Estamos de aniversário!

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Haēma em Compostela

O Festival Feito a Man é mais do que um prémio de consolação para aquelas pessoas que ficam em Compostela no verão a aguentar a pressão do turismo. É uma oportunidade de colocar nas luzes da ribalta bandas que o grande público não conhece.

No marco deste festival andam as Haēma. Elas são uma dupla portuguesa que já nos acompanhou em março deste ano em Compostela.

Susana Nunes e Diana Cangueiro fazem uma investigação musical na procura da sinestesia. Uma lufada de ar fresco ou, se quiserem, de sangue fresco pois Haēma quer dizer isso em grego.

Amanhã às 13h30 na Borriquita de Belém poderemos ouvir letras em português do mais inspirador: mar, sereias, marinheiros e mulheres que esperam. Tudo à mistura com jazz e eletrónica.

https://youtu.be/VMzHuchBpCc

Rodrigo Leão na Corunha

Amanhã chega à Corunha um dos grandes vultos da música portuguesa. Integrante de duas das bandas com mais repercussão internacional: Madredeus e Sétima Legião.

Rodrigo Leão é desses homens que criam autênticos hinos e é por isso que foi capaz de reunir tantos prémios.

Ele é um músico completo, criador de um estilo inconfundível. Explora a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicionais, por isso ir a um concerto dele é quase ouvir uma sinfonia de sintetizadores.

Amanhã o lisboeta vai estar no Teatro Colón da Corunha, no marco do Festival do Noroeste, acompanhado de Ana Vieira na voz. Vai tocar temas essencialmente compostos para a voz desta cantora, em língua portuguesa maioritariamente, mas também em inglês, francês e espanhol.

Deixo-vos com Vida Tão Estranha, que é uma das suas mais belas obras.https://youtu.be/joKcK4D6PGo

Gabriel Schwartz na Arca da Noe

gabrielE depois da apresentação de “A música portuguesa a gostar dela própria”, a atividade na Arca da Noe não termina.

Gabriel Schwartz vai tocar na taberna cultural de Vilar de Santos. Ele é um músico de Curitiba, para além de instrumentista, cantor, compositor e arranjador. Podemos dizer que tem uma vida focada na interpretação da música popular brasileira nas suas mais variadas modalidades.

Hoje podem vê-lo em ação às 22h.

A música portuguesa a gostar dela própria

Amanhã às 20h chega a Vilar de Santos, à Arca da Noe,  A música portuguesa a gostar dela própria.

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Aquelas pessoas que me conhecem bem sabem que sou uma pessoa que aborrece a música tradicional mesmo. Mas “A música portuguesa a gostar dela própria” vai mais além da tradição. Antes de mais, temos que dizer que o nome é já uma intencionalidade expressa, o projeto nasce com o intuito de valorizar aquelas formas de património vivo: as cantigas, os romances, os desafios…Aí já não há gosto ou não gosto pela minha parte, aí há um trabalho de anos que é necessário reconhecer.

Desde 2011 o realizador Tiago Pereira tem recolhido estas manifestações populares por todo o país vizinho. Acabei mesmo de entrar na página do Facebook deles e li agora uma afirmação que me fez muito feliz, por uma coisa que vos explicarei mais logo: “é urgente documentar, gravar e reutilizar fragmentos da memória de um povo“. O projeto já ultrapassou fronteiras, hoje estão em Vilar de Santos a gravar, portanto, quando falamos de “um povo” falamos de “um povo” maior do que os seus limites administrativos. E quem quiser ver, que veja.

Adelina da Límia, maravilha.

Todo este acervo cultural é material para o programa “O povo que ainda canta” que o Tiago dirige na Antena 1.

Amanhã às 20h podem então com este realizador, que vai apresentar o projeto na nossa taberna preferida.

 

Deolinda e Miguel Araújo Na raiz

O ciclo de músicas Na raiz traz a Ferrol o melhor da cena lusa: Miguel Araújo e Deolinda.

Miguel Araújo inaugura o evento amanhã com o primeiro concerto dos quatro que haverá no teatro Jofre.

Miguel Araújo é um dos artistas mais cotados do panorama atual da música lusa. Encontra-se há vários anos ligado à música, sendo conhecido por integrar o grupo Os Azeitonas.

Em maio de 2012, lançou o seu primeiro álbum a solo, Cinco dias e meio. Este álbum conta com sucessos como “Os Maridos das Outras”, título do primeiro single do álbum. É uma música que  fala de como a fruta do quintal do lado parece sempre mais saborosa, por assim dizer biblicamente. É uma canção com grandes toques de humor que brinca com alguns lugares comuns sobre os casamentos.

O sucessor de Cinco Dias e Meio saiu no dia 21 de abril de 2014 e tem como nome Crónicas da Cidade Grande. É um cd composto por cantigas mais simples, mas também há algumas que fazem parte dos grandes sucessos das rádio-fórmulas atuais como “Romaria das festas de Santa Eufémia” ou “Balada astral”

Depois do concerto dele teremos que esperar até novembro para ver os Deolinda. No dia 11 já poderemos dançar ao ritmo de “A velha e o dj”.

 

Pedro Costa em Numax

A sala Numax dedica o mês de setembro ao cineasta português Pedro Costa. O realizador vem para apresentar o seu novo filme, Cavalo Dinheiro, e dar umas aulas no projeto Olhos Verdes e no Numax decidiram juntar o útil ao agradável e fazer um ciclo em volta dele: O Foco Pedro Costa.

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O Foco Pedro Costa é composto pela estreia de Cavalo Dinheiro e  três cópias revistas das seguintes fitas :

-Amanhã, às 21h30h: Casa de lava. Este filme é a primeira aproximação do Pedro Costa à comunidade cabo-verdiana de Lisboa. Conta a história de uma enfermeira que cuida um homem, Leão, que teve um acidente. Leão é deportado e isto faz com que a protagonista comece a questionar muitas coisas da sua própria vida.

-Quarta, às 21h30: No quarto da Vanda. Este foi o filme que fez espoletar internacionalmente a carreira do cineasta. Vanda Duarte vive nas Fontainhas, um dos bairros mais degradados e empobrecidos de Lisboa, onde impera o tráfico de drogas.

-Quinta, às 19h30: Juventude em Marcha. Ventura é um operário reformado de origem cabo-verdiana que vive na periferia de Lisboa. Recentemente abandonado pela sua mulher passa o tempo a deambular entre a casa onde morou 34 anos e o seu novo apartamento.

-Sexta e sábado, às 20h: Cavalo Dinheiro. Novamente temos a figura de Ventura como protagonista. Nos longos e silenciosos corredores de um hospital, avança a figura trémula de Ventura, possuído por um sono febril. Lembra o seu Cabo Verde natal, que abandonou na sua juventude para se ganhar a vida em Lisboa, onde, ao igual que os seus, viveu sempre na margem.

Vitalina, que viajou a Portugal para ir ao funeral do seu esposo. Numa conversa com o Ventura recorda um episódio da vida dele e a mente do cabo-verdiano começa quase que a viajar no tempo.

-Sábado, às 11h30. O realizador dará umas aulas no marco do projeto Olhos Verdes onde fará um percurso por toda a sua trajetória artística.

A não perder!

 

 

 

 

10.000 russos em Compostela

Não, isto não é uma invasão de sovietes. Por vezes parece que o universo liga as coisas do meu passado mais imediato. Há pouco tempo estava a falar da Rússia e agora…

O sugestivo nome de “10.00o russos” pertence a uma banda portuense de rock psicadélico. Coisas da criação de nomes mediante a técnica do cadáver esquisito.

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O batalhão de 10.000 russos é realmente formado por duas pessoas: Pedro Pestana, na guitarra, e João Pimenta, voz. Segundo os próprios membros da banda, 10.000 russos é “o equivalente sonoro a uma aldeia do centro da Europa que é atacada por Hunos”. A coisa não podia ser mais vintage, porque o projeto nasceu com uma cassette com 4 temas gravados. Sim, cassette, o universo hipster é mesmo assim: “O CD está completamente morto e o vinil era demasiado caro para uma edição pequena. Optámos pela cassete, porque nos remete para um lado DIY [do-it-yourself]”.

Suponho que a austeridade, o cinema e os ares de Leste são algumas das influências desta experiência musical eclética. Deixo-vos com esta canção. Escolhi-a porque no título aparece a palavra Spartak e foi impossível não me lembrar do meu adorado Moscovo.

Amanhã, dia 17, no Bar Embora às 21h. Não percam, tovarish!

 

 

Palavras russas no português

Poucas vezes saio do meu mundo, mas das vezes que consegui e tive vontade (estas duas condições nem sempre apareceram juntas) faço um artigo sobre língua X e português.

Este verão vou de férias à Rússia e decidi investigar um bocado. Quis ver quais eram as palavras russas que eu conhecia, ou por melhor dizer, dar um explicação dessas palavras russas que estão na nossa língua.

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balalaika: o instrumento é um símbolo nacional russo. A forma e o som pode fazer-nos lembrar um banjo, mas a balalaika tem uma caixa triangular.balalaika_prima_deluxe_variegated_1

Deixo aqui uma ligação de uma das minhas bandas portuguesas de preferência, Anaquim. Balalaikas é o nome da música!

bistrô: Ok, vão dizer, não é russo, é francês!. Eu sou uma bon vivant e sei muita coisa de restaurantes e de comer bem. 

Bistrô é um restaurante pequenino, de poucas mesas, singelinho e confortável. A palavra tem uma origem um bocado obscura. Vou-vos dar a versão que diz que vem do russo, a propósito deste artigo.

Há quem diga que os militares russos, ao invadirem Paris, exclamavam “bistrô! bistrô!” ao atacarem os cafés da capital francesa; isto é pela presença do termo ‘bystro’, que tem o sentido de ‘rápido, rápido’, no russo.

-blini: ora bem, não sei se esta palavra é dessas típicas que toda a gente conhece, eu tentei fazer uma vez este prato…e tive pouco sucesso ou nenhum, por isso o termo ficou gravado no meu cérebro. Alegadamente o processo de preparação não tem muita dificuldade, mas eu sou um pé de chumbo na cozinha. A língua russa possui uma expressão “fazer como blini”, que na Galiza poderíamos traduzir como “fazer cestos”:  fazer algo rápido e em grandes quantidades.Blini4-small2

Blinis são como crepes, ou talvez sejam mais parecidos com as “filhoas” galegas. O prato é muito antigo, era já cozinhado em território russo mesmo antes da chegada do cristianismo.Nesse período pagão cheio de simbolismo, os blinis com a sua forma redondinha representavam o sol e estavam na mesa em muitos rituais. Recorda-vos isto a alguma coisa cristã? Estes crepes são imprescindíveis na festa de Maslennitsa, que marca o fim do inverno e a memória dos recém-falecidos membros das famílias russas, uma coisa assim como os nossos Defuntos.

bolchevique: estudei COU e passei logo a conhecer a palavra, planos de estudos antigos criavam intelectuais, amigas. Saudades!

Aquelas pessoas que pertenciam ao Partido Comunista, partido único na União Soviética, eram chamadas de bolcheviques. Num dos assuntos que o partido discutia, o grupo liderado pelo Lenine atingiu a maioria de votos e a palavra foi assim usada para se referir a todos os aliados do futuro líder soviético. Aos poucos, “bolchevique” foi usado como sinónimo de “maioria” e “menchevique” como sinónimo de minoria.

Nos primeiros tempos do bolchevismo, em Portugal não era usado o termo Bolchevique e estas pessoas recebiam no nome de maximalistas.

-gulag: é a abreviação para “Diretoria Geral de Campos de Prisoneiros”, criada na década de 1930. Criminosos e presos políticos cumpriam uma mesma “condenação”: realizarem trabalhos duríssimos. De facto, o termo passou a usar-se como sinónimo de repressão política ou pena de morte.

-kalachnikov: criada por Mikhail Kaláchnikov quando tinha 20 anos de idade, é uma das armas mais famosas do mundo. A sua designação oficial é  AK-47.

Esta é uma das palavras que oxalá não se tivessem inventado nunca.

-matriochka: quem não conhece estas bonecas? quantas vezes nos serviram para fazer um símile! Realmente, esta é a primeira imagem que me vem à cabeça quando penso na Rússia.

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O mecanismo destas bonequinhas é muito conhecido e acho que todos e todas em crianças tivemos um brinquedo parecido. Eu tinha uns cubos que dentro tinham outros cubos…também tive um hipopótamo assim. Tempo depois, alguém me comprou uma Matriona. Na verdade, a boneca chama-se assim, Matriochka é só o seu diminutivo.

O número de figuras que se conseguem encaixar é, geralmente, de 6 ou 7, ainda que existam algumas com um número impressionante de peças.

A sua forma é simples, os membros são pintados. De facto, a sofisticação das matriochkas reside no virtuosismo de quem pinta.

O design pode ir do mais folkie dos vestidos das mulheres russas até este exemplo dos grandes líderes. Engraçado, pois não?

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A origem da boneca está noutro país que adoro: o Japão. No século XIX chegaram à Rússia uns brinquedos desmontáveis japoneses que foram a “semente” para a criação destas bonecas.

-pogrom: vamos com um pouco de Filologia. A palavra provém do verbo gromít que significa “destruir, liquidar”, e disto derivou o significado atual: uma ação de extermínio contra um grupo concreto de pessoas: assaltos, destruição de casas, empresas, edifícios de culto religioso. Os pogrom mais populares foram contra os judeus, mas hoje, infelizmente, acho que todos e todas temos na cabeça infinitos exemplos atuais.

sputnik: Cada vez que ouço esta palavra, penso num dos meus filmes favoritos, Adeus, Lenine! e da corrida aeroespacial. O termo significava literalmente “companheiro de viagem”, mas depois de a URSS ter lançado o primeiro satélite, foi adquirindo outro valor semântico tal e como o conhecemos hoje.

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Jornal russo fala do lançamento do Sputnik

-tróika/tróica: é uma carruagem ou grande trenó russo, puxado por três cavalos. Apareceu na Rússia em meados do século XVIII, para ajudar no serviço postal e atravessar longas distâncias.

Hoje o uso desta palavra é um bocado uma alegoria. Usamos tróica para nos referir a um conjunto de três pessoas ou entidades com uma finalidade política. A palavra era usada para designar alianças dos líderes na União Soviética: os três supremos chefes dos estados comunistas, o chefe de estado, o chefe de governo e o líder do partido.

Na Europa atual esta união é formada pelo  Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia. É uma forma moderna de triunvirato.

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Que se lixe a tróika! Queremos as nossas vidas! é um movimento social português que nasceu em 2012 contra as medidas económicas do governo português. Convocaram uma manifestação que levou um milhão de pessoas às ruas, em várias cidades portuguesas, e em Lisboa foram mais 500 mil pessoas num protesto nacional contra as medidas de austeridade. Este movimento foi a inspiração para o dos Indignados em Espanha.

E o povo, pá? de Homens da Luta, o Grândola do Zeca, ou Que Parva que eu sou dos Deolinda foram o hino de muitas pessoas durante as manifestações.

tsar, csar ou tzar: outra dessas palavras do COU. Ai, COU, quanto me deste!. Nesse ano estudei coisas deste império que agora começo a lembrar graças à minha viagem.

Tsar é uma versão reduzida da palavra latina caeser, introduzida ao vocabulário popular em 1547 por Ivan, o Terrível. É o título oficial do monarca russo.

Rússia é um país de dinastias. No período entre 1613 e 1917, quem governava eram os Roamnov. O primeiro tsar desta família foi Mikhail Fiódorovitch e o  último Nikolai II, que abdicou do trono em 1917 a favor do seu irmão mais novo Mikhail, que, mesmo seguindo o exemplo do Nikolai e recusando-se a ser o próximo monarca, é formalmente considerado o último tsar russo.

Os Romanov têm aquela coisa charmosa e misteriosa.

O íman das lendas urbanas é forte e acho que todos e todas alguma vez colocamos alguma hipótese sobre o que deveu de ter acontecido com a princesa Anastásia.

vodca/vodka:a vodca é uma popular bebida destilada russa que surgiu no século XV. É a bebida nacional, sem dúvida nenhuma.

O nome vodca é o diminutivo de água (“aguinha“) em várias línguas eslavas, mas não há muito consenso quanto à origem etimológica disto, pode ser um acaso, um caso de homonímia.

vodka

A vodca é um destilado obtido a partir de arroz, cevada, milho, trigo, centeio, ervas, figos ou batatas, fermentados. Cada”ingrediente base” dá à bebida um sabor e qualidade diferentes. A fórmula também varia em cada região, como acontece com o nosso licor café. Popularmente, a vodca tem 40% de teor alcoólico, mas a sua graduação pode variar entre os 35 e os 60%.

 

Agora é a minha vez de aprender palavras novas. Adeus, Galiza! до свидания , Галисия, do svidaniya , Galisiya