Deolinda em Ourense (mais uma vez)

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Deolinda é uma dessas bandas que descobri por ter estudado na EOI. Foi graças a essas aulas de português que soube que eles existiam e numa dessas viagens que os e as alunas fazíamos comprei o primeiro cd deles, Canção ao lado. E aí estiveram, ao meu lado sempre, em pastas do mp3, em grandes percursos que fiz para vê-los e como banda sonora de uns anos muito marcantes na minha vida.

Inspirados no fado e na música tradicional portuguesa, os Deolinda trazem uma nova estética. Parva que sou é já um fito histórico dentro das vindicações juvenis portuguesas, é por assim dizer o Grândola do século XXI.

Depois de Canção ao lado, viriam Dois selos e um carimbo e o mais recente dos seus álbuns, Mundo pequenino. Este último trabalho, afasta-se um bocado do estilo dos anteriores, suponho que hoje apresentarão em Ourense estes últimos temas.

Eu já os vi na cidade das burgas na Praça de Santa Eufémia, agora hoje vão tocar na Praça Maior  às 22h30 com motivo das festas da cidade.

Que seja agora, que queremos ouvi-los!

V Português Perto

11159964_909527329110367_1716238317972025986_nEsta edição do Português Perto escreve-se com V. Com V de 5 em numeração romana e com V de Vitória, porque 5 anos já é coisa séria.

Um lustro manifesta a soma de vontades que em cada edição se reúnem para trabalharem. Cada edição é testemunha do interesse manifesto na língua e cultura portuguesas por parte da cidade de Ourense.

Neste ano, a parte mais estritamente lusopata é o ateliê OPS! de que já falámos noutros artigos algumas vezes.  Este ateliê visa demonstrar a vantagem competitiva dos galegos e galegas com a língua portuguesa. É uma atividade divulgativa criada pela AGAL que dura uns 100 minutos. O palestrante por meio de atividades interativas dá a conhecer os pontos fortes (e fracos) dos galegos a respeito da lusofonia.

Neste Português Perto temos três dias de programação para desfrutar dos diferentes sabores da nossa língua. Começa amanhã o ateliê OPS mas no resto dos dias temos o melhor da música galega atual concentrado nestes concertos.

Viagem ao Brasil tradicional

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Conhecer uma realidade é afastar-nos dos seus lugares comuns. O Brasil é um desses países que têm a mochila carregada deles. Sobram estereótipos nas cabeças das pessoas. Ao ouvirmos a palavra “Brasil” logo vêm às nossas mentes imagens de praias, futebol e tangas. Hoje temos uma cura.

Este curso que hoje anuncio nasce a partir da união de várias forças: primeiro a da CentralFolque e o seu amor pela música, depois a da vontade da investigadora brasileira Lia Marchi por mostrar uma visão diferente do país dela e, em último lugar, a da incombustível Noemi V. Nogueiras, alma mater de A Arca da Noe, um novo local de intervenção cultural em Vilar de Santos (Ourense).

Parte das notícias que neste espaço dou, são graças à Noemi. Ela leva anos no associativismo, no reintegracionismo e na programação cultural de muitas noites ourensanas. Agradeço que existam pessoas assim, que nutram as nossas vidas de conteúdos interessantes. Agora ela tem este novo projeto e ainda lhe devo uma visita. Uma taberna-cultural no rural, uma proposta empresarial levada por uma mulher e com temas como o que nos propõe para esta sexta-feira. Bem haja para a Arca da Noe! que venham muitos dilúvios culturais!

Uma das travessias que a Arca fará é este curso, uma viagem ao Brasil tradicional a partir das festas populares, bailes, cantos e danças para descobrir um país pouco conhecido.
A pesquisadora e cineasta brasileira Lia Marchi, regista há 17 anos a cultura popular brasileira e sua rica música de tradição. A partir de filmes realizados por ela, fotos, áudios e excertos dos seus livros, visitamos a diversidade da cultura brasileira em diferentes expressões.

Passando pelas festas, instrumentos, músicas e costumes de diferentes regiões, o curso é uma ponte para descobrir um Brasil pouco visitado, para conhecer melhor a realidade das comunidades tradicionais e dialogar sobre os desafios contemporâneos da tradição.

Esta sexta-feira às 21h em Vilar de Santos!

Chega o Português Perto!

1902857_700958079967294_3485373403572724489_nUm dos nossos clássicos ataca de novo: Português Perto.
Para aquelas pessoas leigas nisto da lusopatia, vamos dizer que o Português Perto é um festival multidisciplinar de palestras, arte, música e literatura lusófona. Realiza-se em Ourense cada ano em parceria com a Universidade de Vigo, a Câmara Municipal, a Agal, a Pró-Academia…este ano imagino que depois da ILP o ambiente será mais festivo ainda.
A programação começa já, o dia 5 e começa “deitando foguetes”: Valentim Fagim, José R. Pichel e Quico Cadaval no mesmo dia. Ninguém vai ficar adormecido ou entediado. Os primeiros vão expor as ideias do livro O galego é uma oportunidade. Eu já vi esta palestra uma vez e repetiria sem pensar. Do segundo, Quico Cadaval…faz falta dizer alguma coisa? vão vê-lo, é o nosso griot nacional!
A seguir têm propostas de literatura e música: Corasons, o angolano Alberto Mvundi, Tasca e literatura…mas gostava de pôr em destaque, se me permitirem, os clássicos do cinema português do século XX. Parece que entre as escolhas está a mão das pessoas do Cineclube Padre Feijoo e deposito toda a minha confiança neles (não sei se já vos tinha dito que não tive muito boas experiências com cinema português)

Todas as atividades são de graça, exceto o visionado do filme América. Cheguem cedo, que os lugares podem acabar-se!!

Metal party com sotaque português

Há um debate que sempre inicio com os meus amigos e amigas. É sobre música galega e música em português. Em minha opinião, a música galega mais difundida é aquela que se corresponde com os géneros tradicionais ou a canção de intervenção e eu acho isso triste. Estamos a perder com esta mediatização ou, se me permitirem, com este estereótipo, muitas outras boas opções. A música em português que chega à Galiza também obedece estes parâmetros: fado, samba, bossa-nova…e canção protesto. E para mim, com todo o leque de possibilidades que os países lusófonos oferecem, isto também é dramático.

Somos criativos e somos criativos em todos os estilos, portanto, gosto muito quando esta máxima que referi acima é quebrada. Oxalá um dia faça um artigo para anunciar um concerto dos Expensive Soul, da Aurea, da Capicua, Clarice Falcão…

metal-party_1390156553Neste fim de semana há uma boa programação de metal para quem gostar deste estilo musical. Duas bandas portuguesas de Vila Real chegam a Ourense para fazer vibrar as paredes do local da Sala Berlim.

Venial Sin e Serrabulho darão um concerto de graça nesta sala no sábado às 22h. A primeira banda toca Death Metal e a segunda Grindcore (não vou dar mais pormenores porque eu estou muito por fora deste ramo e não quero dizer asneiras)

Pequem com Venial Sin agora:

E estes são os Serrabulho. Serrabulho ou “sarrabulho” é uma palavra portuguesa para designar o sangue coagulado de porco. Com esta informação já podem criar uma expetativa…

Katembe project: kuduro em família

KP02As atividades de lazer para crianças ou as atividades para fazer em família já não são aquelas lamechadas antigas. Ainda bem, porque sinceramente eu odeio a música etiquetada de “infantil”: refrões sem sentido, animalinhos e onomatopeias sem fim…Para aquelas pessoas que crescimos com o Xabarín Club, coisas destas não fazem sentido.

2011_1_5_QPz08in9Bm1DfLCCnsve03Dentro do festival MOTI (Mostra Ourensana de Teatro Infantil) há um espetáculo musical de uma banda que eu idolatro, sou mesmo fã: Katembe Project. Eles trazem kuduro e música eletrónica de Angola, movimentos impossíveis de break dance com ritmos que não saem da cabeça. Já tive oportunidade de vê-los duas vezes e que bom vai ser vê-los uma terceira. Os Katembe fazem um dos melhores espetáculos de dança que eu tenha visto. Julgem:

A agenda cultural da cidade das burgas dá a chance de ir ver o espetáculo este domingo dia 29, pelas 19h30 no auditório por 4 euros. Será um espetáculo para crianças com kuduro, uma coisa nunca antes vista. Não percam essa maka, camarás!

Bueno.sair.es

bueno_sair_es_1373281437“Banda de canções, nome de marca. Dá shows, faz conteúdos múltimédia, produtos online e offline. Procuram-se sucessos.” parece um anúncio por palavras, mas é a apresentação de uma banda: bueno.sair.es

Nesta quarta-feira, em Ourense, no café Miudiño temos um concerto lusópata para quem gostar de música powerpop. Bueno.sair.es não é apenas uma banda independente, eles definem-se como “uma banda independentemente”

Como a música está sob creative commons, já não me poderão dizer que foram e não gostaram se me virem pela rua. Podem ouvir todas as músicas e descarregá-las aqui. Pronto, eu ouvi e gostei. Pode ser um plano perfeito para um dia de chuva, mas tenham em conta que irão para a caminha tarde, porque o concerto começa às 23h.

 

Troca por troca

troco x troco

É assim como o povo diz quando quer dar uma coisa por outra,  sem que haja qualquer outra compensação, e é assim como o governo galego apresentou um projecto de circuito organizado de teatro entre a Galiza e Portugal, devia ser o natural, não devia ser notícia mas infelizmente é, e ainda bem. Quatro teatros galegos, quatro salas portuguesas e oito companhias de ambas as margens do Minho participam neste programa com 32 representações que decorrerão neste outono e ainda no primeiro semestre de 2014.

As companhias vão entrar em palco em Narón, Ourense, Compostela, Tui, Braga, Coimbra, Évora e no Porto. O protocolo foi já assinado entre a Agência Galega de Industrias Culturais, o Centro Dramático Galego e a Cena Lusófona- Associação Portuguesa para o intercâmbio teatral. Os eventos visam recuperar (se é que alguma vez houve) e normalizar as relações entre as cenas galega e portuguesa, para conseguir que o diálogo teatral possa transcender o âmbito exclusivamente profissional e envolva também o público.

Para além do acto institucional de apresentação no Salón Teatro da capital, no que nos diz respeito,  entre as companhias portuguesas que nos visitarão, destaque para a Companhia de Teatro de Braga que vai chegar à Galiza com as peças “Concerto “a la carte””, do dramaturgo alemão Franz Xaver Kroetz e “Sabe Deus Pintar o Diabo”, texto inédito do Abel Neves estrito de propósito para a Companhia de Teatro de Braga, e para a Seiva Trupe, a companhia portuense traz-nos “Adivinhe que vem para rezar”, do autor brasileiro Bid Carneiro Neto. As companhias A Escola da Noite e o Cendrev participarão no TrocoxTroco com espectáculos que serão estreado na próxima temporada teatral.

O projecto começou a ser desenhado no início deste ano, e desde um começo contou com uma participação muito activa dos oito teatros envolvidos numa iniciativa que, em tempos de grande depressão, procura a racionalização da gestão administrativa no âmbito da difusão e distribuição do teatro. Ainda falta um bocadinho para que cheguem mas façam marcação nas vossas agendas, confiram aqui locais, dias e horas.

Deixo aqui um pequeno excerto de uma das mais bem sucedidas peças da única companhia que já vi e recomendo, a Seiva Trupe.

 

 
 

III Português Perto

Português PertoJá podemos afirmar que isto é uma tradição. Cada ano na cidade de Ourense temos um festival da lusofonia, o Português Perto. Esta é a terceira edição.

O festival é organizado pela Vice-reitoria do Câmpus de Ourense, com a colaboração da Pró- Academia Galega da Língua Portuguesa e Associaçom Galega da Língua.

Este ano o programa é muito variado e interativo. Durante o mês de maio redescobriremos a lusofonia através da nossa identidade e vantagem como galegos e galegas.

Recomendamos vivamente o ateliê “Percussões” com Paulo Silva. A não perder!

Vamos colocar aqui o programa:

7 de MAIO.

20h00. QUICO CADAVAL (Galiza)

8 de MAIO.

18h, 20h30, 23h. Projeção do filme :“Tabú” de Miguel Gomes. Cineclube Padre Feijoo. (Cinebox) (Portugal)

19h. Ateliê: PERCUSSÕES. Ritmos afro-brasileiros com PAULO SILVA (Brasil).

9 de MAIO,

20h Concerto CLAVE DE FADO (Galiza)

10 de MAIO,

20h30 TASCA e LITERATURA com poetas galegos e portugueses e concerto de RUI DAVID (Portugal) (Cafe Cultural Auriense).

As atividades são abertas a todo o público. O ateliê será na Ludoteca do Edifício de Faculdades e o concerto e conta-contos na Sala Emilia Pardo Bazán no Edifício de Faculdades (Edifício de Ferro)

O português está perto, o português também está em Ourense.

17 anos de OUFF

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O festival de cinema independente de Ourense faz este ano o décimo sétimo da sua vida, já lá vão alguns anos com mais sobras que luzes, está agora o certame num impasse no que não se sabe bem aonde é que vai, se é que vai para algum lado. De qualquer forma, continua a ser o maior e mais importante festival de cinema do país, mas não sei se isto é uma boa notícia, e se o país precisa de um festival.

Temos este ano uma boa representação de longa-metragens da lusofonia, em anos anteriores a presença estava focada nas curtas, assim que vamos aliar o útil ao agradável, cá vos deixo algumas dicas:

O dia 9 às 20:30  e o dia 10 às 18:00 e 23:00 nos cinemas Cinebox (Sala 3), vai passar o filme brasileiro “A Cadeira do pai”, conta a já recorrente temática de um pai que lida mas não consegue conhecer bem os filhos, o tópico volta em força neste filme. Escrito e filmado num estilo road movie pelo estreante Luciano Moura, “A Cadeira do pai” é um filme contagiante em descobertas para todas as suas personagens.

O mais cotado filme lusófono a aparecer no OUFF é o também brasileiro “Histórias que só existem quando lembradas”, da também estreante Júlia Murat, que mostra mão de cineasta nessa boa estreia, ao criar um ambiente fantasmagórico para a estada de Rita, a fotógrafa da cidade grande que entra em contacto com os habitantes de um vilarejo. O filme acontece em Jotumba, vilarejo onde ninguém morre há muito tempo. Muito do que se sente é visto, e não passa pelo registo mais óbvio da palavra. Isso quer dizer que existe bastante sugestão e menos reiteração na maneira como tudo é construído no imaginário do espectador. Vejam o filme o dia 6 às 20:30, o 7 às 18:00 ou o 8 às 23:00. Na sala 3 dos Cinebox.

Há mais filmes brasileiros, como a curta “Moby Dick”, mas para já, chega, que já foi muito.