Cantos na Maré 2017

programa-completo

Chega um dos eventos mais importantes do nosso calendário: o Cantos na Maré. Este ano a edição vai ser, por assim dizer, uma homenagem e um reencontro com a África lusófona, depois de em 2016 termos perdido um dos grandes vultos da nossa cultura: Narf.

Cada vez que no Lusopatia aparecia o tag “Guiné”, confessemos, era por causa dele. O Narf era desses músicos com alma que foi capaz de fazer-nos ver que lá no fundo no fundo…a origem de todas as coisas é o continente africano. E assim chegaram a este blogue nomes como o de Manecas Costa, por exemplo.

Este vai ser um festival em grande. Amanhã começam uma série de atividades complementares que irão decorrer entre Compostela e Ponte Vedra:

  • dia 12: conversa e cantos com Manecas Costa (Guiné Bissau) na Casa das Crechas em Compostela às 22h30 (5 euros)
  • dia 13: oficina musical para escolares sobre cantos tradicionais brasileiros com Kátya Teixeira (Brasil) no Paço da Cultura de Ponte Vedra às 11h.
  • dia 13 também: Colóquio: O semba, matriz cultural de Angola com Paulo Flores (Angola) na livraria Paz em Ponte Vedra às 20h.
  • dia 14: oficina de canto alentejano com Celina da Piedade (Portugal) no Gramola em Ponte Vedra às 13h.

Como já falei das atividades…não sei se hei de falar do cartaz do sábado. Acho que conseguem adivinhar quem vai estar.

Com efeito: Manecas Costa, Paulo Flores, Kátya Teixeira, Celina da Piedade, as nossas Guadi Galego e Uxia e o músico espanhol Santiago Auserón. Todas estas pessoas atuaram na Galiza e temos por cá no blogue notícias suas que cheguem, é por isso que não vos quero aborrecer e vou apenas colocar uma canção, se me permitirem, do Narf com o Manecas, porque acho que é quase um dever.

Onde quer que estiveres…alô irmão “Narife”

Alberto Mvundi em Sandiás

1959388_685788728133434_719711643_nE em menos de uma semana, toca fazer um outro artigo sobre um angolano (angolego?).  Alberto Mvundi chega a Sandiás este sábado para anunciar que a primavera vai entrar de novo. O concerto encerra uma Festa da Primavera organizada pela Corte dos bois, uma tasca de Santana.

índiceConheci este músico por fazer parte de shows do Manu Chao (uma coisa muito 90’s), por tocar no Cantos da Maré e também por colaborações com Budiño, mas há tempo que não sabia que foi feito dele. Será que vai oferecer aqueles ritmos da Turma Angologalega?

Fugiu de Angola há muitos anos por causa da guerra e, pelos vistos, o próximo trabalho dele será intitulado Saudade de Angola, não por acaso. A família que um imigrante deixa trás de si, a saudade da terra, o acolhimento (ou não) do novo país, são motivos habituais nas suas letras.

Reggae, jazz, morna, kizomba, semba e outros ritmos fazem parte do seu repertório musical, um repertório que recolhe aquele espírito tradicional e (se me permitirem) africano de cantar, mesmo que haja tristeza nos corações, porque a música é também uma maneira (talvez a melhor) de encarar a vida.