O dia em que a morte sambou

Chega o programa dos Galicreques, por melhor dizer, chegou. Não cheguei a tempo a anunciar os eventos de Compostela, mas ainda vou a tempo de vos dizer o que se vai passar na Corunha. Amanhã na Sala Gurugú às 18h30 poderão ver a peça brasileira de teatro infantil O dia em que a morte sambou.

O filho de Valéria e Habib explica tudo com muito jeito neste teaser.

Estão a ver então que O dia em que a morte sambou é também um livro que foi levado aos palcos pelos próprios autores: Habib, escritor e Valéria, artista plástica. Ansiosos em preservar a poética da obra original na encenação, escolheram a linguagem do teatro de bonecos de sombras, uma das formas mais antigas e belas de teatro de formas animadas.

Esta família é quase como aquela The Kelly Familiy da década de 90. Eles fazem tudo! A trilha sonora, que vai da música tradicional da Bretanha ao Maracatu de Baque Solto e Cavalo Marinho de Pernambuco, é executada ao vivo com violino e escaleta por Valéria, enquanto Habib manipula os bonecos, cujas sombras conversam, andam, brincam e dançam, não somente no cenário, mas também pelas paredes, chão e teto da sala.

E qual é o argumento? Seu Biu é um velhote que mora sozinho, canta, brinca, dança e está em sintonia com a natureza apesar das críticas que rebece. Um dia a morte vem por ele…mas será recebida de um modo inesperado.

Vamos?

 

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Portugal em contexto

De 16 a 19 de outubro decorrerá na UdC o ciclo de palestras Portugal em Contexto.

O evento visa dar uma visão de Portugal que complemente, atualize e contextualize os estudos de português na Galiza, quer sejam universitários quer de ensino médio.

Os temas que serão tratados são muito diversos, de história e cidadania a literatura, de didática a dramatúrgia. Podem ver o programa na fotografia.

Então, se estiverem interessados/as em conhecer um bocado mais o país luso, vão lá, mesmo que não sejam estudantes ou professores!

Primeiro encontro de Lusópatas

 

Este é, sem dúvida nenhuma, o artigo mais bizarro que tenho feito em anos. Não sei como se sentiu o Justin Bieber quando ouviu pela primeira vez a palavra “belieber”…mas começo a ter uma ideia.

Como não pensamos nisto antes? Uma conta no Meetup, vontade e paixão pelo português foi o que levou a Roberto Brenlla, estudante de português da EOI que morou na infância no Brasil, a organizar isto tudo. Falo do Primeiro encontro de Lusópatas na Corunha.

O evento vem definido como “Encontros em português. Grupo para praticar a língua portuguesa em todas as suas variantes. Não importa o nível. Nativos de países de língua portuguesa são muito bem-vindos, mas também pessoas de cá sem qualquer relacionamento prévio com ela. A vantagem do português é que se pode começar por falar galego e ir a pouco e pouco modificando-o até conseguir falar português como língua própria”. Eu não o poderia explicar melhor.

Então, se tiverem tempo e vontade no dia 31 às 20h podem ir ao Mandatory Galera na Corunha e meter dois dedos de conversa. Eu até estou a pensar em pintar as unhas, amigas!

Rodrigo Leão na Corunha

Amanhã chega à Corunha um dos grandes vultos da música portuguesa. Integrante de duas das bandas com mais repercussão internacional: Madredeus e Sétima Legião.

Rodrigo Leão é desses homens que criam autênticos hinos e é por isso que foi capaz de reunir tantos prémios.

Ele é um músico completo, criador de um estilo inconfundível. Explora a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicionais, por isso ir a um concerto dele é quase ouvir uma sinfonia de sintetizadores.

Amanhã o lisboeta vai estar no Teatro Colón da Corunha, no marco do Festival do Noroeste, acompanhado de Ana Vieira na voz. Vai tocar temas essencialmente compostos para a voz desta cantora, em língua portuguesa maioritariamente, mas também em inglês, francês e espanhol.

Deixo-vos com Vida Tão Estranha, que é uma das suas mais belas obras.https://youtu.be/joKcK4D6PGo

Dulce Pontes, Peregrinação

O rapper Sam the Kid canta na sua música Poetas de Karaoke ” aqui o Samuel é Madredeus é Dulce Pontes”. Há uma marca de identidade nas músicas que ouvimos. Dulce Pontes é Portugal.

dulce_pontes_peregrinacao-portadaEste sábado teremos a artista portuguesa no Palácio da Ópera da Corunha. Podem comprar os bilhetes nesta ligação.

Peregrinação é o último disco da Dulce. Depois de uma longa espera desde o seu último trabalho, a cidade herculana será a primeira paragem da digressão de concertos.

O disco tem 22 canções e é composto por dois cd. No primeiro, Nudez, a cantora canta em português; no segundo, Puertos de abrigos, canta em espanhol, inglês e galego-português. Peregrinação é uma viagem espiritual e um encontro com nós próprios.

Vejam o clipe de Nevoeiro: voz de Dulce Pontes, letra de Fernando Pessoa. Simplesmente fantástico.

Carlinhos Brown na Corunha

As festas de Maria Pita da Corunha abrem com sabor a caipirinha. Chega a festa, chega o Carlinhos Brown.

carO cantor brasileiro é desses artistas que nem precisam de ser apresentados. A namorada, Carnaval Medley, Maria Caipirinha, Magalenha, Faraó…são grandes êxitos que definem o trabalho do de Candeal. Foi membro também dos Tribalistas e compositor de muitas canções famosas que hoje ouvimos em boca de outros cantores e cantoras. Sim, A Namorada, não é uma canção do Chayanne, acreditem.

Entre estas músicas superconhecidas, o Carlinhos também tocará canções do seu último trabalho: Artefireaccua – Incinerando o Inferno.

Comprometido com a terra em que nasceu, grande parte do seu sucesso reverteu a situação de muitas crianças de Candeal, graças aos programas de educação e música em que ele está envolvido. Podemos dizer sem papas na língua que o Carlinhos é um performista e um ativista.

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Havia tempo que o Carlinhos Brown não vinha à Galiza, até acho que a última vez que o de Candeal veio tocar foi mesmo num festival em Santa Cristina, portanto, parece que o cantor tem um fraquinho por essas terras. Na segunda-feira próxima volta para inaugurar as festas da cidade herculina. Às 22h30 começará o concerto na praça da heroína corunhesa. Dica: como o concerto é de graça, vão antes e apanhem um bom lugar.

Carmen Souza na Galiza

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Houve um tempo em que fui livreira, uma época breve mas muito intensa.
Ser livreira não é apenas vender livros, é ouvir aquilo que as pessoas sentem, as necessidades de uma alma, e criar um ambiente aconchegante que acenda aquela chama que nos leva a iniciar uma boa leitura.
Decoração, atendimento e música são os ingredientes para fazer de uma livraria um ninho. Música. Música não pode faltar. É a chave.
Recordo-me de ouvir canções de Carmen Souza e olhar o Sai se puderes cheio de água de chuva. Eu lá com os meus pensamentos, a evocar dias ensolarados e viajar com a imaginação a praias cabo-verdianas.carmen souza
Carmen Souza é uma cantora luso-cabo-verdiana. Iniciou a carreira num grupo de gospel de Portugal. Aos 17 anos, conheceu o baixista Theo Pas’Cal, que passou a ser seu produtor. Juntos, os dois criaram um estilo unindo a cultura cabo-verdiana aos ritmos tradicionais africanos e ao jazz.

A crítica tem-na definido como a “Norah Jones de Cabo Verde”. Eu odeio estas comparações, acho que cada artista é único e estas coisas de comparar com referentes da cultura ocidental são próprias de mentes pouco abertas. Então, aceitem o desafio que eu vos proponho: vão lá e desmintam tal etiqueta.

Vão ter duas datas para ouvirem esta maravilha:
-29 de novembro, Garufa Club, Corunha
-30 de novembro, Lugo Jazz Fest

Fado 1111

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De maneira lendária o povo português afirma que o rei Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, nasceu no ano 1111. Não é por acaso que a formação Fado 1111 tenha escolhido este número. A banda reúne num todo muitos símbolos nacionais: a data de nascimento do rei, o facto de serem de Guimarães -onde nasceu Portugal- e o fado.

O que eles têm de especial? Fado 1111 é a mistura do fado lisboeta e a canção de Coimbra. As duas visões do fado são reunidas nos concertos deles. Expõem de forma autentica e genuína as suas fortes divergências de estilo, mas também os seus claros pontos de contacto.

Segundo Fado 1111 diz: “Neste sentido, e recorrendo a um elenco próprio de músicos especializados em cada género, ou em posse de uma clara versatilidade, o projeto Fado1111 apresenta-se como uma eclética organização artística, permitindo-nos criar diferentes perspetivas cénicas – um espetáculo de Fado de Lisboa, um espetáculo da Canção de Coimbra, ou ainda um cativante e original espetáculo, onde os dois géneros se juntam

Querem ouvir grandes vozes e viola dedilhada? agendem!

sexta 9, Perilho. Auditório d’A Fábrica, 20h30

sábado 10, Padrão. Auditório Municipal, 20h30.

Gil do Carmo em digressão

Gil_WEB-853x857O apelido “do Carmo” não nos é estranho. Sim, é esse mesmo apelido de Lisboa, menina e moça que canta o fadista Carlos do Carmo. O cantor ganhou recentemente o Grammy Lifetime Achievement Award, por outras palavras, uma distinção a uma carreira, a uma vida inteira nos palcos, a uma trajetória e a um compromisso com o fado e não só.

Em Portugal há apelidos marcantes artisticamente. Parece que há profissões que passam de pais a filhos, porque filho de peixe, sabe nadar. Tony Carreira e Michael Carreira, Carlos do Carmo e Gil do Carmo. Evidentemente, são casos muito diferentes e propostas muito diversas, mas era apenas um exemplo.

Nos dias 21 e 23 de maio Gil do Carmo estará na Corunha e em Compostela para apresentar numa pequena tour o seu novo trabalho: A uma voz.

Com o patrocínio de Delta Cafés, nada pode ser tão português como ir a um concerto de fados de Gil do Carmo. Herdeiro da tradição familiar, soube dar ao seu fado um sabor novo, com novas abordagens e fusões: jazz, guitarra portuguesa e espontaneidade, porque a música lusa tem um novo charme. Se quiserem conhecer um bocado melhor esta figura, podem ouvir esta entrevista na TSF, pai e filho à conversa.

Luiz Ruffato na UDC

240px-Luiz_RuffatoO escritor brasileiro Luiz Ruffato visitará a cidade de Hércules para recolher o prémio da AELG que lhe dá o reconhecimento de “escritor galego universal”.

Por vezes a Galiza é assim, sabe reconhecer os talentos de fora. Oxalá também tivessem prémios cá os nossos escritores/as galegos/as em língua portuguesa. Ainda há pouco que o escritor galego Mário Herrero Valeiro ganhou o prémio literário Glória de Sant’Anna e estas coisas sempre me fazem refletir sobre as fronteiras culturais e outras mais fortes, as mentais.

Pronto, depois desta pausa analítica, vamos com o Luiz Ruffato de volta. Conheci Luiz Ruffato numa seleção de contos de Laiovento, O conto brasileiro contemporâneo, que podem descarregar nesta ligação. Ele e a professora galega Carmen Villarino fazem o prefácio. Desde esse momento quis saber mais dele.

No dia 7, às 12h30, na Faculdade de Filologia da Corunha dará uma palestra intitulada Uma literatura na periferia do mundo. Fico triste por não poder ouvi-lo. Vão lá e digam-me como é que foi.