Cineuropa 2014

cineuropaChega o outono e com ele traz a chuva, a locomotiva das castanhas e uma das coisas mais tipicamente picheleiras: Cineuropa. Desde o dia 9 até 30 deste mês a programação cultural da cidade enche-se de fotogramas e vozes na versão original. Para aquelas pessoas que detestarem os filmes com dobragem (por exemplo, eu) o mês de novembro é um paraíso, uma Babel de sotaques e línguas que nunca ouvimos no resto do ano.

Depois de mergulhar entre as páginas do PDF da programação do festival, tenho uma sensação agridoce. Com a mão no coração vos digo que pensei que teria mais notícias que dar. Esta edição não tem muita representação lusófona porque está mais virada para o aniversário do muro de Berlim. Vejam então quais são as nossas dicas:

-CAVALO DINHEIRO (2014). (Secção oficial) Portugal. Documentário. Realizada por Pedro Costa, um dos premiados em Cineuropa 2012, conta a história de Ventura. Ventura é uma personagem recorrente no cineasta, porque já o conhecemos em Juventude em marcha e em Centro Histórico. Cavalo Dinheiro é um exercício de memória, uma recordação da Revolução dos Cravos e uma ode a Lisboa e ao universo de Fontainhas.

-O VELHO DO RESTELO (2014) (Secção oficial) Portugal. Curta-metragem. Manoel de Oliveira (que nunca falta na programação do Cineuropa) faz um mergulho livre e sem esperança na história de Portugal.

Num banquinho de jardim no século XXI estão sentados Dom Quixote, Camões, Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco. Parece o início de uma piada, mas nada disso, eles todos dialogam e analisam presente, passado e futuro. Uma das propostas mais originais que aparecem neste artigo.

O LOBO ATRÁS DA PORTA (2013) Brasil. Drama. Realizada por Fernando Coimbra e com vários prémios e projeções em muitos festivais. O nó da história é um sequestro. Uma criança é sequestrada e na esquadra de polícia Sylvia e Bernardo, pais do miúdo, e Rosa, amante de Bernardo e principal suspeita do crime, oferecem depoimentos contraditórios. Desejo, mentira, perversão…os impulsos que saem das entranhas do ser humano.

-A HISTÓRIA DE UM ERRO (2014) Portugal. Documentário. A representação feminina chegou com a realizadora portuguesa Joana Barros.

A paramiloidose é uma doença pouco conhecida, mas visibilizada neste documentário. O litoral norte de Portugal tem a maior concentração de casos do mundo. Durante décadas a doença foi estigmatizada até que em 1939 o médico Corino de Andrade começou a estar de olho nela e fez as primeiras investigações. A paramiloidose é apenas o marco para uma reivindicação: uma medicina livre de preconceitos e ao alcanço de todos e todas.

paulo brancoE aí acaba a lista de filmes em português, mas ainda falta a cereja no bolo. Não íamos ficar assim…

Cineuropa premia no dia 22 de novembro a trajetória do realizador lisboeta Paulo Branco. Ele tem trabalhado entre Paris e Lisboa, produziu mais de trezentas fitas até com outros realizadores já premiados pelo próprio festival como Manoel de Oliveira e Paulo Branco.

No ciclo de Sons trânsitos também teremos o concerto do brasileiro Vítor Ramil no Teatro Principal. Sábado 13, às 20h30.
Querem saber onde e quando? confiram nesta ligação.

António Zambujo…volta à Galiza

Para lembrar o que era isso do verão, nestes últimos dias tenho estado em Lisboa de férias. Fui em Almada a um festival e apaixonei-me pela margem Sul. Fantasiei na última semana com que o destino me levasse lá, porque sonhar acordada é também uma bela viagem.

índiceEm Almada estive no festival O Sol da Caparica. Era a primeira edição e tenho que dizer que fiquei maravilhada: as bandas, a organização, as pessoas e toda a magia que lá se respirava. Compreendi que é o festival com músicas na nossa língua melhor que já tenha visto. Se a Galiza tivesse representação (talvez na segunda edição) ainda seria melhor, mas reconforta-me saber que havia um pedacinho da Galiza na voz da “angolega” Aline Frazão.

GNR, Peste e Sida, Expensive Soul, Aline Frazão, Capicua, Sensi e o António Zambujo, entre outros, deram o seu melhor num palco cheio de ritmos envolventes e de heranças musicais diferentes. Gostava que houvesse um festival assim na Galiza, onde todos os estilos fossem bem-vindos.

Ainda voltei no domingo e o primeiro que vi em Compostela ao chegar foi um cartaz de um concerto do António Zambujo (andamos os mesmos caminhos). O fadista subirá a palco o próximo dia 27 de setembro no Auditório da Galiza,  no marco do ciclo Sons Trânsitos como prelúdio.

Não é a primeira vez que ele nos visita, eu já tive oportunidade de vê-lo num concerto íntimo na Casa das Crechas. Com a voz e as letras…é capaz de tocar com o dedo aquela espinha que cada um de nós tem no coração. Qualquer coisa abala quando o ouvimos. Por isso, não percam este concerto. Ouçam a melodia…porque eu…repetia tudo novamente.