O Zeca Afonso volta à sua pátria espiritual

Um dos grandes precursores musicais do vínculo Galiza-Portugal foi, sem dúvida, o Zeca Afonso.

A Associação José Afonso terá a partir de agora uma seção na Galiza. Ela será apresentada formalmente este sábado à tarde, com uma palestra, exposições e um concerto. Mas hoje já temos algumas coisitas na agenda para fazer, por exemplo, ir à exposição fotográfica na Casa das Crechas intitulada: Zeca: O que foi, O que é.

Podemos dizer que nós tínhamos uma dívida com o cantor luso. Devemos-lhe tanta coisa! abriu tantos caminhos na música e na cultura que não sei se há no mundo eventos que cheguem para agradecer, mas vamos tentar.

AJA juntará amigos galegos para recordar a herança que Zeca deixou. Frases como “A Galiza é para mim uma espécie de Pátria espiritual. Foi uma experiência maravilhosa. Algo especial. Talvez ninguém me entendesse como na Galiza ” ou “estou farto de dizer por todo o lado que a Galiza não é Espanha” demonstram que ele teve cá uma segunda casa e uma forte identificação cultural.

É impossível não relacionarmos o músico com Grândola vila morena. Talvez quem cá lê não saiba que esta canção foi tocada pela primeira vez em Compostela, no Burgo das Nações. Ele escolheu Compostela e para ver como a música funcionava e não foi por acaso.

Se quiserem comemorar a herança que ele nos deixou, não percam as atividades. O programa começa formalmente amanhã às 18h há uma palestra na Gentalha do Pichel sobre o «Triângulo mágico na vida e obra de José Afonso: África-Portugal-Galiza». Depois, às 22h, um concerto de homenagem ao Zeca na Sala Malatesta com artistas das duas margens: Uxia, Francisco Fanhais, Nao, Cais da Saudade, Falua, Tiago Fernandes, Banda das Crechas, Do fondo do peto, Chico de Carinho & Manolo Bacalhau.

E não, não é mentira nem exagero esse amor que o Zeca tinha pela Galiza. Ouçam só esta adaptação que ele fez de uma das nossas músicas populares. Sempre Zeca!

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Ceumar em Compostela

Nascida em Itanhandu, Minas Gerais, numa família de músicos, a Ceumar apaixonou-se logo pela música. Estudou piano e teoria musical na infância e começou a tocar violão aos 16 anos. Entrou na Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte e lá estudou canto.

O seu primeiro disco, Dindinha, foi produzido por Zeca Baleiro. A partir daí chegaram 5 discos mais com colaborações de Chico César, Alice Ruiz, Tata Fernandes…

Em 2009 mudou para a Holanda, onde mora atualmente e lá gravou Live in Amsterdam em 2014. A cantora tem-se apresentado em turnês e projetos internacionais ao lado do pianista jazzista Mike del Ferro.

Silência é o seu sexto trabalho e entre cada faixa revela momentos de uma fase de reflexão e descobertas pessoais e espirituais.

No dia 28, esta quarta, estará na Casa das Crechas em Compostela.

Cheny Wa Gune nas Crechas

A programação da Casa das Crechas não para de nos dar motivos para escrever neste mês e nós gostamos muito do desafio.
Hoje às 21h temos o Cheny Wa Gune em concerto. Conheci este artista por causa do Cantos na Maré de 2013 e, também, graças ao Narf. Fran Pérez foi uma auténtica ponte entre a Galiza e os países africanos de língua portuguesa. Os Timbila Muzimba foram uma peça mais dessa ponte com a qual viajamos a Moçambique. O último concerto que o Narf deu na Galiza foi aquele do Womex com os Timbila e onde também estava o Cheny…lá estávamos todos/as unidos num único sentimento.
Se depois desta intro ainda não perceberam bem quem é que é o Cheny Wa Gune, vai valer mais a pena começarmos pelo princípio. Ele nasceu em Maputo em 1980. Desde cedo sentiu curiosidade pela música, aprendendo os conhecimentos da música chopi aos 5 anos. É membro fundador da OrquestraBanda Timbila Muzimba desde 1996 e com ela participou em vários festivais internacionais divulgando a música moçambicana, em particular a timbila, em diversos países.

Não consegui resistir e tive que postar esta cover de Billy Jean na timbila…simplesmente maravilhosa. Vão perder?

Gabi Buarque nas Crechas

Esta semana na Casa das Crechas em Compostela haverá dois concertos lusófonos. Vamos começar pelo primeiro e guardo a surpresa para o segundo. Então, fiquem a saber, amanhã estará a cantora carioca Gabi Buarque às 22h.

Gabi foi dessas crianças prodigiosas, já nos verdes anos cantava num coro na escola. Aos 17 anos ela começa a cantar profissionalmente, inicia a faculdade de Desenho Industrial e o Curso Técnico de Canto Popular. Não faltou muito pra que a música falasse mais alto. No entanto, concluiu ambos os cursos e desde esta época só vive de música: gravações, shows, eventos e aulas de canto.

Em 2011 publica o seu primeiro trabalho “Deixo-me acontecer” e em 2014 temos o seu segundo disco, “Fiandeira”. Atualmente,  a cantora e compositora carioca está imersa numa turnê internacional que a trará até nós amanhã.

Amanhã…deixem-na acontecer…

 

António Zambujo na Casa das Crechas

Hoje às 21h o cantor de Beja fará uma atuação na Casa das Crechas, em Compostela.

António Zambujo cantará em Compostela as músicas do seu mais recente disco: Até pensei que fosse minha (2016), uma homenagem ao cantor brasileiro Chico Buarque.  O trabalho traz clássicos como “Cálice” (escrito originalmente em protesto contra a censura da ditadura militar) e “Geni e o Zepelim” (do musical “Ópera do Malandro”).

O disco está cheio de colaborações: Roberta de Sá, Carminho e até o próprio Buarque aparecem entre as faixas mais destacadas.

Sempre num registo intimista, Zambujo continua assim o seu diálogo com a música brasileira.

Aline Frazão regressa

Aline Frazão, a musa do Lusopatia, volta à Galiza.

Amanhã estará em Compostela, na Casa das Crechas às 21h e no domingo estará em Vilar de Santos, na Arca da Noe.
Insular é o terceiro trabalho a solo da cantora angolana. Fala daquelas ilhas imaginárias entre o Nós e o Nós-próprios, fala da Angola atual e conta com colaborações como a da rapper Capicua.

O disco é “isolamento, a solidão, o contraste entre o individual e o colectivo”, por outras palavras, as caraterísticas que definem uma ilha.

Kleber Albuquerque

Amanhã não sejam burros e vão aonde têm que ir! Kleber Albuquerque está na Galiza!

12932648_837569009680378_9005144883197240498_nKleber Albuquerque é um cantor brasileiro autodidata e multidisciplinar. Começou a compor já na adolescência, juntando às letras próprias pedaços de poesias e narrativas de Gabriel García Márquez, Pessoa, Jorge Luis Borges…

Entre banda e banda de rock começou a participar de festivais de música brasileiros e num deles o compositor paulista J.C. Costa Netto ficou de olho nele. Desta união nasceu o seu primeiro disco, chamado 17.777.700. Tempo depois viriam outros com nomes igualmente curiosos: “Para A Inveja Dos Tristes”,
“O Centro Está Em Todas As Partes”, “Desvio” e “Só O Amor Constrói.

Com que nos irá deleitar nesta mini-tour na Galiza? com um lançamento de um disco novo com um nome carregado de poesia: 10 Coisas Que Eu Podia Dizer No Lugar
De Eu Te Amo.

E como amanhã é 1 de abril, o dia da mentira, suponho que por isso incorporaram uma mentira no cartaz. As datas, dias, horas e ruas estão certas, não assim o país 🙂

O contrabaixo

o contrabaixo 038A obra de Patrick Süskind chega à Galiza encenada pela companhia portuguesa Visões Úteis. Hoje na Casa das Crechas, às 21h, em Compostela poderão ver então O Contrabaixo.

Sei que estavam a pensar n‘O perfume, mas não, chega à nossa capital esta peça teatral monologada, a primeira obra do autor bávaro.

Deixo-vos aqui a sinopse que tirei da página da companhia: “Numa sala à prova de som, provavelmente o quarto onde vive, um contrabaixista de uma Orquestra Nacional decide contar como é vivida a sua solidão e confidenciar, com ironia amargurada, o seu amor não revelado por uma das sopranos da Ópera. Esta relação platónica encontra no próprio contrabaixo o seu maior obstáculo: instrumento arcaico, que melhor se ouve quanto mais nos afastarmos dele, de aparência hermafrodita, desajeitado e incómodo, o contrabaixo torna-se para este homem no maior empecilho à liberdade e ao amor.
Pelo discurso desta personagem isolada e frustrada, viajamos ainda pela História da música e dos músicos e encontramos uma crítica sagaz à sociedade contemporânea”

Afinem o seu instrumento e venham…

Coladera em digressão

wp-1455549430072.jpgA banda brasileira Coladera começa nesta semana uma pequena digressão pela Galiza. Casa das Crechas (Compostela), Arca da Noe (Vilar de Santos), Rede de músicas soltas (Redondela), A casa colorida (Nigrão) já estão a preparar os seus palcos.

O discurso musical da banda vai desde a música brasileira e cabo-verdiana ao jazz e flamenco. A equipa formada por João Pires, Vitor Santana  e Marcos Suzano fusiona três mundos com a língua portuguesa como veículo.

Portugal, Rio de Janeiro e Belo Horizonte misturam-se com Cabo Verde no mais novo voo destes três músicos.

Coladera, nome escolhido para o projeto, é um estilo musical e de dança cabo-verdiano e uma das matérias-primas do disco e da cultura daquele país.

A música autoral brasileira de Vitor Santana, a música ibérica e lusofónica do guitarrista e compositor português João Pires e a experiência e modernidade do conceituado percussionista brasileiro Marcos Suzano dão ao disco um acabado perfeito, fazendo da obra um cd de altíssima qualidade.
Confiram nas datas e lugares e não percam esta delícia para os ouvidos.

Dani Black na Galiza

Dani Black chega amanhã à Galiza. Chega à casa que acolhe todos os músicos lusófonos: a Casa das Crechas.

Não chega em dia bom, porque entre o Dani Black e as CSS, escolho as CSS. Mas é de agradecer o facto de termos eventos lusófonos para escolher na capital nacional e que as pessoas concorram por terem um público galego. Isto significa que alguma coisa está a mudar. Aliás, por se alguém ficar com pena de não ir amanhã por causa de que calham as datas com as CSS, não se preocupem, 5b30bc079c5081d8ac7ff0083c1fe38eele tem duas datas!

  • 9 de outubro -Santiago de Compostela – Casa das Crechas
  • 11 de outubro – Santiago de Compostela – Teatro Principal. Show Aos vivos agora Chico César convida Dani Black 

Queria fazer uma introdução da vida deste gajo e o porquê é interessante, mas o site dele está em construção, sou reencaminhada para o Facebook e no Facebook não há informações nem musicais nem pessoais dele. Que alguém dê uma turrinha de orelhas…

Ok, agora a sério, as informações que arranjei dizem que ele é já filho de músicos (a mãe é Tetê Espíndola e o pai Arnaldo Black). O cantor paulistano em criança estava já a participar em shows com a família, a percorrer o circuito da MPB, isto faz dele um músico experiente e com muitos anos de palco.

Dani Black bebe das fontes dos ritmos do Mato Grosso do Sul por uma parte e pela outra…tem muito com o Chico César. De facto, eu vi-o pela primeira vez no ano passado, a cantar com ele no Cantos na Maré. Eu adoro Chico, portanto, também gostei do Dani.

Deixo vocês com este concerto. Vale a pena ouvir.