António e Cleópatra de Tiago Rodrigues

Começando fevereiro temos no Gaiás o festival Escenas do Cambio, um evento que normalmente une os melhores dançarinos e performistas das duas margens. Desta feita, o diretor e escritor português Tiago Rodrigues leva a palco à dupla de  coreógrafos Sofia Dias e Vítor Roriz com o espetáculo António e Cleópatra. Já conhecíamos o Tiago de anteriores edições deste festival, por causa da sua peça By Heart.

Tiago Rodrigues reescreve em forma de performance uma das tragédias amorosas históricas mais conhecidas, a do romance entre a rainha do Egito e o general Marco António, já escrita por Shakespeare.

Depois de ter triunfado em Avignon, Tiago Rodrigues traz esta peça a Compostela hoje às 20h30 no Gaiás.

Podem ver como é que foram os ensaios.

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O Zeca Afonso volta à sua pátria espiritual

Um dos grandes precursores musicais do vínculo Galiza-Portugal foi, sem dúvida, o Zeca Afonso.

A Associação José Afonso terá a partir de agora uma seção na Galiza. Ela será apresentada formalmente este sábado à tarde, com uma palestra, exposições e um concerto. Mas hoje já temos algumas coisitas na agenda para fazer, por exemplo, ir à exposição fotográfica na Casa das Crechas intitulada: Zeca: O que foi, O que é.

Podemos dizer que nós tínhamos uma dívida com o cantor luso. Devemos-lhe tanta coisa! abriu tantos caminhos na música e na cultura que não sei se há no mundo eventos que cheguem para agradecer, mas vamos tentar.

AJA juntará amigos galegos para recordar a herança que Zeca deixou. Frases como “A Galiza é para mim uma espécie de Pátria espiritual. Foi uma experiência maravilhosa. Algo especial. Talvez ninguém me entendesse como na Galiza ” ou “estou farto de dizer por todo o lado que a Galiza não é Espanha” demonstram que ele teve cá uma segunda casa e uma forte identificação cultural.

É impossível não relacionarmos o músico com Grândola vila morena. Talvez quem cá lê não saiba que esta canção foi tocada pela primeira vez em Compostela, no Burgo das Nações. Ele escolheu Compostela e para ver como a música funcionava e não foi por acaso.

Se quiserem comemorar a herança que ele nos deixou, não percam as atividades. O programa começa formalmente amanhã às 18h há uma palestra na Gentalha do Pichel sobre o «Triângulo mágico na vida e obra de José Afonso: África-Portugal-Galiza». Depois, às 22h, um concerto de homenagem ao Zeca na Sala Malatesta com artistas das duas margens: Uxia, Francisco Fanhais, Nao, Cais da Saudade, Falua, Tiago Fernandes, Banda das Crechas, Do fondo do peto, Chico de Carinho & Manolo Bacalhau.

E não, não é mentira nem exagero esse amor que o Zeca tinha pela Galiza. Ouçam só esta adaptação que ele fez de uma das nossas músicas populares. Sempre Zeca!

Capicua e Pedro Giraldes em Compostela

Eu sabia que depois de terem ouvido Capicua no Aritmar 2016 os/as programadores/as culturais não iam demorar em contar com ela mais vezes.

Neste domingo dia 26, às 18h, a minha ídolo e Pedro Giraldes, guitarrista dos Linda Martini, chegarão a Compostela ao Centro Sociocultural de Santa Marta.

Compostela Miúda é um espaço que programa atividades para famílias e no marco da sua programação de concertos, estes músicos subirão a palco para encenarem as músicas do seu último trabalho conjunto: Mão Verde.

Não sei se sabiam, mas “Mão Verde” é aquilo que dizemos quando alguém é talentoso/a com a jardinagem. E nesta dupla talento é que não falta!

A Ana e o Pedro construiram um cd cheio de amor às plantas, à quinta, à ecologia e também às crianças. Este é, sim, um livro-cd para crianças que visa espalhar uma certa consciência ambientalista entre os mais novinhos. Mas (advirto) não se trata de um desses cd’s lamechas. Não, não é um Avô Cantigas nem uma Florbella a cantar. Em palavras dos autores: “é para crianças, mas não é infantil”.

Miúdos e graúdos podem gostar das músicas e desfrutá-las juntos, folheando cada página do livro, porque cá cada página é muito valiosa: ilustrações de Maria Herreros e pequenas notas do agricultor Luís Alves, para dar a conhecer os bichos e as plantas cantados, ao mesmo tempo que são explicados os significados de termos mais complicados como compostagem ou o aquecimento global. O ano passado comprei-o no concerto e eu, que já estou na casa dos -intas, ouço-o e olho para ele como um tesouro. A edição, os desenhos, as letras, os arranjos musicais…tudo está feito com o máximo cuidado.

 

Bora’! rap ecológico para todas as idades!

 

 

 

Moonspell na Sala Malatesta

Amanhã na sala Malatesta temos um encontro com o metal lusitano.

Os Moonspell levam defendendo o Gothic Metal desde 1992. Em 2015 já nos visitaram no Resurrection Fest, agora é a vez de Compostela.

O seu último trabalho, 1755, é cantado integramente em português. Este disco supõe uma maturidade quanto à harmonia para a banda. E o título? o título é uma promessa de uma terra que vai tremer com a melodia porque, recordem, 1755 é a data do terremoto de Lisboa.

O quinteto ainda mantém sua mesma personalidade musical, o contraste entre as influências agressivas de seus tempos anteriores com a estética elegante do doom / gothic metal. Mas agora, há alguns coros gregorianos e wagnerianos e orquestrações.

A terra vai tremeeeer!

 

Wos 2017

Hoje começa mais uma edição do Wos em Compostela. O Wos é um espaço de encontro de cultura alternativa com caráter anual. Cada ano reunem-se em Compostela pessoas do mundo da música, artes plásticas e cénicas.

Este ano temos na cidade a quarta edição e, como já fiz a minha própria navegação pelo programa, posso-vos dar a proposta lusópata. Espero que estejam prontos para começar:

  • HHY and The Macumbas chegam hoje do Porto para partilhar connosco o seu som entre vodu e dub. HHY é um instrumentista e produtor que unido aos The Macumbas cria um ritmo novo de percussão que agita qualquer corpo.

https://youtu.be/XzXYgrharhA

  • Amanhã vêm da aldeia do Fornelo, Portugal, os Sensible Soccers. Famosos pelos seus concertos e pela empatia com a empatia com o público, desde 2011 são considerados uma banda de culto.


Este trio faz sobretudo música instrumental, mas sem esquecer a experimentação com sintetizadores. Villa Soledade foi o seu último disco e primeiro sem o baixista Emanuel Botelho. O título do álbum remete para uma casa na estrada nacional que vai de Vila do Conde para Santo Tirso, dessas que uma pessoa vê e recorda por exóticas na construção. Mas o disco não vai sobre esta casa, obviamente. Relatam aqui, de uma maneira íntima, a relação que existe entre as pessoas e os ambientes, por vezes deprimentes e por vezes cheios de esperança.

https://youtu.be/ge23rj72wcQ

Apanhem os seus óculos de massa e deixem barba, que o Wos vai começar.

Caminhar sem fim

Compostela é essa cidade que as pessoas recordam por causa do Caminho. Entre peregrinos, lojas de souvenirs e ementas de polvo e churrasco, também há outro caminho: o dos encontros musicais. Narf era um músico que caminhava entre várias culturas e o Festival Feito a Man quer recordá-lo da melhor maneira: com um concerto tributo.

O dia 30 deste mês, às 21h, na Praça da Quintana, teremos oportunidade de ver aqueles artistas que colaboraram com o Narf durante anos: Timbila Muzimba, Xelís de Toro, Jim Sanders, Ze Rui, Coro Encaixe, Coro da Rá, Mofa e Befa, Manolo Cortés (Chévere), Luiz Caracol, As Marias (Maria Bouzas e Maria Pujalte), Carlos Santiago, Pepe Sendón, Quico Cadaval, Uxía, Jabier Muguruza, Alfonso Espiño, Pilo Sierra, Xabier Olite, Javier Abraldes, Pista 4, Manuel Paino, Piti Sanz, Ton Risco e Fran Sanz, entre outros.

Do ponto de vista lusopata não podem perder os Timbila Muzimba (de Moçambique) e o Luiz Caracol (de Portugal e de quem temos falado nestes últimos dias). Podem ver como foi o concerto de Narf com os Timbila neste vídeo, um exemplo ímpar de talento.

E cá com o Luiz Caracol:

As pontes que este homem tem criado durante anos são hoje motivo de celebração neste concerto tributo. Continuemos a caminhar juntos, porque aquelas pessoas que recordamos, essas…nunca morrem.

 

 

Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.

Stone Dead em Compostela

Stone Dead é uma banda de Pisões, Montalegre. É dessas formações de dois amigos que começam a estudar música juntos, um bocado sem saber no que vai dar e no fim…o produto é bom. Uma bateria velha em casa do pai de um deles e muitos discos dos Sex Pistols depois serviram para defini-los como grupo.
Good Boys, o seu álbum, é todo um achado. “Um clássico instantâneo equilibrado com mestria entre garagem suada, estúdio onde se maquina inventiva arquitectura sónica e cabine onde se registam harmonias de voz bem afinadas”, segundo afirman no Cultura-Ipsilon.

Amanhã estarão no Hotel NH de Compostela, às 21h, no marco dos concertos Terrazeando.

“Mãe” de Paulo Silva Trio

Paulo Silva é um percussionista brasileiro que leva mais de dez anos connosco. É fácil vê-lo acompanhar a Uxia, Sérgio Tannus, The Lakazans…porque é desses músicos virtuosos e com um registo amplo. Neste ano, o Paulo Silva descolou. Começa um projeto próprio com dois grandes músicos da Galiza: Valentín Caamaño e Alberte Rodríguez.

Paulo Silva Trio lança amanhã Mãe na sala Riquela às 22h em Compostela. Este vai ser o início de uma digressão de concertos que levarão por toda a nossa geografia o bom fazer destes rapazes.

O nome do disco, Mãe, parece um regresso às essências, uma sorte de anagnórise. Habituados/as como estamos a ver o Paulo interpretar todo o tipo de estilos, teremos agora que ouvi-lo na pureza de um único ritmo: o jazz. O repertório é de reinterpretações de clássicos do jazz norteamericano como Isfahan (Duke Ellington), Birk Works (Dizzy Gillespie) ou Body and Soul (Johnny B. Green), mas isto tudo é também misturado com temas de criação própria.

Podem ouvir o disco nesta ligação do Spotify, mas se eu fosse a vocês, ia amanhã ao Riquela.

Cheny Wa Gune nas Crechas

A programação da Casa das Crechas não para de nos dar motivos para escrever neste mês e nós gostamos muito do desafio.
Hoje às 21h temos o Cheny Wa Gune em concerto. Conheci este artista por causa do Cantos na Maré de 2013 e, também, graças ao Narf. Fran Pérez foi uma auténtica ponte entre a Galiza e os países africanos de língua portuguesa. Os Timbila Muzimba foram uma peça mais dessa ponte com a qual viajamos a Moçambique. O último concerto que o Narf deu na Galiza foi aquele do Womex com os Timbila e onde também estava o Cheny…lá estávamos todos/as unidos num único sentimento.
Se depois desta intro ainda não perceberam bem quem é que é o Cheny Wa Gune, vai valer mais a pena começarmos pelo princípio. Ele nasceu em Maputo em 1980. Desde cedo sentiu curiosidade pela música, aprendendo os conhecimentos da música chopi aos 5 anos. É membro fundador da OrquestraBanda Timbila Muzimba desde 1996 e com ela participou em vários festivais internacionais divulgando a música moçambicana, em particular a timbila, em diversos países.

Não consegui resistir e tive que postar esta cover de Billy Jean na timbila…simplesmente maravilhosa. Vão perder?