Jornada de Cultura Brasileira na Corunha

Para comemorar o dia da independência do Brasil, 7 de setembro, na Corunha haverá umas jornadas que recolherão diferentes manifestações culturais deste país gigante.

A professora Carla Nepomuceno fará uma visão panorâmica que nos ajudará a ter uma ideia mais concreta sobre a cultura brasileira. Bianca dos Santos, também professora, introduzirá o tema da literatura de cordel e as suas conexões com a Galiza. Para encerrar o ato, teremos a intervenção do também professor Manuel Miragaia.

No Círculo de Artesãos na Corunha podem fazer de um oceano que nos separa, um pequeno riacho. Não percam!

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Fado Bicha no Festival Agrocuir

Acho que muitas pessoas da Galiza ficaram a saber de Fado Bicha pela participação que tiveram este ano no Festival da Canção com Povo pequenino. Se o António Variações afirmava que tinha criado um som especial e único, uma fusão entre Braga e Nova York, hoje vou fazer o atrevimento de dizer que Fado Bicha é a pedra basilar do fado queer.

Comecemos pelo nome. A palavra fado dispensa apresentações, mas bicha talvez precise de explicações demoradas. Bicha coloquialmente é um animal doméstico fêmea (gata, cadela…) e no calão português é pejorativamente uma palavra para dizer gay. Fado+Bicha remete para uma declaração de intenções e uma reapropriação de um termo. Tencionam criar um lugar de experimentação dentro de um género musical quase sagrado em Portugal. Com a sua criatividade ultrapassam barreiras de género (tão rígidas no fado tradicional) e encontram um espaço para novas narrativas.

Lila Fadista é a voz desta dupla e o João Caçador é guitarra e arranjos. Tenho lido e visto muitas entrevistas desta banda, acho que aprendo imenso sobre música e questões LGBTQIA+. Antes do Festival da Canção quis saber como é que era o processo criativo e fiquei a entender ainda mais que esta equipa é música e intervenção em simultâneo. Umas vezes resgatam fados pouco conhecidos ou já esquecidos, outras apanham fados muito canónicos e mudam a letra ou também pode ser que criem música a partir de poemas escritos por pessoas não heterossexuais.

Como prova do seu ativismo, podemos destacar que Fado Bicha pôs música à campanha do Livre nas legislativas de 2019 com a Joacine Katar Moreira como primeira candidata negra à Assembleia da República.

Fado Bicha vai marcar presença na 7ª edição do Festival Agrocuir da Ulhoa. Às 00h30 do dia 26 toda a gente fantasiada e a cantar em Monterroso o Namorico do André!

Lucibela em Ponte Vedra

Há uns dias anunciávamos a chegada da rainha do kuduro, Pongo, à Galiza para um par de concertos. Está na hora de atualizamos informação, porque recentemente soubemos que a artista suspendeu toda a digressão que tinha programada pela Europa. Assim sendo, não contaremos com ela no Festival Maré nem amanhã no Con Voz de Muller. Porém, este último evento de que falo quis manter o carácter lusófono na programação e a cantora cabo-verdiana Lucibela será quem esteja no lugar da Pongo. Passamos do kuduro à koladera, que é um ritmo também pouco conhecido na Galiza.

Sei que a posição em que está agora a Lucibela não deve ser fácil, mas conhece bem a casa que a acolhe porque já andou por Ponte Vedra no ano 2018.

A Lucibela é do Tarrafal e ser do Tarrafal não é qualquer coisa. Contudo, a família dela viveu em vários lugares do arquipélago cabo-verdiano. Mindelo, Santa Maria ou Praia são também lugares imprescindíveis para ela se tornar artista. Em 2016 muda para Lisboa e com isto chega ao público europeu, sem deixar de participar em eventos de world music de todo o arco atlântico. De facto, no Atlantic Music Expo da Cidade da Praia de 2017 sagrou-se como a artista revelação.

Em 2018 publicou Laço Umbilical sob o selo da Lusáfrica. Este título deixa transparecer uma intenção de nunca esquecer as suas origens. Em 2 de junho deste ano lançou Amdjer, onde se estreia como compositora. Este disco é dedicado a todas as mulheres cabo-verdianas, atrevo-me a dizer que é dedicado a todas as mulheres. O single Txe Txu Fla tem como refrão Txe Txu Fla Txim Fla , que significa uma coisa assim mais ou menos como “o que tu disseres, eu digo”.

Podem descobrir mais da Lucibela na web dela ou Spotify. Mas acho que o melhor que podem fazer é irem amanhã à Praça da Ferreria em Ponte Vedra e deixarem-se cativar por koladeras como estas.

Pongo, a rainha do kuduro, na Galiza

É rara a vez que à Galiza chega uma cantora do país vizinho se não é para cantar fados. Cada vez que sei de uma notícia destas recebo-a com a maior das alegrias, porque acho que estas escolhas por parte das pessoas que programam a cultura ajudam muito a romper a caricatura construída em volta do que é Portugal.

Pongo, a rainha do kuduro, chega à Galiza depois de nos ter deixado de boca aberta no Festival da Canção 2022. No dia 11 de março eu publicava cá três desejos sobre a cantora e parece que esta visita vai fazer com que se concretizem alguns deles, embora o assunto de Turim já seja um impossível.

Em 6 deste mês poderemos ouvi-la ao vivo no festival Con voz de muller em Ponte Vedra. Abrirá este ciclo de concertos protagonizados por vozes femininas na Praça da Ferreria às 22h30. Parece que a Galiza não virou costas a esta realidade musical e poderemos repetir a experiência no Festival Maré no dia 24 de setembro em Compostela.

Se estiverem ainda com dúvidas e não sabem de quem é que te falo, podem ler este fio do Twitter.

Sakidila é o novo trabalho da Pongo. O título significa Obrigado em kimbundo, uma das línguas originárias de Angola. Eu fico muito grata por ela ter a oportunidade de cantar na Galiza e trazer estes ritmos. Deixo cá a ligação do álbum, para o pessoal conhecer o que é o kuduro.

Encordass Especial Brasil

Julho está prestes a começar e com ele abre a temporada de festivais na Galiza. Graças a um fio de Twitter de @rodrimiguez97 fiquei a saber deste evento de que vos vou falar. Conhecer a existência de Encordass foi reparar na programação extensa (e variada!) que temos na Galiza. Muito obrigada por esse fio, Rodri!

Vamos então ao ponto. Encordass é um evento que combina aulas de instrumento, concertos e ateliês. Tem o foco posto em instrumentistas, mas qualquer pessoa pode ir como acompanhante.

Não sei bem quantas edições leva já este festival. Sei que o pessoal de Galicia Fiddle é o responsável pelo evento. Para quem não souber, esta associação sem fins lucrativos visa promover na Galiza o emprego de instrumentos de corda de uma maneira alternativa. Entrem na sua página e vejam quantas atividades têm feito, porque é espetacular. Vi que num ano a temática era a China, noutro a Itália e neste o país sobre o que se vai refletir e aprender será o Brasil, portanto, tinha mesmo que falar-vos disto.

Assim sendo, entre 1 e 4 de julho na Ilha de São Simão poderemos desfrutar (com inscrição prévia) de aulas de violino, rabeca, guitarra e pandeireta, assim como de ateliês de capoeira, berimbau, marimbau ou frevo e de concertos, obviamente.

Filpo Ribeiro, Alisson Lima, Ricardo Hertz, Vanille Goovaerts e Maurício Caruso serão as pessoas que nos acompanhem neste espaço transformador e de partilha.

Quem quer conhecer mais a música e cultura brasileira? Deixo-vos o programa e que comecem a vibrar as cordas!

Grândola na USC

Neste blogue temos falado sobre conexões históricas entre a Galiza e Portugal no 25 de Abril. Celeste Caeiro ou Durán Clemente ocupam muitas linhas dos nossos posts. Uma conexão histórica é também o facto de que o hino da revolução portuguesa fosse estreado na USC no ano 1972, e este é um dado que muitas pessoas desconhecem. Não é por acaso que tenhamos no coração do câmpus compostelano centros sociais e parques com o nome do cantor do Grândola.

Neste 2022 fazem-se 50 anos daquele concerto emblemático e nesta terça às 19h a Faculdade de Filologia da USC organiza uma homenagem. Deixo-vos cá o cartaz com o programa.

O ato tem duas partes. Como abertura haverá um colóquio entre diferentes testemunhas ou responsáveis daquele concerto do Zeca em Compostela. Zélia Afonso (viúva do cantor), Maite Angulo (fez parte do grupo de estudantes que organizou o concerto), Emilio Pérez Touriño (que apresentou aquele evento), Francisco Fanhais (presidente da AJA) e Suso Iglesias, jornalista que conduzirá o colóquio.

A parte mais festiva será apresentada pelo Carlos Blanco e contará com as vozes da Uxía, João Afonso (sobrinho do cantor), Nacho-Faia-Lar, Couple Coffee e Xico de Carinho.

Não é degradê, é o brilho da Pongo

Este sábado é a grande final do Festival da Canção. Como confessei na publicação anterior eu torço pela dupla formada pelo Tristany e a Pongo.

Ok, talvez ainda estejas a te recuperar da surpresa de saberes que a Pongo é a menina e o Tristany é o rapaz. Acontece. Um dia falaremos também do Mia Couto e de muitas pessoas surpreendidas.

Pongo & Tristany não têm (ainda) muita popularidade na Galiza, mas hoje vais descobrir que já conhecias a Pongo. Só que tu não sabias disso. Escrevi esta thread na minha conta pessoal de Twitter onde comento alguns dados biográficos sobre a cantora e explico alguma referência angolana de uma das suas letras.

A Pongo não é degradê, ela toda tem intensidade e brilho.

Este pode ser o meu post do 8M onde sempre falo de mulheres que me inspiram? Pode. Sei que chega atrasado, mas chega.

Tenho muitos desejos em volta do conteúdo deste post:

  • que a Pongo chegue aos palcos de Turim
  • que faça uma digressão de concertos pela Galiza
  • que o kuduro seja um estilo musical mais conhecido nestas terras

Vejam o Festival da Canção amanhã na G2. Não se esqueçam da Lusofesta!

Os meus podcast para o 8 de março

O 8 de março pode ser um dia muito bom para começares a acompanhar podcast e conheceres muitas pessoas criativas. Já demos anteriormente algumas recomendações cá, mas hoje vamos focar naqueles programas produzidos por mulheres. Desde que comecei a experiência com As Womansplainers a procura por este tipo de conteúdos tem sido uma obsessão. Esta é a minha seleção, espero que gostem dela!

É nóia minha?. A Camila Fremder, escritora, roteirista e agora a tua paranoica habitual, partilha as suas paranoias connosco e também com convidados. Os teus pensamentos repetitivos e ciclos viciosos vão adorar este podcast.

Há algum episódio com uma dinâmica “especial” intitulado “Roleta do unfollow”: uma genialidade.

Eu não sou a sua mãe. Tive imensa pena quando este projeto acabou, mas temos que agradecer todos os programas que fizeram e que ainda possamos desfrutá-los. Quatro mulheres de esquerda portuguesas metiam conversa sobre temas complexos. Acompanhem-nas nas redes socias: sempre certas!

Mamilos. Mamilos é “jornalismo de peito aberto”. Os temas mais polémicos das redes sociais são debatidos cá com empatia, respeito e profissionalismo. O toque de humor também não falta.

Têm muitos programas e acho que é dos podcast melhor sucedidos do Brasil. Não percam esta oportunidade.

Imagina juntas. Este é um podcast de millennials que tentam ser adultas e pagar as contas. A sanidade mental está em risco. Parece que desde dezembro de 2021 o projeto não teve continuidade, mas têm muitos episódios para poder usufruir.

As Mathildas. Um podcast sobre cultura audiovisual, cinema e artes. Não tem continuidade desde 2020, mas deixaram um acervo sonoro muito valioso para desfrutarmos. Teste de Bechdel, este é o teu programa.

Gordacast. Este nome é uma sedução. Autoestima e bodypositive, mas este podcast quebra muitos mais padrões do que os simplesmente estéticos.

Calma, gente horrível. Vou gravar esta frase para dizer no Twitter de tempos em tempos. Este é o teu podcast de reclamações semanais de referência. Ana Roxo, Rita Alves, Tati Fadel e Malu Rodrigues falam de política, ciência, sociologia e outros temas. Podem (e devem, com todo o direito) surtar.

Tenham os fones por perto!

Lusofesta na TVG

Marquem nas vossas agendas: hoje temos #Lusofesta no canal de Twitch da TVG. Chegou um momento histórico, a TVG e a RTP de mãos dadas a retransmitirem o Festival da Canção 2022. A boa sintonia de galegos e portugueses aquando o Benidorm Fest deu os seus frutos e agora temos esta oportunidade que tanto pedíamos. Oxalá tenhamos num futuro ainda mais colaborações para a Paz Andrade ser uma realidade.

Esta noite temos só o começo, a primeira meia-final às 21h445. No dia 7 temos a outra meia-final e no dia 12 a maior gala de sempre, onde poderemos saber quem é que vai representar Portugal em Turim no Festival de Eurovisão. Este último evento poderemos segui-lo também no canal G2. Acompanharão estas galas Esther Estévez e Rodrigo Paganelli, caras conhecidas do DígochoEu e ApuntamentoLusófono, e também Manu Mahía e Ricardo Saavedra, dois jornalistas fãs de Eurovisão e especialistas portanto neste tema.

Nesta primeira fase vão concorrer:

  • Maro – Saudade, saudade (Maro)
  • Norton – Hope (Norton)
  • The Mister Driver – CaliSun (The Mister Driver)
  • Os Quatro E Meia – Amanhã (Tiago Nogueira)
  • Valas & Os Astronautas – Odisseia (Valas)
  • Aurea – Why? (Aurea)
  • Fado Bicha – Povo pequenino (Fado Bicha)
  • FF – Bom esperar alguém (FF)
  • Diana Castro – Ginger Ale (Joana Espadinha)
  • Kumpanhia Algazarra – A minha praia (Kumpanhia Algazarra)

O Lusopatia vai torcer por: Saudade, Saudade; Povo Pequenino e Amanhã. Estamos a ver que entre estas linhas há velhos conhecidos deste blogue, seja por terem vindo à Galiza em digressões ou por terem participado no Aritmar nas suas diversas edições.

Fado Bicha ainda não veio à Galiza, mas fizeram a música para a campanha da Joacine Katar Moreira (Livre).

Na segunda fase teremos:

  • Jonas – Pontas soltas (Fábia Rebordão)
  • Inês Homem de Melo – Fome de viagem (Pedro Marques)
  • Pepperoni Passion – Código 30 (Pepperoni Passion)
  • Vampiro Submarino – Ao lado de mim (PZ)
  • Os Azeitonas – Solta a voz e canta (Os Azeitonas)
  • Syro – Ainda nos temos (Syro)
  • Milhanas – Corpo de mulher (Agir)
  • Blacci – Mar no fim (Blacci)
  • Cubita – Uma mensagem tua (Cubita)
  • Pongo & Tristany – Dégrá.dê (DJ Marfox)

Neste evento temos os que, a meu ver, devem ser os ganhadores e representantes de Portugal: Pongo & Tristany. Uma canção que para mim representa o Portugal atual.

Há uma playlist do Spotify onde podem acompanhar todas as músicas. Vou deixá-la cá.

Luísa Sobral em Vigo

Hoje começa o festival Sinsal em Vigo. No concerto de abertura teremos a oportunidade de ver ao vivo o espetáculo da Luísa Sobral.

Se no contexto de Eurovisão conhecemos o Salvador Sobral e rapidamente foi singularizado como o irmão da Luísa, agora a fama do vencedor do festival faz com que a Luísa seja conhecida por também ser a irmã dele. Contudo, esta dupla é muito mais do que a “irmã de” ou o “irmão de”. O cantor e a compositora de Amar pelos dois são uns virtuosos, pessoas muito formadas em música. A Luísa depois da sua experiência no Ídolos rumou para os EUA para estudar na Berklee College of Music e conta com um grande reconhecimento da crítica.

Com a Luísa podemos transitar do jazz, ao folk e ao indie. Neste concerto oferecerá temas dos discos Luísa e Rosa, este último foi dedicado à sua segunda filha.

Recentemente publicou no Twitter o carinho que sente por nós.

Nós também gostamos de ti, Luísa!

Lembrem, hoje às 20h30! Entradas aqui