6 filmes da Netflix na nossa língua

Lá por julho escrevemos um post especial com dicas da Netflix. O intuito era treinar a nossa compreensão oral noutras variedades da língua. O artigo teve muito sucesso e a empolgação trouxe novas ideias. Portanto, hoje estamos cá para falar sobre filmes.

Esta é uma recomendação de seis filmes que eu vi e gostei, porque não me atrevo a falar sobre aquilo que não visualizei. Sei que há mais opções e até podem falar-me nos comentários doutras obras que tenham visto.

Se já viram outros posts com animações minhas, sabem que há uma maneira de navegar por eles: podem expandir no botão da direita. Cada imagem tem informação adicional (+) e um trailer.

Tentei que a seleção fosse bastante variada quanto a géneros: biopics, documentários, ficção científica, romance… Infelizmente, só encontrei filmes brasileiros. Espero que, aos poucos, mais países da CPLP tenham produção na Netflix.

Quem é que faz as pipocas?

Falso amigo: pantalha

O entrudo galego tem uma variedade de manifestações incrível. É um evento cultural cheio de formas e cores ainda por descobrir para muitas pessoas.

Já falamos alguma vez das máscaras portuguesas que começam o seu ciclo no inverno e hoje quero também falar-vos de um dos entrudos mais longos do ano, o entrudo de Ginço. Esta festa começa três domingos antes da terça-feira gorda: domingo fareleiro, oleiro e corredoiro. Estas três semanas são prelúdio do que virá depois.

Em Ginço, a máscara tradicional é a pantalha, o falso amigo de que vos falo hoje. Ela é a personagem protagonista deste entrudo. Podem ver como é o seu traje nas fotografias: tem duas bexigas para fazer barulho, uns chocalhos, capa e veste umas cuecas longas dessas antigas que usavam dantes os homens.

Qual é o propósito linguístico disto? Igual que com a palavra “galheta”, quero dizer que na Galiza o termo “pantalha” já existia muito antes da chegada do cinema, a tv, os computadores e telemóveis…mas a tecnologia que entrou por via do castelhano deu outro valor a esta palavra. Acho que já sabem do que é que vos estou a falar. Assim sendo, quando tentem falar na norma internacional da nossa língua não esqueçam que temos duas formas para isto: de um lado temos a opção do português europeu Ecrã, e do outro temos a forma do português do Brasil Tela.

Falso amigo: gordo

Não sei se o título do post é o mais apropriado, normalmente começaria com uma história sobre a palavra e as confusões hilárias a que isto nos pode levar. Gordo vem do latim GURDU, e naquela altura significava grosseiro. Na passagem do latim ao romance houve mudanças e ampliação de significados. No contacto que nós temos todos os dias com o castelhano, foram perdidos muitos que hoje quero comentar. Este talvez seja um artigo mais orientado à recuperação de usos.

A palavra gordo é polissémica e, na verdade, naquelas expressões que coincidem com o espanhol e que conservamos não há qualquer problema de falsos amigos…mas pode havê-lo com outros. Prefiro fazer assim uma análise dos seus significados na nossa língua. Gordo pode ser:

  • que tem gordura ou é untuoso. Alguma coisa ou alguém que não é magro.
  • também é dito para coisas de aparência ou textura grossas.
  • chamamos também assim aos dias de Carnaval, por exemplo, terça-feira gorda..
  • popularmente é o nome do dedo polegar.

 

  • é um tipo de leite cuja percentagem de gordura é, no mínimo, de 3,5%. Podem ver o vídeo da Gentalha do Pichel, porque tem que se lhe diga.

A gordura é:

  1. a qualidade do que é gordo.
  2. termo genérico para uma classe de lípidos. Gordura animal, vegetal, saturada
  3. é a parte gorda das carnes. O unto, a banha.

Na verdade, o motivo deste post era comentar-vos que para os prémios milionários da lotaria é usada a expressão sorte grandeComo nesta canção da Ivete Sangalo.

Espero que tenham um Feliz Natal!