O que a Galiza deu ao Brasil: pessoas galegas na História Brasileira

Os encantos e desencantos da Galiza e Portugal são conhecidos de todos. Há uns anos fiz um post sobre personalidades galegas que marcaram muito a história portuguesa e não queria deixar passar a ocasião de fazer o mesmo com o Brasil. É certo que temos um oceano inteiro que nos separa e, portanto, a distância não está do nosso lado, mas ainda vos quero mostrar alguns exemplos da presença galega no Brasil.

Antes de mais, uma pergunta no ar. Qual foi um dos primeiros instrumentos musicais europeus em chegar ao Brasil?

“E levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se a dançar com eles (os indígenas), tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam e andavam com ele muito bem ao som da gaita.”

Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, 1500

Uma gaita de foles! Dessa é que não estavam à espera! A família Luques leva anos a fabricá-las e a continuar uma tradição musical lá.

Começo então a apresentar algumas pessoas. Não se esqueçam de carregar nos botões para verem a interatividade de cada apresentação:

  1. Nélida Piñon. A escritora tem as suas origens em Cotobade.

2. Drauzio Varella é um vulto quanto à divulgação médica no Brasil. Está em várias redes sociais e com certeza alguma vez leste alguma frase dele sobre o discurso anti-vacinas e as pseudociências.

3. Caramuru, o pai da brasileiridade, terá origens galegas? Ou é só galego por ter pele clara e cabelos claros?

Em muitas regiões do país entende-se por galego uma pessoa com umas características físicas determinadas: alguém branco de olhos e cabelos claros. Isto tem uma justificação histórica, porque os galegos emigraram principalmente para a região de Salvador, onde a maioria da população é negra, como comenta cá o Diego Bernal.

O dia em que o Brasil comemora a sua independência pode ser um momento ótimo para focar os nossos interesses no país com mais falantes de português do mundo. Aproximadamente a extensão do Brasil é equiparável a umas 293 Galizas, portanto, não devemos esquecer que a cultura brasileira é também muito diversa.

Quem quiser saber mais sobre as relações Galiza-Brasil pode começar por esta documentação:

E não podemos esquecer estes dois livros imprescindíveis do Diego Bernal que estão na Através Editora:

Culturgal 2018

Começa um fim de semana cheio de novidades culturais e Ponte Vedra será o centro nevrálgico de todas elas. Assim como novembro é o mês do Cineuropa, dezembro é o mês da Culturgal. E vocês sabem disso.

Visto o programa, fiz o meu crivo particular para as atividades, mas não esqueçam que há sempre bancas interessantes:

-A Semente Trasancos está ainda em angariação de fundos e precisa muito de nós.

-A livraria portuguesa Tragamundos e a nossa Através Editora também marcarão presença.

-A novinha em folha Rede de Galilusofonia vai lá estar e tem muito para dizer.

Comecemos então a falar de coisas para marcarem na agenda.

Amanhã sábadoàs 17h no Espaço Livro podem ir à apresentação dos novos títulos da coleção de ensaio Alicerces da Através Editora.

Esta vai ser uma feira intensa para mim, porque todas as coisas são melhores com amigos e amigas…e os meus estão de parabéns. Que fortuna ter tanto talento à minha volta e pessoas generosas que decidem partilhá-lo.


Estes são os volumes 3 e 4 da coleção e tocam-me na alma porque tenho pessoas muito queridas a participarem em ambos. Se nos anteriores títulos tínhamos os temas da eutanásia e do corpo na dramaturgia, nestes novos poderemos achegar-nos à arte com novos modos de olhar graças ao título de Natália Poncela Nem tudo e arte? e também ao, sempre necessário, tema das Novas masculinidades, o título de Jorge García Marín. Os dois livros contam com prólogos escritos por pessoas do país vizinho: Teresa Torres de Eça, Luísa Monteiro e Marco Gonçalves, vultos nos âmbitos da psiquiatria, filosofia, arte e literatura em Portugal.

Amanhã poderemos meter conversa com a Natália Poncela, Jorge García, autores, e Teresa Pilhado, co-diretora da Através.

Já no domingo temos outro encontro marcado com a prosa de ficção.

O Grande Prémio de Romance e Novela APE/ILB foi ganho neste ano pelo escritor Hélder Gomes Cancela com o livro As pessoas do drama.

Poderemos ouvir o narrador falar sobre as linhas argumentais do seu livro no  Espaço Livro às 11h.  A sua obra, pelo que vi na net, faz uma ”leitura crítica da História e da Cultura europeia na sua relação com a cultura árabe, através de uma temática poderosa (a culpa, a impunidade, o drama, o olhar, o incesto, a tensão e a violência familiares) e de uma revisitação de personagens e de mitos do nosso património cultural ocidental”

Este volume foi também lido no grupo de leitura de autores lusófonos deste ano do Centro Cultural Camões de Vigo.

Eu não sei se vocês conferiram na previsão meteorológica deste fim de semana. Se estiverem tristes porque não podem fazer atividades outdoor, pensem que a Culturgal tem aquecimento, teto, iguarias, bons livros e pessoas fofas. Que disparate. Ainda havendo um dia soalheiro, esta é e tem de ser a nossa melhor opção sempre, porque é aquela que espalha amor por nós próprios e próprias.

A minha lista de youtubers

(Este artigo foi publicado pela primeira vez no Festagal de 2018)

É a uma da tarde, estão à espera do comboio, numa fila para levantarem entradas para um concerto, ou prestes a entrarem ao consultório médico…antigamente teríamos solucionado essa enorme seca metendo conversa com a pessoa ao lado, mas hoje o telefone invadiu as nossas vidas.

Na era dos vídeos e das stories do Instagram não podem faltar umas boas dicas sobre youtubers ou canais de Youtube.

 

MIT Ribadávia 2018

É engraçado como as coisas se unem, podem chamar-lhe serendipidade ou destino.

Um dos temas de que mais falei com os meus alunos e alunas este ano foi o teatro e depois calhou que foi também uma das perguntas no meu concurso-oposição. Hoje abri o email e tinha um aviso do começo da MIT de Ribadávia.

E como acho que a MIT não precisa de apresentações, vamos ao ponto. Eis a nossa proposta lusopata para este ciclo de teatro.

-dia 15: apresentação do livro Confio-te o meu corpo. A dramaturgia pós-dramática, de Afonso Becerra de Becerreá. Será apresentado pelo diretor do Teatro Municipal Rivoli do Porto, Tiago Guedes, às 21h30 no Salão de Atos do Concelho.

É ainda um tabu mostrar o corpo em movimento? É o teatro uma profissão digna? Estas e mais questões a debate neste livro da Através.

-dia 18: às 20h na Praça Maior temos um primeiro passe de Ez Sub dos portugueses Projeto EZ, haverá um segundo passe às 00h30 no mesmo lugar.

Este é um desses espetáculos onde o público é espetador mas também se torna performista.

A peça fala-nos de um submarino que anda um bocado perdido num ambiente urbano. O próprio submarino é “uma máquina cénica de grande formato, capaz de transportar os transeuntes para uma nova realidade”. Pelo que vi na página do projeto, nós como espetadores/as podemos entrar na máquina e interagir com ela. Vejam só.

Quem gostava de ser o capitão Nemo?

As raízes de Pessoa na Galiza

No Dia da Língua Portuguesa não há nada melhor do que revisitarmos a nossa história e ligações culturais.

A Ginjinha, Inês de Castro, o galo de Barcelos e, agora também Pessoa, têm antecedentes na Galiza. E se a nossa história fosse contada doutra maneira?

O professor de Literaturas Lusófonas, Carlos Quiroga, prova neste livro a árvore genealógica galega do poeta, a origem do heterónimo Alberto Caeiro e a relação que isto tem com Alfredo Guisado, poeta galego esquecido da Geração Orpheu.

Hoje, no Centro Cultural Camões de Vigo, às 20h.

Culturgal 2016

culturgal-550x400Todos os agentes culturais do país estão em pulgas para três dias de atividades e divulgação. Começa o Culturgal deste ano!

Selecionei cá algumas coisitas para vocês fazerem durante a sexta e o sábado.

-SEXTA:

-pelas 18h30 Inês Fonseca Santos e Marta Madureira apresentam o livro infanto-juvenil A palavra perdida. O livro conta a história do Manuel, que perdeu uma palavra e deverá descobrir qual é que era. O resumo da trama, acho que antecipa uma história muito bela.

-SÁBADO:

-Às 13h15 apresenta-se Nortear, o programa de difusão da cultura entre a Galiza e o Norte de Portugal. Querem saber as novidades do ano? Não percam esta apresentação.

-Às 17h, lançamentos Para além dos tópicos da Através Editora. Poderemos ver a apresentação de Mecanismo de Emergência Tiago Alves Costa, Bolcheviques com a coordenação da Teresa Moure, A imagem de Portugal na Galiza de Carlos Quiroga, A imagem da Galiza em Portugal de Carlos Pazos Justo e O penálti de Djúkić de Carlos Taibo.

Já durante os três dias, não esqueçam que a Através e a Ciranda à volta do português vão levar as suas bancas onde poderão antecipar algumas compras literárias de Natal…e também meter dois dedos de conversa com esta que escreve.

 

A imagem de Portugal na Galiza, a Imagem da Galiza em Portugal

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Se pudessem ter um superpoder…qual seria? voar? ser invisível? ter muita força? eu pensei nisto muitas vezes. Na escola, cada vez que tinha um exame queria ler as mentes de todos os meus colegas de turma para assim obter a melhor resposta a cada questão. Eu não era gaja de estudar muito.
Infelizmente, não podemos ler as mentes, mas se a curiosidade é saber o que os galegos e galegas pensam dos vizinhos e o que os portugueses pensam de nós…podemos ler os livros A imagem da Galiza em Portugal de Carlos Pazos-Justo e A imagem de Portugal na Galiza de Carlos Quiroga, os dois editados na Através Editora.

Hoje há uma dupla apresentação em Compostela, na Faculdade de Filologia às 12h e na EOI às 20h. Vão! Sabe-se lá…talvez saiamos dela com um superpoder.