Capicua e Pedro Giraldes em Compostela

Eu sabia que depois de terem ouvido Capicua no Aritmar 2016 os/as programadores/as culturais não iam demorar em contar com ela mais vezes.

Neste domingo dia 26, às 18h, a minha ídolo e Pedro Giraldes, guitarrista dos Linda Martini, chegarão a Compostela ao Centro Sociocultural de Santa Marta.

Compostela Miúda é um espaço que programa atividades para famílias e no marco da sua programação de concertos, estes músicos subirão a palco para encenarem as músicas do seu último trabalho conjunto: Mão Verde.

Não sei se sabiam, mas “Mão Verde” é aquilo que dizemos quando alguém é talentoso/a com a jardinagem. E nesta dupla talento é que não falta!

A Ana e o Pedro construiram um cd cheio de amor às plantas, à quinta, à ecologia e também às crianças. Este é, sim, um livro-cd para crianças que visa espalhar uma certa consciência ambientalista entre os mais novinhos. Mas (advirto) não se trata de um desses cd’s lamechas. Não, não é um Avô Cantigas nem uma Florbella a cantar. Em palavras dos autores: “é para crianças, mas não é infantil”.

Miúdos e graúdos podem gostar das músicas e desfrutá-las juntos, folheando cada página do livro, porque cá cada página é muito valiosa: ilustrações de Maria Herreros e pequenas notas do agricultor Luís Alves, para dar a conhecer os bichos e as plantas cantados, ao mesmo tempo que são explicados os significados de termos mais complicados como compostagem ou o aquecimento global. O ano passado comprei-o no concerto e eu, que já estou na casa dos -intas, ouço-o e olho para ele como um tesouro. A edição, os desenhos, as letras, os arranjos musicais…tudo está feito com o máximo cuidado.

 

Bora’! rap ecológico para todas as idades!

 

 

 

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Gabi Buarque na Arca da Noe

Em junho deste ano, a cantora brasileira Gabi Buarque visitava a Casa das Crechas.

gabi

Quem aquele dia não conseguiu vê-la, pode ainda ter uma chance amanhã, às 22h, em Vilar de Santos, no nosso amado local: A Arca da Noe.

“Fiandeira” é o seu disco mais recente com participação de Jaques Morelenbaum, Marcos Sacramento e Socorro Lira. Este trabalho recebeu Menção Honrosa na Lista dos Melhores da Música Brasileira de 2014.

A cantora acredita que “Fiandeira” apresenta um resultado mais maduro em comparação ao “Deixo-me acontecer” (2011) – seu álbum de estreia. “É um CD com arranjos mais elaborados, traz a mesma diversidade sonora e rítmica do primeiro, mas harmonicamente as letras são mais elaboradas. A gente aprende muito com os anos, viajei muito com o primeiro álbum, e isso está no novo trabalho”, disse Gabi.

Cantamos?

Moonspell na Sala Malatesta

Amanhã na sala Malatesta temos um encontro com o metal lusitano.

Os Moonspell levam defendendo o Gothic Metal desde 1992. Em 2015 já nos visitaram no Resurrection Fest, agora é a vez de Compostela.

O seu último trabalho, 1755, é cantado integramente em português. Este disco supõe uma maturidade quanto à harmonia para a banda. E o título? o título é uma promessa de uma terra que vai tremer com a melodia porque, recordem, 1755 é a data do terremoto de Lisboa.

O quinteto ainda mantém sua mesma personalidade musical, o contraste entre as influências agressivas de seus tempos anteriores com a estética elegante do doom / gothic metal. Mas agora, há alguns coros gregorianos e wagnerianos e orquestrações.

A terra vai tremeeeer!

 

Ari(t)mar 2017

Uma coisa boa de ter um blogue é ver como um projeto começa. Uma coisa melhor ainda é ver como ele tem continuidade. Escrever “Ari(t)mar” e colocar ao lado “2017” já me encheu de felicidade.

Ari(t)mar é um certame novinho em folha, com apenas duas edições, mas muito revolucionário do meu ponto de vista.

Estudantes de português fazem um mergulho em livros de poesia e discos durante um ano para saberem qual foi a poesia e a canção melhores do ano anterior. Ouvem e leem produtos culturais das duas bandas do Minho, o qual facilita uma imersão. Em termos de consumo cultural também…é 5 estrelas.
Por outro lado, acho que o certame é muito horizontal, porque quem escolhe não é um júri especializado, mas o público leitor/ouvinte que muitas vezes se aproxima de grupos/poetas pela primeira vez.

O ano passado, na parte da música e do lado português, ganhou a minha ídola Capicua. Pensem bem…quantas oportunidades teria uma cantora rap feminista portuguesa em vir à Galiza? Graças ao Arritmar o público daquela noite do Teatro Principal ficou a saber quem ela era.

Este ano, confesso, o cartaz não me atrai muito assim, mas o público é soberano.

Na parte da música, a decisão que menos me satisfaz, ganharam Sés (Gz) e os Quinta do Bill (Pt). Considero que os Quinta do Bill não são muito representativos da música portuguesa atual, até fiquei a saber que ainda tinham a máquina azeitada, pois levam uns tempos em que não estão a bater muito na moda.

No assunto literário já fiquei mais contente. Do lado galego temos a Paco Souto (“Terradentro”) e do português a Pedro Craveiro (“fui a Bruges esquecer um amor”).

Como adoro o projeto irei ao teatro na mesma ver a gala, no dia a seguir é feriado e não há nem que madrugar nem nada. Aliás, apresentam a Isabel Risco e o Quico Cadaval…vai dar barraca!

Então a gente vê-se no dia 31 às 21h no Teatro Principal para curtir e fazer também homenagem ao Narf.

Como assim? Ainda sem bilhetes? esgotaram! mas pode ser que tenham uma chance, amanhã há um sorteio na Cadena SER no programa Hoy por hoy

Sofia Ribeiro em digressão

Outonalidades, circuito português de música ao vivo, traz a cantora Sofia Ribeiro para uma pequena digressão de concertos que começa hoje.

Sofia Ribeiro é uma cantora e compositora portuguesa dedicada ao jazz. Parece que o Salvador Sobral ter ganho a Eurovisão com a sua voz crooner e toques de jazz começa a ter impacto nas salas e nos contratos da Galiza. Ainda bem que começamos a perceber que a música tem muitos estilos.

A Sofia é licenciada em canto jazz pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE), onde atualmente lecciona. Tirou um mestrado em canto jazz no Conservatório de Bruxelas, onde estudou com David Linx.

Ganhou vários prémios, entre eles o segundo lugar da competição internacional “Young Jazz Singers” e o primeiro prémio da competição international de jazz “Voicingers 2008”. Estudou na Berklee College of Music e no final da sua estadia  foi-lhe oferecido o prémio “Oliver Wagmann Memorial Scholarship”, prémio destinado a um(a) cantor(a) extraordinário(a) que demonstrou excelência académica na faculdade.

Tem seis discos publicados Dança da solidão (2005), Orik (2008), Porto (2010), Ar (2012), Mil e uma cores (2012) e Mar Sonoro (2017).

Então o esquema é assim, façam captura de ecrã:

-hoje em Bueu no Bar Aturuxo

-amanhã na Borriquita de Belém em Compostela

-depois de amanhã no Club Clavicémbalo em Lugo

Oquestrada em Ferrol

 


O ciclo Na raiz continua a dar grandes concertos. Desta feita, vêm os Oquestrada, que já tinham estado connosco no Festival de Pardinhas de 2015.

Recentemente, tenho falado muito com amigos e amigas sobre as etiquetas “música tradicional” vs. “música popular” e parece que esta banda é que nem uma luva para ilustrar o último dos conceitos.

A banda de Almada reinventa a música popular, aquela que é cantada nas tascas, como ninguém. Em 2011 iniciaram uma tour europeia com o seu disco Tasca Betat e não pararam mais. Segundo o Jornal Tornado “A banda OqueStrada iniciou em 2001 um poderoso movimento acústico que deu cartas para criar um novo paradigma na estética musical portuguesa. Canções como “Oxalá Te Veja”, “Creo cariño” e “Se’sta Rua fosse minha” (o seu frankestein popular) giram desde essa época em gravações de culto pelo país.

Chegaram um ano depois ao mais alto quando foram convidados para cantar no concerto dos Prémios Nobel da Paz. Foram os primeiros portugueses a atingir esse patamar. Em palavras dos artistas, eles “desbravaram muitos caminhos”.

O seu mais recente trabalho é de 2014: AtlanticBeat Made in Portugal. Imagino que com estas canções animarão o concerto desta sexta-feira em Ferrol no Teatro Jofre.

Mû Mbana em Ferrol


Mû Mbana é um cantor, compositor, multinstrumentista e poeta natural da ilha de Bolama, na Guiné- Bissau. A sua paixão pela música começa logo na infância onde começa a investigar sobre ritmos e tradições: cresceu influenciado pelos cânticos religiosos das mulheres das etnias brame (Mancanha) e bijagós (Budjugo)

Anos depois, começa a viajar e experimentar e funda Nemfen, um trio de jazz-fusion.

É bem difícil exprimir com palavras a música e no caso de Mû Mbana, a coisa ainda vira mais complicada, porque ele tem uma rede de ritmos e pegadas culturais que se entrecruzam.

No dia 15 de setembro atuará no Teatro Jofre de Ferrol e interpretará canções do seu último álbum, Iñén. Uma oportunidade única para ouvir 10 temas compostos por ele e também para conhecer novos instrumentos “Depois de muito tempo de reflexão e pesquisa, notei que era possível recuperar o ‘simbi’ que é um instrumento balanta e ‘Tonkorongh’ um instrumento mandinga, fula, felupe, manjaco e bijagó. Todos os grupos étnicos que constituem a nação guineense têm instrumentos musicais fabulosos que podem ser usados para produzir a música. Se não fizermos isso, ou melhor, se ignorarmos esses instrumentos musicais, isso quer dizer que deixamos a nossa cultura e a nossa poesia”

Wos 2017

Hoje começa mais uma edição do Wos em Compostela. O Wos é um espaço de encontro de cultura alternativa com caráter anual. Cada ano reunem-se em Compostela pessoas do mundo da música, artes plásticas e cénicas.

Este ano temos na cidade a quarta edição e, como já fiz a minha própria navegação pelo programa, posso-vos dar a proposta lusópata. Espero que estejam prontos para começar:

  • HHY and The Macumbas chegam hoje do Porto para partilhar connosco o seu som entre vodu e dub. HHY é um instrumentista e produtor que unido aos The Macumbas cria um ritmo novo de percussão que agita qualquer corpo.

https://youtu.be/XzXYgrharhA

  • Amanhã vêm da aldeia do Fornelo, Portugal, os Sensible Soccers. Famosos pelos seus concertos e pela empatia com a empatia com o público, desde 2011 são considerados uma banda de culto.


Este trio faz sobretudo música instrumental, mas sem esquecer a experimentação com sintetizadores. Villa Soledade foi o seu último disco e primeiro sem o baixista Emanuel Botelho. O título do álbum remete para uma casa na estrada nacional que vai de Vila do Conde para Santo Tirso, dessas que uma pessoa vê e recorda por exóticas na construção. Mas o disco não vai sobre esta casa, obviamente. Relatam aqui, de uma maneira íntima, a relação que existe entre as pessoas e os ambientes, por vezes deprimentes e por vezes cheios de esperança.

https://youtu.be/ge23rj72wcQ

Apanhem os seus óculos de massa e deixem barba, que o Wos vai começar.

Festival de Poesia no Condado

Entre 1 e 2 de setembro decorre um dos festivais mais representativos do fim do verão, porque…assumamos…as férias não vão durar sempre. O Festival de Poesia no Condado não é apenas a maior mostra de lírica do ano, é um evento multidisciplinar: audiovisual, artesanato, exposições e música.

Amanhã, dia 1, teremos em Salvaterra às 20h30 a apertura de exposições que contam com projetos de Clara Não e Mariana Malhão entre outras. Clara Não é uma ilustradora, escritora, desenhista, escultora e performista do Porto. Mariana Malhão é desenhista e ilustradora de Coimbra. Deixo-vos com uns exemplos dos seus trabalhos que para mim foram um achado, agora que voltei a brincar com a minha caixinha de aguarelas e que ando na procura de referentes femininos.

Já na noite às 23h poderemos ir ao concerto dos Baleia, baleia, baleia. Esta banda do Porto faz música tipo punk-rock e foi para mim uma coisa nova.

Li sobre eles que «pegam nos elementos mais alegres e coloridos que o rock alguma vez engendrou, agitam-nos numa garrafa com gasosa e tiram a tampa para molhar toda gente». Promete dar barraca…

https://youtu.be/xP7M8RP4fCc

No segundo dia de festival, entre música e poesia, há a projeção do documentário Mulheres da Raia de Diana Gonçalves às 19h.

Apanhem as suas trouxas e vão lá, que isto vai começar!

Caminhar sem fim

Compostela é essa cidade que as pessoas recordam por causa do Caminho. Entre peregrinos, lojas de souvenirs e ementas de polvo e churrasco, também há outro caminho: o dos encontros musicais. Narf era um músico que caminhava entre várias culturas e o Festival Feito a Man quer recordá-lo da melhor maneira: com um concerto tributo.

O dia 30 deste mês, às 21h, na Praça da Quintana, teremos oportunidade de ver aqueles artistas que colaboraram com o Narf durante anos: Timbila Muzimba, Xelís de Toro, Jim Sanders, Ze Rui, Coro Encaixe, Coro da Rá, Mofa e Befa, Manolo Cortés (Chévere), Luiz Caracol, As Marias (Maria Bouzas e Maria Pujalte), Carlos Santiago, Pepe Sendón, Quico Cadaval, Uxía, Jabier Muguruza, Alfonso Espiño, Pilo Sierra, Xabier Olite, Javier Abraldes, Pista 4, Manuel Paino, Piti Sanz, Ton Risco e Fran Sanz, entre outros.

Do ponto de vista lusopata não podem perder os Timbila Muzimba (de Moçambique) e o Luiz Caracol (de Portugal e de quem temos falado nestes últimos dias). Podem ver como foi o concerto de Narf com os Timbila neste vídeo, um exemplo ímpar de talento.

E cá com o Luiz Caracol:

As pontes que este homem tem criado durante anos são hoje motivo de celebração neste concerto tributo. Continuemos a caminhar juntos, porque aquelas pessoas que recordamos, essas…nunca morrem.