Sax Tenor

tenor1Alguém disse uma vez “la cultura gallega está ensimismada”. Há certos núcleos duros que acreditem que a produção cultural galega fala para os seus botões. Felizmente, tenho hoje um argumento para contestar.

Costumamos medir o sucesso em proporções internacionais e sendo nós um país pequeno, devemos equilibrar também essa escala. Em palavras de Elias Torres, devemos considerar-nos um processo e não um produto acabado.

Um dos maiores dramaturgos galegos, Roberto Vidal Bolaño, tem a honra póstuma de ver a sua obra encenada pela companhia lusa Teatro Nacional Dona Maria II. Sax Tenor é a adaptação portuguesa do nosso texto galego. Ultrapassar fronteiras é indicativo de triunfo, de abertura a outros mundos, de criações que se espalham. Nós chegámos lá e Portugal também vem cá, porque a peça já foi levada a palco em muitos teatros lá por fora.

La cultura gallega no está ensimismada, mas é pouco conhecida e pouco conhecida…por nós mesmos. Por vezes de fora as coisas veem-se mais claras e por fortuna, do outro lado da fronteira, souberam apreciar a genialidade de escritores como Vidal Bolaño.

Sax Tenor é uma farsa herdeira da tradição de Valle-Inclán, por assim dizer, um esperpento. Prostitutas, gangues, loucos andam pelas ruas de Compostela. Um assassinato e a tentativa de roubar um saxofone. Toda esta mixórdia compõe o argumento da peça, contada por vezes em flash-back. porque Sax Tenor é dessas óperas contemporâneas à vanguarda, que misturam linguagem cinematográfica e teatro.

Nestes dias 29 e 30 do corrente mês. No teatro Principal de Compostela.

 

Recebemos 2015 na hora certa com Luar

XXa-DmyXuS2XPVLZ6ijTZ5E8_Há meses que a RTP e a TVG participaram conjuntamente num programa gravado em Ourense e parece que aquilo soube a pouco e querem repetir. A notícia que demos sobre o festival Womex (tão lusófono) foi das mais lidas neste blogue e além disso, hoje vim a saber que a Companhia Nacional de Teatro vai encenar Saxo Tenor de Roberto Vidal Bolaño. Eu diria que são coisas positivas, não é?
Num ano em que estamos alertados com os números da língua (e outros números, porque os tostões sempre importam) quero lançar uma mensagem positiva. Talvez exista uma possibilidade de uma recondução ou em palavras do Valentim Fagim “um new deal para o galego“.

Há uns dias esbarrei com um artigo do Miguel Penas em que falava de “35 anos de reintegracionismo, como nos foi?“, ele imaginava um mundo em paralelo onde a ortografia do galego fosse outra e o que teria acontecido. Falava do Luar e, por vezes, parece que todas as coisas se conectam.20120925181836_fotogayoso

Hoje damos um pequeno passinho à frente. Longe de falarmos em gostos ou não gostos, falemos do que isto simbolicamente significa: o Luar vai fazer um especial de passagem do ano dedicado ao país luso. Leram bem, vamos entrar no ano juntos e ouvirmos os sinos baterem duas vezes. Vamos receber o ano na hora certaaa! até que enfim! mesmo se não houvesse mais espetáculo, eu já ficava feliz só com isso.

Quem vai estar? é claro que Gayoso. Com ele estará Silvia Jato e na representação portuguesa Sónia Araújo, já conhecida nos ecrãs galegos.

E como a noite é criança e passagem de ano não é uma noite qualquer, porque toda nota brega é bem-vinda, poderemos ver no palco Kátia Aveiro (sim, a irmã do Cristiano), Função Públika (uma banda que toca nos arraiais mais mexidos de Portugal) e as Malvela cantarão as Janeiras. Eu não vou perder! na verdade nunca perco, porque sempre recebo o ano com Luar.

Não faltarão apontamentos sobre cultura portuguesa e as tradições desse dia, coisas que alguma vez comentamos neste blogue, mas que ganharão força com imagem e voz: comer passas, receber o ano subido a uma cadeira…e ainda figuras ancestrais do entrudo de Trás-os-Montes, mas que já aparecem nas ruas pelo solstício de inverno.

Receber o ano assim pode ser um bom sinal.