Estamos de aniversário!

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Titiriberia

Este foi um ano em que a minha mãe serviu como arquivo vivo da memória coletiva. Chegaram várias pessoas do Proxecto Barriga Verde à nossa casa e fizeram vídeos onde ela relatava como eram as festas na sua infância e também como eram as marionetas. Foi emotivo vê-la no Youtube, ver que aparece numa coisa da net que ainda ela nem entende muito bem, mas deu tantos detalhes que até parecia que estávamos lá, vendo o cenário e as personagens.

De Barriga Verde e das suas relações com o teatro de Dom Roberto temos falado noutros artigos, mas recomendo a sua leitura para quem quiser ir ver os espetáculos do Titiriberia. En Teu teremos entre amanhã e domingo este festival que oferecerá espetáculos e palestras em volta das marionetas tradicionais.

Na sexta, na Mediateca do Grilo, às 21h, haverá a projeção, e posterior colóquio, do filme Dom Roberto, (José Ernesto de Sousa, 1962), fita considerada como peça fundacional do Novo Cinema Português que trata a tradição dos fantoches do país. Estará apresentado por Comba Campoi, João Costa, fantocheiro especializado nos Robertos, e de Lara Rozados, que dará a conhecer a colaboração do Cineclube Compostela com o Festival Titiriberia.

O evento também envolve a feira cavalar de Francos e assim recupera o espaço dos títeres. Neste sábado poderemos ver à formação lusa Mãozorra. Mas Mãozorra não vai estar apenas na festa, vai no domingo encenar O Caçador ás 12.30 horas no Auditório Constante Liste.

Morreu o demo…acabou-se a peseta!

 

Cineuropa 2017

Começamos com uma edição do Cineuropa em grande, com montes de filmes em português para ver e com um ciclo dedicado ao realizador português Pedro Pinho.

Não se preocupem, a coisa chata de ver que filmes são em português…já a fiz eu. Então vamos lá!:

  • Arábia (Brasil, 2017) de Affonso Uchoa e João Dumans. (Dias 10 e 17). Conta a história de um rapaz de uma favela que um dia encontra um diário de um operário recentemente falecido.
  • As boas maneiras (Brasil, 2017) de Juliana Rojas e Marco Dutra. (Dias 22 e 24). Este filme já conta com vários prémios e parece daqueles em que a bilheteira vai esgotar logo! Uma rapariga é contratada como babá de um bebé que ainda não nasceu.
  • A mulher do pai (Brasil, 2016) de Cristiane Oliveira. (Dias 17 e 21). Igual que o anterior, o filme tem já vários prémios. Numa aldeia que faz fronteira com o Uruguai vive uma rapariga com o seu pai cego. Depois da morte da avó, ela terá que cuidar dele.
  • No intenso agora (Brasil, 2017) de João Moreira Salles. (Dias 15 e 17). Este documentário tem música de Rodrigo Leão e foi realizada após o descobrimento de uma fita amadora da Revolução Cultural Chinesa.
  • Pendular (Brasil, Argentina, França, 2017) de Julia Murat. (Dias 22 e 27). Um escultor e uma dançarina convivem numa galpão abandonado, onde cada espaço deles é separado por uma fita adesiva. Coreografia e plasticidade não vão faltar a um filme com menções à melhor fotografia em vários festivais.
  • O estranho caso de Ezequiel (Brasil, 2016) de Guto Parente. Ezequiel é um homem que acabou mesmo de virar viúvo. Um dia recebe uma visita de um alien em casa e depois…aparece a sua mulher falecida, como quem não quer nada! Evidentemente, nada vai ser igual na vida do Ezequiel.
  • Mi mundial (Uruguai, Brasil, 2017) de Carlos Andrés Morelli (Dias 12 e 25). Esta coprodução entre Uruguai e o Brasil conta em espanhol e português a história de Tito, um miúdo de 12 anos que é já um astro da bola. Este talento precoce também é um claro exemplo de “de pequenenino é que se torce o pepino”. Será capaz Tito de voltar a ser um rapaz bomzinho?Este filme entra dentro do ciclo CineuropaMiúda.

DENTRO DO CICLO SOBRE AS REVOLUÇÕES…

Temos dois filmes do realizador brasileiro Glauber Rocha. Também escritor e ator, o Glauber esteve exilado durante a ditadura em Portugal.

  • António das Mortes (França, Brasil e RFA, 1969) de Glauber Rocha (Dia 16). António das Mortes é um relato sobre um conflito entre classes na história brasileira.
  • Terra em transe (Brasil, 1967) de Glauber Rocha (Dia 13). O anarquista Paulo Martins vive no lugar fictício de El Dorado. Um relato tropical onde nada é o que parece.

PERSPETIVA PEDRO PINHO

Pedro Pinho é um realizador português novo que nos últimos tem deixado o patamar muito alto. Ele faz parte do coletivo Terratreme, criador da saga social A Fábrica de nada, vencedor em Cannes. História de um percurso de um espírito inquieto que começou na dança e chegou a ocupar casas. Aos 40 anos, é, porém, alguém com uma obra já com algumas credenciais no circuito internacional. Um artesão que tem ido do documentário à ficção com uma desenvoltura notável, passando também pelo trabalho como diretor de fotografia.

No festival poderemos ver deste realizador:

A fábrica de nada (Portugal, 2017) (Dias 19 e 20). As máquinas de uma fábrica são roubadas pela administração e os operários vêm-se obrigados a estarem lá…de mãos a abanar.

As cidades e as trocas (Portugal, 2014) de Pedro Pinho e Luísa Homem. (Dia 20). Este documentário em crioulo fala da crise turística de Cabo Verde.

Bab Septa (Portugal, 2008) de Pedro Pinho e Frederico Lobo. (Dia 22). Este documentário tem um título em árabe “Bab Septa” que não significa outra coisa que Ceuta. Fala mesmo dessa alfândega.

Um fim do mundo (Portugal, 2013) (Dia 21). Uma rapariga que chega nova à cidade e também um black-out. Será uma ocasião para conhecê-la melhor?

Desde hoje até ao 28 de novembro podem deixar descansar o Netflix!

 

Moonspell na Sala Malatesta

Amanhã na sala Malatesta temos um encontro com o metal lusitano.

Os Moonspell levam defendendo o Gothic Metal desde 1992. Em 2015 já nos visitaram no Resurrection Fest, agora é a vez de Compostela.

O seu último trabalho, 1755, é cantado integramente em português. Este disco supõe uma maturidade quanto à harmonia para a banda. E o título? o título é uma promessa de uma terra que vai tremer com a melodia porque, recordem, 1755 é a data do terremoto de Lisboa.

O quinteto ainda mantém sua mesma personalidade musical, o contraste entre as influências agressivas de seus tempos anteriores com a estética elegante do doom / gothic metal. Mas agora, há alguns coros gregorianos e wagnerianos e orquestrações.

A terra vai tremeeeer!

 

Os meus (e também teus?) pesadelos ortográficos

Chega aquela festa que odeio, mas para não ser ostracizada socialmente, decidi fazer uma coisa temática.

Um dos assuntos que mais me arrepiam no mundo é a palavra *voçê assim escrita e o verbo *Posser: “eu posso, tu posses, ela posse…” Tiram-me do sério. Isso e o Samaim.

Reuni valor, alhos e balas de prata e criei uma lista de 7 ou 8 erros supercomuns. Atrevem-se a ler cada página da infografia?

Ari(t)mar 2017

Uma coisa boa de ter um blogue é ver como um projeto começa. Uma coisa melhor ainda é ver como ele tem continuidade. Escrever “Ari(t)mar” e colocar ao lado “2017” já me encheu de felicidade.

Ari(t)mar é um certame novinho em folha, com apenas duas edições, mas muito revolucionário do meu ponto de vista.

Estudantes de português fazem um mergulho em livros de poesia e discos durante um ano para saberem qual foi a poesia e a canção melhores do ano anterior. Ouvem e leem produtos culturais das duas bandas do Minho, o qual facilita uma imersão. Em termos de consumo cultural também…é 5 estrelas.
Por outro lado, acho que o certame é muito horizontal, porque quem escolhe não é um júri especializado, mas o público leitor/ouvinte que muitas vezes se aproxima de grupos/poetas pela primeira vez.

O ano passado, na parte da música e do lado português, ganhou a minha ídola Capicua. Pensem bem…quantas oportunidades teria uma cantora rap feminista portuguesa em vir à Galiza? Graças ao Arritmar o público daquela noite do Teatro Principal ficou a saber quem ela era.

Este ano, confesso, o cartaz não me atrai muito assim, mas o público é soberano.

Na parte da música, a decisão que menos me satisfaz, ganharam Sés (Gz) e os Quinta do Bill (Pt). Considero que os Quinta do Bill não são muito representativos da música portuguesa atual, até fiquei a saber que ainda tinham a máquina azeitada, pois levam uns tempos em que não estão a bater muito na moda.

No assunto literário já fiquei mais contente. Do lado galego temos a Paco Souto (“Terradentro”) e do português a Pedro Craveiro (“fui a Bruges esquecer um amor”).

Como adoro o projeto irei ao teatro na mesma ver a gala, no dia a seguir é feriado e não há nem que madrugar nem nada. Aliás, apresentam a Isabel Risco e o Quico Cadaval…vai dar barraca!

Então a gente vê-se no dia 31 às 21h no Teatro Principal para curtir e fazer também homenagem ao Narf.

Como assim? Ainda sem bilhetes? esgotaram! mas pode ser que tenham uma chance, amanhã há um sorteio na Cadena SER no programa Hoy por hoy

Ainda o último judeu e os outros

A Companhia de Teatro de Braga chega no dia 31 de outubro à Ramalhosa (Teu) às 21h.
Noutros posts falamos do projeto Troca por Troca e desta vez falaremos de Cena Ibérica. Essencialmente estas duas iniciativas procuram um contacto trans-fronteiriço de companhias entre a Galiza e Portugal. Assim sendo, os nossos Chévere foram com “Eroski Paraíso” a Braga e os bracarenses virão à Ramalhosa com “Ainda o último judeu e outros” do Abel Neves.

Tirei o argumento da peça da própria página do Theatro Circo, onde a companhia é residente, e a coisa é mais ou menos assim: “Daniel decide convocar a sua mãe, Judite, e o seu pai, João Victor, para um encontro num lugar nos arrabaldes da cidade, fora do conforto da casa. Núria, a sua namorada, segue-o. Obcecado desde sempre com a história trágica dos judeus – a sua avó, mãe de Judite e a viver na Holanda, sofreu, em criança, a perda dos pais, ambos judeus, numa situação que a marcou definitivamente, tendo eles sido depois assassinados no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau -, Daniel não descansa enquanto não confronta Judite com uma época que ela não aceita lembrar e, sobretudo, não quer assumir por via do sangue materno. João Victor tenta amenizar a disputa sem, no entanto, o conseguir. O lugar do encontro – um armazém sujo e abandonado por onde passam caçadores e ao qual chamam “Bosque Motel” – é visitado de passagem por Nelse e Arlete, um bem humorado casal, precisamente, de caçadores, que serão testemunhas da intensa e brutal situação, acabando involuntariamente por contribuir para um desfecho inesperado”

Segundo pude ler nas críticas, durante estes últimos quatro anos a criação artística da companhia centrou-se na questão da Liberdade e Solidão. Conhecemos já o Abel Neves por ter vindo representar também “Sabe Deus Pintar o Diabo”. Esta peça e a anterior tratam a rua e a cidade como itinerários de abandono, de desistência, de perda de dignidade e auto-estima. Religião, Liberdade e Nazismo são uma constante nesta última obra.

Sofia Ribeiro em digressão

Outonalidades, circuito português de música ao vivo, traz a cantora Sofia Ribeiro para uma pequena digressão de concertos que começa hoje.

Sofia Ribeiro é uma cantora e compositora portuguesa dedicada ao jazz. Parece que o Salvador Sobral ter ganho a Eurovisão com a sua voz crooner e toques de jazz começa a ter impacto nas salas e nos contratos da Galiza. Ainda bem que começamos a perceber que a música tem muitos estilos.

A Sofia é licenciada em canto jazz pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE), onde atualmente lecciona. Tirou um mestrado em canto jazz no Conservatório de Bruxelas, onde estudou com David Linx.

Ganhou vários prémios, entre eles o segundo lugar da competição internacional “Young Jazz Singers” e o primeiro prémio da competição international de jazz “Voicingers 2008”. Estudou na Berklee College of Music e no final da sua estadia  foi-lhe oferecido o prémio “Oliver Wagmann Memorial Scholarship”, prémio destinado a um(a) cantor(a) extraordinário(a) que demonstrou excelência académica na faculdade.

Tem seis discos publicados Dança da solidão (2005), Orik (2008), Porto (2010), Ar (2012), Mil e uma cores (2012) e Mar Sonoro (2017).

Então o esquema é assim, façam captura de ecrã:

-hoje em Bueu no Bar Aturuxo

-amanhã na Borriquita de Belém em Compostela

-depois de amanhã no Club Clavicémbalo em Lugo

Street Art Street Photo

foto urbana

De 30 de outubro a 13 de dezembro poderemos ver uma exposição fotográfica de artistas ibéricos/as no Centro Cultural Camões de Vigo.

Street Art Street Photo reune fotógrafos/as espanhóis e portugueses que tiveram no seu objetivo a arte urbana de Vigo. A nota mais inovadora desta exposição é que todos os autores são por sua vez instagrammers e foram nesta rede escolhidos para o projeto. Se tiverem conta no Instagram podem acompanhar a obra destes artistas, eu já mergulhei nessas fotografias e foi uma experiência muito positiva. Tomem nota:  @rodrymendonca, @kitato, @joao.bernardino @diogolage, @lemleite, @raquelcalvino, @passtiche, @mjpereira, @mevisualartist @patriromero, @jorgelens e @rober.delatorre

Da mesma maneira que a arte urbana é efémera, modificável e podemos ser partícipes dela, a arte urbana que é carregada nas redes reune todos este valores para além de mostrar as obras para um público mais extenso e poder ter um feedback mais direto.

Instagram pode não ser apenas uma rede para carregar duck faces, também é um foco irradiador da arte.

 

Dormir com Lisboa

dormir

Fausta Cardoso Pereira é uma lisboeta de gema. Estudou Publicidade e Marketing, Comunicação Social e Sustentabilidade. É formadora na área da escrita criativa e antes foi responsável pela gestão de projetos educativos na Fundação PT.

O seu livro último livro, Dormir com Lisboa, foi o vencedor do II Prémio Antón Risco de literatura fantástica. Este certame, convocado pela Urco Editora e a Fundación Vicente Risco, é desses poucos na Galiza que aceitam manuscritos em português.

O argumento da obra parte de um enigma simples: o desaparecimento inexplicável de cidadãos comuns na cidade. Lisboa é aqui uma personagem mais que se apresenta como um grande mural de histórias encaixadas e que parece engolir as pessoas. O romance é, então,  um canto contra as cidades europeias estandardizadas e turistificadas.

Esta sexta-feira, às 20h, poderemos  falar na Lila de Lilith com a autora e o editor, David Cortizo.