Dear Telephone em Compostela

Hoje em Compostela, no Xardín de Julia, no marco dos concertos do programa Terrazeando teremos a oportunidade de ouvir a banda portuguesa Dear Telephone.

Os Dear Telephone vêm de Barcelos com o seu novo disco, Cut (2017) para darem o seu melhor. Formados em 2010, a banda conta com a Graciela Coelho, André Simão, Ricardo Cibrão e Pedro Oliveira. O seu nome vem da curta-metragem de Peter Greenaway “Dear Phone” de 1976.

Tocaram já em Salas como o Theatro Circo, o Hard Club ou mesmo em festivais do reconecimento do Optimus ou Milhões de Festa. Despois de Birth of a robot (2011) estão agora de gira com Cut.

Dream pop , rock experimental, eletrónico minimalista…e saxofone. Eu não saberia que etiqueta colocar. Vão lá e vejam! Hoje…às 21h!

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Teresa Salgueiro no Nexos

Eu não sou uma influencer. O tema do meu blogue não é tão maioritário como para eu ter milhares de fãs que me leiam e tentem seguir as minhas indicações. Quem me dera a mim criar modas!

Suponho que os e as influencers medem o seu sucesso com o número de followers. Eu sou obrigada a contar as pequenas vitórias doutra maneira.

Um dos meus momentos estrela no Twitter foi há pouco, no ano passado, quando a Teresa Salgueiro retwittou uma notícia minha. Logo disso…vieram coisas que ninguém lê e tweets aborrecidos, mas, olhem…já consegui um bocadinho de atenção por parte de alguém talentoso.

A Teresa volta à Galiza no marco do ciclo Nexos que decorre em Compostela, na Cidade da Cultura, este sábado às 12h. Se no ano anterior foram abordados temas arquitetónicos, esta será a vez da música.

Sam the Kid, na sua canção Poetas de Karaoke, faz algumas críticas à visão que o pessoal tem sobre a música portuguesa dentro do próprio país. Concordo com ele, até acrescentaria à sua opinião a ideia completamente vaga que nós temos sobre o que lá é produzido musicalmente. O país vizinho é mais do que fado e rancho folclórico e isto é uma teima constante no meu blogue, já sabem. Neste ciclo Nexos falar-se-á sobre fado, nova canção portuguesa, jazz, worldmusic…enfim, o vasto panorama musical que Portugal oferece. Tomemos como exemplo os Madredeus, a antiga banda da Teresa Salgueiro, faziam worldmusic em português e acho que são um dos grupos que mais têm repercutido internacionalmente nos últimos anos.

Dentro do programa do Nexos está agendada às 12h uma entrevista sobre estes temas com a cantora e às 13h há um concerto “surpresa”. Adivinhem só…

Se tiverem crianças podem ir com elas porque o ciclo propõe uma versão infantil com pequenos ateliês para os miúdos.

Apenas vou dizer duas coisas: preparem os 3 euros para o bilhete e…faz-me retweet, Teresa!

 

 

 

13MICE

Logo MICE

Entre os dias 4 e 8 do corrente mês decorre na cidade de Compostela a Mostra Internacional de Cinema Etnográfico (MICE), que já vai pela edição número 13. A quantidade de filmes e o programa também foram crescendo com o tempo, então temos vários lugares de projeção: Museu do Povo Galego, Teatro Principal e Sala Numax.

Na minha já costumeira análise de programas, selecionei aquelas obras com interesse lusopata.

No dia 5, na sala Numax, às 20h temos a visualização de Trás-os-montes, filme realizado por António Reis e Margarida Cordeiro na década de 70. Esta fita é fundamental no cinema português porque influenciou autores posteriores como o internacional Pedro Costa.

Trás-os-montes é um documentário ficcionado sobre a região homónima portuguesa. É uma das obras mais representativas do movimento do Novo Cinema e uma das primeiras docuficções portuguesas. São descritos no filme o folclore, a paisagem e a identidade desse cantinho geográfico, que remontam às raízes históricas ancestrais da tradição galaico-portuguesa.

Há pouco tempo que as pessoas têm acesso ao filme depois dos anos 70, porque esteve em restauro na Cinemateca Portuguesa do Museu do Cinema.

Se quiserem ver esta joia do cinema, têm de se despachar. A projeção tem entrada de graça até completar a lotação, mas os bilhetes têm de ser reservados exclusivamente na Numax e de maneira presencial a partir do dia 2.

No dia 6, dentro do conjunto de filmes que vão ser exibidos e vão a concurso, há uma coprodução galego-portuguesa: Palmira.

diana-goncalves

A autora da obra é a Diana Gonçalves, a alma mater do conceituado Mulheres da raia. A cineasta volta com uma peça com marcado protagonismo feminino como na sua fita anterior. Ela tinha a ideia de gravar durante quatro anos a Palmira, vizinha de Caldelas de Tui e conhecida até 2011 como a “avó da Galiza” pela sua longevidade. Mas a Palmira morreu no terceiro ano de gravação aos 108 anos e isto foi um grande desafio de montagem.

Palmira conta a vida desta mulher centenária longe das entrevistas televisivas. “Um corpo cansado, mas resistente”.

No Teatro Principal, às 20h30.

No dia 7 temos dois filmes a concurso, um brasileiro e uma coprodução Bélgica/Brasil. Comecemos por este último: We must be dreaming, de David Bert Joris Dher.

Fala dos caminhos e estradas que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de Rio 2016 abriram no Brasil. O que significou para os moradores da cidade? Três anos e três histórias em busca de sonhos, vitórias e fair play.

No Museu do Povo Galego às 19h30.

O outro dos filmes é Deixa na Régua, realizado no Brasil pelo Emílio Domingos.

“Um corte de cabelo estiloso pode representar muita coisa. O dia a dia movimentado das barbearias da zona norte é retratado com leveza e graça, a partir de depoimentos dos jovens que as frequentam. Nas mãos dos babeiros Belo, Deivão e Edi, eles vão mostrar como esses estabelecimentos se tornam um espaço de sociabilidade e de debate sobre diversos assuntos.” O cabelo é neste caso uma construção narrativa, cada pessoa que vai ao barbeiro cria o seu discurso. Com efeito, podemos produzir cultura numa visita ao salão de beleza.

Marcaram já no Google Calendar?

SELIC 2018

A Semana do Livro de Compostela não foi sol de pouca dura, veio para ficar e esta é a sua segunda edição. Desde o dia 1 de junho até ao dia 10 poderão estar em contacto com livrarias e editoras do país além de usufruir de um amplo programa de atividades.

Este ano a cidade convidada é a Póvoa de Varzim. O seu festival literário “Correntes d’escritas” acho que é hoje um referente e está na hora de que se conheça mais na Galiza. A propósito disto, no dia 3 de junho às 12h30, no exterior da carpa, há dança tradicional poveira, as chamadas “rusgas”. Nesse mesmo dia às 18h30 a escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso falará com o público galego.

Dulce Maria Cardoso foi escolhida para partilhar com o público o processo criativo que a leva a fazer da sua biografia uma experiência literária. Ela nasceu em Trás-os-Montes no ano 1964 e passou a sua infância em Angola. Regressou depois da descolonização.

No ano 2001 publicou a sua primeira obra, Campo de Sangue, seguiram-se outros romances como: Os meus sentimentos, O chão dos pardais, O retorno…

Algumas das suas obras foram adaptadas como roteiro de cinema e muitos dos seus livros são objeto de estudo em universidades do mundo todo.

No dia 4, às 19h30 temos as “Correntes de conversa”, uma conversa sobre o “Correntes d’escritas” entre Manuela Ribeiro, organizadora do festival, e Carlos Quiroga, professor de literaturas lusófonas na USC.

No dia 5, às 20h. “Um guitarrista português e um poeta”, poesia musicada por Aurelio Costa e Carlos Costa.

Durante toda a semana do livro, poderão também encontrar a banca da Através editora e dar uma olhada às suas últimas publicações. Deem um passeio pela carpa!

Electra

São bons tempos para tragédias das boas. A Companhia do Chapitô trazia o seu Édipo a Ferrol em 2016 e agora voltam com outra peça trágica, Electra.  Sófocles, Eurípides e Ésquilo já deram a sua própria visão da filha da Clitemnestra e Agamemnon e os do Chapitô continuarão a alargar o mito, mas com um toque particular: em chave de comédia hilariante.

Durante a guerra de Tróia, o rei Agamemnon tenta libertar a Helena do seu cativério. As condições marítimas não eram assim muito favoráveis e pediu ajuda aos deuses. Foi-lhe dito que sacrificasse a sua filha mais nova, Ifigénia, para conseguir bons ventos. O sacrifício da menina causa a ira da Clitemnestra, que junto do seu amante, Egisto, planeja uma vingança.

Ao voltar o Agamemnon da guerra é morto pela Clitemnestra e o Egisto. A Electra, menina dos olhos do pai, quererá também vingar-se, por sua vez (recordem que não há uma verdadeira tragédia grega sem jorros de sangue). Electra e o seu irmão, Orestes, consumarão a vingança.

No dia 25, às 20h30 no Teatro Principal de Compostela poderemos ver se isto é que se trata de uma visão mais do Ésquilo ou do Eurípides.

 

O’questrada em Compostela

No marco das picheleiras festas da Ascensão, teremos o som popular e de tasca com a banda O’questrada.

Como é já costume, nas festas de Compostela há sempre uma recordação para bandas portuguesas ou lusófonas no programa. Desta feita estão programados os O’questrada e tocarão com Caxade na Quintana às 22h no dia 10, coisas das regras mnemónicas.

Os de Almada vão pôr a malta a mexer!

Adriana Calcanhotto em Compostela

Adriana Calcanhotto não precisa de ser apresentada. Talvez seja uma das artistas mais versáteis dentro da música brasileira. Além disso, não sei se sabem, atualmente está a dar aulas sobre “como escrever canções” na Universidade de Coimbra, pois ela é uma das embaixadoras desta entidade.

A descoberta de como escrever canções continua até 7 de maio mas, pelo meio… teremos um concerto único na Galiza, em Compostela.

Um conceito inspirado na “Mulher do Pau-Brasil”, movimento modernista brasileiro dos anos 20, com o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, a sua influência no Tropicalismo e toda a informação que chegava de fora do país a ser reinventada nos termos locais. A descolonização mental e cultural do Brasil foi resolvida assim, muito inteligentemente, em termos de antropofagia. O Brasil é uma nação capaz de apanhar produtos culturais europeus e “comé-los”, abrasileirá-los, fazer uma versão própria. Nós, muito pelo contrário, na Galiza resolvemos ser sempre comidos…

Deixo-vos o manifesto antropófago por se quiserem dar uma vista de olhos, porque é verdadeiramente interessante. Nele aparece o desenho do Abaporu, de Tarsila do Amaral, uma pintora que bem vale uns minutos de leitura sobre ela.

Podem ver o vídeo dela a recitar o manifesto em:

Amanhã em Compostela às 20h30 no auditório da Galiza.

Concerto comemorativo 25 abril

Numa data tão destacada também comemoramos em Compostela os 20 anos da presença de leitores do Brasil na USC. Hoje haverá um concerto de música de câmara brasileira e portuguesa com a Orquestra Clássica de Vigo no paraninfo da Faculdade de Geografia e História da USC às 20h30.

O concerto terá peças do brasileiro Heitor Villalobos  e do português Sérgio Azevedo. Contará também com os intérpretes: Aurora Canabal López (Flauta), João Pedro da Gama Valinho (Clarinete), Belén Carril Miguéns (Fagote) e Beatriz Costa Pereira Facão Freire (Oboé).

Montes de coisas para fazer hoje em Compostela!

 

 

 

Marco Neves na EOI de Compostela

O blogue Certas Palavras é para mim um referente dentro da internet. O seu autor, Marco Neves, é dessas poucas pessoas que entendem o caso galego à perfeição, do meu ponto de vista.

Hoje estará na EOI de Compostela para falar dos Doze segredos da Língua Portuguesa, um livro que desmistifica muitas coisas à volta do português. Não, a palavra Saudade não é impossível de traduzir, e sim, todos os portugueses e portuguesas têm sotaque.

Querem ter outra visão sobre a língua? Não percam esta palestra com o Marco Neves às 19h.

 

 

Galiza com o 25 de abril

Não podia ser doutra maneira. A Associação José Afonso – Galiza organiza um programa de atividades muito completo para comemorar o 25 de abril.

Desde ontem até o dia 28 do corrente mês vamos ter eventos para poder aprender e ter mais conhecimento sobre a cultura portuguesa e o seu episódio mais destacado.

Hoje, na Faculdade de Geografia e História de Compostela, na sala 10 às 19h30, temos a palestra “Os dias da liberdade”, com Camilo Mortágua, capitão de abril, e Margarita Ledo, que na altura viveu exiliada em Portugal.

Amanhã, no feriado mesmo, inicia-se uma exposição de cartazes sobre a revolução no Auditório Municipal de Rianjo e em Compostela, às 21h, sairá da Praça de Cervantes um bloco a cantar o Grândola. Aquelas pessoas que quiserem podem unir-se.

No dia 28 haverá um concerto de graça (“Abril sempre”) às 19 na Praça de Cervantes com José Manuel Esse Trio e Manuel Teixeira & António Rosa.

Vão perder?