Ari(t)mar 2017

Uma coisa boa de ter um blogue é ver como um projeto começa. Uma coisa melhor ainda é ver como ele tem continuidade. Escrever “Ari(t)mar” e colocar ao lado “2017” já me encheu de felicidade.

Ari(t)mar é um certame novinho em folha, com apenas duas edições, mas muito revolucionário do meu ponto de vista.

Estudantes de português fazem um mergulho em livros de poesia e discos durante um ano para saberem qual foi a poesia e a canção melhores do ano anterior. Ouvem e leem produtos culturais das duas bandas do Minho, o qual facilita uma imersão. Em termos de consumo cultural também…é 5 estrelas.
Por outro lado, acho que o certame é muito horizontal, porque quem escolhe não é um júri especializado, mas o público leitor/ouvinte que muitas vezes se aproxima de grupos/poetas pela primeira vez.

O ano passado, na parte da música e do lado português, ganhou a minha ídola Capicua. Pensem bem…quantas oportunidades teria uma cantora rap feminista portuguesa em vir à Galiza? Graças ao Arritmar o público daquela noite do Teatro Principal ficou a saber quem ela era.

Este ano, confesso, o cartaz não me atrai muito assim, mas o público é soberano.

Na parte da música, a decisão que menos me satisfaz, ganharam Sés (Gz) e os Quinta do Bill (Pt). Considero que os Quinta do Bill não são muito representativos da música portuguesa atual, até fiquei a saber que ainda tinham a máquina azeitada, pois levam uns tempos em que não estão a bater muito na moda.

No assunto literário já fiquei mais contente. Do lado galego temos a Paco Souto (“Terradentro”) e do português a Pedro Craveiro (“fui a Bruges esquecer um amor”).

Como adoro o projeto irei ao teatro na mesma ver a gala, no dia a seguir é feriado e não há nem que madrugar nem nada. Aliás, apresentam a Isabel Risco e o Quico Cadaval…vai dar barraca!

Então a gente vê-se no dia 31 às 21h no Teatro Principal para curtir e fazer também homenagem ao Narf.

Como assim? Ainda sem bilhetes? esgotaram! mas pode ser que tenham uma chance, amanhã há um sorteio na Cadena SER no programa Hoy por hoy

Cosmotrópicos

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Amanhã no Teatro Principal de Santiago de Compostela teremos a oportunidade de ver um espetáculo de música ao vivo com a nossa língua como marco comum.   Cosmotrópicos é um projeto que nasceu nesta cidade em 2010. Fazem parte dele músicos/as e cantores/as de diferentes países, alguns deles mesmo moram na cidade há anos. O projeto visa promover os valores de multiculturalidade  e integração através da música.

Podemos encontrar o quê? vozes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Cuba, Galiza e São Tomé e Príncipe.

Então já ficam a saber. Amanhã às 21h têm um concerto.

 

A jigsaw em Compostela

Acontece. É muito especial esbarrar com um cartaz na cidade que anuncia a presença dessa banda de culto que vimos acompanhando há alguns anos. Chama-se serendipidade, pensei nisso e isso foi mesmo o que aconteceu.

A Jigsaw é uma das mais prometedoras bandas da nova música portuguesa. Folk, blues e muitos (mesmo muitos) instrumentos fazem do som desta banda uma proposta musical muito caraterística. Como já tínhamos dito antes, infelizmente na Galiza a programação cultural passa pelo filtro de Madrid e é muito complicado que a banda de Coimbra ultrapasse aquele teto invisível. 147203615__275x250

Drunken Sailors and Happy Pirates falava da perda da inocência, da construção da identidade… os A Jigsaw apresentam agora o seu novo disco No True Magic, focado no tema da imortalidade ou a suspensão momentânea da incredulidade. Quando eu estudei na faculdade, em Filologia chamávamos isto de “pacto ficcional”. É a teoria do poeta e filósofo inglês Samuel Taylor Coleridge em 1817: na abordagem a uma obra literária, o leitor pode suspender o julgamento da implausibilidade da narrativa, de modo a melhor desfrutar dela. Um desafio semelhante é proposto aos espectadores de um número de ilusionismo, convidados a aceitar a magia como explicação para os truques que acontecem diante dos seus olhos.

É a possibilidade de acreditarmos em milagres – e, em particular, no milagre maior da imortalidade – que nos alivia do peso de sabermos que esta não existe. Abordando a questão nesta perspetiva, No True Magic fala-nos, portanto, dos termos em que aceitamos e convivemos com a nossa mortalidade.

Propostas sisudas que vêm de Coimbra.

Tocam em Compostela, às 21h, o dia 11 de junho na sede da SGAE, em Vista Alegre.

Sax Tenor

tenor1Alguém disse uma vez “la cultura gallega está ensimismada”. Há certos núcleos duros que acreditem que a produção cultural galega fala para os seus botões. Felizmente, tenho hoje um argumento para contestar.

Costumamos medir o sucesso em proporções internacionais e sendo nós um país pequeno, devemos equilibrar também essa escala. Em palavras de Elias Torres, devemos considerar-nos um processo e não um produto acabado.

Um dos maiores dramaturgos galegos, Roberto Vidal Bolaño, tem a honra póstuma de ver a sua obra encenada pela companhia lusa Teatro Nacional Dona Maria II. Sax Tenor é a adaptação portuguesa do nosso texto galego. Ultrapassar fronteiras é indicativo de triunfo, de abertura a outros mundos, de criações que se espalham. Nós chegámos lá e Portugal também vem cá, porque a peça já foi levada a palco em muitos teatros lá por fora.

La cultura gallega no está ensimismada, mas é pouco conhecida e pouco conhecida…por nós mesmos. Por vezes de fora as coisas veem-se mais claras e por fortuna, do outro lado da fronteira, souberam apreciar a genialidade de escritores como Vidal Bolaño.

Sax Tenor é uma farsa herdeira da tradição de Valle-Inclán, por assim dizer, um esperpento. Prostitutas, gangues, loucos andam pelas ruas de Compostela. Um assassinato e a tentativa de roubar um saxofone. Toda esta mixórdia compõe o argumento da peça, contada por vezes em flash-back. porque Sax Tenor é dessas óperas contemporâneas à vanguarda, que misturam linguagem cinematográfica e teatro.

Nestes dias 29 e 30 do corrente mês. No teatro Principal de Compostela.

 

Gil do Carmo em digressão

Gil_WEB-853x857O apelido “do Carmo” não nos é estranho. Sim, é esse mesmo apelido de Lisboa, menina e moça que canta o fadista Carlos do Carmo. O cantor ganhou recentemente o Grammy Lifetime Achievement Award, por outras palavras, uma distinção a uma carreira, a uma vida inteira nos palcos, a uma trajetória e a um compromisso com o fado e não só.

Em Portugal há apelidos marcantes artisticamente. Parece que há profissões que passam de pais a filhos, porque filho de peixe, sabe nadar. Tony Carreira e Michael Carreira, Carlos do Carmo e Gil do Carmo. Evidentemente, são casos muito diferentes e propostas muito diversas, mas era apenas um exemplo.

Nos dias 21 e 23 de maio Gil do Carmo estará na Corunha e em Compostela para apresentar numa pequena tour o seu novo trabalho: A uma voz.

Com o patrocínio de Delta Cafés, nada pode ser tão português como ir a um concerto de fados de Gil do Carmo. Herdeiro da tradição familiar, soube dar ao seu fado um sabor novo, com novas abordagens e fusões: jazz, guitarra portuguesa e espontaneidade, porque a música lusa tem um novo charme. Se quiserem conhecer um bocado melhor esta figura, podem ouvir esta entrevista na TSF, pai e filho à conversa.

Nós, Teatro de surdos do Porto

noc2a6ucc88s_cartaz_web1O teatro de criação coletiva, que esteve tanto na moda na década de 70, parece que volta e talvez volte por necessidade. São tempos complicados e somar, mesmo que sejam ideias, é sempre uma ajuda. De muitas sinergias nascem peças de teatro como esta.

Nós é fruto da soma muitas vontades e esforços. Até achei engraçado o nome porque a geração Nós na Galiza foi batizada com o mesmo nome pelo espírito de coletividade que imperava entre os intelectuais na altura. Nós é uma peça de teatro coletivo inspirada na obra de Valter Hugo Mãe A Máquina de Fazer Espanhóis. Parece mesmo que as narrações deste autor dão jeito para o teatro, porque já demos notícia doutras criações assim antes.

A companhia que leva a palco as cenas é o Grupo de teatro de surdos do Porto, que já tem adaptado outros textos, conforme nos contam no blogue Cultura Surda. A peça será encenada, portanto, em duas línguas: português e LGP (língua gestual portuguesa).

Achei uma oportunidade ótima para conhecermos novas realidades que muitas vezes estão à nossa volta e nem damos por isso. Então tomem nota disto: dias 8 e 9 de maio às 20h30, no Salón Teatro em Compostela.

 

 

The gift voltam a Compostela

the giftUma das bandas lusas mais internacionais volta a Compostela. É com incontido orgulho que gosto de falar dos The gift e faço-o porque acho que eles arvoram a bandeira do Portugal moderno e do sucesso internacional.

Dizer que os The gift são uma das melhores bandas portuguesas está fora de toda questão. Dogmaticamente digo que é assim e ao vivo são ainda melhores. Se com todas as vezes que cá vieram ainda alguém não os tem visto, por favor, façam agora: a música, a estética, o ambiente e…a voz (A VOZ, com maiúsculas!) de Sónia Tavares. Podem também ouvi-la no projeto Amália Hoje (álbum com fados à luz da sonoridade pop)

Em 2012 a banda de Alcobaça lançou o seu álbum mais recente, talvez avancem neste concerto algum tema novo em que estejam a trabalhar. Sabe-se lá…

Amanhã, dia 30 de maio, sobem a palco no Recinto Feiral de Ámio. Depois de terem tocado no local da Festa do Queijo de Arçua, esta experiência de desautomatização da arte não há de ser nova para eles. Estão no cartaz com The National e os galegos Best Boy. Esperemos que o festival Lapso se repita num breve lapso de tempo.

Cuca Roseta em Compostela

Cuca RosetaConheci a figura de Cuca Roseta há uns tempos com o filme Fados de Carlos Saura. Esta colaboração, como nos melhores casos, nasceu por acaso quando o Carlos Saura viu Cuca numa casa de fados.

Tinha o nome dela um bocado esquecido até que um dia, não recordo quem, alguém me disse que uma fadista portuguesa tinha feito um dueto com David Bisbal. Pelos vistos a colaboração foi mesmo famosa (eu sem saber, porque ando noutro mundo). Se por cantar com o Pablo Alborán, mais pessoas conhecem o fado e a Carminho, também me terei que alegrar por isto. Bom, fora destes comentários de revista Lux, tenho que dizer-vos que a Cuca Roseta é conhecida por ser “a nova voz do fado”e dar-lhe aquele toque pessoal que o torna (se isto for possível) ainda mais universal. Entre os dados da sua carreira, temos que destacar que tem colaborado o Tiago Bettencourt nos Toranja e também atuou no Festival RTP da Canção.

resize.phpNesta semana chega à Sala Capitol em Compostela no MusicShowCase que organizam na sala. Estará a partilhar cartaz com os também lusopatas e brasilegos Sérgio Tannus Trio. Como podem ver na imagem, os concertos começam às 18h. Os bilhetes custam 10 euros se os comprarem com antecedência e 13 se forem à bilheteira.

Vamos ouvir agora a voz da Cuca e deixar que ela nos leve a Lisboa.