João Afonso em Compostela

João Afonso é um dos principais cantores de Portugal na atualidade. Nesta semana virá à Galiza apresentar o seu último trabalho “Sangue bom”, que tem, já agora, muito de lusopata.

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O disco é um desafio que o Mia Couto lançou ao cantor. É-vos estranho? Pouco tempo depois, João Afonso falava com um seu amigo dos tempos universitários e este aderiu ao projeto. O tal amigo era o José Agualusa. Em resumo, este trabalho produzido por Vítor Milhanas já estão a ver que tem letras feitas a partir dos melhores autores africanos de língua portuguesa.

As colaborações musicais também são especiais e reconhecíveis para nós: Stewart Sukuma e Costa Neto de Moçambique; a nossa musa Aline Frazão e também Mario Rui de Angola;  Quiné Teles, António Pinto, Miguel Fevereiro, João Lucas de Portugal;  o brasilego Fred Martins do Brasil; Kepa Junkera do País Basco e Anxo Pintos como representante da Galiza entre muitos outros nomes. Mesmo lusopata, pois não?

7 abril, 20h30 no Teatro Principal de Compostela

Volta à terra

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A produtora portuguesa o Som e a Fúria é…altamente. Nos últimos tempos muitos dos seus produtos culturais têm preenchido horas de lazer em terras galegas. Já tivemos muita música, agora é a vez do audiovisual.

Amanhã, em Ponte Vedra, no Teatro Principal às 18h poderemos ver o longa Volta à Terra de João Pedro Plácido. O visionado faz parte da programação do Festival Novos Cinemas, que tem como objetivo dar visibilidade aos novos talentos emergentes.

O lisboeta João Pedro Plácido começou a realizar videoclipes com 19 anos e desde essa nunca largou o panorama audiovisual, quer seja como assistente de imagem, quer seja como diretor de fotografia. Volta à Terra é o primeiro filme dele.

Volta à Terra conta a história de uma comunidade em extinção: camponeses que praticam agricultura de subsistência numa aldeia das montanhas do norte de Portugal, esvaziada pela imigração.
Entre a evocação do passado e um futuro incerto, seguimos os 49 habitantes da Uz pelas quatro estações do ano.
Entre os habitantes encontramos António, antigo emigrante que realizou o sonho de regressar ao país e prepara a festa da aldeia para o verão, e Daniel, jovem pastor que sonha com o amor ao anoitecer.

Curto-circuito

timthumb.phpO festival “Curto-circuito” traz cada ano novas propostas estéticas que chegam de criadores e criadoras emergentes. Curta-metragens e concertos complementam-se bem, e noutros artigos falaremos da seleção musical que acompanha este evento.

Estejam atentos e atentas à programação de 6 a 11 de outubro, porque este evento e o Cineuropa fazem de Compostela uma cidade em ebulição.

Quanto às novidades deste ano, fiquem a saber que a sala Numax vai ser abrigo de muitas projeções e nós, que amamos a iniciativa, só podemos dizer parabéns e bem haja para a cooperativa!

Nas secções não competitivas do festival poderemos ver várias criações fílmicas. Vamos categoria por categoria, tintim por tintim.

-Púlsar: João Salaviza

salviza4-300x203Púlsar é uma nova secção do programa dedicada a espalhar a obra de autores emergentes que começam a se sagrar neste pequeno mundo. É a vez do João Salaviza. Filho de realizador e produtora portugueses, tinha que trabalhar também neste ramo, o fado assim o quis. Começou a ajudar em filmes de Manoel de Oliveira, conheceu logo o que é um tapete vermelho.

É um autor muito novo, mas com uma linha clara: bebe da tradição do cinema social europeu, mas a sua narrativa oferece uma visão muito particular das idades (a adolescência, nomeadamente) e os espaços: a eterna Lisboa. Temos cinco títulos deste cineasta para poder saborear, confiram no programa.

Penínsulas

Com este nome já intuíamos que alguma produção portuguesa havia de haver, e há. Penínsulas é uma secção que faz uma panorâmica do cinema espanhol e português de temporada.

Na quinta dia 8, no Teatro Principal, pelas 17h podem ver estas criações:

  • Sobre El Cielo, de Jorge Quintela. Não encontrei muita informação sobre o filme, desculpem lá. Sei que a produção é portuguesa, mas não posso garantir que o idioma seja português. A sinopse? O passado é já a projeção do futuro. Contudo, nada mais é que uma luz no céu.
  • Amélia e Duarte, de Alice Guimarães e Mónica Silva.
    Este filme conta a história de duas pessoas, Amélia e Duarte, e o processo de esquecimento, dor e perda depois de terminar a sua relação.
    O filme é feito, fundamentalmente, em “stop-motion” e pixelação. Deixo-vos o teaser, que coisa mais fofaaaa!

    <p><a href=”https://vimeo.com/119428279″>Amélia & Duarte – teaser</a> from <a href=”https://vimeo.com/ameliaduarte”>Amélia & Duarte</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Noite malandra

Esta é a parte mais…malandra do festival. Desafios, sexo e diversão.

012-OhShitNo Teatro Principal, na sexta dia 9, pelas 23h30 (hora malandra), podem ver a proposta lusopata desta parte do programa: um filme brasileiro de animação que se chama Oh Shit, de Marcelo Marão. O argumento? um homem francês leva a vida toda a comer metais. Comeu biclas, carrinhos, e partes de avião.

-O Som e a Fúria

Há um ciclo inteiro dedicado apenas a esta produtora portuguesa. O Som e a Fúria tem um dos catálogos mais prestigiosos da Europa, com montes de prémios que falam da qualidade das suas produções. Produziram obras de Manoel de Oliveira, Miguel Gomes, Sandro Aguilar, João Nicolau ou João Pedro Rodrigues. A produtora, que se estabeleceu em setembro de 1998, dedica-se exclusivamente à produção cinematográfica, visando criar um vínculo com o autor e o cinema independente.

7 filmes, distribuídos em dois dias de projeção estão ao nosso alcanço. Vejam aqui datas e horas.

Recomendamos vivamente, ou por melhor dizer, re-recomendamos, O Velho do Restelo, de Manoel de Oliveira. Luiz Vaz de Camões mete conversa com várias personagens e escritores portugueses e criam um debate muito interessante que caminha entre o passado e o presente, entre a glória e a derrota. Não percam!

Para além dos muros mentais: Fred Martins

11236857_631051503698193_6336626270721542068_nSérgio Tannus, Paulo Silva e Fred Martins fazem parte dessa pequena comunidade de músicos brasileiros em Compostela. Ando sempre a fazer reclamações. Digo que Compostela é uma cidade que todos os dias recebe visitantes, mas que poucos deles ficam ou poucos deles deixam um pouso cultural. Pronto, admito que também me engano e a prova é esta. Os músicos que anteriormente referi, vivem na cidade e andam muitas vezes envolvidos em projetos com outros artistas galegos. Fred Martins, por exemplo, tem trabalhado com Ugia Pedreira. Alguma vez postamos vídeos do disco Acrobata. E é assim que com estes pequenos convívios também quebramos muros, fronteiras mentais. O assunto de hoje trata disso, de ver para além dos muros. No dia 5 do corrente mês o brasileiro, prémio VISA ao melhor compositor do Brasil,  apresenta o seu novo trabalho Para além do muro do meu quintal. O título do disco é um dos primeiros versos de um poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) Noite de São João, portanto, já podemos espreitar aquele toque de lirismo que vimos em músicas anteriores. Podem ver neste trailer os depoimentos que artistas da sua geração e colegas fazem sobre o disco. Com o Fred estará no palco a cabo-verdiana Nancy Vieira, cantarão juntos a música O samba me diz, um desses clássicos que toda a gente devia cantarolar.

Sax Tenor

tenor1Alguém disse uma vez “la cultura gallega está ensimismada”. Há certos núcleos duros que acreditem que a produção cultural galega fala para os seus botões. Felizmente, tenho hoje um argumento para contestar.

Costumamos medir o sucesso em proporções internacionais e sendo nós um país pequeno, devemos equilibrar também essa escala. Em palavras de Elias Torres, devemos considerar-nos um processo e não um produto acabado.

Um dos maiores dramaturgos galegos, Roberto Vidal Bolaño, tem a honra póstuma de ver a sua obra encenada pela companhia lusa Teatro Nacional Dona Maria II. Sax Tenor é a adaptação portuguesa do nosso texto galego. Ultrapassar fronteiras é indicativo de triunfo, de abertura a outros mundos, de criações que se espalham. Nós chegámos lá e Portugal também vem cá, porque a peça já foi levada a palco em muitos teatros lá por fora.

La cultura gallega no está ensimismada, mas é pouco conhecida e pouco conhecida…por nós mesmos. Por vezes de fora as coisas veem-se mais claras e por fortuna, do outro lado da fronteira, souberam apreciar a genialidade de escritores como Vidal Bolaño.

Sax Tenor é uma farsa herdeira da tradição de Valle-Inclán, por assim dizer, um esperpento. Prostitutas, gangues, loucos andam pelas ruas de Compostela. Um assassinato e a tentativa de roubar um saxofone. Toda esta mixórdia compõe o argumento da peça, contada por vezes em flash-back. porque Sax Tenor é dessas óperas contemporâneas à vanguarda, que misturam linguagem cinematográfica e teatro.

Nestes dias 29 e 30 do corrente mês. No teatro Principal de Compostela.

 

Anne Sullivan e Helen Keller (e Roberto Cordovani!)

cartaz hellenLembro-me bem da primeira vez que eu vi uma peça de Roberto Cordovani. Eu estava na faculdade e tinha que fazer um trabalho sobre teatro galego, tinha que visualizar uma peça e fazer um comentário crítico, por outras palavras, meter-me na pele de um crítico de Broadway quase.

Não conhecia Roberto Cordovani, verdade seja dita. Só fui ver a peça porque tratava da Bela Otero e ela é uma figura que me toca na alma, por proximidade geográfica e por ser uma dessas vidas surpreendentes. O que eu menos imaginava era que o próprio Cordovani encarnava a diva de Valga e era por sua vez capaz de fazer outras tantas personagens com uns elementos cénicos mínimos: um farol e um banquinho.

Anne Sullivan e Helen Keller, a luta pela inclusão social, está inspirada na autobiografia de Helen Keller, lançada em 1902. A história é por todos e todas conhecida e foi levada também ao cinema.

A peça conta a vida da menina Helen, surda-cega, que vive num mundo de escuridão, incompreendida e tratada como doente pela família. Com a chegada da professora Anne Sullivan, a sua existência muda completamente, e as transformações significativas pelas quais ela passa acabam por afetar também a sua família. O espetáculo enfatiza a revolta que pode emergir de alguém que não compreende o mundo à sua volta e, além disso, enfrenta imensas dificuldades para se expressar, se comunicar, entender e ser entendido.

Uma obra de protagonismo feminino, de mulheres fortes que lutam pela vida e de valores de inclusão. Com ela podemos ver o mundo através de quem fala com a língua LGP (Língua Gestual Portuguesa) ou LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)

Dias 20 e 21 de janeiro, no Teatro Principal às 20h30.

Cineuropa 2014

cineuropaChega o outono e com ele traz a chuva, a locomotiva das castanhas e uma das coisas mais tipicamente picheleiras: Cineuropa. Desde o dia 9 até 30 deste mês a programação cultural da cidade enche-se de fotogramas e vozes na versão original. Para aquelas pessoas que detestarem os filmes com dobragem (por exemplo, eu) o mês de novembro é um paraíso, uma Babel de sotaques e línguas que nunca ouvimos no resto do ano.

Depois de mergulhar entre as páginas do PDF da programação do festival, tenho uma sensação agridoce. Com a mão no coração vos digo que pensei que teria mais notícias que dar. Esta edição não tem muita representação lusófona porque está mais virada para o aniversário do muro de Berlim. Vejam então quais são as nossas dicas:

-CAVALO DINHEIRO (2014). (Secção oficial) Portugal. Documentário. Realizada por Pedro Costa, um dos premiados em Cineuropa 2012, conta a história de Ventura. Ventura é uma personagem recorrente no cineasta, porque já o conhecemos em Juventude em marcha e em Centro Histórico. Cavalo Dinheiro é um exercício de memória, uma recordação da Revolução dos Cravos e uma ode a Lisboa e ao universo de Fontainhas.

-O VELHO DO RESTELO (2014) (Secção oficial) Portugal. Curta-metragem. Manoel de Oliveira (que nunca falta na programação do Cineuropa) faz um mergulho livre e sem esperança na história de Portugal.

Num banquinho de jardim no século XXI estão sentados Dom Quixote, Camões, Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco. Parece o início de uma piada, mas nada disso, eles todos dialogam e analisam presente, passado e futuro. Uma das propostas mais originais que aparecem neste artigo.

O LOBO ATRÁS DA PORTA (2013) Brasil. Drama. Realizada por Fernando Coimbra e com vários prémios e projeções em muitos festivais. O nó da história é um sequestro. Uma criança é sequestrada e na esquadra de polícia Sylvia e Bernardo, pais do miúdo, e Rosa, amante de Bernardo e principal suspeita do crime, oferecem depoimentos contraditórios. Desejo, mentira, perversão…os impulsos que saem das entranhas do ser humano.

-A HISTÓRIA DE UM ERRO (2014) Portugal. Documentário. A representação feminina chegou com a realizadora portuguesa Joana Barros.

A paramiloidose é uma doença pouco conhecida, mas visibilizada neste documentário. O litoral norte de Portugal tem a maior concentração de casos do mundo. Durante décadas a doença foi estigmatizada até que em 1939 o médico Corino de Andrade começou a estar de olho nela e fez as primeiras investigações. A paramiloidose é apenas o marco para uma reivindicação: uma medicina livre de preconceitos e ao alcanço de todos e todas.

paulo brancoE aí acaba a lista de filmes em português, mas ainda falta a cereja no bolo. Não íamos ficar assim…

Cineuropa premia no dia 22 de novembro a trajetória do realizador lisboeta Paulo Branco. Ele tem trabalhado entre Paris e Lisboa, produziu mais de trezentas fitas até com outros realizadores já premiados pelo próprio festival como Manoel de Oliveira e Paulo Branco.

No ciclo de Sons trânsitos também teremos o concerto do brasileiro Vítor Ramil no Teatro Principal. Sábado 13, às 20h30.
Querem saber onde e quando? confiram nesta ligação.

Womex feito para nós

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O Womex, segundo a UNESCO, é a mais importante feira de world music do mundo. Palestras, concertos, filmes…e música, claro. Dentro da etiqueta world music, cabem vários estilos: músicas da diáspora, tradicional, folk, étnica, alternativa…Portanto, é proibido dizerem que não gostam, com tanta variedade é impossível.

Este ano o encontro é na nossa capital nacional. Decorrerá em vários pontos da cidade entre as datas 22-26 de outubro, mas o grosso da feira da indústria musical estará no Gaiás, onde vários artistas terão a oportunidade de estabelecerem novos contactos.

Revisto o programa, estamos contentes porque…nunca fizemos um artigo tão longo! nossa! quanta programação! Num festival internacional, essa percentagem de língua portuguesa é muito boa! Apanhem um lápis, porque a memória não vai ser suficiente para tanto.

-Batida (Angola/Portugal): estará no dia 24, às 0h45 na Quintana. Batida é o projeto musical de Pedro Coquenão, metade angolano, metade português. Faz música eletrónica com clara raiz na música tradicional angolana. Nesta semana lançou um novo disco, que se chama Luxo. Será também um luxo contar com Batida em Compostela. Alegria!

-Cesária Évora Orchestra (Cabo  Verde): estarão no dia 23, pelas 21h30 no auditório de Abanca. Uma banda com base nos músicos que acompanharam a artista nos seus últimos dez anos. Os músicos da “diva dos pés descalços” dão uma segunda vida ao seu repertório.

Nestes últimos dias, tenho descoberto uma outra homenagem do Stromae para a Cesária e agora tenho também muito orgulho em que tudo o que ela criou continue. Ideal para quem sentir “sodade” da Cesária.

-Ed Motta (Brasil): estará no dia 23, no auditório de Abanca, às 0h30. Cantor, compositor e produtor nascido no Rio e sobrinho do Tim Maia é o artífice de uma das minhas canções preferidas: caso sério. Com influências do MPB, funk e reggae, sabe misturar como ninguém para criar coisas lindas.

-Lula Pena (Portugal): estará às 23h n no auditório de Abanca no dia 25. Cantora portuguesa com um som quase hipnótico, é uma das vozes mais aplaudidas da música Pasión de Rodrigo Leão. Artista de culto, em cada música dá a sua visão do fado.

No OffWomex:

-Paulo Flores (Angola): vai estar no Salón Teatro, no dia 24, às 21h45. Um dos cantores mais populares de Angola. Começou com o kizomba, mas não deixou de parte a denúncia social. Para quem pensar que Angola é apenas Anselmo Ralph, por favor, abram os ouvidos com ele.

Na secção Atlantic Connections:

-Custódio Castelo (Portugal): no dia 23 às 21h no Teatro Principal. Músico e compositor português, acompanhou Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Camané, Mísia…Com sete anos construiu o seu primeiro instrumento musical e já não largou a música nunca.

Sertanília (Brasil): vindos da Bahia, regatam a tradição da sertaneza, a música do sertão. Podem vê-los no sábado, pelas 22h30 no Teatro Principal.

-Na DJ Summit: teremos a DJ Marfox uma autêntica lenda urbana, suburbana e do gueto lisboeta. Na Sala Capitol, na madrugada, pelas 3h30 fechando a noite do sábado.

Na cerimónia dos Womex awards (dia 26)será premiada a fadista Mariza em reconhecimento à sua carreira. Não imaginaria um final melhor!

Maria de Medeiros em Compostela

15491_1_crop.pngMaria de Medeiros é uma das atrizes que marcaram a minha adolescência. Pulp Fiction foi desses filmes inesquecíveis para mim: drogas, histórias fragmentadas, palavrões…e Maria de Medeiros. Gostei muito do papel dela na fita e anos depois soube que esta musa de Tarantino era portuguesa.

A Maria de Medeiros chega da França com um disco intitulado A Little more blue,  o último trabalho musical da multifacetada atriz. Tem canções de resistência contra a ditadura militar brasileira. As letras são temas do Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, com isto consegue fazer uma homenagem aos grandes criadores da bossa-nova. Ela própria define o álbum como: “Uma homenagem azul matizada pela distância que nos separa dos anos revolucionários, manchado pela saudade da minha cultura lusa, pela minha percepção de intérprete de língua portuguesa que se situa necessariamente numa perspetiva diferente, diferente também talvez porque eu própria sou uma expatriada”

Este concerto completa a programação do festival de cinema Cineuropa, de facto, a atriz é uma das premiadas nesta edição. Se tiverem uma tarde de folga e quiserem conhecer o trabalho dela como realizadora, recomendo o visionado do filme Capitães de Abril, sobre a Revolução dos cravos.

Segunda, no teatro Principal, pelas 20h30 podem ver a Maria de Medeiros cantar ao vivo. Deixo aqui a versão que ela faz da música do Chico Buarque “O que será”

Gil Vicente encenado na Galiza

gil vicente na horta“Gil Vicente na horta” vai ser o debut galego da companhia lisboeta do Teatro Nacional de Dona Maria II.

Para quem não souber, o Gil Vicente é um autor medieval, considerado o primeiro dramaturgo português. Ele é criador de vários “autos”. Historicamente está a cavalo entre duas épocas: a Idade Média e o Renascimento.

A peça que esta companhia de teatro traz foi construída a partir de vários textos do autor, mas está principalmente inspirada no “Velho da horta”, uma farsa onde se expõe o valor da juventude face à velhice. Um desses temas universais que fazem da obra uma obra imortal.

Na sexta-feira 25 e no sábado 26, às 21h os dois dias,  teremos a oportunidade de ver esta encenação no Teatro Principal em Compostela. Para os bolsos mais carentes, devem saber que o Centro Dramático Galego (através de um acordo coa EOI de Santiago de Compostela) oferece ao alunado da EOI a possibilidade de assistir três obras do melhor teatro português a só 5 euros por sessão (15 ao todo). Basta apresentar o cartão de estudante da EOI e um bónus que podem obter junto do professorado de português.

No dia 25 de outubro de 2013 ás 10h30 teremos na EOI de Compostela a visita de João Grosso, um dos atores de Gil Vicente na Horta na sala 4.

Estejam atentos ao lusopatia nestes dias, porque o teatro português não acaba aqui!