Galiza com o 25 de abril

Não podia ser doutra maneira. A Associação José Afonso – Galiza organiza um programa de atividades muito completo para comemorar o 25 de abril.

Desde ontem até o dia 28 do corrente mês vamos ter eventos para poder aprender e ter mais conhecimento sobre a cultura portuguesa e o seu episódio mais destacado.

Hoje, na Faculdade de Geografia e História de Compostela, na sala 10 às 19h30, temos a palestra “Os dias da liberdade”, com Camilo Mortágua, capitão de abril, e Margarita Ledo, que na altura viveu exiliada em Portugal.

Amanhã, no feriado mesmo, inicia-se uma exposição de cartazes sobre a revolução no Auditório Municipal de Rianjo e em Compostela, às 21h, sairá da Praça de Cervantes um bloco a cantar o Grândola. Aquelas pessoas que quiserem podem unir-se.

No dia 28 haverá um concerto de graça (“Abril sempre”) às 19 na Praça de Cervantes com José Manuel Esse Trio e Manuel Teixeira & António Rosa.

Vão perder?

Homens, mulheres, venha o diabo e escolha

Homens, mulheres, venha o diabo e escolha é uma peça do Grupo de Expressão Dramática de Escapães.

Desde 1992, este grupo de amigos e amigas armados em atores e atrizes levam a palco textos próprios e são já um referente na própria terra. E isto é difícil. Já sabemos que “santos da casa não fazem milagres”.

Não vi a obra, portanto, não vos posso dizer se gosto ou não. Li o resumo do argumento na sua página: “é uma comédia que nos mostra a rivalidade, os conflitos, os ciúmes, as discussões… E uma boa dose de amor entre homens e mulheres com situações do dia-a-dia de cada um de nós. Quem será o elo mais fraco?”

Na verdade, não gostei muito do resumo. Sinceramente, não gosto da cena da guerra dos sexos, nem de frisar quem é que é o elo mais fraco. Acho pouco feminista e uma visão muito sexista, foi bom com Lisístrata, mas…temos que ir sempre em frente.

Então, por favor, vão neste sábado ao auditório de Rianjo às 21h e digam-me se é que estou profundamente enganada. Tomara que sim.

 

 

 

Falso amigo: estufa

No passado dia 31 fiz contas de cabeça sobre como tem sido o tempo nos últimos anos. Nesse dia recordo-me de esperar um autocarro em Taragonha (Rianjo) com frio, muito frio, chuva…mas nunca como neste ano, com tanto calor. Não há maneira de negar a mudança do clima.

efeitoestufa2O efeito de estufa é um processo que ocorre quando uma parte da radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. Como consequência disso, parte do calor é irradiado para a superfície, não sendo libertado para o espaço.

O efeito de estufa dentro de uma determinada faixa é de vital importância pois, sem ele, a vida como a conhecemos não poderia existir. Serve para manter o planeta aquecido, e assim, garantir a manutenção da vida. É uma solução que o planeta oferece a uma ferida que nós fazemos. estufa

Eu sou de terra de estufas, em Padrón há quilómetros de plástico. A estufa é uma estrutura capaz de produzir o microclima ideal para o cultivo de plantas. Ela pode ser usada para o plantio e também para o armazenamento e a manutenção vegetal. Esse microclima faz com que os nossos pimentos possam ser produzidos mais meses. Estas condições (entre outras) também influenciam o sabor deles e assim, uns picam e outros não, como diz o ditado.

Deixo-vos cá um WikiHow sobre como construir uma estufa e também um vídeo que explica como fazê-lo de uma maneira muito ambientalista: aproveitando garrafas de PET.

E numa opção mais turística, a estufa que aconselho para visitarem é a Estufa fria de Lisboa, um jardim em estufa situado no Parque Eduardo VII, entre a Alameda Engenheiro Edgar Cardoso e a Alameda Cardeal Cerejeira. O seu nome provém de ter sido pensada como uma zona de abrigo de plantas diversas e de não ser usado um sistema de aquecimento (na zona fria). Azáleas, cameleiras, mangueiras…um acervo de plantas que é uma maravilha da botânica. Consultem horários e preços.

Com esta mudança do clima tenho imensa vontade de ligar o aquecimento, mas acho que toca esperar…

Cremildo Bahule

5273_138199306367836_1174885211_nO ensaísta e escritor moçambicano, Cremildo Bahule, estará um tempo connosco na Galiza. Ontem esteve na EOI de Vigo e a próxima semana estará na Ciranda. Ficará na residência de escritores da Axóuxere Editora, em Leiro, Rianjo.

Realmente é fantástico fazer artigos e que apareça Rianjo entre as palavras. A minha metade rianjeira não pode estar mais feliz. Uma residência para escritores e escritoras! que ideia maravilhosa dos Axóuxere para promover a criação e perder o medo à página em branco.

De facto, o escritor está a fazer uma pequena turné galega. Hoje estará na biblioteca de Rianjo para ler Nação Laranja (18h). No dia 16, na livraria Ciranda, o Cremildo falará sobre estética literária (similaridades e contendas entre Literatura Moçambicana e da Galiza). Além da palestra, recitará versos acompanhado de Fran Pérez, NARF, que também interpretará alguns dos seus temas temas mais ‘moçambicanos’. Marquem nas suas agendas: dia 16 às 20h na Ciranda.

E nos dias 25 e 26 fará um pequeno ateliê de escrita criativa em Rianjo no auditório. Dia 25 é de tarde, de 19h a 21h30 e dia 26 é de manhã, de 11h a 13h30.

Kumpania Algazarra em Taragonha

Todos e todas sabemos as propriedades terapêuticas da música. O pessoal do Antros Pinos levou isto até o final: a reflorestação. Música e ação social é um matrimónio que toda a gente conhece e já neste blogue falámos em casos como este.
Mas para mim hoje é diferente. Vai ser complicado não cair na subjetividade e no sentimentalismo porque tenho um fraquinho por Taragonha. Foi muito difícil ver Campo Maneiro ardido em 2006.
O Festival Antros Pinos tem o mesmo nome da associação que o organiza. Os membros trabalham o ano todo para preservar a natureza e a cultura desta aldeia, por isso decidiram que o dinheiro dos bilhetes (sete euros) será empregue para reflorestar Campo Maneiro com árvores autóctones.

No que diz respeito à Lusopatia (vamos com isso!) não é este o primeiro ano que a organização traz uma banda lusa, segundo nos conta Tamara Brea, uma das organizadoras. No ano passado vieram os The Gilbert’s Feed Band e desta vez vocês poderão ouvir as músicas da banda portuguesa Kumpania Algazarra. O festival aposta nas músicas folk e ficou de olho nesta banda de Sintra, que mistura folk, música cigana e ritmos balcânicos. O registo destes músicos está na longa travessia por ruas, jardins, praças, becos, palcos, espaços alternativos e festas improvisadas. Música nómada, multi-linguística, universal e combativa.

Gostamos de Antros Pinos porque, como frisa Tamara, cada ano insistem “em trazer no mínimo uma banda portuguesa”. A associação, mesmo que seja com este pequeno gesto, contribui para manter uma relação mais fluida aquém e além Minho.

Deixo vocês agora com a minha canção preferida deles: Super Cali. Um ritmo para pular a noite do sábado 28!