Ana Moura em digressão

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Compostela não descansa e hoje teremos o concerto da fadista de Coruche, Ana Moura. Para aquelas pessoas que ainda não arranjaram bilhetes…há também oportunidade de vê-la em Vigo no Auditório do Mar no dia 25 deste mês.

Pronto, já sabem que eu não sou grande apreciadora de fados e talvez por isso Deolinda, António Zambujo e Ana Moura sejam os exemplos de fados que eu mais gosto, porque são vozes novas que dão uma nova linguagem ao género musical português.indice

Ana Moura é dessas artista é que conheceu a vocação de uma maneira muito precoce. Os pais já cantavam e portanto ela sempre teve um convívio muito natural com a música. Em écopas liceais esteve em várias bandas de covers e até cantou rock, mas a boca da fadista resolveu terminar por cantar fado, porque é assim, as bocas fogem para a verdade.

Desfado, o seu último disco, é quase uma declaração de intenções. Um disco integramente composto por temas originais que a levou a cantar em grandes palcos por todo o mundo.

O single do mesmo nome, Desfado, é uma ferida ainda aberta para mim. Numa das viradas da minha vida, alguém que nunca mais vi despediu-se de mim com esta canção. A letra tem, a meu parecer, a beleza do gume de uma navalha.

Hoje não tenho saudades. As coisas acontecem e sempre são para melhor.

Hoje em Compostela, no Auditório da Galiza às 21h e…depois em Vigo!

 

O artigo e os nomes de pessoa

0Uma das marcas que mais impactam nos primeiros dias de aulas é o uso do artigo com o nome próprio. Quando falo com a turma, digo: o João, a Maria, o Daniel…nunca uso o pronome TU com eles e elas e é uma das primeiras incógnitas que aparecem.

Os alunos e alunas sempre me perguntam quando usar e quando não, porque infelizmente, o uso na Galiza é um bocado residual. Temos provas deste uso em músicas galegas (e portuguesas) como: a saia da Carolina tem um lagarto pintado, portanto, era uma fórmula que há relativamente pouco as pessoas usavam.

Diante de nomes de pessoas, usa-se artigo para indicar familiaridade ou afetividade. Por esta mesma razão, com pronomes de tratamento, nunca usamos artigo. Notem bem:

A Márcia estuda à noite vs. Engana-se Vossa Senhoria, disse o rapaz.

O uso do artigo com nomes de pessoa vem determinado pela familiaridade ou não do contexto. Como norma geral os nomes próprios levam artigo e este apenas desaparece em âmbitos considerados formais. Nos restantes casos, é considerado obrigatório.

Vejamos agora uma tabela que acho que explica muito bem cada caso:

Não é usado artigo

É usado

Quando usamos só o nome, só o apelido ou só a alcunha

O Manuel falou comigo.

Não viste  o Nogueira?

Quando usamos o nome completo, com apelidos

Xavier Pereira Santos tem de comparecer no meu gabinete amanhã.

Carmen Saborido tem um blogue em WordPress.

Quando usamos só o nome ou só o apelido com certo formalismo

Saramago escreveu mesmo no último ano de vida.

José não tinha medo da morte.

Quando usamos o nome completo, com apelidos, num ambiente descontraído.

Quem chegou antes? A Maria Cancelas ou o Pedro Barros?

(Tirei a tabela do livro de Eduardo Maragoto: Como ser reintegracionista sem que a família saiba)

Outros nomes próprios, que não são exatamente nomes de pessoa: empresas, partidos políticos, ONG, jornais, associações…também levam artigo. Se forem nomes estrangeiros e o nome já contém um artigo, este é sentido como parte do nome, não é traduzido e colocamos um artigo definido em português à frete: o The Guardian, o El País, o El Corte Inglés, a Greenpeace, a Amazon, o El Correo Gallego…

 

Desfado nos sentidos com Ana Moura

Ana Moura

Ana Moura

Verdade seja dita, não gosto de fado, é melhor que se diga antes de ser cruelmente julgada, mas como o fado é a expressão musical portuguesa mais reconhecida internacionalmente, chega só darmos uma vista de olhos pelo site da nossa convidada no Lusopatia, Ana Moura, para percebermos a magnitude da projecção internacional da fadista santarense, a digressão não deixa canto do mundo por visitar. Ana Moura chega a Compostela, ao Auditório da Galiza, e vai apresentar o novo trabalho “Desfado” às 21 do dia 22 de Fevereiro, ainda há bilhetes à venda.

Fadista que gosta de “várias canções” e que já colaborou com os Rolling Stone e Prince, vai surpreender no Auditório da Galiza, a próxima sexta-feira, o público galego, que vai desfrutar do novo fado, o fado tradicional e até os temas em inglês. Porque no novo disco, “Desfado”, e como o nome indica, foge um bocadinho ao tradicional e tem temas escritos pelo Manel Cruz dos Ornatos, Pedro da Silva Martins dos Deolinda e pela Luisa Sobral, entre outros. Uma bela chance para sentir a alma e a “garra” da Ana Moura no seu melhor, a embrulhar na voz de fadista as palavras dos melhores poetas.