Maré ’21

O mar está para peixe e depois de algumas mudanças e novos rumos este ano temos o Maré ’21 em Compostela.

Os adeptos mais lusopatas estavam habituados a uma localização em Ponte Vedra e a que o Cantos na Maré fosse mesmo um festival dedicado quase em exclusiva à lusofonia. Com estes reajustes o evento dura mais tempo e transita por vários espaços da cidade. De quinta a domingo veremos novas e vanguardistas propostas, estilos talvez mais arriscados, uma presença feminina maior e uma seleção musical se calhar destinada a um público mais jovem. Temos na agenda cerca de 30 concertos, que concentram a cultura duns 10 países. Contudo, a conexão lusófona parece um bocado mais fraca no cartaz. Mas não fiquem aflitos, porque o elenco de artistas com nh continua a ser amplo.

Assim sendo, esta que escreve examinou o cartaz e fez a já costumeira seleção lusopata, lá vamos!:

  • Quinta 23
    • Luiz Caracol, 20h, Teatro Principal. O cantor de Elvas já se deu a conhecer entre as linhas deste blogue por ter ido a Vilar de Santos (Obrigada, Noemi). Recentemente tem editado o álbum Só.tão, um trabalho que tem um título-trocadilho graças ao qual podemos intuir muito do seu conteúdo e intenção.
  • Sexta 24
    • Mira é Marta Miranda, 20h, Teatro Principal. A cantora Marta Miranda, voz de Oquestrada, vem à Galiza com este novo projeto em solitário.
    • Jéssica Caitano e Luana Flores, 20h30, Bonaval. Esta pode ser sim uma mudança radical de rumo para a filosofia deste festival. A Jéssica é uma artista multifacetada: cantora, compositora, rapper, percussionista, poeta e ativista LGBT+. Por sua vez, a Luana Flores é beatmaker, dj, percussionista, intérprete e compositora. Na sua linguagem criativa aparecem temas como a sexualidade, o território e o género. Esta dupla promete vir e partir a loiça.
    • Bia Ferreira, 22h30, Bonaval. A artista multi-instrumentista de Minas Gerais define a sua atividade musical criativa como MMP: Música de Mulher Preta. Não há uma apresentação melhor. Bia Ferreira é conhecida no Brasil não só pelo seu grande talento na música, mas também pelo seu compromisso com a luta antirracista e o movimento LGBT+
  • Sábado 25
    • Timbila Muzimba,19h, Praça da Quintana. Os Timbila Muzimba são um tag frequente no nosso blogue. Esta orquestra de timbilas é uma das conexões com o nosso caro Narf e também aposto que a palavra de ordem desta edição, warethwa!, tem muito a ver com eles. Warethwa é o título de um dos seus trabalhos de 2008 e também significa Avante! numa das línguas nacionais de Moçambique.
    • Maria Alice e Jon Luz, 19h, Bonaval. Aqui temos dois referentes da morna, dois pesos pesados de Cabo Verde. E se eu vos disser: Tejo Bar, penso que já vos estou a dar uma pista muito grande. O Jon Luz é a cara visível deste bar mítico da noite lisboeta. O Tejo Bar é um tesouro e já era um tesouro antes de a Madonna ir.
    • Japa System, 20h, Bonaval. Antônio Dimas Vieira Aires Júnior, é um percussionista que fez parte de Terra Samba ou Timbalada. Criado entre São Paulo e a Bahia é músico desde muito cedo. Com o grupo cultural brasileiro Bahia Brasil andou em digressão pelo Japão durante um ano e aí é que nasceu o seu nome artístico. O Antônio Dimas tem dois grammy latinos e no seu currículo está ter subido a palco em festivais internacionais como Lollapalooza ou Rock in Rio.
  • Domingo 26
    • Maré comemora no Parque de Bonaval o Dia Europeu das Línguas a partir das 12h com várias atividades.
    • Às 17h voltam ao cenário Maria Alice e Jon Luz
    • Como encerramento haverá uma gala sobre as viagens de Narf: cantores darão vida ao seu projeto artístico, aquele que unia a Galiza (Zigala, na sua língua imaginária) com Moçambique (Zemambiquo, ídem)

Deixo cá acima esta lista de reprodução do Spotify com as músicas do evento para tomarem contacto, ficarem a saber, curtirem…

Também poderão aceder a conteúdos extras em Rádio Pessoas, um projeto de que falaremos mais à frente, porque bem merece uma menção.

Este é um oceano de experiências, Warethwa!

O’questrada em Compostela

No marco das picheleiras festas da Ascensão, teremos o som popular e de tasca com a banda O’questrada.

Como é já costume, nas festas de Compostela há sempre uma recordação para bandas portuguesas ou lusófonas no programa. Desta feita estão programados os O’questrada e tocarão com Caxade na Quintana às 22h no dia 10, coisas das regras mnemónicas.

Os de Almada vão pôr a malta a mexer!

Oquestrada em Ferrol

 


O ciclo Na raiz continua a dar grandes concertos. Desta feita, vêm os Oquestrada, que já tinham estado connosco no Festival de Pardinhas de 2015.

Recentemente, tenho falado muito com amigos e amigas sobre as etiquetas “música tradicional” vs. “música popular” e parece que esta banda é que nem uma luva para ilustrar o último dos conceitos.

A banda de Almada reinventa a música popular, aquela que é cantada nas tascas, como ninguém. Em 2011 iniciaram uma tour europeia com o seu disco Tasca Betat e não pararam mais. Segundo o Jornal Tornado “A banda OqueStrada iniciou em 2001 um poderoso movimento acústico que deu cartas para criar um novo paradigma na estética musical portuguesa. Canções como “Oxalá Te Veja”, “Creo cariño” e “Se’sta Rua fosse minha” (o seu frankestein popular) giram desde essa época em gravações de culto pelo país.

Chegaram um ano depois ao mais alto quando foram convidados para cantar no concerto dos Prémios Nobel da Paz. Foram os primeiros portugueses a atingir esse patamar. Em palavras dos artistas, eles “desbravaram muitos caminhos”.

O seu mais recente trabalho é de 2014: AtlanticBeat Made in Portugal. Imagino que com estas canções animarão o concerto desta sexta-feira em Ferrol no Teatro Jofre.

O’questrada em Pardinhas

11059733_10153532430029363_3834626634767096595_nO primeiro fim de semana de agosto está lotado de festas no país. O pimento em Ervão, os vikings em Catoira…e o festival de Pardinhas, em Guitiriz.

Num grupo de amigos há com frequência conflito, porque a variedade e quantidade de planos origina qualquer confrontação. Este ano podem deitar as culpas no Lusopatia e ir ao Festival de Pardinhas. O evento é uma feira e uma festa da música e da arte onde se respira criatividade por todo o lado.

Este ano no primeiro dia estarão os O’questrada, banda portuguesa pioneira da reinvenção do popular, das músicas de tasca e do fado.oquestrada

O’queStrada iniciou em 2001 um poderoso movimento acústico que deu cartas para criar um novo paradigma na estética musical portuguesa. Canções como “Oxalá Te Veja”, “Creo cariño” e “Se’sta Rua fosse minha” giram desde essa época em gravações de culto pelo país.

Armados em nómades, os de Almada percorreram com a sua Tasca-Beat  muitas ruas do continente e até cantaram na cerimónia dos Prémios Nobel da Paz em 2012.

A condição II: se, caso, no caso de

1280px-Pieter_Bruegel_the_Elder_-_The_Tower_of_Babel_(Vienna)_-_Google_Art_Project_-_editedSempre adorei as teorias ou mitos que explicam a origem ou o desaparecimento de uma língua. Uma das teorias mais bizarras para explicar a existência de muitas línguas no mundo é a da Torre de Babel.

A lenda retrata a existência de várias línguas como um castigo bíblico e, infelizmente, ainda há quem tenha esta opinião hoje. Pelo contrário, eu gosto mais da ideia de um mundo diverso e policromático. Aliás, aprender línguas é o meu centro de lazer, se apenas existisse uma língua teria que…sei lá…fazer desporto? naaa…

Os indicativos da Torre de Babel começam na bíblia, especialmente no Antigo Testamento, livro do Génese. De acordo com este, a torre teria sido construída pelos descendentes de Noé na época em que o mundo inteiro falava apenas uma língua. Supostamente, a localização da Torre de Babel seria entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia. A soberba dos homens em se empenharem na empreitada de alcançar o mundo dos deuses teria causado a fúria de Deus, que, em forma de castigo, teria causado uma grande ventania para derrubar a torre e espalhado as pessoas sobre a Terra com idiomas diferentes, para confundi-las. Por esse motivo, o mito é entendido hoje como uma tentativa dos antepassados de explicar a existência de tantas línguas no mundo.

Aceitemos a mitologia como isso, mitologia. Se a torre de Babel não fosse construída, falaríamos hoje apenas uma língua? É uma hipótese pouco provável.

Continuamos a estudar a condição. Desta feita, vamos ver as hipóteses mais improváveis.
Podemos exprimir condição improvável com estas estruturas:
SE+ imperfeito do Conjuntivo+ Condicional/Imperfeito do Indicativo:
Se aprovasse português, iria/ia a Lisboa de férias
Se fosse milionária, daria/dava a volta ao mundo
Se esta rua fosse minha, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de rubi só para o meu amor passar

CASO+ Imperfeito do Conjuntivo+ Condicional/Imperfeito do Indicativo
Caso viesses, faria/fazia o jantar
Caso conseguisses esse emprego, faríamos/fazíamos uma festa

NO CASO DE+Infinitivo pessoal composto+Condicional composto
No caso de teres podido sair, teríamos ido ao cinema