estamos a ver o Paulo interpretar todo o tipo de estilos, teremos agora que ouvi-lo na pureza de um único ritmo: o jazz. O repertório é de reinterpretações de clássicos do jazz norteamericano como Isfahan (Duke Ellington), Birk Works (Dizzy Gillespie) ou Body and Soul (Johnny B. Green), mas isto tudo é também misturado com temas de criação própria.

Podem ouvir o disco nesta ligação do Spotify, mas se eu fosse a vocês, ia amanhã ao Riquela.

Cheny Wa Gune nas Crechas

A programação da Casa das Crechas não para de nos dar motivos para escrever neste mês e nós gostamos muito do desafio.
Hoje às 21h temos o Cheny Wa Gune em concerto. Conheci este artista por causa do Cantos na Maré de 2013 e, também, graças ao Narf. Fran Pérez foi uma auténtica ponte entre a Galiza e os países africanos de língua portuguesa. Os Timbila Muzimba foram uma peça mais dessa ponte com a qual viajamos a Moçambique. O último concerto que o Narf deu na Galiza foi aquele do Womex com os Timbila e onde também estava o Cheny…lá estávamos todos/as unidos num único sentimento.
Se depois desta intro ainda não perceberam bem quem é que é o Cheny Wa Gune, vai valer mais a pena começarmos pelo princípio. Ele nasceu em Maputo em 1980. Desde cedo sentiu curiosidade pela música, aprendendo os conhecimentos da música chopi aos 5 anos. É membro fundador da OrquestraBanda Timbila Muzimba desde 1996 e com ela participou em vários festivais internacionais divulgando a música moçambicana, em particular a timbila, em diversos países.

Não consegui resistir e tive que postar esta cover de Billy Jean na timbila…simplesmente maravilhosa. Vão perder?

Nexos: Arquitetura. O legado da Escola do Porto

 

Vitrúvio é, por assim dizer, o pai da arquitetura. No seu tratado De Architectura definiu os três conceitos em que se baseia esta arte: a beleza (Venustas), a construção (Firmitas) e a função (Utilitas). Ele foi um homem importante na história desta arte. Conhecem algum nome de arquiteto/a lusófono/a? imagino que agora andam a pensar em Siza Vieira ou Óscar Niemeyer. A notícia de hoje tem a ver com o primeiro.

Gostam, como eu, de andar a ver prédios e outras construções? estão de parabéns! Amanhã na Cidade da Cultura, no marco de atividades do Nexos, será tratado o tema do legado da Escola do Porto da mão de dois professores portugueses: Alexandre Alves Costa e Pedro Bandeira.

A chamada Escola do Porto marca o modo de fazer arquitetura em Portugal nas últimas décadas do século XX. É inegável o grande número de fãs que a cidade reúne, porque, pensem bem, na cidade invicta podemos ver amostras arquitetónicas desde o medievo até a contemporaneidade.
Távora, Álvaro Siza e Souto de Moura são as colunas que sustentam uma tendência hoje seguida por muitos aprendizes. É esta produção arquitetónica que normalmente está associada internacionalmente à imagem da “arquitetura portuguesa”.

Podem ver o programa nesta ligação. Inscrevam-se!

Isabela Figueiredo à conversa na EOI de Compostela


Isabela Figueiredo nasceu no ano 63 numa terra que na altura era chamada de Lourenço Marques. Depois da independência de Moçambique, deixou Maputo e rumou a Portugal.

Foi jornalista, é professora de português e bloggista de Novo Mundo, portanto, já tem pontos para eu gostar dela.
Desenvolve workshops de escrita criativa e participa em seminários e conferências sobre as suas principais áreas de interesse: estratégias de poder, de exclusão/inclusão, colonialismo dos territórios, géneros, corpo, culturas e espécies.
Hoje estará na sala 5 da EOI de Compostela às 18h30 e poderemos meter conversa com ela sobre o seu último livro, A gorda, e outros.

Festival Atlântica 2017

Amanhã começa o nosso encontro com a narração oral: o Festival Atlântica, um clássico na programação da cidade. Bem haja para este projeto, que já conta com cinco (cinco!) edições.

Abre o festival o contador Pablo Albo de Alicante, mas realmente a gala inaugural com todos os contadores e contadoras não é até depois de amanhã.

Será em 16 de março quando os contos em português comecem. Sofia Maul  (Madeira), Cláudia Fonseca (Brasil), Valter Peres (Açores), Vítor Fernandes (Trás-os-Montes) vão ser os representantes das vozes em língua portuguesa.

Então é assim, os contadores lusófonos não são novos…mas isto não quer ser uma crítica! Quem está de volta é porque vale a pena!

No programa há também uma atividade que…quem me dera a mim poder fazer!! Mas os tempos do capitalismo pedem que trabalhe e trabalhe e isto atrapalha muito a vida social. O Manuel Gago fará uma visita guiada pela cidade, contando a crónica negra dos últimos tempos. Um passeio pelos crimes de Compostela que pode apaziguar a sede de conhecimento do mais morboso/a. Será esta a cidade calminha que sempre achamos que era?