Culturgal 2018

Começa um fim de semana cheio de novidades culturais e Ponte Vedra será o centro nevrálgico de todas elas. Assim como novembro é o mês do Cineuropa, dezembro é o mês da Culturgal. E vocês sabem disso.

Visto o programa, fiz o meu crivo particular para as atividades, mas não esqueçam que há sempre bancas interessantes:

-A Semente Trasancos está ainda em angariação de fundos e precisa muito de nós.

-A livraria portuguesa Tragamundos e a nossa Através Editora também marcarão presença.

-A novinha em folha Rede de Galilusofonia vai lá estar e tem muito para dizer.

Comecemos então a falar de coisas para marcarem na agenda.

Amanhã sábadoàs 17h no Espaço Livro podem ir à apresentação dos novos títulos da coleção de ensaio Alicerces da Através Editora.

Esta vai ser uma feira intensa para mim, porque todas as coisas são melhores com amigos e amigas…e os meus estão de parabéns. Que fortuna ter tanto talento à minha volta e pessoas generosas que decidem partilhá-lo.


Estes são os volumes 3 e 4 da coleção e tocam-me na alma porque tenho pessoas muito queridas a participarem em ambos. Se nos anteriores títulos tínhamos os temas da eutanásia e do corpo na dramaturgia, nestes novos poderemos achegar-nos à arte com novos modos de olhar graças ao título de Natália Poncela Nem tudo e arte? e também ao, sempre necessário, tema das Novas masculinidades, o título de Jorge García Marín. Os dois livros contam com prólogos escritos por pessoas do país vizinho: Teresa Torres de Eça, Luísa Monteiro e Marco Gonçalves, vultos nos âmbitos da psiquiatria, filosofia, arte e literatura em Portugal.

Amanhã poderemos meter conversa com a Natália Poncela, Jorge García, autores, e Teresa Pilhado, co-diretora da Através.

Já no domingo temos outro encontro marcado com a prosa de ficção.

O Grande Prémio de Romance e Novela APE/ILB foi ganho neste ano pelo escritor Hélder Gomes Cancela com o livro As pessoas do drama.

Poderemos ouvir o narrador falar sobre as linhas argumentais do seu livro no  Espaço Livro às 11h.  A sua obra, pelo que vi na net, faz uma ”leitura crítica da História e da Cultura europeia na sua relação com a cultura árabe, através de uma temática poderosa (a culpa, a impunidade, o drama, o olhar, o incesto, a tensão e a violência familiares) e de uma revisitação de personagens e de mitos do nosso património cultural ocidental”

Este volume foi também lido no grupo de leitura de autores lusófonos deste ano do Centro Cultural Camões de Vigo.

Eu não sei se vocês conferiram na previsão meteorológica deste fim de semana. Se estiverem tristes porque não podem fazer atividades outdoor, pensem que a Culturgal tem aquecimento, teto, iguarias, bons livros e pessoas fofas. Que disparate. Ainda havendo um dia soalheiro, esta é e tem de ser a nossa melhor opção sempre, porque é aquela que espalha amor por nós próprios e próprias.

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Cantos na Maré 2018

Há tempo que não falamos do Festival Cantos na Maré e não foi por nós não querermos. O evento esteve uns anos em pausa, mas este ano voltou em grande, com um formato de quatro dias e vários cenários.
Estive uns dias muito em baixo porque sabia que não poderia ir e ontem, coisas do destino, por uma mudança de planos inesperada, a vida abriu-me uma porta. Finalmente irei ao festival! E este é o meu ano porque no cartaz estão duas das minhas rappers mais queridas. Estou em pulgas!

Comento então o programa:

QUINTA 11

CENÁRIO ULTRAMARÉ. Auditório – 20.30H – Concerto Inaugural de Teresa Salgueiro (Portugal).

Penso que não faz falta nem dizer quem ela é. Ainda há pouco tivemos a oportunidade de vê-la no ciclo Nexos. Quem melhor que a cantora dos Madredeus para abrir este festival?

SEXTA 12

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Vudu (Galiza)
  • CÉNARIO ULTRAMARÉ: Auditório – 20.30H -Cesária Évora Orchestra com Lura, Lucibella e Elida Almeida (Cabo Verde)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : Auditório – 22.00H – Capicua com Wöyza e Eva RapDiva (Portugal, Angola, Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ :23.30H – GARCÍA MC “Nación Quilombo” com Alejandro Vargas (Galiza)

Este é o meu dia, porque como sabem, eu amo rap. Mas antes disso, queria falar-vos de Lura, porque é uma dessas artistas, junto com a Cesária Évora, com a qual aprendi muitas coisas culturais de Cabo Verde.  Na Ri Na é uma dessas canções que sempre me animam.

Capicua e Eva RapDiva não faltam na minha lista de Spotify. Conheço a Capicua desde o seu primeiro cd e graças à canção “Feias, porcas e más”, uma declaração de intenções feminista, conheci também a Eva RapDiva. Enfim, toda a gente sabe do meu amor por elas. Da rapper do Porto falei-vos inúmeras vezes, mas a Eva RapDiva não se tinha deixado ver pela Galiza ainda. Bem-vinda, Eva! rainha nzinga do rap!

Estava na hora de o festival se abrir a novos ritmos, mais urbanos e mais ligados à realidade da juventude. Vi por aí que ainda há um grupo de kuduro no programa. Isto vai dar barraca!

SÁBADO 13

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Os Meninos (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -20.30H Selma Uamusse (Moçambique)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -21.45H – Chico César (Brasil)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : AUDITÓRIO – 23.15H – Mercedes Peón (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO – 00.30H – Throes + The Shine (Portugal e Angola)

No sábado há grandes forças vivas: o brasileiro Chico César e a galega Mercedes Peón. A moçambicana Selma Uamusse já tinha vindo a Compostela no ano passado pelas festas. E os Throes and The Shine vieram ao Womex, naquela superedição quase lusófona de 2016. Estejam prontos para dançar, porque o kuduro vai chegar! Até que enfim! quero mais kuduro na Galiza em todas as pistas de danças.

DOMINGO 14

  • CENÁRIO ULTRAMARÉ. AUDITÓRIO – 20.30H – Concerto de fecho.
  • CANTARES DE ÉVORA, KEPA JUNKERA E UXÍA apresentam ATH-THURDÂ em CANTOS NA MARÉ.

A madrinha do evento, Uxia, fechará a festa com um concerto com o Kepa, apresentando Ath Thurdâ.

Já compraram o bilhete? estão à espera do quê?

PS. comentam-me que por motivos meteorológicos todas as atividades que iam ser fora, serão no auditório.

Sofia Maul e Susana Cecílio no 7 Falares

A narração oral terá como capital a cidade de Ponte Vedra os dias 7, 8, 9 e 10 de junho. Com a chegada da primavera somos muitos os e as lusopatas que esperamos este evento com incontida emoção.

O poder cativante das estórias é um íman para mim. Sempre gostei de ouvir a minha avó contar-me contos cada noite, alguns deles para me fazer adormecer, outros para me inculcar certas ideias religiosas…mas ela era uma rainha da narração. Suponho que teria gostado muito deste tipo de espetáculos.

Este ano o programa do 7 falares conta com a participação de países como os Camarões, Portugal e Espanha. Na parte galega temos o nosso Quico Cadaval e os Pavís Pavós a fazerem de anfitriões. Na parte lusa temos a contadora Sofia Maul, já conhecida por nós pelas suas participações no Festival Atlântica, e a Susana Celício, um nome novo entre as nossas linhas.

Sofia Maul, para quem não se recordar, é uma madeirense, terapeuta da fala, muito ligada aos projetos de narração oral Biblioteca Municipal de Oeiras, onde faz parte da sua “bolsa de contadores” e também ministra workshops.

Susana Cecílio é dessas pessoas que até parece que tem bicho- carpinteiro. Nunca para! Atriz, encenadora, contadora e palhaça nasceu em Lisboa no ano 1979 e é mestre em Estudos do Teatro pela FLUL. Vai ser a sua primeira colaboração na Galiza.

Então agora com estas informações todas façam o seu esqueminha de eventos do mês…que ainda restam muitas notícias culturais por dar!


					

Cantos na Maré 2017

programa-completo

Chega um dos eventos mais importantes do nosso calendário: o Cantos na Maré. Este ano a edição vai ser, por assim dizer, uma homenagem e um reencontro com a África lusófona, depois de em 2016 termos perdido um dos grandes vultos da nossa cultura: Narf.

Cada vez que no Lusopatia aparecia o tag “Guiné”, confessemos, era por causa dele. O Narf era desses músicos com alma que foi capaz de fazer-nos ver que lá no fundo no fundo…a origem de todas as coisas é o continente africano. E assim chegaram a este blogue nomes como o de Manecas Costa, por exemplo.

Este vai ser um festival em grande. Amanhã começam uma série de atividades complementares que irão decorrer entre Compostela e Ponte Vedra:

  • dia 12: conversa e cantos com Manecas Costa (Guiné Bissau) na Casa das Crechas em Compostela às 22h30 (5 euros)
  • dia 13: oficina musical para escolares sobre cantos tradicionais brasileiros com Kátya Teixeira (Brasil) no Paço da Cultura de Ponte Vedra às 11h.
  • dia 13 também: Colóquio: O semba, matriz cultural de Angola com Paulo Flores (Angola) na livraria Paz em Ponte Vedra às 20h.
  • dia 14: oficina de canto alentejano com Celina da Piedade (Portugal) no Gramola em Ponte Vedra às 13h.

Como já falei das atividades…não sei se hei de falar do cartaz do sábado. Acho que conseguem adivinhar quem vai estar.

Com efeito: Manecas Costa, Paulo Flores, Kátya Teixeira, Celina da Piedade, as nossas Guadi Galego e Uxia e o músico espanhol Santiago Auserón. Todas estas pessoas atuaram na Galiza e temos por cá no blogue notícias suas que cheguem, é por isso que não vos quero aborrecer e vou apenas colocar uma canção, se me permitirem, do Narf com o Manecas, porque acho que é quase um dever.

Onde quer que estiveres…alô irmão “Narife”

A vingança de uma mulher

408489Rita Azevedo Gomes chega ao grande ecrã de Ponte Vedra. O cineclube projetará amanhã no Teatro Principal da cidade A vingança de uma mulher. Se recordarem, a Rita Azevedo Gomes veio neste verão a Compostela e falei um bocado dela num artigo e da aula magistral que deu na sala Numax.

Agora poderemos ter uma segunda chance de ver o filme e saber da história do dándi Roberto, que encontra numa noite lisboeta uma das mulheres mais ricas de Espanha. Será o fim de uma vida aborrecida?

Jorge Serafim no Sete Falares

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Volta um dos eventos mais esperados do mês de junho: Sete Falares. Para quem não souber, Sete Falares é um festival internacional de narração oral que enche de estórias vários espaços da cidade do Teucro. Este encontro conta já com uma longa tradição, vai pela quinta edição.

Sete Falares é um festival que está sempre entre as nossas linhas porque é habitual que apareça no programa algum representante do mundo lusófono. Esta é a vez do Jorge Serafim. Conhecemo-lo por ter contado antes no Festival Atlântica há uns anos.jorge-serafim

Jorge Serafim é uma cara conhecida do stand up comedy português. Colabora em programas da RTP e da SIC e é autor de vários livros. A maneira que ele tem de improvisar, usar o humor, tecer estórias é um espetáculo em si mesmo. Por favor, não percam a oportunidade de ouvi-lo.

No dia 5, às 17h30, no Centro de Interpretação das Torres Arcebispais, em Ponte Vedra.

As Canções de Eduardo Coutinho

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E chega esse momento em que a rádio passa aquela música que nos emociona, que nos faz lembrar alguma acontecimento das nossas vidas. Sabem do que vos estou a falar?
A música tem aquele poder evocador e Eduardo Coutinho, cineasta brasileiro era ciente disso.

O realizador tinha como marca realizar filmes que privilegiavam as histórias de pessoas comuns. A sua obra-prima é Cabra Marcado para Morrer, que marcou sua carreira como o principal documentarista do Brasil. Entre outros trabalhos destacados de sua carreira estão os documentários Santo Forte, Edifício Master, Peões, Jogo de Cena e As Canções.

Sou uma pessoa colecionadora e uma das coleções mais lindas que eu já fiz é uma que tenho no Spotify: 134 canções que têm no título a palavra “Olhos”, seja na língua que for. Quando vi o argumento do filme As canções não fiz senão ficar maravilhada. 18 pessoas entram em diálogo artístico com uma câmara de cinema e cantam a banda sonora das suas vidas comentando os vínculos entre elas e essas músicas. Lindo, né?

Hoje, em Ponte Vedra no Teatro Principal, pelas 20h.

Cantos na maré 2016

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Aquelas pessoas apaixonadas pela música lusófona, por favor, não façam planos para o dia 16 do corrente mês.
O Festival Cantos na Maré volta depois de um hiatus de quase mais de um ano. O esquema é parecido com os anteriores, direção artística de Uxía Senlle e direção musical de Paulo Borges. O lugar? Ponte Vedra.

Mudam é as vontades, que têm crescido depois da ausência neste intervalo e os artistas do cartaz, obviamente.

  • Alceu Valença foi o último artista em ser confirmado. Pernambucano influenciado pelos maracatus e repentes de viola, faz fusão disto tudo com guitarra elétrica, baixo e sintetizador. Se Zucchero fosse brasileiro, seria Alceu Valença.

  • Jorge Palma é um dos pais do rock português, daqueles que fazem ora rock transgressor, ora baladas que tocam o coração. Dylan, Lou Reed ou Led Zeppelin são as suas influências. “Encosta-te a mim” é quase um hino em Portugal. Simplesmente uma lenda.

Deixo-vos este vídeo onde aparecem os melhores artistas portugueses. Vamos lá ver se reconhecem algum/alguma.

  • Karyna Gomes é guineense, como Manecas Costa e Eneida Marta. Volto a nomear estes dois artistas, porque infelizmente chegam poucos músicos da Guiné à Galiza. Esperemos que agora com a Karyna esta tendência esteja mais consolidada.

Filha de ex-combatentes, os seus olhos viram vários conflitos armados. Iniciou a sua carreira musical longe da sua terra natal, no Brasil, em coros de gospel.

Karyna faz música urbana em crioulo guineense, mesmo que não haja instrumentos ocidentais nas faixas, aquilo é música de cidade.

  • Thaïs Morell é a voz feminina brasileira do festival. Compositora e multi-instrumentista vem com um leque de sons tipicamente brasileiros. Esta cantora emergente é uma rajada de ar fresco.

  • Uxía e Narf são os representantes das nossas latitudes. Não precisam apresentação. Deixo-vos com Baladas da Galiza Imaginária, com a esperança de um dia vê-la virar realidade. Espero-vos em Ponte Vedra.

Volta à terra

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A produtora portuguesa o Som e a Fúria é…altamente. Nos últimos tempos muitos dos seus produtos culturais têm preenchido horas de lazer em terras galegas. Já tivemos muita música, agora é a vez do audiovisual.

Amanhã, em Ponte Vedra, no Teatro Principal às 18h poderemos ver o longa Volta à Terra de João Pedro Plácido. O visionado faz parte da programação do Festival Novos Cinemas, que tem como objetivo dar visibilidade aos novos talentos emergentes.

O lisboeta João Pedro Plácido começou a realizar videoclipes com 19 anos e desde essa nunca largou o panorama audiovisual, quer seja como assistente de imagem, quer seja como diretor de fotografia. Volta à Terra é o primeiro filme dele.

Volta à Terra conta a história de uma comunidade em extinção: camponeses que praticam agricultura de subsistência numa aldeia das montanhas do norte de Portugal, esvaziada pela imigração.
Entre a evocação do passado e um futuro incerto, seguimos os 49 habitantes da Uz pelas quatro estações do ano.
Entre os habitantes encontramos António, antigo emigrante que realizou o sonho de regressar ao país e prepara a festa da aldeia para o verão, e Daniel, jovem pastor que sonha com o amor ao anoitecer.

Ondjaki e Pedro Guilherme Moreira no Culturgal 2015

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Ponte Vedra é boa vila e dá de beber cultura a quem por lá passar. Nas nossas agendas temos marcado novembro como o mês da cultura galega e lá está a feira Culturgal para fazer disso uma realidade. Vejam só o programa.
Este ano o Culturgal tem também programação para eu criar artigo no blogue. Na verdade, cada ano tenho mais coisas para escrever e isso é sempre a melhor das notícias. Só tenho saudades do Cantos na Maré, que era a cereja no bolo desta feira cada ano. O que foi feito dele?
Graças à livraria Ciranda e a Através Editora poderemos ter na Galiza de novo o Pedro Guilherme Moreira, que recentemente ocupou umas linhas neste blogue, e o Ondjaki, já por todos os nossos leitores e leitoras conhecido.

No sábado, às 16h15, o escritor “angolego” apresenta nesta feira o livro publicado na Através, Os modos do mármore + 3 poemas. Este é o quinto livro de poesia para o escritor, mas o primeiro editado com uma editora galega. Bem haja para este convívio.

E entre as 17h e as 18h podem estar à conversa com os dois autores na banca da Ciranda e aproveitar para levar um exemplar autografado.