Electra

São bons tempos para tragédias das boas. A Companhia do Chapitô trazia o seu Édipo a Ferrol em 2016 e agora voltam com outra peça trágica, Electra.  Sófocles, Eurípides e Ésquilo já deram a sua própria visão da filha da Clitemnestra e Agamemnon e os do Chapitô continuarão a alargar o mito, mas com um toque particular: em chave de comédia hilariante.

Durante a guerra de Tróia, o rei Agamemnon tenta libertar a Helena do seu cativério. As condições marítimas não eram assim muito favoráveis e pediu ajuda aos deuses. Foi-lhe dito que sacrificasse a sua filha mais nova, Ifigénia, para conseguir bons ventos. O sacrifício da menina causa a ira da Clitemnestra, que junto do seu amante, Egisto, planeja uma vingança.

Ao voltar o Agamemnon da guerra é morto pela Clitemnestra e o Egisto. A Electra, menina dos olhos do pai, quererá também vingar-se, por sua vez (recordem que não há uma verdadeira tragédia grega sem jorros de sangue). Electra e o seu irmão, Orestes, consumarão a vingança.

No dia 25, às 20h30 no Teatro Principal de Compostela poderemos ver se isto é que se trata de uma visão mais do Ésquilo ou do Eurípides.

 

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Hamlinho em Lugo

Boas notícias para quem estiver hoje por Lugo. O Deparatmento de português da Eoi e a associação Mádia Leva trazem hoje às instalações do C.S. Mádia Leva (Rua Serra dos Ancares, 18) às 21h, a peça de teatro Hamlinho escrita por Pepablo Patinho.

Pepablo Patinho, para quem não souber, é um autor e diretor teatral de Ferrol, que está ao comando de Teatro Ghazafelhos. Hamlinho, um dos seus textos, é uma versão muito engraçada e particular do sempre auxiliado Hamlet de Shakespeare. A cereja no bolo é que o espetáculo será completamente de graça e encenado integramente em português pela companhia brasileira Espelunca.

Titiriberia

Este foi um ano em que a minha mãe serviu como arquivo vivo da memória coletiva. Chegaram várias pessoas do Proxecto Barriga Verde à nossa casa e fizeram vídeos onde ela relatava como eram as festas na sua infância e também como eram as marionetas. Foi emotivo vê-la no Youtube, ver que aparece numa coisa da net que ainda ela nem entende muito bem, mas deu tantos detalhes que até parecia que estávamos lá, vendo o cenário e as personagens.

De Barriga Verde e das suas relações com o teatro de Dom Roberto temos falado noutros artigos, mas recomendo a sua leitura para quem quiser ir ver os espetáculos do Titiriberia. En Teu teremos entre amanhã e domingo este festival que oferecerá espetáculos e palestras em volta das marionetas tradicionais.

Na sexta, na Mediateca do Grilo, às 21h, haverá a projeção, e posterior colóquio, do filme Dom Roberto, (José Ernesto de Sousa, 1962), fita considerada como peça fundacional do Novo Cinema Português que trata a tradição dos fantoches do país. Estará apresentado por Comba Campoi, João Costa, fantocheiro especializado nos Robertos, e de Lara Rozados, que dará a conhecer a colaboração do Cineclube Compostela com o Festival Titiriberia.

O evento também envolve a feira cavalar de Francos e assim recupera o espaço dos títeres. Neste sábado poderemos ver à formação lusa Mãozorra. Mas Mãozorra não vai estar apenas na festa, vai no domingo encenar O Caçador ás 12.30 horas no Auditório Constante Liste.

Morreu o demo…acabou-se a peseta!

 

Ainda o último judeu e os outros

A Companhia de Teatro de Braga chega no dia 31 de outubro à Ramalhosa (Teu) às 21h.
Noutros posts falamos do projeto Troca por Troca e desta vez falaremos de Cena Ibérica. Essencialmente estas duas iniciativas procuram um contacto trans-fronteiriço de companhias entre a Galiza e Portugal. Assim sendo, os nossos Chévere foram com “Eroski Paraíso” a Braga e os bracarenses virão à Ramalhosa com “Ainda o último judeu e outros” do Abel Neves.

Tirei o argumento da peça da própria página do Theatro Circo, onde a companhia é residente, e a coisa é mais ou menos assim: “Daniel decide convocar a sua mãe, Judite, e o seu pai, João Victor, para um encontro num lugar nos arrabaldes da cidade, fora do conforto da casa. Núria, a sua namorada, segue-o. Obcecado desde sempre com a história trágica dos judeus – a sua avó, mãe de Judite e a viver na Holanda, sofreu, em criança, a perda dos pais, ambos judeus, numa situação que a marcou definitivamente, tendo eles sido depois assassinados no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau -, Daniel não descansa enquanto não confronta Judite com uma época que ela não aceita lembrar e, sobretudo, não quer assumir por via do sangue materno. João Victor tenta amenizar a disputa sem, no entanto, o conseguir. O lugar do encontro – um armazém sujo e abandonado por onde passam caçadores e ao qual chamam “Bosque Motel” – é visitado de passagem por Nelse e Arlete, um bem humorado casal, precisamente, de caçadores, que serão testemunhas da intensa e brutal situação, acabando involuntariamente por contribuir para um desfecho inesperado”

Segundo pude ler nas críticas, durante estes últimos quatro anos a criação artística da companhia centrou-se na questão da Liberdade e Solidão. Conhecemos já o Abel Neves por ter vindo representar também “Sabe Deus Pintar o Diabo”. Esta peça e a anterior tratam a rua e a cidade como itinerários de abandono, de desistência, de perda de dignidade e auto-estima. Religião, Liberdade e Nazismo são uma constante nesta última obra.

O dia em que a morte sambou

Chega o programa dos Galicreques, por melhor dizer, chegou. Não cheguei a tempo a anunciar os eventos de Compostela, mas ainda vou a tempo de vos dizer o que se vai passar na Corunha. Amanhã na Sala Gurugú às 18h30 poderão ver a peça brasileira de teatro infantil O dia em que a morte sambou.

O filho de Valéria e Habib explica tudo com muito jeito neste teaser.

Estão a ver então que O dia em que a morte sambou é também um livro que foi levado aos palcos pelos próprios autores: Habib, escritor e Valéria, artista plástica. Ansiosos em preservar a poética da obra original na encenação, escolheram a linguagem do teatro de bonecos de sombras, uma das formas mais antigas e belas de teatro de formas animadas.

Esta família é quase como aquela The Kelly Familiy da década de 90. Eles fazem tudo! A trilha sonora, que vai da música tradicional da Bretanha ao Maracatu de Baque Solto e Cavalo Marinho de Pernambuco, é executada ao vivo com violino e escaleta por Valéria, enquanto Habib manipula os bonecos, cujas sombras conversam, andam, brincam e dançam, não somente no cenário, mas também pelas paredes, chão e teto da sala.

E qual é o argumento? Seu Biu é um velhote que mora sozinho, canta, brinca, dança e está em sintonia com a natureza apesar das críticas que rebece. Um dia a morte vem por ele…mas será recebida de um modo inesperado.

Vamos?

 

Homens, mulheres, venha o diabo e escolha

Homens, mulheres, venha o diabo e escolha é uma peça do Grupo de Expressão Dramática de Escapães.

Desde 1992, este grupo de amigos e amigas armados em atores e atrizes levam a palco textos próprios e são já um referente na própria terra. E isto é difícil. Já sabemos que “santos da casa não fazem milagres”.

Não vi a obra, portanto, não vos posso dizer se gosto ou não. Li o resumo do argumento na sua página: “é uma comédia que nos mostra a rivalidade, os conflitos, os ciúmes, as discussões… E uma boa dose de amor entre homens e mulheres com situações do dia-a-dia de cada um de nós. Quem será o elo mais fraco?”

Na verdade, não gostei muito do resumo. Sinceramente, não gosto da cena da guerra dos sexos, nem de frisar quem é que é o elo mais fraco. Acho pouco feminista e uma visão muito sexista, foi bom com Lisístrata, mas…temos que ir sempre em frente.

Então, por favor, vão neste sábado ao auditório de Rianjo às 21h e digam-me se é que estou profundamente enganada. Tomara que sim.

 

 

 

Mamulengo

imagesPor vezes ouvimos canções, cantamos essas músicas e nem reparamos no sentido da letra. Jack Soul Brasileiro é um desses ritmos que me acompanha muitos dias. Na letra aparece a frase “a ginga do mamulengo” e hoje fiquei a saber o que é que era graças a esta minipesquisa para este artigo.

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O mamulengo é um teatro de bonecos popular no nordeste brasileiro. As peças são encenadas por artistas do povo, muitas vezes com grandes doses de improvisação. O espetáculo é intrinsecamente popular e lá os bonecos falam, dançam, brigam e quase sempre, morrem. Já falei muitas vezes da infantilização do teatro de bonecos e posicionei-me contra essa identificação, portanto, descobrir esta forma teatral com profundas raízes populares e, portanto, politicamente incorretas, foi para mim uma maravilha. Contundência, é isso.

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O artista de mamulengo que está por tás do boneco, o mamulengueiro, tem um roteiro muito breve, apenas umas linhas. O boneco pede muitas vezes uma interação com o público e este completa as falas dele. Podemos dizer que este espetáculo tem aquela catarse do teatro grego mais genuíno.

No dia 15 deste mês, poderão ver uma exposição de fantoches e também a representação de Bambu e Morte por parte do Mestre José Divina de Pernambuco. Será às 20h30, em Lalim, no Museu Galego da Marioneta.

Daniel Faria

daniel_faria_foto_augusto_baptistaNo marco do programa “Escenas do cambio” que decorre como cada ano nestas datas na cidade de Compostela, temos a peça “Daniel Faria”.

Esta obra é a segunda co-produção Galiza-Portugal do Centro Dramático Galego. O diretor de teatro Pablo Fidalgo, de Vigo, dá vida em palco ao monge e poeta português Daniel Faria. Numa entrevista recente, o realizador diz que esta não é exatamente uma peça biográfica sobre o autor “é sobre o modo em que uma vida pode afetar outras”, porque Daniel Faria tinha uma fé e uma ideia de partilha quase revolucionárias.

O poeta morreu com 28 anos. Tirou Teologia e licenciou-se em estudos portugueses. A sua foi uma dessas carreiras que a morte nos impediu de ver evoluir. Talvez possamos aprender um bocado mais da sua poesia graças a esta proposta cénica, o que acham?

Podem ver a peça desde amanhã até dia 28 no Salón Teatro.

O Conto do Inverno

invernoEspero que o Natal tenha sido mesmo bom e que o Pai Natal vos trouxesse muitas roupas para vos agasalhar. Igual que o frio, porque hoje, meus e minhas, está um frio de rachar, a peça de teatro de William Shakespeare O conto do inverno chega a Compostela nesta semana.

A crítica tem classificado como comédia a obra, mas esta é uma dessas peças teatrais que podem confundir os espetadores quanto ao género porque há também inúmeras doses de drama. Qual é o enredo? a história acontece entre Boêmia e a Sicília e nos três primeiros atos Leontes, rei da Sicília, que suspeita que o seu amigo de infância, Camillo, e a sua esposa, Hermione, estão a ter um caso.

Esta peça foi inúmeras vezes encenada e adaptada, mas é sempre bom revisitar os clássicos e mais se estes são interpretados em português por atores e atrizes galegos e portugueses. Teatro Oficina e o CDG fazem uma boa parceria.

Teatro Oficina junta, no mesmo palco, um fantástico elenco de atores e os músicos Manuel Fúria e os Náufragos atuam também, ao vivo, durante a peça.

No Salón Teatro os dias 12, 14 (20h30) e 15 (às 18h)

Chega o Chapitô a Ferrol

maxresdefaultA Companhia do Chapitô nasce em 1996 em Lisboa e desde o seus inícios desenvolve uma linguagem artística própria.

Para quem não souber, a companhia leva o nome da organização onde nasceu. O Chapitô é uma ONG situada na Costa do Castelo, em Lisboa. Lá são desenvolvidas atividades de apoio social, formação e cultura.

Os atores e atrizes valorizam formas que revelam a criatividade e o otimismo humano, daí a sua vocação para a comédia, que responde segundo eles à capacidade do homem perceber os aspetos mais insólitos da sua realidade física e social.

Hoje esta companhia está em Ferrol para representar o grande clássico de Sófocles, Édipo. Édipo, para mim o máximo expoente da tragédia, vai ser reinventado em chave de humor. Parricidas, incesto, monstros…e risos? parece que sim é possível.

Em Ferrol, no Teatro Jofre, às 20h30.