Lucibela em Ponte Vedra

Há uns dias anunciávamos a chegada da rainha do kuduro, Pongo, à Galiza para um par de concertos. Está na hora de atualizamos informação, porque recentemente soubemos que a artista suspendeu toda a digressão que tinha programada pela Europa. Assim sendo, não contaremos com ela no Festival Maré nem amanhã no Con Voz de Muller. Porém, este último evento de que falo quis manter o carácter lusófono na programação e a cantora cabo-verdiana Lucibela será quem esteja no lugar da Pongo. Passamos do kuduro à koladera, que é um ritmo também pouco conhecido na Galiza.

Sei que a posição em que está agora a Lucibela não deve ser fácil, mas conhece bem a casa que a acolhe porque já andou por Ponte Vedra no ano 2018.

A Lucibela é do Tarrafal e ser do Tarrafal não é qualquer coisa. Contudo, a família dela viveu em vários lugares do arquipélago cabo-verdiano. Mindelo, Santa Maria ou Praia são também lugares imprescindíveis para ela se tornar artista. Em 2016 muda para Lisboa e com isto chega ao público europeu, sem deixar de participar em eventos de world music de todo o arco atlântico. De facto, no Atlantic Music Expo da Cidade da Praia de 2017 sagrou-se como a artista revelação.

Em 2018 publicou Laço Umbilical sob o selo da Lusáfrica. Este título deixa transparecer uma intenção de nunca esquecer as suas origens. Em 2 de junho deste ano lançou Amdjer, onde se estreia como compositora. Este disco é dedicado a todas as mulheres cabo-verdianas, atrevo-me a dizer que é dedicado a todas as mulheres. O single Txe Txu Fla tem como refrão Txe Txu Fla Txim Fla , que significa uma coisa assim mais ou menos como “o que tu disseres, eu digo”.

Podem descobrir mais da Lucibela na web dela ou Spotify. Mas acho que o melhor que podem fazer é irem amanhã à Praça da Ferreria em Ponte Vedra e deixarem-se cativar por koladeras como estas.

Pongo, a rainha do kuduro, na Galiza

É rara a vez que à Galiza chega uma cantora do país vizinho se não é para cantar fados. Cada vez que sei de uma notícia destas recebo-a com a maior das alegrias, porque acho que estas escolhas por parte das pessoas que programam a cultura ajudam muito a romper a caricatura construída em volta do que é Portugal.

Pongo, a rainha do kuduro, chega à Galiza depois de nos ter deixado de boca aberta no Festival da Canção 2022. No dia 11 de março eu publicava cá três desejos sobre a cantora e parece que esta visita vai fazer com que se concretizem alguns deles, embora o assunto de Turim já seja um impossível.

Em 6 deste mês poderemos ouvi-la ao vivo no festival Con voz de muller em Ponte Vedra. Abrirá este ciclo de concertos protagonizados por vozes femininas na Praça da Ferreria às 22h30. Parece que a Galiza não virou costas a esta realidade musical e poderemos repetir a experiência no Festival Maré no dia 24 de setembro em Compostela.

Se estiverem ainda com dúvidas e não sabem de quem é que te falo, podem ler este fio do Twitter.

Sakidila é o novo trabalho da Pongo. O título significa Obrigado em kimbundo, uma das línguas originárias de Angola. Eu fico muito grata por ela ter a oportunidade de cantar na Galiza e trazer estes ritmos. Deixo cá a ligação do álbum, para o pessoal conhecer o que é o kuduro.

Encordass Especial Brasil

Julho está prestes a começar e com ele abre a temporada de festivais na Galiza. Graças a um fio de Twitter de @rodrimiguez97 fiquei a saber deste evento de que vos vou falar. Conhecer a existência de Encordass foi reparar na programação extensa (e variada!) que temos na Galiza. Muito obrigada por esse fio, Rodri!

Vamos então ao ponto. Encordass é um evento que combina aulas de instrumento, concertos e ateliês. Tem o foco posto em instrumentistas, mas qualquer pessoa pode ir como acompanhante.

Não sei bem quantas edições leva já este festival. Sei que o pessoal de Galicia Fiddle é o responsável pelo evento. Para quem não souber, esta associação sem fins lucrativos visa promover na Galiza o emprego de instrumentos de corda de uma maneira alternativa. Entrem na sua página e vejam quantas atividades têm feito, porque é espetacular. Vi que num ano a temática era a China, noutro a Itália e neste o país sobre o que se vai refletir e aprender será o Brasil, portanto, tinha mesmo que falar-vos disto.

Assim sendo, entre 1 e 4 de julho na Ilha de São Simão poderemos desfrutar (com inscrição prévia) de aulas de violino, rabeca, guitarra e pandeireta, assim como de ateliês de capoeira, berimbau, marimbau ou frevo e de concertos, obviamente.

Filpo Ribeiro, Alisson Lima, Ricardo Hertz, Vanille Goovaerts e Maurício Caruso serão as pessoas que nos acompanhem neste espaço transformador e de partilha.

Quem quer conhecer mais a música e cultura brasileira? Deixo-vos o programa e que comecem a vibrar as cordas!

Entre rabiscos

Carla Nepomuceno é professora de português língua não materna. É uma pessoa muito ativa na divulgação, de facto é a curadora do espaço Café com Português, do qual um dia teremos que falar. Fruto de toda esta experiência acumulada durante anos na profissão, a Carla elaborou um caderno de atividades de vocabulário intitulado Entre Rabiscos.

O livro é dirigido a crianças e adolescentes e está adaptado a várias circunstâncias: que o português seja língua estrangeira, língua segunda ou língua de herança, mas sempre a seguir as descrições do QECR para o nível A1. Assim sendo, o caderno pode ser usado no âmbito escolar, mas autonomamente como livro de auto-aprendizagem.

Em conversa com a autora, comentou-nos que o livro é dividido em 12 secções, que combinam português e espanhol: o alfabeto, a família, os dias da semana, os meses do ano, as estações do ano, os números, as frutas, as cores, o corpo humano, os animais, as refeições e os alimentos e as lengalengas.

Na imagem acima podem ver os pormenores de data e hora no cartaz. Não percam a oportunidade de folhear o caderno e conhecerem a autora. Tudo na livraria Santos Ochoa localizada na Rua Teresa Herrera, n.º 3, ao lado da Praça de Lugo, na Corunha.

Algumas palavras que o basco nos deu

Como é costume cada vez que a escritora deste blogue faz uma viagem, é a hora de falarmos das conexões linguísticas com o meu último lugar de destino. Passei uns dias em terras onde é falado o euskara e fiz algumas pesquisas que quis partilhar convosco.

Não temos muitas palavras bascas no português, a presença de empréstimos do euskara é muito maior no espanhol por questões óbvias. Contudo, temos três palavras de uso muito comum na língua portuguesa que têm a sua origem na língua basca. Deixo-vos este breve infográfico, carreguem nas imagens para saberem mais informações.

O Marco Neves explica as coisas muito melhor do que eu. Tem feito várias entradas no seu blogue Certas Palavras sobre esta questão. Vou recomendar a leitura deste artigo.

Palavras heterotónicas português-espanhol

Há um tempo escrevemos um post sobre a acentuação gráfica em português. O nosso objetivo era fazermos um achegamento a essa questão ortográfica de maneira intuitiva. Podem ver o artigo 5 dicas para uma acentuação intuitiva e refrescarem alguns conhecimentos.

Hoje queremos colocar uma outra questão: o próprio acento, a tonicidade, a intensidade. Quando aprendemos português e somos pessoas galegas, muitas vezes deparamos com um desafio quanto a este assunto. Aprender português é muitas vezes reaprender a fonética de palavras com que levas a conviver anos.

Neste infográfico fazemos uma lista com as palavras heterotónicas mais habituais, indicando em letras capitais onde temos a intensidade.

Há um grupo de palavras heterotónicas bastante grande que se corresponde com cultismos de origem grega. Podemos fixar certas terminações na nossa memória que nos vão ajudar.

É a vossa vez, como é que se pronuncia Lusopata?

Como podemos saber o género das palavras?

Nem sempre é uma questão fácil, mas lá vão umas dicas.

A língua, como a sociedade, está sempre a experimentar mudanças constantes. Façamos que a língua seja capaz também de dialogar com todas as pessoas. É a vez de conhecermos o sistema pronominal não binário ou neutro: o sistema ELU. Podem consultar esta ligação para saberem mais.

Grândola na USC

Neste blogue temos falado sobre conexões históricas entre a Galiza e Portugal no 25 de Abril. Celeste Caeiro ou Durán Clemente ocupam muitas linhas dos nossos posts. Uma conexão histórica é também o facto de que o hino da revolução portuguesa fosse estreado na USC no ano 1972, e este é um dado que muitas pessoas desconhecem. Não é por acaso que tenhamos no coração do câmpus compostelano centros sociais e parques com o nome do cantor do Grândola.

Neste 2022 fazem-se 50 anos daquele concerto emblemático e nesta terça às 19h a Faculdade de Filologia da USC organiza uma homenagem. Deixo-vos cá o cartaz com o programa.

O ato tem duas partes. Como abertura haverá um colóquio entre diferentes testemunhas ou responsáveis daquele concerto do Zeca em Compostela. Zélia Afonso (viúva do cantor), Maite Angulo (fez parte do grupo de estudantes que organizou o concerto), Emilio Pérez Touriño (que apresentou aquele evento), Francisco Fanhais (presidente da AJA) e Suso Iglesias, jornalista que conduzirá o colóquio.

A parte mais festiva será apresentada pelo Carlos Blanco e contará com as vozes da Uxía, João Afonso (sobrinho do cantor), Nacho-Faia-Lar, Couple Coffee e Xico de Carinho.

Os acentos e o til de nasalidade

Neste post explicamos o que são os acentos e o til. Cada signo gráfico tem a sua função e tem a ver com como a acentuação gráfica marca também a abertura das vogais e a sua natureza.

Este artigo é complementado com 5 dicas para uma acentuação intuitiva e til de nasalidade.

Deixo-vos então este infográfico descarregável.

Com S

Quem está em contacto com várias línguas tem muitas vantagens. Ter muita acuidade visual e memória fotográfica ajuda muito na questão ortográfica, mas este é um post para aquelas pessoas que sentem que escorregam um bocado nas mesmas questões no momento de escreverem. Por outras palavras, estes são exemplos pouco intuitivos de palavras com a letra S.