Dulce Pontes, Peregrinação

O rapper Sam the Kid canta na sua música Poetas de Karaoke ” aqui o Samuel é Madredeus é Dulce Pontes”. Há uma marca de identidade nas músicas que ouvimos. Dulce Pontes é Portugal.

dulce_pontes_peregrinacao-portadaEste sábado teremos a artista portuguesa no Palácio da Ópera da Corunha. Podem comprar os bilhetes nesta ligação.

Peregrinação é o último disco da Dulce. Depois de uma longa espera desde o seu último trabalho, a cidade herculana será a primeira paragem da digressão de concertos.

O disco tem 22 canções e é composto por dois cd. No primeiro, Nudez, a cantora canta em português; no segundo, Puertos de abrigos, canta em espanhol, inglês e galego-português. Peregrinação é uma viagem espiritual e um encontro com nós próprios.

Vejam o clipe de Nevoeiro: voz de Dulce Pontes, letra de Fernando Pessoa. Simplesmente fantástico.

Carlinhos Brown na Corunha

As festas de Maria Pita da Corunha abrem com sabor a caipirinha. Chega a festa, chega o Carlinhos Brown.

carO cantor brasileiro é desses artistas que nem precisam de ser apresentados. A namorada, Carnaval Medley, Maria Caipirinha, Magalenha, Faraó…são grandes êxitos que definem o trabalho do de Candeal. Foi membro também dos Tribalistas e compositor de muitas canções famosas que hoje ouvimos em boca de outros cantores e cantoras. Sim, A Namorada, não é uma canção do Chayanne, acreditem.

Entre estas músicas superconhecidas, o Carlinhos também tocará canções do seu último trabalho: Artefireaccua – Incinerando o Inferno.

Comprometido com a terra em que nasceu, grande parte do seu sucesso reverteu a situação de muitas crianças de Candeal, graças aos programas de educação e música em que ele está envolvido. Podemos dizer sem papas na língua que o Carlinhos é um performista e um ativista.

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Havia tempo que o Carlinhos Brown não vinha à Galiza, até acho que a última vez que o de Candeal veio tocar foi mesmo num festival em Santa Cristina, portanto, parece que o cantor tem um fraquinho por essas terras. Na segunda-feira próxima volta para inaugurar as festas da cidade herculina. Às 22h30 começará o concerto na praça da heroína corunhesa. Dica: como o concerto é de graça, vão antes e apanhem um bom lugar.

Carmen Souza na Galiza

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Houve um tempo em que fui livreira, uma época breve mas muito intensa.
Ser livreira não é apenas vender livros, é ouvir aquilo que as pessoas sentem, as necessidades de uma alma, e criar um ambiente aconchegante que acenda aquela chama que nos leva a iniciar uma boa leitura.
Decoração, atendimento e música são os ingredientes para fazer de uma livraria um ninho. Música. Música não pode faltar. É a chave.
Recordo-me de ouvir canções de Carmen Souza e olhar o Sai se puderes cheio de água de chuva. Eu lá com os meus pensamentos, a evocar dias ensolarados e viajar com a imaginação a praias cabo-verdianas.carmen souza
Carmen Souza é uma cantora luso-cabo-verdiana. Iniciou a carreira num grupo de gospel de Portugal. Aos 17 anos, conheceu o baixista Theo Pas’Cal, que passou a ser seu produtor. Juntos, os dois criaram um estilo unindo a cultura cabo-verdiana aos ritmos tradicionais africanos e ao jazz.

A crítica tem-na definido como a “Norah Jones de Cabo Verde”. Eu odeio estas comparações, acho que cada artista é único e estas coisas de comparar com referentes da cultura ocidental são próprias de mentes pouco abertas. Então, aceitem o desafio que eu vos proponho: vão lá e desmintam tal etiqueta.

Vão ter duas datas para ouvirem esta maravilha:
-29 de novembro, Garufa Club, Corunha
-30 de novembro, Lugo Jazz Fest

Fado 1111

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De maneira lendária o povo português afirma que o rei Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, nasceu no ano 1111. Não é por acaso que a formação Fado 1111 tenha escolhido este número. A banda reúne num todo muitos símbolos nacionais: a data de nascimento do rei, o facto de serem de Guimarães -onde nasceu Portugal- e o fado.

O que eles têm de especial? Fado 1111 é a mistura do fado lisboeta e a canção de Coimbra. As duas visões do fado são reunidas nos concertos deles. Expõem de forma autentica e genuína as suas fortes divergências de estilo, mas também os seus claros pontos de contacto.

Segundo Fado 1111 diz: “Neste sentido, e recorrendo a um elenco próprio de músicos especializados em cada género, ou em posse de uma clara versatilidade, o projeto Fado1111 apresenta-se como uma eclética organização artística, permitindo-nos criar diferentes perspetivas cénicas – um espetáculo de Fado de Lisboa, um espetáculo da Canção de Coimbra, ou ainda um cativante e original espetáculo, onde os dois géneros se juntam

Querem ouvir grandes vozes e viola dedilhada? agendem!

sexta 9, Perilho. Auditório d’A Fábrica, 20h30

sábado 10, Padrão. Auditório Municipal, 20h30.

Gil do Carmo em digressão

Gil_WEB-853x857O apelido “do Carmo” não nos é estranho. Sim, é esse mesmo apelido de Lisboa, menina e moça que canta o fadista Carlos do Carmo. O cantor ganhou recentemente o Grammy Lifetime Achievement Award, por outras palavras, uma distinção a uma carreira, a uma vida inteira nos palcos, a uma trajetória e a um compromisso com o fado e não só.

Em Portugal há apelidos marcantes artisticamente. Parece que há profissões que passam de pais a filhos, porque filho de peixe, sabe nadar. Tony Carreira e Michael Carreira, Carlos do Carmo e Gil do Carmo. Evidentemente, são casos muito diferentes e propostas muito diversas, mas era apenas um exemplo.

Nos dias 21 e 23 de maio Gil do Carmo estará na Corunha e em Compostela para apresentar numa pequena tour o seu novo trabalho: A uma voz.

Com o patrocínio de Delta Cafés, nada pode ser tão português como ir a um concerto de fados de Gil do Carmo. Herdeiro da tradição familiar, soube dar ao seu fado um sabor novo, com novas abordagens e fusões: jazz, guitarra portuguesa e espontaneidade, porque a música lusa tem um novo charme. Se quiserem conhecer um bocado melhor esta figura, podem ouvir esta entrevista na TSF, pai e filho à conversa.

Luiz Ruffato na UDC

240px-Luiz_RuffatoO escritor brasileiro Luiz Ruffato visitará a cidade de Hércules para recolher o prémio da AELG que lhe dá o reconhecimento de “escritor galego universal”.

Por vezes a Galiza é assim, sabe reconhecer os talentos de fora. Oxalá também tivessem prémios cá os nossos escritores/as galegos/as em língua portuguesa. Ainda há pouco que o escritor galego Mário Herrero Valeiro ganhou o prémio literário Glória de Sant’Anna e estas coisas sempre me fazem refletir sobre as fronteiras culturais e outras mais fortes, as mentais.

Pronto, depois desta pausa analítica, vamos com o Luiz Ruffato de volta. Conheci Luiz Ruffato numa seleção de contos de Laiovento, O conto brasileiro contemporâneo, que podem descarregar nesta ligação. Ele e a professora galega Carmen Villarino fazem o prefácio. Desde esse momento quis saber mais dele.

No dia 7, às 12h30, na Faculdade de Filologia da Corunha dará uma palestra intitulada Uma literatura na periferia do mundo. Fico triste por não poder ouvi-lo. Vão lá e digam-me como é que foi.

Luísa Costa Gomes em digressão

luísa costaPor vezes todas as coisas se conectam. Acontece. Há vezes que não ouvimos um nome em meses e outras que parece que aquele nome ou aquela palavra nova que acabámos de aprender nos acompanham.

Aconteceu-me nestes dias com Luísa Costa Gomes. Estou a ler Cláudio e Constantino no meu clube de leitura e agora sei que ela faz uma espécie de digressão por faculdades e escolas de idiomas da Galiza. Podem conferir no cartaz que ilustra este post para verem a data e lugar que mais lhes convier.

Costa Gomes é uma escritora, tradutora, professora e dramaturga portuguesa nascida em Lisboa. Publicou 5 romances, 6 volumes de contos, 2 librettos e 10 peças de teatro.

Sem abandonar a atividade docente, ela faz também oficinas de escrita e monitoriza clubes de leitura no ensino secundário.

Foi responsável também pela edição da revista Ficções, que tinha por objetivo a divulgação do conto universal e local. Publicava textos clássicos da tradição contística, textos inéditos de autores estrangeiros, encomendava inéditos a autores portugueses consagrados e dava a conhecer inéditos de novos autores portugueses.

Nesta semana andará pela Galiza para dar o seu ponto de vista sobre os caminhos da literatura portuguesa nas nossas terras e também para trocar opiniões a propósito do seu último romance, Cláudio e Constantino. 

Corunha, Betanços, Compostela, Vigo e Ponte Vedra…marquem presença!

 

Dulce Pontes em concerto

dulceA primeira vez que eu tive um disco de música portuguesa nas mãos eu devia ter uns onze ou doze anos. A minha irmã tinha uma fase de ouvir fados vezes sem conta e tínhamos um cd de Dulce Pontes ao vivo no Coliseu do Porto como banda sonora em casa. Eu dizia para ela que não gostava, mas quando ela não estava em casa eu ouvia o disco na nossa aparelhagem (uma aparelhagem daquelas da década de noventa que ocupava o espaço de um estaleiro do grande que era).

E foi assim, entre o Xabarín Club, o Xou da Xuxa e a Dulce Pontes que comecei a sentir a atração de um íman que nunca me abandonou. Depois viriam muitas outras coisas…

Como quem volta a casa depois de muito tempo e sente o cheiro do conhecido e familiar, assim é voltar a ouvir Dulce Pontes para mim. A artista portuguesa estará na Galiza o próximo mês em dois concertos:

-7 de novembro, 21h. Auditório Palácio de Congressos Mar de Vigo. Vigo.

-8 de novembro, 21h. Palácio da Ópera. Corunha.

Fados, pop e folclore unidos numa cantora só. Não percam a oportunidade de reviver músicas do Ennio Morricone, Zeca Afonso, Amália Rodrigues ou rememorar o hit Canção do mar.

Deixo-vos com a canção que eu cantava em segredo, com ela foi a Dulce ao Eurovision Song Contest. Para mim esta artista era uma Witney Houston, com a vantagem de que eu percebia a letra toda da canção. Laca, brincos enormes e aparelhagens que bem podiam ser uma coluna dórica, era a década de 90.

 

Paula Rego no MAC

índiceEste sábado fui ver a exposição de quadros da Paula Rego no Mac, antigo Macuf, na Corunha.

A verdade é que sempre gostei muito de visitar a cidade e mais hora ou menos hora sempre invento qualquer coisa para ir, desta vez foi uma visita para arregalar os olhos. Fui de comboio da minha casa à Corunha e não foi difícil encontrar o Mac (nunca tinha ido antes), foi tão simples como sair do comboio e ir pela Avenida de Arteixo. Recebeu-me uma empregada com cara de “o que é que tu queres?”, surpreendida de ver alguém. Eram férias e o museu devia ter cerca de 6 visitantes (eu incluída).

Dentro do Mac pude ver várias peças artísticas, entre elas obras de bolseiros que gostei muito. Confesso que gostei mais das dos bolseiros do que das da Paula Rego, se calhar por não ser formada em artes e só ter como guia as sensações que cada peça me transmite. Mas antes de falar-vos da temática da Paula Rego, explico-vos um bocado a biografia dela e por quê é importante ir visitar a coleção.

Paula Rego (1935) é uma pintora lisboeta que vive em Londres. Começou a viver em Londres por causa de ter sido enormemente crítica com a ditadura de Salazar, até perdeu a nacionalidade portuguesa. Hoje é a artista plástica mais internacional que o país luso tem, tem exposto na Gulbenkian, na  Tate, na Serralves…e agora no Mac. O imaginário estético desta artista é muito importante porque engrossa o universo feminista e visibiliza a mulher e os seus problemas: ablação, estupros, abortos, madrastas, violência machista… fazem parte da inquietante temática da artista, que não deixa ninguém indiferente. Eu já vi muita coisa, meus e minhas senhoras, e posso dizer que aquilo foi um volte-face para mim. Diferenciei duas temáticas, por uma parte esta de que vos falei, e por outra, um universo de contos infantis: coelhos, dragões, vermes…mas sempre com um toque sinistro e de desassossego. É por isso que a coleção é intitulada Fábulas reais.

A obra de Paula Rego é muito importante porque denuncia certas práticas machistas perpetuadas no tempo, a artista é uma pessoa combativa que cria imagens onde as mulheres reivindicam o seu direito a decidirem, que nunca está a mais nestes tempos.

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Paula Rego. Oratório

 

Birds are indie fazem tour na Galiza

BirdsAreIndie_galiza-marzo2014_blogA banda de Coimbra chega de novo à Galiza para oferecer-nos as suas músicas num tour feito em (muitas) pequenas salas.

Não sei se a Joana e o Ricardo são dois namorados que fazem música ou se foi a música que os uniu, só sei que é uma dessas bandas hipster, com músicas indie-folk.

Amantes das calças cigarette, óculos de massa, bigodes e peças de roupa em segunda mão…apenas vos vou dizer que esta banda é a vossa cara. Coloco o cartaz no post e assim já conseguem acompanhar os músicos pela nossa geografia, há um monte de datas para escolher.

Anteriormente já tinham estado no “Terrazeando” em Compostela, onde partilhavam cartaz com os A Jigsaw. Só tive oportunidade de ver esta segunda banda, mas agora talvez esteja na hora de ouvir os Birds are Indie.