MIT Ribadávia 2018

É engraçado como as coisas se unem, podem chamar-lhe serendipidade ou destino.

Um dos temas de que mais falei com os meus alunos e alunas este ano foi o teatro e depois calhou que foi também uma das perguntas no meu concurso-oposição. Hoje abri o email e tinha um aviso do começo da MIT de Ribadávia.

E como acho que a MIT não precisa de apresentações, vamos ao ponto. Eis a nossa proposta lusopata para este ciclo de teatro.

-dia 15: apresentação do livro Confio-te o meu corpo. A dramaturgia pós-dramática, de Afonso Becerra de Becerreá. Será apresentado pelo diretor do Teatro Municipal Rivoli do Porto, Tiago Guedes, às 21h30 no Salão de Atos do Concelho.

É ainda um tabu mostrar o corpo em movimento? É o teatro uma profissão digna? Estas e mais questões a debate neste livro da Através.

-dia 18: às 20h na Praça Maior temos um primeiro passe de Ez Sub dos portugueses Projeto EZ, haverá um segundo passe às 00h30 no mesmo lugar.

Este é um desses espetáculos onde o público é espetador mas também se torna performista.

A peça fala-nos de um submarino que anda um bocado perdido num ambiente urbano. O próprio submarino é “uma máquina cénica de grande formato, capaz de transportar os transeuntes para uma nova realidade”. Pelo que vi na página do projeto, nós como espetadores/as podemos entrar na máquina e interagir com ela. Vejam só.

Quem gostava de ser o capitão Nemo?

L’mantra no UKP Day

No ano passado já comentamos o que era isso do UKP Day em Ribadávia. As edições seguem-se neste evento que tem o ukelele como centro gravitatório e neste ano temos também uma banda portuguesa entre o programa de concertos do festival. É a vez dos L’mantra.

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Madalena Palmeirim (Nome comum) é uma das partes criativas junto do João Teotónio (Ölga e Yu John). Eles dois já estavam envolvidos noutros projetos musicais e um dia encontraram-se em casa de um amigo, começaram na sala a criar música espontaneamente com ukeleles e daí passaram-se rapidamente ao estúdio de gravação.  O nome enganou-me num início, pensei em qualquer coisa mirandesa, mas na realidade tem a ver com mantras, portanto, o disco promete oferecer composições relaxantes e melódicas que nos obrigarão a carregar no play muitas vezes. Há quem o tenha comparado com um floco de neve.

Por agora cantam em inglês, mas não há qualquer tipo de tabu relativamente ao futuro uso de outras línguas para expressar a música que trazem dentro deles.

Amanhã às 14h no Castelo de Ribadávia.

 

UKP Day: Minta & The Brook Trout

UKP Day é a culminação do Ukelele Kit Project, um projeto musical hoje transformado em festival.

O próximo 3 de junho no Castelo de Ribadávia a partir das 12h os/as que lá se achegarem poderão desfrutar de um amplo catálogo de atividades arredor do tema do ukelele: exposições, feira, workshops e concertos.

Como o ukelele não tem tradição na Galiza, isto dá total liberdade a criadores/as e organizadores/as do evento. UKP Day é uma atraente página em branco. Mas não esqueçamos que a origem do instrumento está em Portugal, na Madeira, na época em que os madeirenses começaram a emigrar ao Havaí.

E neste ano, em representação do país luso, teremos os Minta & The Brook Trout. Subirão a palco às 19h para fechar com chave de ouro este festival. Olympia é o segundo longa-duração de estúdio de Minta & The Brook Trout, e chega três anos depois da edição do primeiro álbum.
A banda, Francisca “Minta” Cortesão (voz e guitarra), Mariana Ricardo (voz, baixo e ukulele), Manuel Dordio (guitarra eléctrica e lap steel) e Nuno Pessoa (bateria e percussão) usou esse tempo para escrever as dez canções que o compõem e para, com toda a calma do mundo, encontrar a melhor maneira de as vestir.

Já começa a cheirar a verão!

Sequin e Surma no Arteficial

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Eu sou uma Ribadávia lover. O meu primeiro trabalho como professora foi nesse concelho e isso nunca se esquece. Se digo Ribadávia acho que ninguém vai precisar de mapa nenhum, todos e todas temos no nosso imaginário a vila por muitas razões culturais: A Festa da Istória, a MIT de Ribadávia…e agora também o Arteficial.

O Festival Arteficial é organizado por um grupo de jovens da região do Ribeiro, é sempre bom saber que existem pessoas novas com vontade de fazerem projetos novos. O evento tem caráter multidisciplinar e acolhe outras atividades como exposições, feiras e workshops.

Nesta edição poderemos ver duas bandas emergentes da música portuguesa. Dois projetos a solo. Dois projetos de mulheres: Surma e Sequin. Conheço uma e desconheço outra. Sequin é dessas imprescindíveis no meu Spotify. Surma ainda estou a começar a ouvir algumas faixas.

Surma: Débora Umbelino esteve em várias bandas e este é o seu primeiro projeto a solo. A miúda de Leiria, define-se como uma outsider. Começou a cantar no coro da igreja e costumava cantar em casamentos, mas hoje ninguém diria que aquela Débora e a atual sejam a mesma pessoa depois de tanta evolução e maturidade musical.surma

Surma é Noise e Experimental, uma sonoridade que anda à procura da sua própria identidade, mas é mesmo por isso que ainda emana aquela frescura do que é novo.

-Sequin: Sequin brilha como uma lantejoula 🙂  O projeto da alentejana de gema, Ana Miró, é também produto da fatoria da Lovers and Lollipops, de que tanto falámos neste blogue. Conheci as músicas dela no Sol da Caparica e no ano passado a Sequin também esteve na Galiza no Festival Osa do Mar, em Burela.SEQUIN-PR3_Ana Manuel

Ana Miró mora em Los Angeles, é a criadora de Sequin e também a voz feminina da banda Jibóia. A Ana tem aquela candura do retro americano, das melodias da década de 80. De facto, nos seus inícios fez covers da Olivia Newton John.

Beijing é a última música do seu disco, Penélope, e também um dos seus grandes hits.

Mulheres portuguesas na música eletrónica são raras, mas temos aqui, claramente, uma de grande qualidade!

Então…marquem presença no dia 3 em Ribadávia!

Birds are indie no castelo

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O UKP day é um evento relacionado com o Ukelele Kit Project, exposição e ciclo de concertos que decorreu em Compostela pelo ano 2014. O evento tinha um fio comum: unir pessoas criativas em volta de um mesmo objeto físico, um ukelele “diy”.

Houve um efeito bola de neve e o evento foi crescendo. Hoje podemos dizer que o UKP day é já um mini-festival. O dia 4 do próximo mês podem dar um saltinho até o castelo medieval de Ribadávia, lá vai estar o melhor de uma feira galega (o polvo) e o melhor de um festival (atividades e bandas).

O que podem fazer? colares havaianos, um ukelele de cartão, comprar vinils e produtos gourmet …mas vamos ao ponto, podem ir lá e ouvir uma dessas bandas de Coimbra de culto: Birds Are Indie.birds-are-indie-por-Francisca-Moreira-730x480

 

Parece que as barbas chegaram para ficar, amigas. Eu já tive oportunidade de ver esta maravilha ao vivo. Não fiquem em casa esse primeiro fim de semana de junho.

O baile dos candeeiros em Ribadávia

20090707-231740aO baile dos candeeiros do Coletivo Radar 360º virá a ser encenado no dia 24 do corrente mês em Ribadávia. Esta peça portuguesa faz parte do programa da MIT Ribadávia.

Os ajuntamentos de pessoas são vistos hoje como uma ameaça para muitas pessoas da classe política. As coisas cada vez viram mais pretas e as liberdades individuais correm muitos riscos. É bom vermos esta peça porque nesta “desconfiança” radica o quid desta obra.

Em finais dos anos 60, fazia-se na Foz do Douro, no Porto, o baile dos cinco candeeiros. Esse encontro, que serve de inspiração para esta produção da Radar 360º, era um espaço de liberdade numa época em que os ajuntamentos populares eram encarados com desconfiança, mas era também um momento de dor, pois aí se faziam as despedidas dos soldados que iam lutar para a guerra colonial.

O diretor António Oliveira apanhou esta ideia e criou um espetáculo de rua que mistura música, dança clássica, contemporânea e teatro e assim faz do espaço público um lugar de celebração e de crítica contra o individualismo.

Em definitivo, vamos ver o quê? cinco candeeiros vintage a dançar espalhados por pontos estratégicos. Aos poucos, vamos estar mais envolvidos com esta dança e esse vai ser o nosso momento de libertação.

01h, na Praça Maior de Ribadávia.

Shakespeare com nh em Ribadávia

índiceComo cada ano, Lusopatia está de olho na programação do festival nacional de teatro mais bem sucedido: o MIT de Ribadávia. Pai do teatro galego moderno, o MIT tem sido abrigo de companhias lusófonas e já demos conta disso em post anteriores.

Neste ano, a presença lusófona é bem mais modesta, mas mesmo assim temos programação para anunciar. Há duas peças que todo lusópata deve ver: A Tempestade de William Shakespeare e A 20 de novembro. A primeira delas nem sequer precisa de apresentação ou argumentos, é um clássico, apostem nele. William Shakespeare sempre faz de nós pessoas melhores. Acrescentem uma experiência destas às suas vidas.

A obra vai ser levada a palco pelas companhias Teatro Bruto e Mafalda o sábado 19 de julho às 23h no Auditório do Castelo.

A 20 DE NOVEMBRO de Lars Noren_Joao Pedro Mamede_foto de Jorge GonçalvesPara verem A 20 de novembro têm mais hipóteses de dias. Domingo 20 e segunda 21, Artistas Unidos encenam às 21h na igreja da Madalena a peça de Lars Norén.

Eu batizaria a peça (a olho nu) como um Bowling for Columbine teatral: a 20 de novembro de 2006, Sebastian Bosse atirou sobre alunos e professores do seu antigo liceu antes de se suicidar.
A partir do seu diário íntimo publicado na Net, Lars Norén escreve um texto intenso, frio e clínico. Sozinho no palco, o ator expõe os mecanismos de humilhação que levaram o adolescente à vingança e ao suicídio e interroga a nossa responsabilidade.

Teatro num carrossel

Julieta Aurora Santos coloca o Teatro do Mar num verdadeiro carrossel que usa como metáfora para aquilo que considera ser o “carrossel da vida”. Sim, um carrossel é o cenário do espetáculo. Quem tiver a oportunidade de ir a Ribadávia, à MIT, poderá acompanhar esta peça a altas horas da noite no dia 24.  Só posso dar os parabéns aos e às organizadores/as da mostra, por trazer tanta maravilha.

Os atores começarão a encenar de madrugada, pela 1h, mas bem vale a pena esperar e ver. Máscaras, movimento, música, teatro…e carrossel, uma das coisas que mais tem definido a minha infância.

Os atores desta companhia itinerante de Sines fazem nesta peça uma viagem de carrossel pelo carrossel da vida onde exploram possibilidades em contra-corrente com o quotidiano como a de nos vermos de fora, a de mergulhar em nós próprios em toda a profundidade ou apenas diminuir drasticamente a velocidade dos dias.

O título da peça, AGNOIA,  vem do grego: ignorância, mas também tem uma versão portuguesa: estado do doente que não conhece nada do que o cerca. Agnoia é um espetáculo não verbal, com uma narrativa de carácter poético, físico e visual. Deixa antever o caminho para a reflexão que a companhia diz ser sobre “a natureza humana, numa permanente rotação onde o tempo – invenção humana – condiciona as ações e controla o pensamento”.

A peça coloca várias questões: e se houvesse a possibilidade de experimentar outros caminhos e, reduzíssemos a velocidade vertiginosa dos dias de modo a aproveitar mais cada instante? E se houver uma contra corrente que mude o ciclo sistemático e cego do nosso atual sistema de vida? Será que um de nós pode inspirar a mudança?

Deixo-vos uma amostra:

Teatro de marionetas do Porto em Ribadávia

Com um formato de peça entre manifesto e teatro chega a Ribadávia esta segunda-feira o Teatro de Marionetas do Porto.

Nos últimos tempos, infelizmente, tem-se identificado (erroneamente) teatro de marionetas com teatro para público infantil. A banda desenhada e o cinema de animação conseguiram já superar estes preconceitos. É a vez das marionetas!

Há quem lembre cá um teatro de marionetas tradicional, o mais famoso, se calhar, foi o espetáculo de Barrigaverde que percorria a Galiza e Portugal. Este show itinerante não estava infantilizado nem entendia da obrigada correção política atual.

Gosto de saber que o Teatro de Marionetas do Porto, numa primeira fase, centrou a sua atividade na criação de espetáculos que resultassem da pesquisa do património popular. E daí nasceu um estudo da velha tradição portuguesa do teatro dom Roberto, muito ligada, já agora, com o nosso Barrigaverde.

A prática teatral da companhia, atualmente, revela uma visão não convencional da marioneta: ela é poética e evocativa. A companhia encontra novas formas de conceição das marionetas que partilham espaço com outras áreas de expressão. Assim, na peça Feedback veremos em Ribadávia uma proposta de teatro de rua em que três marionetas e três atores se apoderam do pequeno palco numa breve performance de textos, músicas, intervenção e energia.

Não temos vídeo da obra, mas para vocês ficarem com uma ideia de como o pessoal encena, podem ver este vídeo da Cinderela.

Teatro e não só, Chapitô

TEATRO E CIRCO DO CHAPITO

Temos nova cita lusópata, e ainda por cima de teatro, o verão chegou e sem darmos por nada já está de volta a MIT de Ribadávia. Sendo este ano de cortes, o programa da MIT não se ressentiu e vem cheio de força e com muito teatro, como amostra a companhia do Chapitô vai encenar a peça “Cão que morre não ladra”,  acontece a 22 de Julho no Auditório do Castelo, às 23 horas.

Não vai ser pela primeira vez, mas vamos ter na Galiza uma das companhias mais bem sucedidas do panorama teatral português, para muitos alfacinhas o Chapitô é um restaurante que oferece umas belas vistas do Tejo, de Alfama e da Praça do Comércio, mas o Chapitô é uma grande instituição cultural que tem tentado e conseguido uma grande reinserção social a utilizar o teatro e a escola de circo. Nasceu na efervescência da revolução dos cravos, quando uma mulher, Teresa Ricou, colocou um nariz vermelho e começou a ganhar sorrisos pelo mundo fora, nunca mais parou. Tudo começou com actuações de arte popular e representações efémeras e em 1981 surgiu a Escola de Circo, que formou crianças dos orfanatos de Lisboa para que, graças ao circo, adquirissem novos valores e experiência de vida.

Não vos vou maçar com mais história, mas actualmente o Chapitô forma em arte dramática, circo e capoeira, para além de ter uma forte componente de labor social, actuando com jovens em exclusão sem estar vinculados à dinâmica artística, na actualidade apenas um membro da companhia foi alvo da acção social do Chapitô. Marquem na agenda, se calhar nesse dia o verão aparece, mas não garanto nada.