Falso amigo: madre

Uma madre é a freira superiora de um convento. Pode-se dizer que é um título honorífico que uma ordem religiosa dá a uma das suas “irmãs”. Ela tem o dever de ser a coordenadora da sua comunidade.

Como todo vocabulário religioso ocidental, a palavra deriva do latim e é uma forma conservadora. Vem do acusativo Matrem, que significa mãe.

Já de passagem, podemos fazer um pequeno percurso por outras palavras arredor desta: freira e irmã.

Freira é a forma analógica de Frei. Frei vem do latim Frater e significa irmão. Esta palavra deu outras à nossa língua: fraterno, fraternidade, fraternal, fratricídio…Também aparece no italiano fratello. Uma freira é aquela mulher que professou numa ordem religiosa.

No latim, a forma para a palavra irmã era Soror, -is. Temos exemplos na nossa língua de palavras que têm essa origem: sororidade. A língua italiana, por sua vez, ainda conserva a palavra sorella.

Irmão e irmã vêm de germanum, germanam. Este étimo era um cognome latino, que ao que tudo indica, também significava irmão. Os romanos baptizaram os povos germânicos com este nome por serem considerados “vizinhos, próximos”.

Entre irmãos costumamos dizer meu mano, minha mana. Até mesmo entre pessoas que nem sequer são irmãs, mas partilham uma certa camaradagem, pode ser usado este termo. É frequente, por exemplo, entre pessoas da comunidade negra. Se pensarmos na cantiga do Fernando Esquio “vaiamos irmana, vaiamos dormir” , este será um caso muito parecido. Sororidade e camaradagem feminina nas nossas cantigas de amigo.

Também entre as irmãs religiosas é usada a palavra Sor como forma de tratamento. Lembram-se da Sor Lúcia dos Santos? Na Galiza há quem teime em chamá-la de Luzia. Mas vejam o acento da primeira sílaba, ele está lá por alguma razão!

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Apenas

Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Clarice Lispector

Este é um poema da escritora ucraniano-brasileira Clarice Lispector. Nele fala do sentido da vida e de como as pessoas podem aproveitar oportunidades para serem felizes.

Além de lermos este poema e conhecer a autora, este post era para pôr em foco a palavra Apenas que, se repararem, aparece já logo no primeiro verso.

Apenas significa Somente, Só…

Se quisermos exprimir a ideia de Pouco menos de, Quase não, etc. é melhor ficarmos por estas expressões porque usar o Apenas pode mudar radicalmente a perceção da nossa mensagem no público lusófono.

Coa

Coa é o ato ou efeito de coar. Em português é um substantivo. Coar é passar pelo coador, filtro, peneira, etc. Por outras palavras, filtrar.

Também pode ser a forma conjugada desse verbo na terceira pessoa do singular no Presente de Indicativo, ainda que é recomendado colocarmos um acento circunflexo: ele ou ela côa.

E ainda pode haver uma terceira hipótese: podem encontrar nos dicionários a forma Coa como forma arcaica de Com + a, mas esta forma está em desuso e só vão ver em textos antigos.

Como dissemos que isto tudo está nos dicionários, este é um dos termos que um corretor ortográfico não vai marcar a vermelho. Daí que muitos alunos e alunas minhas virem malucos quando recebem as composições escritas corrigidas por mim com marcas vermelhas ainda sabendo que passaram o corretor antes. Como é que é possível? se usei o corretor?! A “máquina” sabe que realmente a palavra existe em português, mas aí é que estamos os humanos para vencermos à tecnologia.

Temos que saber que a preposição Com nunca vai contrair na escrita com os artigos O, A, Os, As. 

Fui ao cinema com o meu irmão

Na escola pintava com os lápis da minha irmã

Sempre estudo com a música que me sugeriste

Estive em casa com as minhas melhores amigas

E, a propósito disto, deixo-vos umas recomendações turísticas por se quiserem conhecer uma terra linda: Vila Nova de Foz Côa. Vejam lá isto.

A origem do nome está no latim Cuda posteriormente Coda, com possível origem no pré-celta kut (javali) ou no basco kuto (porco). Isto explica também a origem do adjetivo transcudano, que é relativo a Ribacôa (adjetivo), natural ou habitante de Ribacôa (nome) ou antigo povo da Lusitânia (nome no plural)

Mestre, mestra, professor, professora, maestro

Mestre ou Mestra é aquela pessoa que sabe muito de um tema. É experta, especialista, perita nisso. Pode ser uma pessoa que partilhe o seu conhecimento com generosidade, no sentido simbólico, um guia.

Também é o grau académico de alguém que cursou um mestrado.

Ela é uma mestra em artes marciais, sabe muitas técnicas do aikido.

A Bruna é mestra em Estudos Linguísticos Comparados.

No português não existe uma distinção entre o docente de escola primária e o docente de escola secundária. É usada sempre a palavraProfessorou Professora nos dois casos.

Já Maestro é um italianismo que designa aquela pessoa que dirige uma orquestra, filarmónica, coro, etc. O seu feminino é Maestrina.

Falso amigo: pantalha

O entrudo galego tem uma variedade de manifestações incrível. É um evento cultural cheio de formas e cores ainda por descobrir para muitas pessoas.

Já falamos alguma vez das máscaras portuguesas que começam o seu ciclo no inverno e hoje quero também falar-vos de um dos entrudos mais longos do ano, o entrudo de Ginço. Esta festa começa três domingos antes da terça-feira gorda: domingo fareleiro, oleiro e corredoiro. Estas três semanas são prelúdio do que virá depois.

Em Ginço, a máscara tradicional é a pantalha, o falso amigo de que vos falo hoje. Ela é a personagem protagonista deste entrudo. Podem ver como é o seu traje nas fotografias: tem duas bexigas para fazer barulho, uns chocalhos, capa e veste umas cuecas longas dessas antigas que usavam dantes os homens.

Qual é o propósito linguístico disto? Igual que com a palavra “galheta”, quero dizer que na Galiza o termo “pantalha” já existia muito antes da chegada do cinema, a tv, os computadores e telemóveis…mas a tecnologia que entrou por via do castelhano deu outro valor a esta palavra. Acho que já sabem do que é que vos estou a falar. Assim sendo, quando tentem falar na norma internacional da nossa língua não esqueçam que temos duas formas para isto: de um lado temos a opção do português europeu Ecrã, e do outro temos a forma do português do Brasil Tela.

Falso amigo: peru

O peru é um animal com muitos passaportes. Na história das línguas recebe nomes de muitas nacionalidades diferentes. Lá está ele, parece um animal eurovisivo. Será que fala várias línguas com aquele glu-glu que parece dizer?

Pensem, como se diz em inglês? Com efeito, em inglês recebe também o nome de um país: turkey. E se pensarmos no caso francês, dinde, é na sua origem o nome doutro país: d’Inde> da Índia.

Peru é o nome comum dado às aves galiformes do género Meleagris. O peru-selvagem é nativo das florestas da América do Norte. O peru-domesticado descende desta espécie selvagem de que vos falo. Mas, tendo em conta que o país, Peru, é da América do Sul…aqui há gato!

Haverá que explicar a origem do nome desta ave. O substantivo tem a ver com o nome do país, confirmo. Segundo a wikipédia, a palavra Peru é, provavelmente, derivada de Birú, o nome de um governante local que morava perto da Baía de São Miguel, no Panamá, no início do século XVI. Quando os seus domínios foram visitados por exploradores espanhóis em 1522, eles eram a parte mais meridional do “Novo Mundo” conhecida pelos europeus. Assim, quando Francisco Pizarro explorou as regiões mais ao sul, designou-as de Birú ou Peru.

Pude saber, que nalgumas regiões da Galiza existe também a palavra “piru”. Se estiveres a ler isto e dizes esta palavra, manifesta-te!

Mas a casa do peru é realmente o México e o sul dos EUA. De facto, os astecas foram o primeiro povo que agiu na sua domesticidade. Se tudo corresse como os conformes, deveria ter-se chamado galo do México ou alguma coisa parecida, mas nesse país é chamado de guajolote ou, mais modernamente, pavo. Popularmente é associado a deuses, monstros e poderes curativos ainda.

Continuamos. Para os portugueses dos tempos das conquistas ultramarinas, tudo aquilo que fosse das terras conquistadas pelos espanhóis era Peru. A fama das riquezas daquele país era tal que metonimicamente, entre os portugueses, vem a significar “América espanhola”. Portanto, o animal foi chamado de galo do Peru ou galinha do Peru no início. Hoje, por economia linguística, dizemos só peru.

A história do turkey e do dinde é similar, uma falsa atribuição de origens.

O peru, junto do bacalhau é um dos pratos estrela da consoada de Natal. Deixo-vos uma receita, por se quiserem experimentar.

Falso amigo: filhós, filhoses

Não sei se repararam, mas culinária e isoglossas por vezes fazem um bom par. Um dos sonhos da minha vida é termos uma história da culinária escrita por profissionais. Sabermos a origem de muitos pratos, porque o que é considerado totémico na nossa cultura se calhar é bem mais recente do que estamos a pensar.

Talvez vos tenha acontecido. Chegam a uma casa portuguesa ou restaurante e alguém oferece filhoses. No vosso imaginário está uma sobremesa de entrudo, redonda e de massa fina…mas a realidade mostra outro produto.

Uma filhó (plural filhós) ou filhós (plural filhoses), é uma especialidade gastronómica portuguesa, muito comum nas regiões do interior e no Seridó por altura do Natal. Filhoses e rabanadas são os produtos estrela na sobremesa da consoada. Realmente, a filhó recebe muitos nomes no país vizinho e há também muitas “modas” para prepará-las. Há quem lhe chame simplesmente “fritos” ou “bolos fritos”.

Coloco os ingredientes que normalmente aparecem, a filhó “padrão”, por assim dizer. Ela costuma ser feita com farinha e ovos, por vezes também com abóbora e raspa de laranja. É frita em azeite, ou outros óleos vegetais. Tem também os seus toppings porque podem ser polvilhadas de canela e açúcar.

Podem ver a receita do Pingo Doce que vos deixo cá ou, se forem mais da geração millennial e precisarem de vídeos podem conferir a Teleculinária.

Existe um outro prato típico do entrudo madeirense que é a malassada. Parece-se com os donuts, as bolas de Berlim ou as “chulas” da minha zona. Era confecionado, igual que as “filhoas” galegas para aproveitar toda a banha que restava antes da Páscoa. A sua história e relação com o Havaí é bem interessante. Não percam.

Origem de termos económicos

Como começaram 2019? tiveram muitas despesas nas festas? É janeiro e este mês sempre custa levar as contas, poupar e estar de bem com a vida.

Ontem comecei um fio no Twitter que me levou a escrever este artigo. A curisidade foi a origem do termo Poupar e foi como as cerejas: nunca podes comer apenas uma. Lá vão algumas etimologias interessantes.

  • Bancarrota

Esta vem do italiano banca rotta, mesa quebrada. Os cambeadores e prestamistas da Florença deviam romper a mesa onde faziam as suas atividades comerciais quando já não eram solventes. Faziam isto para se humilhar. Banca…significava mesa!

  • Banco

Do germânico, bank. Passou ao italiano Banca, que na Idade Média significava “mesa” na zona da Florença, como disse antes.

  • Bolsa

Vem do latim Bursa, e do grego Byrsa. Significava pelelho, couro. Deste substantivo temos o adjetivo Bursátil.

  • Caixa

Do latim Capsa, era o nome dado às caixas cilíndricas onde os cidadãos de Roma guardavam os seus livros. Dessa capsa veio a nossa Caixa em geral, e também a palavra inglesa cash, que agora para os modernos quer dizer “dinheiro”.

  • Calote

É a dívida que se contraiu sem possibilidade ou intenção de pagar. A palavra tem a sua origem no francês culotte e é uma coisa curiosa. Era a peça de dominó que não pôde ser jogada.

  • Cheque

A palavra vem do inglês Check e esta vem do francês Eschec, que significava Xeque, como no xadrez quando o rei é ameaçado. Os primeiros cheques eram utilizados para prevenir as burlas (fraudes). O banco tinha a assinatura do cliente e comparava com muito detalhe, por isso hoje temos também o verbo Checar com o sentido de comparar.

  • Contabilidade

Contabilidade vem do verbo latino Computare, que significava duas coisas: contar (números) e contar (estórias). Portanto, fazer contabilidade pode ser contar a estória da nossa própria empresa em números…

  • Crédito

Vem do latim Credere, crer. Realmente é o seu particípio, Credititus, que significa “coisa confiada. No sentido original, Crédito significava ter confiança, acreditar. No sentido económico também é assim, pois não? a confiança que temos na capacidade de alguém cumprir com uma obrigação económica.

  • Crise

Vem do grego, krysis, que significa “romper, separar, decidir”. Era como o termo usado para Resiliência. Romper uma coisa para restaurá-la e torná-la mais forte. Tinha um significado positivo.

Suponho que o capitalismo usou a palavra crise para indicar falta de dinheiro e repensar soluções. São repensadas realmente? não sei…

  • Despesa

Vem do latim Dispendere, gastar, empregar, pagar. O verbo inglês to spend ou a expressão italiana Fare la spesa têm a mesma origem.

  • Dinheiro

Do latim Denarius, originalmente o nome de uma moeda feita em prata na época clássica (dinar).

  • Economia

Vem do grego Oikos, casa, e Nomos, lei, norma, administração. Isto é: ordem da casa, administração do lar…O termo foi criado já na época clássica e sim, era património de mulheres, que eram as que administravam a casa.

  • Empresa

É o particípio do verbo latino Imprehendere, de In – Prehendere, capturar, levar, agarrar. Dela temos também Empreendedor, Empreendedorismo…

  • Falência

É a situação financeira de uma empresa ou entidade que apresenta um passivo superior a um ativo. Ir à falência é a bancarrota. vem do latim Fallentia, que significa “as coisas que faltam, ou as coisas que enganam”

  • Financeiro

Vem do francês Financer, que significa emendar uma dívida. Financer vem do latim Finis, fim, de pôr fim ao calote.

  • Hipoteca

Vem do grego hypotheke, de Hypo (sob) e theke (caixa, depósito, coleção). No grego clássico também era usado como sinónimo de fundamento ou alicerce e então o significado derivou nisto que conhecemos hoje, como uma ajuda para poder ter uma casa.

  • Juros

Vem do latim Ius, Iuris: direito, justiça, lei. A mesma palavra originou Juiz, Juízo, Júri ou Usura.

Das línguas românicas só o galego-português usa.

O Cristianismo os diabolizou os lucros e cobrança de juros, ao usar o termo como sinónimo da usura, que sempre combateu. Só no séc. XVIII, quando as leis da economia começam a ser estudadas cientificamente, começar a ser utilizado Juro para designar a taxa de remuneração pelo uso do dinheiro, e Usura para o empréstimo de dinheiro a taxas superiores às legais.

  • Moeda

Esta sim é linda, porque é mitológica e eu adoro mitologia. Na época clássica a palavra romana usada para isto era Numus (disto vem Numismática).

A deusa Juno Moneta, Juno “a avisadora”, adivinhou vários perigos por que ia passar a cidade de Roma, era como uma protetora. Por assim dizer, A Fábrica Nacional de Moeda e Timbre da época estava muito perto da colina sagrada de Juno e começaram a fazer moedas no seu honor com a inscrição “ad monetam” e disto derivou o termo.

  • Negócio

No latim havia várias maneiras de negar uma com NON e outra com NE/NEC. Na idiossincrasia romana havia um tempo de Ócio e um tempo de Negócio, isto é Nec-otium, ou seja: Não-ócio. Négocio era o tempo que tinhas com ocupações.

Esta maneira de construir a palavra dá para ver que o principal era o Otium, os tempos livres e o lazer e o subordinado era o Nec-otium. Pensemos nas nossas vidas e no nosso tempo ocupado…

  • Porquinho mealheiro

Acho que toda a gente teve isto em criança. Não vou comentar a origem da palavra “porco”, mas sim a de “mealheiro”. Vem do latim Medalia, que era metade de uma moeda de cobre, coisa de pouco valor.

Qual é o motivo de ser um porco? Podem ver hipóteses neste artigo.

  • Poupar

Vem do latim Palpare, apalpar. Como, para se saber se era possível fazer um gasto, a pessoa avaliava com a mão a sua bolsa de moedas, a palavra acabou gerando “poupar” no sentido de “economizar”.

  • Prestação

É uma quantia paga periodicamente para cumprir um contrato ou extinguir uma dívida. É engraçado porque vem do latim Praestatione, que na altura significava “ação de satisfazer”.

  • Orçamento

Vem do italiano Orza, e do verbo Orzare. É um termo náutico. É cabo ligado à esquerda da vela; do sentido de “dirigir uma embarcação contra o vento” acabou surgindo também o de avaliar as despesas de uma instituição ou obra.

  • Receita

São os rendimentos de uma pessoa, Estado, empresa. Vem também do latim, do verbo Recipere, “receber”. Etimologicamente pode ser entendido como “coisas recebidas”

  • Salário

A origem deste termo é muito conhecida. Vem do latim Salarium, “pagamento, salário, estipêndio”, de sal. Originalmente era uma quantia paga aos soldados para a compra de sal, artigo que era caro na Europa daquela altura.

As 8 postagens menos bem sucedidas em 2018

Chega o final do ano e é impossível não fazermos balanços. Contudo, eu confesso, sempre tenho maior sensação de iniciar uma nova etapa ou encerrá-la na sequência do ano académico. Serão os ossos do ofício.

O que acham desse ditado que diz Segundas chances nunca dão certo? Nós pensamos que pode haver uma segunda chance para algum dos nossos artigos. É triste vê-los de últimos na fila, à espera de mais visitas. Como o Natal é tempo de reencontros e generosidade, hoje podem então revisitar estes oito. Destacamos aqueles que tratam ítems de gramática ou léxico, porque são intemporais.

Por acaso, os menos lidos são aqueles que falam de erros que vejo com mais frequência em utentes da Galiza, portanto, continuam a ser necessários. Vejam este Genial.ly e carreguem nos números que andam a flutuar para acederem às informações.

Falso amigo: pinha

O cheiro tem um papel muito evocador, para mim o cheiro a madeira leva-me à minha infância. Lembro-me de ir com meus primos aos pinhais apanhar pinhões como se fôssemos esquilos. Ir aos pinhões e às amoras era bem divertido porque estávamos em contacto com a natureza muito tempo e no final havia uma boa recompensa: comer tudo.

Não sei se sabem, mas as pinhas dos pinheiros têm sementes de futuras árvores. A natureza é sábia e guarda as sementes em cascas muito fortes e resistentes. É por isso que não é muito recomendável levarmos pinhas a casa, lá dentro estarão os novos pinheiros e também servem de alimento a outros animais roedores.

A verdade é que nunca vi o processo de germinação até consultar este artigo, apesar de ter visto na minha vida montes (que redundância!) de pinhas.

A palavra PINHA tem uma família léxica bastante extensa:

  • pinheiro: é o nome da árvore, dela aproveitamos muita coisa: os frutos, a madeira e a resina. Há vários tipos de pinheiros: pinheiro-manso, pinheiro-bravo, pinheiro-alvar…
  • pinheiro de Natal: a árvore de Natal é também chamada de pinheiro.
  • pinho: é a madeira do pinheiro. Dizemos então madeira de pinho.
  • pinhal: é o terreno onde crescem pinheiros ou um conjunto deles.
  • pinhão: é a semente comestível contida na pinha.

Pronto, também, por metáfora chamamos de pinha a um aglomerado de coisas ou pessoas. Uma pinha de percebes.

E já agora…(suponho que estavam à espera) temos o verbo pinar que num contexto muito (muito) coloquial é “ter relações sexuais”. Na minha terra usávamos esse e também a expressão ir às pinhas.

Não sei se nesta altura é permitido apanhar pinhas, sei que houve tempos em que foi proibido. Se for proibido, esqueçam logo isto tudo que vos vou propor. Como já pusemos o toque “picante” toca agora dar a dica para toda a família. Vi na net umas ideias super-fixes para fazerem em casa enfeites de Natal com pinhas. Adorei esta da foto, é tão fofa…Podem consultar esta página e fazer durante estes dias.

(A outra palavra que estão a procurar mentalmente neste momento, acho que é ananás ou abacaxi. Uma é de origem guarani e a outra tupi, nomeadamente)