Minhoreggae 2015

MINHO-REGGAE-Splash-2015-en-Espacio-FortalezaAparece por aí nalguma conversa a pergunta de “Quais são os géneros musicais que mais gostas?” e eu tenho uma única resposta: gosto muito de todos os géneros que começam por R, exceto reggaeton. Rock, rumba, rap, R&B…e reggae fazem uma playlist variada.

No próximo fim de semana há uma concentração de eventos que vou dosear, mas tentarei informar de todos. Já falámos do Festival de Poesia no Condado e agora é a vez do Minhoreggae, um festival veterano entre os nossos post.

Gosto muito de reggae. Aquilo começou em criança com os Kussondulola e chegou até hoje com o Rappa ou Richie Campbell. É tão bom que existam festivais assim na Galiza! propostas musicais diferentes às das rádio-fórmulas.

Deixo-vos então com duas propostas lusopatas.

Na sexta dia 4, pelas 23h30, chegam a Tominho os Terra Prometida uma banda de Brasília que leva mais de dez anos nos palcos. Começaram primeiro por se chamar RastaFire, mas um ano depois misturaram o melhor do reggae com o melhor do Brasil e adotaram o nome atual. Uma caraterística inovadora e marcante é o revezamento dos vocalistas nas funções de backing vocal e voz principal. Com performances cativantes e aliciantes têm muitos prémios ganhos e sagraram-se já como um referente.

E no dia a seguir à 01h15 temos os Reggae a Semente (RaS), também uma banda brasiliense. Segundo a auto-descrição que eles fazem dizem que são fruto da união de amigos que tinham em comum o desejo de construir algo bom para o mundo com a música e a vontade de se aprofundar na espiritualidade da vida. Com originalidade e sensibilidade, a banda mantém-se fiel às fortes vibrações do reggae de raiz jamaicana, levando ao público composições próprias, influenciadas também pela música brasileira e géneros como Ska, Ragga, Dub e R&B.

Oh, Lord, oh, Lord, oh, Jah…o tempo sozinho dirá!

 

 

 

 

 

 

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Linda Martini

Linda-Martini3Uma das coisas bizarras que eu faço (e tenho muitas bizarradas) é colecionar músicas que falem de olhos no título. Nessa lista que tenho no Spotify e que guardo como um tesouro, há músicas como My father’s eyes, Dois olhos negros, Aquellos ojos verdes…Tenho mais de 120 canções.

Um dia, tentando engrossar essa coleção, dei com um álbum: Olhos de Mongol, de Linda Martini e aí…tive que criar uma nova playlist só para esta banda.

Linda Martini pertence ao novo rock português. De tempos em tempos surgem bandas como esta que evidenciam que a música portuguesa é um projeto aberto, grande e experimental que é capaz de envolver muitos estilos. Eles têm a força trovadora dos Toranja, as guitarras pungentes dos The Vicious Five e o experimentalismo dos Paus.

Longe das comparações que a crítica faz com os Ornatos Violeta, o tema Amor Combate foi um habitué das horas de música da Antena 3, estação que já agora, recomendo vivamente para estarem a par de todas as tendências e festivais.

No dia 24, na Quintana às 22h Dá-me a tua melhor faca e Dez tostões.

Moonspell em Viveiro

moonspell_by_helelbenshachar-d3emokfA produção musical portuguesa é fruto de uma cultura aberta ao mundo. Dentro da música feita em Portugal, podemos encontrar todo o tipo de géneros e estilos, entre eles também o metal.

No dia 18 de julho chegam os Moonspell ao Resurrection Fest em Viveiro.  O Resurrection leva desde 2006 e aos poucos ganhando espaço e hoje é um dos maiores festivais de hardcore/punk e metal da península.

Moonspell é na atualidade uma das bandas portuguesas de metal com maior reconhecimento internacional e isto é tanto assim que vão tocar ao lado dos Motorhead ou Korn. Eu conheci-os porque alguma vez os ouvi na Antena3 (sim, em Portugal também passam heavy nas rádios) e agora voltei a ouvi-los numa lista de Spotify que acompanho por recomendação de um amigo: Digster à portuguesa. Lá há uma mostra bastante representativa da música portuguesa moderna.

A banda vinda de Amadora tem nas suas letras referentes tão literários como José Luís Peixoto, Fernando Pessoa, Mário Cesariny. Querem coisas mais portuguesas? lá vão mais: arranjos com guitarra portuguesa ou letras dedicadas à deusa lusitana Ataegina.

Deixo-vos com Ópium, uma música inspirada em Opiário de Álvaro de Campos, heterónimo de Pessoa.

ah! e vou dar também uma dica para o outfit! se tiverem aquela t-shirt da Agal de NH-LH, levem e representem o bloco heavy-reintegrata.

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Los saguaros e Fast Eddie Nelson

11061186_10204437671234858_3545520531072949913_nA Festa do Avante e o Festival Paredes de Coura são um must para os apreciadores e apreciadoras de festivais. Se lá tocaste, é que és bom.

Neste fim de semana, dia 14, no Cachán Clube em Compostela teremos a oportunidade de ver duas bandas no marco do Menos mal…festival.

Los Saguaros é um duo de Desert Rock’n’Roll vindo de Leiria e formado em 2012 por Diogo Augusto e Samuel Silva. índiceCom uma guitarra, uma bateria e, ocasionalmente, voz, exploram as sonoridades do deserto com Rock’n’Roll e Surf à mistura.

10534422_740259682702919_400496794758244791_nAntes deles abre o show Fast Eddie Nelson, que parece o nome de um pistoleiro do faroeste. Ao ouvirmos as músicas deles até poderíamos dizer que dispara canções e estripa almas.

Vamos evocar com eles cactos e pranchas de surf numa fusão única. Quem gostar de Arizona Baby ou Los Coronas tem cá umas bandas para acrescentar.

A Festa ainda continua na meia-noite no Bar Embora com os DJs Nuno do Roque e Vinnie Jones, que chegam da cidade invicta.

Recreios, músicas emergentes além da raia

recreios_logo-300x75Até que enfim! num dia ensolarado como o de hoje tenho muita emoção ao dar este género de notícias.

Qualquer pessoa que fosse à escola sabe que estar 6h fechado e sentado é muito opressivo. É por isso que o  momento do recreio é como tocar o céu, um horizonte aberto onde podemos esticar as pernas, falar em voz alta e estar pelo menos 20min sem mais responsabilidade que a de sermos felizes.

Descobri que há uma plataforma chamada Recreios fundada pelo pessoal de Desconcierto Cultural (os gestores da Romaria Pop em Compostela e tantas outras iniciativas musicais) que visa trazer bandas de música independente portuguesa. Música fora de clichés folclóricos, música nova, canções que são uma lufada de ar fresco, por outras palavras, canções que são um recreio.

Romper com estereótipos e dar a imagem de um Portugal criativo e com uma visão musical ampla era uma das minhas teimas. Muito obrigada, Recreios, obrigada mesmo.

Na página deles há uma espécie de depoimento, onde confessam que Portugal é aquele desconhecido que anda por perto e que, no fundo no fundo, desejamos conhecer mais e melhor. Mesmo a calhar com as intenções deste blogue.

Recreios tenciona ser um ciclo e o primeiro ato será musicado pelos Coelho Radioactivo e Paus. Dos segundos já falámos nalguma ocasião.

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Coelho Radioactivo é o projeto de João Sousa. Uma proposta de folk experimental vinda de Aveiro. Desses concertos onde os músicos fazem música com bugigangas de todo o tipo.

27Paus é uma banda que eu vi ao vivo. Experimentalismo em estado puro, mas com o suficiente talento como para terem tocado com os Radiohead. Hardcore, psicodélia e ritmos tropicais podem fazer da noite compostelana um momento de relax e divagações variadas.

E agora toca falar do quando e do onde. Esta sexta-feira, às 21h na Zona C em Compostela têm um encontro com a modernidade.

Música e pimentos com Ensemble Rosa del Ciel

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Todas as sextas-feiras do mês de julho o convento de Herbón acolhe uma série de concertos de música clássica, ou por melhor dizer, de música com instrumentos clássicos. A oferta é muito vairada, desde recitais líricos e quartetos de vento até duetos de piano e gaita de foles.

recitais líricos, cuartetos de vento, música barroca ou un dúo de piano e gaita – See more at: http://ocioengalicia.com/coruna/i-festival-de-musica-de-herbon-as-notas-do-pemento/#sthash.TVi8JoaQ.dpuf

O festival não pode ter um nome mais delicioso: As notas do pemento. O convento de Herbón foi o primeiro a cultivar os nossos cotados pimentos, que fazem de Padrón um lugar dos que se podem encontrar no mapa. Antes de cada atuação há uma desgustação desta prezada iguaria de verão e uma visita guiada pelo convento.

A organização tem uma grande missão. Por um lado valorizar o nosso produto culinário (que as pessoas conheçam a história e labor do convento franciscano, mas também o sabor autêntico do pimento), e por outro lado desautomatizar a música. A música clássica é para  toda a gente e também pode ser interpretada entre as plantas, campos, estufas… Esqueçam os preconceitos!

A parte lusópata disto é o concerto desta sexta-feira às 20h30. Ensemble Rosa del Ciel é um grupo formado por uma rapariga galega e dois rapazes portugueses,  todos alunos do curso de Música Antiga da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo na cidade do Porto.

A banda nasceu da vontade latente de experimentar o cancioneiro europeu e as práticas musicais do séc. XVI e XVII, respectivamente Renascença e início do período Barroco. O grupo propõe uma abordagem plural desse repertório, onde une música, poesia, teatro e dança. Com três vozes, alaúde, guitarra barroca, e por vezes também violoncelo barroco e viola da gamba, Esperanza Mara, Guilherme Barroso e Thiago Vaz contam a vida e o mundo dos nossos antepassados.

Um quebra-cabeças a resolver

A JIGSAW

Temos boas notícias para os amantes da música, o dia primeiro de Março de 2013 temos uma cita na capitalina Sala Capitol, às 21, para um concerto de uma das mais promissoras bandas da nova música portuguesa, chegam-se à frente os A Jigsaw. A formação de Coimbra vem acompanhada por uma banda espanhola, o Arizona Baby, e prometem dar uma boa noite de música em grande.

Infelizmente, e como em quase tudo, na Galiza não contamos com um sistema próprio de programação cultural, e tudo o que cá chega passa pelo filtro de Madrid, os A Jigsaw estão, aos poucos e sem dar por nada, a fazer-se com um lugar no circuito indie espanhol. É uma banda folk-blues caracterizada por um som multi-instrumentista, e tiraram o nome da música “jigsaw you” da genial banda flamenga dEUS, com o seu primeiro álbum “Letters from the Boatman” atingiram em 2008 o top do índice A3-30 da Antena 3. O segundo álbum aparece em 2009, e titula-se “Like The Wolf”, já em 2011 lançam o “Drunken Sailors and Happy Pirates”, que atrai muita atenção internacional, sendo segundo os próprios um álbum conceptual, e o conceito é a construção do individuo. A utilizar 27 instrumentos em palco, com uma música agora mais virada para o folk e com canções que contam pequenas histórias e desenham um imaginário, é por isso, se calhar, que a banda tem uma vasta trajectória em musicar filmes, tanto de realizadores portugueses como estrangeiros.

Depois de andarem por toda a Europa, chegam pela segunda vez à Galiza, e como temos fama de barulhentos, e até podemos ser, já lhes advirto que o silêncio é indispensável num concerto dos A Jigsaw, espero que estejam com pica para resolver o quebra-cabeças.

Déa Trancoso volta, desta vez nas Crechas

dea trancoso

Não é a primeira vez que falamos nela, já a vimos o ano passado no Culturgal em Ponte Vedra, mas a cantora mineira Déa Trancoso volta aos palcos nacionais, desta vez na capitalina Casa das Crechas, o dia 27 de Setembro às 22:30.

A cantora, de faz 25 anos de carreira musical, comemora o facto no ano em que a Casa das Crechas faz também 25 anos, traz consigo a voz, a rabeca o violino e a percussão a percorrer as músicas populares de Minas Gerais.

Parte do trabalho dela está assente na tradição mineira do Terno de Catopés de Bocaiúva, grupo secular que no Brasil chegou a acompanhar a cantora em vários espectáculos. Vencedora do X Festivale – Festa da Cultura Popular do Jequitinhonha, Déa Trancoso afirmou-se no panorama musical brasileiro como uma voz dona de um timbre natural que não só surpreende pela afinação, mas principalmente pela capacidade técnica.  Bela maneira de passar a noite de quinta, vai ser de chuva, espero, venham mais Outonos como este.

Bonde do Rolê, ritmos a descobrir

Pessoal, sentem o mesmo que eu? ah pois é! o povo quer festivais e a crise teima em ternos encerrados em casa. Este ano muitos festivais morreram, o clássico Cultura Quente de Caldas e o de pouca dura que foi o Vigotransforma. Mas nem tudo são notícias más, ainda resta o Portamerica, um festival que tem lugar em Nigrán, no porto do molhe e que vem preencher um bocadinho o vazio. Também aqui temos uma pequena dose lusópata, um bocadinho de indie para animar o corpo. No sábado 21 de Julho vão lá estar os Bonde do Rolê, que até que emfim têm novo disco, herdeiro do primeiro With Lasers, o nome do novo é Bacanalmusical e vamos apreciar aqui em Nigrán. Desta feita a base rítmica não será apenas o fuck carioca, agora apresentam umas novas experiências e sonoridades, para que vejam e ouçam melhor, deixo aqui um teledisco da música Kilo, vejam só: calor, sensualidade, Brasil

Fica combinado, 21 de Julho, no festival Portamerica, a partilhar palco com alguns das minhas bandas de estimação como os Vetusta Morla ou Depedro, e com bilhetes que vão desde os 25 sem campismo aos 40 se comprarem no próprio dia na bilheteira e com direito ao campismo. Verão, música e praia. Alguém resiste?

João Afonso e Fred Martins em digressão


Já começou, não vai ser surpresa para muitos, mas para as pessoas que, como eu, só se apercebem das coisas depois delas terem acontecido, fiquem a saber que ainda vão a tempo de assistir a um dos concertos que o João Afonso e o Fred Martins vão dar pelo país fora. O dia 23 estiveram na Casa das Crechas em Compostela, a quinta dia 2, estão no Ultramarinos, também na capital nacional, o dia 4 no bar Liceum do Porrinho e o 5 de Maio ruma o João Afonso sozinho para o Clavicémbalo, em Lugo.

Datas não faltam, vontade também não, e ainda que nunca fui apreciador de canção de autor, quem gostar, tem aqui uma bela oportunidade com uma das vozes mais importantes de Portugal, João Afonso. Na verdade o seu primeiro e último nomes são João Lima, mas ele nunca quis desertar do nome do meio, o materno, e esconder que é sobrinho do José, o Zeca, um ícone e Portugal e não só. Depois de começar carreira em 1996, não parece que seja preciso ir à sobra de ninguém, nem de ser submetido a injustas e arbitrárias comparações. Com uma sonoridade corajosa, que arrisca misturar clarinete, guitarras eléctricas e cavaquinhos o resultado é uma música própria, do João Afonso. Ainda por cima podemos desfrutar dele a contracenar com o “nosso” Fred Martins, um brasilego que não por ter aparecido muito por este blogue vamos deixar de recomendar.