Falso amigo: pantalha

O entrudo galego tem uma variedade de manifestações incrível. É um evento cultural cheio de formas e cores ainda por descobrir para muitas pessoas.

Já falamos alguma vez das máscaras portuguesas que começam o seu ciclo no inverno e hoje quero também falar-vos de um dos entrudos mais longos do ano, o entrudo de Ginço. Esta festa começa três domingos antes da terça-feira gorda: domingo fareleiro, oleiro e corredoiro. Estas três semanas são prelúdio do que virá depois.

Em Ginço, a máscara tradicional é a pantalha, o falso amigo de que vos falo hoje. Ela é a personagem protagonista deste entrudo. Podem ver como é o seu traje nas fotografias: tem duas bexigas para fazer barulho, uns chocalhos, capa e veste umas cuecas longas dessas antigas que usavam dantes os homens.

Qual é o propósito linguístico disto? Igual que com a palavra “galheta”, quero dizer que na Galiza o termo “pantalha” já existia muito antes da chegada do cinema, a tv, os computadores e telemóveis…mas a tecnologia que entrou por via do castelhano deu outro valor a esta palavra. Acho que já sabem do que é que vos estou a falar. Assim sendo, quando tentem falar na norma internacional da nossa língua não esqueçam que temos duas formas para isto: de um lado temos a opção do português europeu Ecrã, e do outro temos a forma do português do Brasil Tela.