Dez canções de Natal que não canta a Mariah Carey

Será que já ouviram neste ano a canção daquela artista dos EUA? então é que é Natal mesmo. 

O Natal é uma das minhas festas prediletas. Há autênticas iguarias, prendas e uma ode ao mau gosto constante sem qualquer tipo de complexo. Tudo é aceite: lantejoulas, cetim, grinaldas ruídas, veludo, muito plástico, coisas doiradas e luzes a piscar. Há uma palavra em alemão para isto: kitsch.

As canções que ambientam não são muito melhores do que o resto dos enfeites. Repetitivas e em falsete, são duas características que unem as canções natalinas, as janeiras e as músicas pop do Natal. Eu penso que Last Christmas pode ser usada para alterar mecanismos do córtex cerebral.

Pensei em fazer uma lista com canções na nossa língua. Tinha alguma coisa em mente, mas quando me estava a documentar, encontrei verdadeiros achados e foi impossível não querer partilhá-los.

Têm cá a minha apresentação, se carregarem nas bolinhas verdes, podem ver os vídeos.

Explico-vos um bocado as escolhas:

Popota em versão Popomodel
  • Luísa Sobral: está três vezes nesta lista porque é, sem dúvida, a dona disto tudo em Portugal (junto com a Áurea, mas esta última canta em inglês e então decidi não incluir). Querido Pai Natal, Canção de Natal Natal mais uma vez. Não é que ela faça discos de Natal tipo Michael Buble ou Luis Miguel, mas a rapariga sempre tem um espaço para este género de músicas. E eu, até gosto. Vejam os clips de vídeo, porque são muito estéticos.
  • Zeca Afonso: estou com dor de cotovelos. Quanto talento. Este homem tinha sensibilidade também para criar uma canção de Natal com toques da cultura popular como as janeiras. Esta faixa devia mesmo estar na seleção.
  • A Popota: no Natal há vários seres inesquecíveis: duendes, Pai Natal, renas…e o Continente tem, atenção, uma hipopótama. A Popota é uma autêntica celebridade do Natal português e cada ano tem um vídeo novo, tem até uma página com jogos, passatempos e conteúdos interativos para os miúdos. Coloquei-vos o clip do ano passado porque ela fez uma cover de uma música do Agir. Na Galiza a única hipopótama que nós temos é a imagem que o nosso espelho nos devolve depois de quase 15 dias de jantaradas continuadas.
  • Rui Veloso: os velhos rockeiros também sabem chegar ao coração das pessoas. A letra desta canção é incrível, penso que faz uma crítica com muito lirismo. O Rui fala do Natal dos mais humildes e há lá vários temas sociais colocados na mesa. Ouçam.
  • Anjos e Susana: a Susana deste vídeo é a mesma Suzy de Eu quero ser tua que representou a Portugal no festival de eurovisão de 2014. Sim, essa. Em 1999 cantava isto canção com os Anjos, uma boy band. Ela era um boneco de neve e tinha a certeza de que ia derreter. Os Anjos e ela juntos é como ver os Back Street e a Britney à portuguesa, era a década de 90 e as influências eram as que eram. Nunca chegaremos a saber porque é que a Suzy, de Figueira da Foz, pronuncia todos os T como Tch. Comentem-me as vossas epifanias.
  • Xuxa: para mim este é um vídeo muito caricata. A Xuxa vestida, enfim, da Xuxa, no meio de um exército de crianças e lá no fundo o Pão de Açúcar.
  • Tema de Natal do Meo: estou a ser mesmo repetitiva porque em 2014 já vos disse que era fã deste vídeo. Prometo que se eu achar algum que supere isto, deixo de pôr. Por enquanto, isto está ainda do topo. Maravilha.
  • Boss Ac: não podia faltar uma faixa de rap e o Boss Ac é o homem. Com Carta ao Pai Natal lança versos tão sublimes como este: 

Se és Pai Natal deves ser pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar

Já agora para acabar, Paz, Amor e Feliz Natal!

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A minha playlist para receber o verão

Na semana passada pensava que o verão não ia chegar mais e qual índigena pataxó decidi invocá-lo com música. Acho que funcionou, porque levo quase sete dias de sandálias.

Hoje começa oficialmente a estação mais quente no nosso hemisfério e criei uma lista de músicas para lhe dar as boas-vindas. São canções que eu associo, sem dúvida nenhuma, às férias e à praia. Dez músicas de estilos muito diferentes e um toque piroso, porque isso nunca deve faltar numa lista de música estival. Podem ouvi-las à solta (se carregarem em cada círculo de cor) ou por junto (se carregarem no centro da vitrola).

Eis os meus motivos…

1. Tom Jobim: Garota de Ipanema. Realmente existe alguém que não conheça esta música? se existir, essa pessoa não presta. Um canto à beleza e à saudade que ambienta sempre uma zona chill out.

2. A fúria do açúcar: Eu gosto é do verão. Descobri esta canção quando estava à procura de músicas que tivessem estruturas de ênfase: “eu gosto é”. Viciou-me o humor e o ridículo da letra. Acho que hoje é ainda de conteúdo muito atual, se pensarmos no fenómeno Instagram.

3. Peste e Sida: Sol da Caparica. Fugir de Lisboa e ir à praia da Caparica. Traz-me recordações de tempos melhores.

4. Deolinda: Corzinha de verão. Tirar férias com o infortúnio de termos só dias de chuva. Não ligar bronze nunca. Enfim, pequenos dramas das viagens.

5. Natércia Barreto: Óculos de sol. A protagonista da letra diz que usa óculos de sol…para o sol, mas tem um triste segredo. Uma melodia vintage e doce.

6. Natiruts: Um céu, um sol e um mar. Um bocado de reggae é sempre relaxante. O paraíso é um lugar na praia.

7. José Malhoa: Baile de verão. O pimba é o meu guilty pleasure e o José Malhoa é um rei. A canção conta o princípio de um namorico num arraial. Cada domingo, durante anos, foi top na feira padronesa.

8. Skank: Vamos fugir. Mandar tudo às urtigas e ir a um lugar paradisíaco, quem não quer?

9. Gabriel o Pensador: Solitário surfista. O clássico de Jorge Ben Jor foi versionado pelo rapper e também surfista Gabriel o Pensador. Gosto muito dessa sensação de liberdade do surf, quanta paz me dá esta música.

10. Marisa Monte: Lenda das sereias. Imaginem só ser uma sereia e ter todos os mares para viver? Esta é uma canção dedicada à orixá Yemanjá.

SELIC 2018

A Semana do Livro de Compostela não foi sol de pouca dura, veio para ficar e esta é a sua segunda edição. Desde o dia 1 de junho até ao dia 10 poderão estar em contacto com livrarias e editoras do país além de usufruir de um amplo programa de atividades.

Este ano a cidade convidada é a Póvoa de Varzim. O seu festival literário “Correntes d’escritas” acho que é hoje um referente e está na hora de que se conheça mais na Galiza. A propósito disto, no dia 3 de junho às 12h30, no exterior da carpa, há dança tradicional poveira, as chamadas “rusgas”. Nesse mesmo dia às 18h30 a escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso falará com o público galego.

Dulce Maria Cardoso foi escolhida para partilhar com o público o processo criativo que a leva a fazer da sua biografia uma experiência literária. Ela nasceu em Trás-os-Montes no ano 1964 e passou a sua infância em Angola. Regressou depois da descolonização.

No ano 2001 publicou a sua primeira obra, Campo de Sangue, seguiram-se outros romances como: Os meus sentimentos, O chão dos pardais, O retorno…

Algumas das suas obras foram adaptadas como roteiro de cinema e muitos dos seus livros são objeto de estudo em universidades do mundo todo.

No dia 4, às 19h30 temos as “Correntes de conversa”, uma conversa sobre o “Correntes d’escritas” entre Manuela Ribeiro, organizadora do festival, e Carlos Quiroga, professor de literaturas lusófonas na USC.

No dia 5, às 20h. “Um guitarrista português e um poeta”, poesia musicada por Aurelio Costa e Carlos Costa.

Durante toda a semana do livro, poderão também encontrar a banca da Através editora e dar uma olhada às suas últimas publicações. Deem um passeio pela carpa!

Ferrol: música e cultura brasileira

 

Quem quer um bocado de sol e tropicalismo? Hoje em Ferrol têm um plano que não podem perder.

Artábria e Beco da Língua organizam uma jornada para aprendermos mais sobre música e cultura brasileiras da mão de Túlio Augusto, mestre em educação musical e doutorado em composição.

Se estiverem interessados, marquem nas agendas: hoje, no local de Artábria, pelas 20h30.

Festival de Poesia no Condado

Entre 1 e 2 de setembro decorre um dos festivais mais representativos do fim do verão, porque…assumamos…as férias não vão durar sempre. O Festival de Poesia no Condado não é apenas a maior mostra de lírica do ano, é um evento multidisciplinar: audiovisual, artesanato, exposições e música.

Amanhã, dia 1, teremos em Salvaterra às 20h30 a apertura de exposições que contam com projetos de Clara Não e Mariana Malhão entre outras. Clara Não é uma ilustradora, escritora, desenhista, escultora e performista do Porto. Mariana Malhão é desenhista e ilustradora de Coimbra. Deixo-vos com uns exemplos dos seus trabalhos que para mim foram um achado, agora que voltei a brincar com a minha caixinha de aguarelas e que ando na procura de referentes femininos.

Já na noite às 23h poderemos ir ao concerto dos Baleia, baleia, baleia. Esta banda do Porto faz música tipo punk-rock e foi para mim uma coisa nova.

Li sobre eles que «pegam nos elementos mais alegres e coloridos que o rock alguma vez engendrou, agitam-nos numa garrafa com gasosa e tiram a tampa para molhar toda gente». Promete dar barraca…

https://youtu.be/xP7M8RP4fCc

No segundo dia de festival, entre música e poesia, há a projeção do documentário Mulheres da Raia de Diana Gonçalves às 19h.

Apanhem as suas trouxas e vão lá, que isto vai começar!

Kleber Albuquerque

Amanhã não sejam burros e vão aonde têm que ir! Kleber Albuquerque está na Galiza!

12932648_837569009680378_9005144883197240498_nKleber Albuquerque é um cantor brasileiro autodidata e multidisciplinar. Começou a compor já na adolescência, juntando às letras próprias pedaços de poesias e narrativas de Gabriel García Márquez, Pessoa, Jorge Luis Borges…

Entre banda e banda de rock começou a participar de festivais de música brasileiros e num deles o compositor paulista J.C. Costa Netto ficou de olho nele. Desta união nasceu o seu primeiro disco, chamado 17.777.700. Tempo depois viriam outros com nomes igualmente curiosos: “Para A Inveja Dos Tristes”,
“O Centro Está Em Todas As Partes”, “Desvio” e “Só O Amor Constrói.

Com que nos irá deleitar nesta mini-tour na Galiza? com um lançamento de um disco novo com um nome carregado de poesia: 10 Coisas Que Eu Podia Dizer No Lugar
De Eu Te Amo.

E como amanhã é 1 de abril, o dia da mentira, suponho que por isso incorporaram uma mentira no cartaz. As datas, dias, horas e ruas estão certas, não assim o país 🙂

Escola do Rock de Paredes de Coura em Vigo

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Paredes de Coura é conhecido por ter um dos melhores festivais deste mundo, mas talvez não saibam que este município vai muito à frente em muitas outras iniciativas.

A “Escola do Rock” é um projeto municipal que foi desenhado e tem a direção artística do Space Ensemble, permite a um conjunto de músicos portugueses em potência, desenvolver competências musicais e criativas, em especial na área da música rock.

Em volta desta escola há pequenos concertos, workshops, ensaios e muita experimentação. Já agora, tenho que dizer que a página tem um design impecável. Quanto temos que aprender!

A partir deste projeto nasce uma tour com o mesmo nome, um espetáculo que tem já circulação confirmada na Galiza, proporcionando assim uma hipótese única aos músicos participantes de entrar em digressão por algumas das melhores salas de além e aquém Minho.
O senão que uma pessoa como eu pode ver nisto é o espetáculo ser no mesmo dia que os Cantos na Maré, porque eu, sinceramente, gostava de ir às duas coisas. Programadores e programadoras culturais, por favor, amai-vos e uni-vos!

Voltamos ao ponto. A Escola do Rock estará em Vigo no sábado às 19h no Auditório Municipal. Vai dar barraca, migas!

<p><a href=”https://vimeo.com/117187676″>Escola do Rock [ Rock School ] Paredes de Coura 2014 (English subtitles)</a> from <a href=”https://vimeo.com/canal180″>Canal180</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Gonçalo Guerreiro na EOI de Lugo

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Amanhã na EOI de Lugo despedem o trimestre com uma jornada de fados. Gonçalo Guerreiro, a sua voz e o seu gosto musical estarão na cidade das muralhas para encher de ritmos lisboetas as paredes da escola.
Ele é desses homens faz-tudo na cultura galego-portuguesa atual. Membro de Elefante Elegante, estamos mais habituados a vê-lo nos palcos a encenar e levar peças teatrais pelo mundo afora.

Nasceu em Lisboa em 1974. Concluiu o curso de formação de atores na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa depois de passar pela Real Escuela Superior de Arte Dramático de Madrid com uma bolsa do Ministério da Educação português.

Trabalhou como ator nas companhias portuguesas A Barraca e Teatro do Montemuro. Encenou espetáculos do Teatro Escondido, da Compagnie Imagerie e da Compagnie Blablablah na Bélgica.
É diplomado pela École Lassaad, em Bruxelas, onde herdou a pedagogia de Jacques Lecoq do Teatro de Movimento. Estudou Commedia dell’Arte com António Fava na Itália e Antropologia Teatral com Eugénio Barba na Polónia, Dinamarca e Portugal. Além da sua atividade pedagógica, Gonçalo Guerreiro é ator e co-diretor artístico do Elefante Elegante Teatro.

Vejam uma pequena amostra do que ele é capaz de fazer no âmbito musical.

Amanhã às 17h30!

Abrilada em Ferrol

11181886_10204268921751040_8206752642832093608_oAbril é sempre um mês de muito trabalho no Lusopatia, não podia ser doutra maneira.

Amanhã em Ferrol a EOI, Rádio Filispim, Artábria e o Ateneo Ferrolán cooperam para rememorarem com um vasto programa o aniversário do 25 de abril.

De 24 a 28 de abril temos várias propostas culturais que tocam este evento histórico de diversas maneiras: documentários sobre o Zeca Afonso e a fuga de Peniche, teatro e um programa de rádio com músicas especiais é a combinação perfeita para três dias de agenda. Vejam lá o programa na imagem.

Quem por lá estiver, será uma pessoa com sorte.