Luísa Sobral em Ponte Vedra

O que veio antes: o ovo ou a galinha? Este dilema de causalidade é bem difícil de resolver, mas tenho um bem diferente para vocês: o que foi antes: a Luísa ou o Salvador Sobral? Quem estiver um bocado por dentro da música e rádios portuguesas é que sabe que a Luísa foi a primeira dos Sobral a destacar na canção portuguesa. Num primeiro momento, o Salvador era conhecido como “o irmão de” e talvez hoje pensemos na Luísa como a “irmã de”. Felizmente, não há entre eles qualquer rivalidade, funcionam como uma máquina bem lubrificada e são um binómio criativo.

Já falámos da Luísa alguma vez a propósito do Ari(t)mar ou também naquele post sobre canções de Natal, mas, sinceramente, esses artigos não lhe fazem jus. Ela precisa de um texto a sério e, até que enfim, chegou a ocasião perfeita: a Luísa Sobral subirá a palco no dia 13 deste mês em Ponte Vedra no marco do CICLO VOICES.

Antes de mais quatro coisas:

a) É necessário esclarecermos logo no início que a Luísa é a compositora de Amar pelos dois. Ponto para a Luísa.

b) Tem um vídeo com final inesperado para um namorado espanhol que acho uma genialidade. Dois pontos para a Luísa.

c) Faz também covers com músicas da Britney Spears. Britney!!! Não digo mais nada. Três pontos.

d) toca guitalelé e neste vídeo tem uma camisola igual à minha. Igual. Só me aconteceu isto uma vez na vida. Pronto, no vídeo dos Dealema também sai o meu edredão.

Guitalelé é uma coisa superfofa. Pontaço!

A cantora lisboeta começa o seu percurso musical em 2003, sendo ainda adolescente, quando sai às luzes da ribalta por ter participado no programa Ídolos. Depois de ter ficado em 3º lugar, resolveu partir para a Berklee e estudar lá.

Tempo depois, em 2011, viria o seu primeiro álbum: The cherry on my cake. Graças a ele, foi convidada a participar no Jools Holland. Não demoraram em chegar novos sucessos e trabalhos.

Também criou um cd de canções infantis: Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa, que conta com um visual e produção espetacular. A canção O meu cão foi a banda sonora de muitos voos da Iberia, talvez conheçam se viajarem muito de avião. A partir desse trabalho e da sua experiência como mãe começa a incluir cada vez mais temas em português nos seus álbuns. De facto, o seu último disco, Rosa, é monolingue.

Não percam a oportunidade de conhecer um novo referente da música portuguesa.

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As músicas do aRi(t)mar

Temos uma nova edição do certame aRi(t)mar por descobrir. Há uns dias foram anunciadas as primeiras melhores músicas de 2018, sobre estas o público terá de fazer uma seleção.

Podem ouvir todas as canções, ver os vídeos e votar nesta ligação. Ouçam!!! Têm até 20 de março para votarem e vão entrar no sorteio de livros. Escolham sabiamente, que isto é quase como Eurovisão.

Se quiserem mesmo levar as canções consigo podem fazer se tiverem a app do Spotify no telemóvel. O Uxio Outeiro criou esta lista e acho muito prático.

Vou falar-vos da seleção de músicas portuguesas. Quanto à seleção de estilos, vão ver que domina a pop. Sinto falta doutras opções artísticas (kizomba, kuduro…), mas acho que este conjunto de canções é um bocado mais representativo da música atual portuguesa, mais representativo do que outros anos.

É assim: se quiserem saber da minha opinião, continuem a ler. Se acharem que a minha opinião é uma bela merda, querem ser objetivos e não estarem condicionados por mim…façam stop.

  • António Zambujo, Sem palavras. A canção tem aquela coisa clássica do amor. Para mim não é das melhores do festival, nem das melhores do autor.
    Mas por cada mulher/ Que é só feita de amar/ E nasceu numa flor/ No jardim que tu lavras/ Há um homem qualquer/ Qua aprendeu a falar/ E morrendo de amor/ Acabou sem palavra ” Por outro lado, o António Zambujo já conhece a Galiza, visitou Compostela várias vezes e se um dos atrativos da gala é vermos os premiados ao vivo…
  • Carolina Deslandes, Avião de papel. Esta é daquelas canções que passam a toda hora na Rádio Comercial. Carolina Deslandes e Rui Veloso interpretam a duo esta música que também fala de amor. É uma canção sentimental, mas não acho enfastiante.
    Fiz-te um avião de papel/ Daqueles das cartas de amor/ Pra voarmos nele quando o mundo é cruel/ E não há espaço que chegue pra dor
  • D.A.M.A, Nasty. Eu adoro este vídeo e não consigo não dançar quando passam isto na rádio. D.A.M.A é a sigla de “deixa-me aclarar-te a mente, amigo”. Realmente a canção tem uma letra fácil, dessas de ritmo contagiante. Podemos dizer que é das músicas mais eurovisivas (em todos os sentidos possíveis) do certame.
    Qual é a tua conversa, eu sei que tu vens mudar-me a cabeça/ Para me pôr nas nuvens/ Mas é preciso que eu deixe, mas é preciso que eu deixe
  • Luísa Sobral, O melhor presente. A fama é uma coisa engraçada. Luísa Sobral era uma estrela famosa em Portugal, o seu irmão, Salvador, era conhecido por ser o irmão da Luísa e agora as coisas mudaram. A compositora de Amar pelos dois criou desta vez uma canção para explicar ao filho mais velho a chegada de um novo irmão. A Luísa sempre sabe dar no coração das pessoas: E no meu colo sempre haverá espaço pra dois/ que o colo de uma mãe aumenta quando chega alguém/ por mais que ainda não entendas posso prometer/ que este é o melhor presente que irás receber
  • Márcia, Tempestade. Transborda otimismo esta música. Dançar, deixar-se estar, voar. Eu tinha a Márcia como uma artista de um único registo e, é claro, estava completamente enganada. Esta é uma das minhas apostas. Dança o teu azar/ Enterra-o por aí/ Vem passar por dentro/ Da tempestade/ Lança-te a voar/ Nada como abrir/ As asas ao vento/ E aprender a cair
  • Mariza, Quem me dera. Também muito ouvida nas rádios portuguesas. A Mariza é a dama da canção portuguesa. Esta pode ser a canção, se quiserem, mais “de raiz”. Contudo, penso que se parte do espetáculo é trazer o artista para cantar…a Mariza já nos visitou inúmeras vezes também. É como o caso do António Zambujo.

Esta é também uma canção de amor: “Quem me dera/ Abraçar-te no outono, verão e primavera/ Quiçá viver além uma quimera/ Herdar a sorte e ganhar teu coração”

  • Os azeitonas, Efeito do observador. Tive uma época em que gostava muito dos Azeitonas. Depois perdi interesse e agora parece que voltei a achar piada. A letra dos Azeitonas tem uma inspiração, parece, no Carl Sagan: “Somos todos iguais/ Lá no fundo/ Pó de estrela e nada mais”
  • Os quatro e meia, A Terra gira. Simplesmente amo. Amo esta música. Quero mesmo que ganhe. Digo isto abertamente. O ritmo, chamem-me doida, é como se me ajudasse a fazer planos, a querer empreender projetos. A letra faz-me muito pensar, tem um toque intimista e leva-me a uns pensamentos recorrentes na minha vida: a pouca possibilidade de decisão que temos, mas a grandeza que é ser-se sonhador/a. “A terra gira em contramão/ Ficamos tontos sem direção
    Corremos até nos faltar o ar/ E a vida vai ficando para depois/ E continuamos os dois a sonhar
  • Sérgio Godinho, Grão da mesma mó. Sérgio Godinho dispensa qualquer apresentação. Ele é a música portuguesa, é um histórico como o Rui Veloso. A música candidata aos prémios está carregada de filosofia e elementos de repetição que nos levam a pensar na estaticidade, imobilismo da vida: “E as palavras tornam-se esparsas/ Assumes/ Fazes que disfarças/ Escolhes paixões, ciúmes/ Tragédias e farsas/ E faças o que faças/ Por vales e cumes/ Encontras-te a sós, só/ Grão a grão/ acompanhado e só/ Grão da mesma mó/ Grão da mesma mó”
  • Valas, Estradas no céu. Um bocado de rap não faz mal e com a voz da Raquel Tavares isto ganha. Para mim é uma canção com muita força, mas já sabem que tenho um fraquinho por rap e não posso ser objetiva. Gosto muito da combinação de vozes que nos dá esta música. “Eu vejo estradas no céu/ Que me levam sempre a ti/ Sou tua e tu és meu/ Lugar onde sou feliz”

Agora estou à espera dos poemas, estou em pulgas!!

Cristina Branco com a Filarmónica da Galiza

A Real Filarmónica da Galiza e a fadista portuguesa Cristina Branco farão um espetáculo em parceria nos dias 14 e 15 do corrente mês. No dia 14 estarão em Compostela no Auditório da Galiza e no dia a seguir na Corunha no Teatro Colón. Os dois passes são à mesma hora, 20h30.

Para quem não souber, a Cristina Branco é uma das celebridades do Museu do Fado. Sim, a canção de Lisboa tem um museu. A cantora ribatejana tinha em Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Elis Regina os seus referentes até que um dia o seu avô lhe oferece um disco da Amália Rodrigues. A partir desse momento, começou a sua amaliomania.

Conta ela própria que uma noite atreveu-se a cantar fado de maneira descontraída, como quem não quer nada, e isso mudou a sua vida para sempre. Um dos músicos convidou-a continuar e assim a sua carreira começou.

Podem consultar o repertório de canções nas ligações que deixei lá cima. Não percam esta oportunidade de ouvir fado com os melhores músicos e uma das vozes mais cotadas da música lisboeta.

Birds are Indie em digressão

Poucas bandas têm tido tanto espaço mediático no nosso blogue como os Birds Are Indie. Gostamos mesmo deles e, ao que parece, eles gostam de nós, portanto, essa dedicação é merecida: amor com amor se paga.

Os de Coimbra vão já no quarto disco e desta vez gravaram com o carimbo da Lux records, uma histórica editora conimbricense. Este último trabalho tem aqueles ares com que podemos identificar os trabalhos anteriores, mas destaca-se por ter ritmos mais mexidos.

Há pouco fizeram um showcase na redação do JN. A Joana, o Henrique e o Jerónimo são incombustíveis e agora chegam à Galiza para nos dar três concertos:

 

-Vigo, dia 7, Radar Estudios

-Ponte Vedra, dia 8, El pequeño

-Ourense, dia 9, Torgal

Deixem os pássaros voar!!

Dead Combo na Corunha

Amanhã a banda portuguesa Dead Combo estarão em concerto na Corunha, no Teatro Colón.

No ano 2016 o Lusopatia já falava de um concerto deles em Compostela. Continuamos a recomendar uma banda de música experimental e instrumental? Continuamos, sim. E ainda com mais força.

No passado mês de abril lançaram o seu último disco, Odeon Hotel. Internacionalizaram-se e arranjaram um produtor externo. Este trabalho recolhe perfeitamente o seu som tradicional e a sua visão da música como ritmo universal. Mas há ainda um facto que faz com que este disco seja a cereja no bolo da sua produção. Mark Lanegan interpretará com a sua voz de barítono o tema I know, I alone. Esta canção é muito especial porque a letra é um dos poemas escritos em inglês mais conhecidos de Fernando Pessoa.

Deixo um vídeo para vocês ouvirem esta maravilha de som.

Ainda vão a tempo de comprarem bilhetes!

Votar em

As pessoas galegófonas fomos abençoadas nas últimas semanas. Quem se importar com a língua tem visto como nos últimos anos os apoios institucionais foram dizimados nas escolas e outros organismos. As associações que têm a língua como foco sabem disto. Mas nestes dias houve uma volte-face, pequenos gestos que fizeram a diferença. Sabela, uma cantora galega que está a concorrer no programa espanhol Operación Triunfo, decidiu cantar na sua (nossa) língua. Ela é jovem, mulher, galegófona e sem preconceitos. Digo isto último porque para além de cantar na nossa língua, escolheu interpretar uma canção da banda Marful, escrita com as mesmas grafias que eu estou agora a usar. As suas ações deram visibilidade a uma realidade linguística desconhecida por muitos e muitas e também a um modelo ortográfico muitas vezes colocado em questão.
Através dos programas da tv e das redes sociais pudemos ver as reações de quem a ouvia, pessoas de cá e de lá. Fãs até do Brasil e Portugal. Surgiram montes de dúvidas e debates interessantes. É galego? é português? vejam este vídeo do Eduardo Maragoto.

Se calhar pensam que este não é o espaço para este género de coisas, mas queria aproveitar o post para dar os parabéns à nossa Sabela e também, é claro, falar de questões linguísticas. É por isso que vou destacar algumas construções e léxico:

  • VOTAR: o verbo rege a preposição EM. Portanto, Eu voto na Sabela cada dia através da aplicação.
  • ESCOLHER vs ELEGER: Já tínhamos falado nisto noutro post anterior. É só para vos lembrar que não são sinónimos e que há um contexto de uso para cada um deles.

Como neste ano próximo vamos ter também eleições, vou matar dois coelhos de uma cajadada e adiantar algum vocabulário também sobre isto:

  • assento, cadeira: o quociente eleitoral distribue o número de cadeiras ou assentos que irão ocupar os representates políticos, então, os resultados eleitorais são medidos em votos e cadeiras.
  • autarca: é o ou a presidente de uma câmara municipal.
  • autárquicas: são as eleições ao governo da câmara municipal.
  • boletim de voto ou voto: é o papel que depositamos na urna para votar.
  • urna: vaso ou objeto similar onde se recolhem os votos num ato eleitoral, num sorteio, lotaria, etc. As furnas são umas cavernas ou covas naturais, de facto, há várias praias na Galiza e Portugal assim chamadas. O voto é sério não depositem na areia.
  • recenseamento eleitoral: operação para determinar o número de habitantes de um país, cidade, freguesia…para os cidadãos registados terem direito ao voto.
  • vereador, -a: cada um dos membros eleitos para constituírem a câmara municipal.

Votaram já hoje na Sabela? Eu já fiz. Só sonho com que ela chegue a ser presidente!

Dez canções de Natal que não canta a Mariah Carey

Será que já ouviram neste ano a canção daquela artista dos EUA? então é que é Natal mesmo. 

O Natal é uma das minhas festas prediletas. Há autênticas iguarias, prendas e uma ode ao mau gosto constante sem qualquer tipo de complexo. Tudo é aceite: lantejoulas, cetim, grinaldas ruídas, veludo, muito plástico, coisas doiradas e luzes a piscar. Há uma palavra em alemão para isto: kitsch.

As canções que ambientam não são muito melhores do que o resto dos enfeites. Repetitivas e em falsete, são duas características que unem as canções natalinas, as janeiras e as músicas pop do Natal. Eu penso que Last Christmas pode ser usada para alterar mecanismos do córtex cerebral.

Pensei em fazer uma lista com canções na nossa língua. Tinha alguma coisa em mente, mas quando me estava a documentar, encontrei verdadeiros achados e foi impossível não querer partilhá-los.

Têm cá a minha apresentação, se carregarem nas bolinhas verdes, podem ver os vídeos.

Explico-vos um bocado as escolhas:

Popota em versão Popomodel
  • Luísa Sobral: está três vezes nesta lista porque é, sem dúvida, a dona disto tudo em Portugal (junto com a Áurea, mas esta última canta em inglês e então decidi não incluir). Querido Pai Natal, Canção de Natal Natal mais uma vez. Não é que ela faça discos de Natal tipo Michael Buble ou Luis Miguel, mas a rapariga sempre tem um espaço para este género de músicas. E eu, até gosto. Vejam os clips de vídeo, porque são muito estéticos.
  • Zeca Afonso: estou com dor de cotovelos. Quanto talento. Este homem tinha sensibilidade também para criar uma canção de Natal com toques da cultura popular como as janeiras. Esta faixa devia mesmo estar na seleção.
  • A Popota: no Natal há vários seres inesquecíveis: duendes, Pai Natal, renas…e o Continente tem, atenção, uma hipopótama. A Popota é uma autêntica celebridade do Natal português e cada ano tem um vídeo novo, tem até uma página com jogos, passatempos e conteúdos interativos para os miúdos. Coloquei-vos o clip do ano passado porque ela fez uma cover de uma música do Agir. Na Galiza a única hipopótama que nós temos é a imagem que o nosso espelho nos devolve depois de quase 15 dias de jantaradas continuadas.
  • Rui Veloso: os velhos rockeiros também sabem chegar ao coração das pessoas. A letra desta canção é incrível, penso que faz uma crítica com muito lirismo. O Rui fala do Natal dos mais humildes e há lá vários temas sociais colocados na mesa. Ouçam.
  • Anjos e Susana: a Susana deste vídeo é a mesma Suzy de Eu quero ser tua que representou a Portugal no festival de eurovisão de 2014. Sim, essa. Em 1999 cantava isto canção com os Anjos, uma boy band. Ela era um boneco de neve e tinha a certeza de que ia derreter. Os Anjos e ela juntos é como ver os Back Street e a Britney à portuguesa, era a década de 90 e as influências eram as que eram. Nunca chegaremos a saber porque é que a Suzy, de Figueira da Foz, pronuncia todos os T como Tch. Comentem-me as vossas epifanias.
  • Xuxa: para mim este é um vídeo muito caricata. A Xuxa vestida, enfim, da Xuxa, no meio de um exército de crianças e lá no fundo o Pão de Açúcar.
  • Tema de Natal do Meo: estou a ser mesmo repetitiva porque em 2014 já vos disse que era fã deste vídeo. Prometo que se eu achar algum que supere isto, deixo de pôr. Por enquanto, isto está ainda do topo. Maravilha.
  • Boss Ac: não podia faltar uma faixa de rap e o Boss Ac é o homem. Com Carta ao Pai Natal lança versos tão sublimes como este: 

Se és Pai Natal deves ser pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar

Já agora para acabar, Paz, Amor e Feliz Natal!

A minha playlist para receber o verão

Na semana passada pensava que o verão não ia chegar mais e qual índigena pataxó decidi invocá-lo com música. Acho que funcionou, porque levo quase sete dias de sandálias.

Hoje começa oficialmente a estação mais quente no nosso hemisfério e criei uma lista de músicas para lhe dar as boas-vindas. São canções que eu associo, sem dúvida nenhuma, às férias e à praia. Dez músicas de estilos muito diferentes e um toque piroso, porque isso nunca deve faltar numa lista de música estival. Podem ouvi-las à solta (se carregarem em cada círculo de cor) ou por junto (se carregarem no centro da vitrola).

Eis os meus motivos…

1. Tom Jobim: Garota de Ipanema. Realmente existe alguém que não conheça esta música? se existir, essa pessoa não presta. Um canto à beleza e à saudade que ambienta sempre uma zona chill out.

2. A fúria do açúcar: Eu gosto é do verão. Descobri esta canção quando estava à procura de músicas que tivessem estruturas de ênfase: “eu gosto é”. Viciou-me o humor e o ridículo da letra. Acho que hoje é ainda de conteúdo muito atual, se pensarmos no fenómeno Instagram.

3. Peste e Sida: Sol da Caparica. Fugir de Lisboa e ir à praia da Caparica. Traz-me recordações de tempos melhores.

4. Deolinda: Corzinha de verão. Tirar férias com o infortúnio de termos só dias de chuva. Não ligar bronze nunca. Enfim, pequenos dramas das viagens.

5. Natércia Barreto: Óculos de sol. A protagonista da letra diz que usa óculos de sol…para o sol, mas tem um triste segredo. Uma melodia vintage e doce.

6. Natiruts: Um céu, um sol e um mar. Um bocado de reggae é sempre relaxante. O paraíso é um lugar na praia.

7. José Malhoa: Baile de verão. O pimba é o meu guilty pleasure e o José Malhoa é um rei. A canção conta o princípio de um namorico num arraial. Cada domingo, durante anos, foi top na feira padronesa.

8. Skank: Vamos fugir. Mandar tudo às urtigas e ir a um lugar paradisíaco, quem não quer?

9. Gabriel o Pensador: Solitário surfista. O clássico de Jorge Ben Jor foi versionado pelo rapper e também surfista Gabriel o Pensador. Gosto muito dessa sensação de liberdade do surf, quanta paz me dá esta música.

10. Marisa Monte: Lenda das sereias. Imaginem só ser uma sereia e ter todos os mares para viver? Esta é uma canção dedicada à orixá Yemanjá.

SELIC 2018

A Semana do Livro de Compostela não foi sol de pouca dura, veio para ficar e esta é a sua segunda edição. Desde o dia 1 de junho até ao dia 10 poderão estar em contacto com livrarias e editoras do país além de usufruir de um amplo programa de atividades.

Este ano a cidade convidada é a Póvoa de Varzim. O seu festival literário “Correntes d’escritas” acho que é hoje um referente e está na hora de que se conheça mais na Galiza. A propósito disto, no dia 3 de junho às 12h30, no exterior da carpa, há dança tradicional poveira, as chamadas “rusgas”. Nesse mesmo dia às 18h30 a escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso falará com o público galego.

Dulce Maria Cardoso foi escolhida para partilhar com o público o processo criativo que a leva a fazer da sua biografia uma experiência literária. Ela nasceu em Trás-os-Montes no ano 1964 e passou a sua infância em Angola. Regressou depois da descolonização.

No ano 2001 publicou a sua primeira obra, Campo de Sangue, seguiram-se outros romances como: Os meus sentimentos, O chão dos pardais, O retorno…

Algumas das suas obras foram adaptadas como roteiro de cinema e muitos dos seus livros são objeto de estudo em universidades do mundo todo.

No dia 4, às 19h30 temos as “Correntes de conversa”, uma conversa sobre o “Correntes d’escritas” entre Manuela Ribeiro, organizadora do festival, e Carlos Quiroga, professor de literaturas lusófonas na USC.

No dia 5, às 20h. “Um guitarrista português e um poeta”, poesia musicada por Aurelio Costa e Carlos Costa.

Durante toda a semana do livro, poderão também encontrar a banca da Através editora e dar uma olhada às suas últimas publicações. Deem um passeio pela carpa!

Ferrol: música e cultura brasileira

 

Quem quer um bocado de sol e tropicalismo? Hoje em Ferrol têm um plano que não podem perder.

Artábria e Beco da Língua organizam uma jornada para aprendermos mais sobre música e cultura brasileiras da mão de Túlio Augusto, mestre em educação musical e doutorado em composição.

Se estiverem interessados, marquem nas agendas: hoje, no local de Artábria, pelas 20h30.