Daniel Faria

daniel_faria_foto_augusto_baptistaNo marco do programa “Escenas do cambio” que decorre como cada ano nestas datas na cidade de Compostela, temos a peça “Daniel Faria”.

Esta obra é a segunda co-produção Galiza-Portugal do Centro Dramático Galego. O diretor de teatro Pablo Fidalgo, de Vigo, dá vida em palco ao monge e poeta português Daniel Faria. Numa entrevista recente, o realizador diz que esta não é exatamente uma peça biográfica sobre o autor “é sobre o modo em que uma vida pode afetar outras”, porque Daniel Faria tinha uma fé e uma ideia de partilha quase revolucionárias.

O poeta morreu com 28 anos. Tirou Teologia e licenciou-se em estudos portugueses. A sua foi uma dessas carreiras que a morte nos impediu de ver evoluir. Talvez possamos aprender um bocado mais da sua poesia graças a esta proposta cénica, o que acham?

Podem ver a peça desde amanhã até dia 28 no Salón Teatro.

O Conto do Inverno

invernoEspero que o Natal tenha sido mesmo bom e que o Pai Natal vos trouxesse muitas roupas para vos agasalhar. Igual que o frio, porque hoje, meus e minhas, está um frio de rachar, a peça de teatro de William Shakespeare O conto do inverno chega a Compostela nesta semana.

A crítica tem classificado como comédia a obra, mas esta é uma dessas peças teatrais que podem confundir os espetadores quanto ao género porque há também inúmeras doses de drama. Qual é o enredo? a história acontece entre Boêmia e a Sicília e nos três primeiros atos Leontes, rei da Sicília, que suspeita que o seu amigo de infância, Camillo, e a sua esposa, Hermione, estão a ter um caso.

Esta peça foi inúmeras vezes encenada e adaptada, mas é sempre bom revisitar os clássicos e mais se estes são interpretados em português por atores e atrizes galegos e portugueses. Teatro Oficina e o CDG fazem uma boa parceria.

Teatro Oficina junta, no mesmo palco, um fantástico elenco de atores e os músicos Manuel Fúria e os Náufragos atuam também, ao vivo, durante a peça.

No Salón Teatro os dias 12, 14 (20h30) e 15 (às 18h)

O mundo persistente

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O “Projeto Nós” foi uma iniciativa criada em 2015 para unir o teatro galego e o português. Esta é a segunda produção conjunta entre a Galiza e Portugal.

Amanhã no Salón Teatro de Compostela será a estreia d’O mundo persistente, peça que reúne atores e atrizes da ESAD de Vigo, do Teatro Nacional Dona Maria II de Lisboa e do teatro de São João do Porto. Depois da estreia poderemos ver o espetáculo até o dia 5 de junho. Após essa data começa uma pequena digressão pelo Porto e Lisboa.

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O texto foi escrito por Fernando Epelde e a direção artística é de Tito Asorey.

A mensagem da obra parece ser um convite para vivermos a vida real e descolar os nossos dedos dos ecrãs dos telemóveis. O mundo é um mundo virtual onde nada parece ter fronteiras até que um dos jovens protagonistas adoece e recebe a visita da morte que o faz viajar de um modo dickensiano pelo mundo real, na companhia dos amigos.

 

Título por determinar

Quando estudava grego na escola secundária, o nosso professor falou-nos de um clássico latino: A Eneida. Disse-nos que aquele livro era utilizado para a bibliomância. Uma pessoa pode abrir o livro por uma página qualquer e…pelos vistos…essa página (interpretada por alguém que sabe, um ou uma bibliomante) determina o seu futuro. Façam a prova lá em casa.

É curioso isto das superstições. Algumas culturas baseiam o horóscopo em coisas tão inacreditáveis como grupos sanguíneos, outras em datas de nascimento. Será que nascer um dia e não outro determina as nossas vidas?

Eu nasci a 17 de junho e sempre me considerei (e considero) um produto inacabado, em construção. Uma coisa por determinar.

salonteatro2Título por determinar é uma obra que vai ser encenada o dia do meu aniversário. O título é a minha cara.

O Centro Dramático Galego coordena a estreia no Salón Teatro em Compostela de um projeto organizado pelas companhias de teatro nacional de Portugal (Dona Maria II e São João) onde os protagonistas serão alunos e alunas de Vigo, Porto e Lisboa. O texto, ainda em fase de criação, é de José Maria Vieira Mendes e será levado a palco por Pedro Penim, ator e diretor.

Um programa aberto, em construção…define-me a mim e à cidade em que vivo.

 

Nós, Teatro de surdos do Porto

noc2a6ucc88s_cartaz_web1O teatro de criação coletiva, que esteve tanto na moda na década de 70, parece que volta e talvez volte por necessidade. São tempos complicados e somar, mesmo que sejam ideias, é sempre uma ajuda. De muitas sinergias nascem peças de teatro como esta.

Nós é fruto da soma muitas vontades e esforços. Até achei engraçado o nome porque a geração Nós na Galiza foi batizada com o mesmo nome pelo espírito de coletividade que imperava entre os intelectuais na altura. Nós é uma peça de teatro coletivo inspirada na obra de Valter Hugo Mãe A Máquina de Fazer Espanhóis. Parece mesmo que as narrações deste autor dão jeito para o teatro, porque já demos notícia doutras criações assim antes.

A companhia que leva a palco as cenas é o Grupo de teatro de surdos do Porto, que já tem adaptado outros textos, conforme nos contam no blogue Cultura Surda. A peça será encenada, portanto, em duas línguas: português e LGP (língua gestual portuguesa).

Achei uma oportunidade ótima para conhecermos novas realidades que muitas vezes estão à nossa volta e nem damos por isso. Então tomem nota disto: dias 8 e 9 de maio às 20h30, no Salón Teatro em Compostela.

 

 

O Mandarim

o-mandarinUma das primeiras leituras que fiz em português foi uma adaptação d’O Mandarim de Eça de Queirós. Talvez pelo meu fraquinho pelo mundo oriental, talvez também porque a obra não tinha muitas páginas (confesso que em estudante a minha filosofia era essa) fiquei muito comovida com o moral daquela história e a crítica descarnada aos desejos burgueses.

Graças este romance viriam outros muitos do Eça e outras coisas mais nerd como cursos de aproximação da cultura oriental.

Nesta quinta-feira a Companhia de Teatro de Almada vem encenar O Mandarim ao Salón Teatro de Compostela às 20h30.

Segundo a própria companhia, “o protagonista deste romance, Teodoro, será uma noite interpelado por um velho livro: “No fundo da China existe um mandarim mais rico que todos os reis de que a fábula ou a história contam” . Tentado pelas ambições burguesas que há muito alimentava, Teodoro porá fim à vida de Ti Chin-Fu. Mas a esperada felicidade tarda em chegar, já que o jovem amanuense vive atormentado, ora pela consciência, ora pelo fantasma do morto. Uma viagem pelo Oriente parece ser a única solução”.

Quem quiser ver esta peça e for sócio/a da AGAL, terá um pequeno desconto.

 

Um Picasso chega a Compostela

Não, não é que o Gernika faça o Caminho de Santiago. Um Picasso é um título teatral.

Adoro as intertextualidades e as misturas de disciplinas artísticas. Transgredir as fronteiras entre elas costuma dar resultados fascinantes.

Na próxima semana teremos no Salón Teatro em Compostela a peça teatral Um Picasso da Companhia de Teatro de Braga, uma companhia já habitual nos nossos palcos, felizmente.

índiceRui Madeira apresenta-nos uma história criada a partir de um original de Jeffrey Hatcher. A peça já foi encenada em vários pontos da Europa, chegou até à Ucrânia e agora vem para as nossas tábuas.

A ação de Um Picasso decorre na Paris ocupada durante a II Guerra Mundial e centra-se sobre o facto real de a Gestapo querer uma obra de Picasso para uma “vernissage“.

Daí que o pintor seja levado para um bunker onde conhece uma mulher loura (agente secreta) cuja missão é conseguir que o artista autentique pelo menos um de três autorretratos do pintor.

Sedução picassiana e intrigas de espiões são alguns dos ingredientes desta peça teatral.

Quarta-feira, dia 11, às 20h30 no Salón Teatro. Não esqueçam que se forem sócios e sócias da AGAL podem ter um descontinho no preço.

 

O amor dos infelizes

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E vem aí janeiro com as forças renovadas e propostas teatrais do outro lado do Minho.

Teatro Bruto do Porto chega novamente à Galiza para levar a palco O amor dos infelizes. A peça é baseada no segundo capítulo da obra de Valter Hugo Mãe, Filho de mil homens. Não é a primeira vez que a companhia e o autor de A Máquina de fazer espanhóis colaboram, de facto, é habitual fazerem criações conjuntas em residências artísticas.

Desta feita, Margarida Gonçalves introduz como novidade para encenar esta peça a figura de uma anã que explora territórios. Ela é expectadora de si própria. Está na história sem estar, a cavalo entre um narrador e uma personagem.

Vendo esta obra podemos meter-nos nos sapatos de uma pessoa com 80cms de altura, vista pelo resto do mundo por vezes como uma criança que nunca cresceu. A sua existência limita-se, aos olhos dos outros, à sua deformidade, à sua monstruosidade, à intransponibilidade daquele corpo. Vive das sobras das pessoas grandes, do amor possível – o amor dos infelizes.

Quinta-feira, dia 22, às 20h30 no Salón Teatro.

 

Womex feito para nós

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O Womex, segundo a UNESCO, é a mais importante feira de world music do mundo. Palestras, concertos, filmes…e música, claro. Dentro da etiqueta world music, cabem vários estilos: músicas da diáspora, tradicional, folk, étnica, alternativa…Portanto, é proibido dizerem que não gostam, com tanta variedade é impossível.

Este ano o encontro é na nossa capital nacional. Decorrerá em vários pontos da cidade entre as datas 22-26 de outubro, mas o grosso da feira da indústria musical estará no Gaiás, onde vários artistas terão a oportunidade de estabelecerem novos contactos.

Revisto o programa, estamos contentes porque…nunca fizemos um artigo tão longo! nossa! quanta programação! Num festival internacional, essa percentagem de língua portuguesa é muito boa! Apanhem um lápis, porque a memória não vai ser suficiente para tanto.

-Batida (Angola/Portugal): estará no dia 24, às 0h45 na Quintana. Batida é o projeto musical de Pedro Coquenão, metade angolano, metade português. Faz música eletrónica com clara raiz na música tradicional angolana. Nesta semana lançou um novo disco, que se chama Luxo. Será também um luxo contar com Batida em Compostela. Alegria!

-Cesária Évora Orchestra (Cabo  Verde): estarão no dia 23, pelas 21h30 no auditório de Abanca. Uma banda com base nos músicos que acompanharam a artista nos seus últimos dez anos. Os músicos da “diva dos pés descalços” dão uma segunda vida ao seu repertório.

Nestes últimos dias, tenho descoberto uma outra homenagem do Stromae para a Cesária e agora tenho também muito orgulho em que tudo o que ela criou continue. Ideal para quem sentir “sodade” da Cesária.

-Ed Motta (Brasil): estará no dia 23, no auditório de Abanca, às 0h30. Cantor, compositor e produtor nascido no Rio e sobrinho do Tim Maia é o artífice de uma das minhas canções preferidas: caso sério. Com influências do MPB, funk e reggae, sabe misturar como ninguém para criar coisas lindas.

-Lula Pena (Portugal): estará às 23h n no auditório de Abanca no dia 25. Cantora portuguesa com um som quase hipnótico, é uma das vozes mais aplaudidas da música Pasión de Rodrigo Leão. Artista de culto, em cada música dá a sua visão do fado.

No OffWomex:

-Paulo Flores (Angola): vai estar no Salón Teatro, no dia 24, às 21h45. Um dos cantores mais populares de Angola. Começou com o kizomba, mas não deixou de parte a denúncia social. Para quem pensar que Angola é apenas Anselmo Ralph, por favor, abram os ouvidos com ele.

Na secção Atlantic Connections:

-Custódio Castelo (Portugal): no dia 23 às 21h no Teatro Principal. Músico e compositor português, acompanhou Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Camané, Mísia…Com sete anos construiu o seu primeiro instrumento musical e já não largou a música nunca.

Sertanília (Brasil): vindos da Bahia, regatam a tradição da sertaneza, a música do sertão. Podem vê-los no sábado, pelas 22h30 no Teatro Principal.

-Na DJ Summit: teremos a DJ Marfox uma autêntica lenda urbana, suburbana e do gueto lisboeta. Na Sala Capitol, na madrugada, pelas 3h30 fechando a noite do sábado.

Na cerimónia dos Womex awards (dia 26)será premiada a fadista Mariza em reconhecimento à sua carreira. Não imaginaria um final melhor!

Adivinhe quem vem para rezar

13361442715287-0-368x276Mais teatro em Compostela! No marco do Troca por troca, amanhã poderemos ver Adivinhe quem vem para rezar, produzido pela Seiva Trupe, uma tradicional companhia sediada na cidade do Porto.

A peça de Dib Carneiro junta personagens masculinos que conversam sobre o que não foi falado durante os seus anos de convivência – ou de coexistência. A obra revela o encontro entre um homem que, durante a missa de sétimo dia do seu pai, encontra-se com um antigo amigo da família, suposto amante da sua mãe. O tom, obviamente, é de acertos de contas.

Em foco, o universo masculino, com homens para quem conversar é complicado demais, feminino demais. Sem fugir à fórmula do drama familiar típico, a peça reúne trocas de acusações, além de segredos que vem à tona, lágrimas, cobranças e traições.

Amanhã às 20h30 no Salón Teatro!