Mû Mbana em Ferrol


Mû Mbana é um cantor, compositor, multinstrumentista e poeta natural da ilha de Bolama, na Guiné- Bissau. A sua paixão pela música começa logo na infância onde começa a investigar sobre ritmos e tradições: cresceu influenciado pelos cânticos religiosos das mulheres das etnias brame (Mancanha) e bijagós (Budjugo)

Anos depois, começa a viajar e experimentar e funda Nemfen, um trio de jazz-fusion.

É bem difícil exprimir com palavras a música e no caso de Mû Mbana, a coisa ainda vira mais complicada, porque ele tem uma rede de ritmos e pegadas culturais que se entrecruzam.

No dia 15 de setembro atuará no Teatro Jofre de Ferrol e interpretará canções do seu último álbum, Iñén. Uma oportunidade única para ouvir 10 temas compostos por ele e também para conhecer novos instrumentos “Depois de muito tempo de reflexão e pesquisa, notei que era possível recuperar o ‘simbi’ que é um instrumento balanta e ‘Tonkorongh’ um instrumento mandinga, fula, felupe, manjaco e bijagó. Todos os grupos étnicos que constituem a nação guineense têm instrumentos musicais fabulosos que podem ser usados para produzir a música. Se não fizermos isso, ou melhor, se ignorarmos esses instrumentos musicais, isso quer dizer que deixamos a nossa cultura e a nossa poesia”

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Wos 2017

Hoje começa mais uma edição do Wos em Compostela. O Wos é um espaço de encontro de cultura alternativa com caráter anual. Cada ano reunem-se em Compostela pessoas do mundo da música, artes plásticas e cénicas.

Este ano temos na cidade a quarta edição e, como já fiz a minha própria navegação pelo programa, posso-vos dar a proposta lusópata. Espero que estejam prontos para começar:

  • HHY and The Macumbas chegam hoje do Porto para partilhar connosco o seu som entre vodu e dub. HHY é um instrumentista e produtor que unido aos The Macumbas cria um ritmo novo de percussão que agita qualquer corpo.

https://youtu.be/XzXYgrharhA

  • Amanhã vêm da aldeia do Fornelo, Portugal, os Sensible Soccers. Famosos pelos seus concertos e pela empatia com a empatia com o público, desde 2011 são considerados uma banda de culto.


Este trio faz sobretudo música instrumental, mas sem esquecer a experimentação com sintetizadores. Villa Soledade foi o seu último disco e primeiro sem o baixista Emanuel Botelho. O título do álbum remete para uma casa na estrada nacional que vai de Vila do Conde para Santo Tirso, dessas que uma pessoa vê e recorda por exóticas na construção. Mas o disco não vai sobre esta casa, obviamente. Relatam aqui, de uma maneira íntima, a relação que existe entre as pessoas e os ambientes, por vezes deprimentes e por vezes cheios de esperança.

https://youtu.be/ge23rj72wcQ

Apanhem os seus óculos de massa e deixem barba, que o Wos vai começar.

Festival de Poesia no Condado

Entre 1 e 2 de setembro decorre um dos festivais mais representativos do fim do verão, porque…assumamos…as férias não vão durar sempre. O Festival de Poesia no Condado não é apenas a maior mostra de lírica do ano, é um evento multidisciplinar: audiovisual, artesanato, exposições e música.

Amanhã, dia 1, teremos em Salvaterra às 20h30 a apertura de exposições que contam com projetos de Clara Não e Mariana Malhão entre outras. Clara Não é uma ilustradora, escritora, desenhista, escultora e performista do Porto. Mariana Malhão é desenhista e ilustradora de Coimbra. Deixo-vos com uns exemplos dos seus trabalhos que para mim foram um achado, agora que voltei a brincar com a minha caixinha de aguarelas e que ando na procura de referentes femininos.

Já na noite às 23h poderemos ir ao concerto dos Baleia, baleia, baleia. Esta banda do Porto faz música tipo punk-rock e foi para mim uma coisa nova.

Li sobre eles que «pegam nos elementos mais alegres e coloridos que o rock alguma vez engendrou, agitam-nos numa garrafa com gasosa e tiram a tampa para molhar toda gente». Promete dar barraca…

https://youtu.be/xP7M8RP4fCc

No segundo dia de festival, entre música e poesia, há a projeção do documentário Mulheres da Raia de Diana Gonçalves às 19h.

Apanhem as suas trouxas e vão lá, que isto vai começar!

Caminhar sem fim

Compostela é essa cidade que as pessoas recordam por causa do Caminho. Entre peregrinos, lojas de souvenirs e ementas de polvo e churrasco, também há outro caminho: o dos encontros musicais. Narf era um músico que caminhava entre várias culturas e o Festival Feito a Man quer recordá-lo da melhor maneira: com um concerto tributo.

O dia 30 deste mês, às 21h, na Praça da Quintana, teremos oportunidade de ver aqueles artistas que colaboraram com o Narf durante anos: Timbila Muzimba, Xelís de Toro, Jim Sanders, Ze Rui, Coro Encaixe, Coro da Rá, Mofa e Befa, Manolo Cortés (Chévere), Luiz Caracol, As Marias (Maria Bouzas e Maria Pujalte), Carlos Santiago, Pepe Sendón, Quico Cadaval, Uxía, Jabier Muguruza, Alfonso Espiño, Pilo Sierra, Xabier Olite, Javier Abraldes, Pista 4, Manuel Paino, Piti Sanz, Ton Risco e Fran Sanz, entre outros.

Do ponto de vista lusopata não podem perder os Timbila Muzimba (de Moçambique) e o Luiz Caracol (de Portugal e de quem temos falado nestes últimos dias). Podem ver como foi o concerto de Narf com os Timbila neste vídeo, um exemplo ímpar de talento.

E cá com o Luiz Caracol:

As pontes que este homem tem criado durante anos são hoje motivo de celebração neste concerto tributo. Continuemos a caminhar juntos, porque aquelas pessoas que recordamos, essas…nunca morrem.

 

 

Teresa Salgueiro em Ferrol

Ferrol está em festas. Amanhã na Praça de Amboage decorrerá o concerto da portuguesa Teresa Salgueiro. Se há uns dias falávamos de Rodrigo Leão, hoje toca anunciar a chegada da voz de Madredeus.

A carreira musical dela começou quase por acaso. Um dia estava a cantar numa tasca com amigos e na mesa ao lado também estava Rodrigo Leão…e aí deu começo Madredeus, o seu projeto mais reconhecível e aquele que a colocou nos ouvidos de muitas pessoas.

A soprano de Amadora já cantou com Zeca Baleiro, Carlos Núñez, Josep Carreras, Angelo Branduardi…

Em 2007 deixa os Madredeus e começa um percurso a solo. Cria pouco tempo depois uma oficina de composições e não demora em aparecer o seu primeiro disco: O Mistério.

O seu trabalho mais recente é de 2016 e chama-se O Horizonte. É a afirmação da sua faceta de compositora e letrista.

https://youtu.be/pXoylV6DjKw

Não percam a oportunidade de ouvir este talento ímpar tão emblemático da cultura portuguesa. Ferrol, Praça de Amboage, 22h30.

Luiz Caracol em Vilar de Santos

O verão não acabou ainda e menos em Vilar de Santos, onde na Arca da Noe há sempre coisas para fazer. Amanhã embarca neste navio milenário o músico português Luiz Caracol.

A história deste homem é parecida com a de muitos portugueses. Nasceu em Portugal, mas cresceu num ambiente muito multicultural e com referentes africanos por causa de a sua família ter vivido em Angola. Podemos ver isso na sua música, porque ele faz uma mestiçagem muito própria entre sons de Lisboa e a Africa de que sempre se sentiu parte. Se olhamos as suas colaborações, podemos confirmar isto mesmo: Sara Tavares, Aline Frazão, Jorge Palma, Uxia, Zeca Baleiro…

Luiz Caracol apresentou o seu último trabalho, Metade e meia, este ano na Casa da Música e no Cinema São Jorge. o seu primeiro álbum chamou-se Devagar e não era uma brincadeira com o seu nome, este último título remete para as várias metades que sempre estiveram presentes na vida dele: Europa e África. Este disco supôs para ele uma nova forma de criar: primeiro compunha a letra e depois a melodia; e também foi um processo mais exigente do que outros, porque calhou com a sua recente paternidade.

https://youtu.be/wauGkEgzjIc

Amanhã às 21h na Arca.

Rodrigo Leão na Corunha

Amanhã chega à Corunha um dos grandes vultos da música portuguesa. Integrante de duas das bandas com mais repercussão internacional: Madredeus e Sétima Legião.

Rodrigo Leão é desses homens que criam autênticos hinos e é por isso que foi capaz de reunir tantos prémios.

Ele é um músico completo, criador de um estilo inconfundível. Explora a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicionais, por isso ir a um concerto dele é quase ouvir uma sinfonia de sintetizadores.

Amanhã o lisboeta vai estar no Teatro Colón da Corunha, no marco do Festival do Noroeste, acompanhado de Ana Vieira na voz. Vai tocar temas essencialmente compostos para a voz desta cantora, em língua portuguesa maioritariamente, mas também em inglês, francês e espanhol.

Deixo-vos com Vida Tão Estranha, que é uma das suas mais belas obras.https://youtu.be/joKcK4D6PGo

Luís Peixoto em Pardinhas

Uma das marcações do verão é o Festival de Pardinhas. Guitiriz é cada ano desde 1979, graças à associação Xérmolos, um destino para todas aquelas pessoas que amam a música ao vivo.

Este ano temos no cartaz um português, Luís Peixoto. Músico multi-instrumentista e habitual como colaborador musical noutras bandas como Galandum Galundaina, Sebastião Antunes e Quadrilha, Dazkarieh…lança neste ano o seu primeiro disco a solo: Assimétrico. O álbum caminha entre o folk e a eletrónica, sem esquecer a guitarra de Coimbra, pois quando falamos de Luís Peixoto, falamos de um coimbrão.

Nestas onze músicas temos cordas de bandolim, cavaquinho, viola braguesa, bouzouki…misturadas com instrumentos eletrónicos.

Amanhã poderemos vê-lo em Pardinhas. Vão perder?

https://youtu.be/BLSRrBhd_QI

António Zambujo na Ilha

Por enquanto ainda não tínhamos escrito nada da Ilha e não é por ela não ter festivais: O Festival do Norte e O Mar numa flor estão sedeados nesta pérola da ria. Já agora, permitam-me questionar o nome de Festival do Norte, Norte? é o Norte da Galiza a Ilha de Arouça? Enfim…falemos do Mar numa flor.
O Mar numa flor é um festival que decorre nos últimos dias de julho e fusiona arte, música e natureza. É desses eventos ainda jovens, porque a primeira edição data de 2015.
A Ilha de Arouça pode ser um lugar de referência de intercâmbio cultural no Atlântico e nesse sentido a capitã Uxía Senlle está à frente deste navio, que parece ser um irmão pequeno do Cantos Na Maré, tanto no espírito quanto na contratação de artistas.

Há pouco alguém criticava no fio do meu Facebook a contratação dos The Gift por parte da Câmara Municipal de Compostela. Por uma parte estava a questão (para algumas pessoas incómoda) de eles cantarem em inglês, por outra a pouca empatia da banda quanto à identidade da Galiza. Pronto, eu gosto muito da banda e não vou pedir a pessoas de fora que tenham mais compromisso do que nós próprios. Não acho justo. Também gostaria de sublinhar (mais uma vez) que na Galiza temos uma ideia muito reduzida (e até folclorizante) da música portuguesa atual.

Com isto quero dizer que gosto da existência de novos eventos que abram caminhos e ajudem a criar sinergias, mas esses novos eventos têm de trazer também novas vozes.

Qual é a proposta do Lusopatia? chegamos tarde para falar de Falua, mas ainda vamos a tempo de confirmar a presença do António Zambujo às 21h este sábado dia 29.

Lá vai um dos seus últimos clipes.

Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.