O melhor do festival de curtas de Vila do Conde

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O melhor do Festival de curtas de Vila do Conde do ano passado chegará a Vigo na próxima semana. No dia 4 às 20h teremos a oportunidade de ver seis curtas premiadas no Centro Cultural Camões.

Posso dar-vos informações sobre algumas delas graças a algumas pesquisas da net:

  • Madness, João Viana. Fita ganhadora na categoria de documentário. Trata-se de uma curta-metragem a preto e branco que conta a história de uma jovem mulher, uma paciente de um hospital psiquiátrico em Moçambique, que está na procura do filho. A mentira de um trabalhador, que afirma não ter visto a criança, numa das poucas linhas do filme é que desencadeia uma série de atos de rebelião de Lucy, a mãe, reforçando assim a aparente necessidade de mantê-la confinada.
  • Fry Day, Laura Moss. Ganhadora na categoria de ficção. Conta a história de uma adolescente dos EUA que vende fotos Polaroid na véspera da execução do serial killer Ted Bundy. Com esse evento macabro como pano de fundo, a realizadora cria, segundo a crítica, “uma aventura de amadurecimento muito tensa, tristemente triste”.
  • Min Borda (The burden), Niki Linddroth. Foi o prémio do público em 2017. Andei a procurar e verdadeiramente confesso que gostei muito do visual. É um musical sombrio encenado num mercado moderno, situado ao lado de uma grande rodovia. Os funcionários dos vários espaços comerciais lidam com o tédio e com a ansiedade existencial ao realizar alegres giros musicais. O apocalipse é um libertador tentador.
  • A brief history of Princess X, Gabriel Abrantes. Vi esta curta no ano passado (ou há dois?) no Curtociruito. Recomendo vivamente. É dessas cenas inquietantes e que fazem refletir sobre a arte. Um olhar sobre a história da “Princesa X”, um falo futurista dourado de Brâncusi, esculpido em bronze, que é na verdade um busto da sobrinha-neta de Napoleão, Marie Bonaparte. Parece mentira, mas não é.
  • A glória de fazer cinema em Portugal, Manuel Mozos. Um filme produzido propriamente pela produtora do festival. É, por assim dizer, uma homenagem aos realizadores e profissionais da sétima arte que passaram, nos últimos anos, pelo festival.

Vamos fazer de Vigo uma cidade das luzes, das luzes da cultura, não do Natal!

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José Aníbal Beirão na Arca da Noe

A nova travessia da Arca da Noe em Vilar de Santos vem carregada de notícias lusopatas. Comecemos pelo concerto de hoje, mas não se esqueçam de conferir no nosso blogue os próximos posts em avanço para estarem a par de tudo.

José Aníbal Beirão, músico português, dá hoje um concerto lá. Tripeiro de gema, é contrabaixista e também compositor. Fez parte de formações como Palankalama ou Les Saint Armand a tocar contrabaixo, mas ao longo do tempo desenvolveu também o talento como cantautor.

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O seu primeiro disco, Baiumbadaiumbe, é quase um trabalho de patchwork, porque compila canções que ele foi compondo em momentos diferentes da sua vida: quando tocava no Pato Sentido, gravações que ele fez em casa e canções fundamentadas no contrabaixo e voz.

E como sempre me dizem que anuncio muitas bandas portuguesas que cantam em inglês…fiquem descansados e descansadas: as letras são na nossa língua, com toques de tropicalismo e jazz experimental.

Hoje às 22h30.

São João

Chega a minha noite mais esperada!

Fagulhas, pontas de agulhas
Brilham estrelas de São João…

Preparei uma aromática nuvem de tags com forma de fogueira com algum vocabulário sobre a festa. Podem ver as palavras e dizer se acham que falta alguma coisa.

De onde nos leem? como é que se festeja esta noite nos vossos países? Na Galiza é imprescindível saberem estas palavras.

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Querem aprender mais sobre ervas de cheiro? Vejam o vídeo de Mão Verde (Capicua & Pedro Geraldes). É tão lindo!

Primavera do cine em Vigo

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Amanhã começa o Festival Primavera do Cine em Vigo e o Centro Cultural Camões acolherá uma mostra de curtas lusófonas durante estes dias. No Auditório Municipal de Vigo temos duas longas, uma delas Cartas da guerra, que eu recomendo vivamente pela sua relação com a literatura.

Infelizmente, soube neste momento que houve há dias uma mostra prévia de cinema brasileiro…já não chegamos. De qualquer maneira, coloco cá o programa por se estiverem interessados/as noutras atividades.
Debruço-me sobre as informações e confesso que não está fácil escrever este artigo. Há tantos filmes de que vos tenho que falar que nem sei por onde começar! Pronto, como todas as coisas… inventarei um princípio, mesmo que seja caótico.

  • curtas:

O forasteiro, Diogo Cronemberger. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É a história de Carraimundo, que, no sertão do Piauí, Brasil, luta contra o obsessivo mundo cíclico da violência em que está preso.

Flores, Vado Vergara e Henrique Bruch. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É uma curta produzida por alunos/as e diplomados/as do curso de Produção Audiovisual (Teccine), da Escola de Comunicação, Artes e Design, está a marcar presença em festivais internacionais. A curta aborda o crescimento de grandes centros urbanos e mercado imobiliário enquanto pessoas são despejadas destes espaços que estavam ociosos e acompanha o dia de dois jovens que buscam compreender a relação afetiva que os une. Um deles, artista visual, partilha a casa ocupada com uma mulher trans de 70 anos viciada em drogas e busca a realização profissional noutra cidade.

Deusa, Bruna Callegari. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Deusa trabalha como funcionária cobrando impostos na ilha onde mora. Habituada a ver o movimento dos viajantes, nunca tinha pensado na sua própria vida até que uma baleia encalha na praia. Deusa observa a baleia e acha nisto uma metáfora de si mesma.

Em algum lugar, amanhã, André Siqueira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um encontro entre dois estranhos e as fantasias ocultas que os permeiam. Ela, uma mulher infeliz no casamento. Ele, o dono de uma alfarrabista, um homem sensível e poético. A curta retrata a relação de pessoas que mal se conhecem, mas que, inexplicavelmente, se sentem subitamente atraídos um pelo outro. Um filme que fala sobre as escolhas que fazemos a cada momento e como elas podem influenciar nossa vida para sempre.

O menino e o louco, Júlia Ferreira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um menino viaja e reencontra-se com duas amigas gémeas. Começa a visitar a casa delas para tentar protegê-las do seu pai doido.

Vidas cinzas, Leonardo Martinelli. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. Trata-se de um falso documentário que denuncia a atual crise no Brasil.

Mãe querida, João Silva Santos. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Matilda é uma adolescente assombrada pela morte do pai e maltratada pela sua mãe alcoólica, Susana. Um dia, decide pedir ajuda a uma bruxa.
Esta curta tem o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017.

A gente nasce só de mãe, Caru Roelis. (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Emilly, uma rapariga de 17 anos vive num bairro na periferia com dois irmãos mais novos e o filho recém-nascido. O filme segue algumas horas na vida da jovem, mostrando-nos as delicadas e complexas relações de família e de poder que atravessam o quotidiano da jovem, cuja vida é devastada por uma tragédia que se aproxima.

Katharsis, Mirela Kruel (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Abatida pela amnésia, Clarice entra num teatro para fazer um teste. Hermes, diretor da peça, ldiz-lhe que é preciso mais do que atuação para interpretar tal papel. Na visão dele, ela precisa sentir que é a personagem. Confundindo a ficção que a atriz pensa estar a viver no palco, ela começa a se lembrar de fragmentos da sua própria história.

O vestido de Myriam, Lucas H. Rossi. (Brasil) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Em meio a uma casa pacata no interior rural do estado do Rio de Janeiro, um casal de idosos convive com as limitações da velhice. Divaldo compartilha a sua solidão com Myriam. Ela morre durante o sono. Após o enterro, ele manifesta o luto de forma peculiar.

  • curtas de animação:

Estilhaços, José Miguel Ribeiro. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um filme sobre a forma como a Guerra se instala no corpo das pessoas que a vivem olhos nos olhos. E, depois, a milhares de quilómetros e dezenas de anos decorridos, contamina, como um vírus, outros seres humanos.

Água mole, Laura Gonçalves e Ale­xan­dra Rami­res. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Os últimos moradores de uma aldeia resistem-se a serem esquecidos. O progresso avança…conseguirão ficar na aldeia? Água mole em pedra dura…

Solito, Gabriel Mayer. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um morador de rua caminha pela cidade com a sua única companhia, a Solidão, um monstro fantasmagórico que o segue por todo a parte.

Tocadora, Joana Imaginário. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Por equívoco, ela bebe a água de lavar os pincéis e transforma-se em desenho. A partir daí o mundo do quotidiano e o mundo da criação dançam à roda de um armário. Lá dentro, cada momento, cada memória e cada ação tornam-se únicos. Enquanto um livro cresce e se torna real, seguimos a Tocadora no seu processo criativo como percurso imaginado.

-É preciso que eu diminua, Pedro Serrazina. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. É o clip de vídeo do novo single de Samuel Úria. Que bom voltar encontrar o Pedro entre as nossas linhas!

Surpresa, Paulo Patrício. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Surpresa é uma curta animação documental feita usando uma conversa gravada (isto é, sem ação, não ensaiada, não roteirizada) entre uma mãe, Joana, e sua filha de três anos, Alice, que se está a recuperar de um cancro renal. Ambas falam – abertamente e francamente – sobre a doença, a suas atuais circunstâncias, lutas e sucessos.

-The voyager, João González. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. Um pianista vive numa grande cidade e sofre de agorafobia. Ele é confrontado com a necessidade de sair de casa para se reabastecer de medicamentos.

  • longas

Cabra, marcado para morrer, Eduardo Coutinho (Brasil). Exibição: 9 de maio, 19h30, no Auditório Municipal de Vigo. Este documentário tem a honra de abrir o festival, a obra fala de um líder camponês, João Pedro Teixeira, que é assassinado por ordem dos latifundários do Nordeste.

Cartas da guerra, Ivo Ferreira (Portugal). Exibição: 11 de maio às 22h no Auditório Municipal de Vigo. Baseada no livro homónimo de Lobo Antunes que recolhe as cartas que um jovem soldado português enviou de Angola à sua mulher entre os anos 1971 e 1973 durante a Guerra Colonial.

O filme tem muitos prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Um luxo.

Gabi Buarque na Arca da Noe

Em junho deste ano, a cantora brasileira Gabi Buarque visitava a Casa das Crechas.

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Quem aquele dia não conseguiu vê-la, pode ainda ter uma chance amanhã, às 22h, em Vilar de Santos, no nosso amado local: A Arca da Noe.

“Fiandeira” é o seu disco mais recente com participação de Jaques Morelenbaum, Marcos Sacramento e Socorro Lira. Este trabalho recebeu Menção Honrosa na Lista dos Melhores da Música Brasileira de 2014.

A cantora acredita que “Fiandeira” apresenta um resultado mais maduro em comparação ao “Deixo-me acontecer” (2011) – seu álbum de estreia. “É um CD com arranjos mais elaborados, traz a mesma diversidade sonora e rítmica do primeiro, mas harmonicamente as letras são mais elaboradas. A gente aprende muito com os anos, viajei muito com o primeiro álbum, e isso está no novo trabalho”, disse Gabi.

Cantamos?

Haēma em Compostela

O Festival Feito a Man é mais do que um prémio de consolação para aquelas pessoas que ficam em Compostela no verão a aguentar a pressão do turismo. É uma oportunidade de colocar nas luzes da ribalta bandas que o grande público não conhece.

No marco deste festival andam as Haēma. Elas são uma dupla portuguesa que já nos acompanhou em março deste ano em Compostela.

Susana Nunes e Diana Cangueiro fazem uma investigação musical na procura da sinestesia. Uma lufada de ar fresco ou, se quiserem, de sangue fresco pois Haēma quer dizer isso em grego.

Amanhã às 13h30 na Borriquita de Belém poderemos ouvir letras em português do mais inspirador: mar, sereias, marinheiros e mulheres que esperam. Tudo à mistura com jazz e eletrónica.

https://youtu.be/VMzHuchBpCc

Rodrigo Leão na Corunha

Amanhã chega à Corunha um dos grandes vultos da música portuguesa. Integrante de duas das bandas com mais repercussão internacional: Madredeus e Sétima Legião.

Rodrigo Leão é desses homens que criam autênticos hinos e é por isso que foi capaz de reunir tantos prémios.

Ele é um músico completo, criador de um estilo inconfundível. Explora a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicionais, por isso ir a um concerto dele é quase ouvir uma sinfonia de sintetizadores.

Amanhã o lisboeta vai estar no Teatro Colón da Corunha, no marco do Festival do Noroeste, acompanhado de Ana Vieira na voz. Vai tocar temas essencialmente compostos para a voz desta cantora, em língua portuguesa maioritariamente, mas também em inglês, francês e espanhol.

Deixo-vos com Vida Tão Estranha, que é uma das suas mais belas obras.https://youtu.be/joKcK4D6PGo

Gabriel Schwartz na Arca da Noe

gabrielE depois da apresentação de “A música portuguesa a gostar dela própria”, a atividade na Arca da Noe não termina.

Gabriel Schwartz vai tocar na taberna cultural de Vilar de Santos. Ele é um músico de Curitiba, para além de instrumentista, cantor, compositor e arranjador. Podemos dizer que tem uma vida focada na interpretação da música popular brasileira nas suas mais variadas modalidades.

Hoje podem vê-lo em ação às 22h.

A música portuguesa a gostar dela própria

Amanhã às 20h chega a Vilar de Santos, à Arca da Noe,  A música portuguesa a gostar dela própria.

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Aquelas pessoas que me conhecem bem sabem que sou uma pessoa que aborrece a música tradicional mesmo. Mas “A música portuguesa a gostar dela própria” vai mais além da tradição. Antes de mais, temos que dizer que o nome é já uma intencionalidade expressa, o projeto nasce com o intuito de valorizar aquelas formas de património vivo: as cantigas, os romances, os desafios…Aí já não há gosto ou não gosto pela minha parte, aí há um trabalho de anos que é necessário reconhecer.

Desde 2011 o realizador Tiago Pereira tem recolhido estas manifestações populares por todo o país vizinho. Acabei mesmo de entrar na página do Facebook deles e li agora uma afirmação que me fez muito feliz, por uma coisa que vos explicarei mais logo: “é urgente documentar, gravar e reutilizar fragmentos da memória de um povo“. O projeto já ultrapassou fronteiras, hoje estão em Vilar de Santos a gravar, portanto, quando falamos de “um povo” falamos de “um povo” maior do que os seus limites administrativos. E quem quiser ver, que veja.

Adelina da Límia, maravilha.

Todo este acervo cultural é material para o programa “O povo que ainda canta” que o Tiago dirige na Antena 1.

Amanhã às 20h podem então com este realizador, que vai apresentar o projeto na nossa taberna preferida.