Isabela Figueiredo à conversa na EOI de Compostela


Isabela Figueiredo nasceu no ano 63 numa terra que na altura era chamada de Lourenço Marques. Depois da independência de Moçambique, deixou Maputo e rumou a Portugal.

Foi jornalista, é professora de português e bloggista de Novo Mundo, portanto, já tem pontos para eu gostar dela.
Desenvolve workshops de escrita criativa e participa em seminários e conferências sobre as suas principais áreas de interesse: estratégias de poder, de exclusão/inclusão, colonialismo dos territórios, géneros, corpo, culturas e espécies.
Hoje estará na sala 5 da EOI de Compostela às 18h30 e poderemos meter conversa com ela sobre o seu último livro, A gorda, e outros.

Desfazendo a raia

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A Gálix e a Ciranda à volta do português organizam hoje um evento sobre livro infantil e juvenil chamado Desfazendo a raia. O nome é já uma declaração de intenções, a Galiza e Portugal unem-se para criar uma ponte de livros, desfazer uma fronteira política.

O livro virado para o público mais miúdo vai ser visto de diferentes focagens: a crítica, a edição, a ilustração…o programa está a decorrer nestes momentos na Galeria Sargadelos de Compostela e haverá atividades até amanhã sábado. Querem saber quais são as inquietações a respeito disto na Galiza e em Portugal? este é o vosso evento.

A imagem de Portugal na Galiza, a Imagem da Galiza em Portugal

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Se pudessem ter um superpoder…qual seria? voar? ser invisível? ter muita força? eu pensei nisto muitas vezes. Na escola, cada vez que tinha um exame queria ler as mentes de todos os meus colegas de turma para assim obter a melhor resposta a cada questão. Eu não era gaja de estudar muito.
Infelizmente, não podemos ler as mentes, mas se a curiosidade é saber o que os galegos e galegas pensam dos vizinhos e o que os portugueses pensam de nós…podemos ler os livros A imagem da Galiza em Portugal de Carlos Pazos-Justo e A imagem de Portugal na Galiza de Carlos Quiroga, os dois editados na Através Editora.

Hoje há uma dupla apresentação em Compostela, na Faculdade de Filologia às 12h e na EOI às 20h. Vão! Sabe-se lá…talvez saiamos dela com um superpoder.

Ari(t)mar

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Há tanto tempo que quero fazer este artigo. Pensei tantas vezes em como iria começar, em como dar esta notícia…dei tantas voltas que agora o único que quero é que a emoção chegue aos meus dedos e estes me permitam escrever rapidamente.

Tudo nesta história é lindo. Tudo mesmo.

Ari(t)mar é um projeto nascido na EOI de Santiago de Compostela onde docentes e discentes selecionaram o melhor da música e da poesia de 2016 dos dois lados do Minho. Depois…umas votações, e agora uns resultados. Uns premiados e uma gala.
Essa seria a notícia objetiva. Mas por trás disso há um trabalho imenso de pesquisa. Ler e ouvir horas a fio. Uma vontade de aproximar mundos que sempre foram próximos e uma aprendizagem inconsciente para muitos e muitas.

De um ponto de vista pessoal, já disse que agora começava com o plano subjetivo, para mim não pode haver uma coisa melhor. Uma das premiadas no ramo musical é a Capicua. Nas três primeiras posições temos três mulheres e a primeira é ela. Capicua, o meu tótem, a minha rapper de referência. Como dizer: o meu ídolo, se me permitirem o regresso quase à idolatria adolescente.

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Capicua é um palíndromo. Igual que Ana. Ana Matos é essa mulher do Norte que entra com força e diz as coisas tintim por tintim. E igual que os palíndromos, aquela mensagem não tem fim.

Num momento da minha vida em que eu estava mesmo de rastos…ir a um concerto dela foi um elixir mágico. A minha energia voltou dos pés à cabeça, da cabeça aos pés, dos pés…

A parte complicada agora? selecionar uma música. Só uma para esta notícia. Já postei milhares de vezes músicas dela, mas nunca para falar da sua chegada. Seria óbvio demais colocar a música vencedora (Medusa) e como para mim a sereia é um símbolo de muita coisa, vou deixar-vos com a Sereia Louca, por toda essa poesia contida.

Escreveria montes de coisas mais, mas não seria justa com o resto dos premiados, então vamos agora com o José Ricardo Nunes.

img_3066José Ricardo Nunes nasceu em Lisboa, mas mora em Caldas da Rainha. É licenciado em Direito e mestre em Cultura e Literatura Portuguesas. A Companhia das Ilhas editou o seu último livro de poemas “Três oito e setenta e cinco”. O final de um número de telefone? Os números da sorte grande? sabe-se lá. Essa é a magia da poesia, a coragem de nos fazer descobrir e pensar.

Com Tinta da China também publicou “Andar a par” e aí é onde poderemos ler o poema vencedor do Ari(t)mar deste ano: Não sei, minha filha.

Nesta festa da cultura, partilharão o mesmo espaço, igual que partilham a mesma língua, premiados galegos e portugueses, já sabem. Quem são os nossos? Na parte da literatura temos a María do Cebreiro com “O Corazón” e na parte da música o Xabier Díaz e as adufeiras do salitre com “Cantiga da montanha”.

O espetáculo será apresentado pela Isabel Risco e o Carlos Meixide.

Todas estas coisas boas vão acontecer amanhã às 20h, no Teatro Principal.

Doze segredos da língua portuguesa

4e4b39f9f77afe41052d3effa2d61105Doze segredos da língua portuguesa é desses livros que mostram uma visão diferente da língua e das línguas. Por vezes sinto que ao ler um livro sobre história da língua o que estou a ler é uma teoria do Big Bang onde como por um truque de magia aparece lá como quem não quer nada o Camões. A história oficial parece dizer que a língua nasceu em Portugal e não há mais nada a dizer.

Marco Neves, autor do livro e do blogue Certas Palavras, oferece uma visão ampla e necessária para qualquer pessoa interessada neste tema. Para nós é ainda mais interessante porque Doze segredos da língua portuguesa é desses livros que nos inclui e isto, bem sabem, não acontece montes de vezes. Em palavras do escritor este é  «Um livro essencial para quem se preocupa com o português e, ao mesmo tempo, não quer ficar preso a mitos e ideias-feitas sobre a nossa língua.»

E como o assunto vai de desmistificar, não percam, por favor, a entrevista que foi feita pelo Valentim Fagim no PGL. Dessas entrevistas de deixar água na boca.

No dia 16, às 20h, na livraria Ciranda em Compostela.

 

Caboverdianas em Burela

caboverdeCaboverdianas en Burela (1978-2008), migración, relacións de xénero e intervención social é um livro escrito por Luzia Oca.

Luzia Oca fez um trabalho de investigação que teve vários reconhecimentos, entre eles o prémio Vicente Risco de Ciencias Sociais de 2014.

A imagem que temos da comunidade cabo-verdiana em Burela é muito idílica. Entendemos que é uma realidade livre de conflitos e onde as mulheres têm a faca e o queijo. Acreditamos nisso porque é uma realidade confortável para nós, mas temos que ver também o outro lado da moeda. Será que os galegos e galegas não somos assim tão hospitaleiros? a boa integração da comunidade cabo-verdiana em Burela é um mito? esta comunidade é matrifocal? estes e mais aspetos estão recolhidos nas teses da investigadora, que falará na livraria Lila de Lilith esta sexta às 20h.

 

 

Ondjaki e Pedro Guilherme Moreira no Culturgal 2015

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Ponte Vedra é boa vila e dá de beber cultura a quem por lá passar. Nas nossas agendas temos marcado novembro como o mês da cultura galega e lá está a feira Culturgal para fazer disso uma realidade. Vejam só o programa.
Este ano o Culturgal tem também programação para eu criar artigo no blogue. Na verdade, cada ano tenho mais coisas para escrever e isso é sempre a melhor das notícias. Só tenho saudades do Cantos na Maré, que era a cereja no bolo desta feira cada ano. O que foi feito dele?
Graças à livraria Ciranda e a Através Editora poderemos ter na Galiza de novo o Pedro Guilherme Moreira, que recentemente ocupou umas linhas neste blogue, e o Ondjaki, já por todos os nossos leitores e leitoras conhecido.

No sábado, às 16h15, o escritor “angolego” apresenta nesta feira o livro publicado na Através, Os modos do mármore + 3 poemas. Este é o quinto livro de poesia para o escritor, mas o primeiro editado com uma editora galega. Bem haja para este convívio.

E entre as 17h e as 18h podem estar à conversa com os dois autores na banca da Ciranda e aproveitar para levar um exemplar autografado.

Bd portuguesa em Ponte Vedra e Vila Garcia

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As Eoi de Vila Garcia e Ponte Vedra trazem uma atividade super-interessante para aqueles e aquelas que amamos desenhar e ler bd.Sessões em Pontevedra

Entre hoje e amanhã o crítico português de banda desenhada, Pedro Moura, fará uma panorâmica do melhor da bd portuguesa.

Crítico e escritor em blog lerbd, para além de outras publicações e outras funções associadas a essa área, assim como a ilustração e animação, o Pedro Moura fez uma tese de Mestrado em Filosofia Estética (na Nova) sobre a “Memória em sete casos da banda desenhada francófona contemporânea”.

Para já, o blogue Ler Bd é desses que recomendo vivamente para aqueles leigos na matéria que começam nisto da banda desenhada. Uma visão crítica, contemporânea e sempre bem informada do que está a dar neste género. Na minha época de livreira era daqueles blogues que tinha nos marcadores e nunca deixei de ler, é por isso que fico muito feliz por este autor nos visitar.

Vejam as expetativas que ele coloca: “O propósito tem mais a ver com a conhecer a realidade da língua portuguesa, mas espero ter oportunidade de despertar o interesse de novos leitores pelos trabalhos existentes na nossa “cena contemporânea”, sejam livros mais críticos da nossa sociedade e atentos à situação económica-social, sejam livros que procurem de alguma forma criar ficções bem-dispostas, ou mesmo aqueles autores que viverão em espaços intermédios em termos de forma e conteúdo”

Carlos Taibo na Ciranda

12072656_731568670282515_8922184073465474599_nSenti, por vezes nas minhas aulas, que precisava de um livro. Um compêndio de aspetos culturais para entender melhor Portugal. A questão foi quase divina, porque um dia pensei nisto e pouco tempo depois esbarrei com o livro do Carlos Taibo

O perito em teoria do decrescimento estará na Ciranda para, entre amigos, falar de dois dos seus livros:

  • Comprender Portugal (Catarata, 2015; em espanhol) é, em certo sentido, uma introdução à geografia, a história, a literatura e a cultura portuguesas. Nas suas páginas está presente também um capítulo que se interessa pela relação, nomeadamente a linguística, entre a Galiza e Portugal. É o Guia do Mochileiro das Galáxias de qualquer lusopata.
  • Poesias, de Fernando Pessoa (Catarata, 2014). Tem um toque de…retranca, por assim dizer. É um livro-brincadeira que recolhe a primeira, e singularíssima, tradução para galego da poesia portuguesa de Pessoa. Deve ter sido um trabalho sisudo e extenuante dada a enorme distância que existe entre esta(s) língua(s). (I’m ironic)Estes e mais símbolos nacionais amanhã, na Ciranda, pelas 20h. Não percam!

Olhares sobre Portugal: género, ciências sociais e literatura

12009579_893034810771433_2589248003559346226_nE começamos setembro com uma proposta muito corajosa, dessas que convidam a sair de casa, mas é para estarmos num local igualmente aconchegante.

As livrarias compostelanas Lila de Lilith e Ciranda à volta do português organizam entre 14 e 23 de setembro um ciclo de apresentação de livros e autores que toca vários temas, mas sempre de uma ótica que reúne as sensibilidades de ambas as empresas: feminismo e lusofonia.

A “comissária” desta exposição de ideias é Paula Godinho, que trabalha no Departamento de Antropologia e Instituto de História Contemporânea da FCSH da Universidade Nova de Lisboa. A visão da Paula seleciona autores e ideias condensados num programa que se irá desenvolver sempre de tarde, às 19h durante vários dias.

Exponho cá o programa para vocês conferirem:

14 de setembro:
. Fotobiografia de Alves Redol – de António Redol (com a presença do autor)
. Alves Redol – O olhar das ciências sociais – coordenado por Paula Godinho e Antonio Mota Redol (com a presença dos coordenadores e de Luísa Tiago de Oliveira, autora de um texto da obra)

15 de setembro
. Militares e Política: O 25 de Abril – de Luisa Tiago de Oliveira (com a presença da autora)

17 de setembro
. Call centers – Trabalho, domesticação e resistência – de João Carlos Louçã (com a presença do autor)

18 de setembro
. Gente comum, uma história na PIDE – de Aurora Rodrigues (com a presença da autora)

21 de setembro
. Antropologia e Performance – organizado por Paula Godinho (com a presença da organizadora)
. Festas de inverno no nordeste de Portugal: património, mercantilização e aporias da “cultura popular” – de Paula Godinho (com a presença da autora e apresentação de Luzia Oca)

22 de setembro
. O mar é que manda: Comunidade e perceção do ambiente no litoral alentejano – de Paulo Mendes (com a presença do autor)
. No Rasto da Draga – exploração mineira e protesto popular numa aldeia da Beira Baixa (1912-1980) – de Pedro Gabriel Silva(com a presença do autor)

23 de setembro
. Frontera y Guerra Civil de España. Dominación, resistencia y usos de la memoria – de Dulce Simões (com a presença da autora)
. Saal e autoconstrução em Coimbra – de João Baía (com a presença do autor)