Homens, mulheres, venha o diabo e escolha

Homens, mulheres, venha o diabo e escolha é uma peça do Grupo de Expressão Dramática de Escapães.

Desde 1992, este grupo de amigos e amigas armados em atores e atrizes levam a palco textos próprios e são já um referente na própria terra. E isto é difícil. Já sabemos que “santos da casa não fazem milagres”.

Não vi a obra, portanto, não vos posso dizer se gosto ou não. Li o resumo do argumento na sua página: “é uma comédia que nos mostra a rivalidade, os conflitos, os ciúmes, as discussões… E uma boa dose de amor entre homens e mulheres com situações do dia-a-dia de cada um de nós. Quem será o elo mais fraco?”

Na verdade, não gostei muito do resumo. Sinceramente, não gosto da cena da guerra dos sexos, nem de frisar quem é que é o elo mais fraco. Acho pouco feminista e uma visão muito sexista, foi bom com Lisístrata, mas…temos que ir sempre em frente.

Então, por favor, vão neste sábado ao auditório de Rianjo às 21h e digam-me se é que estou profundamente enganada. Tomara que sim.

 

 

 

Mamulengo

imagesPor vezes ouvimos canções, cantamos essas músicas e nem reparamos no sentido da letra. Jack Soul Brasileiro é um desses ritmos que me acompanha muitos dias. Na letra aparece a frase “a ginga do mamulengo” e hoje fiquei a saber o que é que era graças a esta minipesquisa para este artigo.

mamulengo_1360882090

O mamulengo é um teatro de bonecos popular no nordeste brasileiro. As peças são encenadas por artistas do povo, muitas vezes com grandes doses de improvisação. O espetáculo é intrinsecamente popular e lá os bonecos falam, dançam, brigam e quase sempre, morrem. Já falei muitas vezes da infantilização do teatro de bonecos e posicionei-me contra essa identificação, portanto, descobrir esta forma teatral com profundas raízes populares e, portanto, politicamente incorretas, foi para mim uma maravilha. Contundência, é isso.

download

O artista de mamulengo que está por tás do boneco, o mamulengueiro, tem um roteiro muito breve, apenas umas linhas. O boneco pede muitas vezes uma interação com o público e este completa as falas dele. Podemos dizer que este espetáculo tem aquela catarse do teatro grego mais genuíno.

No dia 15 deste mês, poderão ver uma exposição de fantoches e também a representação de Bambu e Morte por parte do Mestre José Divina de Pernambuco. Será às 20h30, em Lalim, no Museu Galego da Marioneta.

Daniel Faria

daniel_faria_foto_augusto_baptistaNo marco do programa “Escenas do cambio” que decorre como cada ano nestas datas na cidade de Compostela, temos a peça “Daniel Faria”.

Esta obra é a segunda co-produção Galiza-Portugal do Centro Dramático Galego. O diretor de teatro Pablo Fidalgo, de Vigo, dá vida em palco ao monge e poeta português Daniel Faria. Numa entrevista recente, o realizador diz que esta não é exatamente uma peça biográfica sobre o autor “é sobre o modo em que uma vida pode afetar outras”, porque Daniel Faria tinha uma fé e uma ideia de partilha quase revolucionárias.

O poeta morreu com 28 anos. Tirou Teologia e licenciou-se em estudos portugueses. A sua foi uma dessas carreiras que a morte nos impediu de ver evoluir. Talvez possamos aprender um bocado mais da sua poesia graças a esta proposta cénica, o que acham?

Podem ver a peça desde amanhã até dia 28 no Salón Teatro.

O Conto do Inverno

invernoEspero que o Natal tenha sido mesmo bom e que o Pai Natal vos trouxesse muitas roupas para vos agasalhar. Igual que o frio, porque hoje, meus e minhas, está um frio de rachar, a peça de teatro de William Shakespeare O conto do inverno chega a Compostela nesta semana.

A crítica tem classificado como comédia a obra, mas esta é uma dessas peças teatrais que podem confundir os espetadores quanto ao género porque há também inúmeras doses de drama. Qual é o enredo? a história acontece entre Boêmia e a Sicília e nos três primeiros atos Leontes, rei da Sicília, que suspeita que o seu amigo de infância, Camillo, e a sua esposa, Hermione, estão a ter um caso.

Esta peça foi inúmeras vezes encenada e adaptada, mas é sempre bom revisitar os clássicos e mais se estes são interpretados em português por atores e atrizes galegos e portugueses. Teatro Oficina e o CDG fazem uma boa parceria.

Teatro Oficina junta, no mesmo palco, um fantástico elenco de atores e os músicos Manuel Fúria e os Náufragos atuam também, ao vivo, durante a peça.

No Salón Teatro os dias 12, 14 (20h30) e 15 (às 18h)

Chega o Chapitô a Ferrol

maxresdefaultA Companhia do Chapitô nasce em 1996 em Lisboa e desde o seus inícios desenvolve uma linguagem artística própria.

Para quem não souber, a companhia leva o nome da organização onde nasceu. O Chapitô é uma ONG situada na Costa do Castelo, em Lisboa. Lá são desenvolvidas atividades de apoio social, formação e cultura.

Os atores e atrizes valorizam formas que revelam a criatividade e o otimismo humano, daí a sua vocação para a comédia, que responde segundo eles à capacidade do homem perceber os aspetos mais insólitos da sua realidade física e social.

Hoje esta companhia está em Ferrol para representar o grande clássico de Sófocles, Édipo. Édipo, para mim o máximo expoente da tragédia, vai ser reinventado em chave de humor. Parricidas, incesto, monstros…e risos? parece que sim é possível.

Em Ferrol, no Teatro Jofre, às 20h30.

O mundo persistente

mundo.jpg

O “Projeto Nós” foi uma iniciativa criada em 2015 para unir o teatro galego e o português. Esta é a segunda produção conjunta entre a Galiza e Portugal.

Amanhã no Salón Teatro de Compostela será a estreia d’O mundo persistente, peça que reúne atores e atrizes da ESAD de Vigo, do Teatro Nacional Dona Maria II de Lisboa e do teatro de São João do Porto. Depois da estreia poderemos ver o espetáculo até o dia 5 de junho. Após essa data começa uma pequena digressão pelo Porto e Lisboa.

nos680_1430817856570514c1c4aca

O texto foi escrito por Fernando Epelde e a direção artística é de Tito Asorey.

A mensagem da obra parece ser um convite para vivermos a vida real e descolar os nossos dedos dos ecrãs dos telemóveis. O mundo é um mundo virtual onde nada parece ter fronteiras até que um dos jovens protagonistas adoece e recebe a visita da morte que o faz viajar de um modo dickensiano pelo mundo real, na companhia dos amigos.

 

Festival Atlântica

 

image

De 12 a 17 de março teremos mais uma vez connosco o festival Atlântica a decorrer nas ruas, escolas, bares e restaurantes de Compostela.
Este festival de narração oral tem sempre um cantinho lusófono e nós estamos impacientes o ano todo por saber quem vem contar. Ao pé de nomes que são já um referente no panorama da narração oral na Galiza, encontramos nomes como estes:

  • Ana Sofia Paiva é uma lisboeta que tem já experiência em palcos galegos. Já falamos dela no Sete Falares de Ponte Vedra, bom, citamos, porque naquela altura não tínhamos muita informação.ana sofia

Formada na Escola Superior de Teatro e Cinema, graduou-se em teatro e mais tarde especializou-se em Promoção da Leitura na Universidade do Algarve.Ela diz do seu trabalho: “Conto narrativas da tradição oral portuguesa com breves incursões por outras partes do mundo, versões de contos, lendas, romances e cantigas que fui ouvindo a muitas vozes. Conto porque ouvi e conto porque há quem escute. Conto de vida a vida com a voz da língua, com a voz do canto, com a voz-silêncio, com a voz abraço”

  • Vítor Fernandes traz os ecos trasmontanos ao festival. Graduado em História, terá muitas histórias para contar.vitor fernandes

Começou em criança a ouvir contos que a mãe e a avó contavam e ficou enfeitiçado. Nunca mais largou a tradição oral. Narrador que procura manter a força da tradição, o seu repertório está repleto de contos de amor, humor, vivacidade, astúcia e emoção da tradição oral portuguesa.

  • Valter Peres é a voz do Atlântico puro. O açoriano começa aos 18 anos a contar histórias nas escolas do ensino primário.valter

A partir de 2003, no âmbito do Art&Manhas – Encontro de Artes, começou a organizar as primeiras tardes de contos que foram feitas nas ilhas.

Tem desenvolvido a sua ação de contador de histórias sobre todo em bibliotecas da Região Autónoma dos Açores e é um dos co-organizadores do Conto Contigo na Praia – Festival Internacional de Contistas.

 

Querem agora saber onde, quem e quando? confiram aqui o programa.

 

O contrabaixo

o contrabaixo 038A obra de Patrick Süskind chega à Galiza encenada pela companhia portuguesa Visões Úteis. Hoje na Casa das Crechas, às 21h, em Compostela poderão ver então O Contrabaixo.

Sei que estavam a pensar n‘O perfume, mas não, chega à nossa capital esta peça teatral monologada, a primeira obra do autor bávaro.

Deixo-vos aqui a sinopse que tirei da página da companhia: “Numa sala à prova de som, provavelmente o quarto onde vive, um contrabaixista de uma Orquestra Nacional decide contar como é vivida a sua solidão e confidenciar, com ironia amargurada, o seu amor não revelado por uma das sopranos da Ópera. Esta relação platónica encontra no próprio contrabaixo o seu maior obstáculo: instrumento arcaico, que melhor se ouve quanto mais nos afastarmos dele, de aparência hermafrodita, desajeitado e incómodo, o contrabaixo torna-se para este homem no maior empecilho à liberdade e ao amor.
Pelo discurso desta personagem isolada e frustrada, viajamos ainda pela História da música e dos músicos e encontramos uma crítica sagaz à sociedade contemporânea”

Afinem o seu instrumento e venham…

A Canoa em Compostela

candidopazó04_eduardoPintoO Centro Dramático Galego tem feito um troca por troca muito interessante. Fruto dessa parceria, temos a peça “A Canoa” (“A Piragua”, no original). Escrita pelo galego Cándido Pazó e apresentada pela primeira vez em Santiago de Compostela em 2007, numa produção do Centro Dramático Galego, hoje é apresentada por atrizes e atores portugueses da Escola da Noite de Coimbra sob a direção do nosso dramaturgo.

O enredo da história é um bocado uma redução ao absurdo: o desconforto de um homem com o facto de o vizinho guardar uma canoa no seu lugar de garagem. A peça vai muito além e chama a atenção para o problema da violência doméstica e para a forma como ele se relaciona com os quadros de valores em que nos movemos.

Uma das melhores peças do teatro galego moderno, sempre em constante diálogo com os espectadores para criar um ambiente de diálogo.

Nesta quinta-feira, às 20h30, no Salón Teatro .

 

 

 

 

 

Teatro, Dança e Arte em ação no Gaiás

escenas015_cabe_web2

De 28 de janeiro a 13 de fevereiro decorre o Festival “Escenas do cambio” (sic) no Gaiás. Já agora, não gosto do nome, mas gosto é (e vocês sabem) de ter a oportunidade de criar posts de temática muito diferente e este evento…dá muito jeito.
Há tempo que tenho a secção LusopatizArte às moscas e precisava mesmo de uma notícia assim. Não é só um festival interdisciplinar, mas também um catalisador de novas criações e artistas vindos de toda a parte.
O programa é muito completo e atraente. Selecionaremos, como é costume, as criações lusopatas para vocês:

  • 28 janeiro, 20h30: Jaguar, Marlene Monteiro Freitas. Jaguar é o nome que se dá a alguns cavalos, uma dança e um espetáculo de marionetas.

Marlene Monteiro Freitas, nascida em Cabo Verde, traz à dança a abertura, a impureza e a intensidade. A sua maneira de dançar tem seduzido públicos muito variados e antecipa um mundo futuro: caos, hipnose e velocidade.

  • 3 de fevereiro, 18h30, sala2: Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, Joana Craveiro e Teatro do Vestido.

Anuncio-vos que esta é uma peça documental de 4h de duração. Ficaram apavorados? Não fiquem, há um jantar incluído no bilhete! Esta é a minha grande aposta: um documentário com testemunhos de pessoas comuns sobre as memórias oficiais e não-oficiais da ditadura salazarista e da revolução dos cravos.

Ganhadora do Festival de Almada 2015, (algum dia viverei lá), a peça coloca muitas questões: o silêncio, o silenciamento, a história oficial e a não-oficial.

  • 5 de fevereiro, Mordedores, Lucía Russo e Marcela Levi.

A coreógrafa carioca Marcela Levi e a coreógrafa argentina Lucía Russo criam no Rio de Janeiro um novo trabalho com o carimbo de Improvável Produções. A discórdia e a violência são os motores criativos e a pulsão que move cada corpo.

  • 6 de fevereiro, In-organic, Marcela Levi.

A performista carioca não descansa e traz para o festival uma peça a solo. Compostela será o marco para uma estreia europeia do espetáculo.

Uma peça sobre a autonomia, as ações rituais e domésticas e as pequenas violências das relações humanas. Conceito e brutalidade nunca estiveram longe. Uma performance inscrita na melhor tradição da arte brasileira, de Lygia Pape a Hélio Oiticica.

Então já têm eventos para marcar na agenda. Não esqueçam que “quem dança seus males espanta”