Grândola na USC

Neste blogue temos falado sobre conexões históricas entre a Galiza e Portugal no 25 de Abril. Celeste Caeiro ou Durán Clemente ocupam muitas linhas dos nossos posts. Uma conexão histórica é também o facto de que o hino da revolução portuguesa fosse estreado na USC no ano 1972, e este é um dado que muitas pessoas desconhecem. Não é por acaso que tenhamos no coração do câmpus compostelano centros sociais e parques com o nome do cantor do Grândola.

Neste 2022 fazem-se 50 anos daquele concerto emblemático e nesta terça às 19h a Faculdade de Filologia da USC organiza uma homenagem. Deixo-vos cá o cartaz com o programa.

O ato tem duas partes. Como abertura haverá um colóquio entre diferentes testemunhas ou responsáveis daquele concerto do Zeca em Compostela. Zélia Afonso (viúva do cantor), Maite Angulo (fez parte do grupo de estudantes que organizou o concerto), Emilio Pérez Touriño (que apresentou aquele evento), Francisco Fanhais (presidente da AJA) e Suso Iglesias, jornalista que conduzirá o colóquio.

A parte mais festiva será apresentada pelo Carlos Blanco e contará com as vozes da Uxía, João Afonso (sobrinho do cantor), Nacho-Faia-Lar, Couple Coffee e Xico de Carinho.

Não é degradê, é o brilho da Pongo

Este sábado é a grande final do Festival da Canção. Como confessei na publicação anterior eu torço pela dupla formada pelo Tristany e a Pongo.

Ok, talvez ainda estejas a te recuperar da surpresa de saberes que a Pongo é a menina e o Tristany é o rapaz. Acontece. Um dia falaremos também do Mia Couto e de muitas pessoas surpreendidas.

Pongo & Tristany não têm (ainda) muita popularidade na Galiza, mas hoje vais descobrir que já conhecias a Pongo. Só que tu não sabias disso. Escrevi esta thread na minha conta pessoal de Twitter onde comento alguns dados biográficos sobre a cantora e explico alguma referência angolana de uma das suas letras.

A Pongo não é degradê, ela toda tem intensidade e brilho.

Este pode ser o meu post do 8M onde sempre falo de mulheres que me inspiram? Pode. Sei que chega atrasado, mas chega.

Tenho muitos desejos em volta do conteúdo deste post:

  • que a Pongo chegue aos palcos de Turim
  • que faça uma digressão de concertos pela Galiza
  • que o kuduro seja um estilo musical mais conhecido nestas terras

Vejam o Festival da Canção amanhã na G2. Não se esqueçam da Lusofesta!

Os meus podcast para o 8 de março

O 8 de março pode ser um dia muito bom para começares a acompanhar podcast e conheceres muitas pessoas criativas. Já demos anteriormente algumas recomendações cá, mas hoje vamos focar naqueles programas produzidos por mulheres. Desde que comecei a experiência com As Womansplainers a procura por este tipo de conteúdos tem sido uma obsessão. Esta é a minha seleção, espero que gostem dela!

É nóia minha?. A Camila Fremder, escritora, roteirista e agora a tua paranoica habitual, partilha as suas paranoias connosco e também com convidados. Os teus pensamentos repetitivos e ciclos viciosos vão adorar este podcast.

Há algum episódio com uma dinâmica “especial” intitulado “Roleta do unfollow”: uma genialidade.

Eu não sou a sua mãe. Tive imensa pena quando este projeto acabou, mas temos que agradecer todos os programas que fizeram e que ainda possamos desfrutá-los. Quatro mulheres de esquerda portuguesas metiam conversa sobre temas complexos. Acompanhem-nas nas redes socias: sempre certas!

Mamilos. Mamilos é “jornalismo de peito aberto”. Os temas mais polémicos das redes sociais são debatidos cá com empatia, respeito e profissionalismo. O toque de humor também não falta.

Têm muitos programas e acho que é dos podcast melhor sucedidos do Brasil. Não percam esta oportunidade.

Imagina juntas. Este é um podcast de millennials que tentam ser adultas e pagar as contas. A sanidade mental está em risco. Parece que desde dezembro de 2021 o projeto não teve continuidade, mas têm muitos episódios para poder usufruir.

As Mathildas. Um podcast sobre cultura audiovisual, cinema e artes. Não tem continuidade desde 2020, mas deixaram um acervo sonoro muito valioso para desfrutarmos. Teste de Bechdel, este é o teu programa.

Gordacast. Este nome é uma sedução. Autoestima e bodypositive, mas este podcast quebra muitos mais padrões do que os simplesmente estéticos.

Calma, gente horrível. Vou gravar esta frase para dizer no Twitter de tempos em tempos. Este é o teu podcast de reclamações semanais de referência. Ana Roxo, Rita Alves, Tati Fadel e Malu Rodrigues falam de política, ciência, sociologia e outros temas. Podem (e devem, com todo o direito) surtar.

Tenham os fones por perto!

Lusofesta na TVG

Marquem nas vossas agendas: hoje temos #Lusofesta no canal de Twitch da TVG. Chegou um momento histórico, a TVG e a RTP de mãos dadas a retransmitirem o Festival da Canção 2022. A boa sintonia de galegos e portugueses aquando o Benidorm Fest deu os seus frutos e agora temos esta oportunidade que tanto pedíamos. Oxalá tenhamos num futuro ainda mais colaborações para a Paz Andrade ser uma realidade.

Esta noite temos só o começo, a primeira meia-final às 21h445. No dia 7 temos a outra meia-final e no dia 12 a maior gala de sempre, onde poderemos saber quem é que vai representar Portugal em Turim no Festival de Eurovisão. Este último evento poderemos segui-lo também no canal G2. Acompanharão estas galas Esther Estévez e Rodrigo Paganelli, caras conhecidas do DígochoEu e ApuntamentoLusófono, e também Manu Mahía e Ricardo Saavedra, dois jornalistas fãs de Eurovisão e especialistas portanto neste tema.

Nesta primeira fase vão concorrer:

  • Maro – Saudade, saudade (Maro)
  • Norton – Hope (Norton)
  • The Mister Driver – CaliSun (The Mister Driver)
  • Os Quatro E Meia – Amanhã (Tiago Nogueira)
  • Valas & Os Astronautas – Odisseia (Valas)
  • Aurea – Why? (Aurea)
  • Fado Bicha – Povo pequenino (Fado Bicha)
  • FF – Bom esperar alguém (FF)
  • Diana Castro – Ginger Ale (Joana Espadinha)
  • Kumpanhia Algazarra – A minha praia (Kumpanhia Algazarra)

O Lusopatia vai torcer por: Saudade, Saudade; Povo Pequenino e Amanhã. Estamos a ver que entre estas linhas há velhos conhecidos deste blogue, seja por terem vindo à Galiza em digressões ou por terem participado no Aritmar nas suas diversas edições.

Fado Bicha ainda não veio à Galiza, mas fizeram a música para a campanha da Joacine Katar Moreira (Livre).

Na segunda fase teremos:

  • Jonas – Pontas soltas (Fábia Rebordão)
  • Inês Homem de Melo – Fome de viagem (Pedro Marques)
  • Pepperoni Passion – Código 30 (Pepperoni Passion)
  • Vampiro Submarino – Ao lado de mim (PZ)
  • Os Azeitonas – Solta a voz e canta (Os Azeitonas)
  • Syro – Ainda nos temos (Syro)
  • Milhanas – Corpo de mulher (Agir)
  • Blacci – Mar no fim (Blacci)
  • Cubita – Uma mensagem tua (Cubita)
  • Pongo & Tristany – Dégrá.dê (DJ Marfox)

Neste evento temos os que, a meu ver, devem ser os ganhadores e representantes de Portugal: Pongo & Tristany. Uma canção que para mim representa o Portugal atual.

Há uma playlist do Spotify onde podem acompanhar todas as músicas. Vou deixá-la cá.

Luísa Sobral em Vigo

Hoje começa o festival Sinsal em Vigo. No concerto de abertura teremos a oportunidade de ver ao vivo o espetáculo da Luísa Sobral.

Se no contexto de Eurovisão conhecemos o Salvador Sobral e rapidamente foi singularizado como o irmão da Luísa, agora a fama do vencedor do festival faz com que a Luísa seja conhecida por também ser a irmã dele. Contudo, esta dupla é muito mais do que a “irmã de” ou o “irmão de”. O cantor e a compositora de Amar pelos dois são uns virtuosos, pessoas muito formadas em música. A Luísa depois da sua experiência no Ídolos rumou para os EUA para estudar na Berklee College of Music e conta com um grande reconhecimento da crítica.

Com a Luísa podemos transitar do jazz, ao folk e ao indie. Neste concerto oferecerá temas dos discos Luísa e Rosa, este último foi dedicado à sua segunda filha.

Recentemente publicou no Twitter o carinho que sente por nós.

Nós também gostamos de ti, Luísa!

Lembrem, hoje às 20h30! Entradas aqui

As minhas recomendações para os dias 31 e 1

anos fazíamos um percurso pelas diferentes tradições entre os dias 31 de outubro e 1 de novembro. Até vos cheguei a falar dos meus pesadelos ortográficos mais repetidos. Desta feita só estou cá para para dar umas dicas de lazer: uma série, um podcast e umas pequenas viagens.

Vamos com a série. Typewriter foi para mim um achado. Estava à procura de uma série de poucos capítulos que pudesse devorar em duas tardes e lá estava ela, pacatamente, como quem não quer nada.

Typewriter é uma série de Netflix de apenas 5 capítulos. Foi realizada em 2019 e nela vão poder ouvir várias línguas. E agora estarão a pensar…”e esta maluca recomenda-nos uma série em híndi e inglês? como assim?” Tudo tem uma explicação, a série trata de três crianças que planejam caçar fantasmas num casarão onde há uma máquina de escrever. Disto o título. À partida parece uma coisa muito classicona, mas toda a ação decorre em Goa, no taluka de Bardez. Não se fala português, mas podem ouvir como o português ainda ecoa lá de certa maneira: nomes, topónimos, costumes, etc.

Além de culturalmente familiarizar-me com outro tipo de suspense e estética, mais típicas de Bollywood, penso que aprendi imensas coisas sobre a cultura indiana e goesa. E não, um faquir não é um homem que dorme num colchão com pregos ou engole lâmpadas.

Deixo cá o trailer. Não esqueçam que isto tem legendas em português disponíveis.

Agora é a vez do podcast.

O Vamos Todos Morrer é a rubrica do Hugo Van der Ding para a RTP/Antena 3. Penso que na plataforma da RTP têm mesmo todos os episódios, mas deixo também o Spotify para terem uma maior acessibilidade. Para telemóvel dá um jeitão.

Nunca pensei dedicar todas as manhãs a ouvir um réquiem, mas cá estou. Confesso-me viciada neste programa. Cada dia escolho um episódio e ouço porque eles são assim bem curtinhos, pílulas quase. Como o próprio título indica, uma coisa é clara: vamos todos morrer. Cada programa é uma nota necrológica onde com humor é contada a biografia de uma celebridade. No meio há uma dose de lugar comum que todo humano necessita: morreu tão novo, na flor da idade!

Os pontos fortes para quem está a treinar a língua são muitos:

  • aprender como é o nome português de certas celebridades, por exemplo: Joana D’Arc, Otaviano, Cleópatra…
  • conhecer muitas celebridades dos países de fala portuguesa: Anita Garibaldi, Ana Plácido, Bulhão Pato…
  • treinar expressões típicas da língua mais coloquial (e fúnebre também, claro!)

Quem não gostar muito deste formato, pode ainda comprar o livro na Wook.

É a vez das viagens. Este ano podem fazer a planificação de como querem passar os dias 31-1 de 2022. Eu recomendo três pequenas visitas.

  • Quinta das Lágrimas, em Coimbra. A lenda diz que cá foi morta Inês De Castro. As algas vermelhas que aparecem na Fonte das lágrimas são a evidência fantasmagórica de lá ter acontecido uma morte violenta. Hoje é quase um lugar de peregrinação mas a mim o que me meteu mais medo é que com a requalificação isto agora é um hotel de luxo.
    • Se não souberem quem é que foi a Inês De Castro, falo dela neste artigo, mas já digo que esta é uma fi-gu-ra-ça galega, uma rainha depois de morta. A nossa primeira zombi? Carreguem nas animações para estarem a par.
  • Capela dos Ossos, em Évora. “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Uma capela que nos lembra que a vida é transitória e passa num triz. Em Évora havia muito cemitério monástico, aquilo ocupava muito espaço e…decidiram reciclar com este DIY.
  • Quinta das Conchas e dos Lilases, Lisboa. Se procurarem na net uma lista de lugares assombrados em Portugal, com certeza absoluta vai aparecer esta quinta. Em 1899 Francisco Mantero compra-a depois de ter feito muito dinheiro com o negócio do café em São Tomé e Príncipe.
    • No parque podemos ver uma construção apalaçada que é de espírito colonial. As duas ilhas artificiais que lá estão recriam São Tomé e Príncipe. Conta a lenda que o empresário se apaixonou por uma nativa santomense, há quem diga que era até a sua escrava. Trouxo-a a Lisboa àquela quinta e fechou-a para afastá-la dos olhares dos vizinhos. Maltratou-a até à loucura. Conta-se que ainda se ouvem os seus gritos e que os cães nunca querem aceder ao palacete.

Não sei como vão passar estes dias. Eu comecei por encarar um dos meus maiores medos: conduzir. Porque o importante é a maneira de conduzir a vida.

Maré ’21

O mar está para peixe e depois de algumas mudanças e novos rumos este ano temos o Maré ’21 em Compostela.

Os adeptos mais lusopatas estavam habituados a uma localização em Ponte Vedra e a que o Cantos na Maré fosse mesmo um festival dedicado quase em exclusiva à lusofonia. Com estes reajustes o evento dura mais tempo e transita por vários espaços da cidade. De quinta a domingo veremos novas e vanguardistas propostas, estilos talvez mais arriscados, uma presença feminina maior e uma seleção musical se calhar destinada a um público mais jovem. Temos na agenda cerca de 30 concertos, que concentram a cultura duns 10 países. Contudo, a conexão lusófona parece um bocado mais fraca no cartaz. Mas não fiquem aflitos, porque o elenco de artistas com nh continua a ser amplo.

Assim sendo, esta que escreve examinou o cartaz e fez a já costumeira seleção lusopata, lá vamos!:

  • Quinta 23
    • Luiz Caracol, 20h, Teatro Principal. O cantor de Elvas já se deu a conhecer entre as linhas deste blogue por ter ido a Vilar de Santos (Obrigada, Noemi). Recentemente tem editado o álbum Só.tão, um trabalho que tem um título-trocadilho graças ao qual podemos intuir muito do seu conteúdo e intenção.
  • Sexta 24
    • Mira é Marta Miranda, 20h, Teatro Principal. A cantora Marta Miranda, voz de Oquestrada, vem à Galiza com este novo projeto em solitário.
    • Jéssica Caitano e Luana Flores, 20h30, Bonaval. Esta pode ser sim uma mudança radical de rumo para a filosofia deste festival. A Jéssica é uma artista multifacetada: cantora, compositora, rapper, percussionista, poeta e ativista LGBT+. Por sua vez, a Luana Flores é beatmaker, dj, percussionista, intérprete e compositora. Na sua linguagem criativa aparecem temas como a sexualidade, o território e o género. Esta dupla promete vir e partir a loiça.
    • Bia Ferreira, 22h30, Bonaval. A artista multi-instrumentista de Minas Gerais define a sua atividade musical criativa como MMP: Música de Mulher Preta. Não há uma apresentação melhor. Bia Ferreira é conhecida no Brasil não só pelo seu grande talento na música, mas também pelo seu compromisso com a luta antirracista e o movimento LGBT+
  • Sábado 25
    • Timbila Muzimba,19h, Praça da Quintana. Os Timbila Muzimba são um tag frequente no nosso blogue. Esta orquestra de timbilas é uma das conexões com o nosso caro Narf e também aposto que a palavra de ordem desta edição, warethwa!, tem muito a ver com eles. Warethwa é o título de um dos seus trabalhos de 2008 e também significa Avante! numa das línguas nacionais de Moçambique.
    • Maria Alice e Jon Luz, 19h, Bonaval. Aqui temos dois referentes da morna, dois pesos pesados de Cabo Verde. E se eu vos disser: Tejo Bar, penso que já vos estou a dar uma pista muito grande. O Jon Luz é a cara visível deste bar mítico da noite lisboeta. O Tejo Bar é um tesouro e já era um tesouro antes de a Madonna ir.
    • Japa System, 20h, Bonaval. Antônio Dimas Vieira Aires Júnior, é um percussionista que fez parte de Terra Samba ou Timbalada. Criado entre São Paulo e a Bahia é músico desde muito cedo. Com o grupo cultural brasileiro Bahia Brasil andou em digressão pelo Japão durante um ano e aí é que nasceu o seu nome artístico. O Antônio Dimas tem dois grammy latinos e no seu currículo está ter subido a palco em festivais internacionais como Lollapalooza ou Rock in Rio.
  • Domingo 26
    • Maré comemora no Parque de Bonaval o Dia Europeu das Línguas a partir das 12h com várias atividades.
    • Às 17h voltam ao cenário Maria Alice e Jon Luz
    • Como encerramento haverá uma gala sobre as viagens de Narf: cantores darão vida ao seu projeto artístico, aquele que unia a Galiza (Zigala, na sua língua imaginária) com Moçambique (Zemambiquo, ídem)

Deixo cá acima esta lista de reprodução do Spotify com as músicas do evento para tomarem contacto, ficarem a saber, curtirem…

Também poderão aceder a conteúdos extras em Rádio Pessoas, um projeto de que falaremos mais à frente, porque bem merece uma menção.

Este é um oceano de experiências, Warethwa!

O Festival Atlántica está de volta

Como sabe bem voltar a escrever artigos sobre eventos e termos novidades para anunciar. O Festival Atlántica é desses que já têm um espaço reservado no calendário lusopata. Para quem não souber, este é um evento internacional de narração oral, onde quase sempre alguém lusófono marca presença dentro do programa. Nesta ocasião temos dois narradores, um brasileiro e uma madeirense, esta última muito presente entre as nossas notícias sobre festivais deste género. Lembram-se da Sofia Maul? Se não me enganar esta será a quarta vez que nos visite. Agora, depois da minha experiência na Madeira, tenho ainda mais vontade de a ouvir. Com a Sofia chegam desta vez uns contos de arrepio virados para o público adolescente.

Dedicaremos então um bocado mais de tempo a falar do Thomas Bakk, porque é caloiro neste blogue. O Thomas nasceu no Rio de Janeiro, mas já quase podemos considerá-lo um português de gema, porque mora no país luso desde há mais de 20 anos. É formado em Arte Dramática. Entre os seus talentos está o canto, a interpretação, a poesia e o contar estórias, obviamente. Tem muitas obras publicadas como dramaturgo e até compôs com o artista brasileiro Lenine.

Ele leva estórias a escolas, hospitais, cárceres…e festivais de narração como este, onde poderemos vê-lo interpretar várias personagens em cena, porque é o seu selo interpretativo pessoal, por assim dizer.

Então, como já temos os nossos contadores apresentados, está na hora de falarmos da agenda. Marquem aí porque é uma oportunidade de ouvirem português fora dos ecrãs e isto há tempo que não acontece.

Thomas Bakk: Sexta 2 de julho, 11h30, Parque Eugenio Granell, Santiago de Compostela: contares que não calam, contos de bichos que falam. Público infantil +5 anos

Thomas Bakk com Marcelo Ndong: Sábado 3 de julho, 21h30, Parque de Bonaval, Santiago de Compostela: O que fazem os fang quando contam contos/ Contares doutras terras e mares (espanhol e português) Público adulto.

Sofia Maul: Domingo 4 de julho, 21h30, cemitério de Bonaval, Santiago de Compostela: Contos de arrepio. Público adolescente.

Consultem a página porque para alguns espetáculos é necessária uma reserva.

Os meus podcast portugueses favoritos

Ando agora com a cabeça ocupada com muita coisa. Poucas vezes tenho concentração ou tempo para ler, quando vejo séries dou por mim a mexer no telemóvel e quando vejo vídeos de Youtube que duram mais de três minutos reparo em que no minuto dois já estou a ver a secção de comentários com pouca paciência para ver o final.

Há uns dias recebi uma mensagem no meu Twitter. Uma pessoa que conheço pedia para me unir a um projeto de podcast. Abrir aquela mensagem foi como abrir o cofre de um tesouro. Aquilo tudo brilhava com muita força e logo disse sim. Sem ter refletido muito antes, na verdade. Mas é que o projeto é muito empoderante.

Já sabia o que era um podcast. Conhecia o formato, mas nunca tinha reparado nas suas vantagens de edição. E agora que estou por dentro, comecei a acrescentar no meu Spotify mais podcast portugueses. Fiz até uma seleção e quero partilhá-la convosco.

O É preciso ter lata de Mariana Soares Branco é um espaço onde ela fala dos seus interesses, dá as suas opiniões sobre aqueles temas onde precisamos de uma dose de coragem ou…lata, sim. Tem um episódio sobre os idiomas.

O Valium da Sara Vicário é um desabafo. Fala de coisas que a tiram do sério. Coisas irritantes: os vizinhos, os exames, o trânsito…Afinal toda a gente partilha os mesmos desapontamentos.

Assim a nível linguístico, gosto muito porque dá para me manter atualizada da fala mais descontraída e aprendo muitos bordões. Parece que o programa não tem mais continuidade, mas lá estão os episódios.

A mãe é que sabe é um podcast com chefia feminina. Joana Paixão Brás e da Joana Gama falam de muita coisa e, às vezes, de maternidade.

O Maluco Beleza é desses programas veteranos nisto dos podcast. É um projeto do multifacetado Rui Unas que sabe levar o programa sem constrangimentos de tempo. Podem acompanhar isto no Spotify e também no Youtube. Se quiserem estar a par de quem é celebridade e quem não em Portugal este é vosso podcast.

A minha vida dava um filme é uma criação da Joana Miranda que tem conversas sobre cinema, atuação, elites artísticas…

Reconheço que num primeiro momento vim ao programa como uma traça, atraída pelo brilho do seu título e depois fiquei porque aprendo muito mesmo e eu quero deixar de ser burra.

Perguntar não ofende é um programa sobre matéria política criado pelo Daniel Oliveira, portanto, se quiserem ficar por dentro dos equilíbrios de poder este é o vosso podcast. Em cada programa há diferentes pessoas convidadas que achegam pontos de vista bem interessantes

E no último lugar deixo este tesouro da minha amada Marta Bateira aka Beatriz Gosta, #quem vai acredita. Não me ocorre mulher do norte mais genuína do que esta. Rapper, youtuber e futura mamã. Saboreiem bem estes episódios porque o programa acabou, mas fiquem com a dica e…com esse sotaque!

Espero que gostem da seleção e que também me sugiram mais podcast novos!

Ari(t)mar 2019

Isto é já amanhã, amigas. Um dos eventos mais importantes a nível lusopata e esta que escreve não vai poder lá estar. É com grande pena (de mim mesma) que escrevo este artigo.

É escusado dizer o que é o Ari(t)mar, isto já toda a gente (que presta) sabe. Música e poesia das duas margens do Minho, unidas e entranhadas.

Cabe a mim fazer de apresentadora neste artigo e falar da gala e dos premiados. Lá no Auditório da Galiza, o mestre de cerimónias será este ano o Carlos Blanco, portanto, já sabem que a dose de humor está garantida. Realmente é um dos grandes ingredientes do evento.

O prémio à embaixatriz da amizade Galiza e Portugal é para a nossa Uxia, que tanto merece depois de anos como capitã do Cantos na Maré, festival que deu a conhecer tantas bandas lusófonas na nossa terra. Muitos parabéns, Uxia!

E da Uxia passamos a outras duas mulheres premiadas na categoria de melhor poema. Não poderia ter mais orgulho em falar neste artigo de tão bons referentes femininos. Da nossa parte está a Susana Sanches Arins, que a sinto “mais da nossa parte” do que nunca, obviamente por muitas questões, uma delas a ortográfica. A Susana ganha com Isso é o amor. Este é um ano de prémios para ela. E mais que merece!

Da parte portuguesa temos a Marta Chaves, que ganha com o poema Fachada. Podem ler uma entrevista à autora nesta ligação.

Na cena musical a seleção musical dos finalistas não foi muito arrojada (tradição e pop). Digo sempre, salvo exceções raras, a música que aparece não é muito representativa daquela que passam nas rádios portuguesas. Este ano temos às galegas Tanxugueiras com Que non mo neguen, com um videoclip bem fixe que podem ver aqui.

Do lado português ganharam Os azeitonas com Efeito do Observador. Eu tenho um fraquinho por eles há tempo. Quem és tu, miúda é uma dessas músicas que me acompanham.

O clipe de vídeo da canção premiada também é desses que vale a pena ver pela qualidade estética. Altíssima qualidade, já agora.

Uma vez já ganhou o rap. Quando poderá haver espaço para kizomba, kuduro, trap…? disso também temos na nossa língua.

Aqueles e aquelas afortunados têm um encontro amanhã, às 21h no Auditório da Galiza. Ari(t)mem!