Teatro num carrossel

Julieta Aurora Santos coloca o Teatro do Mar num verdadeiro carrossel que usa como metáfora para aquilo que considera ser o “carrossel da vida”. Sim, um carrossel é o cenário do espetáculo. Quem tiver a oportunidade de ir a Ribadávia, à MIT, poderá acompanhar esta peça a altas horas da noite no dia 24.  Só posso dar os parabéns aos e às organizadores/as da mostra, por trazer tanta maravilha.

Os atores começarão a encenar de madrugada, pela 1h, mas bem vale a pena esperar e ver. Máscaras, movimento, música, teatro…e carrossel, uma das coisas que mais tem definido a minha infância.

Os atores desta companhia itinerante de Sines fazem nesta peça uma viagem de carrossel pelo carrossel da vida onde exploram possibilidades em contra-corrente com o quotidiano como a de nos vermos de fora, a de mergulhar em nós próprios em toda a profundidade ou apenas diminuir drasticamente a velocidade dos dias.

O título da peça, AGNOIA,  vem do grego: ignorância, mas também tem uma versão portuguesa: estado do doente que não conhece nada do que o cerca. Agnoia é um espetáculo não verbal, com uma narrativa de carácter poético, físico e visual. Deixa antever o caminho para a reflexão que a companhia diz ser sobre “a natureza humana, numa permanente rotação onde o tempo – invenção humana – condiciona as ações e controla o pensamento”.

A peça coloca várias questões: e se houvesse a possibilidade de experimentar outros caminhos e, reduzíssemos a velocidade vertiginosa dos dias de modo a aproveitar mais cada instante? E se houver uma contra corrente que mude o ciclo sistemático e cego do nosso atual sistema de vida? Será que um de nós pode inspirar a mudança?

Deixo-vos uma amostra: