Cineuropa 2019

Começa o Cineuropa. Desta vez, na edição 33, temos novo pessoal na capitania, mas o festival conserva toda a sua magia.

O Lusopatia faz uma folha de navegação para quem quiser estar a par de todo o conteúdo lusófono. Falaremos dos prémios, dos filmes e dos espetáculos…o critério é a língua aparecer. Confiram!

PRÉMIOS

Neste ano o prémio Cineuropa 2019 será para a realizadora Rita Azevedo Gomes. No Lusopatia estamos muito felizes, porque ela ocupa e ocupará sempre um espaço entre os nossos post. É só pesquisarem entre os nossos artigos e verão que ela já andou na Numax, no Encontro de Mulheres da Lusofonia…

A entrega será no dia 16 às 20h.

Muitos parabéns, Rita!

FILMES

Um dia mais com vida (quinta 14, 19h15), Raúl de la Fuente, Damian Nenow; Espanha, 2018, Animação. Kapuściński é um reporter polaco que em 1975 viaja a Angola. Lá conhece a guerrilheira Carlota, que vai mudar a sua vida para sempre e propiciará uma mudança profissional: ele agora será um escritor.

-Tras las luces (sexta 15, 16h), Sandra Sánchez, 2011, Espanha, Documentário. A diretora segue a vida da Lourdes, uma feirante que anda nas feiras com uma atração de carrinhos de choque.

Danses macabres, squelettes, et autres fantaisies/ danses macabres, sketetons and other fantasies (sábado 16, 20h), Pierre León, Rita Azevedo, Jean-Louis Shefer; França, Portugal, Suíça, 2019, Documentário. E se a dança da morte não fosse só realmente a posta em cena da morte na Idade Média? e se fosse a criação da Europa moderna?

A vingança de uma mulher/A woman’s revenge (quarta 20, 22h), Rita Azevedo, Portugal, 2012, Drama. O filme não é novo entre as nossas linhas, recordam-se? Podem ver a sinopse nesta ligação.

Vitalina Varela (domingo 24, 22h, e segunda 25, 18h15), Pedro Costa, Portugal, 2019, Drama. O filme conta a história de uma mulher de 55 anos que chega a Lisboa depois do enterro do seu marido.

A portuguesa/The portuguese (quarta 27, 20h15), Rita Azevedo, Portugal, 2018, Drama. Um dos filmes mais reconhecidos da realizadora portuguesa. A fita leva-nos à Idade Média, onde a nova esposa de Lord Von Ketten vive num castelo da Ilátia à espera de o seu homem voltar da guerra. Podemos ver como é que ela passa o seu tempo, nesse embaraço do jogo do amor.

MÚSICA

Maria de Medeiros and The Legendary Tigerman (quarta 13, 20h30, Auditório da Galiza) o guitarrista e a atriz e cantora fazem este troca-troca de músicas de cinema no trabalho 24 milla baci.

Com toda esta informação…não quero agora ninguém perdido!

6 filmes da Netflix na nossa língua

Lá por julho escrevemos um post especial com dicas da Netflix. O intuito era treinar a nossa compreensão oral noutras variedades da língua. O artigo teve muito sucesso e a empolgação trouxe novas ideias. Portanto, hoje estamos cá para falar sobre filmes.

Esta é uma recomendação de seis filmes que eu vi e gostei, porque não me atrevo a falar sobre aquilo que não visualizei. Sei que há mais opções e até podem falar-me nos comentários doutras obras que tenham visto.

Se já viram outros posts com animações minhas, sabem que há uma maneira de navegar por eles: podem expandir no botão da direita. Cada imagem tem informação adicional (+) e um trailer.

Tentei que a seleção fosse bastante variada quanto a géneros: biopics, documentários, ficção científica, romance… Infelizmente, só encontrei filmes brasileiros. Espero que, aos poucos, mais países da CPLP tenham produção na Netflix.

Quem é que faz as pipocas?

5 séries da Netflix na nossa língua

As pessoas que aprendem português perguntam muito como manterem o contacto com a língua durante as férias.

Por outro lado, quem tem conta na Netflix também me pergunta a maneira lusopata de otimizar a sua experiência.

Se tiverem oportunidade de viajar a algum país lusófono, estão de parabéns. Mas se as vossas férias forem um bocado menos ambiciosas, podem usar Netflix como ferramenta de aprendizagem.

Tenho cá uma lista de cinco séries que eu vi e gostei. Evidentemente, deve haver muita mais coisa no mundo Netflix, mas cá vai a minha recomendação lusopata. Uma vantagem destas plataformas é que podem parar, voltar a ouvir ou colocar legendas também em português. Na boa, sem pressas.

A seleção é propositadamente diversa: documentários, ficção distópica, ambiente musical vintage, uma série policial galega e uma série de animação LGBTIQ com a voz do Pabllo Vittar.

Contudo, ainda não temos exemplos de séries portuguesas. É pena. Espero bem que nos próximos anos tenhamos incorporações.

Para navegarem no painel e verem melhor podem expandir no botão da direita. Cada imagem tem informação adicional (+) e um trailer.

Conhecem alguma outra série? recomendam?

Convergências 2019

É com incontido orgulho que começo a redigir este post. Há poucos onde eu possa escrever sobre a terra em que nasci, portanto, deixem-me saborear cada palavra.

Não há muitas pessoas que conheçam o facto de que a Rosália tem um poema intitulado “Desde as fartas orelas do Mondego”. Esta composição que tem o Camões como referente foi escrita com ç, nh e lh. Muitas vezes pensamos que culturalmente o nosso mundo não está tão aquém da lusofonia ou que este assunto é historicamente recente na Galiza, mas como podem ver, há provas de que isto não é bem assim.

A minha terriola (Padrão), Santiago de Compostela e Braga convergirão nesta semana num encontro cultural com um vasto programa: exposições, música, cinema, teatro…muitas disciplinas artísticas para um único sentimento de união.

Podem ver o programa nesta imagem.

O plano para quem não quiser deslocar-se muito está nos dias 22, 23 e 24 entre Compostela e Padrão.

No dia 22 temos na Gentalha o concerto de Primo Convexo.

No dia a seguir, no Teatro Principal, haverá um tributo a José Afonso com a Banda Municipal de Compostela.

No dia 24 na Casa da Rosália haverá um concerto em homenagem à poeta homónima com Canto D’Aqui e Iria Estévez.

Quem me dera a mim poder ir a Braga e fazer o programa completo!

Cineuropa 2018

E assim de uma semana para outra, passamos dos chinelos às galochas. Mas tudo vem também com coisas boas. Podemos compensar os pés ensopados com os magustos e com o nosso bem querido Cineuropa. Não há outonos sem isto.

Na nossa já costumeira (e retardatária) recomendação, selecionamos estes filmes para ti, que gostas de ouvir nasalidades. Lamentamos imenso chegar atrasados e não falarmos do Macunaíma, aiiiii. Se quiserem saber mais, já sabem, ligação:

Luz obscura, 2017. Susana de Sousa Dias. Portugal. Documentário. (amanhã às 16h30; terça 20, às 19h30). Como é que agia a PIDE, a polícia do Estado Novo? como é que era a repressão na ditadura portuguesa?

-A sedução da carne, 2018. Júlio Bressane. Brasil. Ficção. (terça 13, às 16h; segunda 19, às 16h15). Uma escritora mete conversa com um papagaio. Lá no fundo, um pedaço de carne é que observa esse diálogo.

O termómetro de Galileu, 2018. Teresa Villaverde. Portugal. Documentário. (quinta 15, às 18h). Um documentário em português e italiano onde podemos refletir sobre a situação política da Itália atual.

-O som ao redor, 2012. Kleber Mendonça Filho. Brasil. Ficção. (sexta 16, às 18h45). Os moradores de um bairro de uma cidade brasileira contratam uma empresa de segurança para a sua proteção. Esta nova contratação mudará as suas vidas, agora mais rotineiras.

-Diante dos meus olhos, 2017. André Félix. Brasil. Documentário. (sexta 16, às 17h30). Fala dos membros da banda musical Os Mamíferos, que atuavam na década de 60 no Brasil interpretando música MPB.

-Djon Africa, 2018. Filipa Reis, João Miller Guerra. Brasil, Portugal, Cabo Verde. (sexta 16, às 20h30) Os filhos não reconhecidos acabam por se parecer muito aos seus pais. Um dos protagonistas fará uma viagem a Cabo Verde para encontrar o seu pai.

Inferninho, 2018. Pedro Diógenes, Guto Parente. Brasil. Ficção. (sexta 16, às 21h; domingo 18, às 21h30). Deusimar é a proprietária de um boteco, o Inferninho. Mas ela sonha com largar tudo e conhecer lugares longínquos.

O processo, 2018. Maria Augusta Ramos. Brasil, Alemanha, Paises Baixos. Documentário (sábado 17, às 18h; terça 20, às 21h). A história de Dilma Rousseff e, portanto, a história também do impeachment. A primeira mulher presidente do Brasil foi presa política na ditadura e posteriormente foi julgada por corrupção. Poderemos ouvir os depoimentos da protagonista.

Praça Paris, 2017. Lúcia Murat. Brasil, Argentina, Portugal. Ficção. (domingo 18, às 16h30). A Glória trabalha no elevador de uma universidade do Rio, a Camila é psicanalista e frequenta a mesma universidade porque faz nela o doutoramento. Lá é que começa um relacionamento que ultrapassa qualquer consultório.

Neville d’Almeida: Cronista da Beleza e do Caos, 2018. Brasil. Documentário. (segunda 19, às 18h; terça 27, às 17h45). Documentário sobre este cineasta de Belo Horizonte. 

Copacabana Beach, 1983. Vivian Ostrovsky. Brasil Experimental. (quinta 22, às 16h30; terça 27, às 17h30). A câmara e a edição de Vivian Ostrovsky procuram o absurdo na rotina dos corpos de banhistas, ginastas, transeuntes, gente comum flagrada em Copacabana. Esses hábitos banais são frequentemente convertidos em coreografia, expressando outra paixão da cineasta. Tudo isto…com músicas da minha muito amada Carmen Miranda.

-Deslembro, 2018. Flávia Castro, Brasil, França, Catar. Ficção. (sábado 24, às 18h) Joana cresceu em Paris, em contacto com o rock e a literatura. Mas em 1979, com a amnistia, a Joana regressa a um Brasil que quase não conhece. Chega ao Rio e recupera algumas recordações de seu pai e da sua meninice.

Tempo comum, 2018. Susana Nobre. Portugal. Ficção. (domingo 25, às 19h). Marta é mãe pela primeira vez. Experimenta novas sensações e conhece a sua filha entre visitas de familiares e amigos, que vão tecendo uma história de narrações de experiências próprias.

Nesta semana, deparei-me com esta frase do Manoel de Oliveira “Nenhuma arte simula a vida como o cinema. Todavia, não é uma vida. Também não é propriamente uma arte. Porque é uma acumulação, uma síntese de todas as artes. O cinema não existia sem a pintura, sem a literatura, sem a dança, sem a música, sem o som, sem a imagem, tudo isto é um conjunto de todas as artes, de todas sem exceção.” Já pensaram nisso? em todos os museus que estão a visitar durante 90 minutos? curtam então essa visita!

O melhor do festival de curtas de Vila do Conde

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O melhor do Festival de curtas de Vila do Conde do ano passado chegará a Vigo na próxima semana. No dia 4 às 20h teremos a oportunidade de ver seis curtas premiadas no Centro Cultural Camões.

Posso dar-vos informações sobre algumas delas graças a algumas pesquisas da net:

  • Madness, João Viana. Fita ganhadora na categoria de documentário. Trata-se de uma curta-metragem a preto e branco que conta a história de uma jovem mulher, uma paciente de um hospital psiquiátrico em Moçambique, que está na procura do filho. A mentira de um trabalhador, que afirma não ter visto a criança, numa das poucas linhas do filme é que desencadeia uma série de atos de rebelião de Lucy, a mãe, reforçando assim a aparente necessidade de mantê-la confinada.
  • Fry Day, Laura Moss. Ganhadora na categoria de ficção. Conta a história de uma adolescente dos EUA que vende fotos Polaroid na véspera da execução do serial killer Ted Bundy. Com esse evento macabro como pano de fundo, a realizadora cria, segundo a crítica, “uma aventura de amadurecimento muito tensa, tristemente triste”.
  • Min Borda (The burden), Niki Linddroth. Foi o prémio do público em 2017. Andei a procurar e verdadeiramente confesso que gostei muito do visual. É um musical sombrio encenado num mercado moderno, situado ao lado de uma grande rodovia. Os funcionários dos vários espaços comerciais lidam com o tédio e com a ansiedade existencial ao realizar alegres giros musicais. O apocalipse é um libertador tentador.
  • A brief history of Princess X, Gabriel Abrantes. Vi esta curta no ano passado (ou há dois?) no Curtociruito. Recomendo vivamente. É dessas cenas inquietantes e que fazem refletir sobre a arte. Um olhar sobre a história da “Princesa X”, um falo futurista dourado de Brâncusi, esculpido em bronze, que é na verdade um busto da sobrinha-neta de Napoleão, Marie Bonaparte. Parece mentira, mas não é.
  • A glória de fazer cinema em Portugal, Manuel Mozos. Um filme produzido propriamente pela produtora do festival. É, por assim dizer, uma homenagem aos realizadores e profissionais da sétima arte que passaram, nos últimos anos, pelo festival.

Vamos fazer de Vigo uma cidade das luzes, das luzes da cultura, não do Natal!

Pedro Costa na Galiza

Quem é dessas pessoas apaixonadas pelo cinema? quem quer dar mesmo o salto para a realização? se alguma das duas perguntas anteriores tiver resposta afirmativa, estão de parabéns. O relizador português Pedro Costa fará uma pequena digressão estival pela Galiza nestes dias.

Primeiro poderemos vê-lo em Compostela, na Sala Numax, nesta segunda às 18h. Lá partilhará espaço com a Barbara Ulrich e o Giorgio Passerone no ciclo A cor das palavras. Estejam atentos/as à lotação, que Numax não é muito grande.

No dia a seguir, e se quiserem estar ao fresco, podem ir até à Ribeira Sacra e participarem no workshop que propõe La Plantación. Seis dias de formação com um programa bastante integral que podem consultar nesta ligação

Açãoooo!

Monstra à solta…em Vigo!


O Festival de Animação de Lisboa, Monstra, é desde há 18 anos um espaço de provocação e criatividade. Um exemplo de diálogo artístico interdisciplinar que já está na maioria de idade.

A Monstra tem uma vertente itinerante, Monstra…à solta!, que agora chega a Vigo. As e os organizadores têm levado o festival a múltiplas cidades portuguesas e aos cinco continentes durante os últimos quatro anos. O objetivo é partilhar com os públicos que vivem fora da grande Lisboa uma parte importante do festival.

Para comemorarem o facto de chegarem aos 18 anos de idade e em parceria como o Centro Cultural Camões de Vigo, Monstra leva à cidade olívica duas sessões de retrospetiva de cinema de animação que serão projetadas na sede do centro.

No dia 20 de junho às 20h30 há a exibição dos premiados deste ano, podem ver o palmarés nesta ligação que vos deixo. Já no dia a seguir, na mesma hora e lugar, poderemos ver Alma portuguesa e alguns dos melhores filmes de animação produzidos em Portugal até aos dias de hoje.

 

13MICE

Logo MICE

Entre os dias 4 e 8 do corrente mês decorre na cidade de Compostela a Mostra Internacional de Cinema Etnográfico (MICE), que já vai pela edição número 13. A quantidade de filmes e o programa também foram crescendo com o tempo, então temos vários lugares de projeção: Museu do Povo Galego, Teatro Principal e Sala Numax.

Na minha já costumeira análise de programas, selecionei aquelas obras com interesse lusopata.

No dia 5, na sala Numax, às 20h temos a visualização de Trás-os-montes, filme realizado por António Reis e Margarida Cordeiro na década de 70. Esta fita é fundamental no cinema português porque influenciou autores posteriores como o internacional Pedro Costa.

Trás-os-montes é um documentário ficcionado sobre a região homónima portuguesa. É uma das obras mais representativas do movimento do Novo Cinema e uma das primeiras docuficções portuguesas. São descritos no filme o folclore, a paisagem e a identidade desse cantinho geográfico, que remontam às raízes históricas ancestrais da tradição galaico-portuguesa.

Há pouco tempo que as pessoas têm acesso ao filme depois dos anos 70, porque esteve em restauro na Cinemateca Portuguesa do Museu do Cinema.

Se quiserem ver esta joia do cinema, têm de se despachar. A projeção tem entrada de graça até completar a lotação, mas os bilhetes têm de ser reservados exclusivamente na Numax e de maneira presencial a partir do dia 2.

No dia 6, dentro do conjunto de filmes que vão ser exibidos e vão a concurso, há uma coprodução galego-portuguesa: Palmira.

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A autora da obra é a Diana Gonçalves, a alma mater do conceituado Mulheres da raia. A cineasta volta com uma peça com marcado protagonismo feminino como na sua fita anterior. Ela tinha a ideia de gravar durante quatro anos a Palmira, vizinha de Caldelas de Tui e conhecida até 2011 como a “avó da Galiza” pela sua longevidade. Mas a Palmira morreu no terceiro ano de gravação aos 108 anos e isto foi um grande desafio de montagem.

Palmira conta a vida desta mulher centenária longe das entrevistas televisivas. “Um corpo cansado, mas resistente”.

No Teatro Principal, às 20h30.

No dia 7 temos dois filmes a concurso, um brasileiro e uma coprodução Bélgica/Brasil. Comecemos por este último: We must be dreaming, de David Bert Joris Dher.

Fala dos caminhos e estradas que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de Rio 2016 abriram no Brasil. O que significou para os moradores da cidade? Três anos e três histórias em busca de sonhos, vitórias e fair play.

No Museu do Povo Galego às 19h30.

O outro dos filmes é Deixa na Régua, realizado no Brasil pelo Emílio Domingos.

“Um corte de cabelo estiloso pode representar muita coisa. O dia a dia movimentado das barbearias da zona norte é retratado com leveza e graça, a partir de depoimentos dos jovens que as frequentam. Nas mãos dos babeiros Belo, Deivão e Edi, eles vão mostrar como esses estabelecimentos se tornam um espaço de sociabilidade e de debate sobre diversos assuntos.” O cabelo é neste caso uma construção narrativa, cada pessoa que vai ao barbeiro cria o seu discurso. Com efeito, podemos produzir cultura numa visita ao salão de beleza.

Marcaram já no Google Calendar?

Primavera do cine em Vigo

primavera

Amanhã começa o Festival Primavera do Cine em Vigo e o Centro Cultural Camões acolherá uma mostra de curtas lusófonas durante estes dias. No Auditório Municipal de Vigo temos duas longas, uma delas Cartas da guerra, que eu recomendo vivamente pela sua relação com a literatura.

Infelizmente, soube neste momento que houve há dias uma mostra prévia de cinema brasileiro…já não chegamos. De qualquer maneira, coloco cá o programa por se estiverem interessados/as noutras atividades.
Debruço-me sobre as informações e confesso que não está fácil escrever este artigo. Há tantos filmes de que vos tenho que falar que nem sei por onde começar! Pronto, como todas as coisas… inventarei um princípio, mesmo que seja caótico.

  • curtas:

O forasteiro, Diogo Cronemberger. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É a história de Carraimundo, que, no sertão do Piauí, Brasil, luta contra o obsessivo mundo cíclico da violência em que está preso.

Flores, Vado Vergara e Henrique Bruch. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. É uma curta produzida por alunos/as e diplomados/as do curso de Produção Audiovisual (Teccine), da Escola de Comunicação, Artes e Design, está a marcar presença em festivais internacionais. A curta aborda o crescimento de grandes centros urbanos e mercado imobiliário enquanto pessoas são despejadas destes espaços que estavam ociosos e acompanha o dia de dois jovens que buscam compreender a relação afetiva que os une. Um deles, artista visual, partilha a casa ocupada com uma mulher trans de 70 anos viciada em drogas e busca a realização profissional noutra cidade.

Deusa, Bruna Callegari. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Deusa trabalha como funcionária cobrando impostos na ilha onde mora. Habituada a ver o movimento dos viajantes, nunca tinha pensado na sua própria vida até que uma baleia encalha na praia. Deusa observa a baleia e acha nisto uma metáfora de si mesma.

Em algum lugar, amanhã, André Siqueira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um encontro entre dois estranhos e as fantasias ocultas que os permeiam. Ela, uma mulher infeliz no casamento. Ele, o dono de uma alfarrabista, um homem sensível e poético. A curta retrata a relação de pessoas que mal se conhecem, mas que, inexplicavelmente, se sentem subitamente atraídos um pelo outro. Um filme que fala sobre as escolhas que fazemos a cada momento e como elas podem influenciar nossa vida para sempre.

O menino e o louco, Júlia Ferreira. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 19h30 / 9 de maio, 21h. Um menino viaja e reencontra-se com duas amigas gémeas. Começa a visitar a casa delas para tentar protegê-las do seu pai doido.

Vidas cinzas, Leonardo Martinelli. (Brasil) Exibições: 8 de maio, 21h / 10 de maio,19h30. Trata-se de um falso documentário que denuncia a atual crise no Brasil.

Mãe querida, João Silva Santos. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Matilda é uma adolescente assombrada pela morte do pai e maltratada pela sua mãe alcoólica, Susana. Um dia, decide pedir ajuda a uma bruxa.
Esta curta tem o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017.

A gente nasce só de mãe, Caru Roelis. (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Emilly, uma rapariga de 17 anos vive num bairro na periferia com dois irmãos mais novos e o filho recém-nascido. O filme segue algumas horas na vida da jovem, mostrando-nos as delicadas e complexas relações de família e de poder que atravessam o quotidiano da jovem, cuja vida é devastada por uma tragédia que se aproxima.

Katharsis, Mirela Kruel (Brasil). Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Abatida pela amnésia, Clarice entra num teatro para fazer um teste. Hermes, diretor da peça, ldiz-lhe que é preciso mais do que atuação para interpretar tal papel. Na visão dele, ela precisa sentir que é a personagem. Confundindo a ficção que a atriz pensa estar a viver no palco, ela começa a se lembrar de fragmentos da sua própria história.

O vestido de Myriam, Lucas H. Rossi. (Brasil) Exibições: 9 de maio, 19h30 / 10 de maio, 21h. Em meio a uma casa pacata no interior rural do estado do Rio de Janeiro, um casal de idosos convive com as limitações da velhice. Divaldo compartilha a sua solidão com Myriam. Ela morre durante o sono. Após o enterro, ele manifesta o luto de forma peculiar.

  • curtas de animação:

Estilhaços, José Miguel Ribeiro. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um filme sobre a forma como a Guerra se instala no corpo das pessoas que a vivem olhos nos olhos. E, depois, a milhares de quilómetros e dezenas de anos decorridos, contamina, como um vírus, outros seres humanos.

Água mole, Laura Gonçalves e Ale­xan­dra Rami­res. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Os últimos moradores de uma aldeia resistem-se a serem esquecidos. O progresso avança…conseguirão ficar na aldeia? Água mole em pedra dura…

Solito, Gabriel Mayer. (Portugal) Exibições: 9 de maio, 18h00. Um morador de rua caminha pela cidade com a sua única companhia, a Solidão, um monstro fantasmagórico que o segue por todo a parte.

Tocadora, Joana Imaginário. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Por equívoco, ela bebe a água de lavar os pincéis e transforma-se em desenho. A partir daí o mundo do quotidiano e o mundo da criação dançam à roda de um armário. Lá dentro, cada momento, cada memória e cada ação tornam-se únicos. Enquanto um livro cresce e se torna real, seguimos a Tocadora no seu processo criativo como percurso imaginado.

-É preciso que eu diminua, Pedro Serrazina. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. É o clip de vídeo do novo single de Samuel Úria. Que bom voltar encontrar o Pedro entre as nossas linhas!

Surpresa, Paulo Patrício. (Portugal) Exibições: 10 de maio, 18h00. Surpresa é uma curta animação documental feita usando uma conversa gravada (isto é, sem ação, não ensaiada, não roteirizada) entre uma mãe, Joana, e sua filha de três anos, Alice, que se está a recuperar de um cancro renal. Ambas falam – abertamente e francamente – sobre a doença, a suas atuais circunstâncias, lutas e sucessos.

-The voyager, João González. (Portugal) Exibições:10 de maio, 18h00. Um pianista vive numa grande cidade e sofre de agorafobia. Ele é confrontado com a necessidade de sair de casa para se reabastecer de medicamentos.

  • longas

Cabra, marcado para morrer, Eduardo Coutinho (Brasil). Exibição: 9 de maio, 19h30, no Auditório Municipal de Vigo. Este documentário tem a honra de abrir o festival, a obra fala de um líder camponês, João Pedro Teixeira, que é assassinado por ordem dos latifundários do Nordeste.

Cartas da guerra, Ivo Ferreira (Portugal). Exibição: 11 de maio às 22h no Auditório Municipal de Vigo. Baseada no livro homónimo de Lobo Antunes que recolhe as cartas que um jovem soldado português enviou de Angola à sua mulher entre os anos 1971 e 1973 durante a Guerra Colonial.

O filme tem muitos prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Um luxo.