Expressões idiomáticas: mar, água, navios, navegações

Estamos já no verão e para aquelas pessoas mais sortudas…isso até pode ser sinónimo de férias. Daqui a poucos dias eu serei uma delas.

Como cada vez que vou de férias faço um post temático sobre o meu destino e, desta feita, decidi que o único que vou fazer é descansar na praia; cá vos deixo um catálogo de expressões que, ora têm origem marítima, ora anda alguma das suas palavras nesse campo semântico. Tentei agrupá-las por ordem alfabética.

  • Andar à toa. Significa andar sem destino, despreocupado, passando o tempo. O que eu menos pensava é que esta expressão tivesse origem marítima. Pelos vistos, a “toa” é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.
  • Anda mouro na costa. É um grito de alerta, para estarmos prontos por causa de uma eventualidade qualquer, um problema, alguma coisa inesperada. A expressão terá tido origem nos tempos da pirataria dos corsários árabes que atacavam Portugal e Espanha. Estes tinham espiões na costa que os informavam.
  • Canto de sereia. É uma expressão de uso comum, sempre que se quer dizer que alguém está iludido por algo. Está a predizer que esse alguém vai ter uma deceção se insistir nisso que está a acreditar.

Tenho um fraquinho por este ditado popular porque eu adoro sereias, por acaso até tenho tatuada uma.

A sereia é uma figura da mitologia, presente em lendas que serviram para personificar aspectos do mar ou os perigos que ele representa. Quase todos os povos que dependiam do mar para se alimentar ou sobreviver, tinham alguma representação feminina que enfeitiça os homens até se afogarem. Metade mulher, metade peixe (mas isto só desde a Idade Média), as sereias têm uma arma poderosa: o seu canto.

Na Odisseia conta-se que eram filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os tripulantes dos navios que passavam por ali para os navios colidirem com os rochedos e afundarem. Odisseu conseguiu salvar-se porque colocou cera nos ouvidos dos seus marinheiros e amarrou-se ao mastro de seu navio, para poder ouvi-las sem poder aproximar-se.

Lá vai a canção da minha vida, Sereia Louca.

  • Dobrar o Cabo das Tormentas. É sinónimo de vencer uma grande dificuldade. O Cabo das Tormentas é o nome antigo do Cabo da Boa Esperança. Em 1488 o navegador Bartolomeu Dias dobrou pela primeira vez o Cabo das Tormentas. Este era um território desconhecido na altura e só foi conhecido até passados vários dias de avistar tomentas, atingir este objetivo significou saber que existia uma conexão entre o Atlântico e o Índico. Camões personifica estas dificuldades na figura do Adamastor, na obra Os Lusíadas.

  • Embandeirar em arco. É dessas expressões que nunca pensei que tivessem a ver com o mar. É uma manifestação efusiva de alegria.
    Na Marinha, em dias de festa, os navios embandeiram em arco, isto é, içam pelos cabos bandeiras e cometas quase até ao topo dos mastros, indo um dos seus extremos para a proa e outro para a popa. Assim são assinalados esses dias de algaravia.
  • Fazer tempestade em copo d’água. Poderíamos usar esta expressão para ilustrar o que é uma antítese. As tempestades são fenómenos atmosféricos de grande magnitude e os copos d’água remetem para uma quantidade mínima de líquido. O contraste é evidente. A frase é utilizada para nos referir a uma reação exagerada.

  • Ficar a ver navios. É uma expressão popular da língua portuguesa que significa ser enganado ou também ficar desiludido. A frase tem origem no Sebastianismo. Sabem o que é? Dom Sebastião foi um rei de Portugal, desaparecido na África, na batalha de Alcácer-Quibir em 1578. O corpo nunca foi achado e o povo português ficou sempre à espera do seu regresso para ser salvo da dominação espanhola. Dom Sebastião nunca regressou, por isso muitos sebastianistas “ficaram a ver navios”.
  • Há mais marés que marinheiros. Este ditado popular transmite a ideia de novas oportunidades virem acontecer. Muitas vezes perdemos uma oportunidade, mas mais tarde, podemos recuperá-la.

  • Não é a minha praia/É a minha praia. Gostaria de saber a origem disto, porque nunca cheguei a saber. Usamos esta expressão para indicar que uma coisa é/não é o nosso forte. Por exemplo, imaginem que temos muito jeito na cozinha, então podemos dizer “cozinhar é a minha praia”.

Vai uma canção sobre uma praia bem linda, Porto Covo.

  • Navegar à vista. Quer dizer agir conforme as circunstâncias ou com os meios de que dispomos. A origem está também no tempo das grandes navegações, quando não existiam os mapas e os marinheiros portugueses navegavam o mais perto possível da costa, sempre vendo-a e seguindo-a de bombordo.

Os argonautas, um “fado brasileiro” cantado pela Elis e com inspiração no Fernando Pessoa. Que beleza, gente! Navegar é preciso, viver não é preciso.

  • Nem disse água vai nem água vem. Uma expressão curiosa. Pensei sempre (falsamente) que isto tinha a ver com navegar, mas…qual nada!

O sistema de esgotos das cidades veio a significar um grande avanço em questões de higiene. Antes disto existir, as pessoas deitavam os seus dejetos à rua pela janela e (aquelas mais cívicas) gritavam “água vai!”. Quando alguém faz alguma coisa sem nos avisar e devia mesmo ter-nos avisado é que usamos esta frase.

  • Puxar a brasa à (sua) sardinha. É levar vantagem exclusivamente em proveito próprio. Pelos vistos, antigamente os trabalhadores dos cortiços assavam sardinhas com as brasas dos candeeiros que serviam de luminária. Retirar e, portanto, puxar as brasas apagava essas fontes de luz nas casas.
    Para a elaboração deste artigo, li há uns meses um livro bem interessante que recomendo vivamente: Puxar a brasa à nossa sardinha de Andreia Vale.
  • Separar as águas. É uma dessas cenas bíblicas…já estão a pensar no Moisés? com efeito, o protagonista é ele. O profeta conduziu o povo hebreu criando uma passagem entre as águas do mar Vermelho.

O que significa? usamos esta expressão para fazer um crivo entre o importante e o supérfluo.

  • Ser como um peixe fora d’água. É estar fora do nosso habitat natural, numa situação de desconforto.

 

 

Passem bem nas férias. Eu vou descansar um bocadinho…mas continuarei a atualizar o blogue, é claro, porque o Lusopatia é sempre um bom porto.

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Palavras terminadas em -om

Continuando com o nosso estudo dos ditongos e da nasalidade, hoje escrevo este artigo. Esta é uma dessas coisas que no início é um bocado confusa entre as minhas turmas e também opto por uma solução pouco inovadora, eu sei: decorar. Mas, por vezes, é melhor conhecermos a exceção do que a regra.

Começamos com um lembrete. Recordam-se quando grafávamos -am e quando -ão?

ESPANHOL

PORTUGUÊS

90% das vezes, nos casos em que o ditongo é tónico usamos -ão e nos casos em que é átono -am.

Canción

Canção

Ellas cantaron

Elas cantaram

Agora muita atenção! Deixamos cá uma lista de palavras que acabam em -om no português. Esta grafia é bastante infrequente, portanto, é melhor decorar e recordarmos que -ão e -am são terminações muito mais comuns.

  • bom

  • com

  • dom (dávida, talento) e Dom (título honorífico)

  • som (e os seus derivados: semitom, infrassom, destom…)

  • tom (e os seus derivados: meiotom, semitom…)

  • garçom (Br)/ empregado de mesa (Pt)

  • batom

  • bombom

  • pompom

  • edredom (também edredão)

Querem ouvir um bocado de funk brasileiro? esta é uma canção da Ludmilla. Quantas palavras com -om conseguem encontrar?

Falso amigo: pelo

axilasNão sei se alguma vez vocês já pensaram nisto. Eu sim. Nós e os nossos colegas macacos temos pelos, mas se repararem nas diferenças entre um humano e um orangotango vão ver que os pelos não foram distribuídos da mesma maneira.

Vou explicar melhor a questão. A pergunta é por que nos seres humanos, ao longo da evolução, a maior parte dos pelos do corpo permaneceu em certos lugares, como cabeça, tórax (no caso dos homens), axilas e partes íntimas? um macaco não tem quase pelos nas partes íntimas.

peito

Ao que parece, pelo que li na UOL, o causa deveu ser uma mudança climática muito forte acontecida no passado. Sair para caçar com pelos fartos e calor começou a ser um fardo. Só que…e assim todos nus…quando os humanos sabiam quando alguém era púbere? por uma questão evolutiva, os pelos voltaram a certas partes para diferenciar os humanos adultos das crianças.

O dos pelos nalguns animais ainda é também um mistério para mim. Cães e gatos perdem muito pelo…e nunca são carecas.

Eu fiz? eu fez*? ele estive*? ele esteve?

Como hoje é o Dia das Bruxas e amanhã Todos os Santos, vamos com coisas que me fazem arrepiar:

  1. que o Ç apareça antes de um E ou um I. Nãaaaaoooo, horror! Sabem que Ç apenas pode ir com A, O ou U: caçar, poço, açúcar.
  2. erros na conjugação da P1 e P3 do Pretérito Perfeito Simples de Ter, Estar e Fazer. Vou falar hoje disto, porque o ponto 1 já o tentei resolver em post anteriores.

O Pretérito Perfeito Simples é o tempo que usamos para exprimir ações no passado que já concluíram: eu coloquei, tu trouxeste, ela caminhou…

Como são estas formas verbais para os verbos Fazer, Ter e Estar? são muito parecidas na P1 e P3 e disto vêm muitos erros nos falantes que aprendem pela primeira vez.

O esquema que podemos encontrar é este:

passadosfotos

Vendo esta tabela, um dia pensei numa regra mnemotécnica e entre os meus alunos e alunas foi também de grande ajuda. Se temos dúvidas entre Ele fez/fiz temos que pensar que o pronome Ele tem dois E e que na P3 destas formas é onde mais letras E aparecem ElE tEve, estEvE, fEz. Parece coisa parva, mas ajuda bastante.

E como o São Martinho anda perto…deixo-vos com esta imagem  😉

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Falso amigo: fresa

passo-para-comprar-sua-fresa-de-trefiladeira-16551-mlb20122307544_072014-fEli Whitney inventou em 1818 a fresadora. O inventor estadunidense vivia numa fazenda e observou que o que restringia a produção era fazer a limpeza do algodão, uma tarefa manual que levava várias horas. Whitney viu aí uma grande oportunidade de negócio: se criasse uma máquina capaz de fazer esse trabalho mais depressa, traria prosperidade para o sul do país, que passava por dificuldades devido à abolição da escravatura.

Analisando a limpeza manual do algodão, em poucos dias Whitney elaborou o esboço de um equipamento: uma espécie de peneira com um tambor, que girava muito próximo a ela, trabalhando como os dedos ao puxar o fio. Este mecanismo tinha umas peças de corte que hoje conhecemos como fresas. Os dentes e gumes removem o material da peça bruta de modo intermitente e a produção é sempre mais rápida.

Então…pensem isto! fresa não é um sabor, morango sim.

Palavras russas no português

Poucas vezes saio do meu mundo, mas das vezes que consegui e tive vontade (estas duas condições nem sempre apareceram juntas) faço um artigo sobre língua X e português.

Este verão vou de férias à Rússia e decidi investigar um bocado. Quis ver quais eram as palavras russas que eu conhecia, ou por melhor dizer, dar um explicação dessas palavras russas que estão na nossa língua.

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balalaika: o instrumento é um símbolo nacional russo. A forma e o som pode fazer-nos lembrar um banjo, mas a balalaika tem uma caixa triangular.balalaika_prima_deluxe_variegated_1

Deixo aqui uma ligação de uma das minhas bandas portuguesas de preferência, Anaquim. Balalaikas é o nome da música!

bistrô: Ok, vão dizer, não é russo, é francês!. Eu sou uma bon vivant e sei muita coisa de restaurantes e de comer bem. 

Bistrô é um restaurante pequenino, de poucas mesas, singelinho e confortável. A palavra tem uma origem um bocado obscura. Vou-vos dar a versão que diz que vem do russo, a propósito deste artigo.

Há quem diga que os militares russos, ao invadirem Paris, exclamavam “bistrô! bistrô!” ao atacarem os cafés da capital francesa; isto é pela presença do termo ‘bystro’, que tem o sentido de ‘rápido, rápido’, no russo.

-blini: ora bem, não sei se esta palavra é dessas típicas que toda a gente conhece, eu tentei fazer uma vez este prato…e tive pouco sucesso ou nenhum, por isso o termo ficou gravado no meu cérebro. Alegadamente o processo de preparação não tem muita dificuldade, mas eu sou um pé de chumbo na cozinha. A língua russa possui uma expressão “fazer como blini”, que na Galiza poderíamos traduzir como “fazer cestos”:  fazer algo rápido e em grandes quantidades.Blini4-small2

Blinis são como crepes, ou talvez sejam mais parecidos com as “filhoas” galegas. O prato é muito antigo, era já cozinhado em território russo mesmo antes da chegada do cristianismo.Nesse período pagão cheio de simbolismo, os blinis com a sua forma redondinha representavam o sol e estavam na mesa em muitos rituais. Recorda-vos isto a alguma coisa cristã? Estes crepes são imprescindíveis na festa de Maslennitsa, que marca o fim do inverno e a memória dos recém-falecidos membros das famílias russas, uma coisa assim como os nossos Defuntos.

bolchevique: estudei COU e passei logo a conhecer a palavra, planos de estudos antigos criavam intelectuais, amigas. Saudades!

Aquelas pessoas que pertenciam ao Partido Comunista, partido único na União Soviética, eram chamadas de bolcheviques. Num dos assuntos que o partido discutia, o grupo liderado pelo Lenine atingiu a maioria de votos e a palavra foi assim usada para se referir a todos os aliados do futuro líder soviético. Aos poucos, “bolchevique” foi usado como sinónimo de “maioria” e “menchevique” como sinónimo de minoria.

Nos primeiros tempos do bolchevismo, em Portugal não era usado o termo Bolchevique e estas pessoas recebiam no nome de maximalistas.

-gulag: é a abreviação para “Diretoria Geral de Campos de Prisoneiros”, criada na década de 1930. Criminosos e presos políticos cumpriam uma mesma “condenação”: realizarem trabalhos duríssimos. De facto, o termo passou a usar-se como sinónimo de repressão política ou pena de morte.

-kalachnikov: criada por Mikhail Kaláchnikov quando tinha 20 anos de idade, é uma das armas mais famosas do mundo. A sua designação oficial é  AK-47.

Esta é uma das palavras que oxalá não se tivessem inventado nunca.

-matriochka: quem não conhece estas bonecas? quantas vezes nos serviram para fazer um símile! Realmente, esta é a primeira imagem que me vem à cabeça quando penso na Rússia.

matrioska

O mecanismo destas bonequinhas é muito conhecido e acho que todos e todas em crianças tivemos um brinquedo parecido. Eu tinha uns cubos que dentro tinham outros cubos…também tive um hipopótamo assim. Tempo depois, alguém me comprou uma Matriona. Na verdade, a boneca chama-se assim, Matriochka é só o seu diminutivo.

O número de figuras que se conseguem encaixar é, geralmente, de 6 ou 7, ainda que existam algumas com um número impressionante de peças.

A sua forma é simples, os membros são pintados. De facto, a sofisticação das matriochkas reside no virtuosismo de quem pinta.

O design pode ir do mais folkie dos vestidos das mulheres russas até este exemplo dos grandes líderes. Engraçado, pois não?

matri

A origem da boneca está noutro país que adoro: o Japão. No século XIX chegaram à Rússia uns brinquedos desmontáveis japoneses que foram a “semente” para a criação destas bonecas.

-pogrom: vamos com um pouco de Filologia. A palavra provém do verbo gromít que significa “destruir, liquidar”, e disto derivou o significado atual: uma ação de extermínio contra um grupo concreto de pessoas: assaltos, destruição de casas, empresas, edifícios de culto religioso. Os pogrom mais populares foram contra os judeus, mas hoje, infelizmente, acho que todos e todas temos na cabeça infinitos exemplos atuais.

sputnik: Cada vez que ouço esta palavra, penso num dos meus filmes favoritos, Adeus, Lenine! e da corrida aeroespacial. O termo significava literalmente “companheiro de viagem”, mas depois de a URSS ter lançado o primeiro satélite, foi adquirindo outro valor semântico tal e como o conhecemos hoje.

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Jornal russo fala do lançamento do Sputnik

-tróika/tróica: é uma carruagem ou grande trenó russo, puxado por três cavalos. Apareceu na Rússia em meados do século XVIII, para ajudar no serviço postal e atravessar longas distâncias.

Hoje o uso desta palavra é um bocado uma alegoria. Usamos tróica para nos referir a um conjunto de três pessoas ou entidades com uma finalidade política. A palavra era usada para designar alianças dos líderes na União Soviética: os três supremos chefes dos estados comunistas, o chefe de estado, o chefe de governo e o líder do partido.

Na Europa atual esta união é formada pelo  Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia. É uma forma moderna de triunvirato.

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Que se lixe a tróika! Queremos as nossas vidas! é um movimento social português que nasceu em 2012 contra as medidas económicas do governo português. Convocaram uma manifestação que levou um milhão de pessoas às ruas, em várias cidades portuguesas, e em Lisboa foram mais 500 mil pessoas num protesto nacional contra as medidas de austeridade. Este movimento foi a inspiração para o dos Indignados em Espanha.

E o povo, pá? de Homens da Luta, o Grândola do Zeca, ou Que Parva que eu sou dos Deolinda foram o hino de muitas pessoas durante as manifestações.

tsar, csar ou tzar: outra dessas palavras do COU. Ai, COU, quanto me deste!. Nesse ano estudei coisas deste império que agora começo a lembrar graças à minha viagem.

Tsar é uma versão reduzida da palavra latina caeser, introduzida ao vocabulário popular em 1547 por Ivan, o Terrível. É o título oficial do monarca russo.

Rússia é um país de dinastias. No período entre 1613 e 1917, quem governava eram os Roamnov. O primeiro tsar desta família foi Mikhail Fiódorovitch e o  último Nikolai II, que abdicou do trono em 1917 a favor do seu irmão mais novo Mikhail, que, mesmo seguindo o exemplo do Nikolai e recusando-se a ser o próximo monarca, é formalmente considerado o último tsar russo.

Os Romanov têm aquela coisa charmosa e misteriosa.

O íman das lendas urbanas é forte e acho que todos e todas alguma vez colocamos alguma hipótese sobre o que deveu de ter acontecido com a princesa Anastásia.

vodca/vodka:a vodca é uma popular bebida destilada russa que surgiu no século XV. É a bebida nacional, sem dúvida nenhuma.

O nome vodca é o diminutivo de água (“aguinha“) em várias línguas eslavas, mas não há muito consenso quanto à origem etimológica disto, pode ser um acaso, um caso de homonímia.

vodka

A vodca é um destilado obtido a partir de arroz, cevada, milho, trigo, centeio, ervas, figos ou batatas, fermentados. Cada”ingrediente base” dá à bebida um sabor e qualidade diferentes. A fórmula também varia em cada região, como acontece com o nosso licor café. Popularmente, a vodca tem 40% de teor alcoólico, mas a sua graduação pode variar entre os 35 e os 60%.

 

Agora é a minha vez de aprender palavras novas. Adeus, Galiza! до свидания , Галисия, do svidaniya , Galisiya

 

falso amigo: escova

Lyda D. Newman foi uma inventora, sufragista e ativista pelos direitos civis dessas pouco reconhecidas na história. escov cab

Em 1898 ela inventou a escova que usamos para escovar o cabelo tal e como a conhecemos hoje. Evidentemente, antes já as pessoas utilizavam escovas, mas foi esta mulher afro-americana quem aperfeiçoou o utensílio e o patenteou.

Se pensamos na escova de dentes, a mais antiga de que se tem notícia foi encontrada numa tumba egípcia de 3 mil anos a.C. Era um pequeno ramo com ponta desfiada até chegar às fibras, que eram esfregadas contra os dentes.escova

A primeira escova de cerdas, parecida com a que conhecemos, surgiu na China, no fim do século XV. Chineses, não podia ser doutra maneira, são os criadores de tantos inventos nossos! Esta escova era feita de pelo de corpo, as cerdas eram amarradas em varinhas de bambu ou pedaços de ossos. Isto tinha um senão: os pelos de animais  armazenavam humidade que causava mofo…e isto não é muito bom para os dentes.

Em 1938, a empresa americana DuPont desenvolveu as cerdas de nylon usadas hoje.

Deixo-vos aqui um excerto do filme Entrelaçados (Pt)/Enrolados (Br), baseado no conto da Rapunzel. Olhem que cabelão…

Vai ou Vá?

vaiOs verbos IR e VIR são desses que não são muito fáceis de assimilar. Só com a prática e com o tempo é que chegamos a conjugar bem porque são muito irregulares.

Hoje vou falar-vos do verbo IR no Presente de Indicativo e Conjuntivo.

Cada vez que explico o verbo IR no Presente de Indicativo, parece não haver dúvidas. É só memorizarmos dois pormenores ortográficos e parece que chega. A dificuldade vem quando aprendemos o Conjuntivo. Aí parece que não há suficiente espaço no nosso disco rígido para os dois e chegam as confusões.

Vou colocar os dois paradigmas:

PRESENTE DO INDICATIVO
EU VOU
TU VAIS
ELE/A VAI
NÓS VAMOS
VOCÊS, ELES/AS VÃO

 

PRESENTE DO CONJUNTIVO

EU VÁ
TU VÁS
ELE/A VÁ
NÓS VAMOS
VOCÊS, ELES/AS VÃO

 

O Indicativo e Conjuntivo são quase idênticos para este verbo e temos que aprender que estruturas vão pedir cada forma.

  • O modo indicativo é o modo da realidade, apresenta a ação verbal como um facto, no plano da certeza e da verdade.

Eu vou a pé todos os dias ao trabalho, mas ela vai de carro.

  • O modo conjuntivo é o modo semanticamente oposto ao indicativo. É o modo da irrealidade, do não realizado, da incerteza, da possibilidade, da dúvida, da suposição, da condição, do desejo. Que conetores vão pedir este modo obrigatoriamente?
    • Há quem…: há quem vá ao estrangeiro para aprender inglês, mas eu prefiro aprender cá.
    • Embora/Ainda que/Se bem que: embora vá à piscina, ainda não sabe nadar.
    • Talvez: talvez eu vá amanhã à festa.
    • Oxalá: oxalá eu vá de férias ao Brasil.
    • Caso: caso ele vá a Roma, não ficará na casa do Paolo.
    • Para que: para que ela vá à universidade, temos sacrificado muitas coisas.
    • Desde que: o chefe faz qualquer coisa, desde que o António vá fazer o curso de vitivinicultura.
    • Mesmo que: mesmo que você  vá ao ginásio todos os dias, tem de cuidar também a dieta.
    • Por mais que: por mais que ela vá a aulas de alemão, não consegue comunicar bem.
    • O que quer que/Onde quer que/Quem quer que: onde quer que você vá, sempre encontra problemas.

E agora…não vão embora. Fiquem!

 

Falso amigo: bolso

Eu (e tu também) cresci com muitos desenhos animados japoneses. Não me defino como uma adepta do mangá, mas vi Heidi, Marco, Sherlock Holmes, os Moscãoteiros…e isso tudo era feito por mãos japonesas.

doraemonDoraemon foi dessas séries que me acompanhou enquanto eu fazia os meus TPCs de Ciências Sociais do primário. Uns TPCs bué de chatos que nunca mais acabavam. Sonhava com que o Doraemon tirasse do seu bolso algum aparelho que fosse capaz de resolver os meus exercícios de pirâmides demográficas.

O bolso daquele gato tinha tudo, quem não havia querer uma mascote assim? e eu… que era tão preguiceira como o Nobita.

Esta abertura sabe-me a sandes de Nutella. Ouçam.

15522054-detalhe-do-bolso-da-calça-jeans-em-azulSerá por ele ser um dos meus referentes, sei lá, confesso que antes de eu usar malas e de os telemóveis existirem, os meus bolsos estavam sempre cheios de coisas. Cheios que nem um marsúpio de canguru. Com a chegada do telemóvel (recordam-se das dimensões dos primeiros?) tive que começar a usar uma mala, porque as chaves, os lenços e o aparelho já não tinham muito espaço no compartimento das minhas calças.

E como eu gosto muito de personalizar as minhas roupas, deixo-vos este vídeo com dicas DIY para customizarem os bolsos das calças.

 

Mudar, Trocar ou Cambiar?

Ando nestes dias a ver muitos vídeos, panfletos e parafernália eleitoral. Neste domingo temos eleições. Gostava de um dia poder votar com convicção e não andar a votar na lista “menos má”. Tenho muitas opções e fico triste porque não encontro nada com que me identificar 100%.

Tenho ouvido nestas semanas a palavra “câmbio” inúmeras vezes. Bom, eu não quero “câmbio” nenhum neste domingo. Não é de “câmbio” que eu preciso, quero é mudanças.

Vamos lá com estes matizes. Melhorar a nossa língua não é tão difícil assim. Bora!

  • MUDAR: é sempre fazer uma alteração, modificação, redefinição das coisas. Podemos mudar de
    ideia, de casa, de opinião, de atitude, de vida, fisicamente…


De Mudar temos o substantivo Mudança. E é mesmo assim, meus e minhas, neste domingo…”nada muda se você não mudar”

mudanc3a7a

  • TROCAR: é fazer escambo, substituir uma coisa pela outra. Por exemplo: podemos trocar cromos se formos
    colecionadores/as. Um cromo do Messi por um do Cristiano Ronaldo.

De trocar temos as palavras e expressões TROCO, TROCADOS, TROCA-TROCA, TROCA POR TROCA.

trocar

  • CAMBIAR: É fazer operações de câmbio monetário. Por exemplo: podemos cambiar euros por dólares, yens por euros, reais por pesos…

Deixo-vos esta música de um dos meus rappers de referência, Gabriel o Pensador. O Pensador faz pensar, há uma música dele para cada situação da vida.

“muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente/ A gente muda o mundo na mudança da mente /E quando a mente muda a gente anda pra frente /E quando a gente manda ninguém manda na gente!”