Dormir com Lisboa…em Vigo!

Fausta Cardoso Pereira é uma jovem romancista formada em Publicidade e Marketing, Comunicação Social e Sustentabilidade. Esta poderia ser uma biografia normal, como qualquer outra que se faz sobre alguém talentoso, mas há uma caraterística distintiva: ela ganhou na Galiza um prémio literário com um livro escrito em português. Suponho que terá que explicar este facto muitas vezes na sua terra natal, Lisboa.

É autora de O homen do puzzle, uma fábula sobre a paralisação e a mudança; e também de Bom caminho, um livro de viagens que fala da sua experiência no Caminho de Santiago.

Dormir com Lisboa tem a cidade homónima como protagonista. Lisboa, sem qualquer razão, começa a devorar pessoas. E o livro devorou-me a mim. A obra foi vencedora, como referi acima, na segunda edição do prémio Antón Risco de literatura fantástica. A escritora conseguiu, obviamente, uma recompensa económica e a possiblidade de publicação, sendo a Urco editora a empresa responsável. Voltemos ler as linhas anteriores e pensemos friamente: uma lisboeta, que escreve em AO, ganha na Galiza um prémio e publica o seu livro connosco. Acho que os premiados fomos todos e todas nós. Coisas maravilhosas ainda podem acontecer!

Amanhã estarão na feira do livro de Vigo David Cortizo, membro da Urco, e a autora para meter dois dedos de conversa. 20h30! escrevam todas as curiosidades num papel e perguntem, perguntem, perguntem!

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PoemaRia com participação portuguesa

poemaria Entre hoje, amanhã e depois de amanhã poderemos entrar em contacto com a lírica atual de vários países da Europa. Este é o terceiro ano consecutivo para o festival PoemaRia em Vigo, um projeto ainda muito jovem que pode chegar a ser um referente como o já muito conceituado Festival de Poesia no Condado ou outras propostas de dimensões mais modestas, tipo o Festivalo de Manselhe, em Dodro.

Qual é o toque distintivo do PoemaRia? a resposta não poderia ser mais atual e mais justa: dar um espaço às vozes líricas femininas.

Se forem procurar informações sobre o evento em jornais galegos ou locais, verão que durante parágrafos só se fala de literatura hispânica. Achei isso bastante sintomático, sendo Dores Tembrás quase a anfitriã e tendo como espaços para o festival a Praça do Abanico, o Instituto Camões e a Casa Galega da Cultura. Em fim…comecei a escrever o artigo com uma finalidade, que é dizer-vos que haverá participação portuguesa.

Andreia C. Faria e Elisabete Marques marcarão presença amanhã e toda a gente pode ir lá ter, porque a entrada é livre. A primeira fará uma leitura a dois com a escritora irlandesa Anamaria Crowe Serrano no Centro Camões às 21h30.

Andreia C. Faria nasceu no Porto, em 1984. Publicou em 2008 o seu primeiro livro de poemas, De haver relento (Cosmorama Edições), em 2013 Flúor (Textura Edições) e em 2015 Um pouco acima do lugar onde melhor se escuta o coração (Edições Artefacto)

A Elisabete Marques lerá no mesmo dia na Praça do Abanico às 22h30 textos com a galega Miriam Ferradáns, na secção Poetas através do Minho. Pelo que cheguei a saber na net, a poeta portuguesa vem definida como uma lufada de ar fresco na nova geração de poetas e o seu lirismo tem uma estética muito pessoal e singular. Publicou Cisco (Mariposa Azual) e Animais de Sangue Frio (Língua Morta). Neste último poemário faz uma alegoria do mundo e da fauna que o povoa.

Vão lá e apoiem a literatura em feminino!

 

 

Monstra à solta…em Vigo!


O Festival de Animação de Lisboa, Monstra, é desde há 18 anos um espaço de provocação e criatividade. Um exemplo de diálogo artístico interdisciplinar que já está na maioria de idade.

A Monstra tem uma vertente itinerante, Monstra…à solta!, que agora chega a Vigo. As e os organizadores têm levado o festival a múltiplas cidades portuguesas e aos cinco continentes durante os últimos quatro anos. O objetivo é partilhar com os públicos que vivem fora da grande Lisboa uma parte importante do festival.

Para comemorarem o facto de chegarem aos 18 anos de idade e em parceria como o Centro Cultural Camões de Vigo, Monstra leva à cidade olívica duas sessões de retrospetiva de cinema de animação que serão projetadas na sede do centro.

No dia 20 de junho às 20h30 há a exibição dos premiados deste ano, podem ver o palmarés nesta ligação que vos deixo. Já no dia a seguir, na mesma hora e lugar, poderemos ver Alma portuguesa e alguns dos melhores filmes de animação produzidos em Portugal até aos dias de hoje.

 

Primavera do cine em Vigo

primavera

Amanhã começa o Festival Primavera do Cine em Vigo e o Centro Cultural Camões acolherá uma mostra de curtas lusófonas durante estes dias. No Auditório Municipal de Vigo temos duas longas, uma delas Cartas da guerra, que eu recomendo vivamente pela sua relação com a literatura.

Infelizmente, soube neste momento que houve há dias uma mostra prévia de cinema brasileiro…já não chegamos. De qualquer maneira, coloco cá o programa por se estiverem interessados/as noutras atividades.
Debruço-me sobre as informações e confesso que não está fácil escrever este artigo. Há tantos filmes de que vos tenho que falar que nem sei por onde começar! Pronto, como todas as coisas… inventarei um princípio, mesmo que seja caótico.

  • curtas:

O forasteiro, Diogo Cronemberger. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É a história de Carraimundo, que, no sertão do Piauí, Brasil, luta contra o obsessivo mundo cíclico da violência em que está preso.

Flores, Vado Vergara e Henrique Bruch. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É uma curta produzida por alunos/as e diplomados/as do curso de Produção Audiovisual (Teccine), da Escola de Comunicação, Artes e Design, está a marcar presença em festivais internacionais. A curta aborda o crescimento de grandes centros urbanos e mercado imobiliário enquanto pessoas são despejadas destes espaços que estavam ociosos e acompanha o dia de dois jovens que buscam compreender a relação afetiva que os une. Um deles, artista visual, partilha a casa ocupada com uma mulher trans de 70 anos viciada em drogas e busca a realização profissional noutra cidade.

Deusa, Bruna Callegari. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Deusa trabalha como funcionária cobrando impostos na ilha onde mora. Habituada a ver o movimento dos viajantes, nunca tinha pensado na sua própria vida até que uma baleia encalha na praia. Deusa observa a baleia e acha nisto uma metáfora de si mesma.

Em algum lugar, amanhã, André Siqueira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um encontro entre dois estranhos e as fantasias ocultas que os permeiam. Ela, uma mulher infeliz no casamento. Ele, o dono de uma alfarrabista, um homem sensível e poético. A curta retrata a relação de pessoas que mal se conhecem, mas que, inexplicavelmente, se sentem subitamente atraídos um pelo outro. Um filme que fala sobre as escolhas que fazemos a cada momento e como elas podem influenciar nossa vida para sempre.

O menino e o louco, Júlia Ferreira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um menino viaja e reencontra-se com duas amigas gémeas. Começa a visitar a casa delas para tentar protegê-las do seu pai doido.

Vidas cinzas, Leonardo Martinelli. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. Trata-se de um falso documentário que denuncia a atual crise no Brasil.

Mãe querida, João Silva Santos. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Matilda é uma adolescente assombrada pela morte do pai e maltratada pela sua mãe alcoólica, Susana. Um dia, decide pedir ajuda a uma bruxa.
Esta curta tem o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017.

A gente nasce só de mãe, Caru Roelis. (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Emilly, uma rapariga de 17 anos vive num bairro na periferia com dois irmãos mais novos e o filho recém-nascido. O filme segue algumas horas na vida da jovem, mostrando-nos as delicadas e complexas relações de família e de poder que atravessam o quotidiano da jovem, cuja vida é devastada por uma tragédia que se aproxima.

Katharsis, Mirela Kruel (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Abatida pela amnésia, Clarice entra num teatro para fazer um teste. Hermes, diretor da peça, ldiz-lhe que é preciso mais do que atuação para interpretar tal papel. Na visão dele, ela precisa sentir que é a personagem. Confundindo a ficção que a atriz pensa estar a viver no palco, ela começa a se lembrar de fragmentos da sua própria história.

O vestido de Myriam, Lucas H. Rossi. (Brasil) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Em meio a uma casa pacata no interior rural do estado do Rio de Janeiro, um casal de idosos convive com as limitações da velhice. Divaldo compartilha a sua solidão com Myriam. Ela morre durante o sono. Após o enterro, ele manifesta o luto de forma peculiar.

  • curtas de animação:

Estilhaços, José Miguel Ribeiro. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um filme sobre a forma como a Guerra se instala no corpo das pessoas que a vivem olhos nos olhos. E, depois, a milhares de quilómetros e dezenas de anos decorridos, contamina, como um vírus, outros seres humanos.

Água mole, Laura Gonçalves e Ale­xan­dra Rami­res. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Os últimos moradores de uma aldeia resistem-se a serem esquecidos. O progresso avança…conseguirão ficar na aldeia? Água mole em pedra dura…

Solito, Gabriel Mayer. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um morador de rua caminha pela cidade com a sua única companhia, a Solidão, um monstro fantasmagórico que o segue por todo a parte.

Tocadora, Joana Imaginário. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Por equívoco, ela bebe a água de lavar os pincéis e transforma-se em desenho. A partir daí o mundo do quotidiano e o mundo da criação dançam à roda de um armário. Lá dentro, cada momento, cada memória e cada ação tornam-se únicos. Enquanto um livro cresce e se torna real, seguimos a Tocadora no seu processo criativo como percurso imaginado.

-É preciso que eu diminua, Pedro Serrazina. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. É o clip de vídeo do novo single de Samuel Úria. Que bom voltar encontrar o Pedro entre as nossas linhas!

Surpresa, Paulo Patrício. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Surpresa é uma curta animação documental feita usando uma conversa gravada (isto é, sem ação, não ensaiada, não roteirizada) entre uma mãe, Joana, e sua filha de três anos, Alice, que se está a recuperar de um cancro renal. Ambas falam – abertamente e francamente – sobre a doença, a suas atuais circunstâncias, lutas e sucessos.

-The voyager, João González. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. Um pianista vive numa grande cidade e sofre de agorafobia. Ele é confrontado com a necessidade de sair de casa para se reabastecer de medicamentos.

  • longas

Cabra, marcado para morrer, Eduardo Coutinho (Brasil). Exibição: 9 de maio, 19h30, no Auditório Municipal de Vigo. Este documentário tem a honra de abrir o festival, a obra fala de um líder camponês, João Pedro Teixeira, que é assassinado por ordem dos latifundários do Nordeste.

Cartas da guerra, Ivo Ferreira (Portugal). Exibição: 11 de maio às 22h no Auditório Municipal de Vigo. Baseada no livro homónimo de Lobo Antunes que recolhe as cartas que um jovem soldado português enviou de Angola à sua mulher entre os anos 1971 e 1973 durante a Guerra Colonial.

O filme tem muitos prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Um luxo.

As raízes de Pessoa na Galiza

No Dia da Língua Portuguesa não há nada melhor do que revisitarmos a nossa história e ligações culturais.

A Ginjinha, Inês de Castro, o galo de Barcelos e, agora também Pessoa, têm antecedentes na Galiza. E se a nossa história fosse contada doutra maneira?

O professor de Literaturas Lusófonas, Carlos Quiroga, prova neste livro a árvore genealógica galega do poeta, a origem do heterónimo Alberto Caeiro e a relação que isto tem com Alfredo Guisado, poeta galego esquecido da Geração Orpheu.

Hoje, no Centro Cultural Camões de Vigo, às 20h.

25 de abril no bairro do Calvário

Chega o dia mais comentado no nosso blogue. Têm já os cravos e o disco de canções da revolução a tocar? Começamos então anunciando as atividades do bairro do Calvário de Vigo que decorrerão na EOI da cidade e no mercado. A algumas delas, infelizmente, já não chego com muito tempo para avisar. Vou então com aquelas que ainda podem fazer:

-Exposição de Henrique Gabriel: “Os rostos das palavras de abril” no mercado do Calvário até 28 de abril.

-Palestra do Capitão de abril José Vieira: “História viva de abril” às 19h30 do dia 24 de abril na EOI.

-Teatro “A nobre cauda” de Tomaz Figueirido no auditório da EOI de Vigo.

Vamos nessa!

Street Art Street Photo

foto urbana

De 30 de outubro a 13 de dezembro poderemos ver uma exposição fotográfica de artistas ibéricos/as no Centro Cultural Camões de Vigo.

Street Art Street Photo reune fotógrafos/as espanhóis e portugueses que tiveram no seu objetivo a arte urbana de Vigo. A nota mais inovadora desta exposição é que todos os autores são por sua vez instagrammers e foram nesta rede escolhidos para o projeto. Se tiverem conta no Instagram podem acompanhar a obra destes artistas, eu já mergulhei nessas fotografias e foi uma experiência muito positiva. Tomem nota:  @rodrymendonca, @kitato, @joao.bernardino @diogolage, @lemleite, @raquelcalvino, @passtiche, @mjpereira, @mevisualartist @patriromero, @jorgelens e @rober.delatorre

Da mesma maneira que a arte urbana é efémera, modificável e podemos ser partícipes dela, a arte urbana que é carregada nas redes reune todos este valores para além de mostrar as obras para um público mais extenso e poder ter um feedback mais direto.

Instagram pode não ser apenas uma rede para carregar duck faces, também é um foco irradiador da arte.

 

Sessão de curtas em Vigo

Não sei bem o que foi feito daquele festival de animação que havia em Lalim, o Anirmau, alguém se lembra? O facto é que já estava com saudades de uma boa coleção de curtas. Desde o Curtocircuito não voltei mais com isto.

No dia 13, isto é, esta quinta, o Centro Cultural Camões de Vigo vai projetar em colaboração com a Portuguese Short Film Agency várias curtas metragens portuguesas de animação. Também estará lá a realizadora da curta Três semanas em dezembro, Laura Gonçalves.
Não precisam de apanhar bilhete nenhum, portanto, quem por lá estiver pode aproveitar e ficar a par da situação das curtas da 25ª edição do Festival de Curtas de Vila do Conde, pois isto é uma amostra desse evento.

Ana Moura em digressão

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Compostela não descansa e hoje teremos o concerto da fadista de Coruche, Ana Moura. Para aquelas pessoas que ainda não arranjaram bilhetes…há também oportunidade de vê-la em Vigo no Auditório do Mar no dia 25 deste mês.

Pronto, já sabem que eu não sou grande apreciadora de fados e talvez por isso Deolinda, António Zambujo e Ana Moura sejam os exemplos de fados que eu mais gosto, porque são vozes novas que dão uma nova linguagem ao género musical português.indice

Ana Moura é dessas artista é que conheceu a vocação de uma maneira muito precoce. Os pais já cantavam e portanto ela sempre teve um convívio muito natural com a música. Em écopas liceais esteve em várias bandas de covers e até cantou rock, mas a boca da fadista resolveu terminar por cantar fado, porque é assim, as bocas fogem para a verdade.

Desfado, o seu último disco, é quase uma declaração de intenções. Um disco integramente composto por temas originais que a levou a cantar em grandes palcos por todo o mundo.

O single do mesmo nome, Desfado, é uma ferida ainda aberta para mim. Numa das viradas da minha vida, alguém que nunca mais vi despediu-se de mim com esta canção. A letra tem, a meu parecer, a beleza do gume de uma navalha.

Hoje não tenho saudades. As coisas acontecem e sempre são para melhor.

Hoje em Compostela, no Auditório da Galiza às 21h e…depois em Vigo!

 

Escola do Rock de Paredes de Coura em Vigo

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Paredes de Coura é conhecido por ter um dos melhores festivais deste mundo, mas talvez não saibam que este município vai muito à frente em muitas outras iniciativas.

A “Escola do Rock” é um projeto municipal que foi desenhado e tem a direção artística do Space Ensemble, permite a um conjunto de músicos portugueses em potência, desenvolver competências musicais e criativas, em especial na área da música rock.

Em volta desta escola há pequenos concertos, workshops, ensaios e muita experimentação. Já agora, tenho que dizer que a página tem um design impecável. Quanto temos que aprender!

A partir deste projeto nasce uma tour com o mesmo nome, um espetáculo que tem já circulação confirmada na Galiza, proporcionando assim uma hipótese única aos músicos participantes de entrar em digressão por algumas das melhores salas de além e aquém Minho.
O senão que uma pessoa como eu pode ver nisto é o espetáculo ser no mesmo dia que os Cantos na Maré, porque eu, sinceramente, gostava de ir às duas coisas. Programadores e programadoras culturais, por favor, amai-vos e uni-vos!

Voltamos ao ponto. A Escola do Rock estará em Vigo no sábado às 19h no Auditório Municipal. Vai dar barraca, migas!

<p><a href=”https://vimeo.com/117187676″>Escola do Rock [ Rock School ] Paredes de Coura 2014 (English subtitles)</a> from <a href=”https://vimeo.com/canal180″>Canal180</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>