Danças do Douro e do Minho

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A Gentalha do Pichel e a Central Folque organizam muitas vezes jornadas em volta da dança e músicas tradicionais. Desta vez o Lusopatia informa de um Baile Assalto especial dedicado às músicas do Minho e do Douro amanhã às 22h.

Chulada da Ponte Velha chega a Compostela para fazer-nos esquecer a vergonha e mesmo para que qualquer pé de chumbo possa dançar.


<p><a href=”https://vimeo.com/120253646″>Chulada da Ponte Velha – &quot;Ramaldeira da Reguenga&quot;</a> from <a href=”https://vimeo.com/mpagdp”>MPAGDP</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

O quinteto de Santo Tirso, nas redondezas do Porto, é um projeto resultado do interesse de vários músicos em retomar as práticas musicais do Douro e do Minho, em especial as chulas dos descantes. O uso das violas tradicionais do Norte de Portugal, da rabeca chuleira e do violão ponteado caracterizam o som desta banda. Junto com eles vem também Coreto, uma associação do Porto que tem como objetivo a promoção de artes e culturas tradicionais, assim como a promoção e divulgação de artes e culturas tradicionais originárias de todo o mundo.

O bilhete custa 5 euros para não sócios/as e 4 para sócios/as. Dançamos?

Réveillon e tradições de Natal

Chega para mim um dos momentos mais esperados do ano: o Natal. Doçaria típica, prendas, ver pessoas que poucas vezes tenho oportunidade de ver no resto do ano…são essas coisas que me fazem gostar da festa. Sei que há quem não goste, mas eu adoro. Até gosto do presépio e dos Reis, sem ser eu uma pessoa religiosa, mas para mim é como uma continuação de andar a brincar com bonequinhos.

Nos outros anos já dei algumas notas culturais sobre o Natal. Neste post quero falar do réveillon e das tradições mais enraizadas de Portugal.

Vamos com o réveillon. Vou dar uma lista de “superstições” deste dia. Que coisas bizarras é que se fazem para atrair a sorte?

Há pequenas coisas que não devem deixar de fazer ao soar das 12 badaladas, segundo as tradições mais enraizadas de passagem de ano:

-Comer 12 passas e pedir correspondentes 12 desejos. Esta e a segunda que vos comento talvez seja a superstição mais conhecida.

-Subir a uma cadeira, porque é sinal de ascensão. Assim progredimos na vida.

-Brindar com champanha.brinde

-Ter uma nota no bolso ou no sapato para garantir a prosperidade económica no resto do ano.

-Fazer barulho com tampas de panelas. Assim afugentamos os espíritos maus.

-Levar roupa interior nova. Mas aqui o consenso é difícil de se encontrar, no que diz respeito à cor. Alguns defendem que deve ser azul, outros de cor vermelha. Supostamente o azul traz boa sorte, o vermelho sucesso amoroso, o amarelo garantias económicas, o branco paz, o verde saúde e o castanho melhora a carreira profissional.

-Dar um mergulho no mar. Carcavelos, Nazaré, Figueira da Foz e Matosinhos ou Vila Nova de Gaia são alguns dos locais que mantêm viva a tradição.

  • OUTRAS TRADIÇÕES que vão do Natal até ao Entrudo.

Como sabem, todas estas tradições têm uma origem pagã e estão ligadas ao solstício de inverno. Algumas delas ficaram no conceito “Natal” outras no de “Entrudo” uma vez que chegou o cristianismo.

Principalmente gosto muito destas últimas. Tenho andado nestes dias a mergulhar na net horas e horas a fio a ver vídeos e ler artigos. Todos muito interessantes. Queria, se me permitirem, monopolizar um bocado o artigo e falar da festa dos Rapazes, porque encontrei um bocado de mim, de nós, nessa celebração.

É em Trás-os-Montes que permanecem mais enraizadas as tradições ancestrais desta épica. A Festa dos Rapazes ou dos Caretos levada a cabo no Nordeste Transmontano é uma delas, com diversos desfiles de mascarados a acontecer em várias aldeias. Na verdade, eu já conhecia esta festa, mas não sabia que começava já em muitas aldeias no Natal ou Ano Novo. Gostei muito de conhecer este dado, porque alguns dos ciclos de entrudo galego mais autênticos também começam nos primeiros dias do ano.

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Como é esta festa? Em forma de “caretos”, “máscaras”, “chocalheiros” ou “mascarados”, os jovens percorrem os caminhos da terra vestindo fatos de serapilheira, máscaras de latão ou madeira e chocalhos à cintura. A sua missão neste ritual de passagem para a idade adulta passa por louvar os mortos, castigar os males sociais e purificar os habitantes. Também fazem “loas”, cantos satíricos onde denunciam os fatos mais importantes acontecidos na comunidade.

Feliz Natal e boas entradas, quer seja com anjos, quer com diabretes.

 

Lusopatia Especial Natal

azevinho

Chega uma das minhas festas preferidas do ano, o Natal.  Cada ano tenho que lidar com pessoas que dizem que não gostam. Longe da conceção religiosa a que as pessoas estão habituadas, para mim é a festa pagã maior da Europa, talvez uma das mais antigas. Adoro estas festas porque há dois elementos imprescindíveis que a conformam: comida e prendas. Como não gostar?

É certo que a crítica de que o Natal é uma festa do consumo é cada vez maior e também não desminto, mas podemos fazer uma focagem divertida, como fazem os do Gato Fedorento neste anúncio (o melhor anúncio de Natal da História)

Vamos ver agora algumas palavras à volta desta festividade:

  • ornamentação: árvore de Natal, presépio, visco, luzes de Natal ou pisca-piscas, azevinho, guirlandas…árvore
  • alimentação: bolo rei, consoada, uvas passas, aletria, rabanadas, filhoses, roupa-velha…

-Não é possível falar-se na doçaria típica da época natalícia, sem se falar do famoso Bolo Rei, com a sua forma de coroa, as suas frutas cristalizadas e frutos secos (amêndoas, nozes e pinhões), a fava e o brinde (um pequeno objeto metálico que faz função de “prémio). Para ver a receita clique aqui.

Este bolo está carregado  de simbologia, muito sinteticamente pode dizer-se que este doce representa os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao menino Jesus. A côdea (a parte exterior) simboliza o ouro; já as frutas secas e as cristalizadas representam a mirra; por fim, o incenso está representado no aroma do bolo.

-O termo consoada serve tanto para designar o banquete familiar da noite de Natal e para descrever a entrega de presentes, que é entre os dias 24-25 de dezembro.

prendaSegundo a tradição portuguesa, a consoada consiste principalmente em bacalhau cozido, seguido dos doces, como aletria, rabanadas, filhoses e outros doces. Em algumas regiões do país (principalmente no Norte), o polvo guisado com couves e batatas também consta da mesa de Natal. Em Trás-os-Montes, peru no forno, canja de galinha e assados de borrego, porco ou leitão também marcam o Natal, enquanto na Beira Alta, o cabrito é uma tradição. No Alentejo e no Algarve, o peru recheado assado são pratos que podem constar das mesas.

-No dia 25 é comum em muitas casas comer no almoço roupa velha, um prato típico feito com as sobras do bacalhau. Vejam.

  • seres mitológicos: quem traz os presentes no Natal português é o Pai Natal, no brasileiro o Papai Noel.
  • outros: embrulhar presentes, troca de presentes, amigo secreto ou amigo oculto, cartões de Natal, músicas natalinas, janeiras…

-As janeiras é uma tradição em Portugal que consiste no cantar de músicas pelas ruas por grupos de pessoas anunciando o nascimento de Jesus, desejando um feliz ano novo. Esses grupos vão de porta em porta, pedindo aos residentes as sobras das festas natalícias. Hoje em dia, essas ‘sobras’ traduzem-se muitas vezes em dinheiro.

Vejamos como o Bruno Aleixo canta janeiras…

Vamos ver agora a visão que a Porta dos Fundos tem sobre estas festas. De certeza que será irreverente…

 

 

Dia das bruxas, Pão-por-Deus e Dia de todos os Santos

aboboraSinceramente, odeio a palavra Samhain. Já disse. Que desabafo!

Não sei o motivo pelo qual ao recuperarmos uma festa nossa temos que utilizar palavras doutra língua para batizá-la. Acho uma esquizofrenia.

E depois deste meu depoimento hater, entro ao tema que queria tratar: as tradições portuguesas destes dias.

No dia 31 é festejado o dia das Bruxas. As pessoas enfeitam os lugares com abóboras e outros motivos decorativos associados ao medo e coisas assombradas. Vejam por exemplo o que vai acontecer nesta sexta-feira numa das carruagens do metro de Lisboa.

O dia 1 é propriamente o dia de Todos os Santos e os rituais funerários são os que já conhecem.

Há um outro ritual que é o do Pão-por-Deus. Em Portugal as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos bandos para pedirem o Pão-por-Deus (ou o bolinho) de porta em porta. O dia de Pão-por-Deus, ou dia de Todos os Fiéis Defuntos, era o dia em que se repartia muito pão cozido pelos pobres antigamente.

É também costume nalgumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Já pedir o “santorinho”, que começava nos últimos dias do mês de outubro, era o nome que se dava à tradição em que crianças sozinhas, ou em grupo, de saco na mão iam de porta em porta para ganharem doces.

Deixo-vos cá a receita do bolo Santoro, por se quiserem fazê-la em casa.

O peditório do Pão-por-Deus não é outro que o antigo costume que se tinha de oferecer pão, bolos vinho e outros alimentos aos defuntos. Ainda em muitas casas da Galiza há pratos vazios nas mesas para quem morreu nesse ano. O Pão-por-Deus também era um ritual nosso e recebia o nome de “migalho”.

No dia 2 de novembro é o dia dos Fiéis Defuntos. Dedicava-se este dia à oração por quem tinha morrido nesse ano na família.

Há tempo que penso no tratamento estranho que damos à morte e em como aos poucos esquecemos o convívio que na nossa sociedade mais tradicional havia com ela. Se ainda não viram o documentário Em companhia da morte, estão na hora. Várias mulheres raianas contam histórias de espíritos, sinais da morte e aparições. Redescubram a Galiza perdida nestas vozes e testemunhos vivos. Vale a pena.

Lenços de Namorados: namorar com, apaixonar-se por

Em época de corações palpitantes mostramos uma genuína tradição portuguesa minhota. Estes lenços são delicadas peças, entre-tecidas em algodão e linho, que serviram outrora para bordar cenas de amor e símbolos reveladores de almas apaixonadas.
Eram confecionados pelas jovens de antigamente quando queriam dar a conhecer o seu amor. Estas raparigas pertenciam maioritariamente ao povo, não tendo por isso acesso à escolaridade, daí os erros ortográficos. Erros que são facilmente perdoáveis dada a beleza destas pequenas obras de arte.
Se tiverem tempo e vontade de surpreender, podem fazê-los em casa, só deem uma vista de olhos aqui.

No dia oficial do romantismo, queremos hoje comentar estes verbos, porque por vezes podem causar problemas, não ortográficos como no caso dos lenços, mas de interpretação.

-Namorar: é sinónimo de seduzir, encantar, mas usado com a preposição “com” indica relacionamento, andar de namoro com alguém. “Há anos que namoro com ele”, esta frase quer dizer que há anos que uma pessoa e outra são namorados.
Pode ser interpretado também como o ato de manifestar fisicamente o amor “É proibido namorar dentro de qualquer dependência da empresa”. Reparem em que nesta canção “namorar” é relacionado com “beijar de língua”.

-Apaixonar-se: é enamorar-se, sentir amor por alguém. Usamos este verbo sempre com a preposição “por”. “O Romeu apaixonou-se pela Julieta”.

Amores há muitos e formas de amar também, nós os lusópatas amamos Deolinda. E vocês? poderiam amar um tocador de tuba?

Se o amor é fon-fon-fon-fon…que se lixe o romantismo.

Sexta-feira 13


Hoje, sexta-feira 13 é um dia “folcloricamente” especial. Nos países de fala portuguesa é tradicionalmente o dia da má sorte.
A crença popular cristã professa que quando um dia 13 sucede numa sexta-feira, é dia de grande azar.
Uma das explicações que se ouvem é o facto de Jesus Cristo ter sido crucificado numa sexta-feira e, na sua última ceia, haver 13 pessoas à mesa: ele e os 12 apóstolos. O 13º apóstolo acha-se que é Judas, aquele em quem o Diabo entrou e que traiu Jesus. Por isso, comer numa mesa com 13 pessoas, (como sucedeu na última ceia), ou uma sexta-feira 13, são eventos e datas que a superstição diz que trazem azar.

Vamos falar mais em superstições portuguesas.
Uma muito conhecida é com gatos pretos. Na Idade Média, acreditava-se que os gatos eram bruxas transformadas em animais. Por isso a tradição diz que cruzar com gato preto é azar na certa.

Com as partes do corpo também existem certos rituais. Se a sua orelha esquentar de repente, é porque alguém está a falar mal de você. Nesses casos, tem de dizer o nome dos suspeitos até a orelha parar de arder.

Outro exemplo é pôr a mão diante da boca ao bocejar. O gesto atual de cobrir a boca quando bocejamos não obedece simplesmente à intenção de educação de esconder a arcada dentária ou ainda o desejo de não espalhar os germes, senão que tem um significado mais profundo. É para impedir que o diabo se introduzisse no corpo e estabelecesse nele a sua morada.

E com as grávidas? Se a barriga de grávida for redonda, é sinal que o bebé nascerá menina; se não for redonda, o bebé será menino.

Com certeza, sabem destas superstições com objetos:
Escada – nunca devemos passar por debaixo de uma escada. É mal sinal na certa! Pensa-se que a porta ao inferno é um triângulo, quando uma escada está encostada numa parede, faz esta forma.

Guarda-chuva
– abrir um dentro de casa traz desgraça. A origem deste temor vem da época em que os reis orientais e africanos usavam sombrinhas para proteger-se dos raios solares. Devido à sua conexão com o astro rei e porque também a sua forma simboliza o disco solar, abri-lo num lugar sombreado, fora dos domínios do Sol, era considerado um sacrilégio.

Espelho – partir um dá 7 anos de azar! É provável, no entanto, que esta crendice obedeça à ideia de que o nosso reflexo é outra versão do original e, se causamos defeitos no espelho, causamos-nos dano a nós próprios. Assim, quebrar o espelho é fazer o mesmo com a alma.

Nós no Lusopatia não somos supersticiosos, mas…vamos bater na madeira! cruzes canhoto!