Nós, Teatro de surdos do Porto

noc2a6ucc88s_cartaz_web1O teatro de criação coletiva, que esteve tanto na moda na década de 70, parece que volta e talvez volte por necessidade. São tempos complicados e somar, mesmo que sejam ideias, é sempre uma ajuda. De muitas sinergias nascem peças de teatro como esta.

Nós é fruto da soma muitas vontades e esforços. Até achei engraçado o nome porque a geração Nós na Galiza foi batizada com o mesmo nome pelo espírito de coletividade que imperava entre os intelectuais na altura. Nós é uma peça de teatro coletivo inspirada na obra de Valter Hugo Mãe A Máquina de Fazer Espanhóis. Parece mesmo que as narrações deste autor dão jeito para o teatro, porque já demos notícia doutras criações assim antes.

A companhia que leva a palco as cenas é o Grupo de teatro de surdos do Porto, que já tem adaptado outros textos, conforme nos contam no blogue Cultura Surda. A peça será encenada, portanto, em duas línguas: português e LGP (língua gestual portuguesa).

Achei uma oportunidade ótima para conhecermos novas realidades que muitas vezes estão à nossa volta e nem damos por isso. Então tomem nota disto: dias 8 e 9 de maio às 20h30, no Salón Teatro em Compostela.

 

 

O amor dos infelizes

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E vem aí janeiro com as forças renovadas e propostas teatrais do outro lado do Minho.

Teatro Bruto do Porto chega novamente à Galiza para levar a palco O amor dos infelizes. A peça é baseada no segundo capítulo da obra de Valter Hugo Mãe, Filho de mil homens. Não é a primeira vez que a companhia e o autor de A Máquina de fazer espanhóis colaboram, de facto, é habitual fazerem criações conjuntas em residências artísticas.

Desta feita, Margarida Gonçalves introduz como novidade para encenar esta peça a figura de uma anã que explora territórios. Ela é expectadora de si própria. Está na história sem estar, a cavalo entre um narrador e uma personagem.

Vendo esta obra podemos meter-nos nos sapatos de uma pessoa com 80cms de altura, vista pelo resto do mundo por vezes como uma criança que nunca cresceu. A sua existência limita-se, aos olhos dos outros, à sua deformidade, à sua monstruosidade, à intransponibilidade daquele corpo. Vive das sobras das pessoas grandes, do amor possível – o amor dos infelizes.

Quinta-feira, dia 22, às 20h30 no Salón Teatro.