Veem ou vêm?

Estamos a escrever e temos estas dúvidas com os acentos? fazemos confusão entre uma forma verbal e a outra? Este artigo pode fazer a diferença.

Na passagem do latim ao romance, muitas consoantes mediais que estavam entre vogais desapareceram ou viraram mais fracas, dando lugar a muitos hiatos. Alguns deles fizeram uma crase e outros não. Muito, muito, muito tempo depois chegou o Acordo Ortográfico e alterou algum assunto com a acentuação…mas estamos a meter o carro antes dos bois. Comecemos pelo princípio: o latim.

Numa coisa assim de filóloga de trazer por casa, podem dar uma vista de olhos a este esquema.

VIDERE> Vedere> veer (medieval)> ver

VENIRE> vẽir> vĩir> viir (medieval)> vir

No segundo dos exemplos, o de Vir, podem ver que o que desapareceu foi a nasal intervocálica -N-, mas ao longo da conjugação de Presente ainda podemos ver como existe uma “recordação” dessa nasalidade.

VERBO VER: vejo, vês, vê, vemos, (vedes), veem.

VERBO VIR: venho, vens, vem, vimos, (vindes), vêm.

Isto da nasalidade pode ajudar para uma regra mnemónica: o verbo Vir é o de mais ditongos nasais: ele/ela vem; eles/elas vêm. Recordem que as palavras acabadas em -em também estão a representar um ditongo.

Este verbo fez uma crase na escrita e tem um acento circunflexo no plural para representar que ouve essas duas vogais iguais no passado. Isto acontece igual no verbo Ter, que também teve um -N- na origem: ele/ela tem; eles/elas têm.

No entanto, o verbo Ver tem nas terceiras pessoas este paradigma: ele/ela vê; eles/elas veem. Há um circunflexo também, mas só no singular, porque a vogal é fechada. No plural temos essa duplicidade de vogais, igual que em leem, creem, preveem…

Ainda sentem que isto é uma grande confusão? É, porque realmente a ortografia é uma cena muito arbitrária. É assim escrito, mas bem podia ser de outra maneira. De facto, o Acordo Ortográfico veio a mudar algumas coisas.

Mas não há impossíveis, armei-me em desenhista e fiz esta regra visual que penso pode ajudar.

o verbo Ver olha para ti olhos nos olhos
E o verbo Vir com as suas perninhas de circunflexo tem uns sapatos novos

Está na hora de uma canção de despedida. Deixo-vos com o Jorge Ben Jor, Obá, lá vem ela, uma das minhas preferidas.

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Dez canções de Natal que não canta a Mariah Carey

Será que já ouviram neste ano a canção daquela artista dos EUA? então é que é Natal mesmo. 

O Natal é uma das minhas festas prediletas. Há autênticas iguarias, prendas e uma ode ao mau gosto constante sem qualquer tipo de complexo. Tudo é aceite: lantejoulas, cetim, grinaldas ruídas, veludo, muito plástico, coisas doiradas e luzes a piscar. Há uma palavra em alemão para isto: kitsch.

As canções que ambientam não são muito melhores do que o resto dos enfeites. Repetitivas e em falsete, são duas características que unem as canções natalinas, as janeiras e as músicas pop do Natal. Eu penso que Last Christmas pode ser usada para alterar mecanismos do córtex cerebral.

Pensei em fazer uma lista com canções na nossa língua. Tinha alguma coisa em mente, mas quando me estava a documentar, encontrei verdadeiros achados e foi impossível não querer partilhá-los.

Têm cá a minha apresentação, se carregarem nas bolinhas verdes, podem ver os vídeos.

Explico-vos um bocado as escolhas:

Popota em versão Popomodel
  • Luísa Sobral: está três vezes nesta lista porque é, sem dúvida, a dona disto tudo em Portugal (junto com a Áurea, mas esta última canta em inglês e então decidi não incluir). Querido Pai Natal, Canção de Natal Natal mais uma vez. Não é que ela faça discos de Natal tipo Michael Buble ou Luis Miguel, mas a rapariga sempre tem um espaço para este género de músicas. E eu, até gosto. Vejam os clips de vídeo, porque são muito estéticos.
  • Zeca Afonso: estou com dor de cotovelos. Quanto talento. Este homem tinha sensibilidade também para criar uma canção de Natal com toques da cultura popular como as janeiras. Esta faixa devia mesmo estar na seleção.
  • A Popota: no Natal há vários seres inesquecíveis: duendes, Pai Natal, renas…e o Continente tem, atenção, uma hipopótama. A Popota é uma autêntica celebridade do Natal português e cada ano tem um vídeo novo, tem até uma página com jogos, passatempos e conteúdos interativos para os miúdos. Coloquei-vos o clip do ano passado porque ela fez uma cover de uma música do Agir. Na Galiza a única hipopótama que nós temos é a imagem que o nosso espelho nos devolve depois de quase 15 dias de jantaradas continuadas.
  • Rui Veloso: os velhos rockeiros também sabem chegar ao coração das pessoas. A letra desta canção é incrível, penso que faz uma crítica com muito lirismo. O Rui fala do Natal dos mais humildes e há lá vários temas sociais colocados na mesa. Ouçam.
  • Anjos e Susana: a Susana deste vídeo é a mesma Suzy de Eu quero ser tua que representou a Portugal no festival de eurovisão de 2014. Sim, essa. Em 1999 cantava isto canção com os Anjos, uma boy band. Ela era um boneco de neve e tinha a certeza de que ia derreter. Os Anjos e ela juntos é como ver os Back Street e a Britney à portuguesa, era a década de 90 e as influências eram as que eram. Nunca chegaremos a saber porque é que a Suzy, de Figueira da Foz, pronuncia todos os T como Tch. Comentem-me as vossas epifanias.
  • Xuxa: para mim este é um vídeo muito caricata. A Xuxa vestida, enfim, da Xuxa, no meio de um exército de crianças e lá no fundo o Pão de Açúcar.
  • Tema de Natal do Meo: estou a ser mesmo repetitiva porque em 2014 já vos disse que era fã deste vídeo. Prometo que se eu achar algum que supere isto, deixo de pôr. Por enquanto, isto está ainda do topo. Maravilha.
  • Boss Ac: não podia faltar uma faixa de rap e o Boss Ac é o homem. Com Carta ao Pai Natal lança versos tão sublimes como este: 

Se és Pai Natal deves ser pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar

Já agora para acabar, Paz, Amor e Feliz Natal!

Culturgal 2018

Começa um fim de semana cheio de novidades culturais e Ponte Vedra será o centro nevrálgico de todas elas. Assim como novembro é o mês do Cineuropa, dezembro é o mês da Culturgal. E vocês sabem disso.

Visto o programa, fiz o meu crivo particular para as atividades, mas não esqueçam que há sempre bancas interessantes:

-A Semente Trasancos está ainda em angariação de fundos e precisa muito de nós.

-A livraria portuguesa Tragamundos e a nossa Através Editora também marcarão presença.

-A novinha em folha Rede de Galilusofonia vai lá estar e tem muito para dizer.

Comecemos então a falar de coisas para marcarem na agenda.

Amanhã sábadoàs 17h no Espaço Livro podem ir à apresentação dos novos títulos da coleção de ensaio Alicerces da Através Editora.

Esta vai ser uma feira intensa para mim, porque todas as coisas são melhores com amigos e amigas…e os meus estão de parabéns. Que fortuna ter tanto talento à minha volta e pessoas generosas que decidem partilhá-lo.


Estes são os volumes 3 e 4 da coleção e tocam-me na alma porque tenho pessoas muito queridas a participarem em ambos. Se nos anteriores títulos tínhamos os temas da eutanásia e do corpo na dramaturgia, nestes novos poderemos achegar-nos à arte com novos modos de olhar graças ao título de Natália Poncela Nem tudo e arte? e também ao, sempre necessário, tema das Novas masculinidades, o título de Jorge García Marín. Os dois livros contam com prólogos escritos por pessoas do país vizinho: Teresa Torres de Eça, Luísa Monteiro e Marco Gonçalves, vultos nos âmbitos da psiquiatria, filosofia, arte e literatura em Portugal.

Amanhã poderemos meter conversa com a Natália Poncela, Jorge García, autores, e Teresa Pilhado, co-diretora da Através.

Já no domingo temos outro encontro marcado com a prosa de ficção.

O Grande Prémio de Romance e Novela APE/ILB foi ganho neste ano pelo escritor Hélder Gomes Cancela com o livro As pessoas do drama.

Poderemos ouvir o narrador falar sobre as linhas argumentais do seu livro no  Espaço Livro às 11h.  A sua obra, pelo que vi na net, faz uma ”leitura crítica da História e da Cultura europeia na sua relação com a cultura árabe, através de uma temática poderosa (a culpa, a impunidade, o drama, o olhar, o incesto, a tensão e a violência familiares) e de uma revisitação de personagens e de mitos do nosso património cultural ocidental”

Este volume foi também lido no grupo de leitura de autores lusófonos deste ano do Centro Cultural Camões de Vigo.

Eu não sei se vocês conferiram na previsão meteorológica deste fim de semana. Se estiverem tristes porque não podem fazer atividades outdoor, pensem que a Culturgal tem aquecimento, teto, iguarias, bons livros e pessoas fofas. Que disparate. Ainda havendo um dia soalheiro, esta é e tem de ser a nossa melhor opção sempre, porque é aquela que espalha amor por nós próprios e próprias.

Cerveira em Vigo

O romancista russo Ivan Turgueniev dizia que A arte de um povo é a sua alma viva, o seu pensamento, a sua língua no significado mais alto da palavra; quando atinge a sua expressão plena, torna-se património de toda a humanidade, quase mais do que a ciência, justamente porque a arte é a alma falante e pensante do homem, e a alma não morre, mas sobrevive à existência física do corpo e do povo.

Se quiserem dialogar com essas almas falantes de um povo, fiquem a saber que desde amanhã até ao dia 13 de janeiro poderem ver na sede do Centro Cultural Camões em Vigo uma seleção de 12 obras da Bienal Internacional de Arte de Cerveira. Elas são também 12 visões estéticas diferentes de artistas portugueses/as e espanhóis/espanholas (Acácio de Carvalho (PT), Alberto Vieira (PT), Álvaro Queirós (PT), Ana Vigidal (PT), Carlos Casteleira (PT/FR), Henrique do Vale (PT), Joana Rêgo (PT), Manuela Bronze (PT), Ricardo de Campos (PT), Rosa Ubeda (ES), Sobral Centeno (ES), Vasco Sá-Coutinho (ES)

O horário é de segunda a sexta-feira das 10h30 às 14h e das 16h às 18h30.

 



Cineuropa 2018

E assim de uma semana para outra, passamos dos chinelos às galochas. Mas tudo vem também com coisas boas. Podemos compensar os pés ensopados com os magustos e com o nosso bem querido Cineuropa. Não há outonos sem isto.

Na nossa já costumeira (e retardatária) recomendação, selecionamos estes filmes para ti, que gostas de ouvir nasalidades. Lamentamos imenso chegar atrasados e não falarmos do Macunaíma, aiiiii. Se quiserem saber mais, já sabem, ligação:

Luz obscura, 2017. Susana de Sousa Dias. Portugal. Documentário. (amanhã às 16h30; terça 20, às 19h30). Como é que agia a PIDE, a polícia do Estado Novo? como é que era a repressão na ditadura portuguesa?

-A sedução da carne, 2018. Júlio Bressane. Brasil. Ficção. (terça 13, às 16h; segunda 19, às 16h15). Uma escritora mete conversa com um papagaio. Lá no fundo, um pedaço de carne é que observa esse diálogo.

O termómetro de Galileu, 2018. Teresa Villaverde. Portugal. Documentário. (quinta 15, às 18h). Um documentário em português e italiano onde podemos refletir sobre a situação política da Itália atual.

-O som ao redor, 2012. Kleber Mendonça Filho. Brasil. Ficção. (sexta 16, às 18h45). Os moradores de um bairro de uma cidade brasileira contratam uma empresa de segurança para a sua proteção. Esta nova contratação mudará as suas vidas, agora mais rotineiras.

-Diante dos meus olhos, 2017. André Félix. Brasil. Documentário. (sexta 16, às 17h30). Fala dos membros da banda musical Os Mamíferos, que atuavam na década de 60 no Brasil interpretando música MPB.

-Djon Africa, 2018. Filipa Reis, João Miller Guerra. Brasil, Portugal, Cabo Verde. (sexta 16, às 20h30) Os filhos não reconhecidos acabam por se parecer muito aos seus pais. Um dos protagonistas fará uma viagem a Cabo Verde para encontrar o seu pai.

Inferninho, 2018. Pedro Diógenes, Guto Parente. Brasil. Ficção. (sexta 16, às 21h; domingo 18, às 21h30). Deusimar é a proprietária de um boteco, o Inferninho. Mas ela sonha com largar tudo e conhecer lugares longínquos.

O processo, 2018. Maria Augusta Ramos. Brasil, Alemanha, Paises Baixos. Documentário (sábado 17, às 18h; terça 20, às 21h). A história de Dilma Rousseff e, portanto, a história também do impeachment. A primeira mulher presidente do Brasil foi presa política na ditadura e posteriormente foi julgada por corrupção. Poderemos ouvir os depoimentos da protagonista.

Praça Paris, 2017. Lúcia Murat. Brasil, Argentina, Portugal. Ficção. (domingo 18, às 16h30). A Glória trabalha no elevador de uma universidade do Rio, a Camila é psicanalista e frequenta a mesma universidade porque faz nela o doutoramento. Lá é que começa um relacionamento que ultrapassa qualquer consultório.

Neville d’Almeida: Cronista da Beleza e do Caos, 2018. Brasil. Documentário. (segunda 19, às 18h; terça 27, às 17h45). Documentário sobre este cineasta de Belo Horizonte. 

Copacabana Beach, 1983. Vivian Ostrovsky. Brasil Experimental. (quinta 22, às 16h30; terça 27, às 17h30). A câmara e a edição de Vivian Ostrovsky procuram o absurdo na rotina dos corpos de banhistas, ginastas, transeuntes, gente comum flagrada em Copacabana. Esses hábitos banais são frequentemente convertidos em coreografia, expressando outra paixão da cineasta. Tudo isto…com músicas da minha muito amada Carmen Miranda.

-Deslembro, 2018. Flávia Castro, Brasil, França, Catar. Ficção. (sábado 24, às 18h) Joana cresceu em Paris, em contacto com o rock e a literatura. Mas em 1979, com a amnistia, a Joana regressa a um Brasil que quase não conhece. Chega ao Rio e recupera algumas recordações de seu pai e da sua meninice.

Tempo comum, 2018. Susana Nobre. Portugal. Ficção. (domingo 25, às 19h). Marta é mãe pela primeira vez. Experimenta novas sensações e conhece a sua filha entre visitas de familiares e amigos, que vão tecendo uma história de narrações de experiências próprias.

Nesta semana, deparei-me com esta frase do Manoel de Oliveira “Nenhuma arte simula a vida como o cinema. Todavia, não é uma vida. Também não é propriamente uma arte. Porque é uma acumulação, uma síntese de todas as artes. O cinema não existia sem a pintura, sem a literatura, sem a dança, sem a música, sem o som, sem a imagem, tudo isto é um conjunto de todas as artes, de todas sem exceção.” Já pensaram nisso? em todos os museus que estão a visitar durante 90 minutos? curtam então essa visita!

Falso amigo: grifo

A mitologia sempre me deu uma sensação ampla de liberdade. Depois da pizza com ananás, as melhores misturas (ou as maiores bizarrices) já foram feitas na época clássica: centauros, sereias, minotauros, sátiros…olhem o que lhes foi dar aos gregos e romanos! Não sei se em crianças partiram alguma vez uma boneca ou boneco e tentaram criar algum engendro com outras peças. Olhem que a coisa não é assim tão fácil. O mix and match pede talento! Hoje estou cá para vos falar dos grifos, porque por acaso foi um erro que corrigi ontem montes de vezes. Tentei desenhar na folha de exame dos meus alunos e alunas a tal criatura e não sei se consegui explicar graficamente com sucesso. Portanto, trago dados e fotografias. Os grifos são animais mitológicos que apareceram em muitas mitologias (até não sei se no Harry Potter), mas foi na mitologia grega onde mais vezes foi descrito de maneira literária. Contudo, as suas origens são ainda mais antigas. Surgiu no Oriente Médio, pois aparece lá pela primeira vez em pinturas e esculturas de persas, assírios e babilónios. E como é que eles são? é uma mixórdia bem interessante: possuem cabeça de águia, têm asas e penas no dorso, mas o corpo é de leão. As patas dianteiras são de águia e as traseiras de leão. Ok, se isto for muita informação e muito Frankenstein, vejam as imagens a seguir.
Estas criaturinhas eram usadas pelos deuses não como animais de estimação, mas para assustarem e protegerem tesouros. Outros hábitos que eles tinham eram: construirem ninhos de ouro, acasalarem com éguas e terem “hipogrifos” e também lutarem contra basiliscos. Os grifos…ai! esses é que viviam em berços de ouro, amigas! Pronto, e como todas as coisas têm uma explicação mais ou menos lógica. Li na net que a origem dos grifos pode estar numa confusão com fósseis de Protoceratops, dinossauros ceratopsídeos que viviam na Mongólia. Talvez não saibam que…sim! os grifos existem no mundo real. Também é chamado de grifo o abutre-fouveiro, ave que podem ver no Parque Natural do Douro Internacional.

Ari(t)mar 2018, uma gala eurovisiva

Ari(t)mar vai dar barraca este ano. Pode haver algum eurofã que não saiba ainda? impossível. Quando vi o cartaz…tremi como varas verdes. Mas vamos começar a contar isto pelo princípio.

Imagino que sabem o que é que é isso do Ari(t)mar. Para quem não souber, lá vai este lembrete. Este artigo é para os/as adoradores mais recentes (bem-vindos/as) e também para os mais velhos (estão prontos/as?). 

Como será o programa deste ano? podem dar uma vista de olhos nesta ligação. Fiquem a saber que esta gala cresceu bué e este ano vai ser quase um Eurovisão em pequenino: no Auditório da Galiza, com cantor do festival e…pronto, as votações já foram.

Como mestres de cerimónias temos ao Carlos Meixide e à Iria Pinheiro, que vão dar o seu melhor e aqueles toques de humor que fazem toda a diferença no show. A melhor coisa é que vai ser numa língua que toda a gente entende e não teremos um comentarista a fazer a voz-off.

Este ano fiquei com uma pequena espinha no coração porque há poucochinhas mulheres a receberem prémios. Depois deste desabafo, falemos então de quem é que são eles e elas.

Na música, toquem com redobres…taráaaaaaa:

  • Pela Galiza: A banda da loba por Bailando as ruas. Uma banda eclética, moderna, feminina, feminista com letras originais e também com musicalização de poemas contemporâneos. Simplesmente um sonho. Muitos parabéns, meninas!  
O videoclip é de grande qualidade estética. Foi realizado pelo Alfonso Zarauza.
  • Por Portugal: S-a-l-v-a-d-o-r S-o-b-r-a-l. Leram bem. Salvador Sobral. E agora a eurofã doida fala: ele ouviu as nossas preces. Estou em pulgas por vê-lo ao vivo. Gosto tanto dele e da sua personalidade! acho um exemplo. Interpretará, é claro, a canção composta com a sua irmã Amar pelos dois. Mas olhem, que ao piano haverá uma surpresa…
Se não arranjaram ainda bilhete para o Aritmar, não se preocupem com isso. Também cantará amanhã no auditório.

Na poesia…foi marcado um golo este ano e gosto muito que assim seja. Os dois poetas são galegos, um de Lugo e outro de Compostela. A particularidade é que cada um escreve a mesma língua mas em normativas diferentes. Este é um prémio ao binormativismo à moda norueguesa.

Então,neste ramo, temos ao Lois Pérez com O blues do rei Bermang= B.B. King. “Sen dor non hai blues, sen feitizo só queda a area”. Um poema musical, sinestésico e melancólico. Junto do Lois, está o Alexandre Brea com XXXI. Com o ritmo da chuva, uma composição que vale a pena memorizar “E na água do mar, E no lume, e na chuva, E detrás da tua pele”.

Haverá também uma menção especial e um prémio para o projeto Convergências Portugal-Galiza. Nascidas para homenagear a Rosália de Castro e o Zeca Afonso, as Convergências são uma semana de encontros em Braga, Compostela e Padrão (sim, a minha terriola também faz coisas) que ampliam o diálogo cultural.

Então amigas, a gente vê-se amanhã às 21h. Divirtam-se e amem pelos dois.

Tribalistas em Compostela

Tríade, trinômio, trindade, trímero, triângulo, trio. Trinca, três, terno, triplo, tríplice, tripé, tribo. Os tribalistas já não querem ter razão…ou sim? O Multiusos do Sar continua a ser a casa dos grandes concertos (sem ser ao ar livre) em Compostela. No próximo dia 26 do corrente mês poderemos ver o show dos brasileiros Tribalistas. Sim, eles voltam. A banda é dessas de circunstâncias, a união de três amigos cada um com carreiras musicais diferentes e assentes. Falamos do Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes. Não. Não podemos então acusar o trio de “one hit wonder”. Se bem é certo que todos e todas os conhecemos pelo Já sei namorar, temos também de reconhecer o enorme impacto que a canção teve na Galiza, porque foi dessas músicas como A lambada, Maria Caipirinha ou o Ai se eu te pego. Admitamos que abriu um caminho de entrada para muitas pessoas galegas sentirem curiosidade pelo mundo lusófono.
Começo então a falar de cada um dos membros. Carlinhos Brown é um cantor, percussionista, compositor, arranjador, produtor, artista plástico, agitador cultural e praticante de candomblé. É muito conhecido por músicas como A Namorada, Maria Caipirinha ou Carlito Marrón, onde faz quase uma defesa musical do portunhol. Marisa Monte é uma cantora, compositora, instrumentista e produtora. Eu conheci-a por causa de um anúncio televisivo do El Corte Inglés, onde soava a música Amor I Love You daquele disco intitulado Memórias, Crônicas e Declarações de Amor.  Era o meu primeiro ano em filologia e a primeira vez que eu tinha formação na variante brasileira da língua, admito que muita vontade de aprender.  Penso que foi o primeiro cd em língua portuguesa que eu comprei com o meu dinheiro e lembrem que os discos custavam um balúrdio! Arnaldo Antunes é um músico, poeta, compositor, DJ, ex-VJ e artista visual. Foi integrante dos Titãs, uma banda de punk rock e grunge que eu adorava. Começou também o curso de Linguística e, sei lá, chamem-me lamechas, sempre tive um fraquinho por ele pela própria história bizarra da banda e pelo facto de estudar língua. Ainda há bilhetes à venda. E este é um dos poucos concertos que os Tribalistas vão dar na tour europeia…despachem-se!

Cantos na Maré 2018

Há tempo que não falamos do Festival Cantos na Maré e não foi por nós não querermos. O evento esteve uns anos em pausa, mas este ano voltou em grande, com um formato de quatro dias e vários cenários.
Estive uns dias muito em baixo porque sabia que não poderia ir e ontem, coisas do destino, por uma mudança de planos inesperada, a vida abriu-me uma porta. Finalmente irei ao festival! E este é o meu ano porque no cartaz estão duas das minhas rappers mais queridas. Estou em pulgas!

Comento então o programa:

QUINTA 11

CENÁRIO ULTRAMARÉ. Auditório – 20.30H – Concerto Inaugural de Teresa Salgueiro (Portugal).

Penso que não faz falta nem dizer quem ela é. Ainda há pouco tivemos a oportunidade de vê-la no ciclo Nexos. Quem melhor que a cantora dos Madredeus para abrir este festival?

SEXTA 12

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Vudu (Galiza)
  • CÉNARIO ULTRAMARÉ: Auditório – 20.30H -Cesária Évora Orchestra com Lura, Lucibella e Elida Almeida (Cabo Verde)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : Auditório – 22.00H – Capicua com Wöyza e Eva RapDiva (Portugal, Angola, Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ :23.30H – GARCÍA MC “Nación Quilombo” com Alejandro Vargas (Galiza)

Este é o meu dia, porque como sabem, eu amo rap. Mas antes disso, queria falar-vos de Lura, porque é uma dessas artistas, junto com a Cesária Évora, com a qual aprendi muitas coisas culturais de Cabo Verde.  Na Ri Na é uma dessas canções que sempre me animam.

Capicua e Eva RapDiva não faltam na minha lista de Spotify. Conheço a Capicua desde o seu primeiro cd e graças à canção “Feias, porcas e más”, uma declaração de intenções feminista, conheci também a Eva RapDiva. Enfim, toda a gente sabe do meu amor por elas. Da rapper do Porto falei-vos inúmeras vezes, mas a Eva RapDiva não se tinha deixado ver pela Galiza ainda. Bem-vinda, Eva! rainha nzinga do rap!

Estava na hora de o festival se abrir a novos ritmos, mais urbanos e mais ligados à realidade da juventude. Vi por aí que ainda há um grupo de kuduro no programa. Isto vai dar barraca!

SÁBADO 13

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Os Meninos (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -20.30H Selma Uamusse (Moçambique)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -21.45H – Chico César (Brasil)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : AUDITÓRIO – 23.15H – Mercedes Peón (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO – 00.30H – Throes + The Shine (Portugal e Angola)

No sábado há grandes forças vivas: o brasileiro Chico César e a galega Mercedes Peón. A moçambicana Selma Uamusse já tinha vindo a Compostela no ano passado pelas festas. E os Throes and The Shine vieram ao Womex, naquela superedição quase lusófona de 2016. Estejam prontos para dançar, porque o kuduro vai chegar! Até que enfim! quero mais kuduro na Galiza em todas as pistas de danças.

DOMINGO 14

  • CENÁRIO ULTRAMARÉ. AUDITÓRIO – 20.30H – Concerto de fecho.
  • CANTARES DE ÉVORA, KEPA JUNKERA E UXÍA apresentam ATH-THURDÂ em CANTOS NA MARÉ.

A madrinha do evento, Uxia, fechará a festa com um concerto com o Kepa, apresentando Ath Thurdâ.

Já compraram o bilhete? estão à espera do quê?

PS. comentam-me que por motivos meteorológicos todas as atividades que iam ser fora, serão no auditório.