Arthus Fochi em Compostela

Arthus Fochi estará amanhã em Compostela no Festival Feito a Man. Poderemos vê-lo às 21h na Praça da Quintana (se chover, no Teatro Principal). Trata-se de um carioca filho de pai guarani paraguaio e suponho que destas raízes vem a sua curiosidade musical e vontade de fusão com os diversos países da América do Sul. A sua criatividade de poeta-cantor passa pela música brasileira, o jazz e o rock.

O compositor faz a sua primeira turnê pela Europa, com paragens em Lisboa, Compostela e o Porto. É, portanto, a sua primeira vez na Galiza.

No Brasil tem uma carreira assente, com três álbuns publicados: Êxodo urbano, Suvaco do mundo e atualmente trabalha na divulgação de Arthus Fochi e os Botos da Guanabara, gravado ao vivo. Contudo, em Compostela os e as espetadoras verão um trabalho mais intimista com o espetáculo Ano Sabático: um projeto em parceria com outros músicos graças ao qual tocará com o produtor musical e pianista Guilherme Marques.

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Mato Seco em Bueu

Esta é uma boa notícia para todas aquelas pessoas que gostarem do reggae. A banda brasileira Mato Seco chega amanhã a Bueu ao Aturuxo no marco dos concertos que vêm preparar o caminho para o Minhoreggae.

A história destes brasileiros não é fácil assim de acompanhar nas redes. Ao que pude saber, com duas décadas de carreira musical e três trabalhos de estúdio, os Mato Seco são uma das bandas mais reconhecidas dentro deste estilo musical no Brasil. As suas canções Brilho Oculto, Tudo nos é dado, Pedras Pesadas, Resistência ou Caminho da Luz são autênticos hinos para todas as pessoas de filosofia rastafari. Estou feliz por ter sabido isto, porque amo reggae e sempre é bom alargar a lista de nomes. Natiruts, Chimarruts, O Rappa ou Cidade Negra estão há anos no meu Spotify. Está na hora de incluir os Mato Seco então.

Como é que foram os seus inícios? Sete amigos da infância de São Caetano do Sul juntaram-se em 2002 para criar música de resistência. O assunto era difícil porque nenhum deles sabia tocar, mas depois de muito esforço e aulas com profissionais eis o resultado.

Segundo li, o nome vem da sua filosofia de vida. Entendem que tudo faz parte de um ciclo. Um mato pode ser verde, ter vida e depois secar, para servir de adubo a outras plantinhas. Isto pode ser visto como um símbolo de resistência e assim é como eles querem que vejamos a cena. E falando em resistência…

O Mato é Seco, mas não morto. Jah Bless!

Sempre Zeca na Ilha

O festival O mar numa flor não é sol de pouca dura, devagar devagarinho sagrou-se como um dos eventos lusopatas do verão na Ilha de Arouça.

Neste ano o espaço na programação para conteúdos lusófonos é bem maior dado que amanhã há uma homenagem ao Zeca com vários artistas da nossa comunidade linguística. Então, se derem um saltinho até ao Auditório às 21h, poderão lá ver o António Zambujo, Uxia, Carlos Blanco, Budiño, Couple Coffee, Sérgio Tannus, Quiné e João Gentil.

Como grande parte dos nomes em negrito são já habituais entre as nossas linhas, vou hoje apresentar o Quiné e o João Gentil porque estreio tag para eles.

Joaquim Manuel Ferreira Teles aka Quiné é um baterista e percussionista português. Talvez com o dado de ele ter feito parte de Brigada Víctor Jara o conheçam melhor. Tem colaborado numa data de projetos musicais que o levaram a conhecer muitos países e a atingir fama internacional. Atualmente dirige o projeto eletroacústico Da Côr da Madeira.

O João Gentil é de Cantanhede, mas muito cedo emigrou com os pais à Suiça, onde logo se sentiu magnetizado pelo poder da música. Lá em Lausanne integrou a ORCADE e no seu regresso a Portugal, com 11 anos, frequentou o Conservatório de Música e andou em ranchos folclóricos. Terminou por ser professor de acordeão e a sua carreira hoje tem um percurso internacional.

Ele identifica-se como acordeonista e músico, mas não se considera um virtuoso ou um homem de concursos e grandes exibições. Pode-se dizer que vive a música como lhe vai na alma.

Amanhã, vozes de cá e de lá para homenagear o nosso Zeca. Não percam!

Chico César em Compostela

Conheci o som do Chico César nos anos da faculdade. Na altura, colecionava uns cds do Putumayo, uma seleção de músicas e ritmos worldmusic que me fazia descobrir novas culturas. Lembro-me perfeitamente, a minha primeira aquisição da coleção foi um disco que se chamava Brasileiro e foi comprado com dois objetivos claros: treinar português e conhecer novos artistas. Cheguei a casa, tirei o plástico protetor com emoção, li cada página do livrinho, coloquei o cd na aparelhagem (eram aqueles rituais)…e lá estava ele, Chico César, com o seu Mama África.

O consumo musical na década de ’00 era muito diferente e mais para alguém como eu, que fui das últimas pessoas do grupo em ter net em casa. Ainda me lembro de ir a um “Cyber” (uffffa, estas confissões fazem-me muito muito muito velha) para poder responder emails e ainda, se restasse tempo, ver algum vídeo musical.

U dia num cyber qualquer com computadores e Windows 97, todas aquelas cores da capa do Brasileiro pintadas pela Nicola Heindl tiveram um novo sentido. Fiquei de boca aberta quando vi o Mama África.

Chegariam depois novas oportunidades para definitivamente amar o Chico César, ainda que o meu foi um amor À primeira vista.

Graças a iniciativas como o Sons da Diversidade ou Cantos na Maré pude ver o cantor da Paraíba ao vivo e contagiar-me de toda essa energia que ele tem para dar.

No domingo, ainda no marco do programa das festas de Compostela, poderemos ver o seu show na Praça da Quintana às 22h. A não perder!

Salvador Sobral, Compostela e Lorca

O poeta Federico Garcia Lorca viajou muitas vezes à Galiza, até encenou La Barraca na Praça da Quintana. Há quem não saiba que compôs seis poemas na nossa língua, publicados pela editorial Nós e prologados por Blanco Amor. Alguns deles têm como localização Santiago de Compostela.

De um lado temos este poeta e do outro um pianista e músicos: assim é que encaixam todas as peças do puzzle Lorca namorado. O espírito de quem encenou La Barraca em 1932 volta à cidade em forma de espetáculo-homenagem.

O pianista Abe Rábade musicou estas composições do poeta de Fuente Vaqueros e amanhã, às 22h, poderemos ouvir ao vivo como é que ficaram esses arranjos. Vão ser misturados ritmos de música tradicional, jazz e flamenco assim como danças.

Alguns cantores da Galiza interpretaram estas letras. Temos o caso dos Luar na Lubre e o legado do Narf: as suas interpretações do Madrigal de Santiago são umas joias que ainda não sei se merecemos.

Amanhã, teremos as vozes do Salvador Sobral, Kiki Morente, Arcangel, Marcelo DoBode e Davide Salvado. Com efeito, o cantor português que já nos conquistou no Ari(t)mar interpretando poemas de Celso Emilio volta a Compostela e todos e todas estamos em pulgas para vê-lo! O lisboeta cantará o poema lorquiano dedicado a Rosalia. Fusão das boas. Lorca namorado! Atrevo-me com uma resposta também literária: e vou namorada.

Luísa Sobral em Ponte Vedra

O que veio antes: o ovo ou a galinha? Este dilema de causalidade é bem difícil de resolver, mas tenho um bem diferente para vocês: o que foi antes: a Luísa ou o Salvador Sobral? Quem estiver um bocado por dentro da música e rádios portuguesas é que sabe que a Luísa foi a primeira dos Sobral a destacar na canção portuguesa. Num primeiro momento, o Salvador era conhecido como “o irmão de” e talvez hoje pensemos na Luísa como a “irmã de”. Felizmente, não há entre eles qualquer rivalidade, funcionam como uma máquina bem lubrificada e são um binómio criativo.

Já falámos da Luísa alguma vez a propósito do Ari(t)mar ou também naquele post sobre canções de Natal, mas, sinceramente, esses artigos não lhe fazem jus. Ela precisa de um texto a sério e, até que enfim, chegou a ocasião perfeita: a Luísa Sobral subirá a palco no dia 13 deste mês em Ponte Vedra no marco do CICLO VOICES.

Antes de mais quatro coisas:

a) É necessário esclarecermos logo no início que a Luísa é a compositora de Amar pelos dois. Ponto para a Luísa.

b) Tem um vídeo com final inesperado para um namorado espanhol que acho uma genialidade. Dois pontos para a Luísa.

c) Faz também covers com músicas da Britney Spears. Britney!!! Não digo mais nada. Três pontos.

d) toca guitalelé e neste vídeo tem uma camisola igual à minha. Igual. Só me aconteceu isto uma vez na vida. Pronto, no vídeo dos Dealema também sai o meu edredão.

Guitalelé é uma coisa superfofa. Pontaço!

A cantora lisboeta começa o seu percurso musical em 2003, sendo ainda adolescente, quando sai às luzes da ribalta por ter participado no programa Ídolos. Depois de ter ficado em 3º lugar, resolveu partir para a Berklee e estudar lá.

Tempo depois, em 2011, viria o seu primeiro álbum: The cherry on my cake. Graças a ele, foi convidada a participar no Jools Holland. Não demoraram em chegar novos sucessos e trabalhos.

Também criou um cd de canções infantis: Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa, que conta com um visual e produção espetacular. A canção O meu cão foi a banda sonora de muitos voos da Iberia, talvez conheçam se viajarem muito de avião. A partir desse trabalho e da sua experiência como mãe começa a incluir cada vez mais temas em português nos seus álbuns. De facto, o seu último disco, Rosa, é monolingue.

Não percam a oportunidade de conhecer um novo referente da música portuguesa.

Pekagboom em digressão

O rapper são-tomense Pekagboom vai estar na Galiza para uma pequena digressão de concertos graças ao trabalho da Associação Beco da Língua. Vejam o percurso dele:  

– 4 abril no festival Português Perto. Aquelas nossas músicas em Ourense 
– 5 abril Aturuxo Bar (Bueu)
– 6 abril C.S. Gomes Gaioso na Corunha  
– 7 abril Fundaçom Artábria em Ferrol

 

Pércio Sousa Neves e Silva, a.k.a Pekagboom, é um rapper são-tomense radicado em Lisboa. Desde cedo desenvolveu uma paixão pelo rap. Em 2003 quando morava na “Quinta do Mocho”, na capital portuguesa, formou a banda Império Suburbano com outros emigrantes.

Para Pekagboom os seus referentes são o Sam The Kid, Valete (não podia ser de outra maneira!), Azagaia, Kendrik Lamar e Eminem. Ele fala de temas sociais e políticos: os direitos humanos, as desigualdades, a corrupção…podemos considerá-lo um ativista com rimas e batidas.

Atualmente tem um álbum e uma mixtape a solo. O seu último trabalho, Banho Público, fez-lhe ser homenageado em 2017 como melhor rapper de intervenção social na II Gala “África is more” e considerado pelo site Planeta Rap Luso como melhor rapper são-tomense do ano 2016. É considerado também o melhor álbum de rap são-tomense.

Cristina Branco com a Filarmónica da Galiza

A Real Filarmónica da Galiza e a fadista portuguesa Cristina Branco farão um espetáculo em parceria nos dias 14 e 15 do corrente mês. No dia 14 estarão em Compostela no Auditório da Galiza e no dia a seguir na Corunha no Teatro Colón. Os dois passes são à mesma hora, 20h30.

Para quem não souber, a Cristina Branco é uma das celebridades do Museu do Fado. Sim, a canção de Lisboa tem um museu. A cantora ribatejana tinha em Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Elis Regina os seus referentes até que um dia o seu avô lhe oferece um disco da Amália Rodrigues. A partir desse momento, começou a sua amaliomania.

Conta ela própria que uma noite atreveu-se a cantar fado de maneira descontraída, como quem não quer nada, e isso mudou a sua vida para sempre. Um dos músicos convidou-a continuar e assim a sua carreira começou.

Podem consultar o repertório de canções nas ligações que deixei lá cima. Não percam esta oportunidade de ouvir fado com os melhores músicos e uma das vozes mais cotadas da música lisboeta.

Birds are Indie em digressão

Poucas bandas têm tido tanto espaço mediático no nosso blogue como os Birds Are Indie. Gostamos mesmo deles e, ao que parece, eles gostam de nós, portanto, essa dedicação é merecida: amor com amor se paga.

Os de Coimbra vão já no quarto disco e desta vez gravaram com o carimbo da Lux records, uma histórica editora conimbricense. Este último trabalho tem aqueles ares com que podemos identificar os trabalhos anteriores, mas destaca-se por ter ritmos mais mexidos.

Há pouco fizeram um showcase na redação do JN. A Joana, o Henrique e o Jerónimo são incombustíveis e agora chegam à Galiza para nos dar três concertos:

 

-Vigo, dia 7, Radar Estudios

-Ponte Vedra, dia 8, El pequeño

-Ourense, dia 9, Torgal

Deixem os pássaros voar!!

Dead Combo na Corunha

Amanhã a banda portuguesa Dead Combo estarão em concerto na Corunha, no Teatro Colón.

No ano 2016 o Lusopatia já falava de um concerto deles em Compostela. Continuamos a recomendar uma banda de música experimental e instrumental? Continuamos, sim. E ainda com mais força.

No passado mês de abril lançaram o seu último disco, Odeon Hotel. Internacionalizaram-se e arranjaram um produtor externo. Este trabalho recolhe perfeitamente o seu som tradicional e a sua visão da música como ritmo universal. Mas há ainda um facto que faz com que este disco seja a cereja no bolo da sua produção. Mark Lanegan interpretará com a sua voz de barítono o tema I know, I alone. Esta canção é muito especial porque a letra é um dos poemas escritos em inglês mais conhecidos de Fernando Pessoa.

Deixo um vídeo para vocês ouvirem esta maravilha de som.

Ainda vão a tempo de comprarem bilhetes!