Festival Feito a Man 2018

Não gostei nada do programa das festas de Compostela, não é um segredo para ninguém. Ora bem, a vida recompensa-me com outros concertos bons no Festival Feito a Man.

Para quem não souber, o festival é organizado pela Associação Cultural “Cidade Vella” e decorre nas ruas e praças mais conhecidas de Compostela. Feito a Man visa fazer da cidade nobre um espaço de encontro artístico e multidisciplinar, cada praça ou rua pode ser um cenário. Talvez entre tanta paisagem turística esta seja uma ocasião de desabafo para a própria cidade. Desde hoje até ao dia 26 do corrente mês poderemos usufruir de concertos, cabaret, performances e intalações de todo o tipo.

Se quiserem saber mais coisas, como isto já se move nos mundos mais do que modernos, podem descarregar a app do festival e estarem a par das supresas e novidades.

Querem saber as minhas dicas? Lá vão uns planos para agosto.

  • quarta, 1 de agosto (hoje). 21h45 na Praça de Cervantes. Concerto de Napalma, banda de funkafrobrasileiro com membros de diversas origens (Vitória, Brasil e Maputo, Moçambique). Primeiramente foram um bloco de carnaval, mas vendo o sucesso das misturas, decidiram que o projeto devia continuar de maneira profissional.
  • sexta, 3. 20h na Via Sacra. Vai tocar Senza. A banda portuguesa é formada por músicos que também são viajantes. A composição é para eles uma coisa que pode ser inspirada nas viagens. O seu último trabalho fala da sua estadia na Índia.
  • no mesmo dia às 22h voltam os Napalma com Dj Daasanach em Bonaval. Estes últimos fazem afrocaribbean, kuduro e mambo. Conhecem o kuduro? não? não percam mais tempo!

Dentro do OFF Feito a Man, há também um espaço para a poesia na tarde deste dia na Praça de Salvador Parga às 20h30. Carlo Semedo, João Canedo e Vítor Hugo Moreira vêm de Portugal para dar o seu melhor na música e na poesia.

  • terça, 7. 22h na Rua Trás Salomé podem ver a portuguesa Maria Reis, membro das Pega Monstro. Uma das bandas emergentes que já temos aconselhado alguma vez.
  • quinta 16, às 20h na Via Sacra. Se ainda não sabem o que é que é o “choro” como género musical, podem ir ao concerto de Choro Alegre e já ficam a saber.

É só verem o cartaz…eu estou na glória!

Pega Monstro em Burela

Não há duas sem três, é claro. O Festival Osa do Mar em Burela sagra-se nesta terceira edição como o festival de música underground da Galiza. Longe de ser um fenómeno esporádico, uma terceira edição já demonstra um assentamento e interesse no público.
O cartaz deste ano é também muito variado e há grandes nomes de músicos/as da Galiza, junto deles encontramos as Pega Monstro, banda de Lisboa que são “habitués” do verão galego.
Conhecemos as Pega Monstro por terem estado no Festival da Poesia do Condado e no Wosinc.
As irmãs Júlia e Maria Reis estão a ganhar um espaço cada vez maior no garage internacional. O som do seu último disco, “Alfarroba”, é um rock direto, descarnado e sujo, uma estética que a Galiza não está habituada a ver da mão de cantores/as portuguesas. Ainda bem que existem festivais que fazem contratações variadas que saem do comum de samba-fado-fado-samba.

Pega Monstro faz letras diretas que nos fazem revoltar. Poeira nos olhos, baldes de água fria.

Deixo-vos com És tu, eu sei: “E és tu, já sei, não vou foder com mais ninguém”


<p><a href=”https://vimeo.com/133539040″>PEGA MONSTRO &Eacute;s Tu, J&aacute; Sei</a> from <a href=”https://vimeo.com/user4542559″>Nuno Leal</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Sábado 20, em Burela.

Wosinc…também lusófono

imagesWosinc é um encontro anual com caráter interdisciplinar que visa ser um epicentro da vanguarda, um espelho onde muitas tendências são refletidas. Neste corrente mês Compostela vai irradiar música, ideias e novos conceitos entre os dias 11 e 13.

Que um encontro como este tenha também um cantinho para a lusofonia é uma marca de país. Se o Wosinc fosse em Múrcia…acham que haveria este interesse? estes (re)encontros indicam uma sensibilidade muito própria e uma necessidade que na Galiza é cada vez maior: o contacto com os países de fala portuguesa.

ficha_wos_LLParte da lusofilia deste festival é devida a Lovers and Lollypops. Eles são um pequeno selo discográfico e também uma promotora musical sediada em Barcelos, uma cidade que cada vez me dá mais surpresas quanto ao seu valor dinâmico e cultural. Não, Barcelos não é apenas galos.

Lovers and Lollypops criaram o Milhões de Festa e têm ajudado muitos artistas lusos a iniciarem um caminho e terem  projeção, sempre da ótica da criação independente. Para este evento eles trazem um showcase para festejarem os seus 10 anos em andamento e outras muitas bandas do seu selo discográfico que resenho nestas linhas.

  • Vamos com a calendarização de concertos, que é o que interessa.

-Sexta-feira 11, Pega monstro, Fundação Granell, 19h: tocaram no nosso festival de Poesia no Condado, na  Festa do ficha_wos_pegaAvante e agora voltam à Galiza porque deve ser que nós sabemos tratar bem das visitas. Já lhes tínhamos dedicado umas linhas por causa da sua aterragem em Salvaterra, mas para vos refrescar as ideias diremos que são duas irmãs lisboetas com músicas bombásticas que cada vez estão a ocupar um lugar maior no garage internacional. Um projeto auto-editado e empoderado.

No mesmo dia na Fundação SGAE a promotora portuguesa Lovers and Lollypops traz todas estas bandas, algumas delas já conhecidas para nós, outras uma nova descoberta:

-00h30, Filho da mãe & Ricardo Martins: falar de Rui Carvalho e Ricardo Martins é falar de coisa séria. Eles não são ficha_wos_FFuns Zé-ninguém no panorama independente em Portugal. Cada um deles andava em vários projetos musicais e decidiram experimentar, reunir-se e o resultado foi Revolve, um disco singular. Querem saber mais? não percam a performance que eles têm no showcase de Lovers and Lollypops.

-01h20, Equations: depois da estreia com o álbum Frozen Caravels (L&L, 2012), Equations, uma garage-band de integrantesficha_wos_EQUATIONS novinhos, faz um volte-face e começa de novo. Medo do segundo disco? não acho, porque não ficaram a falar com os seus botões e Hightower (L&L, 2014) é a porta de entrada ao synth pop, ao rock espacial de Amon Düul II. Este último trabalho tem selo também de Lovers and Lollypops e ajudinha do Moullinex.

-02h10, Black Bombaim: falámos deles com motivo do festival Osa do Mar e frisamos que a banda de Barcelos dá um BB-por-Joana-Castelo1toque de charme, modernidade e vanguarda à cidade, que cada vez ocupa um lugar maior e mais relevante entre as nossas linhas. Barcelos é…ouro, ouro de mina.

Raros dentro do panorama luso, por fazerem rock instrumental, contam com horas e horas em palcos e estradas. Os Black Bombaim ainda estão com energia depois de quatro discos. Far Out (2014, L&L) é o seu último lançamento.

-03h, L&L soundsistem é a banda dos Lovers and Lollypops qua vão fazer um show com motivo dos seus 10 anos nos palcos.

Ouçam este depoimento e adivinhem o que agora está por vir…

  • No vasto programa do evento também há palestras. No sábado dia 11, às 13h no CGAC começa o colóquio Por amor à arte. Quatro promotoras independentes entre as quais está Lovers and Lollypops (Joaquim Durães) debatem e analisam as chaves que levam a transformar uma ideia num projeto criativo.

Depois não digam que com setembro acaba o verão…

Festival da Poesia no Condado

Eventos há muitos, mas poucos deste género.

11880363_875634765818676_447456191745930225_nO Festival da Poesia no Condado é daqueles que têm longevidade na Galiza. 27 edições é o melhor currículo para eu vos apresentar esta festa das letras e das artes. Dois dias de convívio, palestras, música e muita carga poética em Salvaterra de Minho, aquela terra onde os talhos…são talhos. Pode ela não ser terra libertada por ser um condado, mas é livre de algum preconceito linguístico. Vejam só a ortografia do cartaz.

Tenho andado a acompanhar as últimas informações no perfil do Facebook destes dias e vi que há proposta lusófona para vos oferecer.

Este sábado podem lá ir e às 20h estar no festival poético e ouvir o português Alexandre Sá, na conversa com escritoras e escritores galegos e bascos. Lamento não ter muita informação deste autor, mas não encontrei muito na net. Vão lá e conheçam a obra dele ao vivo.

A música não falta, porque poesia e música nasceram juntas. Pega Monstro e Irmãos Makossa são as bandas que vão rolar a festa.

Pega Monstro, como diz o Jornal Público, é “rockar a sério”. Daquelas bandas girl power que deixam mossa. Foi ouvi-las e recordar-me das Amarguinhas, ai, como eu gostava delas!

E os Irmãos Makossa são uma banda que também gostava muito de ver. Depois de ter visto o Batida no Sol da Caparica este ano, fiquei fã dos ritmos afro-eletrónicos. Segundo as informações que eles mesmos fornecem: “dois amigos, pesquisadores de música africana da década de 70 e suas influências, decidiram cruzar os seus gostos e divulgar ao público o seu conhecimento! Os Dj sets dos Irmãos Makossa são a história de uma viagem por África e como África influenciou o mundo musical, contada pela música extraída dos vinis e cds que preenchem as suas malas”

Já não há desculpas para não gostar de poesia. Não há, não.