Titiriberia

Este foi um ano em que a minha mãe serviu como arquivo vivo da memória coletiva. Chegaram várias pessoas do Proxecto Barriga Verde à nossa casa e fizeram vídeos onde ela relatava como eram as festas na sua infância e também como eram as marionetas. Foi emotivo vê-la no Youtube, ver que aparece numa coisa da net que ainda ela nem entende muito bem, mas deu tantos detalhes que até parecia que estávamos lá, vendo o cenário e as personagens.

De Barriga Verde e das suas relações com o teatro de Dom Roberto temos falado noutros artigos, mas recomendo a sua leitura para quem quiser ir ver os espetáculos do Titiriberia. En Teu teremos entre amanhã e domingo este festival que oferecerá espetáculos e palestras em volta das marionetas tradicionais.

Na sexta, na Mediateca do Grilo, às 21h, haverá a projeção, e posterior colóquio, do filme Dom Roberto, (José Ernesto de Sousa, 1962), fita considerada como peça fundacional do Novo Cinema Português que trata a tradição dos fantoches do país. Estará apresentado por Comba Campoi, João Costa, fantocheiro especializado nos Robertos, e de Lara Rozados, que dará a conhecer a colaboração do Cineclube Compostela com o Festival Titiriberia.

O evento também envolve a feira cavalar de Francos e assim recupera o espaço dos títeres. Neste sábado poderemos ver à formação lusa Mãozorra. Mas Mãozorra não vai estar apenas na festa, vai no domingo encenar O Caçador ás 12.30 horas no Auditório Constante Liste.

Morreu o demo…acabou-se a peseta!

 

Ainda o último judeu e os outros

A Companhia de Teatro de Braga chega no dia 31 de outubro à Ramalhosa (Teu) às 21h.
Noutros posts falamos do projeto Troca por Troca e desta vez falaremos de Cena Ibérica. Essencialmente estas duas iniciativas procuram um contacto trans-fronteiriço de companhias entre a Galiza e Portugal. Assim sendo, os nossos Chévere foram com “Eroski Paraíso” a Braga e os bracarenses virão à Ramalhosa com “Ainda o último judeu e outros” do Abel Neves.

Tirei o argumento da peça da própria página do Theatro Circo, onde a companhia é residente, e a coisa é mais ou menos assim: “Daniel decide convocar a sua mãe, Judite, e o seu pai, João Victor, para um encontro num lugar nos arrabaldes da cidade, fora do conforto da casa. Núria, a sua namorada, segue-o. Obcecado desde sempre com a história trágica dos judeus – a sua avó, mãe de Judite e a viver na Holanda, sofreu, em criança, a perda dos pais, ambos judeus, numa situação que a marcou definitivamente, tendo eles sido depois assassinados no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau -, Daniel não descansa enquanto não confronta Judite com uma época que ela não aceita lembrar e, sobretudo, não quer assumir por via do sangue materno. João Victor tenta amenizar a disputa sem, no entanto, o conseguir. O lugar do encontro – um armazém sujo e abandonado por onde passam caçadores e ao qual chamam “Bosque Motel” – é visitado de passagem por Nelse e Arlete, um bem humorado casal, precisamente, de caçadores, que serão testemunhas da intensa e brutal situação, acabando involuntariamente por contribuir para um desfecho inesperado”

Segundo pude ler nas críticas, durante estes últimos quatro anos a criação artística da companhia centrou-se na questão da Liberdade e Solidão. Conhecemos já o Abel Neves por ter vindo representar também “Sabe Deus Pintar o Diabo”. Esta peça e a anterior tratam a rua e a cidade como itinerários de abandono, de desistência, de perda de dignidade e auto-estima. Religião, Liberdade e Nazismo são uma constante nesta última obra.

A festa do fim do mundo

corasons

Ah pois é amigalhaços! parece ser que o mundo vai acabar na sexta-feira, assim que desejo a todos um bom pré-Natal, porque Natal, ao Natal mesmo, acho que não vamos chegar. Já sei que há pessoas que não gostam de Natal, que chamam de Solstício e outras tangas, mas é a festa mais importante do ano na cultura europeia, é anterior ao cristianismo e eu gosto mesmo.

Esta quadra chega com muita boa coisa para lusópatas ferrenhos como a gente, na quinta-feira, no Teatro Colón da Corunha (eu já fui muito feliz nesse sítio) há uma festa, a Corasons, onde mais de vinte artistas do país, do Brasil, Portugal e Angola vão apresentar as músicas que nos unem, na sexta 21 e no sábado 22 a festa continua no auditório da Ramalhosa, no município de Teu. São mais de vinte artistas, ora nem mais, unidos na amizade e juntinhos por causa da grande Uxía Senlle, promotora do espectáculo. Mas a ideia surgiu da fotógrafa Isabel Leal, que no seu site Quem vê Corações recolhe textos e fotografias de “corações ao acaso” que se observam na natureza ou pintados. A Uxía propôs à Isabel Leal fazer uma exposição e surgiu a ideia de fazer um concerto de músicas que falam do coração.

Pois é isso que se pretende, falar do coração, já há um concerto gravado na Ilha de Arousa com estes artistas todos a fazer o seu melhor, e teremos um livro-disco que tenha também as fotografias e ainda um documental de Francisco Abelleira. E já agora, se o mundo não terminar na sexta, o lusopatia não se faz responsável.