Quatro ilustradoras no Caminho da Costa

Confesso que odeio coisas que tenham a ver com o Caminho de Santiago. Não sei se por viver numa das ruas mais transitadas por caminhantes ou porque também me atingiu a moda de ser uma hater do turismo. Sei lá, gostava de um outro modelo para a minha cidade, ou talvez de outra focagem do Caminho.

Este evento que vos apresento é desses que ainda me dão esperança. Vejo isto e digo: o pá, o Caminho até pode não ser piroso.

De 26 de junho a 5 de julho quatro ilustradoras (duas delas portuguesas) fizeram o percurso do Caminho da Costa: caminharam do Porto a Compostela. Imortalizaram a sua visão em desenhos que agora poderemos ver a partir do dia 20 numa exposição na Galeria Sargadelos de Compostela.

Falo-vos então das duas desenhistas portuguesas um bocado:

  • Fernanda Lamelas: é uma arquiteta que adora desenhar. Já tem feito várias exposições e colaborou como ilustradora em diversas publicações e em livros como Palácios e Casas Senhoriais de Portugal.
  • Teresa Ruivo: junto com a Fernanda Lamelas faz parte da direção de Urban Sketchers Portugal. Ela é psicóloga. Começou a trabalhar com cadernos há três anos e, sem dar por isso, esta ocupação foi conquistando cada vez mais tempo da sua vida. Desenhar contigo é um projeto muito giro que ela desenvolve, onde usa o lápis como terapia com rapazes oncológicos.

Há uns meses recomecei a pintar. Optei pela técnica da aquarela e tentei ler livros sobre materiais e aquarelistas. Não demorei em descobrir que a aquarela é considerada a irmã pobre da pintura e que…mulheres nem vê-las nos livros. Visibilizar os rascunhos, a aquarela e as mulheres na ilustração…é, com certeza, um bom caminho.

No dia 10 de novembro estarão na Lila de Lilith para apresentar o livro que foi resultado desse intercâmbio. Eu vou!

 

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Wos 2017

Hoje começa mais uma edição do Wos em Compostela. O Wos é um espaço de encontro de cultura alternativa com caráter anual. Cada ano reunem-se em Compostela pessoas do mundo da música, artes plásticas e cénicas.

Este ano temos na cidade a quarta edição e, como já fiz a minha própria navegação pelo programa, posso-vos dar a proposta lusópata. Espero que estejam prontos para começar:

  • HHY and The Macumbas chegam hoje do Porto para partilhar connosco o seu som entre vodu e dub. HHY é um instrumentista e produtor que unido aos The Macumbas cria um ritmo novo de percussão que agita qualquer corpo.

https://youtu.be/XzXYgrharhA

  • Amanhã vêm da aldeia do Fornelo, Portugal, os Sensible Soccers. Famosos pelos seus concertos e pela empatia com a empatia com o público, desde 2011 são considerados uma banda de culto.


Este trio faz sobretudo música instrumental, mas sem esquecer a experimentação com sintetizadores. Villa Soledade foi o seu último disco e primeiro sem o baixista Emanuel Botelho. O título do álbum remete para uma casa na estrada nacional que vai de Vila do Conde para Santo Tirso, dessas que uma pessoa vê e recorda por exóticas na construção. Mas o disco não vai sobre esta casa, obviamente. Relatam aqui, de uma maneira íntima, a relação que existe entre as pessoas e os ambientes, por vezes deprimentes e por vezes cheios de esperança.

https://youtu.be/ge23rj72wcQ

Apanhem os seus óculos de massa e deixem barba, que o Wos vai começar.

Festival de Poesia no Condado

Entre 1 e 2 de setembro decorre um dos festivais mais representativos do fim do verão, porque…assumamos…as férias não vão durar sempre. O Festival de Poesia no Condado não é apenas a maior mostra de lírica do ano, é um evento multidisciplinar: audiovisual, artesanato, exposições e música.

Amanhã, dia 1, teremos em Salvaterra às 20h30 a apertura de exposições que contam com projetos de Clara Não e Mariana Malhão entre outras. Clara Não é uma ilustradora, escritora, desenhista, escultora e performista do Porto. Mariana Malhão é desenhista e ilustradora de Coimbra. Deixo-vos com uns exemplos dos seus trabalhos que para mim foram um achado, agora que voltei a brincar com a minha caixinha de aguarelas e que ando na procura de referentes femininos.

Já na noite às 23h poderemos ir ao concerto dos Baleia, baleia, baleia. Esta banda do Porto faz música tipo punk-rock e foi para mim uma coisa nova.

Li sobre eles que «pegam nos elementos mais alegres e coloridos que o rock alguma vez engendrou, agitam-nos numa garrafa com gasosa e tiram a tampa para molhar toda gente». Promete dar barraca…

https://youtu.be/xP7M8RP4fCc

No segundo dia de festival, entre música e poesia, há a projeção do documentário Mulheres da Raia de Diana Gonçalves às 19h.

Apanhem as suas trouxas e vão lá, que isto vai começar!

Nexos: Arquitetura. O legado da Escola do Porto

 

Vitrúvio é, por assim dizer, o pai da arquitetura. No seu tratado De Architectura definiu os três conceitos em que se baseia esta arte: a beleza (Venustas), a construção (Firmitas) e a função (Utilitas). Ele foi um homem importante na história desta arte. Conhecem algum nome de arquiteto/a lusófono/a? imagino que agora andam a pensar em Siza Vieira ou Óscar Niemeyer. A notícia de hoje tem a ver com o primeiro.

Gostam, como eu, de andar a ver prédios e outras construções? estão de parabéns! Amanhã na Cidade da Cultura, no marco de atividades do Nexos, será tratado o tema do legado da Escola do Porto da mão de dois professores portugueses: Alexandre Alves Costa e Pedro Bandeira.

A chamada Escola do Porto marca o modo de fazer arquitetura em Portugal nas últimas décadas do século XX. É inegável o grande número de fãs que a cidade reúne, porque, pensem bem, na cidade invicta podemos ver amostras arquitetónicas desde o medievo até a contemporaneidade.
Távora, Álvaro Siza e Souto de Moura são as colunas que sustentam uma tendência hoje seguida por muitos aprendizes. É esta produção arquitetónica que normalmente está associada internacionalmente à imagem da “arquitetura portuguesa”.

Podem ver o programa nesta ligação. Inscrevam-se!

Serushio em tour na Galiza

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Se pensarmos no nome desta banda, vem logo um ar japonês às nossas mentes. Serushio é como se pronuncia Sérgio no Japão.

O guitarrista portuense Sérgio Silva estudou durante cinco anos na Berklee College of Music, de Boston, uma escola superior de música de fama internacional. Quando volta ao Porto, começa a traçar as primeiras linhas musicais do projeto Serushio junto com o bluesman José Vieira.

Serushio é uma banda de blues do delta do Mississippi mas com influência do rock britânico. Espalharam o seu som por festivais em Toronto e também foram profetas na sua terra, tocando em Paredes de Coura e no Avante!.

Muito em breve estarão na Galiza graças ao projeto Outonalidades, que é uma rede de concertos de música ao vivo que decorrem nos meses do outono e que por vezes atravessam as fronteiras do país luso.

Podem vê-los no Barco, na Ilha e em Melide. Um barco e uma ilha juntos no mesmo tour…que odisseia!

10.000 russos em Compostela

Não, isto não é uma invasão de sovietes. Por vezes parece que o universo liga as coisas do meu passado mais imediato. Há pouco tempo estava a falar da Rússia e agora…

O sugestivo nome de “10.00o russos” pertence a uma banda portuense de rock psicadélico. Coisas da criação de nomes mediante a técnica do cadáver esquisito.

10000

O batalhão de 10.000 russos é realmente formado por duas pessoas: Pedro Pestana, na guitarra, e João Pimenta, voz. Segundo os próprios membros da banda, 10.000 russos é “o equivalente sonoro a uma aldeia do centro da Europa que é atacada por Hunos”. A coisa não podia ser mais vintage, porque o projeto nasceu com uma cassette com 4 temas gravados. Sim, cassette, o universo hipster é mesmo assim: “O CD está completamente morto e o vinil era demasiado caro para uma edição pequena. Optámos pela cassete, porque nos remete para um lado DIY [do-it-yourself]”.

Suponho que a austeridade, o cinema e os ares de Leste são algumas das influências desta experiência musical eclética. Deixo-vos com esta canção. Escolhi-a porque no título aparece a palavra Spartak e foi impossível não me lembrar do meu adorado Moscovo.

Amanhã, dia 17, no Bar Embora às 21h. Não percam, tovarish!

 

 

Minho Reggae Splash 2016

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Chega a sétima edição do festival de música reggae mais conhecido no país: o Minho Reggae Splash.

Habitualmente, aparecem no cartaz várias bandas de países lusófonos e este ano a tradição não se rompe.

  • No dia 2 de setembro chegarão a Tominho no palco Dub Corner:

Junior Dread. Este brasileiro representa a nova geração da música reggae. Com músicas gravadas em português e inglês destaca-se e atravessa fronteiras.

Em 2011 lançou a música e o videoclipe “Não deixe de lutar”  com participação de Gustavo “Black Alien”, um dos artistas mais respeitados na cena do Rap no Brasil e aí a carreira do Junior Dread nunca parou de bombar.

Ouvi hoje a canção do Menino e gostei muito, na verdade. Tem aquele toque Natiruts.

Real Rockers. Real Rockers não é bem uma banda de reggae, Real Rockers é um movimento criado na cidade do Porto que foi criado com o intuito de dar valor e rotina à cultura Reggae Roots & Dub na invicta. Podemos definir o Real Rockers como uma união de músicos e produtores que promovem os ritmos da era dourada do rub-a-dub.

  • No sábado 3 de setembro, no palco das bandas:

Angatu. Angatu é uma banda brasileira formada por ex-integrantes da Cultivo. Estamos a falar de uma das mais novas bandas de reggae de Florianópolis.

Estes músicos lançaram em 2014 o seu primeiro CD, A vida que eu sempre quis, um disco todo com músicas originais e também participações vocais das jamaicanas Kim Pommell e Shareda S. Sharpe (Groundation) e dos gaúchos Pablo “See a Rasta” (Rutera), Leonardo “Frodo” Barbosa (Brilho da Lata), Fyah Rocha e Danilo Beccaccia.

Então, vamos lá?

 

 

Portulego Quartet no Carvalhinho

SofaSabem aquela coisa de ir a concertos e que parece que o músico/a toca mesmo para ti? Músicas de sofá é um evento onde cinco bandas tocam e parece que tocam na sala de uma casa qualquer. O cenário não pode ser mais aconchegante.

Umas semaninhas antes da festa do Polvo do Carvalhinho, a Câmara Municipal parece que quer deixar pronto o ambiente festivo.

Portulego Quartet Jazz é uma agrupação de músicos das duas beiras do Minho cujo vínculo comum é o jazz e os estudos na ESMAE do Porto.

O quarteto Interpretará temas próprios e junto de outros grandes clássicos do repertório jazzístico.

Amanhã às  19h15 hrs na rua Rosalia de Castro do Carvalinho. Lamento não ter um vídeo deles, não encontrei. Alguém tem?

Danças do Douro e do Minho

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A Gentalha do Pichel e a Central Folque organizam muitas vezes jornadas em volta da dança e músicas tradicionais. Desta vez o Lusopatia informa de um Baile Assalto especial dedicado às músicas do Minho e do Douro amanhã às 22h.

Chulada da Ponte Velha chega a Compostela para fazer-nos esquecer a vergonha e mesmo para que qualquer pé de chumbo possa dançar.


<p><a href=”https://vimeo.com/120253646″>Chulada da Ponte Velha – &quot;Ramaldeira da Reguenga&quot;</a> from <a href=”https://vimeo.com/mpagdp”>MPAGDP</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

O quinteto de Santo Tirso, nas redondezas do Porto, é um projeto resultado do interesse de vários músicos em retomar as práticas musicais do Douro e do Minho, em especial as chulas dos descantes. O uso das violas tradicionais do Norte de Portugal, da rabeca chuleira e do violão ponteado caracterizam o som desta banda. Junto com eles vem também Coreto, uma associação do Porto que tem como objetivo a promoção de artes e culturas tradicionais, assim como a promoção e divulgação de artes e culturas tradicionais originárias de todo o mundo.

O bilhete custa 5 euros para não sócios/as e 4 para sócios/as. Dançamos?

Mundo Segundo (Dealema)

Nunca antes me tinha acontecido, confesso.

Como sabem, Compostela está em festa. Estes dias andei em concertos e atividades. Noutros anos não ligava muito à programação “oficial” da cidade e andava por espaços mais alternativos. Desta vez reparti melhor o meu tempo e deu para ver um pouco de tudo. Tenho que dizer que é a primeira vez que gosto mais da proposta do concelho do que das outras. Quero dar os parabéns por uma programação variada onde há espaço para muitas propostas estéticas.

Ontem na Quintana senti com os Linda Martini e Kumpania Algazarra que aquela era a minha sintonia, porque como dizia Adrião Solóvio, num dos nossos melhores bildunsroman, “ser galego, é ser universal”.

imagesMas isto não acaba ainda, amigos e amigas. Até para uma pessoa como eu, que adora rap e hip-hop, isto ainda está para começar!

Capicua, M7, Boss Ac, Bob da Rage Sense, Sam the Kid e Dealema são daqueles nomes do hip-hop que vale a pena decorarem.

Dealema é uma banda de Vila Nova de Gaia/Porto, uma área que deu ao panorama musical luso muitos artistas relacionados com este género urbano. É dos grupos mais antigos do hip-hop português, levam a “representar” desde 1996 demonstrando que também bom hip-hop pode ser feito na língua de Camões. Há 18 anos que se mantêm no ativo com a mesma formação e para quem estiver distraído esclareço que Mundo Segundo é um dos seus integrantes. MC e produtor é um dos mais antigos embaixadores do movimento. Sem abandonar a sua banda de filiação, também cria músicas a solo e colabora com outros artistas como Sam the Kid.

Amanhã, em Vite, pelas 20h chega Mundo dos Dealema para dar o seu melhor e mostrar o seu flow num entardecer de hip-hop.