Vai ou Vá?

vaiOs verbos IR e VIR são desses que não são muito fáceis de assimilar. Só com a prática e com o tempo é que chegamos a conjugar bem porque são muito irregulares.

Hoje vou falar-vos do verbo IR no Presente de Indicativo e Conjuntivo.

Cada vez que explico o verbo IR no Presente de Indicativo, parece não haver dúvidas. É só memorizarmos dois pormenores ortográficos e parece que chega. A dificuldade vem quando aprendemos o Conjuntivo. Aí parece que não há suficiente espaço no nosso disco rígido para os dois e chegam as confusões.

Vou colocar os dois paradigmas:

PRESENTE DO INDICATIVO
EU VOU
TU VAIS
ELE/A VAI
NÓS VAMOS
VOCÊS, ELES/AS VÃO

 

PRESENTE DO CONJUNTIVO

EU VÁ
TU VÁS
ELE/A VÁ
NÓS VAMOS
VOCÊS, ELES/AS VÃO

 

O Indicativo e Conjuntivo são quase idênticos para este verbo e temos que aprender que estruturas vão pedir cada forma.

  • O modo indicativo é o modo da realidade, apresenta a ação verbal como um facto, no plano da certeza e da verdade.

Eu vou a pé todos os dias ao trabalho, mas ela vai de carro.

  • O modo conjuntivo é o modo semanticamente oposto ao indicativo. É o modo da irrealidade, do não realizado, da incerteza, da possibilidade, da dúvida, da suposição, da condição, do desejo. Que conetores vão pedir este modo obrigatoriamente?
    • Há quem…: há quem vá ao estrangeiro para aprender inglês, mas eu prefiro aprender cá.
    • Embora/Ainda que/Se bem que: embora vá à piscina, ainda não sabe nadar.
    • Talvez: talvez eu vá amanhã à festa.
    • Oxalá: oxalá eu vá de férias ao Brasil.
    • Caso: caso ele vá a Roma, não ficará na casa do Paolo.
    • Para que: para que ela vá à universidade, temos sacrificado muitas coisas.
    • Desde que: o chefe faz qualquer coisa, desde que o António vá fazer o curso de vitivinicultura.
    • Mesmo que: mesmo que você  vá ao ginásio todos os dias, tem de cuidar também a dieta.
    • Por mais que: por mais que ela vá a aulas de alemão, não consegue comunicar bem.
    • O que quer que/Onde quer que/Quem quer que: onde quer que você vá, sempre encontra problemas.

E agora…não vão embora. Fiquem!

 

Quando nem tudo o que parece é pronome: fos-te*, disse-mos*, fize-se*….

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Vou armar-me em guerreira das palavras e levar a gramática como brasão qual cruzada medieval.
Há uns meses comecei a seguir no Facebook a página Na Idade Média é que era bom e encontrei esta imagem que ilustra o post. Houve guerras que começaram por uma maçã, por que não havia de haver uma guerra por hífenes?
Queria escrever há tempo estas linhas, mas não sabia como começar e, continuando o tom medieval, qual seria o elixir que ajudasse a apagar este erro.
Primeiro quero reportar o erro, porque até não é fácil de explicar.
Como sabem, a posição mais habitual do pronome átono em galego-português é depois do verbo, se não houver uma negação ou outros elementos que o atraiam. Assim sendo, na frase “-desligaste as luzes? -desliguei-as” esse AS é uma palavra que nos lembra que estamos a falar de luzes, é um pronome e vai ligado ao verbo por um hífen. Até aqui, tudo bem.

O problema vem quando alguns dos morfemas verbais têm o mesmo aspeto que os pronomes TE, MOS (me+os) e SE, porque então podemos fazer uma má segmentação e colocar um hífen onde não é preciso, tal como aparece na imagem que coloquei.

Vou dar exemplos ao contrário, que marcarei com *:

-Se fize-se um curso de alemão na Alemanha, a minha pronúncia seria melhor*

-Quando come-mos caldo verde, a avó sempre quer mais*

-Fos-te ao concerto de ontem?*

Deveríamos em todos estes casos ter escrito: fizesse, comemos e foste. Explico o porquê. Se estivermos em dúvidas de se aquilo é um pronome ou não, podemos fazer várias provas:

  1. substitui algum elemento anteriormente referido? Se a resposta for Não, então o hífen está a mais.
  2. se colocarmos uma negação (se não fizesse, quando não comemos, não foste…) a posição desse elemento continua inalterada? se a resposta for afirmativa, o hífen também deve desaparecer.

Bebamos o elixir e descansemos no alto da torre.

Colocação dos pronomes II: mesóclise

mesoclise modifiedÉ pouco intuitivo e por isso custa aprendê-lo. Acontece só na língua escrita e é então um fenómeno que parece que tem rasteira e que nos atraiçoa. Temos mesmo que estar de olho, é assim.

Há tempo que na Galiza não sabemos o que é isso da Mesóclise. O livro do Valentim R. Fagim, assinala uma mesóclise em Rosalia de Castro: cantar-te-ei, Galiza. Piscaram já qual é o fenómeno gramatical?

Vimos com anterioridade um post sobre a colocação do pronome e disse, na altura, que não dava a explicação por fechada. A mesóclise é a colocação do pronome no meio do verbo: entre a raiz e a desinência.

Esta classe de palavra tem vida própria em português e pode ir antes, no meio e depois do verbo. Há pessoas nesta vida que viajaram bem menos. O pronome é assim, não tem força por ele próprio e tem que roubar energia de outras palavras. Vampiriza-as.

Esta estrutura forma parte sobretudo da língua escrita e só é aplicada em dois tempos verbais: Futuro de Indicativo e Condicional.
Farei a tarefa> fá-la-ei (Futuro de Indicativo)
Faria a tarefa> fá-la-ia (Condicional)

As normas com a Mesóclise são as mesmas que vimos no artigo da Colocação do Pronome. Portanto, se houver uma negação ou qualquer outra estrutura que impedir, não faremos a mesóclise: não farei a tarefa; não faria a tarefa.

Assim sendo, se quisermos substituir “a tarefa” por um pronome, a conjugação verbal ficaria assim nos dois casos:
Futuro: Eu farei a tarefa (substituímos a palavra “tarefa” por um pronome)
Condicional: Eu faria a tarefa (ídem)

FUTURO

eu fá-la-ei
tu fá-la-ás
ele/ela/você fá-la-á
nós fá-la-emos
eles/elas/vocês fá-la-ão

CONDICIONAL

eu fá-la-ia
tu fá-la-ias
ele/ela/você fá-la-ia
nós fá-la-íamos
eles/elas/vocês fá-la-iam

Isto seria assim com qualquer forma verbal, só mudaria a forma do pronome, obviamente (farei o exercicío> fá-lo-ei; farás as encomendas> fá-las-ás).
De um lado e outro do hífen, cada palavra segue as normas de acentuação independentemente: fá-lo-á; dar-se-ão…

E recordem também que os verbos Fazer, Dizer e Trazer têm raízes especiais no Futuro e no Condicional: Far-, Dir-, Trar-.

Contudo, estas são formas próprias (e obrigatórias) da língua escrita e de um registo elevado. Na oralidade mais quotidiana, os tempos verbais de Futuro ou Condicional são evitados. Costumamos dizer Vou fazer, eu Ia fazer, Vamos viajar, Íamos viajar…
Mesmo assim, não está correto dizer: *farei-no, *faria-o…Escrevemos fá-lo-ei e fá-lo-ia, e no dia da dia dizemos Vou fazê-lo e Ia fazê-lo.

Vamos com esta música d’Os golpes, que hoje estou muito indie:

Verbos: Presente de Indicativo

Temos ultimamente falado muito em pronúncia e vocabulário, mas…é a gramática? Para não dar muitos pontapés nela agora vamos explicar o verbo no Presente de Indicativo.
O verbo é o ovo de toda omelete, um elemento muito importante para comunicar e construir frases. Se sabemos conjugar, ganhamos fluência e a comunicação torna-se mais rápida.
Para quem não souber, nesta lição vamos dar umas dicas importantes e materiais de ajuda.
Neste vídeo (muito inspirado no lowcostismo, já agora) podem ver a conjugação dos verbos regulares, isto é, esses que mantêm a raiz inalterável ao longo da conjugação. Têm os modelos “falar”, “escrever” e “abrir” com música de samba.

Os verbos irregulares são aqueles que alteram a raiz ao longo da conjugação.
Podemos estudá-los neste vídeo e na ligação de mais abaixo.
No material que está aqui ao pé a explicação é dada pelo professor brasileiro Fábio Alves. Fala-se da conjugação dos verbos “ter” e “vir” e também a acentuação diferencial, quer dizer, quando é que devemos colocar o acento circunflexo. Nele há exercícios que podem fazer em casa. Treinem!

Nesta ligação podem ver o paradigma inteiro dos verbos irregulares, se calhar a parte mais difícil de decorar.
http://portugues.naat.pl/?p=89

Se tiverem dúvidas, podem ainda consultar como se conjuga um verbo qualquer no site da Conjuga-me, um referente no mundo dos recursos linguísticos para a aprendizagem. É só colocar o infinitivo! Força!