Cineuropa 2018

E assim de uma semana para outra, passamos dos chinelos às galochas. Mas tudo vem também com coisas boas. Podemos compensar os pés ensopados com os magustos e com o nosso bem querido Cineuropa. Não há outonos sem isto.

Na nossa já costumeira (e retardatária) recomendação, selecionamos estes filmes para ti, que gostas de ouvir nasalidades. Lamentamos imenso chegar atrasados e não falarmos do Macunaíma, aiiiii. Se quiserem saber mais, já sabem, ligação:

Luz obscura, 2017. Susana de Sousa Dias. Portugal. Documentário. (amanhã às 16h30; terça 20, às 19h30). Como é que agia a PIDE, a polícia do Estado Novo? como é que era a repressão na ditadura portuguesa?

-A sedução da carne, 2018. Júlio Bressane. Brasil. Ficção. (terça 13, às 16h; segunda 19, às 16h15). Uma escritora mete conversa com um papagaio. Lá no fundo, um pedaço de carne é que observa esse diálogo.

O termómetro de Galileu, 2018. Teresa Villaverde. Portugal. Documentário. (quinta 15, às 18h). Um documentário em português e italiano onde podemos refletir sobre a situação política da Itália atual.

-O som ao redor, 2012. Kleber Mendonça Filho. Brasil. Ficção. (sexta 16, às 18h45). Os moradores de um bairro de uma cidade brasileira contratam uma empresa de segurança para a sua proteção. Esta nova contratação mudará as suas vidas, agora mais rotineiras.

-Diante dos meus olhos, 2017. André Félix. Brasil. Documentário. (sexta 16, às 17h30). Fala dos membros da banda musical Os Mamíferos, que atuavam na década de 60 no Brasil interpretando música MPB.

-Djon Africa, 2018. Filipa Reis, João Miller Guerra. Brasil, Portugal, Cabo Verde. (sexta 16, às 20h30) Os filhos não reconhecidos acabam por se parecer muito aos seus pais. Um dos protagonistas fará uma viagem a Cabo Verde para encontrar o seu pai.

Inferninho, 2018. Pedro Diógenes, Guto Parente. Brasil. Ficção. (sexta 16, às 21h; domingo 18, às 21h30). Deusimar é a proprietária de um boteco, o Inferninho. Mas ela sonha com largar tudo e conhecer lugares longínquos.

O processo, 2018. Maria Augusta Ramos. Brasil, Alemanha, Paises Baixos. Documentário (sábado 17, às 18h; terça 20, às 21h). A história de Dilma Rousseff e, portanto, a história também do impeachment. A primeira mulher presidente do Brasil foi presa política na ditadura e posteriormente foi julgada por corrupção. Poderemos ouvir os depoimentos da protagonista.

Praça Paris, 2017. Lúcia Murat. Brasil, Argentina, Portugal. Ficção. (domingo 18, às 16h30). A Glória trabalha no elevador de uma universidade do Rio, a Camila é psicanalista e frequenta a mesma universidade porque faz nela o doutoramento. Lá é que começa um relacionamento que ultrapassa qualquer consultório.

Neville d’Almeida: Cronista da Beleza e do Caos, 2018. Brasil. Documentário. (segunda 19, às 18h; terça 27, às 17h45). Documentário sobre este cineasta de Belo Horizonte. 

Copacabana Beach, 1983. Vivian Ostrovsky. Brasil Experimental. (quinta 22, às 16h30; terça 27, às 17h30). A câmara e a edição de Vivian Ostrovsky procuram o absurdo na rotina dos corpos de banhistas, ginastas, transeuntes, gente comum flagrada em Copacabana. Esses hábitos banais são frequentemente convertidos em coreografia, expressando outra paixão da cineasta. Tudo isto…com músicas da minha muito amada Carmen Miranda.

-Deslembro, 2018. Flávia Castro, Brasil, França, Catar. Ficção. (sábado 24, às 18h) Joana cresceu em Paris, em contacto com o rock e a literatura. Mas em 1979, com a amnistia, a Joana regressa a um Brasil que quase não conhece. Chega ao Rio e recupera algumas recordações de seu pai e da sua meninice.

Tempo comum, 2018. Susana Nobre. Portugal. Ficção. (domingo 25, às 19h). Marta é mãe pela primeira vez. Experimenta novas sensações e conhece a sua filha entre visitas de familiares e amigos, que vão tecendo uma história de narrações de experiências próprias.

Nesta semana, deparei-me com esta frase do Manoel de Oliveira “Nenhuma arte simula a vida como o cinema. Todavia, não é uma vida. Também não é propriamente uma arte. Porque é uma acumulação, uma síntese de todas as artes. O cinema não existia sem a pintura, sem a literatura, sem a dança, sem a música, sem o som, sem a imagem, tudo isto é um conjunto de todas as artes, de todas sem exceção.” Já pensaram nisso? em todos os museus que estão a visitar durante 90 minutos? curtam então essa visita!

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Cantos na Maré 2018

Há tempo que não falamos do Festival Cantos na Maré e não foi por nós não querermos. O evento esteve uns anos em pausa, mas este ano voltou em grande, com um formato de quatro dias e vários cenários.
Estive uns dias muito em baixo porque sabia que não poderia ir e ontem, coisas do destino, por uma mudança de planos inesperada, a vida abriu-me uma porta. Finalmente irei ao festival! E este é o meu ano porque no cartaz estão duas das minhas rappers mais queridas. Estou em pulgas!

Comento então o programa:

QUINTA 11

CENÁRIO ULTRAMARÉ. Auditório – 20.30H – Concerto Inaugural de Teresa Salgueiro (Portugal).

Penso que não faz falta nem dizer quem ela é. Ainda há pouco tivemos a oportunidade de vê-la no ciclo Nexos. Quem melhor que a cantora dos Madredeus para abrir este festival?

SEXTA 12

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Vudu (Galiza)
  • CÉNARIO ULTRAMARÉ: Auditório – 20.30H -Cesária Évora Orchestra com Lura, Lucibella e Elida Almeida (Cabo Verde)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : Auditório – 22.00H – Capicua com Wöyza e Eva RapDiva (Portugal, Angola, Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ :23.30H – GARCÍA MC “Nación Quilombo” com Alejandro Vargas (Galiza)

Este é o meu dia, porque como sabem, eu amo rap. Mas antes disso, queria falar-vos de Lura, porque é uma dessas artistas, junto com a Cesária Évora, com a qual aprendi muitas coisas culturais de Cabo Verde.  Na Ri Na é uma dessas canções que sempre me animam.

Capicua e Eva RapDiva não faltam na minha lista de Spotify. Conheço a Capicua desde o seu primeiro cd e graças à canção “Feias, porcas e más”, uma declaração de intenções feminista, conheci também a Eva RapDiva. Enfim, toda a gente sabe do meu amor por elas. Da rapper do Porto falei-vos inúmeras vezes, mas a Eva RapDiva não se tinha deixado ver pela Galiza ainda. Bem-vinda, Eva! rainha nzinga do rap!

Estava na hora de o festival se abrir a novos ritmos, mais urbanos e mais ligados à realidade da juventude. Vi por aí que ainda há um grupo de kuduro no programa. Isto vai dar barraca!

SÁBADO 13

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Os Meninos (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -20.30H Selma Uamusse (Moçambique)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -21.45H – Chico César (Brasil)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : AUDITÓRIO – 23.15H – Mercedes Peón (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO – 00.30H – Throes + The Shine (Portugal e Angola)

No sábado há grandes forças vivas: o brasileiro Chico César e a galega Mercedes Peón. A moçambicana Selma Uamusse já tinha vindo a Compostela no ano passado pelas festas. E os Throes and The Shine vieram ao Womex, naquela superedição quase lusófona de 2016. Estejam prontos para dançar, porque o kuduro vai chegar! Até que enfim! quero mais kuduro na Galiza em todas as pistas de danças.

DOMINGO 14

  • CENÁRIO ULTRAMARÉ. AUDITÓRIO – 20.30H – Concerto de fecho.
  • CANTARES DE ÉVORA, KEPA JUNKERA E UXÍA apresentam ATH-THURDÂ em CANTOS NA MARÉ.

A madrinha do evento, Uxia, fechará a festa com um concerto com o Kepa, apresentando Ath Thurdâ.

Já compraram o bilhete? estão à espera do quê?

PS. comentam-me que por motivos meteorológicos todas as atividades que iam ser fora, serão no auditório.

Festival Feito a Man 2018

Não gostei nada do programa das festas de Compostela, não é um segredo para ninguém. Ora bem, a vida recompensa-me com outros concertos bons no Festival Feito a Man.

Para quem não souber, o festival é organizado pela Associação Cultural “Cidade Vella” e decorre nas ruas e praças mais conhecidas de Compostela. Feito a Man visa fazer da cidade nobre um espaço de encontro artístico e multidisciplinar, cada praça ou rua pode ser um cenário. Talvez entre tanta paisagem turística esta seja uma ocasião de desabafo para a própria cidade. Desde hoje até ao dia 26 do corrente mês poderemos usufruir de concertos, cabaret, performances e intalações de todo o tipo.

Se quiserem saber mais coisas, como isto já se move nos mundos mais do que modernos, podem descarregar a app do festival e estarem a par das supresas e novidades.

Querem saber as minhas dicas? Lá vão uns planos para agosto.

  • quarta, 1 de agosto (hoje). 21h45 na Praça de Cervantes. Concerto de Napalma, banda de funkafrobrasileiro com membros de diversas origens (Vitória, Brasil e Maputo, Moçambique). Primeiramente foram um bloco de carnaval, mas vendo o sucesso das misturas, decidiram que o projeto devia continuar de maneira profissional.

  • sexta, 3. 20h na Via Sacra. Vai tocar Senza. A banda portuguesa é formada por músicos que também são viajantes. A composição é para eles uma coisa que pode ser inspirada nas viagens. O seu último trabalho fala da sua estadia na Índia.
  • no mesmo dia às 22h voltam os Napalma com Dj Daasanach em Bonaval. Estes últimos fazem afrocaribbean, kuduro e mambo. Conhecem o kuduro? não? não percam mais tempo!

Dentro do OFF Feito a Man, há também um espaço para a poesia na tarde deste dia na Praça de Salvador Parga às 20h30. Carlo Semedo, João Canedo e Vítor Hugo Moreira vêm de Portugal para dar o seu melhor na música e na poesia.

  • terça, 7. 22h na Rua Trás Salomé podem ver a portuguesa Maria Reis, membro das Pega Monstro. Uma das bandas emergentes que já temos aconselhado alguma vez.
  • quinta 16, às 20h na Via Sacra. Se ainda não sabem o que é que é o “choro” como género musical, podem ir ao concerto de Choro Alegre e já ficam a saber.

É só verem o cartaz…eu estou na glória!

A minha lista de youtubers

(Este artigo foi publicado pela primeira vez no Festagal de 2018)

É a uma da tarde, estão à espera do comboio, numa fila para levantarem entradas para um concerto, ou prestes a entrarem ao consultório médico…antigamente teríamos solucionado essa enorme seca metendo conversa com a pessoa ao lado, mas hoje o telefone invadiu as nossas vidas.

Na era dos vídeos e das stories do Instagram não podem faltar umas boas dicas sobre youtubers ou canais de Youtube.

 

Dom La Nena no Gaiás

“Atardecer no Gaiás” é já um dos planos do verão para qualquer “picheleiro/a” de gema.

A Cidade da Cultura é desses elefantes que as cidades têm infrautilizados e assim pelo menos, nem que seja a praça principal, ainda tem uma utilidade. Prós: vermos o entardecer lá é incrível. Contras: se não tiveres carro, como eu, estás lixado/a, porque as conexões de transportes são péssimas. Mas esta é uma dessas situações em que os prós vencem os contras.

Amanhã às 21h, na praça principal, teremos o concerto da brasileira Dominique Pinto aka Dom La Nena.

A jovem violoncelista de Porto Alegre sentiu a necessidade de homenagear os artistas que mais admirava durante a sua gira com o disco Soyo em 2015. Começou assim como quem não quer nada a fazer covers nos seus concertos e daí saiu o seu EP Cantando, com músicas em português, inglês, francês e espanhol gravadas com a sua voz e um mínimo acompanhamento: o violoncelo.

Delicadeza, minimalismo e poesia para uma tarde de verão.

13MICE

Logo MICE

Entre os dias 4 e 8 do corrente mês decorre na cidade de Compostela a Mostra Internacional de Cinema Etnográfico (MICE), que já vai pela edição número 13. A quantidade de filmes e o programa também foram crescendo com o tempo, então temos vários lugares de projeção: Museu do Povo Galego, Teatro Principal e Sala Numax.

Na minha já costumeira análise de programas, selecionei aquelas obras com interesse lusopata.

No dia 5, na sala Numax, às 20h temos a visualização de Trás-os-montes, filme realizado por António Reis e Margarida Cordeiro na década de 70. Esta fita é fundamental no cinema português porque influenciou autores posteriores como o internacional Pedro Costa.

Trás-os-montes é um documentário ficcionado sobre a região homónima portuguesa. É uma das obras mais representativas do movimento do Novo Cinema e uma das primeiras docuficções portuguesas. São descritos no filme o folclore, a paisagem e a identidade desse cantinho geográfico, que remontam às raízes históricas ancestrais da tradição galaico-portuguesa.

Há pouco tempo que as pessoas têm acesso ao filme depois dos anos 70, porque esteve em restauro na Cinemateca Portuguesa do Museu do Cinema.

Se quiserem ver esta joia do cinema, têm de se despachar. A projeção tem entrada de graça até completar a lotação, mas os bilhetes têm de ser reservados exclusivamente na Numax e de maneira presencial a partir do dia 2.

No dia 6, dentro do conjunto de filmes que vão ser exibidos e vão a concurso, há uma coprodução galego-portuguesa: Palmira.

diana-goncalves

A autora da obra é a Diana Gonçalves, a alma mater do conceituado Mulheres da raia. A cineasta volta com uma peça com marcado protagonismo feminino como na sua fita anterior. Ela tinha a ideia de gravar durante quatro anos a Palmira, vizinha de Caldelas de Tui e conhecida até 2011 como a “avó da Galiza” pela sua longevidade. Mas a Palmira morreu no terceiro ano de gravação aos 108 anos e isto foi um grande desafio de montagem.

Palmira conta a vida desta mulher centenária longe das entrevistas televisivas. “Um corpo cansado, mas resistente”.

No Teatro Principal, às 20h30.

No dia 7 temos dois filmes a concurso, um brasileiro e uma coprodução Bélgica/Brasil. Comecemos por este último: We must be dreaming, de David Bert Joris Dher.

Fala dos caminhos e estradas que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de Rio 2016 abriram no Brasil. O que significou para os moradores da cidade? Três anos e três histórias em busca de sonhos, vitórias e fair play.

No Museu do Povo Galego às 19h30.

O outro dos filmes é Deixa na Régua, realizado no Brasil pelo Emílio Domingos.

“Um corte de cabelo estiloso pode representar muita coisa. O dia a dia movimentado das barbearias da zona norte é retratado com leveza e graça, a partir de depoimentos dos jovens que as frequentam. Nas mãos dos babeiros Belo, Deivão e Edi, eles vão mostrar como esses estabelecimentos se tornam um espaço de sociabilidade e de debate sobre diversos assuntos.” O cabelo é neste caso uma construção narrativa, cada pessoa que vai ao barbeiro cria o seu discurso. Com efeito, podemos produzir cultura numa visita ao salão de beleza.

Marcaram já no Google Calendar?

Primavera do cine em Vigo

primavera

Amanhã começa o Festival Primavera do Cine em Vigo e o Centro Cultural Camões acolherá uma mostra de curtas lusófonas durante estes dias. No Auditório Municipal de Vigo temos duas longas, uma delas Cartas da guerra, que eu recomendo vivamente pela sua relação com a literatura.

Infelizmente, soube neste momento que houve há dias uma mostra prévia de cinema brasileiro…já não chegamos. De qualquer maneira, coloco cá o programa por se estiverem interessados/as noutras atividades.
Debruço-me sobre as informações e confesso que não está fácil escrever este artigo. Há tantos filmes de que vos tenho que falar que nem sei por onde começar! Pronto, como todas as coisas… inventarei um princípio, mesmo que seja caótico.

  • curtas:

O forasteiro, Diogo Cronemberger. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É a história de Carraimundo, que, no sertão do Piauí, Brasil, luta contra o obsessivo mundo cíclico da violência em que está preso.

Flores, Vado Vergara e Henrique Bruch. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É uma curta produzida por alunos/as e diplomados/as do curso de Produção Audiovisual (Teccine), da Escola de Comunicação, Artes e Design, está a marcar presença em festivais internacionais. A curta aborda o crescimento de grandes centros urbanos e mercado imobiliário enquanto pessoas são despejadas destes espaços que estavam ociosos e acompanha o dia de dois jovens que buscam compreender a relação afetiva que os une. Um deles, artista visual, partilha a casa ocupada com uma mulher trans de 70 anos viciada em drogas e busca a realização profissional noutra cidade.

Deusa, Bruna Callegari. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Deusa trabalha como funcionária cobrando impostos na ilha onde mora. Habituada a ver o movimento dos viajantes, nunca tinha pensado na sua própria vida até que uma baleia encalha na praia. Deusa observa a baleia e acha nisto uma metáfora de si mesma.

Em algum lugar, amanhã, André Siqueira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um encontro entre dois estranhos e as fantasias ocultas que os permeiam. Ela, uma mulher infeliz no casamento. Ele, o dono de uma alfarrabista, um homem sensível e poético. A curta retrata a relação de pessoas que mal se conhecem, mas que, inexplicavelmente, se sentem subitamente atraídos um pelo outro. Um filme que fala sobre as escolhas que fazemos a cada momento e como elas podem influenciar nossa vida para sempre.

O menino e o louco, Júlia Ferreira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um menino viaja e reencontra-se com duas amigas gémeas. Começa a visitar a casa delas para tentar protegê-las do seu pai doido.

Vidas cinzas, Leonardo Martinelli. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. Trata-se de um falso documentário que denuncia a atual crise no Brasil.

Mãe querida, João Silva Santos. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Matilda é uma adolescente assombrada pela morte do pai e maltratada pela sua mãe alcoólica, Susana. Um dia, decide pedir ajuda a uma bruxa.
Esta curta tem o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017.

A gente nasce só de mãe, Caru Roelis. (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Emilly, uma rapariga de 17 anos vive num bairro na periferia com dois irmãos mais novos e o filho recém-nascido. O filme segue algumas horas na vida da jovem, mostrando-nos as delicadas e complexas relações de família e de poder que atravessam o quotidiano da jovem, cuja vida é devastada por uma tragédia que se aproxima.

Katharsis, Mirela Kruel (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Abatida pela amnésia, Clarice entra num teatro para fazer um teste. Hermes, diretor da peça, ldiz-lhe que é preciso mais do que atuação para interpretar tal papel. Na visão dele, ela precisa sentir que é a personagem. Confundindo a ficção que a atriz pensa estar a viver no palco, ela começa a se lembrar de fragmentos da sua própria história.

O vestido de Myriam, Lucas H. Rossi. (Brasil) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Em meio a uma casa pacata no interior rural do estado do Rio de Janeiro, um casal de idosos convive com as limitações da velhice. Divaldo compartilha a sua solidão com Myriam. Ela morre durante o sono. Após o enterro, ele manifesta o luto de forma peculiar.

  • curtas de animação:

Estilhaços, José Miguel Ribeiro. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um filme sobre a forma como a Guerra se instala no corpo das pessoas que a vivem olhos nos olhos. E, depois, a milhares de quilómetros e dezenas de anos decorridos, contamina, como um vírus, outros seres humanos.

Água mole, Laura Gonçalves e Ale­xan­dra Rami­res. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Os últimos moradores de uma aldeia resistem-se a serem esquecidos. O progresso avança…conseguirão ficar na aldeia? Água mole em pedra dura…

Solito, Gabriel Mayer. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um morador de rua caminha pela cidade com a sua única companhia, a Solidão, um monstro fantasmagórico que o segue por todo a parte.

Tocadora, Joana Imaginário. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Por equívoco, ela bebe a água de lavar os pincéis e transforma-se em desenho. A partir daí o mundo do quotidiano e o mundo da criação dançam à roda de um armário. Lá dentro, cada momento, cada memória e cada ação tornam-se únicos. Enquanto um livro cresce e se torna real, seguimos a Tocadora no seu processo criativo como percurso imaginado.

-É preciso que eu diminua, Pedro Serrazina. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. É o clip de vídeo do novo single de Samuel Úria. Que bom voltar encontrar o Pedro entre as nossas linhas!

Surpresa, Paulo Patrício. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Surpresa é uma curta animação documental feita usando uma conversa gravada (isto é, sem ação, não ensaiada, não roteirizada) entre uma mãe, Joana, e sua filha de três anos, Alice, que se está a recuperar de um cancro renal. Ambas falam – abertamente e francamente – sobre a doença, a suas atuais circunstâncias, lutas e sucessos.

-The voyager, João González. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. Um pianista vive numa grande cidade e sofre de agorafobia. Ele é confrontado com a necessidade de sair de casa para se reabastecer de medicamentos.

  • longas

Cabra, marcado para morrer, Eduardo Coutinho (Brasil). Exibição: 9 de maio, 19h30, no Auditório Municipal de Vigo. Este documentário tem a honra de abrir o festival, a obra fala de um líder camponês, João Pedro Teixeira, que é assassinado por ordem dos latifundários do Nordeste.

Cartas da guerra, Ivo Ferreira (Portugal). Exibição: 11 de maio às 22h no Auditório Municipal de Vigo. Baseada no livro homónimo de Lobo Antunes que recolhe as cartas que um jovem soldado português enviou de Angola à sua mulher entre os anos 1971 e 1973 durante a Guerra Colonial.

O filme tem muitos prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Um luxo.

Hamlinho em Lugo

Boas notícias para quem estiver hoje por Lugo. O Deparatmento de português da Eoi e a associação Mádia Leva trazem hoje às instalações do C.S. Mádia Leva (Rua Serra dos Ancares, 18) às 21h, a peça de teatro Hamlinho escrita por Pepablo Patinho.

Pepablo Patinho, para quem não souber, é um autor e diretor teatral de Ferrol, que está ao comando de Teatro Ghazafelhos. Hamlinho, um dos seus textos, é uma versão muito engraçada e particular do sempre auxiliado Hamlet de Shakespeare. A cereja no bolo é que o espetáculo será completamente de graça e encenado integramente em português pela companhia brasileira Espelunca.

Adriana Calcanhotto em Compostela

Adriana Calcanhotto não precisa de ser apresentada. Talvez seja uma das artistas mais versáteis dentro da música brasileira. Além disso, não sei se sabem, atualmente está a dar aulas sobre “como escrever canções” na Universidade de Coimbra, pois ela é uma das embaixadoras desta entidade.

A descoberta de como escrever canções continua até 7 de maio mas, pelo meio… teremos um concerto único na Galiza, em Compostela.

Um conceito inspirado na “Mulher do Pau-Brasil”, movimento modernista brasileiro dos anos 20, com o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, a sua influência no Tropicalismo e toda a informação que chegava de fora do país a ser reinventada nos termos locais. A descolonização mental e cultural do Brasil foi resolvida assim, muito inteligentemente, em termos de antropofagia. O Brasil é uma nação capaz de apanhar produtos culturais europeus e “comé-los”, abrasileirá-los, fazer uma versão própria. Nós, muito pelo contrário, na Galiza resolvemos ser sempre comidos…

Deixo-vos o manifesto antropófago por se quiserem dar uma vista de olhos, porque é verdadeiramente interessante. Nele aparece o desenho do Abaporu, de Tarsila do Amaral, uma pintora que bem vale uns minutos de leitura sobre ela.

Podem ver o vídeo dela a recitar o manifesto em:

Amanhã em Compostela às 20h30 no auditório da Galiza.

Concerto comemorativo 25 abril

Numa data tão destacada também comemoramos em Compostela os 20 anos da presença de leitores do Brasil na USC. Hoje haverá um concerto de música de câmara brasileira e portuguesa com a Orquestra Clássica de Vigo no paraninfo da Faculdade de Geografia e História da USC às 20h30.

O concerto terá peças do brasileiro Heitor Villalobos  e do português Sérgio Azevedo. Contará também com os intérpretes: Aurora Canabal López (Flauta), João Pedro da Gama Valinho (Clarinete), Belén Carril Miguéns (Fagote) e Beatriz Costa Pereira Facão Freire (Oboé).

Montes de coisas para fazer hoje em Compostela!