Dom La Nena no Gaiás

“Atardecer no Gaiás” é já um dos planos do verão para qualquer “picheleiro/a” de gema.

A Cidade da Cultura é desses elefantes que as cidades têm infrautilizados e assim pelo menos, nem que seja a praça principal, ainda tem uma utilidade. Prós: vermos o entardecer lá é incrível. Contras: se não tiveres carro, como eu, estás lixado/a, porque as conexões de transportes são péssimas. Mas esta é uma dessas situações em que os prós vencem os contras.

Amanhã às 21h, na praça principal, teremos o concerto da brasileira Dominique Pinto aka Dom La Nena.

A jovem violoncelista de Porto Alegre sentiu a necessidade de homenagear os artistas que mais admirava durante a sua gira com o disco Soyo em 2015. Começou assim como quem não quer nada a fazer covers nos seus concertos e daí saiu o seu EP Cantando, com músicas em português, inglês, francês e espanhol gravadas com a sua voz e um mínimo acompanhamento: o violoncelo.

Delicadeza, minimalismo e poesia para uma tarde de verão.

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MIT Ribadávia 2018

É engraçado como as coisas se unem, podem chamar-lhe serendipidade ou destino.

Um dos temas de que mais falei com os meus alunos e alunas este ano foi o teatro e depois calhou que foi também uma das perguntas no meu concurso-oposição. Hoje abri o email e tinha um aviso do começo da MIT de Ribadávia.

E como acho que a MIT não precisa de apresentações, vamos ao ponto. Eis a nossa proposta lusopata para este ciclo de teatro.

-dia 15: apresentação do livro Confio-te o meu corpo. A dramaturgia pós-dramática, de Afonso Becerra de Becerreá. Será apresentado pelo diretor do Teatro Municipal Rivoli do Porto, Tiago Guedes, às 21h30 no Salão de Atos do Concelho.

É ainda um tabu mostrar o corpo em movimento? É o teatro uma profissão digna? Estas e mais questões a debate neste livro da Através.

-dia 18: às 20h na Praça Maior temos um primeiro passe de Ez Sub dos portugueses Projeto EZ, haverá um segundo passe às 00h30 no mesmo lugar.

Este é um desses espetáculos onde o público é espetador mas também se torna performista.

A peça fala-nos de um submarino que anda um bocado perdido num ambiente urbano. O próprio submarino é “uma máquina cénica de grande formato, capaz de transportar os transeuntes para uma nova realidade”. Pelo que vi na página do projeto, nós como espetadores/as podemos entrar na máquina e interagir com ela. Vejam só.

Quem gostava de ser o capitão Nemo?

José Aníbal Beirão na Arca da Noe

A nova travessia da Arca da Noe em Vilar de Santos vem carregada de notícias lusopatas. Comecemos pelo concerto de hoje, mas não se esqueçam de conferir no nosso blogue os próximos posts em avanço para estarem a par de tudo.

José Aníbal Beirão, músico português, dá hoje um concerto lá. Tripeiro de gema, é contrabaixista e também compositor. Fez parte de formações como Palankalama ou Les Saint Armand a tocar contrabaixo, mas ao longo do tempo desenvolveu também o talento como cantautor.

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O seu primeiro disco, Baiumbadaiumbe, é quase um trabalho de patchwork, porque compila canções que ele foi compondo em momentos diferentes da sua vida: quando tocava no Pato Sentido, gravações que ele fez em casa e canções fundamentadas no contrabaixo e voz.

E como sempre me dizem que anuncio muitas bandas portuguesas que cantam em inglês…fiquem descansados e descansadas: as letras são na nossa língua, com toques de tropicalismo e jazz experimental.

Hoje às 22h30.

Teresa Salgueiro em Tui

Tui é desses municípios com grande valor estratégico, tanto geográfica como politicamente. O peso simbólico, aliás, que Tui tem na história dos vultos do reintegracionismo é muito. É só estudarmos o discurso de Murguia nos Jogos Florais de 1891 e entendermos muita coisa sobre nós e a nossa língua.

Esta terra está a comemorar desde ontem o tratado que erigiu uma fronteira histórica com um programa abrangente que envolve artistas dos dois lados do Minho: Sondeseu ontem e Teresa Salgueiro hoje.

Parece que desde o ciclo Nexos a Teresa ainda anda pelas nossas terras e dará um concerto de graça na Rua Compostela, às 22h30.

Espero que no futuro comemoremos mais coisas que nos unam!

 

Dear Telephone em Compostela

Hoje em Compostela, no Xardín de Julia, no marco dos concertos do programa Terrazeando teremos a oportunidade de ouvir a banda portuguesa Dear Telephone.

Os Dear Telephone vêm de Barcelos com o seu novo disco, Cut (2017) para darem o seu melhor. Formados em 2010, a banda conta com a Graciela Coelho, André Simão, Ricardo Cibrão e Pedro Oliveira. O seu nome vem da curta-metragem de Peter Greenaway “Dear Phone” de 1976.

Tocaram já em Salas como o Theatro Circo, o Hard Club ou mesmo em festivais do reconecimento do Optimus ou Milhões de Festa. Despois de Birth of a robot (2011) estão agora de gira com Cut.

Dream pop , rock experimental, eletrónico minimalista…e saxofone. Eu não saberia que etiqueta colocar. Vão lá e vejam! Hoje…às 21h!

Dormir com Lisboa…em Vigo!

Fausta Cardoso Pereira é uma jovem romancista formada em Publicidade e Marketing, Comunicação Social e Sustentabilidade. Esta poderia ser uma biografia normal, como qualquer outra que se faz sobre alguém talentoso, mas há uma caraterística distintiva: ela ganhou na Galiza um prémio literário com um livro escrito em português. Suponho que terá que explicar este facto muitas vezes na sua terra natal, Lisboa.

É autora de O homen do puzzle, uma fábula sobre a paralisação e a mudança; e também de Bom caminho, um livro de viagens que fala da sua experiência no Caminho de Santiago.

Dormir com Lisboa tem a cidade homónima como protagonista. Lisboa, sem qualquer razão, começa a devorar pessoas. E o livro devorou-me a mim. A obra foi vencedora, como referi acima, na segunda edição do prémio Antón Risco de literatura fantástica. A escritora conseguiu, obviamente, uma recompensa económica e a possiblidade de publicação, sendo a Urco editora a empresa responsável. Voltemos ler as linhas anteriores e pensemos friamente: uma lisboeta, que escreve em AO, ganha na Galiza um prémio e publica o seu livro connosco. Acho que os premiados fomos todos e todas nós. Coisas maravilhosas ainda podem acontecer!

Amanhã estarão na feira do livro de Vigo David Cortizo, membro da Urco, e a autora para meter dois dedos de conversa. 20h30! escrevam todas as curiosidades num papel e perguntem, perguntem, perguntem!

PoemaRia com participação portuguesa

poemaria Entre hoje, amanhã e depois de amanhã poderemos entrar em contacto com a lírica atual de vários países da Europa. Este é o terceiro ano consecutivo para o festival PoemaRia em Vigo, um projeto ainda muito jovem que pode chegar a ser um referente como o já muito conceituado Festival de Poesia no Condado ou outras propostas de dimensões mais modestas, tipo o Festivalo de Manselhe, em Dodro.

Qual é o toque distintivo do PoemaRia? a resposta não poderia ser mais atual e mais justa: dar um espaço às vozes líricas femininas.

Se forem procurar informações sobre o evento em jornais galegos ou locais, verão que durante parágrafos só se fala de literatura hispânica. Achei isso bastante sintomático, sendo Dores Tembrás quase a anfitriã e tendo como espaços para o festival a Praça do Abanico, o Instituto Camões e a Casa Galega da Cultura. Em fim…comecei a escrever o artigo com uma finalidade, que é dizer-vos que haverá participação portuguesa.

Andreia C. Faria e Elisabete Marques marcarão presença amanhã e toda a gente pode ir lá ter, porque a entrada é livre. A primeira fará uma leitura a dois com a escritora irlandesa Anamaria Crowe Serrano no Centro Camões às 21h30.

Andreia C. Faria nasceu no Porto, em 1984. Publicou em 2008 o seu primeiro livro de poemas, De haver relento (Cosmorama Edições), em 2013 Flúor (Textura Edições) e em 2015 Um pouco acima do lugar onde melhor se escuta o coração (Edições Artefacto)

A Elisabete Marques lerá no mesmo dia na Praça do Abanico às 22h30 textos com a galega Miriam Ferradáns, na secção Poetas através do Minho. Pelo que cheguei a saber na net, a poeta portuguesa vem definida como uma lufada de ar fresco na nova geração de poetas e o seu lirismo tem uma estética muito pessoal e singular. Publicou Cisco (Mariposa Azual) e Animais de Sangue Frio (Língua Morta). Neste último poemário faz uma alegoria do mundo e da fauna que o povoa.

Vão lá e apoiem a literatura em feminino!

 

 

São João

Chega a minha noite mais esperada!

Fagulhas, pontas de agulhas
Brilham estrelas de São João…

Preparei uma aromática nuvem de tags com forma de fogueira com algum vocabulário sobre a festa. Podem ver as palavras e dizer se acham que falta alguma coisa.

De onde nos leem? como é que se festeja esta noite nos vossos países? Na Galiza é imprescindível saberem estas palavras.

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Querem aprender mais sobre ervas de cheiro? Vejam o vídeo de Mão Verde (Capicua & Pedro Geraldes). É tão lindo!

A minha playlist para receber o verão

Na semana passada pensava que o verão não ia chegar mais e qual índigena pataxó decidi invocá-lo com música. Acho que funcionou, porque levo quase sete dias de sandálias.

Hoje começa oficialmente a estação mais quente no nosso hemisfério e criei uma lista de músicas para lhe dar as boas-vindas. São canções que eu associo, sem dúvida nenhuma, às férias e à praia. Dez músicas de estilos muito diferentes e um toque piroso, porque isso nunca deve faltar numa lista de música estival. Podem ouvi-las à solta (se carregarem em cada círculo de cor) ou por junto (se carregarem no centro da vitrola).

Eis os meus motivos…

1. Tom Jobim: Garota de Ipanema. Realmente existe alguém que não conheça esta música? se existir, essa pessoa não presta. Um canto à beleza e à saudade que ambienta sempre uma zona chill out.

2. A fúria do açúcar: Eu gosto é do verão. Descobri esta canção quando estava à procura de músicas que tivessem estruturas de ênfase: “eu gosto é”. Viciou-me o humor e o ridículo da letra. Acho que hoje é ainda de conteúdo muito atual, se pensarmos no fenómeno Instagram.

3. Peste e Sida: Sol da Caparica. Fugir de Lisboa e ir à praia da Caparica. Traz-me recordações de tempos melhores.

4. Deolinda: Corzinha de verão. Tirar férias com o infortúnio de termos só dias de chuva. Não ligar bronze nunca. Enfim, pequenos dramas das viagens.

5. Natércia Barreto: Óculos de sol. A protagonista da letra diz que usa óculos de sol…para o sol, mas tem um triste segredo. Uma melodia vintage e doce.

6. Natiruts: Um céu, um sol e um mar. Um bocado de reggae é sempre relaxante. O paraíso é um lugar na praia.

7. José Malhoa: Baile de verão. O pimba é o meu guilty pleasure e o José Malhoa é um rei. A canção conta o princípio de um namorico num arraial. Cada domingo, durante anos, foi top na feira padronesa.

8. Skank: Vamos fugir. Mandar tudo às urtigas e ir a um lugar paradisíaco, quem não quer?

9. Gabriel o Pensador: Solitário surfista. O clássico de Jorge Ben Jor foi versionado pelo rapper e também surfista Gabriel o Pensador. Gosto muito dessa sensação de liberdade do surf, quanta paz me dá esta música.

10. Marisa Monte: Lenda das sereias. Imaginem só ser uma sereia e ter todos os mares para viver? Esta é uma canção dedicada à orixá Yemanjá.

Monstra à solta…em Vigo!


O Festival de Animação de Lisboa, Monstra, é desde há 18 anos um espaço de provocação e criatividade. Um exemplo de diálogo artístico interdisciplinar que já está na maioria de idade.

A Monstra tem uma vertente itinerante, Monstra…à solta!, que agora chega a Vigo. As e os organizadores têm levado o festival a múltiplas cidades portuguesas e aos cinco continentes durante os últimos quatro anos. O objetivo é partilhar com os públicos que vivem fora da grande Lisboa uma parte importante do festival.

Para comemorarem o facto de chegarem aos 18 anos de idade e em parceria como o Centro Cultural Camões de Vigo, Monstra leva à cidade olívica duas sessões de retrospetiva de cinema de animação que serão projetadas na sede do centro.

No dia 20 de junho às 20h30 há a exibição dos premiados deste ano, podem ver o palmarés nesta ligação que vos deixo. Já no dia a seguir, na mesma hora e lugar, poderemos ver Alma portuguesa e alguns dos melhores filmes de animação produzidos em Portugal até aos dias de hoje.