Falso amigo: contaminar, contaminação

Com a correria da covid nas nossas vidas talvez algum ou alguma de vocês tenha lido ou ouvido um bocado mais estes termos de que vamos falar hoje. Todas as medidas que tomamos como lavar as mãos, o uso de máscaras, isolamento ou distanciamento são úteis para evitarmos a contaminação.

No português Contaminar tem o sentido de Corromper ou Contagiar. Por exemplo: o cientista tocou as provas do crime sem luvas e contaminou-as.

Nesta imagem vemos como as pessoas previnem a contaminação com a higiene e uso de máscaras.

Nesta outra figura podemos observar o risco de contaminação.

Deixo-vos cá também este vídeo onde é explicado como retirar luvas sem contaminar as mãos.

Quando falamos no ambiente, falamos de Poluir, Poluição: o naufrágio do Prestige poluiu as rias galegas.

A poluição na nossa língua não é apenas referida àquilo que danifica o ar (smog). Pode haver poluição luminosa, sonora, térmica, radioativa…

Falso amigo: classe

Com o decorrer dos meses chegam dúvidas que costumam ser “calendarizáveis”. A palavra Classe é uma dessas que vêm à tona quando agosto está para acabar. Vamos lá com ela.

classe é o resultado de uma classificação

A escolarização foi mais tardia em pessoas de classe baixa;

O lobo é um animal da classe mammalia, da ordem carnívora, da família canidae.

Durante o nosso período escolar, por exemplo, estudamos muitas classificações. A dos seres vivos, a dos minerais…

Quem não estudou muitas (muitas) vezes a classificação das palavras?

Outro significado pode ter também o de Distinção ou Requinte.

Os passageiros terão a nova sensação de viajar com classe. 

Vejam cá a ironia dos Gato Fedorento numa agência publicitária de Chelas..

Quando falamos dos estudos usamos a palavra Aula para cada uma das sessões em que o professor ou professora explica diversos assuntos aos alunos e alunas: vou a aulas de grego moderno às terças

Se quisermos especificar o grupo de pessoas com que vamos às aulas, dizemos Turmaquando estudava na escola, em terceiro havia duas turmas: 3ºA e 3ºB, eu estudava em B.

Adestrar ou Treinar?

O vocabulário pode ser um dos desafios quando aprendemos uma língua. Implementar novo léxico e lembrá-lo. Pôr em prática aquilo que aprendemos.

Algumas vezes, quando a aprendizagem é autodidata temos um outro entrave: vamos ao dicionário, consultamos, parece que sabemos o significado, mas…alguma coisa não bate certo. Falta-nos por saber o contexto de uso dessa palavra. E aí o corretor online não ajuda.

Hoje quero-vos falar deste par.

Adestrar é ensinar alguma coisa a um animal com determinados fins. Podemos adestrar um cavalo, por exemplo, para se tornar mais calmo, atento ao cavaleiro, etc. Podemos adestrar um cão para ele estar mais adaptado à vida doméstica, para ser cão guia…

É importante sabermos que no uso Adestrar é um verbo normalmente associado a animais.

Adestrei o meu cavalo para o concurso de hipismo.

O caráter do teu cão tem mudado muito com os adestramentos.

Etimologicamente partilha origem com Destro, aquele que escreve com a mão direita.

Treinar vem do francês traîner. Este verbo significa também ensinar ou aprender determinada ação prática, quer dizer, tornar apto a desempenhar uma atividade.

Demorei a ser fluente em italiano, tive que treinar muito.

Pode ser até preparar-se para a prática de um desporto.

Nas quintas tenho treino de futsal

Acho que durante as semanas de confinamento toda a gente viu algum desses vídeos com pequenos treinos para manter a forma física em casa, né? Deixo-vos este link

Fazemos agora a mesma indicação que com o verbo anterior. Reparem em que Treinar é usado quando falamos em pessoas.

Falso amigo: aportar

Com a chegada do verão para alguns e algumas é mais comum o contacto com o mar. De facto, não há muitos anos, fizemos este post com expressões idiomáticas relacionadas com o mar, a água, os navios e as navegações.

O mar tem um poder terapéutico e traz muitos benefícios para o nosso estado de espírito, disposição. Mas aqui há gato. Se estou a escrever este artigo é porque algo me deixou mal disposta. Vamos lá ver.

O verbo Aportar é desses que também estão no campo semântico do mar. Quer dizer regressar ao porto, entrar num porto.

Os refugiados aportaram em Leixões

Pode ser um sinónimo de ancorar.

O herói Ulisses aportou na ilha Eeia, a ilha de Circe

Podem ver neste vídeo como, aos olhos de umas crianças, a ilha da Madeira foi descoberta. Vale a pena ver o desafio!

Então pessoal tomem cuidado aí. Algumas vezes aparece este verbo nos vossos textos, mas não com estes sentidos anteriormente referidos e, assim, não dá.

Por exemplo, ontem vi no Twitter isto: eles têm de aportar provas*

E como podemos então substituir esse Aportar? dou-vos cá umas sugestões:

  • contribuir, dar um contributo…
  • fornecer, prover, munir…
  • achegar, pôr ao alcance…

Jogar ou Brincar?

O nascimento da minha filha supôs o ressurgir dos brinquedos em casa. A minha mãe anda maluca a procurar no sótão as nossas bonecas, brinquedos, jogos de tabuleiro e outros bonequinhos.

Aí que eu pensei que esta seria uma boa ideia para um artigo. Falemos da diferença entre JOGAR e BRINCAR.

BRINCAR é divertir-se a encenar, a simular coisas: brincar aos médicos, brincar às casinhas, brincar com o cão…

Em criança, brincava na rua com as minhas amigas. 

Todos os dias brinco com o meu cão, para ele fazer exercício.

Também pode ser sinónimo de não falar a sério, gracejar: Não leves a mal, estou a brincar!

JOGAR é usado para jogos em que existe uma competição. Alguém ganha e alguém perde. Jogar basquete, jogar xadrez, jogar playstation…

Ela adora jogar basquete. Mas eu prefiro jogar videojogos.

Como dica gramatical comento-vos que entre o verbo JOGAR e o jogo/desporto não temos preposição (Evitemos: eu jogo ao futebol*)

Sim e Si

Este é um post para pessoas muito à frente. Um post afirmativo e positivo.

Vamos fazer hoje uma explicação muito rápida sobre estas duas palavras do título. Tanto Sim como Si existem em português, não pensem que só usamos o Sim. Cada uma destas palavras tem valores diferentes que passaremos a esclarecer. Começo então pelo Sim.

Sim é o contrário do Não. Trata-se de um advérbio para exprimir afirmação, concordância, consentimento…

Convidei-a a vir comigo de férias e ela disse que sim.

Vou agora comentar outros casos para quem está a aprender. Muitas vezes abusamos do Sim em situações em que um nativo não responderia dessa maneira.

Nas respostas:

Quando alguém nos faz uma pergunta onde só há duas alternativas possíveis, dessas de responder Sim/Não, na nossa língua normalmente a resposta afirmativa é com o verbo da pergunta. Nalguns casos até com o advérbio da pergunta, se esta tiver um advérbio. Quero dizer com isto que não é assim tão comum responder com um Sim, normalmente este é um reforço. Acho que com exemplos fica mais claro:

-Queres vir almoçar? Quero (ou Quero, sim)

Já jantaste? Já (ou Já, sim)

Vejam esta situação de Meu amor, você quer casar comigo?. Confiram a resposta…

Como bordão:

Numa conversa informal, quando o nosso interlocutor ou interlocutora está a falar muito e nós queremos indicar que “ainda continuamos aí a ouvir” ou que estamos a afirmar algo já repetido, o que dizemos é Pois.

-(interlocutor): bla bla bla bla bla

-(nós): pois, pois

-interlocutor: bla bla bla bla

-(nós): pois, pois

Ao telefone:

Quando alguém nos liga e queremos responder ao telefonema dizemos Estou ,‘Tou ou .

Suponho que isto é uma recordação dos telefones fixos. Lembram-se de quando alguém ligava e dizia “Bom dia, está a Teresa?” e a Teresa respondia “Estou, sim”.

Comento agora os valores do Si.

-Ele pode ser o nome de uma nota musical: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si…

-Pode ser um pronome pessoal: Você dá atenção a si mesmo?; Falou muito de si própria na entrevista de emprego; Guarde para si esta senha

Neste último caso, para não darmos erros, podemos apoiar-nos nas palavras Mesmo/a ou Próprio/a. Se a oração parece que pede uma destas duas palavras, então vamos usar inequivocamente o Si (e não o Sim).

Falso amigo: balcão

Como me presta ver os Simpsons. O momento tanto faz, também não interessa se já vi o capítulo. Revejo e curto na mesma. Acho até que poderia comunicar-me apenas com frases da série.

Hoje vou subir a aposta e vou explicar uma palavra só com exemplos da série. Vamos lá ver se consigo com apenas três habitantes de Springfield.

O primeiro que vou citar é o Moe Szyslak. Ele não é desses personagens que façam parte da família amarela, mas a Moe’s Tavern é a alma da cidade. Moe é um taberneiro resmungão, um pugilista já retirado da luta e um aspirante a ator de novelas.

Podemos ver o Moe sempre no seu pub ao outro lado do balcão atendendo os seus fregueses.

Quem sim faz parte da família Simpson, mas pela parte Bouvier, são as gémeas Patty e Selma. Elas são as irmãs da Marge. Acho que são das personagens que mais evoluíram dentro da série. No início tinham uma personalidade quase idêntica e agora a Patty é assumidamente lésbica enquanto que a Selma é mãe adoptiva.

Elas fazem também atendimento no balcão como o Moe, mas não trabalham num pub. São funcionárias no Springfield Department of Motor Vehicles e passam o dia a ver como a fila de pessoas não avança mais.

Deu para ver o que é um balcão?

Se ainda estiverem com dúvidas, trago para cá a explicação da Infopédia: móvel de diversos estabelecimentos (lojas, bares, repartições públicas, etc.) que separa os clientes dos funcionários que os atendem e onde, por vezes, se expõe mercadorias.

Deixo-vos este vídeo sobre outro tipo de balcões, os da cozinha.

Então se estiverem a pensar em como é que é a outra parte da casa que sai para o exterior, vejam a definição de varanda.

Gravidez e cuidados

Este artigo devia ser publicado antes do dia 18 de março, mas uma série de circunstâncias deixaram-no numa gaveta virtual. A primeira e óbvia, a situação de confinamento que nos abalou a todos; e a segunda -e mais importante para mim- o nascimento da minha filha, dez dias antes do previsto.

18 de março era a minha data suposta de parto, mas a Amara decidiu adiantar-se para assim família e amigos chegados terem a oportunidade de conhecê-la no hospital. Antes dessa data ia publicar um artigo sobre léxico relacionado com a gravidez e os cuidados que passarei a postar agora.

A motivação disto era clara. Durante estes meses tive muitas consultas médicas e vi que não é fácil saber dar nome a todas as novas realidades que lá vinham. Sobretudo porque elas chegavam a mim (todas) em castelhano. Então dediquei-me a inventariar, consultar, perguntar…

Antes de ficar grávida usava uma app para acompanhar o meu ciclo menstrual. A app chama-se FLO. É compatível com Android e IOS e achei muito útil porque dá dicas interessantes em forma de artigos. Depois podes mudar para “Modo gravidez” e o serviço é espetacular: tens informações sobre ti e o bebé cada semana. Agora até implementaram um chat.

FLO é gratuito e na nossa língua. Com isto aprendi muito vocabulário e expressões de maneira descontraída.

Caso não gostes de ter muitas apps no teu telemóvel, mas não queres renunciar a ter informações, aconselho-te estas duas páginas:

Mais tarde chegou o que eu considero a obra lexicográfica do ano: O dicionário visual da Através. Este é um livro ilustrado, uma espécie de dicionário vivo que me ajudou muito já logo no primeiro capítulo dedicado às crianças. Uma edição impecável que inclui exercícios para ativarmos a nossa aprendizagem.

Deixo-vos cá o resultado da minha pesquisa em forma de glossário.

A:

Alcofa

Aleitamento, Amamentar, Dar peito

Análises ao sangue, à urina…

Anestesia epidural

Anestesia espinhal

Almofada de amamentação ou almofada de gravidez

Arrotar

Azia

B:

Babete (Pt), Babador (Br)

Barriga

Bebé (Pt), Bebê (Br)

Berço

Biberão (Pt), Mamadeira (Br)

Body

Bomba de extração de leite

Bolsa amniótica ou Saco amniótico

C:

Cesariana

Chá de bebé, Chá de fraldas, Chá de cegonha, Chá de berço ou Babyshower

Chupeta, Chucha

Cocó, fazer cocó

Cólicas

Colo, dar colo

Colo do útero, Cérvix

Colostro

Consulta médica

Contração

Cordão umbilical

Crosta láctea

D:

Dar à luz

Depressão pós-parto

Desfraldar

Diarreia

Dói-dói

Doula

E:

Embalar, Canção de embalar

Enjoos

Episiotomia

Estrias

F:

Fadiga

Feto

Fórmula ou Leite de fórmula

Fraldas descartáveis vs Fraldas de algodão

Fraldário

G:

Gémeos

Grávida, Gravidez

I:

Inchaço

Insónia

L:

Líquido amniótico

Lóquios

M:

Macaco

Mamilos

Marsúpio

Matrescência, Matrescente

Musselina

N:

Nascer

Nascimento

Náuseas

Ninar

O:

o Obstetra, a Obstetra (Pt)/ o Obstetra, a Obstetriz (Br)

P:

Parteira

Parto

Placenta

Pomada para assaduras

Pós-parto

Prisão de ventre

Puerpério

R:

Retenção

Rolhão mucoso

S:

Sangramento de escape

Sling ou Wrap

Pavimento pélvico (Pt), Assoalho pélvico (Br)

Soluço, Soluçar

Sutiã de amamentação

T:

Toalhitas

Touquinha

Trajeto do parto

Transportar, fazer babywearing

Trocador

X:

xixi, fazer xixi/ chichi, fazer chichi

Para estes dias de confinamento e matrescência encontrei esta música. Espero que gostem.

Falso amigo: mono

Em tempos de confinamento estamos muito expostos à saturação informativa. Há quem esteja em casa a pensar no contágio, na saúde, nos sintomas, etc. De facto, se escrevermos Covid-19 no Google, aparece logo esta mensagem sobre a prevenção:

O que fazer:

Lavar as mãos frequentemente por 20 segundos com água e sabão ou higienizá-las com álcool em gel

Cobrir o nariz e a boca com um lenço ou o cotovelo ao tossir e espirrar

Evitar contato próximo (um metro de distância) com pessoas que não estejam bem

Ficar em casa e se isolar das outras pessoas que moram com você caso apresente os sintomas da doença

Entre todas estas mensagens vi uma sobre os monos. Não consigo agora lembrar-me da fonte, mas sei que dizia que os monos podiam ser fonte de transmissão do vírus. Fiquei logo a pensar que era esta uma palavra perfeita para um artigo.

O pangolim e o morcego levaram com as culpas desta crise mundial. Mas este post, longe do que possa parecer, não fala de macacos.

Monos é o nome que vulgarmente damos a resíduos volumosos e sem utilidade. São objetos sem valor que não sabemos bem o que fazer com eles. É o caso de mobílias velhas, eletrodomésticos, colchões…

Os monos podem, sim, ser fonte de contágios entre a população porque o vírus ainda sobrevive muitas horas nas superfícies se não as desinfetarmos.

Em Portugal as câmaras municipais dispõem de um serviço de recolha de monos e verdes que normalmente funciona com pré marcação.

No fim de fevereiro mudei de casa. Vivi no mesmo apartamento na cidade velha de Compostela durante cinco anos. Meter cinco anos em caixinhas fez-me refletir muito sobre o facto de “acumular tarecos”. Suponho que agora que estamos fechados em casa muitos de nós também estamos a repensar os nossos hábitos de consumo e a nossa pegada ecológica. Poderíamos fazer como a protagonista desta notícia, que dá uma segunda vida aos monos e monstros e faz deles verdadeiras peças de arte. Começamos a restaurar?

Em resumo, se tiverem monos em casa não os abandonem na rua (nunca!!!). Eles podem ser o “ninho” para o coronavírus.

Falso amigo: rato

Em muitas partes do mundo já estão com os preparativos do ano novo chinês. Vi nas notícias ontem que Lisboa começou a festa este sábado no bairro onde vive e e trabalha a maior parte desta comunidade.

Podem ver como correu o desfile nesta ligação. É interessante ouvirem os depoimentos dos vários membros da comunidade chinesa. Por Martim Moniz já sabem que 2020 é o ano do Rato, o primeiro no zodíaco chinês. Representa, portanto, o começo de um novo ciclo.

Para quem acreditar nestas coisas, deixo o horóscopo nesta ligação.

Estes animais aparecem inúmeras vezes na nossa cultura. Ocorrem-me agora provérbios como:

-A curiosidade matou o rato

-A casa que não tem gatos tem muitos ratos

-Tanta vez vai o rato ao moinho, que um dia fica lá com o focinho

Temos até ratos famosos como o Mickey ou Mighty Mouse, que são testemunho da importância que tem este animal na nossa cultura popular.

Já noutras latitudes, como por exemplo na Índia, existe uma veneração em volta deste animal. No templo de Mata Karni, na cidade de Bikaner, no Rajasthan, vivem mais de 25 mil ratos soltos.

Existem algumas curiosidades sobre estes pequenos seres que devem conhecer. Eu ainda estou em dúvidas com se a ratazana é a fêmea do rato ou é que é uma espécie diferente. Digam-me lá coisas.

O periférico do computador? sim, também se chama de rato. Contudo, cada vez usamos mais tecnologia táctil e estes acessórios são menos vistos.

Chegados a este ponto e depois de toda a maçada…acho que já devem saber o motivo do post. Ainda não? Pronto, o rato na nossa língua designa estas realidades de que falei. Não usamos a palavra para nos referir a intervalos de tempo breves. Nesse caso dizemos: instante, bocado, momento