Gaiteiros de Lisboa em Ferrol

Na próxima terça às 22h, na praça de Amboage em Ferrol, teremos a oportunidade de ouvir os Gaiteiros de Lisboa, porque Ferrol está em festas, amigas. Ainda há pouco estive lá num casamento (sim, há quem faça isso) e já se respirava ambiente pré-festa. Sei lá, ou a festa era a que tinha eu no corpo.

Para aquelas pessoas que ainda cresceram como eu com o Xabarín Club não sei se as apresentações serão necessárias uma vez que diga Chula gaiteira. Para as mais novas (ou esquecidas) começo pelo princípio, que é onde nascem todas as histórias.

Os Gaiteiros de Lisboa são…de Coimbra (pois, acontece, como a Paris de Noia) e os seus integrantes tocam música tradicional portuguesa desde que fundaram a banda em 1991. Podemos considerar que são uma das formações mais representativas quanto à renovação e reinterpretação da música tradicional dentro e fora de Portugal na década de 90. Fizeram um trabalho pedagógico e militante imenso.

Eles não se deixavam escoitar desde há uns tempos e agora voltaram com novos membros e energias renovadas, mas vejam logo que o talento não devia ser pouco se os seus ex-músicos tocam na atualidade em grupos como Mayumana, Sebastião Antunes e a Quadrilha, Torga e os Trabucos…etc.

Com cinco álbuns e um ao vivo como CV artístico, em 2017 lançaram o seu mais recente trabalho: História. Este disco revisita canções da história do grupo. O diabo estava ronco…e agora acordou!

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Serushio em tour na Galiza

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Se pensarmos no nome desta banda, vem logo um ar japonês às nossas mentes. Serushio é como se pronuncia Sérgio no Japão.

O guitarrista portuense Sérgio Silva estudou durante cinco anos na Berklee College of Music, de Boston, uma escola superior de música de fama internacional. Quando volta ao Porto, começa a traçar as primeiras linhas musicais do projeto Serushio junto com o bluesman José Vieira.

Serushio é uma banda de blues do delta do Mississippi mas com influência do rock britânico. Espalharam o seu som por festivais em Toronto e também foram profetas na sua terra, tocando em Paredes de Coura e no Avante!.

Muito em breve estarão na Galiza graças ao projeto Outonalidades, que é uma rede de concertos de música ao vivo que decorrem nos meses do outono e que por vezes atravessam as fronteiras do país luso.

Podem vê-los no Barco, na Ilha e em Melide. Um barco e uma ilha juntos no mesmo tour…que odisseia!

Lusopatia entrevista Capicua

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Hoje o Lusopatia está de parabéns! Conseguimos entrevistar a Capicua, a estrela do rap português. Tomara que este fosse o espoletar de muitas outras entrevistas!

Ela sobe a palco hoje às 20h no Teatro Principal. Estávamos curiosos/as com alguns aspetos da sua visita e aí foi que perguntamos…

  1. Lusopatia: Há tempo que o público galego estava à espera da chegada da Capicua aos nossos palcos. Qual foi a reação quando soube destes prémios?

Capicua: Fiquei muito feliz porque também eu estou há muito tempo à espera para tocar na Galiza! Estou ansiosa!

  1. L: Sabemos que é a primeira vez que a Capicua canta na Galiza. Tem alguma ideia a priori sobre nós?

C: Já fui à Galiza algumas vezes e a ideia que eu tenho é que não há grandes diferenças culturais entre os galegos e a gente do norte de Portugal. É um mesmo povo e portanto sinto-me sempre em casa quando aí estou.

  1. L: A Capicua identifica-se muitas vezes com a voz da mulher do norte. Como é que é essa mulher?

C: Em Portugal há esse mito da “mulher do norte”. Diz-se que as mulheres do norte são muito espontâneas, aguerridas e senhoras de si. Que são desbocadas, respondonas e dizem alguns palavrões… E como eu acho piada a essas características e acho que são muito aconselháveis a qualquer mulher, brinco muitas vezes com esse “rótulo”. Mas acredito que há “mulheres do norte” em todo o lado e isto acaba por ser mais uma brincadeira do que outra coisa!

  1. L: Fale-nos do Cantinho das Aromáticas e do seu último projeto, Mão Verde.

maoC: O “Mão Verde” é um disco de música para crianças que fiz em parceria com o Pedro Geraldes (guitarrista da banda Linda Martini). São 12 canções muito engraçadas, que falam sobre a natureza, alimentação, agricultura e ecologia. O disco vem acompanhado por um livro, com ilustrações da espanhola Maria Herreros e com algumas notas informativas, que explicam o conteúdo das canções e que foram feitas com a ajuda do Luís Alves (um agricultor do Porto que tem uma grande produção de ervas aromáticas). Essa quinta chama-se “Cantinho das Aromáticas” e, além de ser totalmente orgânica e muito premiada internacionalmente, está aberta ao público que a queira visitar!

  1. L: Esta é a primeira vez da Capicua na Galiza. Será que algum dia poderemos vê-la numa pequena digressão de concertos?

Espero que sim! Tudo depende dos convites que nos vão fazendo! Tenho mesmo muita vontade de percorrer a Galiza e partilhar a minha música com quem partilha do mesmo idioma e da mesma raiz cultural!

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Salas de concertos da Galiza, por favor, não percam a oportunidade de terem esta artista convosco. Música e intervenção numa mesma pessoa.

Kleber Albuquerque

Amanhã não sejam burros e vão aonde têm que ir! Kleber Albuquerque está na Galiza!

12932648_837569009680378_9005144883197240498_nKleber Albuquerque é um cantor brasileiro autodidata e multidisciplinar. Começou a compor já na adolescência, juntando às letras próprias pedaços de poesias e narrativas de Gabriel García Márquez, Pessoa, Jorge Luis Borges…

Entre banda e banda de rock começou a participar de festivais de música brasileiros e num deles o compositor paulista J.C. Costa Netto ficou de olho nele. Desta união nasceu o seu primeiro disco, chamado 17.777.700. Tempo depois viriam outros com nomes igualmente curiosos: “Para A Inveja Dos Tristes”,
“O Centro Está Em Todas As Partes”, “Desvio” e “Só O Amor Constrói.

Com que nos irá deleitar nesta mini-tour na Galiza? com um lançamento de um disco novo com um nome carregado de poesia: 10 Coisas Que Eu Podia Dizer No Lugar
De Eu Te Amo.

E como amanhã é 1 de abril, o dia da mentira, suponho que por isso incorporaram uma mentira no cartaz. As datas, dias, horas e ruas estão certas, não assim o país 🙂

Música e pimentos com Ensemble Rosa del Ciel

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Todas as sextas-feiras do mês de julho o convento de Herbón acolhe uma série de concertos de música clássica, ou por melhor dizer, de música com instrumentos clássicos. A oferta é muito vairada, desde recitais líricos e quartetos de vento até duetos de piano e gaita de foles.

recitais líricos, cuartetos de vento, música barroca ou un dúo de piano e gaita – See more at: http://ocioengalicia.com/coruna/i-festival-de-musica-de-herbon-as-notas-do-pemento/#sthash.TVi8JoaQ.dpuf

O festival não pode ter um nome mais delicioso: As notas do pemento. O convento de Herbón foi o primeiro a cultivar os nossos cotados pimentos, que fazem de Padrón um lugar dos que se podem encontrar no mapa. Antes de cada atuação há uma desgustação desta prezada iguaria de verão e uma visita guiada pelo convento.

A organização tem uma grande missão. Por um lado valorizar o nosso produto culinário (que as pessoas conheçam a história e labor do convento franciscano, mas também o sabor autêntico do pimento), e por outro lado desautomatizar a música. A música clássica é para  toda a gente e também pode ser interpretada entre as plantas, campos, estufas… Esqueçam os preconceitos!

A parte lusópata disto é o concerto desta sexta-feira às 20h30. Ensemble Rosa del Ciel é um grupo formado por uma rapariga galega e dois rapazes portugueses,  todos alunos do curso de Música Antiga da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo na cidade do Porto.

A banda nasceu da vontade latente de experimentar o cancioneiro europeu e as práticas musicais do séc. XVI e XVII, respectivamente Renascença e início do período Barroco. O grupo propõe uma abordagem plural desse repertório, onde une música, poesia, teatro e dança. Com três vozes, alaúde, guitarra barroca, e por vezes também violoncelo barroco e viola da gamba, Esperanza Mara, Guilherme Barroso e Thiago Vaz contam a vida e o mundo dos nossos antepassados.

Um quebra-cabeças a resolver

A JIGSAW

Temos boas notícias para os amantes da música, o dia primeiro de Março de 2013 temos uma cita na capitalina Sala Capitol, às 21, para um concerto de uma das mais promissoras bandas da nova música portuguesa, chegam-se à frente os A Jigsaw. A formação de Coimbra vem acompanhada por uma banda espanhola, o Arizona Baby, e prometem dar uma boa noite de música em grande.

Infelizmente, e como em quase tudo, na Galiza não contamos com um sistema próprio de programação cultural, e tudo o que cá chega passa pelo filtro de Madrid, os A Jigsaw estão, aos poucos e sem dar por nada, a fazer-se com um lugar no circuito indie espanhol. É uma banda folk-blues caracterizada por um som multi-instrumentista, e tiraram o nome da música “jigsaw you” da genial banda flamenga dEUS, com o seu primeiro álbum “Letters from the Boatman” atingiram em 2008 o top do índice A3-30 da Antena 3. O segundo álbum aparece em 2009, e titula-se “Like The Wolf”, já em 2011 lançam o “Drunken Sailors and Happy Pirates”, que atrai muita atenção internacional, sendo segundo os próprios um álbum conceptual, e o conceito é a construção do individuo. A utilizar 27 instrumentos em palco, com uma música agora mais virada para o folk e com canções que contam pequenas histórias e desenham um imaginário, é por isso, se calhar, que a banda tem uma vasta trajectória em musicar filmes, tanto de realizadores portugueses como estrangeiros.

Depois de andarem por toda a Europa, chegam pela segunda vez à Galiza, e como temos fama de barulhentos, e até podemos ser, já lhes advirto que o silêncio é indispensável num concerto dos A Jigsaw, espero que estejam com pica para resolver o quebra-cabeças.

Déa Trancoso volta, desta vez nas Crechas

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Não é a primeira vez que falamos nela, já a vimos o ano passado no Culturgal em Ponte Vedra, mas a cantora mineira Déa Trancoso volta aos palcos nacionais, desta vez na capitalina Casa das Crechas, o dia 27 de Setembro às 22:30.

A cantora, de faz 25 anos de carreira musical, comemora o facto no ano em que a Casa das Crechas faz também 25 anos, traz consigo a voz, a rabeca o violino e a percussão a percorrer as músicas populares de Minas Gerais.

Parte do trabalho dela está assente na tradição mineira do Terno de Catopés de Bocaiúva, grupo secular que no Brasil chegou a acompanhar a cantora em vários espectáculos. Vencedora do X Festivale – Festa da Cultura Popular do Jequitinhonha, Déa Trancoso afirmou-se no panorama musical brasileiro como uma voz dona de um timbre natural que não só surpreende pela afinação, mas principalmente pela capacidade técnica.  Bela maneira de passar a noite de quinta, vai ser de chuva, espero, venham mais Outonos como este.

Birds are indie

Birds are Indie

Pode que estes dois pássaros sejam mesmo Indie

O verão está quase a acabar, e com outono à porta começa uma nova etapa, um novo ano com forças renovadas sem saber o que nos espera. Para desanuviar temos aqui uma dica indie, mesmo indie. Está a decorrer em Compostela um festival um bocadinho diferente, os concertos espalham-se pelos meses de Agosto e Setembro e trazem pequenas formações às esplanadas dos locais mais cool da capital nacional. O nome do festival é “terraceZeando” (SIC), basicamente são concertos fora de sítio, uma bela proposta para estes dias nos que o termómetro teima em não nos deixar em paz. O dia 13, às 20:30, no Broa sobem a palco o duo coimbricense Birds are Indie, mais logo, nessa sexta-feira 14 estarão em Vigo, na La Casa de Arriba e no dia 15 fazem parte da “mega-festa” Porto d’bandada, na invicta.

Os Birds are Indie não são bem uma banda, é um casal, um rapaz  e uma rapariga que levam 14 anos apaixonados e a tocar e cantar juntos, não é que sejam bons a fazer nada disto, mas parece que ao resto da humanidade lhe faz bem. Se gostam dos Tinderstics, não percam este duo, mas têm garantida uma boa dose de depressão, a ser felizes amigos!

Quanto é que achas que deves pagar para ver os The Gift ?

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os The Gift estão em Vigo pelo preço que quiseres

Neste bloque, um dos mais seguidos e cotados do mundo, não é fácil ser objecto de um post, é mesmo quase impossível, mas o que julgo seja mais difícil é ser objecto de dois post do Lusopatia. Mas vai ser desta, e tinha de ser qualquer coisa de excepcional a que nos fizesse mudar os hábitos, pois é amigos, é um concerto dos The Gift. Depois do espectáculo que deram em Compostela há uns meses, a banda de Alcobaça volta aos palcos nacionais o dia 26, domingo, no auditório do Mar em Vigo.
Como toda a gente, eu, tenho uma série de princípios que comandam a minha vida: um deles é ir sempre que posso a um bom concerto, e outro é fugir o mais longe possível da cidade de Vigo, tendo em conta que há aqui um conflito é preciso equacionar as vantagens espirituais que nos vai proporcionar ir a (mais) um concerto dos The Gift, e ver se vale a pena ir ter com eles a Vigo:

1. Um ritmo trepidante
2. Um virtuosismo instrumental
3. Uma data de músicos a tocar instrumentos que nem os nomes sabemos
4. Dois concertos em um, um parte para o álbum Explode e outro para o Primavera
5. Uma Sónia Tavares a fazer uma dramatização da voz única no panorama indie-pop internacional

Querem mais pretextos? eu tenho, é bom não perder a chance de ver uma banda no topo da carreira musical internacional, querem outro? podem pagar o que quiserem por ver o concerto, para além dos billetes Premium, a 12 ouros, podem ir até o site dos The Gift e colocar um preço pelo bilhete, sempre que sejam no máximo 2 acessos, e que seja o valor mínimo de um euro, ainda estão a hesitar?

Bonde do Rolê, ritmos a descobrir

Pessoal, sentem o mesmo que eu? ah pois é! o povo quer festivais e a crise teima em ternos encerrados em casa. Este ano muitos festivais morreram, o clássico Cultura Quente de Caldas e o de pouca dura que foi o Vigotransforma. Mas nem tudo são notícias más, ainda resta o Portamerica, um festival que tem lugar em Nigrán, no porto do molhe e que vem preencher um bocadinho o vazio. Também aqui temos uma pequena dose lusópata, um bocadinho de indie para animar o corpo. No sábado 21 de Julho vão lá estar os Bonde do Rolê, que até que emfim têm novo disco, herdeiro do primeiro With Lasers, o nome do novo é Bacanalmusical e vamos apreciar aqui em Nigrán. Desta feita a base rítmica não será apenas o fuck carioca, agora apresentam umas novas experiências e sonoridades, para que vejam e ouçam melhor, deixo aqui um teledisco da música Kilo, vejam só: calor, sensualidade, Brasil

Fica combinado, 21 de Julho, no festival Portamerica, a partilhar palco com alguns das minhas bandas de estimação como os Vetusta Morla ou Depedro, e com bilhetes que vão desde os 25 sem campismo aos 40 se comprarem no próprio dia na bilheteira e com direito ao campismo. Verão, música e praia. Alguém resiste?