Mato Seco em Bueu

Esta é uma boa notícia para todas aquelas pessoas que gostarem do reggae. A banda brasileira Mato Seco chega amanhã a Bueu ao Aturuxo no marco dos concertos que vêm preparar o caminho para o Minhoreggae.

A história destes brasileiros não é fácil assim de acompanhar nas redes. Ao que pude saber, com duas décadas de carreira musical e três trabalhos de estúdio, os Mato Seco são uma das bandas mais reconhecidas dentro deste estilo musical no Brasil. As suas canções Brilho Oculto, Tudo nos é dado, Pedras Pesadas, Resistência ou Caminho da Luz são autênticos hinos para todas as pessoas de filosofia rastafari. Estou feliz por ter sabido isto, porque amo reggae e sempre é bom alargar a lista de nomes. Natiruts, Chimarruts, O Rappa ou Cidade Negra estão há anos no meu Spotify. Está na hora de incluir os Mato Seco então.

Como é que foram os seus inícios? Sete amigos da infância de São Caetano do Sul juntaram-se em 2002 para criar música de resistência. O assunto era difícil porque nenhum deles sabia tocar, mas depois de muito esforço e aulas com profissionais eis o resultado.

Segundo li, o nome vem da sua filosofia de vida. Entendem que tudo faz parte de um ciclo. Um mato pode ser verde, ter vida e depois secar, para servir de adubo a outras plantinhas. Isto pode ser visto como um símbolo de resistência e assim é como eles querem que vejamos a cena. E falando em resistência…

O Mato é Seco, mas não morto. Jah Bless!

Minho Reggae Splash 2016

minho-reggae-2016

Chega a sétima edição do festival de música reggae mais conhecido no país: o Minho Reggae Splash.

Habitualmente, aparecem no cartaz várias bandas de países lusófonos e este ano a tradição não se rompe.

  • No dia 2 de setembro chegarão a Tominho no palco Dub Corner:

Junior Dread. Este brasileiro representa a nova geração da música reggae. Com músicas gravadas em português e inglês destaca-se e atravessa fronteiras.

Em 2011 lançou a música e o videoclipe “Não deixe de lutar”  com participação de Gustavo “Black Alien”, um dos artistas mais respeitados na cena do Rap no Brasil e aí a carreira do Junior Dread nunca parou de bombar.

Ouvi hoje a canção do Menino e gostei muito, na verdade. Tem aquele toque Natiruts.

Real Rockers. Real Rockers não é bem uma banda de reggae, Real Rockers é um movimento criado na cidade do Porto que foi criado com o intuito de dar valor e rotina à cultura Reggae Roots & Dub na invicta. Podemos definir o Real Rockers como uma união de músicos e produtores que promovem os ritmos da era dourada do rub-a-dub.

  • No sábado 3 de setembro, no palco das bandas:

Angatu. Angatu é uma banda brasileira formada por ex-integrantes da Cultivo. Estamos a falar de uma das mais novas bandas de reggae de Florianópolis.

Estes músicos lançaram em 2014 o seu primeiro CD, A vida que eu sempre quis, um disco todo com músicas originais e também participações vocais das jamaicanas Kim Pommell e Shareda S. Sharpe (Groundation) e dos gaúchos Pablo “See a Rasta” (Rutera), Leonardo “Frodo” Barbosa (Brilho da Lata), Fyah Rocha e Danilo Beccaccia.

Então, vamos lá?

 

 

Ukiemana em Tominho

cartaz minho reggaeHoje temos um encontro marcado no Minho Reggae, em Tominho. Todos os naty-dreads podem ir por lá e abanar a cabeça.
A minha história com o reggae começa na adolescência, mas não como um ato de rebeldia ou contestação, foi por acaso. Ainda recordo esses primeiros arrepios de emoção quando em adolescente ouvi os Kussondulola no Xabarín Club. Era reggae e era reggae na minha língua. Uma coisa muito parecida acontece anos depois com Ukiemana. Falam de Jah, do leão, das tribos…e consigo perceber.
A banda conta com 10 anos de estrada, tendo nascido na primavera de 2002 na cidade de São Lourenço, Serra da Mantiqueira. Desde então partilhou os mesmos palcos com bandas de renome nacional e internacional.
Ukiemana faz Roots Reggae mineiro. Nos últimos tempos têm-se reafirmado no cenário brasileiro de maneira independente, através de fãs espalhados por todo o país.
Nas suas músicas, tal como no reggae acontece, há uma mensagem de paz e esperança que é transmitida em letras profundas e num ritmo pulsante e forte. Aborda temas como o amor, a positividade e a espiritualidade, no roots do reggae jamaicano, unificado na ancestralidade da sagrada música.
Ukiemana vai fazer com que o pessoal dance hoje na praia fluvial de Goiám, em Tominho.

Tá-se, tá-se, tá-se “mui” bem

Recordo à perfeição o dia em que o soube.
Era o ano 1996 e entre sandes de Nutella e apontamentos de Ciências Naturais descobri-o. Foi uma tarde qualquer, como todas as outras tardes à saída das aulas na escola secundária. Seguia o meu ritual de fazer os trabalhos para casa enquanto via na TVG o Xabarín Club e assim, de roldão, começou a soar reggae. Nunca mais esqueci aquela música.

Pouco tempo depois recebi como prenda o CD de “A cantar con Xabarín” e após alguns anos, na Fnac do Chiado de Lisboa, comprei o compilatório daquela banda: Kussondulola. Conto isto muito literariamente, quase de um jeito épico, porque o dia da sandes de Nutella soube que a nossa língua era mundial. E “tava-se bem, muita bem” fazendo parte de um mundo grande.

Para quem não souber, estes meus ídolos (ganhadores de um prémio Blitz) residem em Portugal, mas a banda é angolana. Janelo da Costa é o líder que na década de 90 pôs Portugal a pular com canções e ritmos novos. Entre portugueses e africanos vindos dos Países Africanos de Língua Portuguesa, não há quem não conheça Kussondulola. Eles falam de histórias de um país longínquo, histórias de “kotas“, de guerras civis, de Jah e de cannabis.
Janelo da Costa e o grupo estarão este fim de semana no Festival a Rebusca. Decorem: amanhã pelas 23.00 em Maceda de Trives. Lá poderão ouvir grandes temas como Perigosa, Tá-se bem, Amor é bué, Guerrilheiro…

Rabadabadabadabadá!