Portugal ilustrado

14435045_10209974124407222_2540536238918515087_o Viver é como desenhar sem borracha, segundo diz o provérbio.

Infelizmente, não podemos ter todo o controlo das nossas próprias vidas, mas aquelas pessoas peritas na arte de desenhar podem dominar o destino do seu desenho.

Nos dias 11, 12 e 13 deste mês decorrerá na cidade a exposição Compostela Ilustrada. As mãos dos e das ilustradoras não precisam de borracha nenhuma. Vamos poder apreciar cada traço e cada cor.

Compostela Ilustrada trata-se de um encontro internacional  de cadernos de viagens. O programa é muito extenso e tem variedade de atividades: aulas magistrais, exposições, lançamentos, noites gastronómicas…e também há um espaço para a ilustração portuguesa.

No sábado, às 13h na Galeria Sargadelos há a apresentação da exposição Portugal Ilustrado e no mesmo dia às 19h30 também poderemos conhecer a ilustradora portuguesa Ana Luísa Frazão.

A Ana Luísa é Mestre em Design e Cultura Visual pelo IADE Creative University. Tem participado em cursos, workshops, encontros e exposições em Portugal, Espanha e Marrocos sobre DG. Podem acompanhar a carreira dela no seu site.

Desenhar é uma das minhas paixões frustradas. Esse sonho metido numa gaveta…Agora voltei a pintar e posso dizer que é até curativo. No domingo há uma aula magistral com esta desenhista e acho que quem lá for poderá aprender muita coisa. Será de 15h45 a 16h45 no auditório do CGAC.

Querem ver como autores e autoras portugueses retratam Portugal? não percam estas atividades…

Anúncios

Teatro, Dança e Arte em ação no Gaiás

escenas015_cabe_web2

De 28 de janeiro a 13 de fevereiro decorre o Festival “Escenas do cambio” (sic) no Gaiás. Já agora, não gosto do nome, mas gosto é (e vocês sabem) de ter a oportunidade de criar posts de temática muito diferente e este evento…dá muito jeito.
Há tempo que tenho a secção LusopatizArte às moscas e precisava mesmo de uma notícia assim. Não é só um festival interdisciplinar, mas também um catalisador de novas criações e artistas vindos de toda a parte.
O programa é muito completo e atraente. Selecionaremos, como é costume, as criações lusopatas para vocês:

  • 28 janeiro, 20h30: Jaguar, Marlene Monteiro Freitas. Jaguar é o nome que se dá a alguns cavalos, uma dança e um espetáculo de marionetas.

Marlene Monteiro Freitas, nascida em Cabo Verde, traz à dança a abertura, a impureza e a intensidade. A sua maneira de dançar tem seduzido públicos muito variados e antecipa um mundo futuro: caos, hipnose e velocidade.

  • 3 de fevereiro, 18h30, sala2: Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, Joana Craveiro e Teatro do Vestido.

Anuncio-vos que esta é uma peça documental de 4h de duração. Ficaram apavorados? Não fiquem, há um jantar incluído no bilhete! Esta é a minha grande aposta: um documentário com testemunhos de pessoas comuns sobre as memórias oficiais e não-oficiais da ditadura salazarista e da revolução dos cravos.

Ganhadora do Festival de Almada 2015, (algum dia viverei lá), a peça coloca muitas questões: o silêncio, o silenciamento, a história oficial e a não-oficial.

  • 5 de fevereiro, Mordedores, Lucía Russo e Marcela Levi.

A coreógrafa carioca Marcela Levi e a coreógrafa argentina Lucía Russo criam no Rio de Janeiro um novo trabalho com o carimbo de Improvável Produções. A discórdia e a violência são os motores criativos e a pulsão que move cada corpo.

  • 6 de fevereiro, In-organic, Marcela Levi.

A performista carioca não descansa e traz para o festival uma peça a solo. Compostela será o marco para uma estreia europeia do espetáculo.

Uma peça sobre a autonomia, as ações rituais e domésticas e as pequenas violências das relações humanas. Conceito e brutalidade nunca estiveram longe. Uma performance inscrita na melhor tradição da arte brasileira, de Lygia Pape a Hélio Oiticica.

Então já têm eventos para marcar na agenda. Não esqueçam que “quem dança seus males espanta”

 

Videobrasil no MARCO

Gostamos imenso de voltar a escrever na categoria LusopatizARTE, que levava desde a exposição de Paula Rego na Corunha um tempo sem ser atualizada.

Desde o dia 11 de setembro até 7 de fevereiro poderemos ver em Vigo a exposição Videobrasil no museu MARCO.

05_Luiz de AbreuA coleção é um projeto da Associação Cultural Videobrasil, de São Paulo. Nasce como fruto do desejo de acolher institucionalmente um acervo crescente de obras e publicações, reunidas desde a primeira edição do Festival Videobrasil, em 1983. Desde então, a associação trabalha sistematicamente no sentido de ativar essa coleção, que reúne obras do Sul geopolítico do mundo – América Latina, África, Leste Europeu, Ásia e Oriente Médio –, clássicos da videoarte, produções próprias e uma vasta coleção de publicações sobre arte.

Pelo que ouvi no programa Diário Cultural, da mão de Natalia Poncela -a minha guru das artes- o vídeo é usado como ferramenta de crítica por forma a nos fazer refletir sobre os suportes da arte, o modo em que as galerias expõem as obras e é também um instrumento documental que ajuda a lembrar muitos episódios históricos. Poderemos ver pequenos filmes, instalações e performances.

A seleção que cá chegou tem como denominador comum a violência de estado, as fronteiras políticas, e o preconceito. Uma revisão da história do sul do planeta de um ponto de vista brasileiro para curar a nossa amnésia permanente.

Projeto Angola

06MayExpoAngolaÉ com pouco tempo de antecedência que anunciamos isto, mas aí vai a atividade lusópata da semana: projeto Angola.

Até o dia 15 podem ver na Fundación Granell em Compostela uma exposição fotográfica que recolhe o olhar de Javier Otero, o fotógrafo e jornalista que passou 40 dias de viagem pelo país das palancas negras.

Projeto Angola é o nome dado à exposição que envolve imagens das iniciativas que leva a cabo a ONG Rescate Internacional na província angolana do Bié. O foco da obra são as vítimas dos conflitos armados e refugiados.

Com fotografias de carácter costumista, Javier Otero dá a sua visão desta região angolana. Não percam, que já restam poucos dias!

Paula Rego no MAC

índiceEste sábado fui ver a exposição de quadros da Paula Rego no Mac, antigo Macuf, na Corunha.

A verdade é que sempre gostei muito de visitar a cidade e mais hora ou menos hora sempre invento qualquer coisa para ir, desta vez foi uma visita para arregalar os olhos. Fui de comboio da minha casa à Corunha e não foi difícil encontrar o Mac (nunca tinha ido antes), foi tão simples como sair do comboio e ir pela Avenida de Arteixo. Recebeu-me uma empregada com cara de “o que é que tu queres?”, surpreendida de ver alguém. Eram férias e o museu devia ter cerca de 6 visitantes (eu incluída).

Dentro do Mac pude ver várias peças artísticas, entre elas obras de bolseiros que gostei muito. Confesso que gostei mais das dos bolseiros do que das da Paula Rego, se calhar por não ser formada em artes e só ter como guia as sensações que cada peça me transmite. Mas antes de falar-vos da temática da Paula Rego, explico-vos um bocado a biografia dela e por quê é importante ir visitar a coleção.

Paula Rego (1935) é uma pintora lisboeta que vive em Londres. Começou a viver em Londres por causa de ter sido enormemente crítica com a ditadura de Salazar, até perdeu a nacionalidade portuguesa. Hoje é a artista plástica mais internacional que o país luso tem, tem exposto na Gulbenkian, na  Tate, na Serralves…e agora no Mac. O imaginário estético desta artista é muito importante porque engrossa o universo feminista e visibiliza a mulher e os seus problemas: ablação, estupros, abortos, madrastas, violência machista… fazem parte da inquietante temática da artista, que não deixa ninguém indiferente. Eu já vi muita coisa, meus e minhas senhoras, e posso dizer que aquilo foi um volte-face para mim. Diferenciei duas temáticas, por uma parte esta de que vos falei, e por outra, um universo de contos infantis: coelhos, dragões, vermes…mas sempre com um toque sinistro e de desassossego. É por isso que a coleção é intitulada Fábulas reais.

A obra de Paula Rego é muito importante porque denuncia certas práticas machistas perpetuadas no tempo, a artista é uma pessoa combativa que cria imagens onde as mulheres reivindicam o seu direito a decidirem, que nunca está a mais nestes tempos.

Paula-Rego-Oratorio-1024x928

Paula Rego. Oratório

 

Do barroco para o barroco

phpThumb.php

A Casa da Parra, em Compostela, volta a ter criadores e criadoras lusófonas. Hoje, pelas 20h será inaugurada a exposição Do barroco para o barroco que conta com 18 artistas portugueses, brasileiros e argentinos que trazem o melhor da Bienal de Arte da Cerveira.

Todos estes criadores seguem conceitos e linguagens artísticas, usam registos e materiais diversos e posicionam-se em estéticas diversificadas no contexto sociocultural contemporâneo.  O facto que os une é terem desenvolvido projetos específicos para o Carpe Diem – Arte e Pesquisa (Lisboa).
Irão encontrar muita mistura de géneros artísticos, poucos limites entre as diversas disciplinas. Um interrogante que obriga um diálogo entre os autores e as pessoas que vemos as obras.

A mostra é itinerante, já esteve em Braga e agora chega até nós. Os curadores assinalam que o facto de chegar Compostela “propicia uma dinâmica privilegiada, atendendo às forças de pessoas num público vizinho e cúmplice. Servirá de motor para descobertas, por parte dos visitantes, oriundos de inúmeros países, todos os que afluem à cidade de Santiago de Compostela, tanto quanto para a comunidade local”

Deixo-vos com esta pequena amostra.

Luzotopia

LuzotopiaÉ com grande gosto que escrevo um post como este. Um post para explicar que dar aulas não é só transmitir conteúdo, é também envolver pessoas nesse conhecimento e deixar essas pessoas se exprimirem.

Luzotopia é uma exposição fotográfica que tem como tema a lusofonia. Recolhe os olhares das e dos estudantes da EOI da Corunha sobre a lusofonia. É sempre lindo termos uma visão de fora, ter uma focagem diferente da nossa.

A ideia nasce da necessidade de expor algumas inquietações culturais dos estudantes de português e da vontade de mostrar experiências próprias em diferentes lugares de Portugal, segundo afirmam.

De 22 de abril a 10 de maio, na entrada da escola poderemos ver estas imagens, imagens de nós próprios fora de nós. Quem não puder dar um saltinho, ainda pode consolar-se e ver parte delas neste blogue: portuguesmaisquepalavras.wordpress.com

Esculturas inéditas de José Pedro Croft

josé pedro croft

“Três pontos não alinhados” é o nome da exposição que está patente no Palexco, na Corunha, desde 22 de fevereiro do artista portuense José Pedro Croft. No total são nove esculturas e a maioria inéditas, a exposição inclui ainda quinze desenhos que podem ser visitados até o próximo 19 de maio.

Inserida num programa de artes plásticas impulsionados pelo governo municipal da Corunha, organizado pelo pelouro da cultura, que em 2013 contou também com a obra do artista galego Vari Caramés. João Pedro Croft provoca o expectador fazendo-o deambular pelo espaço à procura de várias perspectivas das obras expostas. As várias perspectivas são criadas pelos diversos espelhos usados nas esculturas gerando zonas enigmáticas e fissuras perceptivas, em que tenta apreender essa realidade densa com o olhar.

Portuense, como já disse, representou Portugal na bienal de Veneza em 1995 e na bienal de São Paulo em 1987, a sua obra tem especial referência na arquitectura a través da organização do espaço formal e do conceito de monumento e deconstrução, tem já um estatuto no panorama artístico português, participando também em mostras internacionais e tendo realizado exposições individuais na Fundação Calouste Gulbenkian e no CCB.

Jose pedro croft

 

This is Brazil

arte brazil

É assim, em inglês, que se apresenta a exposição retrospectiva que nos traz à Corunha aquilo que de melhor se faz nas artes plásticas no Brasil. Desde 11 de Maio até 11 de Junho vão poder desfrutar de arte brasileira das duas últimas décadas no Kiosco Alfonso e no Palexco.

É uma exposição em dois espaços diferentes, mas perto um do outro, quem não seja cascarilheiro de gema que fique descansado, e no total vai contar com 67 obras de artistas cotados no Brasil e fora das fronteiras do país continental nos últimos vinte anos, de ai o mote 1990-2012. Tem como comissário a David Barro quem, coincidindo com o evento, publica um livro em co-autoria com o recentemente falecido Paulo Reis, que analisa a arte plástica do Brasil desde os anos sessenta até hoje.

Com 38 artistas, dá para descobrir as obras de Albano Afonso, Efrain Almeida, Tonico Lemos Auad, Brígida Baltar, Felipe Barbosa, José Bechara, Cabelo, Sandra Cinto, Paulo Climachauska, Marcos Chaves, José Damasceno, Dias & Riedweg, Detanico & Lain, Iran do Espírito Santo, Marcius Galan, Marco Giannotti, Fernanda Gomes, Cao Guimarães, Lucia Koch, Jarbas Lopes, Rubens Mano, Marepe, Raul Mourão, Vik Muniz, Ding Musa, Ernesto Neto, Rivane Neuenschwander, Mariana Palma, Caio Reisewitz, Rosana Ricalde, Mauro Restiffe, Thiago Rocha Pitta, Valeska Soares, José Spaniol, Adriana Varejão e Laura Vinci.

Em palavras do curador da exposição, a arte num país continental como o Brasil é muito difícil de definir e fazer as escolhas certas é uma dura tarefa, ao não haver apenas um Brasil, mas múltiplos. Tendo em consideração o poder político e económico do sudoeste o país, as figuras das artes plásticas partem sempre de São Paulo e do Rio, e nomeadamente da bienal de São Paulo, nesta exposição tenciona-se mostrar outros pontos de vista, a unir o considerado moderno e brasileiro com o regional.

Regina Silveira

A obra da brasileira Regina Silveira inaugura nova etapa da Galeria Ana Vilaseco, fusionada com a Galeria Matthias Hauser.

Os trabalhos apresentados nesta exposição são o resultado dum fascínio pelas sombras e habitualmente emprega silhuetas e efeitos lumínicos para jogar com a aparência e a realidade, com o objeto e a sua projeção. São obras focadas arredor da percepção, da relação entre o objeto e a sua representação e, nomeadamente, sobre o universo gerado pela luz e pela sombra.

Nascida em Porto Alegre em 1939 Regina Silveira desde os anos setenta tem exposto no Museu Guggenheim de Nova Iorque, no Miami Art Museum, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre outros. Recentemente expôs em Madrid a intervenção Lumen no Palácio de Cristal (Museo Reina Sofia, Madrid, 2005).

(Podem ver mais dados sobre o endereço em Calendário)