Colocação dos pronomes II: mesóclise

mesoclise modifiedÉ pouco intuitivo e por isso custa aprendê-lo. Acontece só na língua escrita e é então um fenómeno que parece que tem rasteira e que nos atraiçoa. Temos mesmo que estar de olho, é assim.

Há tempo que na Galiza não sabemos o que é isso da Mesóclise. O livro do Valentim R. Fagim, assinala uma mesóclise em Rosalia de Castro: cantar-te-ei, Galiza. Piscaram já qual é o fenómeno gramatical?

Vimos com anterioridade um post sobre a colocação do pronome e disse, na altura, que não dava a explicação por fechada. A mesóclise é a colocação do pronome no meio do verbo: entre a raiz e a desinência.

Esta classe de palavra tem vida própria em português e pode ir antes, no meio e depois do verbo. Há pessoas nesta vida que viajaram bem menos. O pronome é assim, não tem força por ele próprio e tem que roubar energia de outras palavras. Vampiriza-as.

Esta estrutura forma parte sobretudo da língua escrita e só é aplicada em dois tempos verbais: Futuro de Indicativo e Condicional.
Farei a tarefa> fá-la-ei (Futuro de Indicativo)
Faria a tarefa> fá-la-ia (Condicional)

As normas com a Mesóclise são as mesmas que vimos no artigo da Colocação do Pronome. Portanto, se houver uma negação ou qualquer outra estrutura que impedir, não faremos a mesóclise: não farei a tarefa; não faria a tarefa.

Assim sendo, se quisermos substituir “a tarefa” por um pronome, a conjugação verbal ficaria assim nos dois casos:
Futuro: Eu farei a tarefa (substituímos a palavra “tarefa” por um pronome)
Condicional: Eu faria a tarefa (ídem)

FUTURO

eu fá-la-ei
tu fá-la-ás
ele/ela/você fá-la-á
nós fá-la-emos
eles/elas/vocês fá-la-ão

CONDICIONAL

eu fá-la-ia
tu fá-la-ias
ele/ela/você fá-la-ia
nós fá-la-íamos
eles/elas/vocês fá-la-iam

Isto seria assim com qualquer forma verbal, só mudaria a forma do pronome, obviamente (farei o exercicío> fá-lo-ei; farás as encomendas> fá-las-ás).
De um lado e outro do hífen, cada palavra segue as normas de acentuação independentemente: fá-lo-á; dar-se-ão…

E recordem também que os verbos Fazer, Dizer e Trazer têm raízes especiais no Futuro e no Condicional: Far-, Dir-, Trar-.

Contudo, estas são formas próprias (e obrigatórias) da língua escrita e de um registo elevado. Na oralidade mais quotidiana, os tempos verbais de Futuro ou Condicional são evitados. Costumamos dizer Vou fazer, eu Ia fazer, Vamos viajar, Íamos viajar…
Mesmo assim, não está correto dizer: *farei-no, *faria-o…Escrevemos fá-lo-ei e fá-lo-ia, e no dia da dia dizemos Vou fazê-lo e Ia fazê-lo.

Vamos com esta música d’Os golpes, que hoje estou muito indie:

Recebemos 2015 na hora certa com Luar

XXa-DmyXuS2XPVLZ6ijTZ5E8_Há meses que a RTP e a TVG participaram conjuntamente num programa gravado em Ourense e parece que aquilo soube a pouco e querem repetir. A notícia que demos sobre o festival Womex (tão lusófono) foi das mais lidas neste blogue e além disso, hoje vim a saber que a Companhia Nacional de Teatro vai encenar Saxo Tenor de Roberto Vidal Bolaño. Eu diria que são coisas positivas, não é?
Num ano em que estamos alertados com os números da língua (e outros números, porque os tostões sempre importam) quero lançar uma mensagem positiva. Talvez exista uma possibilidade de uma recondução ou em palavras do Valentim Fagim “um new deal para o galego“.

Há uns dias esbarrei com um artigo do Miguel Penas em que falava de “35 anos de reintegracionismo, como nos foi?“, ele imaginava um mundo em paralelo onde a ortografia do galego fosse outra e o que teria acontecido. Falava do Luar e, por vezes, parece que todas as coisas se conectam.20120925181836_fotogayoso

Hoje damos um pequeno passinho à frente. Longe de falarmos em gostos ou não gostos, falemos do que isto simbolicamente significa: o Luar vai fazer um especial de passagem do ano dedicado ao país luso. Leram bem, vamos entrar no ano juntos e ouvirmos os sinos baterem duas vezes. Vamos receber o ano na hora certaaa! até que enfim! mesmo se não houvesse mais espetáculo, eu já ficava feliz só com isso.

Quem vai estar? é claro que Gayoso. Com ele estará Silvia Jato e na representação portuguesa Sónia Araújo, já conhecida nos ecrãs galegos.

E como a noite é criança e passagem de ano não é uma noite qualquer, porque toda nota brega é bem-vinda, poderemos ver no palco Kátia Aveiro (sim, a irmã do Cristiano), Função Públika (uma banda que toca nos arraiais mais mexidos de Portugal) e as Malvela cantarão as Janeiras. Eu não vou perder! na verdade nunca perco, porque sempre recebo o ano com Luar.

Não faltarão apontamentos sobre cultura portuguesa e as tradições desse dia, coisas que alguma vez comentamos neste blogue, mas que ganharão força com imagem e voz: comer passas, receber o ano subido a uma cadeira…e ainda figuras ancestrais do entrudo de Trás-os-Montes, mas que já aparecem nas ruas pelo solstício de inverno.

Receber o ano assim pode ser um bom sinal.

Chega o Português Perto!

1902857_700958079967294_3485373403572724489_nUm dos nossos clássicos ataca de novo: Português Perto.
Para aquelas pessoas leigas nisto da lusopatia, vamos dizer que o Português Perto é um festival multidisciplinar de palestras, arte, música e literatura lusófona. Realiza-se em Ourense cada ano em parceria com a Universidade de Vigo, a Câmara Municipal, a Agal, a Pró-Academia…este ano imagino que depois da ILP o ambiente será mais festivo ainda.
A programação começa já, o dia 5 e começa “deitando foguetes”: Valentim Fagim, José R. Pichel e Quico Cadaval no mesmo dia. Ninguém vai ficar adormecido ou entediado. Os primeiros vão expor as ideias do livro O galego é uma oportunidade. Eu já vi esta palestra uma vez e repetiria sem pensar. Do segundo, Quico Cadaval…faz falta dizer alguma coisa? vão vê-lo, é o nosso griot nacional!
A seguir têm propostas de literatura e música: Corasons, o angolano Alberto Mvundi, Tasca e literatura…mas gostava de pôr em destaque, se me permitirem, os clássicos do cinema português do século XX. Parece que entre as escolhas está a mão das pessoas do Cineclube Padre Feijoo e deposito toda a minha confiança neles (não sei se já vos tinha dito que não tive muito boas experiências com cinema português)

Todas as atividades são de graça, exceto o visionado do filme América. Cheguem cedo, que os lugares podem acabar-se!!

Jornadas de português na Ciranda

Documento-1 (1)Queres introduzir uma linha de português no teu centro e não sabes como? queres saber como lhe está a correr a outros e outras colegas? Gostavas de introduzir algumas noções de português na disciplina que lecionas? Este é o teu curso!

O Parlamento galego aceitou a Iniciativa Lexislativa Popular (ILP) “Valetín Paz Andrade”, pela qual o português terá uma maior presença no marco educativo galego. A empresa Ciranda organiza umas “Jornadas de Português” o sábado 18 de janeiro en Santiago de Compostela sobre este tema.
A Ciranda começa o ano com uma aposta forte. O pessoal do quadro da empresa pensou que havia uma carência neste tipo de formação, porque no diálogo dia a dia com o corpo docente, vinha à tona este assunto muitas vezes. Esperemos que após receberem as informações do curso, muitos professores e professoras deem um passo à frente na introdução do português no ensino na Galiza. Vamos fazer figas!
O curso, homologado pela Xunta, está focado nos professores interesados em dar aulas de português. Explicar-se-ão tanto as vias para introduzir o idioma luso na escola como o  resultado da experiência em centros onde já é lecionado. Podem ver o programa na imagem de acima, mas para terem um bocado mais de dados, informo que estarão alguns vultos imprescindíveis, as pessoas que mais têm reflectido sobre a importância da língua portuguesa e das melhores maneiras para os alunos e alunas se achegarem a ela sem preconceitos.
 Os autores do livro “O galego é uma oportunidade” Valentim Fagim e José R. Pichel serão palestrantes nas jornadas e também Eduardo S. Maragoto, autor de “Como ser reintegracionista sen que a familia o saiba”. Eu estou com muita pica por saber o que tem para dizer o pessoal todo do programa.

OPS! descomplicamos o português

É o fim de uma era socrática, meus lusópatas. A frase “Só sei que nada sei” vai acabar. E ainda mais, no Lusopatia somos tão convencidos que prognosticamos uma data e hora de morte: 7 de março de 2012 na EOI de Compostela às 18h30.
OPS! é o que exclamamos quando nos apercebemos de alguma coisa que já sabíamos. Também são as siglas de O Português Simples.
Este ateliê de 100 minutos, que já foi por muitas escolas secundárias da Galiza e associações culturais, é um dos projetos didáticos da AGAL. Ele vem demonstrar uma tese: se calhar, não somos mais altos do que um rapaz madrileno, nem temos melhor cabelo, nem jogamos melhor futebol…mas temos uma vantagem competitiva e essa vantagem é a língua. Aprender é também um investimento e uma coisa é clara: entre as línguas que possuímos e as que queremos aprender existe uma distância e nós, como galegos e galegas, temos o caminho quase feito!

Nessas duas horas descobrirão coisas que já sabiam, como ler à galega textos em português, e outras novas: conteúdos socioculturais do mundo lusófono, analisar os nossos pontos fortes e fracos, lidar com falsos amigos…Tudo com uma metodologia interativa e descomplicada em companhia de Valentim Rodrigues Fagim.