Salvador Sobral, Compostela e Lorca

O poeta Federico Garcia Lorca viajou muitas vezes à Galiza, até encenou La Barraca na Praça da Quintana. Há quem não saiba que compôs seis poemas na nossa língua, publicados pela editorial Nós e prologados por Blanco Amor. Alguns deles têm como localização Santiago de Compostela.

De um lado temos este poeta e do outro um pianista e músicos: assim é que encaixam todas as peças do puzzle Lorca namorado. O espírito de quem encenou La Barraca em 1932 volta à cidade em forma de espetáculo-homenagem.

O pianista Abe Rábade musicou estas composições do poeta de Fuente Vaqueros e amanhã, às 22h, poderemos ouvir ao vivo como é que ficaram esses arranjos. Vão ser misturados ritmos de música tradicional, jazz e flamenco assim como danças.

Alguns cantores da Galiza interpretaram estas letras. Temos o caso dos Luar na Lubre e o legado do Narf: as suas interpretações do Madrigal de Santiago são umas joias que ainda não sei se merecemos.

Amanhã, teremos as vozes do Salvador Sobral, Kiki Morente, Arcangel, Marcelo DoBode e Davide Salvado. Com efeito, o cantor português que já nos conquistou no Ari(t)mar interpretando poemas de Celso Emilio volta a Compostela e todos e todas estamos em pulgas para vê-lo! O lisboeta cantará o poema lorquiano dedicado a Rosalia. Fusão das boas. Lorca namorado! Atrevo-me com uma resposta também literária: e vou namorada.

Convergências 2019

É com incontido orgulho que começo a redigir este post. Há poucos onde eu possa escrever sobre a terra em que nasci, portanto, deixem-me saborear cada palavra.

Não há muitas pessoas que conheçam o facto de que a Rosália tem um poema intitulado “Desde as fartas orelas do Mondego”. Esta composição que tem o Camões como referente foi escrita com ç, nh e lh. Muitas vezes pensamos que culturalmente o nosso mundo não está tão aquém da lusofonia ou que este assunto é historicamente recente na Galiza, mas como podem ver, há provas de que isto não é bem assim.

A minha terriola (Padrão), Santiago de Compostela e Braga convergirão nesta semana num encontro cultural com um vasto programa: exposições, música, cinema, teatro…muitas disciplinas artísticas para um único sentimento de união.

Podem ver o programa nesta imagem.

O plano para quem não quiser deslocar-se muito está nos dias 22, 23 e 24 entre Compostela e Padrão.

No dia 22 temos na Gentalha o concerto de Primo Convexo.

No dia a seguir, no Teatro Principal, haverá um tributo a José Afonso com a Banda Municipal de Compostela.

No dia 24 na Casa da Rosália haverá um concerto em homenagem à poeta homónima com Canto D’Aqui e Iria Estévez.

Quem me dera a mim poder ir a Braga e fazer o programa completo!

Homenagem a Rosália de Castro e José Afonso

12705527_799737653488283_7482409823561378660_n Este é um desses artigos que me vai na alma.

Os meus dois amores juntos: Galiza e Portugal, Rosália e Zeca…os dois…na minha terra.

Este sábado na minha vila padronesa haverá uma homenagem a estes dois vultos da cultura galego-portuguesa com motivo dos atos rosalianos. Juntamos um amigo em cada esquina e a figura do Zeca será homenageada conjuntamente com a da cantora do Sar. Recordemos a frase do intérprete do Grândola: “a Galiza é a minha pátria espiritual”.

Começamos às 18h com uma palestra com Eduardo Pires Oliveira intitulada “Minho-Galiza: 2000 anos de mãos dadas”.

E como todo bom evento, acabamos com música.  Canto d’Aqui dará um concerto.

Unidos pela paixão pela música e pelo prazer de tocar e de cantar, o grupo Canto D’Aqui, surge como uma associação cultural, que procura transmitir à cultura portuguesa aquilo que existe de mais profundo nas suas raízes, deixando um importante tributo para as gerações futuras.

Natural de Braga, foi fundado em 1984, e desde aí tem vindo a desenvolver um trabalho de pesquisa e divulgação da música tradicional e popular portuguesa, desde o Minho até às Ilhas. É composto atualmente por 11 elementos, que executam instrumentos como guitarras, bandolins, viola braguesa, cavaquinho, baixo, flauta transversal, clarinete e percussões. O cariz tradicional dos instrumentos, associado aos arranjos musicais e à originalidade com que interpretam as canções, atribui-lhe uma sonoridade única, sendo já uma referência no panorama nacional. No sábado chegarão a Padrão para oferecer-nos um um repertório baseado nas canções do Zeca e em vários poemas rosalianos.

Venham mais cinco eventos como este!

Colocação dos pronomes II: mesóclise

mesoclise modifiedÉ pouco intuitivo e por isso custa aprendê-lo. Acontece só na língua escrita e é então um fenómeno que parece que tem rasteira e que nos atraiçoa. Temos mesmo que estar de olho, é assim.

Há tempo que na Galiza não sabemos o que é isso da Mesóclise. O livro do Valentim R. Fagim, assinala uma mesóclise em Rosalia de Castro: cantar-te-ei, Galiza. Piscaram já qual é o fenómeno gramatical?

Vimos com anterioridade um post sobre a colocação do pronome e disse, na altura, que não dava a explicação por fechada. A mesóclise é a colocação do pronome no meio do verbo: entre a raiz e a desinência.

Esta classe de palavra tem vida própria em português e pode ir antes, no meio e depois do verbo. Há pessoas nesta vida que viajaram bem menos. O pronome é assim, não tem força por ele próprio e tem que roubar energia de outras palavras. Vampiriza-as.

Esta estrutura forma parte sobretudo da língua escrita e só é aplicada em dois tempos verbais: Futuro de Indicativo e Condicional.
Farei a tarefa> fá-la-ei (Futuro de Indicativo)
Faria a tarefa> fá-la-ia (Condicional)

As normas com a Mesóclise são as mesmas que vimos no artigo da Colocação do Pronome. Portanto, se houver uma negação ou qualquer outra estrutura que impedir, não faremos a mesóclise: não farei a tarefa; não faria a tarefa.

Assim sendo, se quisermos substituir “a tarefa” por um pronome, a conjugação verbal ficaria assim nos dois casos:
Futuro: Eu farei a tarefa (substituímos a palavra “tarefa” por um pronome)
Condicional: Eu faria a tarefa (ídem)

FUTURO

eu fá-la-ei
tu fá-la-ás
ele/ela/você fá-la-á
nós fá-la-emos
eles/elas/vocês fá-la-ão

CONDICIONAL

eu fá-la-ia
tu fá-la-ias
ele/ela/você fá-la-ia
nós fá-la-íamos
eles/elas/vocês fá-la-iam

Isto seria assim com qualquer forma verbal, só mudaria a forma do pronome, obviamente (farei o exercicío> fá-lo-ei; farás as encomendas> fá-las-ás).
De um lado e outro do hífen, cada palavra segue as normas de acentuação independentemente: fá-lo-á; dar-se-ão…

E recordem também que os verbos Fazer, Dizer e Trazer têm raízes especiais no Futuro e no Condicional: Far-, Dir-, Trar-.

Contudo, estas são formas próprias (e obrigatórias) da língua escrita e de um registo elevado. Na oralidade mais quotidiana, os tempos verbais de Futuro ou Condicional são evitados. Costumamos dizer Vou fazer, eu Ia fazer, Vamos viajar, Íamos viajar…
Mesmo assim, não está correto dizer: *farei-no, *faria-o…Escrevemos fá-lo-ei e fá-lo-ia, e no dia da dia dizemos Vou fazê-lo e Ia fazê-lo.

Vamos com esta música d’Os golpes, que hoje estou muito indie:

Minha casinha, meu lar

A nossa Rosália, uma mulher sem casa, escreveu paradoxalmente aquelas palavras de “minha casinha, meu lar”. Um verso bem saudoso, não acham? O termo lar ainda que possa ser considerado um sinónimo de casa, apresenta uma conotação afetiva e pessoal: é a casa vista como o lugar próprio de um indivíduo, onde este tem a sua privacidade e onde a parte mais significativa da sua vida pessoal se desenrola. Apesar da modernidade ter afastado sobremaneira o indivíduo da sua casa, o lar sempre foi considerado uma referência de identidade para o sujeito. Gostamos de fazer parte de um lugar, de pertencer, de ter um refúgio. Quem não teve saudades da sua casa? estar o dia todo com os pés molhados e com desejo de voltar ao lar é, com certeza, um sentimento comum entre nós.
No Lusopatia somos hospitaleiros. Passem em casa, tirem o casaco, enxuguem as meias e sintam-se à vontade. Estávamos à espera da sua visita!

Vejam as partes da casa em português brasileiro neste vídeo.

Vamos dar agora duas dicas para aprender no lar, doce lar:
-Muitos jogos, passatempos e multimédia no SmartKids. Uma fonte de ferramentas de aprendizagem sempre gira.
-Para consolidarem o aprendido e apurarem a fonética, abram as orelhas com este recurso. Podem ouvir palavras em português e em crioulo de Cabo Verde!