Moonspell na Sala Malatesta

Amanhã na sala Malatesta temos um encontro com o metal lusitano.

Os Moonspell levam defendendo o Gothic Metal desde 1992. Em 2015 já nos visitaram no Resurrection Fest, agora é a vez de Compostela.

O seu último trabalho, 1755, é cantado integramente em português. Este disco supõe uma maturidade quanto à harmonia para a banda. E o título? o título é uma promessa de uma terra que vai tremer com a melodia porque, recordem, 1755 é a data do terremoto de Lisboa.

O quinteto ainda mantém sua mesma personalidade musical, o contraste entre as influências agressivas de seus tempos anteriores com a estética elegante do doom / gothic metal. Mas agora, há alguns coros gregorianos e wagnerianos e orquestrações.

A terra vai tremeeeer!

 

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Ari(t)mar 2017

Uma coisa boa de ter um blogue é ver como um projeto começa. Uma coisa melhor ainda é ver como ele tem continuidade. Escrever “Ari(t)mar” e colocar ao lado “2017” já me encheu de felicidade.

Ari(t)mar é um certame novinho em folha, com apenas duas edições, mas muito revolucionário do meu ponto de vista.

Estudantes de português fazem um mergulho em livros de poesia e discos durante um ano para saberem qual foi a poesia e a canção melhores do ano anterior. Ouvem e leem produtos culturais das duas bandas do Minho, o qual facilita uma imersão. Em termos de consumo cultural também…é 5 estrelas.
Por outro lado, acho que o certame é muito horizontal, porque quem escolhe não é um júri especializado, mas o público leitor/ouvinte que muitas vezes se aproxima de grupos/poetas pela primeira vez.

O ano passado, na parte da música e do lado português, ganhou a minha ídola Capicua. Pensem bem…quantas oportunidades teria uma cantora rap feminista portuguesa em vir à Galiza? Graças ao Arritmar o público daquela noite do Teatro Principal ficou a saber quem ela era.

Este ano, confesso, o cartaz não me atrai muito assim, mas o público é soberano.

Na parte da música, a decisão que menos me satisfaz, ganharam Sés (Gz) e os Quinta do Bill (Pt). Considero que os Quinta do Bill não são muito representativos da música portuguesa atual, até fiquei a saber que ainda tinham a máquina azeitada, pois levam uns tempos em que não estão a bater muito na moda.

No assunto literário já fiquei mais contente. Do lado galego temos a Paco Souto (“Terradentro”) e do português a Pedro Craveiro (“fui a Bruges esquecer um amor”).

Como adoro o projeto irei ao teatro na mesma ver a gala, no dia a seguir é feriado e não há nem que madrugar nem nada. Aliás, apresentam a Isabel Risco e o Quico Cadaval…vai dar barraca!

Então a gente vê-se no dia 31 às 21h no Teatro Principal para curtir e fazer também homenagem ao Narf.

Como assim? Ainda sem bilhetes? esgotaram! mas pode ser que tenham uma chance, amanhã há um sorteio na Cadena SER no programa Hoy por hoy

Sofia Ribeiro em digressão

Outonalidades, circuito português de música ao vivo, traz a cantora Sofia Ribeiro para uma pequena digressão de concertos que começa hoje.

Sofia Ribeiro é uma cantora e compositora portuguesa dedicada ao jazz. Parece que o Salvador Sobral ter ganho a Eurovisão com a sua voz crooner e toques de jazz começa a ter impacto nas salas e nos contratos da Galiza. Ainda bem que começamos a perceber que a música tem muitos estilos.

A Sofia é licenciada em canto jazz pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE), onde atualmente lecciona. Tirou um mestrado em canto jazz no Conservatório de Bruxelas, onde estudou com David Linx.

Ganhou vários prémios, entre eles o segundo lugar da competição internacional “Young Jazz Singers” e o primeiro prémio da competição international de jazz “Voicingers 2008”. Estudou na Berklee College of Music e no final da sua estadia  foi-lhe oferecido o prémio “Oliver Wagmann Memorial Scholarship”, prémio destinado a um(a) cantor(a) extraordinário(a) que demonstrou excelência académica na faculdade.

Tem seis discos publicados Dança da solidão (2005), Orik (2008), Porto (2010), Ar (2012), Mil e uma cores (2012) e Mar Sonoro (2017).

Então o esquema é assim, façam captura de ecrã:

-hoje em Bueu no Bar Aturuxo

-amanhã na Borriquita de Belém em Compostela

-depois de amanhã no Club Clavicémbalo em Lugo

Dormir com Lisboa

dormir

Fausta Cardoso Pereira é uma lisboeta de gema. Estudou Publicidade e Marketing, Comunicação Social e Sustentabilidade. É formadora na área da escrita criativa e antes foi responsável pela gestão de projetos educativos na Fundação PT.

O seu livro último livro, Dormir com Lisboa, foi o vencedor do II Prémio Antón Risco de literatura fantástica. Este certame, convocado pela Urco Editora e a Fundación Vicente Risco, é desses poucos na Galiza que aceitam manuscritos em português.

O argumento da obra parte de um enigma simples: o desaparecimento inexplicável de cidadãos comuns na cidade. Lisboa é aqui uma personagem mais que se apresenta como um grande mural de histórias encaixadas e que parece engolir as pessoas. O romance é, então,  um canto contra as cidades europeias estandardizadas e turistificadas.

Esta sexta-feira, às 20h, poderemos  falar na Lila de Lilith com a autora e o editor, David Cortizo.

 

 

 

 

Quatro ilustradoras no Caminho da Costa

Confesso que odeio coisas que tenham a ver com o Caminho de Santiago. Não sei se por viver numa das ruas mais transitadas por caminhantes ou porque também me atingiu a moda de ser uma hater do turismo. Sei lá, gostava de um outro modelo para a minha cidade, ou talvez de outra focagem do Caminho.

Este evento que vos apresento é desses que ainda me dão esperança. Vejo isto e digo: o pá, o Caminho até pode não ser piroso.

De 26 de junho a 5 de julho quatro ilustradoras (duas delas portuguesas) fizeram o percurso do Caminho da Costa: caminharam do Porto a Compostela. Imortalizaram a sua visão em desenhos que agora poderemos ver a partir do dia 20 numa exposição na Galeria Sargadelos de Compostela.

Falo-vos então das duas desenhistas portuguesas um bocado:

  • Fernanda Lamelas: é uma arquiteta que adora desenhar. Já tem feito várias exposições e colaborou como ilustradora em diversas publicações e em livros como Palácios e Casas Senhoriais de Portugal.
  • Teresa Ruivo: junto com a Fernanda Lamelas faz parte da direção de Urban Sketchers Portugal. Ela é psicóloga. Começou a trabalhar com cadernos há três anos e, sem dar por isso, esta ocupação foi conquistando cada vez mais tempo da sua vida. Desenhar contigo é um projeto muito giro que ela desenvolve, onde usa o lápis como terapia com rapazes oncológicos.

Há uns meses recomecei a pintar. Optei pela técnica da aquarela e tentei ler livros sobre materiais e aquarelistas. Não demorei em descobrir que a aquarela é considerada a irmã pobre da pintura e que…mulheres nem vê-las nos livros. Visibilizar os rascunhos, a aquarela e as mulheres na ilustração…é, com certeza, um bom caminho.

No dia 10 de novembro estarão na Lila de Lilith para apresentar o livro que foi resultado desse intercâmbio. Eu vou!

 

Wos 2017

Hoje começa mais uma edição do Wos em Compostela. O Wos é um espaço de encontro de cultura alternativa com caráter anual. Cada ano reunem-se em Compostela pessoas do mundo da música, artes plásticas e cénicas.

Este ano temos na cidade a quarta edição e, como já fiz a minha própria navegação pelo programa, posso-vos dar a proposta lusópata. Espero que estejam prontos para começar:

  • HHY and The Macumbas chegam hoje do Porto para partilhar connosco o seu som entre vodu e dub. HHY é um instrumentista e produtor que unido aos The Macumbas cria um ritmo novo de percussão que agita qualquer corpo.

https://youtu.be/XzXYgrharhA

  • Amanhã vêm da aldeia do Fornelo, Portugal, os Sensible Soccers. Famosos pelos seus concertos e pela empatia com a empatia com o público, desde 2011 são considerados uma banda de culto.


Este trio faz sobretudo música instrumental, mas sem esquecer a experimentação com sintetizadores. Villa Soledade foi o seu último disco e primeiro sem o baixista Emanuel Botelho. O título do álbum remete para uma casa na estrada nacional que vai de Vila do Conde para Santo Tirso, dessas que uma pessoa vê e recorda por exóticas na construção. Mas o disco não vai sobre esta casa, obviamente. Relatam aqui, de uma maneira íntima, a relação que existe entre as pessoas e os ambientes, por vezes deprimentes e por vezes cheios de esperança.

https://youtu.be/ge23rj72wcQ

Apanhem os seus óculos de massa e deixem barba, que o Wos vai começar.

Caminhar sem fim

Compostela é essa cidade que as pessoas recordam por causa do Caminho. Entre peregrinos, lojas de souvenirs e ementas de polvo e churrasco, também há outro caminho: o dos encontros musicais. Narf era um músico que caminhava entre várias culturas e o Festival Feito a Man quer recordá-lo da melhor maneira: com um concerto tributo.

O dia 30 deste mês, às 21h, na Praça da Quintana, teremos oportunidade de ver aqueles artistas que colaboraram com o Narf durante anos: Timbila Muzimba, Xelís de Toro, Jim Sanders, Ze Rui, Coro Encaixe, Coro da Rá, Mofa e Befa, Manolo Cortés (Chévere), Luiz Caracol, As Marias (Maria Bouzas e Maria Pujalte), Carlos Santiago, Pepe Sendón, Quico Cadaval, Uxía, Jabier Muguruza, Alfonso Espiño, Pilo Sierra, Xabier Olite, Javier Abraldes, Pista 4, Manuel Paino, Piti Sanz, Ton Risco e Fran Sanz, entre outros.

Do ponto de vista lusopata não podem perder os Timbila Muzimba (de Moçambique) e o Luiz Caracol (de Portugal e de quem temos falado nestes últimos dias). Podem ver como foi o concerto de Narf com os Timbila neste vídeo, um exemplo ímpar de talento.

E cá com o Luiz Caracol:

As pontes que este homem tem criado durante anos são hoje motivo de celebração neste concerto tributo. Continuemos a caminhar juntos, porque aquelas pessoas que recordamos, essas…nunca morrem.

 

 

Haēma em Compostela

O Festival Feito a Man é mais do que um prémio de consolação para aquelas pessoas que ficam em Compostela no verão a aguentar a pressão do turismo. É uma oportunidade de colocar nas luzes da ribalta bandas que o grande público não conhece.

No marco deste festival andam as Haēma. Elas são uma dupla portuguesa que já nos acompanhou em março deste ano em Compostela.

Susana Nunes e Diana Cangueiro fazem uma investigação musical na procura da sinestesia. Uma lufada de ar fresco ou, se quiserem, de sangue fresco pois Haēma quer dizer isso em grego.

Amanhã às 13h30 na Borriquita de Belém poderemos ouvir letras em português do mais inspirador: mar, sereias, marinheiros e mulheres que esperam. Tudo à mistura com jazz e eletrónica.

https://youtu.be/VMzHuchBpCc

Compostela em festas

Em muitos países orientais ser impontual é uma coisa horrível. Eu também não gosto de pessoas que não chegam nas horas combinadas…pouco perdão tenho hoje. Queria há dias fazer um artigo sobre as festas em Compostela, mas umas férias improvisadas têm-me afastado do teclado por uns tempos.

Então, fiquem a saber que já não dá para eu falar de Selma Uamusse (Moçambique), Bixiga 70 (Brasil), Vânia Couto (Portugal) ou Celina da Piedade (Portugal). Andei nas nuvens…pelo menos ainda chego para vos dar três recomendações:

-dia 22, sábado, Maria Gadu (21h, Praça 8 de março). Quem não conhece o Shimbalaiê? Shimbalaiê é Maria Gadu. A cantora paulistana, criadora de grandes sucessos da MPB, virá a Compostela com um repertório de clássicos, mas também com o seu novo álbum no braço: Guelã.

-dia 24, segunda, The Gift (22h, Praça da Quintana). Necessitam qualquer apresentação? amamo-los e queremo-los sempre de volta. O grupo português com mais presença no mundo inteiro chega de Alcobaça à Quintana para fazer barulho e tocar teremim.

A máquina desta banda está bem azeitada e funciona muito bem. Altar é o seu novo trabalho e a verdade é que a canção Big Fish é dessas para dar pulinhos.

-dia 25, terça, Bifannah (22h, Praça da Quintana). Uma banda da Galiza sedeada em Londres com canções escritas na influência da poesia experimental portuguesa. Como não havia de falar deles? Maresia é o seu trabalho mais recente. Toques de psicodelia, atlantismo e tropicália.

Stone Dead em Compostela

Stone Dead é uma banda de Pisões, Montalegre. É dessas formações de dois amigos que começam a estudar música juntos, um bocado sem saber no que vai dar e no fim…o produto é bom. Uma bateria velha em casa do pai de um deles e muitos discos dos Sex Pistols depois serviram para defini-los como grupo.
Good Boys, o seu álbum, é todo um achado. “Um clássico instantâneo equilibrado com mestria entre garagem suada, estúdio onde se maquina inventiva arquitectura sónica e cabine onde se registam harmonias de voz bem afinadas”, segundo afirman no Cultura-Ipsilon.

Amanhã estarão no Hotel NH de Compostela, às 21h, no marco dos concertos Terrazeando.