Gonçalo Guerreiro na EOI de Lugo

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Amanhã na EOI de Lugo despedem o trimestre com uma jornada de fados. Gonçalo Guerreiro, a sua voz e o seu gosto musical estarão na cidade das muralhas para encher de ritmos lisboetas as paredes da escola.
Ele é desses homens faz-tudo na cultura galego-portuguesa atual. Membro de Elefante Elegante, estamos mais habituados a vê-lo nos palcos a encenar e levar peças teatrais pelo mundo afora.

Nasceu em Lisboa em 1974. Concluiu o curso de formação de atores na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa depois de passar pela Real Escuela Superior de Arte Dramático de Madrid com uma bolsa do Ministério da Educação português.

Trabalhou como ator nas companhias portuguesas A Barraca e Teatro do Montemuro. Encenou espetáculos do Teatro Escondido, da Compagnie Imagerie e da Compagnie Blablablah na Bélgica.
É diplomado pela École Lassaad, em Bruxelas, onde herdou a pedagogia de Jacques Lecoq do Teatro de Movimento. Estudou Commedia dell’Arte com António Fava na Itália e Antropologia Teatral com Eugénio Barba na Polónia, Dinamarca e Portugal. Além da sua atividade pedagógica, Gonçalo Guerreiro é ator e co-diretor artístico do Elefante Elegante Teatro.

Vejam uma pequena amostra do que ele é capaz de fazer no âmbito musical.

Amanhã às 17h30!

Falua

12091291_1638015349802193_2405051816550918217_oJá está na hora de ouvir tradição fadista na Gentalha do Pichel.

Falua é o nome de uma embarcação tradicional de carga usada no Tejo. Igual que as águas chegam aos oceanos, a música chega aos corações e aos ouvidos mais duros.

Sara de Sousa e Gom de Abadim formam uma dupla única na Galiza. Com voz e guitarra acústica conseguem fazer-nos caminhar imaginariamente por roteiros ora esquecidos, ora longínquos, porque o seu repertório combina músicas de raiz galega, portuguesa e lusoafricana. Sem abandonarem a tradição fadista, dão novos ares a temas já clássicos.

No dia 16, às 22h30, na Gentalha do Pichel.

Fado 1111

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De maneira lendária o povo português afirma que o rei Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, nasceu no ano 1111. Não é por acaso que a formação Fado 1111 tenha escolhido este número. A banda reúne num todo muitos símbolos nacionais: a data de nascimento do rei, o facto de serem de Guimarães -onde nasceu Portugal- e o fado.

O que eles têm de especial? Fado 1111 é a mistura do fado lisboeta e a canção de Coimbra. As duas visões do fado são reunidas nos concertos deles. Expõem de forma autentica e genuína as suas fortes divergências de estilo, mas também os seus claros pontos de contacto.

Segundo Fado 1111 diz: “Neste sentido, e recorrendo a um elenco próprio de músicos especializados em cada género, ou em posse de uma clara versatilidade, o projeto Fado1111 apresenta-se como uma eclética organização artística, permitindo-nos criar diferentes perspetivas cénicas – um espetáculo de Fado de Lisboa, um espetáculo da Canção de Coimbra, ou ainda um cativante e original espetáculo, onde os dois géneros se juntam

Querem ouvir grandes vozes e viola dedilhada? agendem!

sexta 9, Perilho. Auditório d’A Fábrica, 20h30

sábado 10, Padrão. Auditório Municipal, 20h30.

O’questrada em Pardinhas

11059733_10153532430029363_3834626634767096595_nO primeiro fim de semana de agosto está lotado de festas no país. O pimento em Ervão, os vikings em Catoira…e o festival de Pardinhas, em Guitiriz.

Num grupo de amigos há com frequência conflito, porque a variedade e quantidade de planos origina qualquer confrontação. Este ano podem deitar as culpas no Lusopatia e ir ao Festival de Pardinhas. O evento é uma feira e uma festa da música e da arte onde se respira criatividade por todo o lado.

Este ano no primeiro dia estarão os O’questrada, banda portuguesa pioneira da reinvenção do popular, das músicas de tasca e do fado.oquestrada

O’queStrada iniciou em 2001 um poderoso movimento acústico que deu cartas para criar um novo paradigma na estética musical portuguesa. Canções como “Oxalá Te Veja”, “Creo cariño” e “Se’sta Rua fosse minha” giram desde essa época em gravações de culto pelo país.

Armados em nómades, os de Almada percorreram com a sua Tasca-Beat  muitas ruas do continente e até cantaram na cerimónia dos Prémios Nobel da Paz em 2012.

Fado Violado

índiceAlguém, pela primeira vez, misturou um dia presunto e melão. Com certeza nos primeiros momentos deveu de parecer uma mixórdia bem estranha, haveria quem levasse as mãos à cabeça, mas hoje podemos dizer que aquela pessoa foi uma visionária. Como dizia Pessoa, “primeiro estranha-se e depois entranha-se”.

Fado Violado também anda no caminho do estranhamento e entranhamento. Esta dupla do Porto faz fusão de músicas ibéricas. Eles, qual filme de Carlos Saura,  uniram o fado e o flamenco. Podemos ir a um concerto e ouvir bulerias e guitarra portuguesa e aquilo…condiz.

Quem puder ver nisto uma agressão ao fado, que fique descansado. Para assegurar a presença da canção portuguesa  mais internacional temos a cantora Ana Pinhal, uma das fadistas novas mais reconhecidas.

Dia 19 (este domingo!!), às 23h, na Praça do Toural

Deolinda em Ourense (mais uma vez)

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Deolinda é uma dessas bandas que descobri por ter estudado na EOI. Foi graças a essas aulas de português que soube que eles existiam e numa dessas viagens que os e as alunas fazíamos comprei o primeiro cd deles, Canção ao lado. E aí estiveram, ao meu lado sempre, em pastas do mp3, em grandes percursos que fiz para vê-los e como banda sonora de uns anos muito marcantes na minha vida.

Inspirados no fado e na música tradicional portuguesa, os Deolinda trazem uma nova estética. Parva que sou é já um fito histórico dentro das vindicações juvenis portuguesas, é por assim dizer o Grândola do século XXI.

Depois de Canção ao lado, viriam Dois selos e um carimbo e o mais recente dos seus álbuns, Mundo pequenino. Este último trabalho, afasta-se um bocado do estilo dos anteriores, suponho que hoje apresentarão em Ourense estes últimos temas.

Eu já os vi na cidade das burgas na Praça de Santa Eufémia, agora hoje vão tocar na Praça Maior  às 22h30 com motivo das festas da cidade.

Que seja agora, que queremos ouvi-los!

Gil do Carmo em digressão

Gil_WEB-853x857O apelido “do Carmo” não nos é estranho. Sim, é esse mesmo apelido de Lisboa, menina e moça que canta o fadista Carlos do Carmo. O cantor ganhou recentemente o Grammy Lifetime Achievement Award, por outras palavras, uma distinção a uma carreira, a uma vida inteira nos palcos, a uma trajetória e a um compromisso com o fado e não só.

Em Portugal há apelidos marcantes artisticamente. Parece que há profissões que passam de pais a filhos, porque filho de peixe, sabe nadar. Tony Carreira e Michael Carreira, Carlos do Carmo e Gil do Carmo. Evidentemente, são casos muito diferentes e propostas muito diversas, mas era apenas um exemplo.

Nos dias 21 e 23 de maio Gil do Carmo estará na Corunha e em Compostela para apresentar numa pequena tour o seu novo trabalho: A uma voz.

Com o patrocínio de Delta Cafés, nada pode ser tão português como ir a um concerto de fados de Gil do Carmo. Herdeiro da tradição familiar, soube dar ao seu fado um sabor novo, com novas abordagens e fusões: jazz, guitarra portuguesa e espontaneidade, porque a música lusa tem um novo charme. Se quiserem conhecer um bocado melhor esta figura, podem ouvir esta entrevista na TSF, pai e filho à conversa.

Cuca Roseta em Compostela

Cuca RosetaConheci a figura de Cuca Roseta há uns tempos com o filme Fados de Carlos Saura. Esta colaboração, como nos melhores casos, nasceu por acaso quando o Carlos Saura viu Cuca numa casa de fados.

Tinha o nome dela um bocado esquecido até que um dia, não recordo quem, alguém me disse que uma fadista portuguesa tinha feito um dueto com David Bisbal. Pelos vistos a colaboração foi mesmo famosa (eu sem saber, porque ando noutro mundo). Se por cantar com o Pablo Alborán, mais pessoas conhecem o fado e a Carminho, também me terei que alegrar por isto. Bom, fora destes comentários de revista Lux, tenho que dizer-vos que a Cuca Roseta é conhecida por ser “a nova voz do fado”e dar-lhe aquele toque pessoal que o torna (se isto for possível) ainda mais universal. Entre os dados da sua carreira, temos que destacar que tem colaborado o Tiago Bettencourt nos Toranja e também atuou no Festival RTP da Canção.

resize.phpNesta semana chega à Sala Capitol em Compostela no MusicShowCase que organizam na sala. Estará a partilhar cartaz com os também lusopatas e brasilegos Sérgio Tannus Trio. Como podem ver na imagem, os concertos começam às 18h. Os bilhetes custam 10 euros se os comprarem com antecedência e 13 se forem à bilheteira.

Vamos ouvir agora a voz da Cuca e deixar que ela nos leve a Lisboa.

António Zambujo…volta à Galiza

Para lembrar o que era isso do verão, nestes últimos dias tenho estado em Lisboa de férias. Fui em Almada a um festival e apaixonei-me pela margem Sul. Fantasiei na última semana com que o destino me levasse lá, porque sonhar acordada é também uma bela viagem.

índiceEm Almada estive no festival O Sol da Caparica. Era a primeira edição e tenho que dizer que fiquei maravilhada: as bandas, a organização, as pessoas e toda a magia que lá se respirava. Compreendi que é o festival com músicas na nossa língua melhor que já tenha visto. Se a Galiza tivesse representação (talvez na segunda edição) ainda seria melhor, mas reconforta-me saber que havia um pedacinho da Galiza na voz da “angolega” Aline Frazão.

GNR, Peste e Sida, Expensive Soul, Aline Frazão, Capicua, Sensi e o António Zambujo, entre outros, deram o seu melhor num palco cheio de ritmos envolventes e de heranças musicais diferentes. Gostava que houvesse um festival assim na Galiza, onde todos os estilos fossem bem-vindos.

Ainda voltei no domingo e o primeiro que vi em Compostela ao chegar foi um cartaz de um concerto do António Zambujo (andamos os mesmos caminhos). O fadista subirá a palco o próximo dia 27 de setembro no Auditório da Galiza,  no marco do ciclo Sons Trânsitos como prelúdio.

Não é a primeira vez que ele nos visita, eu já tive oportunidade de vê-lo num concerto íntimo na Casa das Crechas. Com a voz e as letras…é capaz de tocar com o dedo aquela espinha que cada um de nós tem no coração. Qualquer coisa abala quando o ouvimos. Por isso, não percam este concerto. Ouçam a melodia…porque eu…repetia tudo novamente.

 

Noite de fado na Nave de Vidán

20130322_clavedefado-640x905Ok, reconheço que eu não sou gaja de gostar de fados. Mas sempre escrevo posts sobre concertos de fado porque entendo que muitas pessoas entram no português por meio da música, como se as canções fossem um isco. Essa é força deste género musical, toda a gente conhece uma música ou reconhece-se numa letra. Já alguma vez sentiu que uma parte da sua vida é um tango, um fado ou uma ranchera? o fado é assim, afaga as almas. Inocula venenos e é remédio de muitas dores.

Sábado 22, às 22h (que regra mnemotécnica!), há uma noite de fado dentro da programação da Nave de Vidán. En Clave de Fado, banda de que falámos já alguma vez, chegam ao restaurante com todo o repertório de letras e sons.

O preço do bilhete é de 5 euros e é aconselhado marcarem mesa para terem um bom lugar. A Nave fará alguns pratos especiais de culinária lusa de propósito para a ocasião.