Glossário feminista

É comum no dia 8 de março (e nem só) dedicarmos neste blogue um espaço para a luta feminista.

Noutros anos fizemos uma playlist, jogos com diversas biografias…e desta vez não quisemos deixar passar a oportunidade de partilhar com vocês a explicação de alguns termos muito usados no feminismo. Muitos deles são em inglês e parece que chegaram para ficar.

Para quem gostar de ler, pode ver este glossário da Revista Capitolina. Eu usei também em aulas neste ano porque achei muito didático e correu muito bem.

Quem precisar de conteúdos mais visuais ou dinâmicos pode ver este vídeo e assim também fica a par.

Chegou a hora de verificarem o aprendido. Conseguem? Tenho este Passa a Palavra aqui para vocês. Força!

II Encontro de mulheres da lusofonia

É com incontido orgulho que venho por este meio anunciar o II Encontro de mulheres da lusofonia. Um espaço de reunião e partilha para mulheres que partilham(os) uma língua comum.

Este ano o tema será Mulheres, territórios e memórias.

 

Entre a Lila de Lilith, a Casa da palavra comum e a Casa das mulheres Xohana Torres temos um bom ciclo de palestras hoje, sábado e domingo.

Hoje e amanhã o programa decorre na livraria Lila de Lilith em Compostela. Hoje às 19h30 temos a projeção de Era uma vez um arrastão e o posterior colóquio com a realizadora, Diana Andriga, e Luzia Oca. Amanhã na mesma hora e lugar vão ser lidos poemas por escritoras galegas.

Na Casa da palavra comum, também amanhã, três palestras: Diásporas lusófonas na Galiza, com Jéssica Azevedo e Sónia Mendes da Silva; Entre o ativismo e a pesquisa: mulheres na resistência, com Diana Andriga e Teresa Sales e Entre o ativismo e a pesquisa: prisões políticas e democracia, com Luís Farinha e Mariola Mourelo.

E no domingo, na Casa das mulheres Xohana Torres, duas mesas redondas para partilhar ideias: Feminismos em Compostela Feminismos no espaço lusófono. Encerram o ato Maria Dovigo e Joana Sales.

Não têm como não gostar!

Carolina Beatriz Ângelo

200px-Carolina_Beatriz_ÂngeloNo dia 8 de março faço sempre um especial sobre uma figura feminina de algum país da CPLP. Neste ano não ia ser diferente. Hoje quero falar da Carolina Beatriz Ângelo, uma lutadora, uma sufragista, a primeira mulher a votar em Portugal.

Carolina Beatriz Ângelo nasceu na Guarda em 1877, onde frequentou os estudos primários e secundários.
Na cidade de Lisboa foi à Escola Médico-Cirúrgica e tempo depois tornou-se a primeira médica cirurgiã portuguesa, também se dedicou à ginecologia. No seu trabalho conhece Januário Barreto e casa com ele. Em 1902, desse matrimónio resulta uma filha, mas aos 21 anos fica viúva.jornal

Sufragista e pertencente à maçonaria, junto a outras companheiras de luta formou o quarteto de liderança desta ala feminina da Maçonaria em Portugal, grupo que veio a assumir-se como elite de um certo feminismo republicano, nem sempre encontrando um espaço no  eco republicanismo português, na altura,  dominado por homens.

Carolina Beatriz Ângelo revelou-se uma das figuras mais carismáticas do feminismo e do republicanismo da primeira década do século XX. Em, 1911, Carolina Beatriz ao ler a lei prevista na Constituição de 1911 verificou que esta ao decretar quem tinha direito ao voto, não especificava o sexo e a perspicácia desta médica, levou-a a lutar pelo seu direito ao voto já que era uma cidadã portuguesa. Esta lei, ao definir quem seriam os cidadãos que poderiam votar, não distinguiu o sexo, dizendo apenas que quem poderia eleger o governo seriam os cidadãos portugueses. Carolina Beatriz apresentou um recurso em tribunal a fim de poder votar.

A 28 de maio de 1911 torna-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto, aproveitando a pouca claridade desta lei. Mas isto foi sol de pouca dura: a legislação é imediatamente mudada, especificando que só os homens poderiam votar. Contudo, o facto mereceu a cobertura de jornais de toda a Europa, admirados pela coragem desta mulher e pelo aparente rumo progressista da recém-criada República Portuguesa.

Carolina Beatriz Ângelo falece poucos meses depois. Não conseguiu ver as mudanças posteriores nas leis eleitorais, mas foi dessas mulheres que enveredaram um caminho novo, caminho que outras pudemos palmilhar. Obrigada, Carolina.

 

Vejam a reportagem da RTP.