Luísa Sobral em Vigo

Hoje começa o festival Sinsal em Vigo. No concerto de abertura teremos a oportunidade de ver ao vivo o espetáculo da Luísa Sobral.

Se no contexto de Eurovisão conhecemos o Salvador Sobral e rapidamente foi singularizado como o irmão da Luísa, agora a fama do vencedor do festival faz com que a Luísa seja conhecida por também ser a irmã dele. Contudo, esta dupla é muito mais do que a “irmã de” ou o “irmão de”. O cantor e a compositora de Amar pelos dois são uns virtuosos, pessoas muito formadas em música. A Luísa depois da sua experiência no Ídolos rumou para os EUA para estudar na Berklee College of Music e conta com um grande reconhecimento da crítica.

Com a Luísa podemos transitar do jazz, ao folk e ao indie. Neste concerto oferecerá temas dos discos Luísa e Rosa, este último foi dedicado à sua segunda filha.

Recentemente publicou no Twitter o carinho que sente por nós.

Nós também gostamos de ti, Luísa!

Lembrem, hoje às 20h30! Entradas aqui

As minhas recomendações para os dias 31 e 1

anos fazíamos um percurso pelas diferentes tradições entre os dias 31 de outubro e 1 de novembro. Até vos cheguei a falar dos meus pesadelos ortográficos mais repetidos. Desta feita só estou cá para para dar umas dicas de lazer: uma série, um podcast e umas pequenas viagens.

Vamos com a série. Typewriter foi para mim um achado. Estava à procura de uma série de poucos capítulos que pudesse devorar em duas tardes e lá estava ela, pacatamente, como quem não quer nada.

Typewriter é uma série de Netflix de apenas 5 capítulos. Foi realizada em 2019 e nela vão poder ouvir várias línguas. E agora estarão a pensar…”e esta maluca recomenda-nos uma série em híndi e inglês? como assim?” Tudo tem uma explicação, a série trata de três crianças que planejam caçar fantasmas num casarão onde há uma máquina de escrever. Disto o título. À partida parece uma coisa muito classicona, mas toda a ação decorre em Goa, no taluka de Bardez. Não se fala português, mas podem ouvir como o português ainda ecoa lá de certa maneira: nomes, topónimos, costumes, etc.

Além de culturalmente familiarizar-me com outro tipo de suspense e estética, mais típicas de Bollywood, penso que aprendi imensas coisas sobre a cultura indiana e goesa. E não, um faquir não é um homem que dorme num colchão com pregos ou engole lâmpadas.

Deixo cá o trailer. Não esqueçam que isto tem legendas em português disponíveis.

Agora é a vez do podcast.

O Vamos Todos Morrer é a rubrica do Hugo Van der Ding para a RTP/Antena 3. Penso que na plataforma da RTP têm mesmo todos os episódios, mas deixo também o Spotify para terem uma maior acessibilidade. Para telemóvel dá um jeitão.

Nunca pensei dedicar todas as manhãs a ouvir um réquiem, mas cá estou. Confesso-me viciada neste programa. Cada dia escolho um episódio e ouço porque eles são assim bem curtinhos, pílulas quase. Como o próprio título indica, uma coisa é clara: vamos todos morrer. Cada programa é uma nota necrológica onde com humor é contada a biografia de uma celebridade. No meio há uma dose de lugar comum que todo humano necessita: morreu tão novo, na flor da idade!

Os pontos fortes para quem está a treinar a língua são muitos:

  • aprender como é o nome português de certas celebridades, por exemplo: Joana D’Arc, Otaviano, Cleópatra…
  • conhecer muitas celebridades dos países de fala portuguesa: Anita Garibaldi, Ana Plácido, Bulhão Pato…
  • treinar expressões típicas da língua mais coloquial (e fúnebre também, claro!)

Quem não gostar muito deste formato, pode ainda comprar o livro na Wook.

É a vez das viagens. Este ano podem fazer a planificação de como querem passar os dias 31-1 de 2022. Eu recomendo três pequenas visitas.

  • Quinta das Lágrimas, em Coimbra. A lenda diz que cá foi morta Inês De Castro. As algas vermelhas que aparecem na Fonte das lágrimas são a evidência fantasmagórica de lá ter acontecido uma morte violenta. Hoje é quase um lugar de peregrinação mas a mim o que me meteu mais medo é que com a requalificação isto agora é um hotel de luxo.
    • Se não souberem quem é que foi a Inês De Castro, falo dela neste artigo, mas já digo que esta é uma fi-gu-ra-ça galega, uma rainha depois de morta. A nossa primeira zombi? Carreguem nas animações para estarem a par.
  • Capela dos Ossos, em Évora. “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Uma capela que nos lembra que a vida é transitória e passa num triz. Em Évora havia muito cemitério monástico, aquilo ocupava muito espaço e…decidiram reciclar com este DIY.
  • Quinta das Conchas e dos Lilases, Lisboa. Se procurarem na net uma lista de lugares assombrados em Portugal, com certeza absoluta vai aparecer esta quinta. Em 1899 Francisco Mantero compra-a depois de ter feito muito dinheiro com o negócio do café em São Tomé e Príncipe.
    • No parque podemos ver uma construção apalaçada que é de espírito colonial. As duas ilhas artificiais que lá estão recriam São Tomé e Príncipe. Conta a lenda que o empresário se apaixonou por uma nativa santomense, há quem diga que era até a sua escrava. Trouxo-a a Lisboa àquela quinta e fechou-a para afastá-la dos olhares dos vizinhos. Maltratou-a até à loucura. Conta-se que ainda se ouvem os seus gritos e que os cães nunca querem aceder ao palacete.

Não sei como vão passar estes dias. Eu comecei por encarar um dos meus maiores medos: conduzir. Porque o importante é a maneira de conduzir a vida.

Maré ’21

O mar está para peixe e depois de algumas mudanças e novos rumos este ano temos o Maré ’21 em Compostela.

Os adeptos mais lusopatas estavam habituados a uma localização em Ponte Vedra e a que o Cantos na Maré fosse mesmo um festival dedicado quase em exclusiva à lusofonia. Com estes reajustes o evento dura mais tempo e transita por vários espaços da cidade. De quinta a domingo veremos novas e vanguardistas propostas, estilos talvez mais arriscados, uma presença feminina maior e uma seleção musical se calhar destinada a um público mais jovem. Temos na agenda cerca de 30 concertos, que concentram a cultura duns 10 países. Contudo, a conexão lusófona parece um bocado mais fraca no cartaz. Mas não fiquem aflitos, porque o elenco de artistas com nh continua a ser amplo.

Assim sendo, esta que escreve examinou o cartaz e fez a já costumeira seleção lusopata, lá vamos!:

  • Quinta 23
    • Luiz Caracol, 20h, Teatro Principal. O cantor de Elvas já se deu a conhecer entre as linhas deste blogue por ter ido a Vilar de Santos (Obrigada, Noemi). Recentemente tem editado o álbum Só.tão, um trabalho que tem um título-trocadilho graças ao qual podemos intuir muito do seu conteúdo e intenção.
  • Sexta 24
    • Mira é Marta Miranda, 20h, Teatro Principal. A cantora Marta Miranda, voz de Oquestrada, vem à Galiza com este novo projeto em solitário.
    • Jéssica Caitano e Luana Flores, 20h30, Bonaval. Esta pode ser sim uma mudança radical de rumo para a filosofia deste festival. A Jéssica é uma artista multifacetada: cantora, compositora, rapper, percussionista, poeta e ativista LGBT+. Por sua vez, a Luana Flores é beatmaker, dj, percussionista, intérprete e compositora. Na sua linguagem criativa aparecem temas como a sexualidade, o território e o género. Esta dupla promete vir e partir a loiça.
    • Bia Ferreira, 22h30, Bonaval. A artista multi-instrumentista de Minas Gerais define a sua atividade musical criativa como MMP: Música de Mulher Preta. Não há uma apresentação melhor. Bia Ferreira é conhecida no Brasil não só pelo seu grande talento na música, mas também pelo seu compromisso com a luta antirracista e o movimento LGBT+
  • Sábado 25
    • Timbila Muzimba,19h, Praça da Quintana. Os Timbila Muzimba são um tag frequente no nosso blogue. Esta orquestra de timbilas é uma das conexões com o nosso caro Narf e também aposto que a palavra de ordem desta edição, warethwa!, tem muito a ver com eles. Warethwa é o título de um dos seus trabalhos de 2008 e também significa Avante! numa das línguas nacionais de Moçambique.
    • Maria Alice e Jon Luz, 19h, Bonaval. Aqui temos dois referentes da morna, dois pesos pesados de Cabo Verde. E se eu vos disser: Tejo Bar, penso que já vos estou a dar uma pista muito grande. O Jon Luz é a cara visível deste bar mítico da noite lisboeta. O Tejo Bar é um tesouro e já era um tesouro antes de a Madonna ir.
    • Japa System, 20h, Bonaval. Antônio Dimas Vieira Aires Júnior, é um percussionista que fez parte de Terra Samba ou Timbalada. Criado entre São Paulo e a Bahia é músico desde muito cedo. Com o grupo cultural brasileiro Bahia Brasil andou em digressão pelo Japão durante um ano e aí é que nasceu o seu nome artístico. O Antônio Dimas tem dois grammy latinos e no seu currículo está ter subido a palco em festivais internacionais como Lollapalooza ou Rock in Rio.
  • Domingo 26
    • Maré comemora no Parque de Bonaval o Dia Europeu das Línguas a partir das 12h com várias atividades.
    • Às 17h voltam ao cenário Maria Alice e Jon Luz
    • Como encerramento haverá uma gala sobre as viagens de Narf: cantores darão vida ao seu projeto artístico, aquele que unia a Galiza (Zigala, na sua língua imaginária) com Moçambique (Zemambiquo, ídem)

Deixo cá acima esta lista de reprodução do Spotify com as músicas do evento para tomarem contacto, ficarem a saber, curtirem…

Também poderão aceder a conteúdos extras em Rádio Pessoas, um projeto de que falaremos mais à frente, porque bem merece uma menção.

Este é um oceano de experiências, Warethwa!

Falso amigo: quitar

Espero que este ano académico tenha começado com muita energia para vocês. Com o início das aulas, podem chegar também novas dúvidas.

Algumas vezes queremos traduzir literalmente, não nos lembramos já das coisas aprendidas o ano passado ou não sabemos bem se o verbo em que estamos a pensar vai ter o mesmo significado em português. Vamos aí com um que sei que vai ser muito útil.

Quitar é em português pagar ou satisfazer uma dívida: a empresa quitou-se das suas dívidas.

Se quisermos exprimir em português a ideia de extrair, obter ou mesmo eliminar….podemos usar o verbo Tirar.

  • tirei essas informações da net
  • tira o casaco, que está muito calor

O Festival Atlántica está de volta

Como sabe bem voltar a escrever artigos sobre eventos e termos novidades para anunciar. O Festival Atlántica é desses que já têm um espaço reservado no calendário lusopata. Para quem não souber, este é um evento internacional de narração oral, onde quase sempre alguém lusófono marca presença dentro do programa. Nesta ocasião temos dois narradores, um brasileiro e uma madeirense, esta última muito presente entre as nossas notícias sobre festivais deste género. Lembram-se da Sofia Maul? Se não me enganar esta será a quarta vez que nos visite. Agora, depois da minha experiência na Madeira, tenho ainda mais vontade de a ouvir. Com a Sofia chegam desta vez uns contos de arrepio virados para o público adolescente.

Dedicaremos então um bocado mais de tempo a falar do Thomas Bakk, porque é caloiro neste blogue. O Thomas nasceu no Rio de Janeiro, mas já quase podemos considerá-lo um português de gema, porque mora no país luso desde há mais de 20 anos. É formado em Arte Dramática. Entre os seus talentos está o canto, a interpretação, a poesia e o contar estórias, obviamente. Tem muitas obras publicadas como dramaturgo e até compôs com o artista brasileiro Lenine.

Ele leva estórias a escolas, hospitais, cárceres…e festivais de narração como este, onde poderemos vê-lo interpretar várias personagens em cena, porque é o seu selo interpretativo pessoal, por assim dizer.

Então, como já temos os nossos contadores apresentados, está na hora de falarmos da agenda. Marquem aí porque é uma oportunidade de ouvirem português fora dos ecrãs e isto há tempo que não acontece.

Thomas Bakk: Sexta 2 de julho, 11h30, Parque Eugenio Granell, Santiago de Compostela: contares que não calam, contos de bichos que falam. Público infantil +5 anos

Thomas Bakk com Marcelo Ndong: Sábado 3 de julho, 21h30, Parque de Bonaval, Santiago de Compostela: O que fazem os fang quando contam contos/ Contares doutras terras e mares (espanhol e português) Público adulto.

Sofia Maul: Domingo 4 de julho, 21h30, cemitério de Bonaval, Santiago de Compostela: Contos de arrepio. Público adolescente.

Consultem a página porque para alguns espetáculos é necessária uma reserva.