Cantos na Maré 2018

Há tempo que não falamos do Festival Cantos na Maré e não foi por nós não querermos. O evento esteve uns anos em pausa, mas este ano voltou em grande, com um formato de quatro dias e vários cenários.
Estive uns dias muito em baixo porque sabia que não poderia ir e ontem, coisas do destino, por uma mudança de planos inesperada, a vida abriu-me uma porta. Finalmente irei ao festival! E este é o meu ano porque no cartaz estão duas das minhas rappers mais queridas. Estou em pulgas!

Comento então o programa:

QUINTA 11

CENÁRIO ULTRAMARÉ. Auditório – 20.30H – Concerto Inaugural de Teresa Salgueiro (Portugal).

Penso que não faz falta nem dizer quem ela é. Ainda há pouco tivemos a oportunidade de vê-la no ciclo Nexos. Quem melhor que a cantora dos Madredeus para abrir este festival?

SEXTA 12

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Vudu (Galiza)
  • CÉNARIO ULTRAMARÉ: Auditório – 20.30H -Cesária Évora Orchestra com Lura, Lucibella e Elida Almeida (Cabo Verde)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : Auditório – 22.00H – Capicua com Wöyza e Eva RapDiva (Portugal, Angola, Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ :23.30H – GARCÍA MC “Nación Quilombo” com Alejandro Vargas (Galiza)

Este é o meu dia, porque como sabem, eu amo rap. Mas antes disso, queria falar-vos de Lura, porque é uma dessas artistas, junto com a Cesária Évora, com a qual aprendi muitas coisas culturais de Cabo Verde.  Na Ri Na é uma dessas canções que sempre me animam.

Capicua e Eva RapDiva não faltam na minha lista de Spotify. Conheço a Capicua desde o seu primeiro cd e graças à canção “Feias, porcas e más”, uma declaração de intenções feminista, conheci também a Eva RapDiva. Enfim, toda a gente sabe do meu amor por elas. Da rapper do Porto falei-vos inúmeras vezes, mas a Eva RapDiva não se tinha deixado ver pela Galiza ainda. Bem-vinda, Eva! rainha nzinga do rap!

Estava na hora de o festival se abrir a novos ritmos, mais urbanos e mais ligados à realidade da juventude. Vi por aí que ainda há um grupo de kuduro no programa. Isto vai dar barraca!

SÁBADO 13

  • CENÁRIO BAIXAMARÉ: Sala de conferências – 20.00H Os Meninos (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -20.30H Selma Uamusse (Moçambique)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO -21.45H – Chico César (Brasil)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ : AUDITÓRIO – 23.15H – Mercedes Peón (Galiza)
  • CENÁRIO ULTRAMARÉ: AUDITÓRIO – 00.30H – Throes + The Shine (Portugal e Angola)

No sábado há grandes forças vivas: o brasileiro Chico César e a galega Mercedes Peón. A moçambicana Selma Uamusse já tinha vindo a Compostela no ano passado pelas festas. E os Throes and The Shine vieram ao Womex, naquela superedição quase lusófona de 2016. Estejam prontos para dançar, porque o kuduro vai chegar! Até que enfim! quero mais kuduro na Galiza em todas as pistas de danças.

DOMINGO 14

  • CENÁRIO ULTRAMARÉ. AUDITÓRIO – 20.30H – Concerto de fecho.
  • CANTARES DE ÉVORA, KEPA JUNKERA E UXÍA apresentam ATH-THURDÂ em CANTOS NA MARÉ.

A madrinha do evento, Uxia, fechará a festa com um concerto com o Kepa, apresentando Ath Thurdâ.

Já compraram o bilhete? estão à espera do quê?

PS. comentam-me que por motivos meteorológicos todas as atividades que iam ser fora, serão no auditório.

Womex 2016…também lusófono

womex

Temos neste ano uma nova edição do Womex em Compostela e igual que aconteceu no ano 2014, há muitas bandas lusófonas que vão dar pano para mangas.

Para quem não souber, Womex é uma exposição de músicas do mundo. Uma vitrine que nos permite ver num palco montes de grupos que, de outra maneira, não teríamos possibilidade de ver nem ouvir. De 20 a 22 deste mês Compostela será um redemoinho de tendências musicais.

E aí…a nossa proposta. Como são tantas bandas, podem consultar datas e lugares no programa em PDF, a partir da página 13.

  • Reyfado Lisboa (Portugal). É um concerto evocativo daquilo que os fadistas, os autores e instrumentistas, criaram como o mais emblemático do Fado de Lisboa.
    Baseado em temas conhecidos de todos, antigos e recentes, através das vozes de artistas em ascensão no universo do fado, é um concerto- memória. Uma viagem pelo fado, que é também como quem diz por Lisboa, pelos bairros da Mouraria, de Alfama, da Madragoa.

  • Bixiga 70 (Brasil). A banda tem por nome o endereço do local onde esta formação nasceu em 2010. Rua da Bixiga, número 70. São Paulo.bixiga-70-divulgacao

Esta formação mistura elementos da música africana, afrobeat, brasileira, latina e do jazz.

  • Throes + The Shine (Angola/Portugal). Preparem-se para mexer o esqueleto, porque Throes + The Shine vão rolar a festa.

Oriundos do Porto e de Luanda, a sua génese prendeu-se com a fusão do kuduro com o rock, mas que entretanto alargou os seus horizontes de forma a albergar uma multitude de culturas que podem ir de África à Europa ou da América do Sul aos Estados Unidos. Depois de lançarem dois álbuns e palmilharem por essa Europa fora, está para sair um novo álbum no próximo mês de maio, que conta com a produção de Moullinex e irá contar com o selo da Discotecas.

  • José Mucavele (Moçambique). Ele é um dos maiores compositores e intérpretes de Moçambique. Músico e guerrilheiro unidos numa mesma alma, trabalha também como pesquisador etno-cultural.

  • Gisela João (Portugal). É a cereja no bolo dentro desta programação. A jovem cantora portuguesa tem impregnada na voz uma forte matriz fadista, daquelas que surgem sem avisar. De Barcelos à capital do fado e daí à Galiza.gisela

  • Narf & Timbila Muzimba (Galiza / Moçambique). E aí é que o nosso pequeno coração palpita. O Narf sempre sabe fazer boas misturas e esta não havia de ser má. Timbila Muzimba é uma orquestra musical de timbilas. Este grupo de músicos e bailarinos é composto por dez membros entre os quais podemos encontrar velhos conhecidos do Lusopatia como Cheny Gune.

  • Nomade Orquestra (Brasil). Formada no ABC paulista em 2012, pode-se dizer que a Nomade Orquestra é um ponto de encontro onde diferentes vertentes e expressões musicais interagem em um trabalho autoral instrumental vivaz e transita ente os universos do funk, jazz, dub, rock, afro beat, hip-hop, incorporando elementos da música eletrónica e quebrando as barreiras entre música tradicional e contemporânea.

  • Anelis Assumpção (Brasil). Uma das minhas cantoras de referência, amigas. Gosto muito dela. Cantora e compositora brasileiraeu estilo mescla influências de dub, reggae, afrobeat, rap, música de cabaré, samba e bossa nova. anelis.jpg

  • DJ Satelite (Angola /Portugal). Originário de Luanda, tem um talento natural. Começou a sua carreira por acaso e mais tarde terminou por ser um dos maiores impulsionadores do kuduro e do afrohouse fora das fronteiras de fala portuguesa.

Conseguem ter os pés parados no chão?