Falso amigo: peru

O peru é um animal com muitos passaportes. Na história das línguas recebe nomes de muitas nacionalidades diferentes. Lá está ele, parece um animal eurovisivo. Será que fala várias línguas com aquele glu-glu que parece dizer?

Pensem, como se diz em inglês? Com efeito, em inglês recebe também o nome de um país: turkey. E se pensarmos no caso francês, dinde, é na sua origem o nome doutro país: d’Inde> da Índia.

Peru é o nome comum dado às aves galiformes do género Meleagris. O peru-selvagem é nativo das florestas da América do Norte. O peru-domesticado descende desta espécie selvagem de que vos falo. Mas, tendo em conta que o país, Peru, é da América do Sul…aqui há gato!

Haverá que explicar a origem do nome desta ave. O substantivo tem a ver com o nome do país, confirmo. Segundo a wikipédia, a palavra Peru é, provavelmente, derivada de Birú, o nome de um governante local que morava perto da Baía de São Miguel, no Panamá, no início do século XVI. Quando os seus domínios foram visitados por exploradores espanhóis em 1522, eles eram a parte mais meridional do “Novo Mundo” conhecida pelos europeus. Assim, quando Francisco Pizarro explorou as regiões mais ao sul, designou-as de Birú ou Peru.

Pude saber, que nalgumas regiões da Galiza existe também a palavra “piru”. Se estiveres a ler isto e dizes esta palavra, manifesta-te!

Mas a casa do peru é realmente o México e o sul dos EUA. De facto, os astecas foram o primeiro povo que agiu na sua domesticidade. Se tudo corresse como os conformes, deveria ter-se chamado galo do México ou alguma coisa parecida, mas nesse país é chamado de guajolote ou, mais modernamente, pavo. Popularmente é associado a deuses, monstros e poderes curativos ainda.

Continuamos. Para os portugueses dos tempos das conquistas ultramarinas, tudo aquilo que fosse das terras conquistadas pelos espanhóis era Peru. A fama das riquezas daquele país era tal que metonimicamente, entre os portugueses, vem a significar “América espanhola”. Portanto, o animal foi chamado de galo do Peru ou galinha do Peru no início. Hoje, por economia linguística, dizemos só peru.

A história do turkey e do dinde é similar, uma falsa atribuição de origens.

O peru, junto do bacalhau é um dos pratos estrela da consoada de Natal. Deixo-vos uma receita, por se quiserem experimentar.

Anúncios

Cristina Branco com a Filarmónica da Galiza

A Real Filarmónica da Galiza e a fadista portuguesa Cristina Branco farão um espetáculo em parceria nos dias 14 e 15 do corrente mês. No dia 14 estarão em Compostela no Auditório da Galiza e no dia a seguir na Corunha no Teatro Colón. Os dois passes são à mesma hora, 20h30.

Para quem não souber, a Cristina Branco é uma das celebridades do Museu do Fado. Sim, a canção de Lisboa tem um museu. A cantora ribatejana tinha em Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Elis Regina os seus referentes até que um dia o seu avô lhe oferece um disco da Amália Rodrigues. A partir desse momento, começou a sua amaliomania.

Conta ela própria que uma noite atreveu-se a cantar fado de maneira descontraída, como quem não quer nada, e isso mudou a sua vida para sempre. Um dos músicos convidou-a continuar e assim a sua carreira começou.

Podem consultar o repertório de canções nas ligações que deixei lá cima. Não percam esta oportunidade de ouvir fado com os melhores músicos e uma das vozes mais cotadas da música lisboeta.

Birds are Indie em digressão

Poucas bandas têm tido tanto espaço mediático no nosso blogue como os Birds Are Indie. Gostamos mesmo deles e, ao que parece, eles gostam de nós, portanto, essa dedicação é merecida: amor com amor se paga.

Os de Coimbra vão já no quarto disco e desta vez gravaram com o carimbo da Lux records, uma histórica editora conimbricense. Este último trabalho tem aqueles ares com que podemos identificar os trabalhos anteriores, mas destaca-se por ter ritmos mais mexidos.

Há pouco fizeram um showcase na redação do JN. A Joana, o Henrique e o Jerónimo são incombustíveis e agora chegam à Galiza para nos dar três concertos:

 

-Vigo, dia 7, Radar Estudios

-Ponte Vedra, dia 8, El pequeño

-Ourense, dia 9, Torgal

Deixem os pássaros voar!!

Dead Combo na Corunha

Amanhã a banda portuguesa Dead Combo estarão em concerto na Corunha, no Teatro Colón.

No ano 2016 o Lusopatia já falava de um concerto deles em Compostela. Continuamos a recomendar uma banda de música experimental e instrumental? Continuamos, sim. E ainda com mais força.

No passado mês de abril lançaram o seu último disco, Odeon Hotel. Internacionalizaram-se e arranjaram um produtor externo. Este trabalho recolhe perfeitamente o seu som tradicional e a sua visão da música como ritmo universal. Mas há ainda um facto que faz com que este disco seja a cereja no bolo da sua produção. Mark Lanegan interpretará com a sua voz de barítono o tema I know, I alone. Esta canção é muito especial porque a letra é um dos poemas escritos em inglês mais conhecidos de Fernando Pessoa.

Deixo um vídeo para vocês ouvirem esta maravilha de som.

Ainda vão a tempo de comprarem bilhetes!

Falso amigo: filhós, filhoses

Não sei se repararam, mas culinária e isoglossas por vezes fazem um bom par. Um dos sonhos da minha vida é termos uma história da culinária escrita por profissionais. Sabermos a origem de muitos pratos, porque o que é considerado totémico na nossa cultura se calhar é bem mais recente do que estamos a pensar.

Talvez vos tenha acontecido. Chegam a uma casa portuguesa ou restaurante e alguém oferece filhoses. No vosso imaginário está uma sobremesa de entrudo, redonda e de massa fina…mas a realidade mostra outro produto.

Uma filhó (plural filhós) ou filhós (plural filhoses), é uma especialidade gastronómica portuguesa, muito comum nas regiões do interior e no Seridó por altura do Natal. Filhoses e rabanadas são os produtos estrela na sobremesa da consoada. Realmente, a filhó recebe muitos nomes no país vizinho e há também muitas “modas” para prepará-las. Há quem lhe chame simplesmente “fritos” ou “bolos fritos”.

Coloco os ingredientes que normalmente aparecem, a filhó “padrão”, por assim dizer. Ela costuma ser feita com farinha e ovos, por vezes também com abóbora e raspa de laranja. É frita em azeite, ou outros óleos vegetais. Tem também os seus toppings porque podem ser polvilhadas de canela e açúcar.

Podem ver a receita do Pingo Doce que vos deixo cá ou, se forem mais da geração millennial e precisarem de vídeos podem conferir a Teleculinária.

Existe um outro prato típico do entrudo madeirense que é a malassada. Parece-se com os donuts, as bolas de Berlim ou as “chulas” da minha zona. Era confecionado, igual que as “filhoas” galegas para aproveitar toda a banha que restava antes da Páscoa. A sua história e relação com o Havaí é bem interessante. Não percam.

Origem de termos económicos

Como começaram 2019? tiveram muitas despesas nas festas? É janeiro e este mês sempre custa levar as contas, poupar e estar de bem com a vida.

Ontem comecei um fio no Twitter que me levou a escrever este artigo. A curisidade foi a origem do termo Poupar e foi como as cerejas: nunca podes comer apenas uma. Lá vão algumas etimologias interessantes.

  • Bancarrota

Esta vem do italiano banca rotta, mesa quebrada. Os cambeadores e prestamistas da Florença deviam romper a mesa onde faziam as suas atividades comerciais quando já não eram solventes. Faziam isto para se humilhar. Banca…significava mesa!

  • Banco

Do germânico, bank. Passou ao italiano Banca, que na Idade Média significava “mesa” na zona da Florença, como disse antes.

  • Bolsa

Vem do latim Bursa, e do grego Byrsa. Significava pelelho, couro. Deste substantivo temos o adjetivo Bursátil.

  • Caixa

Do latim Capsa, era o nome dado às caixas cilíndricas onde os cidadãos de Roma guardavam os seus livros. Dessa capsa veio a nossa Caixa em geral, e também a palavra inglesa cash, que agora para os modernos quer dizer “dinheiro”.

  • Calote

É a dívida que se contraiu sem possibilidade ou intenção de pagar. A palavra tem a sua origem no francês culotte e é uma coisa curiosa. Era a peça de dominó que não pôde ser jogada.

  • Cheque

A palavra vem do inglês Check e esta vem do francês Eschec, que significava Xeque, como no xadrez quando o rei é ameaçado. Os primeiros cheques eram utilizados para prevenir as burlas (fraudes). O banco tinha a assinatura do cliente e comparava com muito detalhe, por isso hoje temos também o verbo Checar com o sentido de comparar.

  • Contabilidade

Contabilidade vem do verbo latino Computare, que significava duas coisas: contar (números) e contar (estórias). Portanto, fazer contabilidade pode ser contar a estória da nossa própria empresa em números…

  • Crédito

Vem do latim Credere, crer. Realmente é o seu particípio, Credititus, que significa “coisa confiada. No sentido original, Crédito significava ter confiança, acreditar. No sentido económico também é assim, pois não? a confiança que temos na capacidade de alguém cumprir com uma obrigação económica.

  • Crise

Vem do grego, krysis, que significa “romper, separar, decidir”. Era como o termo usado para Resiliência. Romper uma coisa para restaurá-la e torná-la mais forte. Tinha um significado positivo.

Suponho que o capitalismo usou a palavra crise para indicar falta de dinheiro e repensar soluções. São repensadas realmente? não sei…

  • Despesa

Vem do latim Dispendere, gastar, empregar, pagar. O verbo inglês to spend ou a expressão italiana Fare la spesa têm a mesma origem.

  • Dinheiro

Do latim Denarius, originalmente o nome de uma moeda feita em prata na época clássica (dinar).

  • Economia

Vem do grego Oikos, casa, e Nomos, lei, norma, administração. Isto é: ordem da casa, administração do lar…O termo foi criado já na época clássica e sim, era património de mulheres, que eram as que administravam a casa.

  • Empresa

É o particípio do verbo latino Imprehendere, de In – Prehendere, capturar, levar, agarrar. Dela temos também Empreendedor, Empreendedorismo…

  • Falência

É a situação financeira de uma empresa ou entidade que apresenta um passivo superior a um ativo. Ir à falência é a bancarrota. vem do latim Fallentia, que significa “as coisas que faltam, ou as coisas que enganam”

  • Financeiro

Vem do francês Financer, que significa emendar uma dívida. Financer vem do latim Finis, fim, de pôr fim ao calote.

  • Hipoteca

Vem do grego hypotheke, de Hypo (sob) e theke (caixa, depósito, coleção). No grego clássico também era usado como sinónimo de fundamento ou alicerce e então o significado derivou nisto que conhecemos hoje, como uma ajuda para poder ter uma casa.

  • Juros

Vem do latim Ius, Iuris: direito, justiça, lei. A mesma palavra originou Juiz, Juízo, Júri ou Usura.

Das línguas românicas só o galego-português usa.

O Cristianismo os diabolizou os lucros e cobrança de juros, ao usar o termo como sinónimo da usura, que sempre combateu. Só no séc. XVIII, quando as leis da economia começam a ser estudadas cientificamente, começar a ser utilizado Juro para designar a taxa de remuneração pelo uso do dinheiro, e Usura para o empréstimo de dinheiro a taxas superiores às legais.

  • Moeda

Esta sim é linda, porque é mitológica e eu adoro mitologia. Na época clássica a palavra romana usada para isto era Numus (disto vem Numismática).

A deusa Juno Moneta, Juno “a avisadora”, adivinhou vários perigos por que ia passar a cidade de Roma, era como uma protetora. Por assim dizer, A Fábrica Nacional de Moeda e Timbre da época estava muito perto da colina sagrada de Juno e começaram a fazer moedas no seu honor com a inscrição “ad monetam” e disto derivou o termo.

  • Negócio

No latim havia várias maneiras de negar uma com NON e outra com NE/NEC. Na idiossincrasia romana havia um tempo de Ócio e um tempo de Negócio, isto é Nec-otium, ou seja: Não-ócio. Négocio era o tempo que tinhas com ocupações.

Esta maneira de construir a palavra dá para ver que o principal era o Otium, os tempos livres e o lazer e o subordinado era o Nec-otium. Pensemos nas nossas vidas e no nosso tempo ocupado…

  • Porquinho mealheiro

Acho que toda a gente teve isto em criança. Não vou comentar a origem da palavra “porco”, mas sim a de “mealheiro”. Vem do latim Medalia, que era metade de uma moeda de cobre, coisa de pouco valor.

Qual é o motivo de ser um porco? Podem ver hipóteses neste artigo.

  • Poupar

Vem do latim Palpare, apalpar. Como, para se saber se era possível fazer um gasto, a pessoa avaliava com a mão a sua bolsa de moedas, a palavra acabou gerando “poupar” no sentido de “economizar”.

  • Prestação

É uma quantia paga periodicamente para cumprir um contrato ou extinguir uma dívida. É engraçado porque vem do latim Praestatione, que na altura significava “ação de satisfazer”.

  • Orçamento

Vem do italiano Orza, e do verbo Orzare. É um termo náutico. É cabo ligado à esquerda da vela; do sentido de “dirigir uma embarcação contra o vento” acabou surgindo também o de avaliar as despesas de uma instituição ou obra.

  • Receita

São os rendimentos de uma pessoa, Estado, empresa. Vem também do latim, do verbo Recipere, “receber”. Etimologicamente pode ser entendido como “coisas recebidas”

  • Salário

A origem deste termo é muito conhecida. Vem do latim Salarium, “pagamento, salário, estipêndio”, de sal. Originalmente era uma quantia paga aos soldados para a compra de sal, artigo que era caro na Europa daquela altura.

Convergências 2019

É com incontido orgulho que começo a redigir este post. Há poucos onde eu possa escrever sobre a terra em que nasci, portanto, deixem-me saborear cada palavra.

Não há muitas pessoas que conheçam o facto de que a Rosália tem um poema intitulado “Desde as fartas orelas do Mondego”. Esta composição que tem o Camões como referente foi escrita com ç, nh e lh. Muitas vezes pensamos que culturalmente o nosso mundo não está tão aquém da lusofonia ou que este assunto é historicamente recente na Galiza, mas como podem ver, há provas de que isto não é bem assim.

A minha terriola (Padrão), Santiago de Compostela e Braga convergirão nesta semana num encontro cultural com um vasto programa: exposições, música, cinema, teatro…muitas disciplinas artísticas para um único sentimento de união.

Podem ver o programa nesta imagem.

O plano para quem não quiser deslocar-se muito está nos dias 22, 23 e 24 entre Compostela e Padrão.

No dia 22 temos na Gentalha o concerto de Primo Convexo.

No dia a seguir, no Teatro Principal, haverá um tributo a José Afonso com a Banda Municipal de Compostela.

No dia 24 na Casa da Rosália haverá um concerto em homenagem à poeta homónima com Canto D’Aqui e Iria Estévez.

Quem me dera a mim poder ir a Braga e fazer o programa completo!

As 8 postagens menos bem sucedidas em 2018

Chega o final do ano e é impossível não fazermos balanços. Contudo, eu confesso, sempre tenho maior sensação de iniciar uma nova etapa ou encerrá-la na sequência do ano académico. Serão os ossos do ofício.

O que acham desse ditado que diz Segundas chances nunca dão certo? Nós pensamos que pode haver uma segunda chance para algum dos nossos artigos. É triste vê-los de últimos na fila, à espera de mais visitas. Como o Natal é tempo de reencontros e generosidade, hoje podem então revisitar estes oito. Destacamos aqueles que tratam ítems de gramática ou léxico, porque são intemporais.

Por acaso, os menos lidos são aqueles que falam de erros que vejo com mais frequência em utentes da Galiza, portanto, continuam a ser necessários. Vejam este Genial.ly e carreguem nos números que andam a flutuar para acederem às informações.

Roupa velha

Este não é um artigo sobre modas, não. Vou falar em culinária.

Não sei vocês, mas eu tenho a casa cheia de sobras da consoada. A minha irmã levou uma marmita de comida para a sua casa e eu…ainda tenho reservas lá na cozinha.

Cada povo tinha antigamente muitas receitas para aproveitar a comida. As fajitas no México, os croquetes em Espanha, a empada na Galiza…e hoje queria falar-vos da roupa velha. Esta obra mestra da cozinha é o triunfo da racionalidade e do aproveitamento de recursos. Dantes pouco ou nada ia ao lixo.

Em Cuba e outros países latinoamericanos existe a ropa vieja que é um prato típico com carnes. Na Galiza também temos (ou tínhamos) a roupa velha que aproveita os excessos do lacão ou cozido. Já no norte de Portugal, o prato do mesmo nome tem como ingrediente a matéria prima de tantos pratos portugueses: o bacalhau. Se repararem, a receita do Bacalhau à Brás tem uma filosofia muito parecida, porque era um prato de “cozinha heroica”: a culinária dos pobres que não tinham muitos recursos para comprarem grandes postas de peixe.

A roupa velha portuguesa é um prato típico feito com as sobras do bacalhau da consoada e era uma coisa ligada às famílias mais pobres. Era comido no dia mesmo do Natal. Hoje isto já não é assim e o prato funciona como entrada, antes de comer o prato de carne (peru, cabrito…)

Por acaso, o bacalhau com couve é ainda uma tradição na consoada na minha casa. E nas vossas?

Esta receita do Pingo Doce é facílima e usa os mesmos ingredientes que a minha mãe coloca no bacalhau. Económico e simples. Vejam logo.

Nós em casa regamos com vinagre, temperamos com pimenta e salteamos. Antes de servir adicionamos azeite, azeitonas e salsa picadinha. Está uma delícia e sempre se poupa.

E agora foi que me lembrei também desta canção do Fausto, se acompanharem a letra, podem ver que fala disto mesmo.

Bom apetite!

Falso amigo: pinha

O cheiro tem um papel muito evocador, para mim o cheiro a madeira leva-me à minha infância. Lembro-me de ir com meus primos aos pinhais apanhar pinhões como se fôssemos esquilos. Ir aos pinhões e às amoras era bem divertido porque estávamos em contacto com a natureza muito tempo e no final havia uma boa recompensa: comer tudo.

Não sei se sabem, mas as pinhas dos pinheiros têm sementes de futuras árvores. A natureza é sábia e guarda as sementes em cascas muito fortes e resistentes. É por isso que não é muito recomendável levarmos pinhas a casa, lá dentro estarão os novos pinheiros e também servem de alimento a outros animais roedores.

A verdade é que nunca vi o processo de germinação até consultar este artigo, apesar de ter visto na minha vida montes (que redundância!) de pinhas.

A palavra PINHA tem uma família léxica bastante extensa:

  • pinheiro: é o nome da árvore, dela aproveitamos muita coisa: os frutos, a madeira e a resina. Há vários tipos de pinheiros: pinheiro-manso, pinheiro-bravo, pinheiro-alvar…
  • pinheiro de Natal: a árvore de Natal é também chamada de pinheiro.
  • pinho: é a madeira do pinheiro. Dizemos então madeira de pinho.
  • pinhal: é o terreno onde crescem pinheiros ou um conjunto deles.
  • pinhão: é a semente comestível contida na pinha.

Pronto, também, por metáfora chamamos de pinha a um aglomerado de coisas ou pessoas. Uma pinha de percebes.

E já agora…(suponho que estavam à espera) temos o verbo pinar que num contexto muito (muito) coloquial é “ter relações sexuais”. Na minha terra usávamos esse e também a expressão ir às pinhas.

Não sei se nesta altura é permitido apanhar pinhas, sei que houve tempos em que foi proibido. Se for proibido, esqueçam logo isto tudo que vos vou propor. Como já pusemos o toque “picante” toca agora dar a dica para toda a família. Vi na net umas ideias super-fixes para fazerem em casa enfeites de Natal com pinhas. Adorei esta da foto, é tão fofa…Podem consultar esta página e fazer durante estes dias.

(A outra palavra que estão a procurar mentalmente neste momento, acho que é ananás ou abacaxi. Uma é de origem guarani e a outra tupi, nomeadamente)