Palavras terminadas em -om

Continuando com o nosso estudo dos ditongos e da nasalidade, hoje escrevo este artigo. Esta é uma dessas coisas que no início é um bocado confusa entre as minhas turmas e também opto por uma solução pouco inovadora, eu sei: decorar. Mas, por vezes, é melhor conhecermos a exceção do que a regra.

Começamos com um lembrete. Recordam-se quando grafávamos -am e quando -ão?

ESPANHOL

PORTUGUÊS

90% das vezes, nos casos em que o ditongo é tónico usamos -ão e nos casos em que é átono -am.

Canción

Canção

Ellas cantaron

Elas cantaram

Agora muita atenção! Deixamos cá uma lista de palavras que acabam em -om no português. Esta grafia é bastante infrequente, portanto, é melhor decorar e recordarmos que -ão e -am são terminações muito mais comuns.

  • bom

  • com

  • dom (dávida, talento) e Dom (título honorífico)

  • som (e os seus derivados: semitom, infrassom, destom…)

  • tom (e os seus derivados: meiotom, semitom…)

  • garçom (Br)/ empregado de mesa (Pt)

  • batom

  • bombom

  • pompom

  • edredom (também edredão)

Querem ouvir um bocado de funk brasileiro? esta é uma canção da Ludmilla. Quantas palavras com -om conseguem encontrar?

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Escrever: palavras terminadas em -n

pólenO pólen é o conjunto dos minúsculos grãos produzidos pelas flores das angiospermas, que são os elementos reprodutores masculinos, onde se encontram os gâmetas que vão fecundar os óvulos, que posteriormente irão se transformar em sementes.

O pólen pode ser kryptonita para uma pessoa alérgica e os -n finais são também kryptonita para um aprendente. Uma das primeiras batalhas ortográficas está no plano do inconsciente. Estamos habituados a escrever palavras acabadas em -n e sem dar por isso, reproduzimos este esquema nos textos escritos em português.
Pólen é uma palavra portuguesa que acaba em -n. É uma das poucas.

13228592-cuero-alfabeto-cuero-de-textura-letra-nUma das normas básicas que temos de saber quando escrevemos em português é que o -N é muito pouco usado. Se alguma vez tiverem dúvidas, escolham o til de nasalidade (ã, õ) ou -m. O índice de acerto vai ser muito maior.

As palavras que acabam em -n em português entraram tardiamente na língua e por via erudita, daí não terem sofrido praticamente alterações. Podemos dizer assim que esse -n é etimológico.

  • Como pronunciamos este -n? Cunha e Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, indicam que «em final absoluta de palavras cultas a articulação ápico-alveolar da consoante n». Isto é, a consoante nasal pronuncia-se da mesma forma como em neve ou nada.
  • A acentuação. Há uma regra a ter em consideração no que respeita à acentuação: as palavras terminadas em –n são graves, e a sua acentuação deve ser marcada graficamente.
  • Alguns exemplos de palavras em -n: abdómen, cólon, éden, espécimen, glúten, hífen, hímen, pólen, sémen, ânion, cânon, cátion, elétron, néutron, plâncton, próton, líquen…

Escrever: porque, porquê, por que, por quê

De onde viemos O que somos Para onde vamos - Paul Gauguin - 1897O que somos? de onde viemos? para onde vamos? Todas estas questões estão presentes em todas as culturas. É o fardo que nós temos.

O Paul Gaugin soube com o seu pincel retratar estas perguntas. Uma tela de 4 metros, pintada em apenas um mês. Da direita para esquerda é possível notar uma evolução da vida humana. Começando com uma criança no canto, um adulto ao meio em contacto com o conhecimento e no outro extremo uma velha anciã.

Este quadro, é o quadro dos porquês da vida.

Ortograficamente, o tema dos porquês em português traz muitas vezes dúvidas aos meus alunos e alunas. Agora que estão com datas de exames, coloco este post para resolver algumas questões que ficam pendentes e também desejar-lhes muita sorte. Vamos ver o uso dos porquês:

  • porquê: é um substantivo, por isso somente poderá ser utilizado, quando for precedido de artigo (o, os), pronome adjetivo (meu(s), este(s), esse(s), aquele(s), quantos(s)…) ou numeral (um, dois, três, quatro). Ex: Não consigo entender o porquê da sua ausência.
  • por quê: vai sempre no final de uma pergunta. Sempre que a palavra que estiver em final de frase, deverá receber acento, não importando qual seja o elemento que surja antes dela. Ex: Estudei bastante ontem à noite. Sabe por quê?
  • por que: usa-se por que, quando houver a junção da preposição por com o pronome interrogativo que ou com o pronome relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode substituí- lo por por qual razão, pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais, por qual. Ex: Estes são os direitos por que estamos a lutar.
  • porque: É uma conjunção subordinativa causal ou conjunção subordinativa final ou conjunção coordenativa explicativa, portanto estará ligando duas orações, indicando causa, explicação ou finalidade. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois ou a fim de que. É usado em frases afirmativas ou respostas. Ex: Vou ao supermercado porque não temos mais frutas

porquc3aasAgora já sabem quando se escrevem estas palavrinhas. Vou deixar esta ligação dos Xutos e Pontapés, sem mais motivo. Só porque eu sei, porque eu quero.

Escrever: X

A letra X, sempre usada para representar grandes incógnitas. Foneticamente, também pode dar origem a grandes incógnitas para um iniciante. Um dia falaremos mais pelo miúdo de como é que o X se pronuncia, porque realmente isso é um X-Files. Hoje vamos tratar só uma serie de palavras onde X e CH coincidem na pronúncia. Na imagem que temos, “xá” (da Pérsia) e “chá” (bebida preparada por infusão) soam da mesma maneira: /∫/ (não confundam com “já”, recordem que isto era uma pronúncia diferente, vejam aqui)

A maneira mais fácil de sabermos quando devemos escrever X ou Ch é a etimologia, saber a origem da palavra, mas se não tiverem um amigo filólogo (estamos em extinção), leiam isto.

Dicas para saber quando devemos escrever X:

    • Emprega-se o X:

-após um ditongo: frouxo, peixe, baixo, ameixa.

-depois da sílaba en-: enxaqueca, enxame, enxugar, enxergar.

-depois da sílaba me-: mexer, mexilhão, mexicano (uma exceção é: mecha)

-em palavras de origem inglesa que levam na língua muito tempo. Também em palavras indígenas e africanas: caxemira, xá, xerife, abacaxi…

Orto e Grafia vão dar aqui uns exemplos. Assim reparam na pronúncia de cada palavra.

E para descontrair um bocado de tanta gramática e tanta ortografia, deiXo vocês agora com este CHiclete com banana, com Gilberto Gil e Marjorie Estiano. Bom apetite!

As nossas letras II: Ç

Um dos dias do ano mais especiais no calendário galego é o Dia das Letras Galegas. Não é uma festa religiosa, nem gastronómica, nem fazemos rituais de fertilidade: comemoramos o nascimento de um livro e a existência de uma língua. Fixe, pois não?
Cada ano é dedicado a uma pessoa, um escritor/a galego/a que tenha morrido há mais de dez anos. Se eu seguisse a tradição, deveria começar agora a falar de Paz Andrade, mas não vou fazer isso, desculpem lá. No Dia das Letras Galegas vou ser, se me permitirem, mais literal, vou falar de uma letra galega.
Se ela fosse um super-herói, seria evidentemente o meu adorado Clark Kent: jornalista e Super-homem. O super-poder desta letra é, como no Super-homem, a sua duplicidade. O Ç cedilhado não deixa de ser um C, são duas caras da mesma moeda.

A cedilha é um pequeno z num C. A grafia atual teve origem na escrita gótica medieval ʒ, porque o alfabeto latino já não dava soluções para os sons novos das línguas romances.

Um dos super-poderes cedilha é o de resolver definitivamente o problema da pronúncia ambígua do C latino. De facto, se o Ç precede um A, um O ou um U é pronunciado [s], ao contrário do C, que é pronunciado [k], quando precede as mesmas vogais. Desta forma, o sinal respeita os vínculos com o passado (a presença da cedilha deixa clara a sua origem etimológica) e torna a escrita menos ambígua. Por outras palavras, a cedilha é utilizada na nossa língua, no catalão e no francês sob a letra C para gerar o som [s] antes de A, O e U.

vocêVamos ver duas normas muito importantes com o Ç:
-não existem palavras que comecem/acabem por Ç.
-como dissemos antes, Ç só pode ir com as vogais A, O, U: caça, poço, açúcar.
(-podem ver mais regras aqui.)

Coitadita letra Ç, por favor, nunca deixem computadores a um estudante Erasmo…

E para fãs da cedilha, uma proposta têxtil.

Escrever: til de nasalidade

O tema das vogais nasais não é novo para nós, já temos falado nisto com anterioridade, mas neste artigo só nos vamos centrar no aspeto informático, coisas técnicas que possam atrapalhar.
Como podemos discar no teclado estas palavras? anã, irmã, corações…Como se escreve o til de nasalidade num computador?

Muitas vezes, não é por desconhecimento linguístico mas por falta de alguns truques informáticos que as pessoas não escrevem o til. Aliás, cada sistema operativo pede uns comandos diferentes para o escrever.
Vamos lá ver, tintim por tintim, como é que podemos fazer para apurar os nossos textos:

• No sistema Windows, para colocar o til de nasalidade (~) devemos discar: Ctrl Alt 4. Depois deveremos escrever a vogal, isto é, escolher se queremos nasalar “a” ou “o”: irmãos, limões. Este é um atalho de escrita, mas também podem optar (se usarem habitualmente a escrita em português) por aderir ao sistema de distribuição do teclado correspondente a este idioma (pode-se usar ora a variante portuguesa ora a brasileira), o que nos permite, premendo apenas simultaneamente um par de teclas, trocar os teclados espanhol/português. O til de nasalidade vai aparecer
sempre que premermos a tecla do Ç e, a continuação, a vogal que quisermos nasalar.
A rota é: Panel de control > Opciones regionales, de idioma, y de fecha y hora > configuración regional y de idioma > idiomas > detalles > servicios instalados > agregar > idioma de dispositivo de entrada > português (Portugal)
Pode parecer chato mas, uma vez realizado isto, o único que fica por fazer é em idioma de dispositivo de entrada > configuración de teclas, escolher a combinação de teclas entre as opções que o sistema dá.

• No sistema operativo Mac (Apple) temos este atalho: Alt Ñ

• Para completar a informação podemos dizer que em Ubuntu e similares o til de nasalidade é AltGr ¡

Escrever: mais, mas e más

A expressão brasileira “Mas que nada” tem andado ultimamente pela minha cabeça. Antes da minha conversão à Lusopatia, procurava esta música na net e quando achava dois títulos (Mas que nada/Mais que nada) nunca sabia o motivo. Hoje pensei: “isto merece um artigo”.

Esta frase é sinónimo de “deixa pra’ lá” e entre os resultados da net aparece escrita com mais/mas porque no Brasil estas duas palavras são pronunciadas exatamente igual. Daí muitas confusões ortográficas.
Como os erros na escrita são nacionais, entre os meus alunos e alunas existem indecisões, mas doutro género. Agora vamos tentar dar uma cura para deixar os textos limpinhos.

  • MÁS: é o plural do adjetivo “má”, que é o feminino de “mau”, contrário de “bom”. “Estas laranjas são más e aquelas são ainda piores”
  • MAS: é a conjunção adversativa mais usada no português. Relaciona pensamentos contrastantes, opostos… “Queria ir à festa, mas tinha de estudar”. É sinónimo de “no entanto”, “porém”, “todavia”…
  • MAIS: é um advérbio que é o contrário de “menos”. “O concerto acabou e dissemos: “mais uma! mais uma!”

Acho que este vídeo vai explicar melhor:

Ainda com dúvidas? Façam exercícios aqui

As nossas letras

Foi este um invento mágico e uma revolução. É impossível datar o nascimento do alfabeto. Muitos povos têm reivindicado a invenção deste sistema. Segundo Tácito, quem primeiro simbolizou as ideias foram os egípcios, utilizando figuras de animais.

O alfabeto usado para escrever o texto que estão a ler agora é o latino. É o sistema de escrita alfabética mais utilizado no mundo, e é também o mais utilizado para escrever a maioria das línguas da Europa ocidental e central e das áreas colonizadas por europeus. Ao longo dos séculos XIX e XX, tornou-se também o alfabeto adotado por várias outras línguas, em especial pelas línguas indígenas de zonas colonizadas por europeus.

A língua portuguesa usa 26 letras, que têm um nome masculino: o agá, o cê, o pê… Recentemente, com o Acordo Ortográfico, foram incorporadas estas três: K (o capa ou ca), Y (o ípsilon), W (o dâblio).

As letras nem sempre são solteiras e por vezes, fazem casamentos. Os pares melhor sucedidos no português são estes dígrafos: ch, lh, nh, qu…
Há quem pense que estamos a esquecer alguma coisa, mas não. O cê cedilhado é a mesma letra que o cê. Só colocamos cedilha com estas combinações ç+a, o, u. Por exemplo: Valença, bagaço, alcaçuz…

Para estudar o abecedário ou explicá-lo podem descarregar esta tabela visual: o alfabeto portugues
Testem os seus conhecimentos com o jogo do ABC do Dóki.

Escrever: há, ah, à, a

Note-se que isto serve como memorando e não para apontar com o dedo a alguém…qual nada!, não é para ficarmos corados, mas um dos erros que mais frequentemente encontro nos escritos é este.
Com efeito, estas quatro palavras parecem-se e isso pode fazer com que apareçam dúvidas.

*HÁ
É a terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo do verbo Haver. Usamos esta palavra em:
-Na mesa da cozinha há uma maçã (para assinalar que uma coisa existe)
-Há anos que vou a ioga (=desde esse tempo)

*AH
É uma conjunção que exprime surpresa, admiração…
-Ah, não me lembrei de te dizer isso!
-Ah, que cachorro tão lindo!

*A
Pode ser ou uma preposição ou um artigo definido feminino singular.
-A casa da tua avó é grande (artigo)
-Começaram a gritar de medo (preposição)


É a preposição “a” contraída com o artigo definido “a”. O acento que tem é sempre grave e só aparece em sete palavras da língua portuguesa, que agora vai ficar a saber:
-à (a+a): O comboio chegou à cidade.
-às (a+as): O autocarro partiu às 16.00
-àquele (a+aquele): Foram àquele bar tomar uns copos
-àqueles (a+aqueles): Foram fazer montanhismo àqueles montes
-àquela (a+aquela): Nunca fui àquela palestra de economia
-àquelas (a+aquelas): Nunca fomos àquelas montanhas
-àquilo (a+aquilo): Liga sempre àquilo que falámos

Tanto papo de linguista e ainda ficou com dúvidas? veja o vídeo a seguir.

Outras dificuldades ortográficas com o acento diferencial, podem ser estas. Com esta imagem sabemos que acento devemos colocar:

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E agora verifique agora os seus conhecimentos aqui.

Escrever: J ou G?

Quem já estudou gramática sabe isto: a língua portuguesa é um monte de regras e exceções. Isso torna a ortografia um dos grandes desafios para quem quiser aprender.
A correspondência entre sons e fonemas não sempre é unívoca, porque a ortografia é arbitrária. Por exemplo, à letra G correspondem duas pronúncias:

-G seguido de A, O, U: pronuncia-se, oclusivo velar sonoro, como “gato”, “gordo”, “guloseima”.

-G seguido de E e I: tem um som fricativo palatal sonoro, parecido com a pronúncia inglesa de “jump” ou com a francesa de “visage”. Este mesmo som, eis o problema, pode ser também representado pelo J.

Um dos grandes reptos para o público galego é saber quando devemos colocar G ou J numa palavra ao escrevermos. Orto e Grafia podem dar uns exemplos de forma descontraída:

De acordo com as palavras frisadas no vídeo, podemos estabelecer umas regras:

-se existir uma dúvida, pode sempre pensar como é que a palavra se escreve em castelhano. O português e o castelhano seguem uma tendência ortográfica paralela: “generación”= “geração”, “juego”= “jogo”.

-e com as palavras originariamente portuguesas (“bobagem”, “ferrugem”)? o que é que podemos fazer?
Para isto também temos dicas:

*Escrevemos com G a terminação -AGEM (“bobagem”), -IGEM (“vertigem”), -UGEM (“ferrugem”) e os verbos que acabam em -GER (“abranger”), -GIR (“atingir”, “agir”…).

*Escrevemos com J palavras com a terminação –EJAR, -EJA e -EJO (“sertanejo”, “arejar”…) e outras palavras que em castelhano são escritas com Y: “injeção”, “já”.

O professor Fábio Alves dá um ponto de vista mais científico neste vídeo e anuncia próximos conteúdos ortográficos do Lusopatia (ortografia de CH/X, por exemplo)

E para treinar um bocado lá em casa:
http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/smed/inclusaodigital/atividades_educativas/gouj.htm
e ainda:
http://www.cardosolopes.net/Alunos/Disciplinas/LP/5Ano/actividades/gouj1.htm

Boa viaGem ortográfica, viaJantes da língua!